Ações dos próximos anos do MAPA foram discutidas na 35a reunião ordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel

O diretor superintendente da APROBIO e presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel do Ministério da Agricultura (MAPA), Julio Cesar Minelli, pretende encaminhar até a semana do dia 15 de abril o texto com a agenda estratégica do setor, definida pela câmara, à ministra da Agricultura, Teresa Cristina. Essa foi a decisão dos presentes nesta quinta-feira (4) a 35a reunião ordinária da Câmara, realizada em Brasília.

Coube ao coordenador do Grupo de Trabalho, Bruno Laviola, da Embrapa, a apresentação do documento, que faz um diagnóstico do setor e apresenta os motes, desafios e ações que devem ser executados nos próximos anos.

O documento é fruto de grupo de trabalho montado na 33a reunião, realizada no ano passado. Nos próximos dias, o grupo deve finalizar o texto e encaminhar ao MAPA, “acreditamos que dessa forma estamos contribuindo de forma efetiva com as políticas do ministério para o setor”, afirma Minelli. A próxima reunião da câmara está marcada para 6 de junho, em Brasília.

Aprobio participa de reunião do Comitê de Monitoramento do Abastecimento de Biodiesel

O diretor superintendente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Julio Cesar Minelli, participou, nesta quarta-feira (28), da 8a Reunião do Comitê de Monitoramento do Abastecimento de Biodiesel (CMAB), na sede do Ministério de Minas e Energia (MME), em Brasília.

Esse foi último encontro do comitê neste ano e também da atual gestão, do governo do presidente Michel Temer. De acordo com o coordenador-geral de desenvolvimento da produção e do mercado de combustíveis renováveis do MME, Ricardo Gomide, a pasta tem conduzido conversas de aproximação com a equipe de transição do presidente eleito, Jair Bolsonaro, para repassar as informações do atual cenário do setor.

“Esse deve ser o caminho: o diálogo. Acho que isso é produtivo para o bem da sociedade”, afirmou Gomide.

O coordenador propôs ainda que a estrutura do comitê seja repensada para o próximo ano. Para Minelli, a proposta de aprimorar a articulação do comitê está em consonância com as expectativas da Aprobio. No início deste ano, conforme destacou durante a reunião, a entidade propôs a ampliação das discussões sobre estratégias de longo prazo pelo colegiado.

Entre as perspectivas apresentadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), está a oferta de diesel (L62) para o próximo leilão. A apresentação das propostas acontece no dia 3 de dezembro e o leilão, dia 10. A estimativa da ANP é de uma demanda de de 965 a 985 mil m3, volume que afirmaram ser otimista. Aprobio questionou se estavam considerando a sazonalidade – primeiro bimestre historicamente menor consumo – pois essa previsão consideraria um aumento considerável de demanda. Plural também considerou a previsão otimista.

CMAB – O comitê reúne os diversos agentes da cadeia produtiva para nivelar informações sobre a oferta e demanda dos biocombustíveis no Brasil.

Solenidade de posse do novo presidente da Embrapa, em Brasília

O diretor superintendente da APROBIO e presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel do Ministério da Agricultura (MAPA), Julio Cesar Minelli, participou nesta quarta-feira (10) da posse de Sebastião Barbosa, pesquisador aposentado da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na presidência da estatal, vinculada ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, no Salão Nobre do Palácio do Planalto. Barbosa assume no lugar de Maurício Antônio Lopes, que estava na função desde 2012.

(A esquerda: Julio Cesar Minelli com o Guy Capdeville, Chefe-Adjunto de PD&I da Embrapa Agroenergia, e a direita: Eumar Roberto Novacki, Secretário Executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e Julio Cesar Minelli, da APROBIO)

Sebastião é engenheiro agrônomo, especialista em Entomologia (estudo dos insetos) e foi contratado pela Embrapa em 1976, atuando em programas de controle e erradicação de pragas. Por 17 anos, trabalhou na Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura (FAO), no Serviço de Proteção de Plantas, em Roma, Itália; e no escritório para a América Latina e o Caribe, em Santiago, Chile. Coordenou a cooperação internacional da Embrapa e foi Chefe-Geral da Embrapa Algodão, centro de pesquisa localizado em Campina Grande – Paraíba, além de outras atividades exercidas na estatal.

Na imagem principal: a esquerda – Julio Cesar Minelli, diretor superintendente da associação e presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva das Oleaginosas e Biodiesel, no centro – Sebastião Barbosa, presidente da Emrapa, e a direita – Antônio César Salibe, presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool.

Diretor Superintendente da APROBIO representa Câmara Setorial de Oleaginosas e Biodiesel do Mapa no V Encontro de Pesquisa e Energia da Embrapa

O diretor superintendente da APROBIO e presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel do Ministério da Agricultura, Julio Cesar Minelli, participa nesta terça-feira (9) do V Encontro de Pesquisa e Inovação da Embrapa Agroenergia, realizado entre hoje e amanhã na sede da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em Brasília.

Na mesa de abertura, o chefe geral da Embrapa Energia, Guy de Capdville, destacou a importância que o Encontro vem atingindo ao discutir cada vez mais a necessária integração entre Políticas Públicas, Ciência e Tecnologia e o mercado. Walter Rezende, da CNA, destacou os avanços do agronegócio no Brasil e o potencial da biomassa para a matriz energética do país.

O diretor-executivo da Embrapa, Celso Moretti, fechou a mesa de abertura e apresentou o primeiro painel do dia, com as Perspectivas para o Agro na Bioeconomia Brasileira.

Nesta terça e quarta-feira (10), o encontro prossegue na sede da CNA.

Os temas das mesas redondas que se dividem em subtemas serão Políticas Globais para Biocombustíveis frente às demandas por sustentabilidade, Bioprodutos a partir da Biomassa no conceito de Biorrefinaria, Biotecnologia para aumento de produção e enfrentamento das mudanças climáticas e Biomassa para Bioneregia – A Visão do Setor Produtivo.

APROBIO defende aumento de até 2 pontos porcentuais por ano na mistura de biodiesel

Proposta é apresentada em audiência pública para debater futura resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) relativa à adoção do B15

Brasília, 21 de setembro de 2018 – A APROBIO – Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil – defendeu nesta sexta-feira (21), em audiência pública realizada na sede do Ministério de Minas e Energia, em Brasília, a adoção de um mecanismo que permita elevar em até 2 pontos porcentuais por ano a mistura de biodiesel ao diesel derivado de petróleo, até o limite estabelecido em lei de 15% do biocombustível (B15) adicionado ao combustível fóssil. Dessa forma, o índice poderia ser atingido em 2022, dois anos antes do previsto na Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio).

A audiência convocada pelo MME teve como objetivo receber contribuições para futura resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) acerca do cronograma de adoção do B15. A mistura de 15% de biodiesel ao diesel fóssil está prevista pela Lei 13.033/2014. Desde março de 2018, é obrigatória a adição de 10% de biodiesel (B10) ao combustível fóssil.

Pela proposta da APROBIO, apresentada pelo diretor superintendente Julio Minelli, os novos porcentuais de adição de biodiesel entrariam em vigor em março e setembro, com análise e definição do aumento da mistura seis meses antes. Para a fixação do índice, seriam usados os dados de 12 meses anteriores à tomada de decisão. Esse cronograma seria seguido até se atingir a mistura B15, ou até um futuro B20 (20% de biodiesel), que precisa de aprovação de nova legislação para se tornar obrigatório.

Em março passado, na 5ª reunião do Comitê de Monitoramento do Abastecimento do Biodiesel (CMAB), a APROBIO já havia defendido a fixação de um cronograma de aumento gradual da mistura de biodiesel, com início em março de 2019. “Reafirmamos que a previsibilidade é benéfica para todos os elos da cadeia. E a questão semestral permitiria um ajuste mais fino ainda nesse processo”, afirmou Julio Minelli.

Na audiência desta sexta-feira, o dirigente da APROBIO destacou que o biodiesel sempre respondeu às necessidades de demanda do país e expôs a importância de se analisar a competitividade do preço do biodiesel em relação ao combustível fóssil, mas observou que não se deve submeter o aumento da mistura à observação restrita desse item.

Para Minelli, é preciso considerar outros benefícios do biodiesel, como redução de emissões de gases de efeito estufa, substituição de diesel refinado importado e agregação de valor às cadeias das matérias-primas (soja e proteína animal, entre outras). “O biodiesel vem sendo competitivo em quase todos os momentos. Mas sempre destacamos que as questões de saúde, agregação de valor, geração de emprego e renda, entre outras, têm que estar presentes nessa análise (do aumento da mistura)”, disse o diretor superintendente da APROBIO.

Sobre a APROBIO

Fundada em 2011, a APROBIO – Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil – reúne as indústrias produtoras de biodiesel de capital nacional e tem como objetivo disseminar os benefícios econômicos, sociais e ambientais desse biocombustível. Para tanto, apoia e publica estudos técnicos, participa ativamente de grupos de trabalho e fóruns de debate público em prol de políticas para implementação de marcos regulatórios, fomentos ao setor e melhoria da qualidade do biodiesel, entre outros.

MME convoca audiência pública para debater implementação do B15

O B15 está a caminho de se tornar realidade. O Ministério de Minas e Energia (MME) acaba de publicar uma portaria convocando uma audiência pública na qual representantes da cadeia produtiva poderão apresentar sugestões para uma futura resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para o estabelecimento de um cronograma para a adoção do B15 em todo território nacional.

A audiência será realizada na sede do ministério em Brasília (DF) já na próxima sexta-feira (21) sem a convocação de uma consulta pública preliminar. BiodieselBR.com apurou que esse formato foi escolhido pelo ministério para agilizar o processo e que a pasta está empenhada para que a definição sobre o novo cronograma de aumentos da mistura obrigatória seja feita este ano.

O MME já vem circulando uma versão preliminar do texto entre atores da cadeia há cerca de um mês. Segundo essa proposta, o B11 seria adotado em março do ano que vem e, a partir daí a mistura obrigatória avançaria pelo menos um ponto percentual ao ano. Dessa forma, o B15 seria adotado em 2023.

Há também um dispositivo que permite o avanço de dois pontos percentuais em um só ano caso o mercado atenda alguns critérios de oferta e preço do biodiesel. Esse aumento aconteceria uma única vez e poderia ser desfeito caso as condições não consigam ser mantidas.

Os interessados em participarem da audiência, devem acessar a página de consultas públicas o site do MME onde encontrarão a ficha de inscrição e os demais documentos relevantes.

Fonte: Portal BiodieselBR

Green Move Festival propõe ação sustentável a escolas do DF

Evento premiará instituições de ensino que coletarem a maior quantidade de óleo de cozinha usado. Inscrições estão abertas até 16 de setembro

ação Escolas Green, promovida pelo Green Move Festival, premiará colégios do Distrito Federal por ação sustentável. Serão destinados R$ 5 mil para as três instituições de ensino que arrecadarem a maior quantidade de óleo de cozinha usado até 22 de setembro.

O material será doado para produção de sabão artesanal e biodiesel, por meio de parceria com o projeto Fábrica Escola de Sabão, do colégio Sagrado Coração de Maria.

Além do valor em dinheiro, os ganhadores terão direito a 20 acessos para área em frente ao palco nos shows do festival, em 7 de outubro, no Museu Nacional. As escolas que ficarem em quarto, quinto e sexto lugares ganharão 50 ingressos para o evento cada uma.

As instituições interessadas deverão enviar um e-mail até 16 de setembro para escolas@greenmovefestival.com.br com os seguintes dados:

  • Nome da escola
  • Endereço
  • Número de estudantes que a unidade atende
  • Telefones de contato e nomes dos responsáveis pelas atividades no colégio

De 19 a 23 de setembro, os inscritos terão de enviar relatório com as informações de quantas garrafas de óleo foram recolhidas, as fotos do material e a descrição do processo adotado pela escola na ação Escola Green.

Na edição de 2016, cerca de 40 mil crianças foram mobilizadas com a iniciativa, além de famílias e estabelecimentos comerciais. A Escola Classe 15 de Ceilândia ficou em primeiro lugar, com 918 litros de óleo. Já o Centro de Ensino Fundamental 12 de Ceilândia e o Centro Educacional 2 do Cruzeiro ficaram em segundo e terceiro lugar.

A atividade visa conscientizar a população para o descarte consciente do material. De acordo com a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), 1 litro de óleo descartado na pia polui cerca de 200 litros de água. Quando em contato com rios e mares, o material prejudica a oxigenação do ambiente e afeta a biodiversidade.

Jogar o material no solo também pode contaminar o lençol freático e comprometer a qualidade da água no Distrito Federal. Para amenizar os danos, a Caesb mantém postos de descarte pelo Projeto Biguá. O óleo coletado é destinado a arranjos produtivos locais (APLs), organizados para produção de biodiesel a ser utilizado em frota própria e de terceiros.

Mutirão de plantio no Green Move

Em 30 de setembro, o Parque da Cidade Dona Sara Kubitschek ganhará novas árvores nativas do Cerrado. A atividade também faz parte do conjunto de ações sustentáveis do evento.

Com apoio da Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap), serão distribuídas mil mudas para um plantio coletivo no bosque Green Move, perto do Estacionamento 4. Quem participar da ação ganhará um ingresso para a área consciente em frente ao palco para os shows de 7 de outubro.

Festival consciente

O Green Move Festival ocorre anualmente em Brasília desde 2012. A proposta é promover debates e ações de sustentabilidade, além de shows musicais. Neste ano, o evento tem o apoio da Lei de Incentivo à Cultura do Distrito Federal.

Entre as atrações confirmadas para o show de 7 de outubro, estão o paulista Nando Reis, as bandas brasilienses Etno e Dona Cislene e a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional.

 

Fonte: Agência Brasília

Brasília tem ganhos ambientais com ônibus movidos a B20

Ainda no primeiro semestre deste ano o governo do Distrito Federal irá colocar em circulação seis novos ônibus movidos a B20, que se juntarão a outros nove que começaram a rodar em janeiro passado.

Essa medida gera um ganho ambiental para Brasília porque o combustível emite menos gases que agravam o efeito estufa. De acordo com a assessoria de imprensa do GDF,  os veículos não têm escada, contam com piso baixo, ar-condicionado, câmbio automático, motor traseiro, carroceria moderna e velocidade controlada para 60 quilômetros por hora.

A nova linha de ônibus abastecidos com 20% de biodiesel adicionado ao diesel fóssil, o chamado B20, começou a circular no dia 12 na área central de Brasília. O transporte acontece na extensão do Eixo Monumental (do Memorial JK, passando pela Esplanada dos Ministérios até a Praça dos Três Poderes e duas vezes pela Rodoviária do Plano Piloto). A passagem custa R$ 2,50.

Fonte: Canal-Jornal da Bioenergia com dados da Agência Brasília

Quando o aquecimento global bateu à minha porta

Meus amigos paulistanos riram por último. Durante mais de ano, tiveram de aguentar minhas piadas de mau gosto sobre a crise hídrica que forçou a classe média da maior cidade do país a escovar os dentes com copinho e tomar banho de balde. Pois bem: nesta segunda-feira (16), Brasília iniciou seu primeiro racionamento de água em 56 anos, que afetará 60% da população. A decisão foi tomada depois que a barragem do Descoberto, a maior do DF, atingiu o menor volume útil de sua história: 18,9%, no auge da estação chuvosa.

Se havia um lugar do país onde a perspectiva de racionar água parecia irreal há alguns anos, esse lugar era Brasília. A capital do país está sentada no divisor de águas das bacias do Paraná, do Tocantins e do São Francisco. E temos um parque nacional criado de forma presciente para proteger nosso segundo maior reservatório, a barragem de Santa Maria (que está com 41% do volume).

Décadas de desperdício, de aumento de consumo, desmatamento do cerrado e ocupação criminosa de mananciais, tolerada ou estimulada por políticos do calibre de Joaquim Roriz e José Roberto Arruda, corroeram a segurança hídrica da região. Mas o clima se encarregou do empurrão decisivo: foram dois anos seguidos de precipitação muito abaixo da média e calor intenso, que secou o solo e impediu que os reservatórios se recuperassem.

Para mim, que escrevo sobre mudanças climáticas há mais tempo do que seria saudável, o racionamento e outros eventos recentes marcam uma alteração de pronome. Sai o “eles” solidário, mas condescendente, com que tenho tratado até aqui as vítimas do clima, e entra o “nós”. O aquecimento global bateu à minha porta. E não está sendo nada divertido.

É nítido para qualquer brasiliense, em especial os que passaram muito tempo fora e voltaram, que algo mudou por aqui. Para nossa infelicidade, a ciência corrobora essa impressão. Você não consegue mais dormir à noite sem ventilador? Pois saiba que o número de noites quentes no DF – nas quais a mínima da madrugada é superior a 20oC – decuplicou em 2000-2010 em relação a 1962-1970, segundo dados compilados pelo meteorologista Francisco de Assis Diniz, do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

Torrou na primavera nos últimos anos? Pois extremos de temperatura também estão mais frequentes: Brasília bateu seis recordes históricos de calor nos últimos nove anos – dois deles em apenas uma semana, no bizarro outubro de 2015. (Muito a propósito, a primeira quinzena de janeiro de 2017 registrou temperaturas máximas quase 4oC superiores à média.)

Aprendeu na escola que Brasília tem a tal “amplitude térmica de deserto”? Reveja: a diferença entre a mínima e a máxima no inverno caiu 2,1oC e, no verão, 2,25oC.

Informações sobre mudança do clima na cidade são escassas. O único trabalho completo já publicado foi feito pela meteorologista paraibana Morgana Viturino de Almeida, também do Inmet, em 2012. Algumas de suas conclusões principais estão num relatório que a Sema (Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos) do GDF produziu em dezembro, que será publicado nos próximos dias na página da secretaria na internet.

“A população ainda não consegue fazer a ligação entre os extremos, as enxurradas como a que atingiu Samambaia [cidade-satélite, no fim do ano passado], ondas de calor ou a situação de água que temos agora e a mudança do clima”, diz Leila Soraya Menezes, chefe da Unidade Estratégica de Clima da Sema e coautora do relatório. “As políticas públicas são baseadas ainda em séries históricas, só que as médias históricas não significam muita coisa mais na atual realidade do clima.”

Em seu trabalho, Morgana de Almeida analisou 26 parâmetros climatológicos em todo o Centro-Oeste. O que ela viu foi uma tendência semelhante em quase todas elas: noites mais quentes, maior número de dias secos consecutivos, maior frequência de ondas de calor. Na capital, as temperaturas mínimas médias subiram 1,85oC e as mínimas mínimas, ou seja, as menores temperaturas do ano, subiram 2,6oC desde 1961. O número de dias com umidade do ar abaixo de 30% cresceu 50%, e o número de períodos com baixa umidade quase dobrou. Em 2010 havia 48 dias a mais no ano com temperaturas máximas acima de 25oC do que em 1961.

Curiosamente, as máximas temperaturas máximas cresceram bem menos – 0,85oC no período. E as máximas médias tiveram uma diminuição, embora esta não seja estatisticamente significante.

Tampouco é possível ver mudanças expressivas na quantidade total de chuvas no DF até 2010. Não há informação sobre violência das chuvas, mas elas têm feito mais estragos – por consequência da urbanização. No entanto, em novembro de 2014, a capital registrou seu primeiro tornado.

Almeida pede cautela na interpretação dos dados, dizendo não ser possível separar o efeito da mudança climática do da ilha de calor urbana – o mais provável é que haja sinergia entre ambos. Outros lugares do Centro-Oeste que observaram tendência semelhante à de Brasília passaram por desmatamento nas últimas décadas, o que pode ter influenciado os índices. Mas o fato permanece que o sinal de aquecimento e aumento de dias com baixa umidade relativa do ar é nítido em toda a região.

E esta é só a primeira gongada: vem muito mais por aí.

O relatório da Sema também traz projeções regionais de temperatura e precipitação para o DF, feitas pelo grupo de Sin Chan Chou, do Inpe. O estudo considera dois modelos climáticos, um mais “seco” e um mais “úmido”, e dois cenários de emissões de CO2, um moderado e um alto. A depender co cenário, o aquecimento adicional no DF entre 2011 e 2040 vai de 1oC a 3oC. No fim do século, pode chegar a 6o C. Já a precipitação, que hoje não aparece com um sinal claro nas observações, ganha um imenso viés de baixa em todos os cenários, em especial de dezembro a fevereiro, auge da chuva. A anomalia que fez o DF escorregar na crise hídrica pode ser, portanto, um aperitivo das próximas décadas.

Como disse de maneira célebre o climatologista americano John Holdren, só há três coisas a fazer a respeito da mudança climática: mitigar, adaptar e sofrer. O GDF parece pelo menos disposto a discutir as duas primeiras. No ano passado, iniciou a discussão para a criação de um fórum de mudanças climáticas distrital, a ser lançado em julho.

Na população, quem pode vai se adaptando. Eu comprei um aparelho de ar-condicionado logo após a onda de calor de 2015 e instalei telas mosquiteiras em todas as janelas (afinal, com o calor vêm os mosquitos, que também estão mais numerosos).

O problema é como fica a maior parte dos moradores do DF e entorno, que tem menos recursos para se adaptar. A essas pessoas parece estar reservada uma fatia desproporcional do sofrimento.

Fonte: Observatório do Clima – texto de Claudio Angelo

 

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