Brasil exportou biodiesel em janeiro

Tem algo de diferente acontecendo no mercado brasileiro de biodiesel. Em janeiro foi registrada a exportação de 97,5 toneladas do biocombustível com destino aos Estados Unidos. Com mais este embarque já são quatro meses seguidos de presença brasileira no mercado internacional – algo que já não acontecia desde a primeira metade de 2014.

Houve ainda um embarque isolado em julho passado. Também para o mercado norte-americano.

Ainda não dá para falar que as exportações que estão acontecendo agora tenham escala comercial. Todas elas estão na faixa das dezenas de toneladas sendo que a maior foi justamente a de janeiro. Somando os cinco negócios registrados no ano passado tivemos 194,7 toneladas de biodiesel exportado por um total de US$ 342,7 mil – o equivalente a R$ 1,28 milhão pela cotação desta sexta-feira (08).

A última exportação de bom porte feita pelo Brasil foi em dezembro de 2015 quando 10 mil toneladas foram embarcadas para a Holanda por um total de US$ 7,6 milhões. No total, as exportações brasileiras de biodiesel se restringem a 80,3 mil toneladas e faturamento de US$ 74,9 milhões.

Para fins de comparação, apenas no ano passado a Argentina exportou 1,14 milhão de toneladas de biodiesel e recebeu US$ 794,3 milhões.

Roteiro parecido

O roteiro de cada um desses negócios que vem acontecendo desde julho tem sido similar: o biodiesel é sempre embarcado a partir do Porto de Santos e tem seu estado de origem declarado como sendo de São Paulo. Os preços praticados nos três últimos meses também foram praticamente idênticos com a tonelada. Em dezembro, a tonelada de biodiesel foi vendida por US$ 1.794,20.

Isso parece indicar que temos pelo menos uma usina ou companhia de trading testando a rentabilidade do biodiesel brasileiro no mercado norte-americano.

Fonte: BiodieselBR

‘Brasil deve ser líder em biodiesel e energia renovável’, diz executivo

Entrevistado no Conexão Agro, o diretor financeiro e administrativo da 3Tentos Agroindustrial, Luiz Osório, afirma também que o setor produtivo nacional está se preparando para as demandas mundiais

No Conexão Agro desta semana, Alessandra Mello e Luiz Cornacchioni entrevistam o diretor financeiro e administrativo da 3Tentos Agroindustrial, Luiz Osório.

Atuando no mercado com o propósito de ser uma empresa de soluções e suporte no agronegócio, a 3Tentos possui 32 unidades distribuídas em 28 cidades gaúchas.

Osório afirma que o Brasil é um dos maiores produtores de soja do mundo, por isso tem um potencial grande para atuar no mercado de biodiesel e energia renovável.

Brasil pode liderar o mundo na transição para caminho de baixas emissões

A questão que mais se destacou em 2018 para as perspectivas de crescimento econômico dos países foi o impacto devastador da negligência ambiental e da mudança climática induzida pelo homem. Para o Brasil a escolha se coloca entre buscar um crescimento econômico anual no curto prazo de 3% a 4% em detrimento do meio ambiente, ou se empenhar no crescimento sustentado de longo prazo por meio de ações ambientais e climáticas. Esta última opção é muito melhor para o País, mas é preciso ter vontade política para ser posta em prática.

Quando há uma estagnação no crescimento econômico, é tentador pôr a culpa nas regulamentações ambientais e nas ações climáticas. Porém está claro que crescer à custa da destruição do meio ambiente não produziu o avanço econômico sustentado no Brasil. Uma estratégia de crescimento de longo prazo precisa de investimentos e cuidado, não apenas em relação ao capital físico e humano, mas também ao capital natural, especialmente num país como o Brasil, com a riqueza de seus recursos naturais.

Além disso, as recentes inundações, tempestades, secas e ondas de calor que bateram recordes alertam que o aumento das emissões de carbono vai acelerar a mudança climática, prejudicando vidas e meios de subsistência e reduzindo o crescimento econômico. Com a sua extensa costa e diversos tipos de solo, o Brasil é altamente vulnerável a enchentes e secas.

Os perigos estão aqui e agora. Os cientistas vêm alertando que a maior probabilidade da ocorrência desses eventos extremos está associada às emissões de carbono e mudanças no clima. Em 2018 houve chuvas intensas na cidade de São Paulo e a precipitação em apenas uma hora no Rio de Janeiro correspondeu à de um mês inteiro. O Sudeste foi atingido recentemente por uma prolongada seca, exacerbada pelo desmatamento e as mudanças climáticas. Enquanto isso, a Argentina e o Uruguai sofreram secas recordes. Nos Estados Unidos houve grandes destruições provocadas por enchentes monumentais e pelos piores incêndios florestais da história do país.

O Brasil é o 11.º maior emissor de dióxido de carbono, mas tem sido também um dos líderes na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Como maior mercado de energia renovável da América Latina, o País pode se tornar altamente competitivo em energia eólica, solar e hídrica. Energia renovável pode ser o maior nicho das contribuições do Brasil e um motor de crescimento econômico.

Contudo, após os avanços registrados desde 2005, houve um recente e acentuado aumento do desmatamento e das emissões de carbono – o que vai em sentido contrário ao compromisso assumido pelo Brasil no Acordo de Paris de reduzir a zero o desmatamento ilegal na Amazônia brasileira em 2030. Em agosto de 2018 o País derrubou três vezes mais árvores do que a área devastada no mesmo período do ano anterior.

A importância do Acordo de Paris é que todos os países, ao imporem limites às emissões de carbono, criaram um instrumento valioso, como o estabelecimento do preço de uma matéria-prima, para modificar e compartilhar o uso do ar, que, por ser livre, acaba sendo mal utilizado. A adoção dessa medida por todos os interessados acarretará grandes benefícios para a economia brasileira.

Com milhões de hectares de terras abandonadas ou subutilizadas, o Brasil pode usar os solos degradados para expandir a fronteira agrícola, sem precisar se aventurar em novas áreas. Afinal, o desmatamento ilegal é, em sua maior parte, a apropriação privada de recursos públicos, com impacto econômico negativo. O crescimento de baixo carbono na agropecuária também se estende ao transporte, no qual é possível depender menos de novas estradas e mais de ferrovias e hidrovias.

Outros países também necessitam realizar profundas mudanças. As emissões da China continuam a aumentar, embora o país esteja investindo em energia renovável. A atual administração dos Estados Unidos vem desmontando as políticas de proteção do meio ambiente, substituindo-as por ações favoráveis aos combustíveis fósseis, que poderão provocar um grande aumento das emissões de carbono – o que prejudica a vida dos americanos e constitui um crime contra o desenvolvimento global.

Enquanto isso, algumas soluções políticas e tecnológicas estão sendo adotadas em âmbito local. O número de cidades no mundo que utilizam energia limpa duplicou nos últimos três anos. Uma lei de 2018 aprovada na Califórnia exige que toda a eletricidade seja proveniente de fontes renováveis ou sem emissões de carbono até 2045, com metas intermediárias para 2026 e 2030. Chile, Alemanha, México, África do Sul e Reino Unido estão começando a cobrar impostos sobre o carbono.

Relatórios das Nações Unidas e do governo dos Estados Unidos, divulgados no ano passado, sugerem que se está reduzindo rapidamente a expectativa do alcance de um nível máximo das emissões globais em 2020, passando, na sequência, a uma queda acentuada, para manter o aumento da temperatura abaixo de dois graus centígrados. Se os países principais emissores, incluindo o Brasil, seguirem a rota de aumento para as emissões de carbono, o aquecimento atingirá de fato mais de dois e até três graus Celsius, impedindo assim todas as perspectivas de crescimento econômico.

A pergunta crucial não é se o Brasil vai retomar o crescimento, mas como esse crescimento se pode concretizar incorporando as ações sobre o clima. O País é altamente vulnerável às mudanças climáticas e tem todo o incentivo para liderar o mundo na transição para um caminho de baixas emissões de carbono.

Fonte: Brasil Agro

Brasil propõe estratégias para diminuição de CO²

O assunto “meio ambiente e mudanças climáticas” não poderá jamais ser desprezado. Basta ver que o planeta Terra é o mesmo há milhões de anos, e será ocupado por cerca de 10 bilhões de pessoas que disputarão espaços, ondas magnéticas, alimentos, água, ar, e que vai gerar monumentais volumes de lixo, além dos abissais desperdícios, como por exemplo, alimentos.

A 24° conferência das partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP24) aconteceu na Polônia, em dezembro de 2018 – aliás, um dos países admirados, citado pelo nosso novo Chanceler Ernesto Araújo – e lá, o nosso secretário de Mudança do Clima e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Thiago Mendes, fez sucesso revelando o progresso brasileiro em ações concretas, por empresas e governo, registrando a diminuição do desmatamento nos últimos dez anos, que cai de 20 mil km² para 7,9 mil km² ao ano.

Nos termos do Acordo de Paris, todos os países se comprometeram a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, para limitar o aumento médio da temperatura global abaixo de 2°C e o mais próximo possível de 1,5°C.

Temos muito a fazer nos nossos seis biomas: pampa, mata atlântica, caatinga, cerrado, pantanal e Amazônia. Estados como Mato Grosso e Tocantins têm decrescido o desmatamento ilegal de forma considerável, na casa de 80% nos últimos 15 anos.

Na Polônia, apresentamos 42 projetos, com a participação da sociedade civil, possibilitando diminuição da emissão de dióxido de carbono – CO². Dentre eles, que consideramos vital e estratégico para o Brasil, será o crescimento do sistema de Integração de Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF), e como o ex-ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli tem dito e trabalhado, o produtor rural do futuro será também produtor de água; um gestor da água com irrigação sustentável administrada.

Uma das iniciativas do Brasil não foi aprovada, que era criar um mecanismo de incentivo às ações da iniciativa privada sobre a diminuição do aquecimento global. Ideia com a qual concordo totalmente, pois a soma do PIB das cinco mil maiores corporações privadas do planeta as colocam dentro das três maiores economias do mundo.

E, sem dúvida, seremos cada vez mais dependentes de uma forte governança das corporações, que impactam hoje muito mais do que os governos.

Portanto, o Brasil precisa insistir no mecanismo de estímulo às iniciativas privadas na emissão de CO².

Fonte: Campo Grande News

A vitalidade do agronegócio

As primeiras estimativas já apontam para novo recorde de produção de grãos nesta safra que se intensificará nas próximas semanas. O entusiasmo do agronegócio está em alta, o que, por si só, é boa ajuda para obtenção de bons resultados. Quanto mais animado o agricultor, mais a cultura de soja responde com aumento da produção.

Ninguém mais se lembra das histórias do Jeca Tatu. Produtividade e competitividade vêm crescendo ano a ano, a incorporação de novas tecnologias até mesmo em áreas pioneiras impressiona qualquer observador, a demanda mundial por proteína vegetal é crescente, graças à inclusão de grandes massas ao mercado consumidor, sobretudo na Ásia. Até a terceira semana de dezembro, o agronegócio foi responsável neste ano por exportações de mais de US$ 100 bilhões, o equivalente a 42% do total de exportações brasileiras no período.

Esses resultados vêm surpreendendo redutos conservadores do Brasil, especialmente o das velhas esquerdas, para as quais dar força à agricultura significa apostar no Brasil-fazendão, em prejuízo da indústria e do baixo emprego de mão de obra.

Na verdade, essas esquerdas toscas nutrem velhos preconceitos, como o de que o setor dispensa mão de obra à medida que se mecaniza e, portanto, deixa de contribuir para o crescimento do proletariado, sem o qual não se pode contar, pensam eles, com a superação da economia capitalista. Não são capazes nem sequer de avaliar a expansão do segmento de serviços diretamente proporcionado pela produção agropecuária.

Mas há preconceitos ainda mais tacanhos, como os dos dirigentes do MST para os quais o agronegócio favorece a monocultura e os transgênicos, como se eles fossem um mal em si mesmos, e por isso matam a agricultura familiar. Daí os ataques e a destruição de canaviais, de áreas de florestamento e de experimentos realizados por institutos de desenvolvimento de novas variedades agrícolas e de grandes produtores de sementes.

Mas, apesar do jogo contra, o setor vem ganhando de goleada. Estudo recente do Ministério da Agricultura projeta avanço de 30% na produção brasileira de grãos nos próximos dez anos, estimativa que pode ser considerada conservadora. Observadores mais otimistas apontam para o mesmo período crescimento próximo dos 100%, número aparentemente mais cabalista do que realista. No entanto, reflete o nível das expectativas espraiadas no Brasil, que não levam em conta a ocorrência de eventuais imponderáveis, a que sempre está sujeita a atividade do campo.

Excelências e otimismos à parte, não dá para ignorar os obstáculos. O primeiro deles tem a ver com a dispendiosa, precária ou até mesmo inexistente infraestrutura. O suprimento de insumos e o escoamento da produção esbarram nas péssimas condições de transporte e instalações portuárias, situação que talvez seja mais bem compreendida quando se compara o que há com o que poderia ser e ainda não é. Quando estiver em funcionamento, a Ferrovia Norte-Sul, por exemplo, poderá reduzir em até 40% os custos de produção e escoamento da soja do Centro-Oeste, calculam técnicos do setor.

Outro grave obstáculo são os descuidos recorrentes nas questões ambientais e de garantia de qualidade do produto. A força do agronegócio do Brasil já incomoda a concorrência, não só a da ultraprotegida Europa, mas, também, a dos Estados Unidos. Como não pode alegar deslealdade nas práticas de comércio, certamente se apegará a argumentos protecionistas não tarifários, como a supostas infrações na área ambiental, a falhas na especificação de produtos ou à inobservância de critérios fitossanitários, como já está acontecendo no setor de proteína animal.

Também começam a se intensificar no mundo suspensões de contratos de importação de mercadorias para cuja produção supostamente se emprega trabalho infantil ou semiescravo, seja lá o que isso de fato signifique.

Enfim, depois de um passado econômico dependente das exportações de açúcar e de café, o Brasil desfruta agora de grande oportunidade histórica no agronegócio, desde que o setor se empenhe em enfrentar os problemas.

Muita coisa pode ser feita por iniciativa dos próprios produtores agrícolas, como construção de armazéns, de estradas vicinais e de pontes — sem esperar que o governo se mexa e que depois cobre a conta, do jeito e com os métodos dele. Do governo se espera mais que não faça besteiras ou, simplesmente, que não atrapalhe essa marcha.

Fonte: Estadão

Brasil colhe a segunda maior safra de grãos da história, segundo a Conab

A produção brasileira de grãos fechou o ciclo 2017/2018 com 228,3 milhões de toneladas colhidas. Foi a segunda maior safra de grãos, atrás apenas da safra anterior, conforme o 12º levantamento da safra divulgado em setembro pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A produção de soja alcançou recorde de 119,3 milhões de toneladas (4,6% superior à safra passada). O milho registrou produção de 54,5 milhões de toneladas, o arroz, 12,07 milhões de toneladas, o algodão resultou em 2 milhões de toneladas de pluma, e o trigo, com aumento de 6,4% na área semeada em relação à safra anterior, resultou na produção de 5,2 milhões de toneladas.

Apesar de a estiagem ter atrasado o plantio, a soja foi um dos destaques da safra. O espaço destinado ao grão nas lavouras cresceu, sobretudo em áreas destinadas anteriormente à produção de milho 1ª safra, devido à melhor rentabilidade proporcionada ao produtor.

Outra cultura que ganhou destaque foi o algodão, que teve crescimento de aproximadamente 25% e produtividade (algodão em caroço) de 4.267 quilos por hectare. O produto registrou produção de 5 milhões de toneladas.

O desempenho da safra só não foi melhor devido à produtividade, que registrou queda nacionalmente de 5,2%, impulsionada, principalmente, pelo desempenho do milho segunda safra em quase todas as regiões brasileiras. A área plantada foi estimada em 61,7 milhões de hectares, com crescimento de 1,4%, ou 852,8 mil hectares, se comparada à safra 2016/17.

Para a próxima safra (2018/2019), o 3º Levantamento divulgado neste mês, revela que o país deverá colher 238,4 milhões de toneladas, o que representa aumento de 10,6 milhões de toneladas ou de 4,6% de um ano para outro. Os principais produtos responsáveis pelo resultado são soja, milho, arroz e algodão, as maiores culturas do país, que juntas correspondem a 95% da produção total.

Caso a estimativa se confirme, praticamente, se repetirá o resultado recorde da safra 2016/2017, de 238,8 milhões de toneladas.

*Com informações da Conab

Fonte: UOL Economia

Começou a colheita da safra 2018/19 de soja no Brasil

Começou a colheita da soja da safra 2018/19 no Brasil! Como já era esperado, a nova temporada foi antecipada em cerca de 30 dias este ano e os trabalhos de campo já foram iniciados em alguns pontos de Mato em Grosso.

No município de Nova Ubiratã, a colheita de uma soja de ciclo de 90 dias está sendo iniciada. O plantio foi iniciado em 15 de setembro, dia de finalização do vazio sanitário. As condições de clima foram bastante adequadas, as chuvas se anteciparam e chegaram bem distribuídas, em bom volume, e favoreceram a safra.

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) trouxe, na semana passada, sua estimativa atualizada para a safra brasileria em 120,1 milhões de toneladas, projetando um crescimento da área plantada de 1,8% em relação ao ano anterior. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) foi um pouquinho mais adiante e corrigiu seu número de 120,5 para 122 milhões de toneladas no último boletim mensal de oferta e demanda.

Algumas consultorias nacionais e até internacionais chegam a estimar a nova safra do Brasil podendo alcançar até mesmo 130 milhões de toneladas.

USDA vê safra de soja do Brasil em 122 mi t, eleva previsão de exportação

CHICAGO (Reuters) – A safra de soja 2018/19 do Brasil, praticamente toda plantada, deve alcançar um recorde de 122 milhões de toneladas, projetou nesta terça-feira o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que em novembro apostava em colheita de 120,5 milhões de toneladas.

O volume, que veio acima das expectativas do mercado, de 120,88 milhões de toneladas, faz parte do relatório mensal de oferta e demanda do órgão do governo norte-americano.

Maior exportador global da oleaginosa, o Brasil também deve observar envios recordes no ano comercial de 2018/19, com 81 milhões de toneladas, de 77 milhões previstos no levantamento de novembro, de acordo com o USDA.

Produtores brasileiros têm sido beneficiados nos últimos meses pela disputa comercial entre Estados Unidos e China, que levou Pequim a taxar a soja norte-americana em julho. Com isso, os chineses impulsionaram as compras da commodity do Brasil.

Os próprios EUA devem embarcar um total de 51,71 milhões de toneladas de soja em 2018/19, aquém dos 57,95 milhões em 2017/18, segundo o USDA.

O governo dos EUA estima a safra norte-americana da oleaginosa em 125,18 milhões de toneladas, em 18/19.

Com relação ao milho, a temporada 2018/19 do Brasil deve totalizar 94,50 milhões de toneladas, estável frente a previsão passada, mas acima dos 94,41 milhões estimados por analistas.

Para o cereal, a expectativa do USDA é de exportação de 29 milhões de toneladas pelo Brasil em 2018/19, estável ante novembro.

ESTADOS UNIDOS

O USDA deixou sua estimativa para a oferta de soja nos EUA inalterada.

Os estoques finais de soja no país para o ano comercial de 2018/19 foram estimados em 955 milhões de bushels, disse o governo em seu relatório mensal de oferta e demanda.

O USDA aumentou sua visão dos estoques finais de soja em seus cinco relatórios mensais anteriores.

Analistas esperavam que o governo mostrasse estoques finais de 945 milhões de bushels, de acordo com a média das estimativas de uma pesquisa da Reuters.

Se concretizados, os estoques de soja atingiriam um recorde, com a guerra comercial do presidente dos EUA, Donald Trump, com a China, cortando drasticamente a demanda de suprimentos dos EUA.

Os estoques de milho para 2018/19 foram vistos em 1,781 bilhão de bushels, acima da previsão de novembro, de 1,736 bilhão de bushels. O USDA previu estoques de trigo de 974 milhões de bushels, acima das perspectivas de novembro, de 949 milhões de bushels.

Com recorde em soja, Brasil deve ter safra de grãos 18/19 de 238,4 mi t

SÃO PAULO (Reuters) – O Brasil deve produzir um recorde de 120,06 milhões de toneladas de soja na atual safra 2018/19, cujo plantio foi praticamente encerrado, e a cultura deve contribuir para que o país tenha uma colheita também histórica de grãos e oleaginosas, num total de 238,4 milhões de toneladas, projetou a Conab nesta terça-feira.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento, a estimativa para a produção de soja é cerca de 2 milhões de toneladas superior ao ponto médio do intervalo previsto em novembro e também fica acima dos 119,3 milhões de toneladas registrados em 2017/18.

Maior exportador global, o Brasil semeou 1,8 por cento mais soja neste ano, com quase 36 milhões de hectares, disse a Conab.

Conforme a companhia, outras culturas também deverão ter incremento de produção.

No caso do milho, a safra total 2018/19 está estimada agora em 91,10 milhões de toneladas, de 90,48 milhões considerados em novembro e 80,78 milhões no ciclo anterior, que foi marcado por adversidades climáticas.

Do total previsto para a temporada vigente, 27,36 milhões de toneladas deverão ser de primeirasafra, colhida no verão, e 63,73 milhões de segunda safra, a “safrinha”, que ainda será plantada e terá sua colheita realizada em meados do próximo ano.

A produção de algodão (pluma), segundo a Conab, também deverá aumentar, para um recorde de 2,36 milhões de toneladas, ante expectativa de 2,24 milhões em novembro e 2 milhões no ano passado.

Com isso, a safra total de grãos e oleaginosas do Brasil em 2018/19 deve alcançar um recorde de 238,4 milhões de toneladas, superando a maior marca anterior, de 237,67 milhões, vista em 2016/17. Em novembro, a Conab falava em uma colheita total de 235,8 milhões de toneladas.

“Os principais produtos responsáveis por esses números são soja, milho, arroz e algodão, as maiores culturas do país, que juntas correspondem a 95 por cento da produção total”, resumiu a Conab em seu levantamento.

A companhia também disse que “as condições climáticas apresentadas até agora, em todas as regiões produtoras de grãos, estão influenciando positivamente nas produtividades”.

Fonte: Notícias Agrícolas

NA COP-24, ministro faz balanço de avanços no combate à mudança do clima

Edson Duarte ressaltou a redução das emissões brasileiras de 6 bilhões de toneladas entre 2006 e 2015

Katowice (Polônia) – O ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, participou da sessão de alto nível realizada nesta quarta-feira (12/11) na Conferência do Clima, a COP-24, que ocorre em Katowice, na Polônia. Durante sua fala, Duarte fez um balanço dos avanços do país no combate à mudança do clima, incluindo as conquistas na gestão do presidente Michel Temer.

Entre elas, destacou a criação de 94 milhões de hectares de unidades de conservação e os avanços do Cadastro Ambiental Rural (CAR), que já conta com mais de 5 milhões de propriedades registradas – todas dedicando parte do seu território à preservação florestal.

 Confira abaixo a íntegra do discurso:

Sr. Presidente,

Excelentíssimos representantes de Governo,

Organismos internacionais e representantes da sociedade civil.

Senhoras e senhores,

Em nome do Povo e do Governo do Brasil, eu gostaria de expressar o nosso mais profundo agradecimento aos cidadãos, cidadãs e ao governo da Polônia por acolherem a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

Estamos reunidos nesse que é o principal fórum internacional para coordenar respostas globais à mudança do clima, que se torna cada dia mais premente. Aqui, temos espaço para buscar caminhos que nos levem a superar este desafio global.

Mais que as ações de governo, trago a este plenário uma história contada pela sociedade brasileira. Um rol de experiências exitosas, mostrando que avançamos nos compromissos assumidos.

Chegamos com a segurança de quem está procurando fazer a sua parte. Um país que reconhece a sua responsabilidade histórica. O trabalho realizado durante uma década (2006-2015) no combate ao desmatamento da Amazônia, por meio do REDD+, reduziu as emissões em 6 bilhões de toneladas de CO2. Nos últimos três anos foram reduzidos outros 3,9 bilhões de toneladas.

Nestes 3 anos do governo do presidente Michel Temer criamos unidades de conservação que somam mais de 94 milhões de hectares. O Brasil tem agora mais de 173 milhões de hectares federais. O cadastro ambiental rural já conta com mais de 5 milhões de propriedades registradas e todas elas dedicando parte do seu território a preservação florestal.

O Brasil antecipou, já em 2017, as metas voluntárias de redução de emissões de gases de efeito estufa previstas nas nossas Ações de Mitigação Nacionalmente Adequadas para 2020. Esse resultado é vinculado somente ao setor florestal e não contabiliza as ações de mitigação adicionais e voluntárias do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Quioto.

Para o nosso país, o grande desafio é assegurar o bem-estar e a prosperidade de todos os nossos cidadãos, ao mesmo tempo em que efetuamos a transição para uma nova economia.

E temos conseguido. O programa de Agricultura de Baixo Carbono, por exemplo, já investiu mais de 10 bilhões de reais (cerca de 3 bilhões de dólares) em técnicas agropecuárias alinhadas com a conservação da natureza. Na área de transportes, o programa Renovabio tem o objetivo de incrementar o uso dos biocombustíveis, que já atendem a quase metade da demanda de combustíveis para automóveis e a cerca de 10% de veículos pesados.

Estamos nos distanciando de padrões de produção e consumo insustentáveis e encontrando processos equilibrados para responder à crescente demanda por alimentos e energia sustentáveis.

O Brasil está próximo de atingir a meta de redução de 80% no desmatamento na Amazônia até 2020, apesar de o desmatamento observado em 2018 ter apresentado aumento em relação ao ano anterior.

Precisamos fortalecer nossas ações coercitivas, combatendo com afinco o desmatamento ilegal e, ao mesmo tempo, criando alternativas econômicas viáveis para as pessoas daquela região. Valorizar a importância econômica dos recursos florestais significa proporcionar o desenvolvimento sustentável das comunidades que vivem da floresta.

Em outro importante bioma brasileiro, o Cerrado, a redução na taxa de desmatamento em 2018 foi a menor já registrada desde o início do monitoramento, há 18 anos.

Assumimos, também, o compromisso de recuperar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030. Já temos hoje, 9,4 milhões de hectares em processo avançado de recuperação na Amazônia.

Temos uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e nos comprometemos, na nossa NDC, a torná-la ainda mais limpa. Hoje, ela é composta por 43% de energias renováveis, muito próximo do compromisso assumido de 45% até 2030.

A geração de energia eólica cresceu 27% em 2017 e contribuiu para a participação de renováveis atingir a marca de 80% da matriz elétrica.

Reconhecemos a necessidade de desenvolver práticas agrícolas sustentáveis. O setor agrícola brasileiro demonstra compromisso, interesse e empenho na promoção de uma agricultura resiliente e de baixo carbono.

Nos últimos 8 anos a área com agricultura de baixa emissão de carbono foi ampliada em 27 milhões de hectares, com a mitigação de 127,3 milhões de toneladas de CO2.

O fortalecimento das parcerias bilaterais e multilaterais é essencial para alcançarmos um êxito cada vez maior, conjugando o imperativo de redução das emissões com o crescimento sustentável e a erradicação da pobreza.

O Brasil não poupou esforços para chegar até aqui. Precisamos aumentar a escala da ambição, e para isso todos precisam contribuir. Conclamo todos a acelerar suas transições para economias de baixo carbono e a estimular a participação de todos os setores da sociedade a fim de criarmos o futuro que queremos.

Quero, no encerramento desta minha fala, deixar uma última mensagem.

O tempo urge. O tempo que levamos discutindo textos e principalmente cobrando a sua implementação, o mundo lá fora se deteriora. Espécies estão sendo extintas. Habitats desaparecendo. Fontes se esgotando. Poluentes e emissões se acumulando. E o Planeta cada vez mais quente.

Por último faço um pedido: vamos imergir, deste nosso plano global para cada uma dos nossas comunidades, cidades e países e trabalhamos as crianças e jovens, para que tenham pleno conhecimento dos limites do crescimento e quem sabe, acabem por fazer aquilo que nossas gerações não fizeram.

Muito obrigado.

Fonte: MMA

Brasil deve permanecer no Acordo de Paris, diz futuro ministro do Meio Ambiente

O futuro ministro do Meio Ambiente no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro, Ricardo Salles, disse à Reuters que o Brasil deve permanecer no Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas, mas que o mundo também precisa respeitar a autonomia do país para estabelecer suas políticas ambientais.

Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro disse que poderia retirar o Brasil do Acordo de Paris, que estabelece metas de para os países signatários de redução da emissão de gases causadores do efeito estufa.

O presidente eleito, no entanto, tem feito declarações contraditórias sobre suas intenções desde eleito, dizendo que o país pode permanecer no acordo para o clima se forem cumpridas certas condições.

“A minha tendência… é dizer que nós não devemos deixar o acordo”, disse Salles, que foi indicado no domingo por Bolsonaro para assumir o Ministério do Meio Ambiente no próximo governo, em entrevista na segunda-feira.

“Mas, por outro lado, isso também não significa que nós devemos aceitar toda e qualquer sanção, restrição e programa de maneira indiscutível. Todos os países têm que respeitar a autonomia brasileira para gerir seu território e decidir suas políticas do meio ambiente internamente”, acrescentou.

O Brasil assumiu o compromisso de cortar as emissões em 37 por cento até 2025 e em 43 por cento até 2030 como parte do Acordo de Paris, apesar de ainda não ter apresentado um plano completo sobre como atingir essas metas.

Ex-secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Salles disse que acredita na mudança climática, mas que não sabe dizer com certeza se ela é provocada pelo homem ou uma alteração que ocorre naturalmente.

O Brasil deveria deixar essa questão para os acadêmicos e seguir em frente com o negócio “menos charmoso” da proteção ambiental, disse, o que inclui lidar com dejetos, biodiversidade, questões ligadas ao solo e a conversão da frota de veículos para combustíveis menos poluentes.

Bolsonaro não reduzirá o orçamento do ministério e das agências ambientais ligadas à pasta, entre elas o Ibama e o ICMBio, disse Salles.

Mas as agências ambientais não estão produzindo os resultados que deveriam com os recursos que recebem, e ele disse que buscará corrigir essa “má administração” e “ineficiência”.

Indagado se o Brasil deveria reconsiderar a decisão tomada pelo Ibama na semana passada de negar uma permissão para a Total explorar petróleo na delicada bacia da Foz do Amazonas, Salles respondeu que não se deve permitir que a ideologia influencie a decisão e que ela deve se basear somente em fatos.

O país precisa encontrar um equilíbrio entre licenciamento ambiental, seja para agropecuária ou mineração, e desenvolvimento, já que regras muito severas levam pessoas à ilegalidade ou induzem produtores a abandonarem o mercado, disse.

Fonte: Reuters

Os poloneses, japoneses e alemães que ajudaram o Brasil a virar o 2º maior produtor mundial de soja

Como o Brasil se tornou o segundo maior produtor de soja do mundo? A história desse cultivo, que com seus prós e contras é hoje um dos principais motores econômicos do País, se cruza com a da imigração de japoneses, poloneses e alemães.

Para estes imigrantes, a terra brasileira foi literalmente, no início do século 20, fonte de novas riquezas – que transformaram de forma definitiva os rumos do país. Originária da Ásia, a soja começou a ser plantada experimentalmente em pontos diversos do território brasileiro.

Em São Paulo, por exemplo, imigrantes nipônicos cultivavam o grão em pequena escala, para consumo familiar de alimentos derivados deste elemento fundamental na culinária japonesa. No Rio Grande do Sul, alemães e poloneses fizeram experimentos com a planta vislumbrando o potencial econômico da soja – que só se engataria, no entanto, algumas décadas depois.

Família com quatro membros de ascendência japonesa posam com ferramentas agrícolas em meio a bananeiras e outras árvores
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No início da imigração japonesa, soja não era produto prioritário em termos econômicos – mas teve cultivo em pequena escala para consumo familiar | Foto: Acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil

O encontro da planta com a trajetória dos poloneses em particular é parte de uma pesquisa em curso do historiador Rhuan Trindade, doutorando na UFPR (Universidade Federal do Paraná).

Inspirada neste estudo, a BBC News Brasil buscou pesquisadores que se debruçaram também na conexão da soja com as imigrações japonesa e alemã. Confira abaixo.

Um intelectual para uma nova pátria

Ceslau Biezanko em foto de 1920
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Ceslau Biezanko em foto de 1920; intelectual veio ao Brasil enviado pelo governo polonês | Imagem: Rhuan Trindade/Acervo de Edmundo Gardolinski

No mestrado, Trindade estudou especificamente a trajetória do agrônomo polonês Ceslau Biezanko (1895-1986).

O intelectual foi enviado ao Brasil pelo governo polonês na década de 1930 e, anos depois, em 1963, foi reconhecido pelo governo brasileiro como o introdutor de sementes de soja no Rio Grande do Sul – mais precisamente na cidade de Guarani das Missões, hoje com cerca de 7.600 moradores e conhecida por ter sido um destino importante para imigrantes poloneses no Sul.

Neste meio tempo, Biezanko trabalhou em parceria com párocos, escolas, associações e agrícolas de origem polonesa, buscando melhorar a vida dos colonos. Nesse projeto, a soja era vista como “importante fonte de novas receitas e prosperidade futura” pelo intelectual, conforme registra um de seus artigos, escrito em 1958.

“Ele partia de um pressuposto iluminista de associar a melhoria da sociedade à educação e à técnica”, explicou Trindade à BBC News Brasil por telefone. “Biezanko tem o perfil do intelectual do século 19 que acaba versando sobre várias áreas: ele caminhava por sete ciências distintas; escreveu artigos que vão da botânica à química e à economia. Além dessa amplitude de formação, o ideal iluminista coloca o intelectual também como aquele que intervém na realidade da sociedade por meio de ações políticas e sociais”.

A vinda do agrônomo ao Brasil, como para muitos de seus conterrâneos, tem conexão direta com a história polonesa naquele período. A partir do final do século 18, o país deixou de existir e teve seu território dominado em diferentes momentos pela Rússia, a extinta Prússia e a Áustria. Foi um intervalo marcado por conflitos e pobreza, o que estimulou ondas migratórias.

O Brasil, por sua vez, estimulava a colonização por estrangeiros europeus como forma de incentivar a produção de alimentos para o mercado interno. A partir dos anos 1870, famílias de camponeses poloneses passaram a ocupar os Estados da região Sul, algo intensificado em 1890 no período denominado a “goraczka brazijliska”, ou a “febre brasileira”.

Enquanto isso, com o domínio russo, muitas pessoas originadas no território da atual Polônia foram enviadas para lutar na Guerra Russo-Japonesa (1904-1905). O conflito disputava áreas chinesas, o que, provavelmente, pôs europeus em contato com a soja – posteriormente levada à Europa.

Segundo Trindade, com a independência da Polônia em 1918, o país recuperado passa a tentar fortalecer seus emigrados com, por exemplo, o envio de intelectuais.

Potencial não cumprido

Em sua missão, Ceslau Biezanko apostou principalmente na introdução, em Guarani das Missões, do bicho-da-seda, que também é um produto chinês.

Mas há relatos de que o agrônomo introduziu ali também outras 12 variedades de soja.

“Uma entrevistada, já idosa na época de nossa conversa, contou que sua irmã recebeu na escola um punhado de sementes de soja para levar para casa. Era uma distribuição de pequeno alcance, essa produção nunca passou dos quintais. Era algo mais ensaístico”, conta Rhuan Trindade.

“Inicialmente, essa introdução da soja foi precária, não havia linhas de comunicação para o comércio e nem compradores. Então, ela foi usada para ração, principalmente suína. Só que a soja em excesso na ração causava uma descalcificação óssea nos suínos”.

Duas fotos de monumento em homenagem a Ceslau Biezanko em Guarani das MissõesDireito de imagem
RHUAN TRINDADE
Image captionMonumento em homenagem a Ceslau Biezanko em Guarani das Missões; memória do polonês foi retomada com o boom da soja

É possível que essa experiência malsucedida tenha contribuído, em 1934, com a saída de Biezanko de Guarani das Missões. Outro motivo pode ter sido a escalada de conflitos internos na comunidade polonesa. Nos anos seguintes, o agrônomo se dedicou à vida acadêmica em Pelotas (RS), local de seu falecimento.

Nas décadas seguintes, o alcance da soja permanece restrito, ainda que surjam, por exemplo, empresas familiares que começam a trabalhar com o processamento de grãos – transformando-os, por exemplo, em farelos e óleos. Tudo muda entre as décadas de 60 e 70 – mas antes de chegar lá, é preciso voltar no tempo para conhecer como os japoneses tratavam a soja no Brasil.

Um alimento fundamental

Grupo de agricultores imigrante em plantação de café
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O café atraiu milhares de imigrantes japoneses ao Brasil | Foto: Acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil

A partir de 1908, o Brasil recebeu tamanha população de imigrantes japoneses que tem hoje estimados 1,5 milhão de cidadãos com essa ascendência, segundo o Consulado Geral do Japão em São Paulo. Em grande parte, eles vieram com vistas ao trabalho em lavouras de café no Estado de São Paulo.

Mas, se do café tiravam meios de sobrevivência, as primeiras levas de famílias nipônicas já plantavam a soja em casa para consumo próprio – afinal, o grão é componente fundamental da culinária japonesa, para alimentos como shoyu, tofu e missô. Só que, do ponto de vista econômico, em São Paulo, o café tinha mais demanda de mercado e um solo e clima mais propícios do que a soja.

Agrônomo formado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, Isidoro Yamanaka, filho de japoneses, conta porém que essa produção caseira só daria o salto para o agronegócio na década de 70. E Yamanaka, hoje com 83 anos, foi testemunha ocular dessa trajetória – ele mediou diversos acordos entre governos e cooperativas de agricultores do Brasil e Japão e, nas décadas de 70 e 80, coordenou programas no Ministério da Agricultura e Fazenda.

O presidente Ernesto Geisel visita uma lavoura em Minas Gerais em meio a projeto de exploração do Cerrado
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O presidente Ernesto Geisel visita uma lavoura em Minas Gerais em meio a projeto de exploração do Cerrado | Foto: Acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil

Era 1973 e o então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, tinha imposto temporariamente um embargo à exportação de grãos dos Estados Unidos, inclusive para o Japão. O objetivo era garantir o abastecimento interno dos EUA e controlar a inflação de preços.

“O japonês depende da soja. Foi um desespero. Em 75, enviaram imediatamente 29 missões, com mais de dez pessoas cada, do Japão para Brasília para a cooperação na produção de soja. Aí, começou o Prodecer (Programa de Desenvolvimento da Agricultura do Cerrado)”, diz Yamanaka, que acompanhou algumas dessas missões como assessor do gabinete da Secretaria de Agricultura de São Paulo.

Depois de percorrer o Brasil de Norte a Sul, as missões decidiram pelo Cerrado como região prioritária para o plantio da soja e outros alimentos.

Paracatu, em Minas Gerais, foi cenário para o projeto piloto do Prodecer – que, além de mobilizar produtores de origem japonesa, também acabou por atrair agricultores do Rio Grande do Sul.

Grãos de soja ao lado de tigela com molho shoyuDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionA soja é ingrediente essencial na culinária japonesa

O boom da soja

O Cerrado é um dos palcos principais, até hoje, do plantio da soja. Mas, na década de 60, outros fatores contribuíram para que o Sul despontasse neste setor.

Além da demanda externa, contribuíram também para o avanço desse cultivo no país programas de melhoramento genético e a mecanização na agricultura.

Como resultado, na média anual, a produção só fez crescer: saiu de 206 mil toneladas em 1960 para 1,5 milhão de toneladas em 1970. Na safra de 2017/2018, o Brasil produziu 117 milhões de toneladas de soja.

“É no Noroeste gaúcho que se inicia o grande boom da soja: isso é inegável. A região se torna uma grande monocultura de soja em propriedades pequenas, que produzem para o mercado externo. É a famosa ‘revolução verde’, com consumo de insumos, mecanização da lavoura e correção da calcário no solo”, aponta Rhuan Trindade. “O boom da soja nos anos 60 e 70 está diretamente ligado à imigração europeia”.

Esse momento de ouro para a soja coloca, no entanto, duas origens europeias em disputa pela “paternidade” da imersão do grão no Brasil – parte fundamental da pesquisa do historiador. Ao lado dos poloneses de Guarani das Missões, se colocam os alemães de Santa Rosa, também no Rio Grande do Sul.

Ilustração mostra pé e vagem de soja
Direito de imagemGETTY IMAGES
Image captionLíderes viram na soja o potencial para melhoria da vida de colonos de suas comunidades no Brasil

Com um roteiro parecido ao das primeiras experiências com a soja em Guarani, em Santa Rosa, foi o pastor luterano e americano Alberto Lehenbauer quem introduziu o grão no pequeno vilarejo.

“O pastor viajou na década de 20 para os Estados Unidos e a soja estava fazendo o maior sucesso por lá”, explica a historiadora Teresa Neumann Christensen, que há anos estuda o cultivo de soja, sobretudo na região de Santa Rosa. “A situação era tão triste, de uma pobreza de marré, com crianças subnutridas. O pastor avaliou que a soja poderia resolver essa questão, então publicava em periódicos receitas com o grão, ajudava na organização do plantio”.

“Ele pedia que, quem colhesse soja, que levasse uma porção nos cultos de domingo. É importante não só como a soja chegou a Santa Rosa, mas a socialização que ela promoveu. A região tinha um luteranismo muito forte, então a figura deste pastor teve uma importância imensa. Ele promoveu a solidariedade e a prevenção à desnutrição”.

Segundo a historiadora, Lehenbauer era americano mas filho de alemães. Depois de sua missão em Santa Rosa, ele foi transferido para a Argentina.

Enquanto isso, em Santa Rosa, o crescimento da soja foi modesto mas constante com o passar dos anos – sendo acompanhado, progressivamente, da chegada de equipamentos como semeadeiras e empilhadeiras, além da formação de novas cadeias, como a de beneficiamento de grãos. Na década de 70, veio finalmente o boom da soja.

Santa Rosa e Guarani das Missões passam, então, a disputar o título da “Berço Nacional da Soja” – a primeira acaba vencendo a queda de braço apenas em 2009, com a sanção de um projeto do legislativo estadual gaúcho oficializando o título. Já em 1966, outro marco na disputa foi a criação, em Santa Rosa, da Feira Nacional da Soja (Fenasoja), que acontece periodicamente desde então.

Memorial da Soja em Santa Rosa
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Memorial da Soja em Santa Rosa; cidade gaúcha ganhou o título de ‘Berço Nacional da Soja’ | Foto: Prefeitura de Santa Rosa

Em paralelo, Guarani das Missões também passa a se voltar para sua história com a soja – e, nisso, a figura de Ceslau Biezanko volta a ser rememorada. Trindade lembra que a origem da introdução do grão não é fácil de ser rastreada e, mesmo entre poloneses, há também pelo menos outros três candidatos a introdutores da soja no Paraná.

E o quanto destas primeiras experiências contribuiu para a lucrativa fase que chegaria décadas depois?

“Cientificamente falando, não há uma resposta elaborada. Mas a experiência obtida anteriormente pode ter ajudado a geração seguinte, porque é bem a região de Guarani das Missões que vai viver essa expansão nos anos 70. É uma coincidência bastante grande”, opina Trindade.

Das cidades gaúchas, segundo os pesquisadores que estudaram o tema, saíram famílias que conduziram o avanço da soja em direção ao Centro-Oeste brasileiro e, mais recentemente, às bordas da Amazônia.

“Onde você for neste Brasil, encontra alguém de origem alemã que planta soja”, resume Teresa Christensen. “Hoje, em Santa Rosa, já tem produção de leite, milho e outros, mas a soja ainda é a rainha”.

Outros lados da história

Uma árvore em meio a plantação de sojaDireito de imagem
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Image captionPlantio de soja em larga de escala é associado a desmatamento do Cerrado e da Amazônia

O avanço da soja pelo Brasil coloca em evidência outra faceta desta história: o da degradação do meio ambiente.

Esse cultivo é frequentemente associado por ambientalistas ao desmatamento que marca o Cerrado e rasteja em direção à Amazônia.

“Nós, historiadores e acadêmicos do Rio Grande do Sul, temos um embate grande contra pesquisas mais apologéticas, laudatórias dos antepassados. Temos que tentar ir além dessa visão de que o imigrante é o grande pioneiro: esta também é uma história de desmatamento da Mata Atlântica, uma exploração que prejudicou muito o solo da região. É uma história que continua”, destaca Trindade.

Se o passado deixa marcas no presente, certas ausências também dizem coisas. O nome de Guarani das Missões, por exemplo, remete às missões jesuíticas que, nos séculos 17 e 18, forçavam à catequização índios guaranis. Mas onde estão estes povos nos episódios posteriores, do século 20?

“A imigração europeia no Sul, ao mesmo tempo que é uma história de valorização dos grupos europeus, é uma história de apagamento das comunidades indígenas e dos grupos conhecidos como os caboclos”, aponta o historiador.

“Não podemos deixar de ver isso como um colonialismo interno brasileiro, que via o imigrante europeu como sinônimo de progresso, e a presença indígena e negra como de atraso”.

Fonte: BBC News Brasil

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