Soja: Brasil se consolida como maior exportador global, com participação de 56%

O Brasil se consolidou como maior exportador de soja em 2018, atingindo participação de 56% nas exportações globais do grão, mostra levantamento divulgado pela Organização Mundial do Comércio (OMC). O país ampliou em 29% as vendas externas de soja em relação ao ano anterior. Já as exportações de soja dos EUA representaram 29% do total no ano passado, segundo a entidade, com embarques caindo 20% ante 2017.

O Paraguai representou 4% dos embarques da oleaginosa em 2018 (aumento de 3% nas exportações na comparação anual), enquanto o Canadá significou outros 4% (incremento de 14%).

Ainda conforme a OMC, as exportações totais de soja em 2018 totalizaram US$ 60 bilhões. Em 2017, os embarques da oleaginosa haviam totalizado US$ 58 bilhões. A participação da oleaginosa nas exportações de produtos agrícolas aumentou de 2,6% em 2008 para 3,3% em 2018. Em média, as exportações de soja aumentaram 5,5% ao ano durante esse período de 10 anos, atingindo um pico em 2018. “As exportações de soja cresceram mais do que as exportações de produtos agrícolas em geral (3,1% ao ano), apesar de uma queda de 24% nos preços da soja desde 2008”, disse a OMC.

O Brasil ampliou em 6% as exportações de produtos agrícolas em 2018 ante o ano anterior, atingindo receita de US$ 93 bilhões, e continuou ocupando o posto de terceiro maior exportador do segmento, apontou a OMC. O maior aumento foi da China, de 9% na comparação com 2017, para US$ 83 bilhões. O país asiático vem logo atrás do Brasil, no quarto lugar entre os maiores exportadores de produtos agrícolas.

De acordo com a OMC, a União Europeia continuou liderando a lista, com receita obtida com a exportação do setor de US$ 681 bilhões (+6% ante 2017), seguida pelos Estados Unidos, com US$ 172 bilhões (+1%). Entre os dez maiores exportadores de produtos agrícolas, a Austrália foi o país que registrou maior queda nos embarques de 2017 para 2018, de 10%, para US$ 38 bilhões, puxada por trigo e centeio. Com isso, o país perdeu o posto de oitavo maior exportador do segmento para a Índia e passou ao nono lugar.

Fonte: Istoé Dinheiro

G20: Líderes dos Brics afirmam estar comprometidos com os objetivos do Acordo de Paris

Em nota conjunta divulgada na última sexta-feira (28), durante reunião das maiores economias do mundo, líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul mantiveram compromisso com as metas estabelecidas no pacto, que visam a manter o aquecimento global abaixo de 2ºC

Líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, os chamados Brics, divulgaram, nesta sexta-feira (28), uma nota conjunta na qual se comprometem a implementar medidas para atingir as metas estabelecidas no Acordo de Paris, que visam a manter o aquecimento global abaixo de 2ºC, buscando limitá-lo a 1,5ºC.

O anúncio foi feito durante o encontro do G20, no Japão, que reúne as maiores economias do mundo.

No documento, os países afirmam estar “comprometidos com a plena implementação do Acordo de Paris, incluindo os princípios das responsabilidades comuns mas diferenciadas, à luz das diferentes circunstâncias nacionais”.

Os líderes reconhecem, ainda, a “importância de fontes variadas de energia e avanços tecnológicos para alcançar um futuro de baixa emissão [de gases estufa], como energia solar, bioenergia sustentável e gás natural no transporte”.

Dizem, também, reafirmar o comprometimento com o desenvolvimento sustentável e pedem aos países desenvolvidos que forneçam apoio financeiro e tecnológico para auxiliar países em desenvolvimento a se adaptarem e mitigarem os efeitos das mudanças climáticas.

O Acordo de Paris, assinado em 2015, reiterou o combinado de que os países ricos deveriam garantir um financiamento de US$ 100 bilhões (cerca de R$ 382 bilhões) por ano, até 2020, para atender às necessidades dos países em desenvolvimento relacionadas às adaptações climáticas.

Formalização

Encontro entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente francês Emmanuel Macron — Foto: TV Globo

Encontro entre o presidente Jair Bolsonaro e o presidente francês Emmanuel Macron — Foto: TV Globo

A nota divulgada nesta sexta (28) ratifica a sinalização que o presidente Jair Bolsonaro deu ao líder francês, Emmanuel Macron, de que o Brasil permaneceria no Acordo de Paris.

Na quinta-feira (27), Macron havia dito que não assinaria nenhum acordo comercial com o Brasil se o país se retirasse do acordo climático, ameaçando colocar um entrave nos trabalhos das negociações comerciais entre a União Europeia e o Mercosul.

Durante a campanha eleitoral, no ano passado, Bolsonaro havia dito que, se eleito, poderia retirar o Brasil do Acordo de Paris. Em janeiro, o presidente afirmou que, por ora, o Brasil não iria deixar o acordo climático.

Confira outros pontos da declaração conjunta dos líderes dos Brics:

Líderes de China, Rússia, Brasil, Índia e África do Sul divulgaram, nesta sexta-feira (28), nota conjunta na qual se comprometem com os objetivos do Acordo de Paris, durante reunião do G20 no Japão. — Foto: Mikhail Klimentyev/AP

Líderes de China, Rússia, Brasil, Índia e África do Sul divulgaram, nesta sexta-feira (28), nota conjunta na qual se comprometem com os objetivos do Acordo de Paris, durante reunião do G20 no Japão. — Foto: Mikhail Klimentyev/AP

  • Os líderes se comprometem com um comércio internacional transparente, não discriminatório, aberto, livre e inclusivo;
  • Condenam os ataques terroristas, inclusive contra os países dos Brics, em todas as formas e manifestações, onde quer que sejam ou por quem quer que sejam cometidos;
  • Os países permanecem comprometidos com o combate à corrupçãoreconhecem que ela é um desafio global que pode afetar de forma negativa o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável.

Por fim, elogiam o Brasil por “identificar o crescimento econômico para um futuro inovador” como o tema do ano de 2019, período em que o país é o líder temporário do grupo. O próximo encontro dos Brics será em novembro, em Brasília.

Fonte: G1

Brasil a caminho de ser o maior produtor de soja do mundo

Graças à voracidade chinesa, a colheita da soja no Brasil, que deveria cair levemente este ano, pode aumentar no ciclo 2019/20 até superar a dos Estados Unidos, atualmente os maiores produtores mundiais.

O departamento americano de Agricultura avaliou na quarta-feira que a produção do grão no Brasil chegará a 123 milhões de toneladas em 2020, em comparação com as 117 milhões deste ano. Já os Estados Unidos vão registrar uma queda de 123,6 milhões de toneladas para 112 milhões devido a péssimas condições climáticas.

Atual maior exportador mundial de soja, logo à frente dos EUA, o Brasil registou em 2018 um recorde na comercialização do produto para o exterior, com 83,6 milhões de toneladas negociadas, o que significa um crescimento de 22% em relação ao ano anterior.

Esse resultado se explica fundamentalmente pelo apetite dos chineses que, em plena guerra tarifária com os Estados Unidos, aumentaram suas compras do Brasil.

As exportações de soja brasileira para a China subiram 30%, movimentando 68,8 milhões de toneladas.

Já a União Europeia compra do Brasil um terço da soja de que necessita.

Apesar disso, a Associação Brasileira de Indústrias de Óleos Vegetais estima que as exportações de grãos de soja devem cair 18,5% este ano devido à peste suína africana que está fazendo estragos na Ásia.

– Frenético aumento –

Principal grão do Brasil, a soja foi introduzida no país em 1914 e sua produção passou de 25 mil toneladas em 1949 para um milhão em 1969.

A partir da década de 1970, o setor registrou febril crescimento graças à migração de produtores do sul para o centro-oeste, com o desenvolvimento de novas técnicas de cultivo e o uso de pesticidas. Assim, em 1979 a produção chegou a 15 milhões de toneladas.

“Os preços aumentavam e os produtores do sul não tinham tinham terra suficiente para desenvolver. Muitos se instalaram no Cerrado, onde transformaram terras baratas mas inóspitas para plantar a oleaginosa”, disse Amélio Dall’Agnol, da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa).

Essa migração coincidiu com o desenvolvimento do sistema de semeadura direta para grandes cultivos, que permitiu ao Brasil ser parte de uma revolução agrícola.

A semeadura direta consiste em não arar a terra antes do próximo plantio e usar a serrapilheira como cobertura vegetal para, desta forma, limitar a erosão do solo. Essa técnica, da qual o Brasil é hoje líder mundial, está associada ao uso intensivo de herbicidas para limpar o solo antes da semeadura.

– Soja geneticamente modificada –

As variedades de soja geneticamente modificadas “foram necessárias para adaptar o cultivo à latitude do Cerrado”, disse Dall’Agnol. “Esse foi um fator-chave para o aumento da nossa produtividade”, acrescentou.

Plantada ilegalmente nos anos 1990, a soja transgênica teve sua comercialização temporariamente autorizada em 2003, e dois anos mais tarde o Congresso a confirmou.

Em 2017, as variedades de soja transgênica ocupavam 96,55% da superfície cultivada contra 22% em 2004, segundo a assessoria Céleres.

Apesar das críticas de ambientalistas, que apontam o avanço dos cultivos às custas do desmatamento, o Brasil crê que tem capacidade para reforçar sua posição de domínio mundial.

“Nosso país é um dos poucos que ainda podem aumentar suas terras cultivadas em 70 e 80 milhões de hectares a mais, o que lhe permitiria mais que duplicar a produção de cereais e oleaginosas”, disse Leonardo Sologuren, presidente do Comitê Estratégico Soja Brasil.

Fonte: Istoé

Plano Safra 2019/2020 é lançado em Brasília

O Plano Safra 2019/2020 lançado nesta terça-feira (18), em Brasília, disponibilizará R$ 225,59 bilhões a pequenos, médios e grandes produtores. Os recursos já estarão disponíveis aos agricultores partir de 1° de julho.

A medida voltada para impulsionar o setor agropecuário foi lançada pelo presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto, com a presença de ministros, deputados, senadores e diversos representantes do setor, entre eles, o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva das Oleaginosas e Biodiesel e Diretor Superintendente da APROBIO, Julio Cesar Minelli.

O Plano prevê a disponibilização de R$ 169,33 bilhões em recursos para custeio, comercialização e industrialização. Para investimentos, o plano direcionará R$ 53,41 bilhões. A subvenção ao seguro rural também está inserida no plano é terá R$ 1 bilhão destinado ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural. Outro R$ 1,85 bilhão está previsto para o apoio à comercialização nas modalidades de aquisição direta do produtor, contratos de opção de venda e subvenção de preços, em 2020.

“Investir na agropecuária é uma aposta na interiorização do desenvolvimento, na geração de emprego e renda segurança alimentar no superávit da nossa balança comercial, na nossa prosperidade como nação”, afirmou a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina.

Ao todo, o crédito rural será de R$ 222,74 bilhões. As taxas de juros serão aplicadas de forma a considerar o tamanho do produtor. Para os pequenos agricultores, os juros serão de 3% a 4,6% ao ano. Médios produtores terão taxas de 6% ao ano e os grandes, 8% ao ano. Já os programas de investimento terão taxas de 3% a 10,5% ao ano.

O Plano Safra prevê ainda R$ 55 bilhões em recursos LCA para crédito rural e estabelece a permissão para que a CPR seja emitida com correção pela variação cambial, viabilizando a emissão de CRA e CDCA no exterior.

Também está inserido no Plano a liberação permanente de crédito por beneficiário do Programa de Incentivo à Irrigação e à Produção em Ambiente Protegido (Moderinfra), de R$ 3,3 milhões por beneficiário (empreendimento individual) e de R$ 9,9 milhões (empreendimento coletivo)

A renegociação de dívidas está prevista com recursos do Fundo de Aval Fraterno (FAF) e permitirá aos produtores renegociarem dívidas agrícolas junto a bancos, distribuidoras e agroindústrias. Segundo o governo federal, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) dispõe de R$ 5 bilhões para essas renegociações, com prazo de pagamento de até 12 anos e três anos de carência.

A ministra Tereza Cristina anunciou ainda que será lançado o aplicativo Plantio Certo, no qual produtores rurais poderão acessar informações de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). Atualmente, o ZARC já está disponível na loja da Embrapa na Play Store e permite identificar a melhor época de plantio de culturas, para minimizar os riscos relacionados aos fenômenos climáticos. Uma nova metodologia vai avaliar os riscos de sistemas agrícolas.

Médio Produtor

O Plano estabelece a destinação de R$ 26,49 bilhões em verbas de custeio e investimento ao Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp). O orçamento destinado ao médio produtor recebeu um aumento de 32% em relação ao Plano Safra 2018/2019, dessa forma, contará com R$ 6,46 bilhões a mais neste período.

Esses recursos poderão ser destinados ao financiamento de custeio, com juros de 6% ao ano e investimento, com juros de 6% ao ano. Os produtores que não se enquadram no Pronaf também podem ser beneficiados com esses recursos.

Pequeno Produtor

Após 20 anos, pequenos produtores foram reinseridos ao Plano Safra. Os beneficiários do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – Pronaf – contarão com R$ 31,22 bilhões. Esses recursos poderão ser usados tanto em custeio quanto investimento e terão juros de 3% ao ano.

“Temos, enfim, uma só agricultura familiar, que alimenta com qualidade o Brasil e o mundo”, ressaltou a ministra Tereza Cristina.

Os recursos para custeio também podem ser destinados à produção de alimentos básicos (arroz, feijão, mandioca, trigo, leite, frutas e hortaliças) e para investimento em recuperação de áreas degradadas, cultivo protegido, armazenagem, tanques de resfriamento de leite, energia renovável e outros.

Pela primeira vez, parte desses recursos (R$ 500 milhões) poderão ser usados em construção ou reforma de moradias dos pequenos agricultores. A estimativa do governo federal é que a verba viabilize a construção de até 10 mil casas para pequenos produtores.

Brasil continua exportando biodiesel; período é recorde

O Brasil entrou em seu oitavo mês consecutivo como exportador de biodiesel. A informação foi divulgada pelo Ministério da Economia. Essa é a série contínua mais longa de exportações desde que o país embarcou sua primeiríssima carga – 45 kg com destino a Cingapura –, em outubro de 2012.

Em maio, 19,4 toneladas de biodiesel saíram do país com destino aos Estados Unidos, país que tem sido o destino recorrente do biocombustível brasileiro desde outubro passado. No acumulado, os norte-americanos já receberam 371,4 toneladas de biodiesel brasileiro.

No mês também foram feitos dois embarques para a Alemanha e um para a Índia. Nesses casos, no entanto, foram enviados apenas alguns quilos de biodiesel.

Em maio, as vendas de biodiesel renderam US$ 33,8 mil aos exportadores. O valor corresponde a US$ 1.743,00 por tonelada – em linha com os valores praticados nos últimos oito meses.

Fonte: BiodieselBR

Aquecimento global pode ser catastrófico para o Brasil, alertam cientistas

O Brasil deve esforçar-se para cumprir as metas acordadas no âmbito do Acordo de Paris, e manter seu protagonismo nos esforços multilaterais visando mitigar os efeitos danosos do aquecimento global. Este foi o consenso na reunião conjunta das Comissões de Relações Exteriores (CRE) e de Meio Ambiente (CMA) nesta quinta-feira (30), com renomados cientistas brasileiros que pesquisam as mudanças climáticas.

Impacto total

Para o biofísico Carlos Nobre, que atua junto à Universidade de São Paulo (USP) e também é membro da Academia de Ciências dos EUA (em inglês: NAS), praticamente todas as regiões brasileiras serão inviabilizadas sócio-economicamente, caso a temperatura média mundial aumente 5ºC até o final do século, que é o que pode ocorrer se nada for feito para reduzir as emissões de CO2.

Ele alertou que os efeitos do aquecimento global já são evidentes no Brasil, uma vez que durante a década de 1960, a média de dias por ano com temperatura superior a 34ºC nunca passava de 30 dias, mas desde o início do século 21, este índice nunca mais foi inferior a 60 dias por ano. A temperatura média de 34ºC é relevante para o Brasil porque um índice superior a este inviabiliza a prática de diversas culturas agrícolas.

O biofísico chamou a atenção ainda para a possibilidade do Brasil passar a sofrer mais com eventos extremos relacionados a períodos de seca ou de chuvas, respectivamente nas regiões Nordeste e Sudeste. Condições extremas destes fenômenos já vêm se manifestando com uma freqüência muito maior nos últimos anos, e estes extremos podem tornar-se o “novo normal” nestas regiões.

— A situação do Nordeste é muito preocupante. A seca entre 2012 e 2018 foi a mais longa da história, e estas medições são feitas desde o período do Império. A região já vive um período de aridização, por exemplo, no norte da Bahia — avisou Nobre.

A Amazônia também já passa por situações anômalas e sem precedentes desde 2009, alternando seguidamente períodos de secas e inundações.

Vida inviável

Nobre defendeu o cerne do Acordo de Paris, para que a temperatura média global não aumente mais do que 2ºC até 2100. Ele lembrou que o trabalho da ONU leva em conta um índice mundialmente consensual na medicina, que calcula o limite fisiológico do ser humano a uma temperatura de 34ºC, levando em conta a umidade relativa do ar em 100%. Cidades como Manaus, Cuiabá e Rio Branco já atingem a temperatura de 32°C hoje neste cálculo.

— São regiões de nosso país que estão a meros 3°C de atingirem o limite fisiológico humano. No pior dos cenários, em caso de descontrole climático, em toda a Amazônia, no Nordeste e mesmo em outras regiões do país, durante mais de 200 dias por ano as pessoas terão que estar em ambientes internos com ar-condicionado durante algumas horas, todos os dias, impossibilitadas de saírem para ambientes externos. Se o Acordo de Paris fracassar, este é o quadro para o qual o país deve se preparar. Projeções indicam que pelo menos 500 milhões de pessoas morrerão em todo o mundo caso o clima saia do controle — alertou.

Nobre ainda apresentou estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Fórum Econômico Mundial alertando para riscos graves ao agronegócio brasileiro, relacionados às alterações climáticas. Chamou atenção para o fato de que não há engenharia genética capaz de fazer uma planta realizar fotossíntese acima de 43°C. Esses estudos alertam que um eventual fracasso do Acordo de Paris pode inviabilizar muitas das culturas agrícolas em nosso território já nas próximas décadas.

Além disso, o descontrole das emissões pode levar todo o Nordeste à condição de seca extrema, com avanço significativo da Caatinga sem condições de manter a vegetação, tornando a região tecnicamente um semi-deserto. Por fim, o Brasil corre risco concreto de, na prática, perder a região amazônica, a partir da combinação dos efeitos das mudanças climáticas com o desmatamento e o aumento dos incêndios florestais, finalizou o cientista.

Outras participações

O físico Paulo Artaxo, que atua junto ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) e no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), corroborou as pesquisas apresentadas por Nobre. Ele ainda divulgou outros levantamentos, de organismos como a FAO (Organização da ONU para a Agricultura e a Alimentação) e também do IPCC e do Inpe, com projeções semelhantes em relação à agropecuária brasileira em caso de descontrole climático. Ele entende que o país não tem como escapar, por exemplo, de já tomar diretrizes mais incisivas visando diminuir a emissão do gás metano.

A geobotânica Mercedes Bustamante alertou para o fato do Brasil ainda hoje “apenas arranhar” seu gigantesco potencial na bio-economia. Por isso, ela considera “francamente equivocado” um enfoque, ainda forte em setores sociais brasileiros, de que a preservação ambiental é um empecilho ao desenvolvimento. O aquecimento global é que pode pôr em risco a biodiversidade do nosso território, no entender da cientista.

Fonte: Agência Senado

Como a guerra comercial entre EUA e China atinge o agro brasileiro

Conflito entre duas potências globais desenhou nova política de compras internacionais e no curto prazo tende a fazer o Brasil exportar mais.

Em meados de maio, Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), recebeu um telefonema surpreendente. “Do outro lado da linha, estava um diplomata brasileiro da nossa embaixada na Arábia Saudita que queria me dar uma notícia importante”, lembra Turra.

Com a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, os sauditas passaram a se preocupar com um aumento das exportações de alimentos do Brasil para os chineses e uma eventual redução dos embarques para a Arábia Saudita. Novas conversas, com autoridades sauditas e fabricantes brasileiros, estão sendo realizadas para a habilitação de frigoríficos no Brasil. “Com a população em crescimento, eles não podem se dar ao luxo de pensar em sofrer perdas no abastecimento de alimentos por conta das tensões comerciais entre China e Estados Unidos”, diz Turra.Com tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre US$ 200 bilhões em importações de produtos chineses em maio, seguida de uma retaliação da China, o mapa global das comércio mudou.

O movimento do governo saudita ilustra bem a nova política de compras internacionais. “A tendência é que, daqui em diante, as relações comerciais sejam mais pautadas por questões de confiança e política entre os países do que apenas por preço e qualidade”, analisa Marcos Jank, CEO da Aliança Agro-Brasil.

Os Estados Unidos, que até pouco tempo rivalizavam com o Brasil no fornecimento de soja para a China, devem perder alguns degraus de sua posição neste ano. O produto, assim como milho, legumes, peixes, fruto do mar e outros itens do agronegócio, entrou na lista de 5 mil artigos chineses que passaram a ter taxação de 25% nos Estados Unidos.

“A tendência é que alguns setores da agricultura e pecuária brasileira aumentem as vendas para a China, mas ainda é cedo para avaliar o impacto para o ano”, diz Ligia Dutra, superintendente de relações internacionais da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que integrou a comitiva do governo brasileiro em visita à China e outros países asiáticos em maio.“Não sabemos se a China e os Estados Unidos vão chegar a um acordo e quais seriam os termos da negociação”, complementa.

Segundo a Associação Brasileira de Óleos Vegetais (Abiove), o aumento das exportações para a China deve ser sentido a partir do segundo semestre, quando os estoques chineses chegarem ao final. “Mesmo com a peste suína africana, que já dizimou milhares de porcos na China, estimamos que a comercialização de soja deve aumentar porque nosso produto ganhou competitividade em relação ao americano, com a guerra tarifária”, diz Daneil Furlan Amaral, economista-chefe da Abiove.

Em 2018, a China foi o destino de 82% das exportações de soja brasileira, segundo o Rabobank. Este ano, a porcentagem pode subir para 85%. “A prolongação da tensão comercial entre China e Estados Unidos deve manter os chineses com níveis de compra da soja brasileira acima do que vimos em anos anteriores”, diz Victor Ikeda, analista do Rabobank no Brasil.

Na ABPA, o clima também é de otimismo. As vendas de aves para a China aumentaram 7% no acumulado de janeiro a abril, atingindo 39,1 mil toneladas, em comparação ao mesmo período do ano passado. “Uma boa parte desse resultado é relacionado a maiores tarifas que o frango americano está pagando na China, o que torna o produto brasileiro ainda mais atraente”, diz Turra.

Perigo
De acordo com análises do Rabobank, o cenário de médio e longo prazo pode não ser tão luminoso. A expectativa é que a guerra comercial entre as duas maiores potências do mundo leve a uma queda no ritmo da expansão econômica global, com uma retração do comércio internacional. Com os países comprando menos, praticamente todas as economias do mundo correm o risco de serem atingidas.

O presidente Donald Trump tem ameaçado aumentar para 25% as tarifas de todos os produtos importados da China, o que provavelmente seria acompanhado por uma retaliação chinesa. Em um cenário como esse, de guerra comercial total, a queda na taxa de expansão da economia global seria ainda mais impactada, com uma queda de 0,5% em 2020. No final de junho, Trump e o presidente da China, Xi Jinping, devem se encontrar no Japão para a reunião do G-20, dos países mais ricos do mundo, e conversar sobre as tensões entre os dois países.

“Mesmo que haja um acordo, contamos com um acerto fraco, sem definições de compromissos, como mudanças na política industrial chinesa”, diz Maurício Oreng, economista-chefe do Rabobank no Brasil. Para Marcos Jank, mesmo no contexto atual, de tarifas mais altas para produtos americanos na China, o Brasil ainda precisa fazer uma lição de casa para conquistar saltos significativos nas exportações. “Alguns fatores, relacionadas a questões sanitárias, ainda nos impedem de vender mais”, afirma Jank. “Precisamos olhar com calma para esses pontos antes de sair soltando fogos com as possiblidades de grandes aumentos nas vendas externar”.

Fonte: Brasil Agro

Demanda chinesa e dólar impulsionam venda de soja

A venda de soja do Brasil, que andava a passos lentos, disparou nos últimos dias com maior demanda da China, preços e prêmios nos portos pelo produto brasileiro fortalecidos e dólar acima de R$ 4, conforme dados do mercado.

Um volume de pouco mais de 5 milhões de toneladas de soja para exportação, equivalente a uma centena de navios, rodou no mercado para embarques em junho, julho e agosto, de acordo com relatos colhidos pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), disse o pesquisador Lucílio Alves.

O estopim para essa forte negociação de soja do Brasil, o maior exportador global da oleaginosa, foi o fracasso das negociações comerciais entre China e EUA, na semana passada, que traz mais demanda ao produto brasileiro.

Essa demanda adicional veio em um momento em que o dólar atingiu o maior valor em mais de sete meses, o que torna mais barata a importação. “O dólar barateia a importação e a guerra comercial desloca a demanda para cá”, diz.

O mercado estava fraco após a China ter buscado menos soja no Brasil no primeiro quadrimestre, conforme dados da agência marítima Cargonave, mas nesta semana os negócios foram impulsionados tanto pelos preços melhores, quanto o maior interesse chinês.

Ele lembrou que o preço para embarque em Paranaguá (PR) subiu de US$ 326,48 por tonelada no início de maio a US$ 345,68 tonelada na véspera, para embarque em junho.

Ao mesmo tempo, os prêmios para exportação em junho atingiram US$ 1 por bushelsobre o contrato julho da bolsa de Chicago, maior valor desde o início de dezembro de 2018 e mais que o dobro do visto no início do mês.

Segundo a T&F Consultoria, o Brasil negociou mais de 700 mil toneladas de soja só na quinta-feira, sendo a metade produto de Mato Grosso. “É possível que tenha sido um pouco mais. O mercado está muito frenético nesta semana”, diz Luiz Pacheco, da T&F.

Pico de exportação

A conjunção de fatores positivos para os negócios ocorre em momento em que o Brasil está no pico da temporada de exportação, logo após a colheita da oleaginosa, que foi a segunda maior da história, com mais de 114 milhões de toneladas.

“Agora com a safra praticamente finalizada, considerando que alguns produtores e vendedores estavam segurando as vendas, agora pode ser um bom momento da negociação”, destacou Alves. Em meio às notícias sobre a guerra comercial, a consultoria Safras & Mercado revisou a expectativa de exportações de soja do Brasil em 2019, para em 72,5 milhões de toneladas em 2019, ante 70 milhões de março.

Fonte: DCI

Brasil assume liderança da produção de soja na safra 2019/20

O Brasil deverá – finalmente – assumir a liderança do mercado global de soja na próxima temporada agrícola. Ao menos, é isso o que apontam as primeiras projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2019/20. Os números foram divulgados na edição de maio do relatório de oleaginosas publicado nessa sexta-feira (10).

Segundo o documento, depois de enfrentar uma temporada 2018/19 cheia de percalços climáticos, a sojicultura brasileira vai se recuperar e atingir a marca inédita de 123 milhões de toneladas colhidas.

Com isso, a produção crescerá 5,1% em relação à safra atual – que o USDA estima em 117 milhões de toneladas – e abrirá uma vantagem de 1 milhão de toneladas sobre o recorde anterior registrado no ciclo 2017/18.

Passo atrás

Enquanto os sojicultores brasileiros aceleram, os dos Estados Unidos deverão pisar no freio.

Segundo o USDA, a produção norte-americana – recém-saída de um recorde de 123,6 milhões de toneladas – amargará uma contração 8,7% na produção da temporada. A projeção é que sejam colhidas pouco mais de 112,9 milhões de toneladas de soja.

No total, produção mundial de soja deverá atingir a marca de 355,6 milhões de toneladas. Cerca de 1,8% menos que os 362,1 que devem chegar ao mercado este ano.

Maior exportador

Nas contas do USDA, o Brasil deverá exportar um pouco menos de soja em grão no próximo ano. A projeção é que os embarques somem 75 milhões de toneladas, cerca de 4,4% menos do que os 78,5 milhões de toneladas estimadas para este ano.

O volume representa pouco menos da metade da demanda mundial pela oleaginosa durante o período que deverá ser de 150,8 milhões de toneladas.

Já o mercado interno brasileiro de esmagamento deverá absorver 43,7 milhões de toneladas – 2,4% mais do que a quantidade esperada para este ano.

Liderança retrospectiva

Essa não é a primeira vez que o USDA prevê que o Brasil vai assumir a liderança do mercado global da oleaginosa. No primeiro relatório da safra 2018/19, o órgão do governo norte-americano apontava que a produção nacional superaria a norte-americana.

A vantagem – de meio milhão de toneladas – que o USDA via então era, no entanto, bem mais magra do que as atuais 10 milhões de toneladas.

Também pode não ser exatamente a primeira vez que o Brasil assume a dianteira do mercado. Nos últimos meses, o USDA revisou para cima os números da produção brasileira na safra 2017/18.

Até novembro passado, o número atribuído ao Brasil era de 119,8 milhões de toneladas. Praticamente empatado com os 120 milhões de toneladas colhidos pelos EUA naquele ciclo.

De lá para cá, no entanto, o número atribuído à produção brasileira passou por três aumentos enquanto o da produção dos EUA foi mantido. Em dezembro chegamos a 120,3 milhões de toneladas; em fevereiro em 120,8 milhões de toneladas; até que, em abril, atingimos os atuais 122 milhões de toneladas.

Vale registrar que a quantidade atribuída pelo USDA à produção nacional de soja na safra 2017/18 é consideravelmente maior que os 119.3 milhões de toneladas registrados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Fonte: BiodieselBR

Turismo do Brasil é prejudicado por mudanças climáticas

A Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, realizou um estudo que revelou que as mudanças de temperatura, resultantes do aquecimento global, teriam reduzido a riqueza per capita em 17% a 30% nos países mais pobres do mundo, entre 1961 e 2010. Mesmo com a diminuição da desigualdade econômica entre os países ao longo das últimas décadas, a pesquisa afirma que essa diminuição teria ocorrido de maneira mais rápida caso essas mudanças não tivessem acontecido. E entre os cinco países mais prejudicados está o Brasil (atrás de Sudão, Índia, Nigéria e Indonésia). O estudo afirma que o PIB per capta brasileiro é 25% inferior ao que poderia ser se as mudanças climáticas não tivessem afetado a produção econômica.

De acordo com Burke, um dos cientistas envolvidos na pesquisa, os dados históricos revelam que as culturas são mais produtivas quando as temperaturas não são muito quentes nem muito frias. Logo, nos países mais quentes essas mudanças climáticas fazem com que as temperaturas fiquem distantes do ideal para o crescimento econômico. Em um cenário como esse, diversos setores são afetados, incluindo o turismo.

Ainda deve-se observar que muito tem sido falado sobre as políticas climáticas e as negociações entre os países acerca da responsabilidade por conter o aquecimento global. Nesse contexto parece que a economia pode ser, ao invés de inimiga, a solução para o desenvolvimento econômico; bastam políticas públicas e privadas efetivas. Qual melhor aliado para isso do que o turismo? Preserva natureza e cultura como seu principal ativo, gera empregos, traz divisas e incentiva investimentos. Por isso o turismo importa tanto para a economia brasileira.

Fonte: Panrotas

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