Nova Previdência deve estimular investimentos no Brasil

INTL FCStone prevê avanço para setores como agronegócio, energia, infraestrutura, construção civil e mercado imobiliário

A aprovação da “Nova Previdência”, posta pelo governo como condição fundamental para equilibrar as contas públicas do país, deve solidificar a confiança do mercado no governo, melhorar as perspectivas de crescimento do país e tornar mais promissor o ambiente de investimentos em setores como agronegócio, energia, infraestrutura, construção civil e mercado imobiliário.

“Essa melhoria nas expectativas se encaixa em um cenário global de elevado estoque de dinheiro a taxas de juros reais próximas de zero ou até negativas nos países desenvolvidos, onde as perspectivas de crescimento econômico nos próximos anos são mais baixas, gerando oportunidade para influxo de capital estrangeiro no Brasil”, explica o analista de mercado da INTL FCStone, Fábio Rezende.

Entre as tendências relacionadas ao agronegócio, nota-se um avanço do consumo de proteína animal, e um consequente aumento da demanda de grãos para alimentação dos rebanhos. Destaca-se que o Brasil tem ampla capacidade de aumento da área plantada e a INTL FCStone espera que isso resulte na abertura de 6 milhões de hectares para a agricultura até 2030.

Entre os ramos do setor do agronegócio que o grupo analisa como potenciais receptores de investimentos internacionais, sobressaem: logística de armazenagem, transporte e escoamento da produção; confinamentos, granjas e fábricas de ração; fábricas e revendas de insumos e máquinas agrícolas; terras; e indústria alimentícia. “O principal desafio do setor, para investimentos externos, é a deficiência da infraestrutura, a volatilidade cambial, e práticas de governança corporativa antiquadas”, pondera Rezende, em relatório.

Vinculada à expansão agrícola, uma das maiores oportunidades de investimento no Brasil é a produção de biocombustíveis. Políticas públicas devem manter esse setor em crescimento no médio prazo, como o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel. Atualmente em 10%, o percentual irá aumentar para 11% em junho de 2019, e continuará a subir até 2023, quando atingirá 15%. “Estimamos que, com a capacidade atual de produção, a mudança da mistura obrigatória e o aumento da demanda por diesel (vinculado ao crescimento econômico) deixará o país deficitário em biodiesel em 2022”, aponta a consultoria.

Em relação à geração elétrica, o governo brasileiro possui um claro foco de incentivos: o gás natural. A produção da commodity no país tem crescido e tende a continuar a crescer com a exploração do Pré-Sal. A INTL FCStone vislumbra oportunidades de investimento em infraestrutura (transporte e distribuição) de gás natural, projetos greenfield de termelétricas a base da commodity (Ciclo Combinado), e adaptações das termelétricas a carvão e a destilados do petróleo.

Há também boas oportunidades de investimento em fontes renováveis. “Damos destaque para a eólica, que cresce de maneira veloz no país. O potencial de energia eólica no Brasil é mais intenso de junho a dezembro, coincidindo com os meses de seca, de modo que pode ser usada de maneira suplementar a energia hidrelétrica. Dessa maneira, vislumbramos também investimentos em parques e usinas eólicas e na indústria de equipamentos para essas usinas”, afirma.

Ainda bastante pequeno no país, investimentos em energia solar também devem apresentar um grande salto nos próximos anos. O potencial solar brasileiro se concentra principalmente na região Nordeste, mais suscetível a secas, o que também torna a energia solar uma alternativa para suplementar a hidrelétrica.

O grande destaque na infraestrutura são os programas de privatizações e concessões dos governos federais e estaduais. A maior parte dos projetos são para concessões (101) e PPPs (52). Concessões de ferrovias e rodovias serão as prioridades de 2019, e somam 20 projetos no total (12 de ferrovias e 8 de rodovias).

O mercado imobiliário brasileiro tem o potencial de apresentar boa recuperação nos próximos anos, caso a economia do país volte a crescer. O mercado de imóveis residenciais deve apresentar crescimento com a retomada da economia e do crédito habitacional. O saldo das cadernetas de poupança vem em tendência de alta desde 2016, após o colapso nos anos anteriores, e somava R$ 614 bilhões no final de março, representando uma captação líquida de 8,2% em 12 meses.

O maior desafio do setor da construção civil é a sua dependência do setor público, que representa ainda cerca de 44% da demanda de obras realizadas no Brasil. “O equilíbrio das contas públicas com a aprovação da reforma da previdência é essencial para abrir espaço para novas obras públicas no orçamento. Isso também depende da política econômica do governo”, lembra a INTL FCStone. Com a aprovação da Nova Previdência, investimentos públicos em construção civil podem voltar ao radar dos governantes, principalmente com a aproximação do período eleitoral, em virtude da importância do setor na geração de emprego e renda, e na dinamização de outros ramos importantes para a economia brasileira, como a indústria e comércio de materiais, máquinas e equipamentos.

Fonte: Notícias Agrícolas

Agronegócio passa por virada digital e pede gestão para alavancar

O cenário atual das relações comerciais entre a China e os EUA favorecem a posição no Brasil no mercado internacional com as exportações de soja. O agronegócio brasileiro está muito bem estruturado e possui pontos fortes relevantes que garantem a competitividade no cenário internacional: recursos humanos profissionais e qualificados, boa capacidade de gestão na produção e comercialização das commodities agropecuárias, clima e topografia de solo favoráveis que nos permitem produzir mais de uma safra, bom nível de desenvolvimento tecnológico, alta capacidade de produção de maquinário e insumos agrícolas, e grande extensão de terras com potencial agrícola ainda não cultivada.

O país também é precursor da criação do sistema de integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF), que permite, simultaneamente, o cultivo de grãos, de forma saudável e sustentável, junto com a produção pecuária e com a manutenção do eucalipto como reserva neste contexto integrado. Este sistema, um dos mais modernos no mundo, permite a geração de vários benefícios adicionais permitindo que toda a cadeia ganhe na geração de valor e que produtor possa otimizar recursos, mão-de-obra e maquinários.

De fato, o Brasil possui pesquisadores de ponta e tem adotado o que há de mais moderno na prática agrícola, desde o desenvolvimento e uso da biotecnologia até a aplicação destes sistemas integrados de produção como acontece com o ILPF.

Desafios

Apesar de investir no que há demais moderno em tecnologia de campo, o agricultor brasileiro ainda não se profissionalizou em gestão de tecnologia. Este profissional ainda precisa se preparar para a revolução digital – seja na adoção da agricultura de precisão, no uso da inteligência artificial ou big data.

Junto com o desafio da gestão deste universo agro e tecnológico, outro obstáculo é instruir os agricultores a lidar com o compartilhamento de informação. Este público ainda teme que seus dados sejam compartilhados ou vendidos, muitos ainda não vêm vantagens em compartilhar as informações. A deficiência de compreensão é facilmente notada na subjetividade que ainda é muito presente na produção e no processo de classificação de sementes e grãos; na falta de automação na coleta de informações; na baixa precisão na coleta atual de dados e falta ou deficiência de conectividade nas fazendas. Quando se fala em conectividade o ponto também é crítico, a grande maioria dos agricultores ainda possuem internet a rádio em suas fazendas e um grupo mínimo deles possui via satélite. A dificuldade de aquisição e os preços são os principais entraves.

Virada digital no campo

O mundo é tecnológico e digital. Os sistemas e tecnologias são desenvolvidos e se multiplicam todos os dias para facilitar todas as relações da sociedade mundial.  Conexão e uso de dados, de forma inteligente, não apenas impulsionam os negócios, mas os mantém sustentáveis e competitivos hoje e nos próximos anos. Dados precisam ser gerados, armazenados e cruzados para que produzam, em tempo real, informações precisas que suportem as tomadas de decisão e melhorem a rentabilidade dos negócios em todos os mercados. Diante deste atual cenário é preciso que se invista em sistemas de gestão em toda a cadeia do agronegócio.

Não basta gerar dados, é preciso conectá-los e analisá-los da forma correta para que sejam usados de forma eficiente. Não adianta ter dados se não tivermos sistemas de gestão. Não adianta ter sistemas se não existir conexão.

Tendências

O uso da Inteligência Artificial (AI) proporcionará o aprendizado de máquinas e o aprimoramento de sistemas e processos produtivos, redução de perdas e desperdícios na produção de alimentos até a orientação na tomada de decisão do produtor rural, posicionamento de produtos agrícolas nos mercados internos e externos, bem como para a agregação de valor aos produtos. A AI Influenciará nas decisões de toda a cadeia.

Ainda como tendência, o controle de decisões ligadas à cadeia produtiva, como irrigação e aplicação de fertilizantes e insumos, poderá ser realizado de forma automatizada, possibilitando um maior controle das condições da lavoura.

Primeiros passos

Enquanto uns engatinham, outros despontam e investem pesado para serem referência na adoção de tecnologia no setor agro, como é o caso da SCL Agrícola, que adota desde 2016 investimentos e testes de todos os novos conceitos de tecnologia como IoT (internet das coisas), cloud, drones e big data em suas fazendas. Assim como a SCL o grupo Scheffer investe pesado e tem a meta de se tornar referência e liderar a vanguarda tecnológica nos próximos dois anos.

A virada digital tende a favorecer as empresas que investem em inovação e que deverão, por esta razão, alçarem o topo em performance em seus segmentos (Cintia Leitão é diretora de Agronegócios na Senior).

Fonte: Brasil Agro

O que a ciência do clima tem a dizer para o Brasil?

As cientistas do INPE Thelma Krug e Lúbia Vinhas, e os cientistas Jean Ometto e Luiz Aragão, da mesma instituição, propõem neste texto uma visão técnica baseada na ciência do clima do papel que deve ser exercido pelo Brasil frente às questões climáticas globais. O texto faz contrapontos gerais aos argumentos apresentados pelo negacionista Molion e seus colaboradores em carta abertaendereçada ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em 09/03/2019.

Neste documento, inicialmente, demonstramos as evidências existentes da atribuição de um papel significativo da ação humana nos padrões climáticos atuais. Na sequência, sumariamos de que forma podemos determinar as causas das mudanças climáticas e as consequências da negação da existência de um processo tão crítico quanto as mudanças climáticas antropogênicas. Esclarecemos que o problema vai além do dióxido de carbono (CO2) e concluímos com informações que levam a um maior conhecimento do problema para que o Brasil atinja um patamar de destaque na implementação de um modelo moderno de desenvolvimento econômico e sustentável.

Duas perguntas centrais são aqui abordadas:

1) Existem evidências para associarmos mudanças climáticas a ações antrópicas?

2) As ações de mitigação reprimem o crescimento econômico do país e sua reputação internacional?

As evidências físicas são robustas e suficientes para atribuir a influência humana no clima global

A evidência de que as mudanças generalizadas observadas no sistema climático, desde os anos 50, são atribuíveis a influências antrópicas tem crescido exponencialmente. A conexão entre a influência humana e as mudanças climáticas é analisada e discutida com base em uma extensa literatura cientifica. São mais de 15.000 artigos científicos abordando o tema “human influence” e “climate” na base do Google Acadêmico.

Essas evidências são compiladas pelos densos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima (IPCC). Inclusive, esses relatórios passam por revisão aberta não apenas de especialistas, mas da sociedade civil e governos. O efeito das influências antrópicas no clima tem se intensificado nas últimas quatro décadas. As evidências resultam da avaliação dos inúmeros estudos que incluem dados obtidos por institutos de pesquisa do mundo todo, compondo séries históricas e indicadores. Dentre esses indicadores climáticos, podemos citar: as temperaturas próximas à superfície; o conteúdo de umidade atmosférica; a precipitação pluviométrica sobre a Terra; o conteúdo de calor oceânico; a salinidade oceânica; o nível do mar; o gelo marinho do Ártico e a intensidade e frequência de extremos climáticos.

As avaliações de atribuição e incertezas indicam que é extremamente provável que as atividades humanas tenham causado, diretamente, mais da metade do aumento observado na temperatura média global de superfície de 1951 a 2010. Ressalta-se que mecanismos de retroalimentação (feedbacks) do sistema natural podem potencializar a forçante antrópica. Como dito, essa avaliação é apoiada por evidências robustas de vários estudos científicos usando diferentes métodos. As incertezas nos diagnósticos também são contabilizadas de forma transparente e formal, a partir de análises exploratórias profundas dos dados, dos resultados de projeções e da performance dos modelos. Os dados dos modelos, antes de qualquer projeção, são confrontados e calibrados com dados derivados de observações, incorporando assim as informações mais recentes, obtidas com maior exatidão por redes de coletas de dados de superfície distribuídas no mundo todo. Esses dados atualmente são ainda complementados pelos provenientes de um arsenal de satélites operacionais de Observação da Terra, onde a contribuição do Brasil é crítica, não só para o mundo e o clima, como também para manter a soberania sobre seus recursos naturais e sua economia.

A consistência das mudanças observadas e modeladas em todo o sistema climático, incluindo o aquecimento da atmosfera e do oceano, a elevação do nível do mar, a acidificação dos oceanos e as mudanças no ciclo da água, na criosfera e nos extremos climáticos apontam para alterações em escala global, inclusive alterando o balanço energético na atmosfera e alterando a temperatura média da Terra, resultante principalmente do aumento de emissões antrópicas de gases de efeito estufa (GEE).

As emissões antrópicas aumentam as concentrações dos GEE na atmosfera, resultando em um aquecimento planetário proporcional a elas. Isso se deve a que esses gases têm o potencial de absorver o calor emitido pela Terra na direção do espaço e reemiti-lo, aquecendo o planeta. É importante notar que o CO2 não é o único gás de efeito estufa. Naturalmente, os GEE estão distribuídos na atmosfera na forma de vapor d’água (95%), CO2 (3,6%) e outros (1,4%). As emissões antrópicas estão distribuídas em 84% (CO2), 9% Metano (CH4), 5% Oxido nitroso, 2% outros. Apesar de o CO2 ser o gás mais importante, devido a sua contribuição majoritária nas emissões antrópicas, o CH4 tem um potencial de aquecimento global 28-36 vezes superior, e o oxido nitroso (N2O) têm um potencial 265-298 vezes maior que o CO2. Portanto, mesmo em quantidades inferiores a outros gases os GEE têm potencial de alteração do comportamento atmosférico e sua interação com a radiação provinda do Sol e da Terra.

As variações naturais na incidência de radiação solar são historicamente conhecidas e incorporadas nas análises. Os resultados dessas análises indicam que este forçamento natural, e suas flutuações, têm contribuição relativa muito menor que a alteração na composição química da atmosfera, determinada pelo aumento de emissões de GEE e outros poluentes. Esse fato se reforça pelo resfriamento estratosférico e aquecimento troposférico, sendo o primeiro diretamente relacionado a incidência de radiação solar e o segundo à sua composição química.

Nas análises de atribuição das alterações climáticas observadas, outros processos naturais são também considerados. A Oscilação Multi-decadal Atlântica (AMO), ou a oscilação Decadal do Pacífico são dois processos oceânicos de baixa frequência bem conhecidos. Estes têm, certamente, influência na variação natural do clima, entretanto, inúmeros estudos científicos evidenciam um desacoplamento da variação atual no aquecimento da atmosfera dessas flutuações. Estudos que encontram um papel significativo para, por exemplo a AMO, mostram que sua flutuação não se projeta fortemente nas séries de temperatura da atmosfera recente, no período de 1951-2010.

Torna-se importante ressaltar que as variações na composição química da atmosfera, em especial pela presença de compostos de carbono (como CO2 e CH4), esteve associada às grandes mudanças de clima no passado (dados derivados de estudos paleoclimáticos). Quando os níveis de CO2 subiram abruptamente (derivados de processos naturais de larga escala) o aquecimento global foi altamente disruptivo e causou grandes extinções de espécies. Um diferencial seríssimo que vivenciamos, é que a curva de aumento das concentrações de CO2 na atmosfera vem se alterando positivamente e exponencialmente. As taxas de mudança observadas atualmente são muito mais elevadas que as observadas em períodos pretéritos da história da Terra.

O ponto de discussão atual não é se as mudanças climáticas são causadas ou não pelos seres humanos, e sim que o clima está mudando e seus impactos climáticos atuais e futuros afetam e continuarão afetando diretamente a humanidade.

Como determinamos as causas das mudanças observadas

O clima da Terra está sempre mudando, afirmou Molion e colaboradores. Sim, não existe surpresa nisto. Isso pode ocorrer por vários motivos. Para determinar as principais causas das mudanças observadas, deve-se primeiro determinar se uma mudança observada no clima é diferente de outras flutuações que ocorrem sem qualquer forçamento. A variabilidade climática sem forçamento – chamada de variabilidade interna – é a consequência de processos que ocorrem dentro do sistema climático. A variabilidade oceânica em grande escala, por exemplo as flutuações do El Niño-Southern Oscilation(ENSO) no Oceano Pacífico, é a principal fonte de variabilidade climática interna nas escalas de tempo decenais a centenárias. A mudança do clima também pode resultar de forçantes naturais externas ao sistema climático, como erupções vulcânicas ou mudanças na irradiância solar. Forças como essas são responsáveis pelas enormes mudanças no clima que estão claramente documentadas no registro geológico. Forças causadas pelo homem também afetam o clima e estão relacionadas às emissões de gases de efeito estufa ou poluição particulada atmosférica (aerossóis). Qualquer uma dessas forças, provenientes de causas naturais ou humanas, pode afetar a variabilidade interna, bem como causar uma mudança no clima médio.

Estudos de atribuição tentam determinar as causas de uma mudança detectada no clima observado. Ao longo do século passado, dados científicos indicam que a temperatura média global aumentou, portanto, se a mudança observada for forçada, então a força principal deve ser aquela que causa o aquecimento, e não o resfriamento. Estudos formais de atribuição de mudanças climáticas são realizados usando experimentos controlados com modelos climáticos. As respostas simuladas por modelos para forças climáticas específicas são frequentemente chamadas de impressões digitais dessas forçantes. Um modelo climático deve simular de forma confiável os padrões de impressões digitais associados a forçantes individuais, bem como os padrões de variabilidade interna não forçada, a fim de produzir uma avaliação significativa da atribuição de mudanças climáticas. Nenhum modelo pode reproduzir perfeitamente todas as características do clima, mas muitos estudos detalhados indicam que simulações usando modelos atuais são de fato suficientemente confiáveis para realizar avaliações de atribuição. Inclusive ressalta-se a constante atualização nas representações dos modelos dos processos físicos, assim como a capacidade computacional. Um exemplo simples, refere-se à previsão do tempo (e não clima), hoje tem-se muito mais confiabilidade na previsão de tempo que se tinha décadas atrás.

As simulações que incluem os forçamentos naturais e antrópicos fornecem uma representação muito melhor da taxa temporal de mudança (inferior à esquerda) e do padrão espacial (inferior à direita) da alteração da temperatura observada de superfície. Ambos painéis à esquerda mostram que os modelos computacionais reproduzem o resfriamento da superfície naturalmente forçado, observado por um ou dois anos após grandes erupções vulcânicas, tais como as ocorridas em 1982 e 1991. Simulações com forçantes naturais captam as mudanças de temperatura de curta duração após erupções, mas apenas as simulações com forçantes natural + humana simulam a tendência de aquecimento de maior duração. Uma avaliação mais completa de atribuição examinaria a temperatura acima da superfície, e possivelmente outras variáveis climáticas, além dos resultados de temperatura de superfície mostrados na Figura 3. Os padrões da impressão digital associados a forçamentos individuais tornam-se mais fáceis de distinguir quando mais variáveis são consideradas na avaliação. Não é possível simular corretamente as mudanças climáticas observadas recentemente sem incluir a resposta às forçantes antrópicas, incluindo gases de efeito estufa, ozônio estratosférico e aerossóis. Causas naturais de mudança ainda estão em ação no sistema climático, mas as tendências recentes de temperatura são em grande parte atribuíveis ao forçamento causado pelo homem.

A importância do engajamento e da consciência da sociedade sobre a urgência nas mudanças no padrão de uso dos recursos naturais

Lê-se na carta aberta de Molion e colaboradores que “A hipótese do aquecimento “antropogênico” é um desserviço para a Ciência e um risco para as políticas públicas”. Primeiramente, a metodologia científica ensina que hipóteses não podem ser refutadas sem evidências geradas a partir de metodologias consolidadas. A negação da contribuição antrópica para o aquecimento global contradiz os resultados em milhares de estudos publicados em todo o mundo por cientistas de diferentes nacionalidades e trabalhando em diferentes instituições, com contribuições importantes de pesquisadores brasileiros. Uma análise no buscador Google Acadêmico, mostrou que existem 2 milhões de artigos publicados sobre o tema “Aquecimento Global”. Quando a busca é feita com o tema “Mudanças Climáticas” chega-se a um número superior a 3 milhões de artigos científicos. Portanto, é notório que apesar da necessidade de mais estudos, existe um volume significativo de informações que direcionam as atuais conclusões e ações.

As análises integradas sobre impactos antrópicos no ambiente indicam que a redução das emissões de gases de efeito estufa de natureza antrópica pode contribuir não só para mitigar as mudanças no clima, mas também para atingir vários objetivos de desenvolvimento sustentável da Agenda 30 das Nações Unidas, da qual o Brasil é signatário. Os cenários de mitigação que resultam em baixa concentração de gases de efeito estufa até o final deste século indicam custos reduzidos para se alcançar a melhoria da qualidade do ar, os objetivos de segurança energética, a segurança alimentar, a segurança hídrica, com significativos co-benefícios para o bem-estar, a saúde humana e os ecossistemas.

Precisamos buscar os cobenefícios das ações humanas em relação ao clima e ao ambiente de forma geral. Por exemplo, no Brasil há um enorme potencial de contribuição para a redução de emissões de gases de efeito estufa, particularmente o CO2, que pode ser atendido pela ampliação da geração de bioenergia (e biocombustíveis) e reflorestamentos em larga escala, contribuindo para métricas de sustentabilidade. Estas ações têm efeitos positivos diretos, tanto nas atividades da indústria brasileira, na economia nacional e na modernização do modelo social brasileiro.

Ao indicar o negacionismo à mudança do clima e particularmente a influência humana, o Brasil perderá inúmeras oportunidades nos mercados internacionais e possibilidades de cooperação internacional, aceita pelos países membros do IPCC como o viabilizador crítico da implementação de atividades de mitigação e adaptação por países em desenvolvimento. Isto já foi demostrado pelo recente desembolso de US$ 100 milhões pelo Fundo Verde do Clima da Convenção do Clima, pelos esforços do Brasil em reduzir as emissões pelo desmatamento no país.

Torna-se imperativo destacar que todas as ações de mitigação e adaptação devem obrigatoriamente ser implementadas considerando co-benefícios para a sociedade, incluindo erradicação da pobreza, educação, saneamento básico, fontes alternativas de energia, acesso a água potável, educação e transporte. O modelo de desenvolvimento baseado em baixo carbono, portanto, não só permite a estabilização dos processos climáticos, garantindo a manutenção da produção agrícola do país, como também incentiva a indústria de inovação, reduz gastos hospitalares e coloca o país em uma posição resiliente quanto a dependência de fontes energéticas baseadas em combustíveis fósseis.

Assim, torna-se evidente que há inúmeras sinergias entre ações de mitigação da mudança do clima com o desenvolvimento econômico nacional e outros compromissos internacionais, como a Agenda 30, a Convenção da Biodiversidade, entre outros.

Uma estratégia focada em baixas emissões de CO2 não desvia atenções e recursos das emergências reais

Não existe, de forma alguma, uma obsessão pelo CO2 e sim uma mobilização de diversos segmentos da sociedade para tomar ações, preventivas, baseadas em um conjunto extensivo de dados e pesquisas. O CO2 vem sendo utilizado como referência à trajetória de alteração na composição da atmosfera, e a consequente mudança no balanço energético do planeta. A alteração na composição da atmosfera inclui vários outros compostos que não apenas o CO2, desta forma ações na redução de emissões de GEE (que, como dito no arquivo Molion), oferece oportunidades importantes para o Brasil, sob o ponto de vista comercial e ambiental, se adequadamente feitas.

O Brasil tem potencial e características importantes para ser referência global no desenvolvimento equilibrado com o ambiente, na produção massiva de energias renováveis, produtos da biodiversidade, agricultura com impacto reduzido ao meio (que inclui não apenas ações que reduzam emissões de GEE, mas também otimização no uso de fertilizantes, agroquímicos, etc). Várias dessas alternativas podem ser financiadas internacionalmente, e ainda ser uma oportunidade para o Brasil no mercado internacional (por exemplo para produtos agrícolas). Há oportunidades em todos os setores. Por exemplo, o Brasil já está avançando neste modelo desenvolvimentista de vanguarda, respeitado mundialmente. A Política Nacional sobre Mudança do Clima contempla uma redução dos resíduos sólidos e efluentes (financiamento para acabar com os lixões no país, para aumentar a quantidade e tratamento de resíduos líquidos urbanos e aumento da eficiência energética). Interessantemente, as tecnologias nacionais também estão voltadas para auxiliar a manutenção do funcionamento ambiental. Como exemplo, nossa tecnologia de satélites, comunicação e nossa ciência em geral já foca no desenvolvimento sustentável. Será que temos que dar uma guinada em tudo que já foi construído e estabelecido nacionalmente e internacionalmente em prol de ideias contraditórias?

Como os outros países, o Brasil tem que identificar os seus nichos para estimular a inovação. No Japão, por exemplo, foram identificadas 10 tecnologias inovadoras até 2050. Existe a necessidade de sinalização para o setor privado de investimentos relevantes, com ou sem parceria internacional. Um exemplo recente advém do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Quioto, que gerou investimentos importantes para o Brasil, particularmente no setor Resíduos e Energia. Seria muito ingênuo não enxergar as enormes oportunidades que o Brasil tem de ajudar o esforço global de mitigar a mudança do clima, simultaneamente buscando o desenvolvimento sustentável. Inovação, oportunidades, identificação de nossos nichos, envolvimento do setor privado – são algumas palavras chave que precisam ser reforçadas.

Melhor conhecimento e maior resiliência

A ciência das mudanças climáticas se preocupa exatamente com isso. Quanto maior o conhecimento sobre o problema mais a sociedade e os indivíduos estarão informados e preparados para eventos climáticos extremos (como chuvas extremas, inundações, secas) e as consequências econômicas e sociais desses eventos. O aprimoramento da capacidade da meteorologia nacional é certamente relevante, entretanto mudanças no clima tem que ser vistas e tratadas de forma integrada e com amplitude socioeconômica e socioambiental. O exemplo claro desta afirmação é a economia brasileira. Um terço das exportações do Brasil, que mantém a balança comercial positiva e o crescimento do país, é derivada de produtos “naturais”.

Portanto, se não tivermos ações para minimizar qualquer possível impacto climático sobre nosso país, nossa economia pode ruir. Este é um lado da história. Devido à preocupação global com as mudanças climáticas, essas exportações são dependentes de certificações demonstrando que os produtos não estão relacionados com a degradação ambiental (por exemplo advindos de áreas desmatadas). Se as políticas se direcionarem de forma contrária a manutenção das funções ambientais, perderemos uma fração significativa de nossas exportações.

Esta ação de cunho ambiental reprimiu o crescimento econômico e as exportações do país? Não. O desmatamento amazônico diminuiu em aproximadamente 70%, reduzindo assim as emissões de CO2 e outros GEE, melhorando a saúde respiratória da população. A produção de soja, por outro lado, praticamente dobrou de 56.699.617 toneladas em fevereiro de 2007 para 113.393.434 toneladas em fevereiro de 2019 (IBGE). A imposição de restrições, permite a reformulação de modelos obsoletos de desenvolvimento e incentiva a inovação com desenvolvimento de biotecnologia, tecnologia agrícola, tecnologia de monitoramento e processamento de dados.

Com isso, terminamos a avaliação nos posicionando a favor do desenvolvimento sustentável do país baseado em conhecimento técnico e científico robusto. Temos todas as condições para demonstrar para o mundo que existem formas inovadoras e modernas de se desenvolver.

Fonte: Climainfo

Brasil exporta recorde de soja em fevereiro e mais de 80% tem destino China

O Carnaval passou e o ano finalmente deve começar no Brasil, o que pode puxar também mais negócios com a soja, segundo acredita o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. Para ele, novos fechamentos da safra nova, que vinham escassos nas últimas semanas, podem se intensificar nos próximos dias.

“Tenderemos a ver mais pressão de fechamento na safra nova brasileira via trocas por insumos. A safra velha pode dar mais movimentação se houver notícias novas e positivas da disputa entre os EUA e China, já que poderá trazer apelo de alta em Chicago”, explica o executivo.

No entanto, caso o caminhar das relações entre chineses e americanos continuar acontecendo na corda bamba, “vamos de fechamentos internos para indústria, que deve voltar às compras e agora com atividade de esmagamento forte”, completa Brandalizze.

Entre as exportações, o ritmo também deverá continuar forte, segundo ele, e podendo, inclusive, trazer prêmios melhores nestes próximos dias. “E assim estamos no ano novo comercial”, diz Brandalizze.

Desde o início de março, em Paranaguá, a posição de entrega março/19 tem 35 cents de dólar sobre os valores de Chicago, enquanto o junho já carrega 52 centavos para a soja brasileira. Assim, as últimas referências de preços nos terminais ainda trabalhavam no intervalo de R$ 79,00 a R$ 80,00 por saca, sentindo também as oscilações do dólar. Já para as entregas no meio do ano, os indicativos subiam para algo entre R$ 81,00 e R$ 82,00.

Em fevereiro, por mais um mês, as exportações brasileiras de soja bateram recorde e chegaram a 6,09 milhões de toneladas, segundo números da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). O volume é bem maior do que o de fevereiro passado, quando o Brasil exportou 3,51 milhões de toneladas. Em todo o complexo soja, o acumulado das exportações do Brsil é de 10,5 milhões de toneladas.

Como explica o consultor, os compradores chineses, mesmo que em um ritmo mais comedido, seguem focados no produto brasileiro com a guerra comercial com os EUA ainda em curso, o que muda a cena do comércio global de soja neste ano. “Normalmente, os primeiros dois meses do ano são fracos para a soja em grão, mas neste ano o acelerador está puxado porque a China segue agressiva, comprando nos nossos portos”.

Segundo o Cepea, do total exportado pelo Brasil em fevereiro, 82,4% – 5,02 milhões de toneladas – foi destinado à China. Ainda segundo a instituição, estes embarques acelerados da soja no Brasil ajudaram a puxar os preços no cenário nacional. “Além da entrega de contrato a termo, agora, as negociações no mercado spot também começaram a ganhar força, especialmente devido à valorização do dólar frente ao Real, que torna o produto nacional mais atrativo aos importadores”, explicaram os pesquisadores da instituição.

Na última sexta-feira (08), o Notícias Agrícolas divulgou uma imagem do sistema Refinitiv Eikon, da Reuters, mostrando uma considerável fila de navios carregados com soja – e outros produtos – seguindo do Brasil para a China. Estas são cargas de compras feitas há alguns meses, com os embarques previstos para este período do ano.

Ainda segundo Brandalizze, há alguns negócios da safra 2019/20 do Brasil começando a serem registrados, com valores na casa dos R$ 85 para pagamento no fim de abril, principalmente com ofertas do Centro-Oeste do país. “A safra nova está começando a ganhar forças e os negócios fluindo”, diz.

Fonte: BiodieselBR

Quão competitiva é a produção de biocombustíveis no Brasil e nos Estados Unidos

Os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar e o Brasil ocupa o segundo lugar como os maiores produtores de etanol e biodiesel. Eles representaram 84% da produção mundial de etanol entre eles em 2017 e 26% da produção de biodiesel. Em ambos os países, o etanol combustível e o biodiesel são misturados aos combustíveis de transporte fóssil e, no Brasil, o combustível não-misturado também compete diretamente com a gasolina na bomba. No entanto, como os custos de produção de biocombustíveis, gasolina e diesel variam de país para país, a conseqüente diferença no preço de equilíbrio do etanol e do biodiesel, assim como as medidas de política, afetam a competitividade dos biocombustíveis nos dois países.

QUAIS FATORES AFETAM A ECONOMIA DA PRODUÇÃO DE BIOCOMBUSTÍVEIS NO BRASIL E NOS ESTADOS UNIDOS?

Múltiplos fatores afetam o custo, a precificação e a lucratividade da produção de biocombustível. O custo da matéria-prima é um dos principais determinantes dos custos de produção de biocombustíveis. Para o etanol combustível, o milho é a principal matéria-prima nos Estados Unidos e o Brasil usa principalmente a cana-de-açúcar, e ambos os países usam principalmente soja para a produção de biodiesel. Os preços dessas commodities agrícolas dependem da área plantada, dos rendimentos e condições de colheita, bem como da dinâmica dos mercados, os quais estão sujeitos a flutuações ano a ano. A sofisticação técnica de uma instalação de produção e o preço dos combustíveis usados ​​para energia de processo também influenciam os custos de produção.

O preço dos biocombustíveis também é determinado por outros fatores: por exemplo, os preços são freqüentemente ajustados de acordo com os preços vigentes da gasolina e do diesel para maximizar a margem de lucro. No Brasil, o preço do etanol de cana-de-açúcar flutua com o ciclo de colheita, aumentando durante o período de entressafra de janeiro a março.

Para avaliar a lucratividade da produção de biocombustível, o valor dos co-produtos também deve ser considerado. Por exemplo, a fabricação de etanol combustível à base de milho produz grãos secos de destilaria (DDGs), enquanto a produção de biodiesel a partir da soja resulta em farelo de soja. Ambos são produtos valiosos para alimentação animal e são, portanto, importantes para a economia da produção de biocombustíveis. No Brasil, o bagaço é produzido durante a moagem de cana-de-açúcar e é usado como combustível nas usinas de cogeração da usina para atender à demanda de energia no local e, em alguns casos, fornece eletricidade excedente para exportação. A produção futura de etanol celulósico no Brasil aumentaria a demanda por bagaço como matéria-prima para a produção avançada de biocombustível, aumentando consequentemente seu valor.

QUÃO COMPETITIVOS SÃO OS BIOCOMBUSTÍVEIS COM COMBUSTÍVEIS DE TRANSPORTE BASEADOS EM FÓSSEIS NOS DOIS PAÍSES?

A maior parte do biocombustível produzido no Brasil e nos Estados Unidos é destinada ao consumo interno. No entanto, embora o consumo de biocombustíveis seja obrigatório em ambos os países, sua competitividade com a gasolina e o diesel continua sendo importante para minimizar o custo da conformidade com as políticas. No Brasil, mais de 70% da frota de veículos a gasolina é composta por veículos flex, de modo que o etanol hidratado não misturado deve competir com a gasolina na bomba.

Para avaliar a competitividade relativa de biocombustíveis com derivados de petróleo, os custos de produção de gasolina e diesel devem ser comparados com os de etanol e biodiesel. Os custos de produção de gasolina e diesel são menores nos Estados Unidos do que no Brasil, potencialmente explicados pelas economias de escala proporcionadas pelas refinarias maiores e mais sofisticadas, pelo uso de gás natural de baixo custo como combustível de processo e pela otimização da ardósia da refinaria. produzir maiores volumes de combustíveis para os transportes. O Brasil é um importador líquido de gasolina e diesel, mas a análise da competitividade dos biocombustíveis com produtos petrolíferos importados está fora do escopo desta avaliação.

Os custos de produção de etanol são geralmente ligeiramente mais altos no Brasil do que nos Estados Unidos; em 2017, essa diferença foi da ordem de 6 a 7%. Os custos de distribuição de combustíveis são semelhantes nos dois países, mas os custos mais altos de produção de gasolina no Brasil significam que o etanol combustível é mais competitivo do que nos Estados Unidos. Os custos médios de produção de biodiesel também estão amplamente alinhados, porque a maior parte da produção em ambos os países é baseada em matéria-prima de óleo de soja.

O preço de equilíbrio do óleo para a produção de biocombustível revela que, em 2017 preços do petróleo entre US $ 46 / bbl e US $ 64 / bbl, a produção de etanol no Brasil era geralmente competitiva com a produção doméstica de gasolina, mas não era o caso nos Estados Unidos. Estados. O custo da produção de etanol em ambos os países é geralmente menor do que para o biodiesel, que não era competitivo com o diesel fóssil nos dois países porque, em volume, os custos da matéria-prima de óleo de soja eram quase três vezes superiores aos preços médios do petróleo em 2017.

O aumento dos preços do petróleo bruto em 2017 reduziu os prêmios de custo de biocombustível: o preço médio do petróleo bruto no primeiro semestre de 2017 ficou em torno de US $ 51 / bbl e subiu para US $ 57 / bbl no segundo semestre do ano, elevando a competitividade do biocombustível no Brasil e redução do prêmio do biodiesel sobre o diesel em 30%. O efeito nos Estados Unidos, entretanto, foi mínimo porque, embora os preços mais altos do petróleo tenham aumentado o custo da gasolina e do diesel, os custos de produção de biocombustível também aumentaram ligeiramente. Isso pode ser explicado pelos maiores custos de fertilizantes e energia de processo. No Brasil, a produção de etanol é mais dissociada dos preços dos combustíveis fósseis porque o bagaço é usado como combustível.

Fonte: O Petróleo

Bento Albuquerque participa de seminário “O Futuro da Matriz Veicular no Brasil”, no Rio

O Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque encerrou hoje o seminário “O Futuro da Matriz Veicular no Brasil”, realizado no Rio de Janeiro, promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O encontro teve início ontem (20/2) e reuniu especialistas para discutir a convivência entre os biocombustíveis e a eletricidade como fontes de energia para os veículos brasileiros.

Em seu discurso salientou que o Brasil, muito em breve, poderá contar com o modelo de veículo híbrido flex, utilizando etanol hidratado. “Teremos em circulação o meio automotivo mais limpo no mundo, pois ele emite um terço das descargas de CO2 do veículo elétrico europeu”, destacou o ministro.

“Algumas outras iniciativas, como o Renovabio – lembrou o ministro -, tem por objetivo oferecer uma matriz nacional de combustíveis mais limpa, por meio do aumento da participação dos biocombustíveis, proporcionando previsibilidade ao mercado e orientando investimentos em expansão da produção”.

Bento Albuquerque lembrou que a safra 2018/19 foi 13% superior à safra anterior, e que o etanol hidratado teve participação recorde na matriz ao suprir 51% da demanda de combustíveis para veículos leves.

O ministro concluiu sua fala parabenizando a ANP pela iniciativa e pelo êxito alcançado, afirmando que o MME vem buscando a implementação de medidas e providências focadas na realidade do País, e que “nesse contexto de transição tecnológica, temos a convicção de que é fundamental induzir uma resposta adequada dos agentes econômicos, procurando beneficiar o consumidor com a garantia do abastecimento e com a oferta de combustíveis mais baratos”.

No evento foi abordado o futuro da matriz veicular no mundo, as macrotendências de mobilidade, o impacto da eletrificação veicular na matriz já existente no país, bem como os desafios à eletromobilidade no Brasil. No segundo dia, o tema das discussões foi o melhor caminho para o país em relação aos biocombustíveis e aos veículos elétricos e também o que é preciso definir em termos de políticas de governo e sob a ótica regulatória.

Participaram do seminário o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, e os diretores Aurélio Amaral e Dirceu Amorelli, além de superintendentes e técnicos da Agência.

Fonte: MME

Brasil exportou biodiesel em janeiro

Tem algo de diferente acontecendo no mercado brasileiro de biodiesel. Em janeiro foi registrada a exportação de 97,5 toneladas do biocombustível com destino aos Estados Unidos. Com mais este embarque já são quatro meses seguidos de presença brasileira no mercado internacional – algo que já não acontecia desde a primeira metade de 2014.

Houve ainda um embarque isolado em julho passado. Também para o mercado norte-americano.

Ainda não dá para falar que as exportações que estão acontecendo agora tenham escala comercial. Todas elas estão na faixa das dezenas de toneladas sendo que a maior foi justamente a de janeiro. Somando os cinco negócios registrados no ano passado tivemos 194,7 toneladas de biodiesel exportado por um total de US$ 342,7 mil – o equivalente a R$ 1,28 milhão pela cotação desta sexta-feira (08).

A última exportação de bom porte feita pelo Brasil foi em dezembro de 2015 quando 10 mil toneladas foram embarcadas para a Holanda por um total de US$ 7,6 milhões. No total, as exportações brasileiras de biodiesel se restringem a 80,3 mil toneladas e faturamento de US$ 74,9 milhões.

Para fins de comparação, apenas no ano passado a Argentina exportou 1,14 milhão de toneladas de biodiesel e recebeu US$ 794,3 milhões.

Roteiro parecido

O roteiro de cada um desses negócios que vem acontecendo desde julho tem sido similar: o biodiesel é sempre embarcado a partir do Porto de Santos e tem seu estado de origem declarado como sendo de São Paulo. Os preços praticados nos três últimos meses também foram praticamente idênticos com a tonelada. Em dezembro, a tonelada de biodiesel foi vendida por US$ 1.794,20.

Isso parece indicar que temos pelo menos uma usina ou companhia de trading testando a rentabilidade do biodiesel brasileiro no mercado norte-americano.

Fonte: BiodieselBR

‘Brasil deve ser líder em biodiesel e energia renovável’, diz executivo

Entrevistado no Conexão Agro, o diretor financeiro e administrativo da 3Tentos Agroindustrial, Luiz Osório, afirma também que o setor produtivo nacional está se preparando para as demandas mundiais

No Conexão Agro desta semana, Alessandra Mello e Luiz Cornacchioni entrevistam o diretor financeiro e administrativo da 3Tentos Agroindustrial, Luiz Osório.

Atuando no mercado com o propósito de ser uma empresa de soluções e suporte no agronegócio, a 3Tentos possui 32 unidades distribuídas em 28 cidades gaúchas.

Osório afirma que o Brasil é um dos maiores produtores de soja do mundo, por isso tem um potencial grande para atuar no mercado de biodiesel e energia renovável.

Brasil pode liderar o mundo na transição para caminho de baixas emissões

A questão que mais se destacou em 2018 para as perspectivas de crescimento econômico dos países foi o impacto devastador da negligência ambiental e da mudança climática induzida pelo homem. Para o Brasil a escolha se coloca entre buscar um crescimento econômico anual no curto prazo de 3% a 4% em detrimento do meio ambiente, ou se empenhar no crescimento sustentado de longo prazo por meio de ações ambientais e climáticas. Esta última opção é muito melhor para o País, mas é preciso ter vontade política para ser posta em prática.

Quando há uma estagnação no crescimento econômico, é tentador pôr a culpa nas regulamentações ambientais e nas ações climáticas. Porém está claro que crescer à custa da destruição do meio ambiente não produziu o avanço econômico sustentado no Brasil. Uma estratégia de crescimento de longo prazo precisa de investimentos e cuidado, não apenas em relação ao capital físico e humano, mas também ao capital natural, especialmente num país como o Brasil, com a riqueza de seus recursos naturais.

Além disso, as recentes inundações, tempestades, secas e ondas de calor que bateram recordes alertam que o aumento das emissões de carbono vai acelerar a mudança climática, prejudicando vidas e meios de subsistência e reduzindo o crescimento econômico. Com a sua extensa costa e diversos tipos de solo, o Brasil é altamente vulnerável a enchentes e secas.

Os perigos estão aqui e agora. Os cientistas vêm alertando que a maior probabilidade da ocorrência desses eventos extremos está associada às emissões de carbono e mudanças no clima. Em 2018 houve chuvas intensas na cidade de São Paulo e a precipitação em apenas uma hora no Rio de Janeiro correspondeu à de um mês inteiro. O Sudeste foi atingido recentemente por uma prolongada seca, exacerbada pelo desmatamento e as mudanças climáticas. Enquanto isso, a Argentina e o Uruguai sofreram secas recordes. Nos Estados Unidos houve grandes destruições provocadas por enchentes monumentais e pelos piores incêndios florestais da história do país.

O Brasil é o 11.º maior emissor de dióxido de carbono, mas tem sido também um dos líderes na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Como maior mercado de energia renovável da América Latina, o País pode se tornar altamente competitivo em energia eólica, solar e hídrica. Energia renovável pode ser o maior nicho das contribuições do Brasil e um motor de crescimento econômico.

Contudo, após os avanços registrados desde 2005, houve um recente e acentuado aumento do desmatamento e das emissões de carbono – o que vai em sentido contrário ao compromisso assumido pelo Brasil no Acordo de Paris de reduzir a zero o desmatamento ilegal na Amazônia brasileira em 2030. Em agosto de 2018 o País derrubou três vezes mais árvores do que a área devastada no mesmo período do ano anterior.

A importância do Acordo de Paris é que todos os países, ao imporem limites às emissões de carbono, criaram um instrumento valioso, como o estabelecimento do preço de uma matéria-prima, para modificar e compartilhar o uso do ar, que, por ser livre, acaba sendo mal utilizado. A adoção dessa medida por todos os interessados acarretará grandes benefícios para a economia brasileira.

Com milhões de hectares de terras abandonadas ou subutilizadas, o Brasil pode usar os solos degradados para expandir a fronteira agrícola, sem precisar se aventurar em novas áreas. Afinal, o desmatamento ilegal é, em sua maior parte, a apropriação privada de recursos públicos, com impacto econômico negativo. O crescimento de baixo carbono na agropecuária também se estende ao transporte, no qual é possível depender menos de novas estradas e mais de ferrovias e hidrovias.

Outros países também necessitam realizar profundas mudanças. As emissões da China continuam a aumentar, embora o país esteja investindo em energia renovável. A atual administração dos Estados Unidos vem desmontando as políticas de proteção do meio ambiente, substituindo-as por ações favoráveis aos combustíveis fósseis, que poderão provocar um grande aumento das emissões de carbono – o que prejudica a vida dos americanos e constitui um crime contra o desenvolvimento global.

Enquanto isso, algumas soluções políticas e tecnológicas estão sendo adotadas em âmbito local. O número de cidades no mundo que utilizam energia limpa duplicou nos últimos três anos. Uma lei de 2018 aprovada na Califórnia exige que toda a eletricidade seja proveniente de fontes renováveis ou sem emissões de carbono até 2045, com metas intermediárias para 2026 e 2030. Chile, Alemanha, México, África do Sul e Reino Unido estão começando a cobrar impostos sobre o carbono.

Relatórios das Nações Unidas e do governo dos Estados Unidos, divulgados no ano passado, sugerem que se está reduzindo rapidamente a expectativa do alcance de um nível máximo das emissões globais em 2020, passando, na sequência, a uma queda acentuada, para manter o aumento da temperatura abaixo de dois graus centígrados. Se os países principais emissores, incluindo o Brasil, seguirem a rota de aumento para as emissões de carbono, o aquecimento atingirá de fato mais de dois e até três graus Celsius, impedindo assim todas as perspectivas de crescimento econômico.

A pergunta crucial não é se o Brasil vai retomar o crescimento, mas como esse crescimento se pode concretizar incorporando as ações sobre o clima. O País é altamente vulnerável às mudanças climáticas e tem todo o incentivo para liderar o mundo na transição para um caminho de baixas emissões de carbono.

Fonte: Brasil Agro

Brasil propõe estratégias para diminuição de CO²

O assunto “meio ambiente e mudanças climáticas” não poderá jamais ser desprezado. Basta ver que o planeta Terra é o mesmo há milhões de anos, e será ocupado por cerca de 10 bilhões de pessoas que disputarão espaços, ondas magnéticas, alimentos, água, ar, e que vai gerar monumentais volumes de lixo, além dos abissais desperdícios, como por exemplo, alimentos.

A 24° conferência das partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP24) aconteceu na Polônia, em dezembro de 2018 – aliás, um dos países admirados, citado pelo nosso novo Chanceler Ernesto Araújo – e lá, o nosso secretário de Mudança do Clima e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Thiago Mendes, fez sucesso revelando o progresso brasileiro em ações concretas, por empresas e governo, registrando a diminuição do desmatamento nos últimos dez anos, que cai de 20 mil km² para 7,9 mil km² ao ano.

Nos termos do Acordo de Paris, todos os países se comprometeram a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, para limitar o aumento médio da temperatura global abaixo de 2°C e o mais próximo possível de 1,5°C.

Temos muito a fazer nos nossos seis biomas: pampa, mata atlântica, caatinga, cerrado, pantanal e Amazônia. Estados como Mato Grosso e Tocantins têm decrescido o desmatamento ilegal de forma considerável, na casa de 80% nos últimos 15 anos.

Na Polônia, apresentamos 42 projetos, com a participação da sociedade civil, possibilitando diminuição da emissão de dióxido de carbono – CO². Dentre eles, que consideramos vital e estratégico para o Brasil, será o crescimento do sistema de Integração de Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF), e como o ex-ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli tem dito e trabalhado, o produtor rural do futuro será também produtor de água; um gestor da água com irrigação sustentável administrada.

Uma das iniciativas do Brasil não foi aprovada, que era criar um mecanismo de incentivo às ações da iniciativa privada sobre a diminuição do aquecimento global. Ideia com a qual concordo totalmente, pois a soma do PIB das cinco mil maiores corporações privadas do planeta as colocam dentro das três maiores economias do mundo.

E, sem dúvida, seremos cada vez mais dependentes de uma forte governança das corporações, que impactam hoje muito mais do que os governos.

Portanto, o Brasil precisa insistir no mecanismo de estímulo às iniciativas privadas na emissão de CO².

Fonte: Campo Grande News

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