Agricultura brasileira tem tecnologia para enfrentar mudanças climáticas, diz especialista

Um relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), apresentado nesta segunda-feira (17), apontou que a sustentabilidade da agricultura brasileira depende do impacto das mudanças climáticas.

Segundo a organização, o planeta precisará dobrar as produções agrícolas até 2050 e os países com as mais baixas latitudes serão os mais afetados.

No caso do Brasil, a previsão é de que, se nada for feito no mercado global, suas exportações poderão ser afetadas negativamente e haveria até uma leve queda no volume vendido.

No entanto, em entrevista à Sputnik Brasil, Evaristo Eduardo de Miranda, engenheiro agrônomo e ecólogo, diretor da Embrapa Territorial, contestou a informação da FAO e disse que a agricultura brasileira possui tecnologia suficiente para enfrentar mudanças climáticas com competitividade.

“Eu não veria esse terrorismo e nem esse determinismo que está sendo dado. A agricultura brasileira não é neolítica, ela é uma agricultura com muita tecnologia, muita competitividade”, disse.

Miranda disse que um exemplo disso é o fato de no Brasil o mesmo produto ser plantado em várias regiões do país.

“Nós temos dado resposta às incertezas climáticas que sempre existiram com tecnologia e se você pegar, por exemplo, uma cultura como o milho ou a soja, são plantadas do Sul do país ao Amapá. São situações climáticas muito diferentes, mas existem tecnologias para você lidar com essas flutuações climáticas”, comentou.

Para reverter esse cenário, segundo Evaristo Eduardo de Miranda, é necessário pesquisa para conseguir prever ao máximo qualquer incerteza climática.

“Armazenagem e sobretudo desenvolver irrigação no caso de incerteza climática. Desenvolver irrigação e tudo isso tem que estar apoiado em tecnologia e pesquisa. Nós não podemos ficar imóveis e achar que há um fatalismo climático”, completou.

Fonte: Sputnik Brasil

Brasil direciona 80% da exportação de soja para China de janeiro a agosto

As exportações de soja do Brasil para a China somaram 50,9 milhões de toneladas de janeiro a agosto, volume que representa 78,8 por cento de toda a oleaginosa exportada pelos brasileiros no período, à medida que o gigante asiático evita comprar o produto dos EUA devido a uma tarifa de 25 por cento.

Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura, que apontou também que as exportações totais do Brasil nos oito primeiros meses de 2018 somaram um recorde de 64,6 milhões de toneladas, versus 56,9 milhões de toneladas no mesmo período de 2017.

De janeiro a agosto de 2017, as exportações do Brasil para a China haviam atingido 44,1 milhões de toneladas, o que representou uma fatia de cerca de 77,5 por cento de tudo o que o país exportou no período.

As exportações brasileiras de soja do Brasil, o maior exportador global da oleaginosa, estão estimadas em 76 milhões de toneladas em 2017/18, resultando em estoques finais mínimos, o que indica que o país não terá muito mais soja para ofertar aos chineses nos próximos meses, até a entrada da nova safra, a partir de janeiro.

Buscando evitar a soja dos EUA, taxada em 25 por cento pelos chineses desde julho, em meio a uma guerra comercial, a China já deu mostras de que busca alternativas.

Nesta semana, a China reduziu sua previsão de importações anuais de soja no ano-safra que começa em 1º de outubro para 83,65 milhões de toneladas, ante 93,8 milhões de toneladas na previsão anterior, planejando recorrer a outros produtos para fabricar ração animal.

O ministério brasileiro informou ainda que, de janeiro a agosto, as exportações de soja, o principal produto exportado pelo país, somaram 25,72 bilhões de dólares, alta de 20 por cento na comparação anual.

O governo relatou também que as exportações de soja em grão para a China responderam por quase 30 por cento do valor total exportado em produtos do agronegócio brasileiro (68,52 bilhões de dólares, de janeiro a agosto), o que ressalta a dependência brasileira da China no comércio global.

O gigante asiático comprou sozinho, de janeiro a agosto, 42,7 por cento da safra de soja em grão brasileira 2017/2018, que atingiu um recorde de 119,3 milhões de toneladas.

Já as exportações de farelo de soja também atingiram volume recorde, com 11,8 milhões de toneladas de janeiro a agosto, gerando divisas de 4,69 bilhões de dólares (+32 por cento), de acordo com o ministério. O produto, no entanto, teve como principal destino a União Europeia.

Fonte: Brasil Agro – Online

Ciência, o adubo da agricultura brasileira

O segredo do sucesso mundial do agronegócio brasileiro tem nome e sobrenome: pesquisa, desenvolvimento e inovação agropecuária

Alimentar uma população mundial crescente – estimada em 10 bilhões de pessoas em 2050; produzir alimentos, fibra e bioenergia de forma sustentável, preservando e protegendo o meio ambiente; transformar a realidade de um país, que em pouco mais de quatro décadas saiu da posição de importador para a de celeiro mundial de alimentos. O Brasil alcançou essa condição num curto espaço de tempo. O segredo desta extraordinária mudança de paradigma tem nome e sobrenome: pesquisa, desenvolvimento e inovação agropecuária.

Na década de 1970 do século passado, o Brasil era um conhecido produtor de café, açúcar e cacau, as chamadas commodities da época. Todavia, ainda importava grande parte do que consumia: arroz, feijão, carne, leite, milho, trigo e outros cereais. A produção e a produtividade de nossas lavouras eram modestas. Havia pouco conhecimento sobre nossos biomas. A pobreza rural era uma triste realidade. O país estava imerso na insegurança alimentar. Com dimensões continentais e localizado no cinturão tropical do globo, região com solos pobres e ácidos, com temperatura e umidade favoráveis ao desenvolvimento de pragas e doenças, o Brasil não contava com um modelo de produção agropecuária a copiar. Era imperativo que desenvolvesse seu próprio modelo de agricultura tropical. Um modelo que, preferencialmente, estivesse baseado em ciência.

Foi assim que, em 1973, o governo federal criou a Embrapa. A instituição nasceu com a missão de gerar, adaptar e transferir conhecimentos para o desenvolvimento da agropecuária brasileira. Logo no início, foram enviados para treinamento no exterior mais de 1.000 profissionais das mais diferentes áreas das ciências agrárias. Centros de pesquisa foram instituídos em várias regiões do país.

A tecnologia agropecuária mudou a paisagem rural brasileira

Um consórcio público de pesquisa agropecuária, constituído pela Embrapa, universidades, organizações estaduais de pesquisa e a extensão rural, abriu caminhos para um setor privado ágil e pujante. E transformou a realidade de várias regiões brasileiras. A pesquisa pública concentrou-se então em eliminar as limitações ao desenvolvimento da produção agropecuária no Brasil. Três pilares estão na base desse processo: a tropicalização de cultivos e animais, o desenvolvimento de uma plataforma de produção sustentável e a transformação de solos ácidos e pobres em terra fértil.

A tecnologia agropecuária mudou a paisagem rural brasileira. Em pouco mais de 40 anos, aumentamos a produção de grãos em mais de cinco vezes com elevação de apenas 60% na área plantada. Incrementamos a produção de milho e trigo em mais de 240%, enquanto a produção de arroz cresceu 300%. A bovinocultura de corte aumentou seu plantel em duas vezes, enquanto a área com pastagens reduziu-se ligeiramente. A produção de leite saiu de pouco mais de 4 bilhões para mais de 35 bilhões de litros. A produtividade do café aumentou três vezes em 25 anos. Somando-se a produção de grãos, carne (bovina, suína e de frango), leite, frutas e hortaliças, o Brasil alimenta, anualmente, 1,4 bilhão de pessoas, ou sete vezes o tamanho de sua população. A pesquisa transformou o Cerrado. A tropicalização de cultivos, como a soja, o milho e o trigo, e a de animais para bovinocultura de corte e leite, fez do Cerrado – uma área até então inóspita – o celeiro brasileiro da produção de alimentos, fibras e energia do Brasil.

O país transformou-se numa verdadeira potência agrícola. E essa mudança de paradigma foi feita de maneira sustentável. Nenhum outro país do mundo produz alimentos e preserva e protege o meio ambiente como o Brasil. Usamos apenas 7,8% do território para toda a safra de grãos. A Alemanha usa 56,9% do seu território, enquanto o Reino Unido ocupa 63,9%, e a Dinamarca nada menos que 76,8%.

Por tudo isso, não podemos aceitar que desinformados ou mal-intencionados apontem o dedo para o Brasil nos acusando de predadores do meio ambiente. É preciso esclarecer que, com ciência, tecnologia e inovação, sabemos produzir de forma sustentável.

O Brasil preserva ou protege 66,3% de seu território na forma de matas e florestas nativas. Tal área equivale a toda a superfície dos países da União Europeia. Produtores rurais brasileiros preservam 25% do território brasileiro dentro dos imóveis rurais, na forma de reservas legais ou áreas de proteção permanente, o que representa um fantástico serviço ecossistêmico numa área aproximada de 218 milhões de hectares. E fazem isso sem receber um centavo sequer. O valor financeiro imobilizado dentro das propriedades rurais brasileiras é estimado em R$ 3,1 trilhões.

As pastagens e as florestas brasileiras, nativas e plantadas, ocupam outros 23%. Em síntese, usamos apenas 30% do Brasil para produzir alimentos, fibras e energia para alimentar 20% da população do globo. Os EUA usam quase 75% do seu território. Preservam apenas 19,9%, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Até 2030, estima-se que a Ásia concentrará 50% da classe média mundial. A região demandará alimentos em volumes crescentes, e o Brasil terá significativo protagonismo no atendimento dessa demanda. Dados do USDA indicam que a produção de alimentos no Brasil crescerá 69% até 2027, a maior taxa de crescimento verificada entre os maiores produtores e consumidores de alimentos no mundo. O mesmo estudo indica que a produção na Índia aumentará 48%, na Argentina crescerá 44%, na Rússia, 34%; na Austrália, 22%, nos EUA, 12%; na Ásia, apenas 11%.

O crescimento da produção brasileira se dará, sobretudo, pelo aumento da produtividade com uso intensivo de tecnologia. Ocorrerá também pela incorporação de áreas de pastagens degradadas, estimadas em 50 milhões de hectares, que vêm sendo recuperadas ao longo das últimas décadas por meio de processos de intensificação sustentável como os sistemas de integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF). Acredita-se que os sistemas integrados, que saíram de 4 milhões de hectares há 6 anos e hoje ocupam quase 14 milhões de hectares, configurem-se na segunda revolução agropecuária que se materializa em várias regiões do território brasileiro.

A demanda por alimentos aumentará significativamente nas próximas décadas. O crescimento populacional e a concentração demográfica em centros urbanos no horizonte de 2050 impõem grandes desafios para a sociedade moderna. Produzir de forma sustentável com preservação e respeito ao meio estará no centro da agenda de desenvolvimento global. Poucos países serão capazes de produzir com competitividade e sustentabilidade. A pesquisa, o desenvolvimento e a inovação agropecuária continuarão a fazer do Brasil um dos pilares da segurança alimentar e da paz em todo o mundo.

Celso Moretti é diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa.

Fonte: Gazeta do Povo – online

Brasil tem potencial para liderar setor de produção de energia sustentável

Pesquisador do Grupo de Inteligência Territorial e Estratégica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), José Dílcio Rocha aponta a grande dependência do mundo quanto a combustíveis fósseis: notoriamente o petróleo, o gás natural e o carvão mineral, que além de sujeitos a variações de preços, também sofrem impactos de ordem política, já que as maiores reservas do mundo se concentram em países árabes instáveis.

O especialista cita, portanto, grande vantagem competitiva do Brasil ao investir no potencial energético do etanol, do biogás e do biodiesel, por exemplo, por serem “neutros na emissão de carbono e preservarem a qualidade do clima”.

“As convenções climáticas anuais têm sinalizado que o uso gradativo de biocombustível ajuda a minimizar problemas que impactam de forma prática a vida das pessoas, como a diminuição de produtividade da agricultura, das ondas de calor, tsunami, erupções vulcânicas, terremotos, etc. Tudo isso pode ser minimizado se a população mundial passar a usar mais biocombustível”, avalia José Dílcio.

“O Brasil é um grande produtor agrícola, tem um programa de etanol combustível desde os anos de 1970, o de biodiesel desde 2004 e agora estamos com novos programas de biogás, de geração de bioeletrecidade à partir da biomassa de florestas Ou seja, temos todas as condições para ampliar o uso de energias renováveis e ainda exportar, ajudando outros países a atingirem as metas climáticas [previstas no Acordo de Paris].

Porém, para o pesquisador, o investimento na área ainda é o grande gargalo para a produção em quantidade de bioenergia no país. Dílcio diz que produtores-chave do setor, tanto no Brasil quanto no exterior, aguardam a definição do cenário político antes de voltarem a apostar no potencial brasileiro.

“A instabilidade política tem desviado muita atenção dos investidores. Eles esperam que passe as eleições, definir o quadro político do ano que vem para fazer novos investimentos. Não é por falta de tecnologia nem de matéria-prima, tá faltando apenas os setores privado e público fazerem parcerias para impulsionar o setor na medida que precisamos”

Fonte: Brasil Agro – Online

Receitas com soja já beiram US$ 38 bilhões neste ano

Recorde das exportações ocorre devido ao volume maior de vendas e preços com prêmio

soja continua dando um forte impulso às contas do país. As receitas externas vindas do complexo soja, que incluem as exportações de soja em grão, farelo e óleo, deverão beirar o recorde US$ 38 bilhões (R$ 158 bilhões) neste ano.

Até agosto, já somam US$ 31 bilhões (R$ 129 bilhões), conforme os dados mais recentes da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

O país foi beneficiado neste ano pela desvalorização do real, pelo volume disponível para as vendas eternas e pela preferência chinesa pelo produto brasileiro.

O apetite chinês colocou a commodity nacional com um ágio em relação aos preços praticados em Chicago.

Os brasileiros foram beneficiados até no farelo, um produto derivado da soja e que o Brasil não é tão competitivo como a Argentina.

Fortes nas exportações de farelo, os argentinos tiveram uma quebra de 20 milhões de toneladas na produção de soja deste ano. Faltou matéria-prima para a produção do farelo.

Nos oito primeiros meses deste, o Brasil já exportou 65 milhões de toneladas de soja e 12 milhões de farelo. Pelo menos 78% das exportações brasileiras do grão foram para o país asiático.

 

Esse conjunto de fatores a favor do Brasil fez com que, mesmo com queda dos preços internacionais, a soja trouxesse receitas líquidas para os produtores brasileiros.

 

Diante desse cenário de liquidez, e apesar do aumento de custos de produção e do frete, os produtores vão continuar apostando nessa commodity.

Nos cálculos da consultoria Céleres, o Brasil deverá expandir a área de plantio com a oleaginosa em 1,1 milhão de hectares, para o recorde de 36 milhões na afra 2018/19.

A produção, mantido o mesmo cenário de produtividade dos últimos 15 anos, sobe para 120 milhões de toneladas.

Rentabilidade obtida em 2017/18, a safra que se encerrou, e perspectiva favorável para as margens em 2018/19, a safra que terá início de plantio nas próximas semanas, levam os produtores para essa expansão, segundo os analistas da Céleres.

Grãos em São Paulo A área ocupada com grãos neste ano aumentou 4,6% em relação ao anterior. Devido à falta de chuva, porém a produtividade teve recuo de 2,5%.

Produção Com isso, a produção do estado recuou 1,9%, segundo o IEA (Instituto de Economia Agrícola). Já a soja teve evoluções de 5,7% na área e de 6% na produção.

Fonte: Folha de S.Paulo

Brasil e China poderiam fazer parcerias em comércio de farelo de soja, diz diplomata chinês

BRASÍLIA (Reuters) – Empresas chinesas e brasileiras poderiam formar joint ventures de processamento de soja como forma de ampliar as exportações de farelo de soja da maior economia da América Latina para o principal importador global da oleaginosa, disse em uma entrevista um alto diplomata chinês.

As empresas chinesas processam grande parte de toda a soja que usam em fábricas na China, em vez de comprar farelo de soja diretamente do Brasil, mas as companhias escolhem a opção mais lucrativa, disse Qu Yuhui, ministro-conselheiro encarregado de assuntos políticos da embaixada chinesa em Brasília.

“Se uma companhia chinesa e outra brasileira juntas fizerem uma joint venture no Brasil para processar soja, essa é uma boa escolha para os lucros de ambos os lados”, disse ele à Reuters, acrescentando que tal parceria poderia aliviar o ônus dos custos logísticos brasileiros.

Ainda assim, Qu disse que não há discussões atualmente para a China dar ao Brasil uma cota de farelo de soja com um imposto de importação mais baixo.

O investimento chinês no Brasil saltou em 2017 para uma máxima de sete anos, estimulando o debate sobre as relações bilaterais antes da eleição presidencial brasileira em outubro.

As compras chinesas de terras e operações de mineração atraíram críticas do candidato Jair Bolsonaro (PSL), que lidera a corrida em um cenário sem o ex-presidente Lula.

Qu disse que era difícil entender a raiz da preocupação de Bolsonaro. Os compradores chineses respondem por apenas 3 por cento das compras de terras estrangeiras no Brasil, disse ele.

Ele disse que a China e o Brasil continuarão a trabalhar para o desenvolvimento mútuo, independentemente de quem vencer a eleição, acrescentando que o comércio bilateral deve crescer 25 por cento, para 110 bilhões de dólares nos próximos dois a três anos.

Qu disse que ainda é muito cedo para dizer se as disputas comerciais entre os EUA e a China terão impacto sobre o comércio entre a China e o Brasil, que já estava crescendo rapidamente antes da atual disputa.

Além da demanda crescente por soja e milho brasileiros, Qu disse que o crescimento do consumo chinês impulsionará o comércio de frutas, frango e carnes suína e bovina.

O aumento do comércio bilateral não ocorre sem atritos.

A China impôs medidas antidumping ao frango brasileiro em junho, enquanto uma tarifa de açúcar pesou sobre as exportações brasileiras do adoçante para a China.

“Estou relativamente otimista de que este problema possa ter uma solução apropriada em um período relativamente curto de tempo”, disse ele sobre as exportações brasileiras de açúcar. Ele expressou avaliação semelhante sobre o comércio de frango.

Fonte: Reuters

O que tem no ar do Brasil que ajuda a matar 50 mil pessoas por ano, segundo a OMS

No Brasil, o ar é responsável pela morte de 50 mil pessoas a cada ano, por causar doenças como câncer de pulmão, ataque cardíaco e derrame cerebral

Não estamos em um campo de guerra, mas, diariamente, respiramos um ar que pode nos matar. Segundo levantamento divulgado em maio pela Organização Mundial da Saúde (OMS), nove em cada 10 pessoas no mundo respiram ar poluído. No Brasil, ele é responsável pela morte de 50 mil pessoas a cada ano, por causar doenças como câncer de pulmão, ataque cardíaco e derrame cerebral.

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Fonte: Gazeta do Povo

Brasil diz já ter cumprido meta de 2020 para o clima

O feito, segundo o governo, se deu em virtude da redução, entre 2016 e 2017, do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Especialistas que trabalham com estimativas de emissões, porém, questionam o dado

SÃO PAULO – O presidente Michel Temer deve anunciar nesta quinta-feira, 9, que o País conseguiu, três anos antes, cumprir sua meta voluntária de redução de emissões de gases de efeito estufa prevista para 2020. O feito, segundo o governo, se deu em virtude da redução, entre 2016 e 2017, do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Especialistas que trabalham com estimativas de emissões, porém, questionam o dado.

O cálculo se refere a um compromisso assumido pelo Brasil em 2009, no âmbito da Conferência do Clima de Copenhague, e que se traduziu internamente em lei com o decreto que estabeleceu a Política Nacional de Mudança do Clima.

Pela proposta apresentada à Convenção do Clima, o Brasil fez uma projeção de quanto estariam as suas emissões de gases de efeito estufa (que causam o aquecimento global) em 2020 se nenhuma medida fosse tomada para contê-las; e quanto seria possível reduzi-las, numa comparação com valores médios observados entre 1996 e 2005. A meta estabelecida foi chegar a 2020 com uma redução de 36,1% a 38,9% em relação ao projetado para aquele ano.

A principal maneira de alcançar isso, propôs o governo, foi reduzir o desmatamento. Se não houvesse nenhum tipo de ação de mitigação, a estimativa brasileira é que a perda da Amazônia, por exemplo, poderia enviar para a atmosfera 947,6 milhões de toneladas de CO2 em 2020.

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Fonte: O Estado de S.Paulo

Soja: Mais competitivo que os EUA, Brasil chega a 2019 sem estoque

Embora a soja brasileira siga mais competitiva do que a norte-americana quando o assunto é preço com a guerra comercial entre chineses e americanos em curso, a China deverá voltar a ver sua necessidade de importar a oleaginosa dos EUA nos próximos meses, se não nas próximas semanas. A oferta brasileira está cada vez mais escassa e deveremos iniciar 2019 praticamente sem estoques, como explica o consultor em agronegócios, Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios.

“Os prêmios nos EUA estão 50 cents acima de Chicago, enquanto no Brasil passam de 200. Só que não temos mais soja no Brasil, o que tem está indo embora, o farelo está indo embora. Embora não seja a favor da guerra comercial, o momento tem favorecido muito o Brasil e o mercado, no curtíssimo prazo, é bastante interessante”, explica Fernandes.

O Brasil nunca chegou a agosto exportando volumes tão elevados de soja e derivados como tem acontecido neste ano. E com isso, o aperto no volume ainda a ser ofertado se estreita cada vez mais.

A análise do consultor da Terra é semelhante à consultoria internacional Oil World. “A China precisa retomar suas compras nos EUA. A escassez do produto na América do Sul fará com que seja necessário a nação asiática tenha de importar cerca de 15 milhões de toneladas de soja americana no período de outubro de 2018 a março de 2019, mesmo com o problema da guerra comercial em andamento”, diz o boletim da empresa. O reporte acrescenta ainda que esse movimento já poderia ser iniciado nas próximas semanas.

Mesmo bem abastecida neste momento, a China, ainda segundo a Oil World, deverá enfrentar momentos de estoques bem ajustados nos próximos meses caso não volte parte de sua demanda ao mercado dos Estados Unidos. E diante de preocupações como esta, os preços da soja e do farelo subiram de forma bastante expressiva nesta quarta-feira no mercado chinês, registrando sua maior alta diária em quase 10 anos.

Além disso, as importações chinesas de soja, em julho, apresentaram um recuo em relação ao mês anterior e também trouxeram preocupações sobre o abastecimento, dando mais estímulo às altas no mercado doméstico.

No mês passado, as compras chinesas somaram 8,01 milhões de toneladas, 8% a menos do que as 8,7 milhões de toneladas de junho. A queda vem com os processadores comprando menos soja após terem garantido, nos meses anteriores, bons estoques para se prepararem para as ondas de tarifações sobre o produto norte-americano.

Em relação ao mesmo período do ano passado, as importações estão 20,6% menores, quando a China comprou o recorde mensal de 10 milhões de toneladas de soja.

“Os compradores chineses adquiriram muita soja brasileira para evitar e mitigar os impactos da guerra comercial China x EUA. Então, a pressão do estoques domésticos é grande, o que fez com que as importações de julho fossem um pouco menores”, disse o analista sênior da First Futures, Tian Hao, à Reuters Internacional.

Nos primeiros sete meses de 2018, as compras chinesas de soja já somam 52,88 milhões de toneladas, 3,7% menores do que no acumulado da temporada anterior.

Para setembro e agosto, as expectativas mostram que as importações da nação asiática poderiam se manter na casa das 8 milhões de toneladas, o que deverá manter os estoques em níveis elevados.

Os estoques chineses de farelo de soja chegaram a um recorde, em julho, de 1,27 milhão de toneladas.

Essa preocupação com o abastecimento gera um aumento dos preços ao mesmo tempo em que causa também margens elevadas de esmagamento para as processadoras. O efeito disso chega à produção de proteína, que também poderia ser reduzida, trazendo preços mais altos no mercado interno, ainda de acordo com a análise da Oil World.

Uma alternativa a isso poderia ser a a maior importação de farelo de soja pela China, o que tradicionalmente não acontece no país. “Podemos ver um direcionamento maior de farelo argentino para a China. Se a China começar a comprar mais farelo da Argentina, pode haver um déficit de grãos no mercado argentino, que consequentemente irá se abastecer nos EUA”, dizem os analistas da consultoria.

Mais do que isso, ainda segundo explica Ênio Fernandes, deverá ser registrado um aumento das triangulações. “As multinacionais compram soja dos EUA, mandam para outro país e a China compra nessas localidades”, diz. Assim, o que poderá ser observado é essa maior ocorrência de vendas trianguladas ou a China comprando o mínimo direto dos EUA para manter seus estoques elevados.

Em entrevista à Bloomberg, o analista de mercado chefe da Northstar Commodity diz que “deveremos ver mais negócios acontecendo entre China e EUA. Pode ser que nunca cheguem aos niveis que gostaríamos, mas é melhor do que volume nenhum”.

As contas são simples. A estimativa do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) é de que a China importe 95 milhões de toneladas na temporada 2018/19. E mesmo que ela absorva as 75 milhões projetadas para serem exportadas pelo Brasil, ainda há um gap de 20 milhões para ser suprido.

“Será praticamente impossível cobrir esse volume sem os chineses importarem dos EUA. A Argentina tem exportações projetadas em apenas 8 milhões, de acordo com o USDA”  dizem os especialistas ouvidos pela Bloomberg.

Sinais de que essa melhora no ritmo dos negócios já começa a acontecer vêm dos números das vendas norte-americanas do ano comercial 2018/19. De acordo com dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), as vendas dos EUA acumuladas no novo ano comercial já chegam a mais de 10 milhões de toneladas, contra pouco mais de 6 milhões do mesmo período do ano passado.

“Ou seja, apesar da guerra comercial entre China e EUA, o volume de antecipações de soja  que já está negociada é bem maior do que em igual período. Não há sinais de arrefecimento nas vendas externas dos EUA. Esse é um número bem pujante, que fica até acima da média histórica para o período”, explica o analista de mercado da Informa Economics FNP, Aedson Pereira, em entrevista ao Notícias Agrícolas.

O especialista explica ainda que dessas 10 milhões de toneladas já comprometidas pelos EUA, apenas 1,3 milhão foi destinado à China. Há, porém, mais da metade do volume total – cerca de 5,5 milhões de toneladas – tem destino não revelado. “Isso mostra que há um movimento de reestruturação na dinâmica do fluxo de exportação, por isso que o mercado está muito atento aos números de vendas antecipadas nos EUA”, completa Pereira.

Fonte: Notícias Agrícolas

Comissão sobre mudanças do clima debate candidatura do Brasil a sede da COP-25

A Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC) realiza na quarta-feira (8), a partir das 14h30, uma audiência pública para debater a candidatura do Brasil para sediar a Conferência das Partes da Organização das Nações Unidas (COP-25) em 2019. Será o quarto evento mundial sobre mudanças climáticas desde que o Acordo de Paris foi firmado, em dezembro de 2015.

Os países signatários do acordo se comprometeram a limitar as emissões de poluentes para conter o aumento da temperatura global em menos de dois graus Célsius. Um dos compromissos do Brasil é cortar 37% das emissões de gases de efeito estufa até 2025, e 43% até 2030.

A CMMC deve trabalhar para que o Brasil seja sede do evento. Essa é a sugestão do relator, senador Jorge Viana (PT-AC). Segundo ele, o Brasil tem todos os pré-requisitos para sediar um evento mundial como a COP e o país seria mais uma vez protagonista em assuntos ambientais.

Foram convidados para a reunião o embaixador José Antonio de Carvalho, subsecretário-geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores; Thiago Mendes, secretário de Mudança do Clima e Florestas do Ministério do Meio Ambiente; Alfredo Sirkis, coordenador-executivo do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima (FBMC); Sarney Filho, ex-ministro do Meio Ambiente e um representante da hidrelétrica Itaipu.

Candidatura

A proposta de o Brasil sediar a COP-25 foi feita em novembro, durante a última conferência do clima (COP-23), em Bonn, na Alemanha. No evento, o então ministro do Meio Ambiente Sarney Filho ofereceu o Brasil como sede da COP. A oferta foi registrada no final da COP-23 em documento divulgado no site da convenção (UNFCCC).

As Nações Unidas adotam um sistema de rodízio entre regiões do mundo para sediar conferências do gênero. Conforme regulamento da organização, a próxima deveria ocorrer em um país da América Latina e Caribe. Para isso, deve haver consenso no grupo.

Segundo a rede de entidades da sociedade civil Observatório do Clima, a Venezuela vem barrando todas as nomeações e indicações no âmbito da ONU que venham do chamado Grupo de Lima, conjunto de 14 países latino-americanos e caribenhos formado em 2017. O grupo não reconhece a Constituinte venezuelana e tem se manifestado contra a “ruptura da ordem democrática” na Venezuela. O Brasil participa do grupo junto a países como Peru, Chile e Colômbia.

COMO ACOMPANHAR E PARTICIPAR

Participe: 
http://bit.ly/audienciainterativa
Portal e-Cidadania:
senado.leg.br/ecidadania
Alô Senado (0800-612211) 

Fonte: Agência Senado

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