Leilão de Biodiesel do Brasil negocia 1,139 bi litros, diz ANP

O 68º leilão de biodiesel do Brasil registrou o arremate de 1,139 bilhão de litros do produto, para atendimento de demanda em setembro e outubro, ante 984,443 milhões de litros negociados no certame anterior, para julho e agosto, informou nesta segunda-feira a agência reguladora ANP.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o valor total do certame foi de 1,141 bilhão de reais, com preço médio de 2,857 reais por litro –descontada a margem da Petrobras.

Ainda de acordo com nota do órgão, o ágio médio foi de 1,30% em relação à média ponderada dos preços máximos de referência, de 2,820 reais por litro.

A apresentação das ofertas de biodiesel ocorreu em 12 de agosto, com 38 produtores disponibilizando 1,141 bilhão de litros, sendo 99,74% de produtores que possuem o Selo Combustível Social.

Fonte: Notícias Agrícolas

ANP realiza primeiro leilão de biodiesel com mistura de 11%

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizou o primeiro leilão de comercialização de biodiesel sob a regra de mistura de 11% do produto no diesel (E11) e que deverá abastecer o mercado entre 1º de setembro e 31 de outubro de 2019.

Foram arrematados 1,139 bilhão de litros de biodiesel, para atendimento tanto das misturas obrigatória como voluntária, o que resultou num valor total negociado de R$ 1,141 bilhão.

Deste volume, 1,138 bilhão de litros foram para mistura obrigatória, sendo 99,78% deste total foi oriundo de produtores detentores do selo Combustível Social. O preço médio de negociação foi de R$ 2,857 o litro (sem considerar a margem da compradora) — um ágio médio de 1,30% quando comparado com a média ponderada dos “Preços Máximos de Referência” regionais.

A apresentação das ofertas foi feita no dia 12, com participação de 38 produtores. Foram arrematados 1,136 bilhão de litros de biodiesel, oriundo exclusivamente de produtores detentores de selo Combustível Social, nos dias 14 e 15.

No dia 16, foram arrematados mais 2,55 milhões de litros de biodiesel de produtores detentores ou não de Selo Combustível Social.

A mistura de 11% foi destravada após o Ministério de Minas e Energia (MME) publicar relatório técnico prevendo que o biodiesel precisa conter, em sua especificação, a estabilidade à oxidação para ser misturado ao fóssil.

Fonte: Valor

BSBIOS deve aumentar faturamento em R$ 900 milhões

Indústria já está preparada para atender a demanda de aumento de 10% para 11% de mistura do biodiesel ao óleo diesel

O anuncio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP, de aumentar de 10% para 11% a obrigatoriedade de mistura do biodiesel ao óleo diesel fóssil, a partir de setembro, trará impacto positivo na produção das duas unidades da BSBIOS – Passo Fundo e Marialva (PR). “Devemos aumentar nosso faturamento em R$ 900 milhões em 2020 com o investimento que estamos fazendo”, disse ontem o presidente da empresa, Erasmo Battistella. A BSBIOS já vinha se preparando para o aumento de percentual de biodiesel, tanto que para o segundo semestre deste ano está prevista a ampliação na capacidade de produção de biodiesel, conforme anúncio feito no ano passado. Haverá um acréscimo de 43% em sua capacidade produtiva, passando de 288 milhões de litros de biodiesel/ano para 414milhões.
Conforme a resolução, as Distribuidoras de Combustível podem misturar até o máximo de 15% no óleo diesel. Para Battistela, o aumento da adição de biodiesel ao diesel derivado de petróleo é uma medida acertada e que merece aplausos, pois estimula a produção de biocombustível limpo e eficiente em maior volume, gerando emprego e renda no campo, e reduzindo a emissão de poluentes nas cidades, melhorando a saúde dos cidadãos.
Segundo Battistela “Com a entrada em vigor da mistura B11 e a perspectiva de chegarmos ao B15 em 2023, o Brasil não só renova sua confiança na nossa indústria, como reafirma sua posição de referência internacional em biocombustíveis e em fontes alternativas de energia”.
Atualmente o Brasil é o segundo maior produtor de biodisel, ficando atrás apenas dos Estados Unidos. A produção brasileira de biodisel em 2018 ultrapassou 5,3 bilhões de litros. Com o B11, a Associação de Produtores de Biodiesel do Brasil – APROBIO prevê que em 2019, a produção nacional deve ultrapassar a marca recorde de 6 bilhões de litros.
A previsão inicial era de que a regulação entrasse em vigor ainda no mês de junho, mas alterações foram feitas a pedido de montadoras de veículos. A nova regulamentação foi publicada em 1° de agosto. O cronograma aprovado pelo CNPE no final de 2018 estabelece o aumento de 1% ao ano no teor de biodiesel adicionado ao diesel fóssil até 2023. Com isso, a previsão é alcançar o B15 até março do mesmo ano.

Ampliação da indústria
Em novembro do ano passado, a BSBIOS anunciou investimento de R$ 72 milhões para ampliação da capacidade de processamento de soja e de gordura animal e, consequentemente, na capacidade de produção de biodiesel. Foi o quinto aumento na capacidade de produção do biocombustível, e o terceiro no volume de processamento de grãos em Passo Fundo. A empresa está investindo R$ 47 milhões nas ampliações e R$ 25 milhões em capital de giro. O aumento visa acompanhar o mercado crescente de biodiesel tendo em vista o aumento de 10% para 15% na mistura. Além de ampliar a capacidade de produção, a planta de processamento de grãos também recebe incremento dos atuais 1.080 mil toneladas de esmagamento de soja por ano para 1.280 mil toneladas de soja por ano. Outro objetivo da BSBIOS com ampliação é permanecer entre as três principais produtoras de biodiesel do Brasil.
Novidade
Uma novidade do anúncio é a construção da planta de Desodorização de Gordura. Isso permitirá o processamento de matéria-prima proveniente de gordura animal e possibilitará a expansão de 20% para 40% no uso desse insumo. Essa matéria-prima, que muitas vezes era descartada, passou a ser um material de valor agregado com a produção de biodiesel.
O cronograma de obras está sendo cumprido até o momento. A esmagadora já teve a obra concluída e as fábricas de Biodiesel e de Desodorização de Gordura iniciam agora no segundo semestre.

Fonte: O Nacional

Doria cogita trem a biodiesel para ligação entre SP e Campinas

Composições movidas a combustível tornariam a obra mais barata, segundo Alexandre Baldy, secretário dos Transportes Metropolitanos

A nova proposta de trens intercidades em estudos pelo governo de São Paulo aponta agora para uma composição com locomotiva movida a biodiesel.

O projeto seria viabilizado em uma Parceria Público-Privada (PPP), em que o Estado investiria 50% do capital necessário para a obra e o setor privado, a outra metade.

É o que afirma o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, que acompanha o governador João Doria (PSDB) em missão à China.

A locomotiva a biodiesel reduziria em cerca de R$ 1 bilhão os custos para a instalação da estrada de ferro, segundo o secretário.

Baldy disse ainda que a modelagem econômica incluiria a concessão da Linha 7-Rubi da Companhia Paulista de Trens Metropolitanas (CPTM), ramal de trens de subúrbio que, hoje, liga a capital à Jundiaí, passando pelas cidades de Francisco Morato, Caieiras e Franco da Rocha.

A concessão das linhas existentes da CPTM já havia sido anunciada como um estudo em andamento no governo.

A alternativa ao uso do biodiesel é o uso de trens elétricos, como os que já operam hoje, e tem emissão de poluentes atmosféricos próxima a zero. O Banco Mundial atua na modelagem da licitação, segundo o governo.

A volta de trens regionais ligando a capital ao interior do Estado é um projeto prometido por todas as gestões do governo paulista desde 2006 — naquele ano, já se falava em PPP. O projeto já teve cenários diferentes, e agora se trata de uma proposta de ligação entre Campinas, a capital e São José dos Campos, ao custo de R$ 7 bilhões.

A comitiva de Baldy e Doria tem 35 empresários paulistas. O governador saiu de uma reunião ocorrida na sede da China Railway Construction Corporation (CRCC), estatal de ferrovias chinesa, afirmando que a empresa “demonstrou interesse” em participar do projeto.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, Baldy afirmou que a estatal entrará na licitação.

A intenção da empresa será formalizada nesta quarta-feira. em um protocolo assinado em uma cerimônia com o governador. Um dos objetivos da viagem é promover o projeto de desestatização de ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias de São Paulo.

A missão paulista conta com suporte do Itamarati para fazer a aproximação com as empresas chinesas. Doria exaltou o apoio do governo Jair Bolsonaro à missão. “Estamos no mesmo compasso de brasilidade para ampliar investimentos com união e ação integradas”, disse o governador paulista.

Fonte: Exame

Óleo diesel passa a conter mínimo de 11% de biodiesel a partir de 1º de setembro

A Agência Nacional de Petróleo, Gas Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou hoje, 6, despacho que fixa o percentual de adição de até 15% (quinze por cento), em volume, de biodiesel ao óleo diesel vendido ao consumidor final, devendo o percentual mínimo obedecer ao cronograma previsto na Resolução CNPE nº 16, de 2018. Com essa medida, a partir de 01/09/2019, o percentual mínimo de biodiesel a ser acrescido ao óleo diesel comercializado no país passará dos atuais 10% para 11%.

A mesma medida configura o desfecho de providências definidas em reunião ocorrida em fins de abril deste ano no Ministério de Minas e Energia que abrangeram a publicação da Resolução ANP nº 798, de 01/08/2019, elevando o valor da estabilidade oxidativa do biodiesel de 8 para 12 horas e tornando obrigatório o uso de aditivo antioxidante na produção desse biocombustível, bem como a edição de relatório, pelo MME, dando por satisfatórios os testes e ensaios para validação da utilização de biodiesel B15 em motores e veículos a partir de resultados de estudos realizados pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT).

Com a elevação, de 10% para 11%, do teor de biodiesel na mistura com o diesel mineral, a ANP procederá às devidas alterações no Edital do 68º Leilão de Biodiesel adiando sua realização para 12/8.

Veja a íntegra do despacho publicado no Diário Oficial da União em 7/8/2019.

Fonte: MME

MME dá mais um passo e avança em direção à adição do biodiesel ao diesel no Brasil (B15)

O Ministério de Minas e Energia (MME), atendendo às recomendações do Relatório de Consolidação dos Testes e Ensaios para Validação da Utilização de Biodiesel B15 em Motores e Veículos, publica hoje, 5, o relatório final sobre a mistura B15 para motores e veículos, a ser comercializada em todo o país. Agora, resolvida a questão da definição do parâmetro de estabilidade à oxidação, o Grupo de Trabalho para Testes com Biodiesel dá o sinal verde e autoriza a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a fixar a evolução da adição obrigatória do percentual da adição de biodiesel ao óleo diesel vendido ao consumidor final.
Este relatório faz parte da Política Nacional de Biocombustíveis, o RenovaBio, e foi publicado com recomendações, primeiramente, em maio último, após três anos de elaboração por órgãos e entidades da iniciativa pública e privada, concretizando um importante passo para o desenvolvimento do biodiesel e das tecnologias automotivas no Brasil.
As várias empresas associadas à Anfavea, ao Sindipeças ou à Abimaq, com o apoio da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), executaram os testes e apresentaram seus respectivos relatórios individuais, com os resultados obtidos segundo a metodologia que adotaram. Este relatório de maio trouxe condicionantes à implantação da mistura B15 em todo país. O principal deles, apontado pela maioria dos relatórios individuais apresentados, é a definição do parâmetro de estabilidade à oxidação para a mistura de biodiesel/diesel, prevista na Resolução ANP nº 45, de 25 de agosto de 2014.
No mês passado, a ANP realizou Consulta e Audiência Pública 15/2019, que resultou na determinação da obrigatoriedade da aditivação do biodiesel com antioxidante estabelecendo novo limite de especificação da característica estabilidade à oxidação, conforme consta na Resolução ANP no 798, de 01 de agosto de 2019.
O RenovaBio, desde a sua criação, busca estimular, através de metas para a redução da emissão de gases do efeito estufa, a produção de biocombustíveis como o etanol, o biodiesel, o biogás, o biometano e o bioquerosene.
O MME está novamente disponibilizando o relatóri05 contendo o atendimento às recomendações dos Testes e Ensaios para Validação da Utilização de Biodiesel B15 em Motores e Veículos, que contribuirá de forma significativa para a evolução do biodiesel e dos veículos no Brasil e no mundo.
Acesse o Relatório do B15 clicando AQUI
Fonte: MME

Demanda por eficiência energética nos transportes aumentou 180% em 16 anos

Demanda por energia no setor aumentou 180% e o consumo por passageiro mais do que triplicou em 16 anos. Além disso, país utiliza 80% de combustíveis não renováveis e precisa incentivar alternativas menos poluentes

No Brasil, 80% da energia utilizada nos transportes é de origem não renovável, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). No mundo, o setor de transportes foi responsável por 28% do total do consumo final de energia global em 2016, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). Entre 2000 e 2016, houve um aumento de 8% da demanda por energia no setor de transportes em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Nos países emergentes, como o Brasil, o aumento chegou a 180% no período, e o consumo energético por passageiros mais que triplicou. A justificativa está na redução do número de passageiros por carro e no aumento de veículos próprios, além de uma mudança entre modos de transporte, com a priorização de automóveis e veículos individuais em detrimento dos transportes coletivos.

A pesquisadora da FGV Energia Tamar Roitman diz que a busca constante pelo aumento de eficiência energética nos transportes é incontestável, pois a demanda por mobilidade cresce em reflexo da expansão econômica e de outros fatores. “A maior eficiência permite tal crescimento sem implicar em um impacto de igual tamanho no consumo de combustíveis, além de reduzir custos e evitar emissões desnecessárias”, argumenta.

De acordo com ela, as pesquisas e as ações para melhoria da eficiência energética no setor de transportes brasileiro, em geral, estão mais voltadas para soluções que acabam por manter o mesmo padrão de comportamento, se concentrando em melhorar a eficiência de combustíveis, veículos e motores. “As soluções para o aumento de eficiência energética nos transportes não passam apenas pela otimização de motores e pela substituição de combustíveis fósseis por renováveis, mas se baseiam em três verbos: evitar, mudar e melhorar”, diz Roitman.

Segundo a pesquisadora, o primeiro passo é o olhar mais atento para a demanda por mobilidade, com uma melhor gestão e planejamento urbano, de forma a evitar o crescimento da demanda por transporte individual. Ela cita iniciativas como pedágio urbano, rodízio de carros, remoção de estacionamentos gratuitos e estabelecimento de áreas exclusivas para pedestres com o intuito de desincentivar o uso de carros por parte da população.

Além disso, é preciso promover mudanças no sistema de transportes. “É necessário reduzir a dependência do setor rodoviário e fazer maior uso de dutos e ferrovias. A greve dos caminhoneiros (em maio de 2018) trouxe à tona a busca por novos modais. O serviço de cabotagem aumentou depois da paralisação, porque, quando temos problemas nas rodovias, percebemos que não podemos depender de um único modal”, explica. Segundo ela, a cabotagem no Brasil é pouco explorada e possui um enorme potencial, devido à abundância de rios existentes no país.

Ainda na categoria do verbo “mudar”, a pesquisadora acredita que iniciativas como a construção de linhas de trem e metrô, a implantação de corredores expressos para ônibus, como o Bus Rapid Service (BRS) e o Bus Rapid Transit (BRT), são medidas que mudam o foco do veículo individual para o transporte coletivo. “Outra iniciativa no mesmo sentido é o compartilhamento de veículos (car sharing, em inglês), que nada mais é do que um serviço de aluguel de veículos e que contribui para a redução do número de automóveis nas ruas.” Tamar cita, ainda, a adoção de veículos não motorizados, como bicicletas e patinetes, de baixo custo.

Medidas para melhorar o padrão de eficiência energética dos veículos também são importantes. “O incentivo à otimização de motores, ao uso de combustíveis menos poluentes e ao desenvolvimento de novas tecnologias de veículos é fundamental. Nesse sentido, podem ser adotadas medidas regulatórias, como o estabelecimento de padrões de eficiência energética em veículos”, explica.

Avanço

O setor de transportes liderou o avanço da demanda energética em 2017, segundo o último Balanço Energético Nacional da EPE (2018). O segmento teve uma expansão de 1,9 milhão de toneladas equivalentes de petróleo (tep), em virtude do aumento de 2,7% do consumo de óleo diesel, resultado da maior atividade de transporte de carga. No caso dos veículos leves, houve crescimento de 0,5% na produção de gasolina automotiva e o consumo desse combustível aumentou 2,6%. O etanol, porém, apresentou comportamento inverso, com queda de 2% na produção e de 0,2% no consumo.

Em 2017, o total de emissões antrópicas associadas à matriz energética brasileira atingiu 435,8 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (Mt CO2-eq), grande parte (199,7 Mt CO2-eq) gerada no setor de transportes. Os transportes de carga e de passageiros respondem por aproximadamente 32,7% do consumo total de energia do país.

De acordo com o professor de engenharia da Universidade de Brasília (UnB), Augusto César de Mendonça Brasil, a tecnologia automotiva melhora gradativamente, e os veículos se tornam mais eficientes, consomem menos combustíveis e emitem menos poluentes. “Há uma evolução do ponto de vista energético, mas ainda há muito o que melhorar. Para os próximos anos, é necessário investir no projeto dos catalisadores e dos motores de combustão interna, de forma a otimizar o potencial energético e reduzir os impactos no meio ambiente”, explica.

Segundo ele, o ideal é investir em veículos híbridos, que são uma junção do motor a combustão e do motor elétrico. “A combinação dos dois gera uma boa eficiência energética. Apostar na transição dos veículos de combustão interna para os veículos híbridos já seria um grande avanço”. Além disso, o professor explica que otimizar vias, implementar BRT e faixas exclusivas para ônibus são medidas que melhoram o ciclo de velocidade dos veículos e acabam influenciando um melhor desempenho energético. “Priorizar o uso do transporte público em detrimento dos particulares também é um caminho”.

Alto custo

Para Mendonça Brasil, o alto custo dos veículos elétricos ainda é um fator limitante para a popularização desse tipo de veículo. “Além disso, o consumidor não tem tanta confiança no veículo elétrico para aderir. Os pontos de recarga ainda são escassos, e isso afeta na decisão de quem está comprando um carro. Posto de gasolina tem em todo lugar, pontos de recarga de carro elétrico, não. Mas não é isso que promoverá o uso de carros elétricos”, afirma.

O professor diz que combustíveis alternativos, como álcool e biogás, devem ser incentivados, inclusive o uso do hidrogênio como combustível complementar nos veículos híbridos. “Eu acredito que o que define o consumo energético não é tanto a tecnologia. As nossas melhores soluções estão mais voltadas para o comportamento e para a cultura do que para a tecnologia”, sustenta.

As soluções para o aumento de eficiência energética nos transportes não passam apenas pela otimização de motores e pela substituição de combustíveis fósseis por renováveis, mas se baseiam em três verbos: evitar, mudar e melhorar”
Tamar Roitman, pesquisadora da FGV Energia

Há uma evolução do ponto de vista energético, mas ainda há muito o que melhorar. Para os próximos anos, é necessário investir no projeto dos catalisadores e dos motores de combustão interna, de forma a otimizar o potencial energético e reduzir os impactos no meio ambiente”
Augusto César de Mendonça Brasil, professor da UnB

Fonte: Correio Braziliense

Trem Intercidades pode ser movido a biodiesel

Tecnologia com uso de combustível renovável é alternativa à eletrificação, mais utilizada em sistemas na Europa

O secretário Alexandre Baldy, responsável pela pasta dos Transportes Metropolitanos, e o presidente da CPTM, Pedro Moro, postaram no Instagram uma experiência a bordo de um trem da ex-Brightline (atual Virgin), ferrovia da Flórida que utiliza biodiesel como combustível. Segundo eles, a tecnologia pode ser usada no Trem Intercidades (TIC), projeto iniciado por Geraldo Alckmin e assumido pelo atual governador João Doria como uma de suas prioridades no setor ferroviário.

A proposta é mais um aspecto em que o projeto original do trem regional se distancia da solução buscada pela atual gestão. Quando começou os estudos para implantar o TIC, o governo do estado pretendia criar uma rede de trens de média velocidade com vias praticamente próprias e eletrificadas. Novas estações seriam construídas como terminal desses serviços como Água Branca e Parque da Mooca no conceito de “Gare”, como na Europa. No entanto, o alto custo desse projeto fez a gestão Alckmin desistir dele e buscar uma alternativa híbrida em que se usasse mais partes da infraestrutura atual, que é compartilhada com a CPTM e as concessionárias de carga.

Já no governo Doria, o projeto tem sido tocado às pressas e com isso deverá utilizar apenas as vias existentes atualmente. A novidade é que, caso opte pelas locomotivas a biodiesel, o governo deixará de investir na eletrificação de vários trechos como o que vai de Jundiaí a Campinas e Americana, que hoje não têm trens de passageiros. Segundo Pedro Moro, a economia com a essa opção é de mais de R$ 1 bilhão.

Pouco poluente

A adoção de locomotivas a diesel é mais comum nos EUA enquanto Europa e Ásia têm uma infraestrutura voltada para vias eletrificadas sobretudo pela questão ecológica. Mas o advento do biodiesel, extraído de óleos vegetais, tem impulsionado a conversão de ferrovias a diesel para o consumo desse tipo de combustível. Embora se fale que não é poluente, como fez questão de afirmar Baldy em seu vídeo, o biodiesel emite sim substâncias nocivas, mas em quantidades muito baixas se comparado aos combustíveis fósseis.

Pedro Moro e Alexandre Baldy testam o trem americano: espera-se que ideia seja positiva para os usuários (Reprodução)

Seu rendimento é pior que o diesel e a manutenção é considerada um pouco mais complexa além de existirem problemas de funcionamento em temperaturas baixas, segundo entidades internacionais do setor de energia. Mas eles não tiram o mérito ecológico do combustível que tem sido usado por algumas empresas como a Virgin Trains, na Inglaterra.

Aliás, a Virgin adquiriu os direitos de imagem da ferrovia Brightline, única empresa privada a levar passageiros nos EUA. O serviço, que liga Miami a West Palm Beach com parada em Fort Laudardale, estreou em janeiro de 2018 e pretende chegar a Orlando em 2022. Ele utiliza locomotivas Siemens que levam 8.300 litros de biodiesel e movimentam quatro vagões de passageiros em duas classes. A viagem, que percorre cerca de 100 km, praticamente a mesma distância de São Paulo e Campinas, leva uma hora em velocidades que variam de 130 a 200 km/h.

Emobra não sejam barulhentos, os trens a diesel emitem mais ruídos que os movidos a eletricidade, como temos notado diariamente aqui em Londres. Com a preocupação ambiental europeia, esses trens que utilizam combustível fossil estão com os dias contados, mas não parece haver consenso sobre qual a melhor tecnologia a substituí-los.

Em São Paulo, a adoção de locomotivas a biodiesel não só parece tornar o projeto mais barato em tempos de orçamento curto. Ela também denota um prazo mais rápido para tirar do papel o Trem Intercidades, o que pode ser ótimo para a população, desde que feito da maneira correta e não apenas para ser inaugurado ainda nesse mandato.

Fonte: Metrô CPTM

Mais sobre o biodiesel, certificação do RenovaBio será desafiadora

Na medida em que o RenovaBio começa a chegar perto da entrada em operação, também as certificadoras devem acelerar sua base operacional para encarar os desafios na interpretação das informações sobre a menor emissão de carbono feita pelas empresas sobre seus processos produtivos. E já se sabe que o grau de dificuldade será maior sobre o biodiesel do que no etanol.

A Green Domus foi a primeira certificadora aprovada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) a operar o RenovaBio a partir de 1º de janeiro, e seu diretor institucional, Felipe Bottini, começa mostrando uma particularidade essencial que deverá prevalecer.

As certificações comuns são baseadas em normatizações. A certificada mostra seu trabalho e a certificadora vai lá nas regras e confere. Pela nova Política Nacional dos Biocombustíveis, a auditoria “vai requerer uma capacidade consultiva”, porque se a planilha de cálculo for entregue errada ou o relatório atestando também estiver errado, “sai de consulta pública” e pode travar o processo por até seis meses, explica o executivo da Green Domus.

Lembre-se que só após a emissão do certificado a processadora de biodiesel ou a usina de etanol poderão vender para as distribuidoras os Certificados de Desbiocarboniação (CBios), que por sua vez os negociarão na B3, correspondentes ao lote comercializado. Quanto menos uso de agentes fósseis (em fertilizantes e máquinas/caminhões), maiores os ganhos.

Exemplos do grau de conhecimento necessário são tanto quanto ao ciclo de vida – no qual está modelado o RenovaCalc (régua que vai mediar a quantidade de emissão desenvolvida pela Embrapa Meio Ambiente) -, quanto em termos de análise de área.

De acordo com Bottini, uma unidade produtiva apresenta o número de área produtiva e o cálculo do volume correspondente, porém há um balanço de biomassa que poderá não ser elegível, que só a análise por georreferenciamento vai conseguir capturar. Variáveis como quantidade de áreas e margens de erros são importantes.

Para as unidades produtoras – acima de 50 atualmente, já cadastradas na ANP como aptas ao RenovaBio – ele não vê maior complexidade. O RenovaCalc foi desenvolvido para não complicar, além do que os grandes grupos já operam georreferenciados, entre outros pontos, analisa o diretor da Green Domus, que já conta com 38 plantas a serem certificadas.

Biodiesel

No caso específico do biodiesel da soja, por exemplo, para a Green Domus a operacionalidade típica do negócio agregará mais cuidado.

Ao contrário da cana, sem intermediários, a oleaginosa é muito intermediada, de modo que aquela informação que a processadora terá que dar, a respeito da sua originação de biomassa, precisará ser verificada voltando até mais de dois elos da cadeia.

A pulverização produtiva e intermediada é muito elevada.

Na cana, ou a usina produz ou compra diretamente dos produtores. E estes são em número cada vez menor.

Fonte: Money Times

CNPE define metas de redução de gases-estufa para comercialização de combustíveis

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) publicou no Diário Oficial da União desta terça-feira, 9, resolução que define as metas compulsórias anuais de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa para a comercialização de combustíveis. O documento estabelece as chamadas Unidades de Créditos de Descarbonização (CBIOs) para este e os próximos dez anos, até 2029.

Assim, para 2019, a meta anual, medida em CBIOs, será de 16,8 milhões. Em 2020, de 28,7 milhões, com aumentos gradativos até alcançar 95,5 milhões de CBIOs em 2029.

Ainda conforme a resolução do CNPE, o Comitê RenovaBio proporá a meta compulsória de CBIOs para o ano subsequente até o fim do terceiro trimestre de cada ano, “observados os intervalos de tolerância definidos no art. 1º, sem prejuízo, para as metas do ano de 2019, ao disposto no art. 12, do Decreto nº 9.308, de 2018”.

O CNPE define, ainda, que “excepcionalmente, o distribuidor de combustíveis poderá comprovar sua meta individual do ano de 2019, com vigência a partir do dia 24 de dezembro, em quantidade proporcional ao número de dias de sua vigência, isto é, observada a fração 8/365, cumulativamente com sua meta individual referente ao ano de 2020”.

Fonte: Istoé

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