18 de setembro de 2019

Indústria do biodiesel celebra entrada do B11

A partir de 1 de setembro, o percentual mínimo obrigatório de biodiesel na fórmula do óleo diesel fóssil passará de 10% (chamado de B10) para 11% (B11). A medida é comemorada pelos representantes do setor e servirá para atenuar a questão da capacidade ociosa das usinas produtoras do biocombustível no País.
O presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Erasmo Carlos Battistella, lembra que se aguardava a entrada do B11 para março deste ano, mas foram solicitados alguns testes adicionais. Com o incremento de um ponto percentual na fórmula, o dirigente calcula que será gerado um acréscimo de consumo de 600 milhões a 700 milhões de litros ao ano, fazendo com que o setor passe dos 6 bilhões de litros anuais a partir de 2020. No ano passado, a produção nacional de biodiesel foi de aproximadamente 5,3 bilhões de litros.
O empresário comenta que o aumento diminuirá a ociosidade das plantas de biodiesel, contudo a sobra de capacidade das usinas continuará ao redor de 20%. Battistella argumenta que uma folga de 10% a 12% seria salutar para se ter uma reserva quando algumas plantas fizerem manutenção ou em caso de alguma dificuldade. O presidente da Aprobio ressalta que a previsão é que em março de 2020 seja autorizado o B12 e a cada ano seguinte ocorra um aumento de um ponto percentual até chegar em 2023 no B15.
“O crescimento é necessário para manter a ociosidade controlada”, salienta o presidente do Sindicato da Indústria de Biodiesel e Biocombustíveis do Rio Grande do Sul (Sindbio-RS), Irineu Boff. O dirigente argumenta que, ao produzir o biodiesel, a soja, principal matéria-prima do biocombustível, pode ser utilizada em uma atividade que gera mais empregos, industrialização e impostos do que a simples exportação. Já o coordenador da revista Efeitos Positivos da Produção de Biodiesel, realizada pelo Instituto de Pesquisa Gianelli Martins, Odacir Klein, acrescenta que o biodiesel implica reflexos positivos com a geração de empregos, na agricultura familiar, na questão ambiental, entre outros pontos.
“O aumento agora eleva o consumo de soja, mas estimula o surgimento de outras matérias-primas também”, frisa. Conforme dados da revista Efeitos Positivos da Produção de Biodiesel, no ano passado cerca de 70% do biodiesel produzido no Brasil foi oriundo da soja, 13% da gordura bovina, 10% de outros materiais graxos e o restante de outros insumos. Klein ressalta que a Embrapa está realizando pesquisas para o aproveitamento de outros insumos para a produção de biodiesel.

Empreendedores gaúchos manifestam preocupação quanto à questão tributária

O Decreto do governo do Estado nº 54.738, que mexe em incentivos fiscais de uma série de áreas da economia gaúcha a partir de 31 de dezembro de 2020, tem preocupado particularmente o segmento de biodiesel. O presidente da Aprobio, Erasmo Carlos Battistella, afirma que o documento dispara um sinal de alerta, pois prevê o fim do benefício dos créditos presumidos de ICMS para o setor.

Segundo o dirigente, com a vigência da nova regra, a partir de 2021, o Rio Grande do Sul perderá muita competitividade no mercado de biodiesel. “Já fizemos contato com o governo, que disse que está analisando a nossa questão, vamos ser chamados para conversar e esperamos que essa conversa possa ajustar nesse tema”, afirma o presidente da Aprobio.

De acordo com o subsecretário adjunto da Receita Estadual, Eduardo Jaeger, o decreto resultou de exigência da Lei Complementar nº 160, que trata dos benefícios fiscais concedidos pelo Estado sem aprovação do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Pela nova regra, aplicável em todos os setores da economia, quaisquer benefícios fiscais só poderão ser concedidos após serem submetidos à aprovação do órgão. “Mas isso não quer dizer que os benefícios vão terminar – apenas que agora há uma diretriz de revisão, podendo ser prorrogados os acordos com setores onde o regime especial de tributação surtir bons efeitos.”

O presidente do Sindbio-RS, Irineu Boff, teme que o decreto, para o setor do biodiesel, signifique o que ele chama de uma “meia-morte”. O dirigente destaca que o Estado é o maior produtor de biodiesel do País, com uma participação de 27% do total, atingindo cerca de 1,5 bilhão de litros ao ano. No entanto, se as regras do setor no Rio Grande do Sul forem alteradas, Boff receia perder mercado para outros estados e que algumas usinas gaúchas acabem paralisadas. No ano passado, o faturamento das usinas do Estado com as entregas de biodiesel resultantes dos leilões promovidos pelo governo federal foi de
R$ 4,09 bilhões, sobre os quais houve incidência de ICMS de aproximadamente R$ 200 milhões.

Atualmente, estão autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a operar com produção de biodiesel no Estado a Bianchini, de Canoas; a Biofuga, de Camargo; a Bocchi, de Muitos Capões; a BSBios, de Passo Fundo; a Camera, de Ijuí; a Granol, de Cachoeira do Sul; a Oleoplan, de Veranópolis; a Olfar, de Erechim; e a Três Tentos, de Ijuí. Essas empresas somam uma capacidade autorizada de 2,352 bilhões de litros.

“Temos consciência da relevância do crédito presumido no que se refere aos resultados e desenvolvimento da indústria do biocombustível do Estado”, aponta Jaeger, reforçando que a avaliação do benefício se estende também a outros setores. Ele destaca que, somente em 2018, “o governo deu R$ 259 milhões de ICMS para a industrialização do biodiesel no Estado”.

“O Rio Grande do Sul foi o primeiro a dar o benefício para reindustrializar a produção de biodiesel, que hoje conta com uma cadeia consolidada e líder no País”, comenta o subsecretário adjunto da Receita Estadual. “Reconhecemos (que o regime especial de tributação) tem sido um instrumento indutor do setor, gerando empregos e agregando valor à soja” local. Segundo Jaeger, até dezembro de 2020, serão realizados estudos econômicos que darão conta de levantar o custo anual dos benefícios para cada setor.

Fonte: Jornal do Comércio

Biocombustível é prioridade para o governo, diz ministro

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse ontem (1º), após participar de reunião com empresários da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que o biocombustível é meta de uma política pública definida pelo governo. “Acho que está sendo muito bem conduzida e que trará bastante investimento, com expectativa de R$ 1,3 trilhão em um período de dez anos. Ou seja, será geração de empregos, movimentando a economia”.

Albuquerque informou que durante a reunião fez uma apresentação sobre atuação da pasta e reforçou que, no caso da energia, está implementando governança, estabilidade regulatória e jurídica, previsibilidade para que os investimentos possam ocorrer. “Tudo isso somado gera credibilidade e competitividade, porque teremos investimentos e certamente o beneficiado final será o consumidor”.

Sobre o modelo de capitalização da Eletrobras, que estava previsto para ser anunciado até o final de junho, Albuquerque disse acreditar que o cronograma está sendo cumprido mesmo que com algum atraso. Ele explicou que será possível concluir o processo ainda este ano.

“Estamos cumprindo o cronograma que está sendo feito com método e vamos apresentar porque são vários atores envolvidos nisso. Temos que ver aquilo que implica em alteração de legislação se for o caso. Então é um processo bastante complexo, mas estamos cumprindo o cronograma. Um atraso de 30 dias é normal e isso pode ser revertido no futuro se esse processo for bem conduzido como está sendo”, disse.

Em março deste ano o ministro explicou que a meta do governo com a capitalização é permitir que a empresa continue investindo na expansão do setor elétrico sem a utilização de recursos da União. Com a capitalização, o Estado deve reduzir sua cota de ações aumentando, assim, a presença – e a participação nas decisões – dos investidores privados.

O ministério está delineando o modelo de ingresso de capital privado na estatal junto com o Ministério da Economia e com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Fonte: Agência Brasil

ANP: Anuário destaca a retomada do setor petroleiro no Brasil em 2018

A ANP publicou, na última sexta-feira (28), os dados estatísticos consolidados da evolução do setor de petróleo, gás natural e biocombustíveis no Brasil e no mundo em 2018.

No Brasil, o ano de 2018 foi marcado pela consolidação da retomada das rodadas de licitações de áreas para exploração e produção iniciada no ano anterior. Foram realizadas a 15ª Rodada no modelo de concessão, com arrecadação em bônus de assinatura de mais de R$ 8 bilhões; além da 4ª e da 5ª Rodadas de Partilha que, juntas, arrecadaram cerca de R$ 10 bilhões.

A produção nacional de gás natural cresceu 1,8% em 2018, nono ano consecutivo de aumento, e atingiu 112 milhões de m3/dia. A elevação foi liderada pela oferta de gás do pré-sal, que alcançou a média de 57,6 milhões de m3/dia no ano, cerca de 51% da produção do País.

A produção de etanol foi 15,6% superior ao ano anterior, atingindo a marca histórica de 33 bilhões de litros. Já a produção de biodiesel cresceu 24,7% em 2018 em decorrência, principalmente, do aumento do teor de mistura no óleo diesel de 8% para 10%. Em decorrência do aumento da produção, as vendas de etanol hidratado cresceram 32,9% em 2018, em função da maior competitividade dos preços deste combustível em relação à gasolina C.

O montante gerado pelas participações governamentais em 2018 atingiu o recorde histórico de R$ 53 bilhões – R$ 23,4 bilhões em royalties e R$ 29,6 bilhões em participação especial. Já o volume de obrigações da cláusula dos contratos de concessão, partilha e cessão onerosa, relativas aos investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) também foi recorde – R$ 2 bilhões.

Os dados publicados hoje estão divididos em seis seções: Panorama Internacional, Indústria Nacional do Petróleo e Gás Natural, Comercialização, Biocombustíveis, Licitação de Blocos e Resoluções da ANP. A partir da próxima semana, as informações também estarão disponíveis, no sítio eletrônico da ANP, no formato de dados abertos.

Todas as informações estão no endereço: www.anp.gov.br/publicacoes/anuario-estatistico/5237-anuario-estatistico-2019

Fonte: Último Instante

MME incentivará investimentos em óleo, gás e biocombustível

O esforço do governo em atrair o capital privado para setores estratégicos teve um novo avanço nesta segunda-feira (17). O Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, assinou uma portaria que regulamenta o processo de enquadramento de projetos prioritários e investimentos nos setores de petróleo, gás natural e biocombustíveis para emissão das chamadas “debêntures incentivadas” (que são títulos de dívida emitidos por empresas para captação de recursos). A assinatura do documento aconteceu em São Paulo, durante o evento Ethanol Summit 2019.

Ministério de Minas e Energia do Brasil foi criado em 1960, pela lei n° 3.782, de 22 de julho de 1960, no governo do então presidente Juscelino Kubitschek. Anteriormente, os assuntos de minas e energia eram de competência do Ministério da Agricultura.  

Na prática, o governo quer incentivar investimentos nesses três mercados. Com a medida, as empresas destes segmentos poderão captar recursos com a isenção de impostos para investidores. Na avaliação do MME, isso possibilitará ampliar investimentos em projetos de implantação, ampliação, manutenção, recuperação, adequação ou modernização de empreendimentos em infraestrutura no segmento de petróleo, gás e biocombustíveis.

“Hoje concluímos um ato do governo federal que traduz perfeitamente o que pretendemos fazer para destravar os investimentos que o país tanto precisa, gerando emprego e renda”, afirmou Bento Albuquerque. Nas contas do ministério, a estimativa de que a medida reforce as metas do programa RenovaBio com a expansão do número de usinas de biocombustíveis e, consequentemente, aumente a oferta do etanol, podendo reduzir o preço dos combustíveis ao consumidor.

“Com a entrada em vigor do RenovaBio, os investimentos serão ainda maiores. Estimamos que serão necessários cerca de R$ 60 bilhões ao ano neste setor”, completou o ministro.

Fonte: O Petróleo

Mapa incluirá cooperativas no Programa de Biodiesel

O secretário da Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura (Mapa), Fernando Schwanke, garantiu que a ministra Tereza Cristina deve encaminhar, em breve, nova regulamentação para as cooperativas no Programa de Biodiesel, respeitando a proporção de agricultores familiares de seus quadros.

Atualmente, cooperativas que têm menos de 60% de seus cooperados enquadrados como agricultores familiares estão totalmente fora do programa e o objetivo é que todos os produtores dapianos (aqueles que possuem DAP)  possam se beneficiar do programa. A declaração foi dada durante painel na noite desta quinta-feira (06/06) durante a 1ª Jornada da Rede Técnica Cooperativa (RTC), em Gramado (RS). “Este é um pleito antigo do setor cooperativista”, reforçou.

Schwanke ainda informou que deve sair, dentro de 15 dias, ajuste que permitirá que cooperativas centrais, como a CCGL, possam também acessar os programas da Agricultura Familiar, desde que atinjam a proporção de agricultores com declaração da agricultura familiar, o qual será o mesmo exigido das cooperativas singulares. Atualmente, as cooperativas centrais só podem ter DAP jurídica se 100% das filiadas estiverem habilitadas, o que torna esse acesso praticamente inatingível. “A nota técnica já está sendo feita”, informou.

Segundo Schwanke, outro projeto em construção junto ao Ministério da Agricultura é o Intercooperação, que consiste em unir esforços e estimular a colaboração entre as cooperativas de Sul a Norte do Brasil. O projeto será implementado com apoio a Organização da Cooperativas Brasileiras (OCB) e terá recursos do Mapa para custear o deslocamento de treinamento pelo país.

Schwanke informa que a meta é colocar o programa em funcionamento no segundo semestre deste ano e que a contratação dos interessados em prestar esse serviço de treinamento será feita por meio de editais públicos.

“O ministério dará suporte aos projeto arcando com diárias, passagens em um método que ainda está sendo construído”. Com isso, espera-se levar a novos projetos a expertise de outros já consolidados. “Queremos um intercâmbio de boas práticas cooperativas”, disse ele.

Sobre o projeto de integração das áreas técnicas das cooperativas gaúchas proposto pela RTC e apresentado em Gramado, ele pontuou ser uma ação interessante a ser analisada dentro do propósito de criar novos sistemas de prestação de serviço de assistência técnica no país. “Hoje, a assistência técnica pública atende a apenas 20% dos produtores. Ou encontramos outros modelos ou muita gente vai acabar saindo da atividade por falta desse serviço”, ressaltou.

Ao falar sobre o Plano Safra 2019/2020, garantiu foco nos médios produtores rurais, segmento que, segundo ele, é um hiato produtivo que temos há anos, que concentra 20% da área cultivada do país e carece de atenção. O aporte de recursos para a próxima safra deve ser anunciado nas próximas semanas.

O painel ainda contou com o presidente da Frente Parlamentar de Apoio ao Cooperativismo do RS (Frencoop/RS), deputado Elton Weber, que, representando a Assembleia Legislativa, pontuou a relevância de maior participação do setor cooperativo na política nacional. “Temos que falar de política porque o pilar do desenvolvimento está no cooperativismo. Não acredito que se possa construir a sociedade sem participação. Esse encontro aqui hoje é política cooperativista”, disse o parlamentar que tem sua origem ligado ao movimento e à agricultura familiar.

Weber cobrou a necessidade de reformas estruturantes como a da Previdência, mas alertou que o projeto inicial do governo Bolsonaro precisa ser discutido e melhorado. “Precisamos fazer o debate. A reforma precisa acontecer e ser votada ainda este ano, mas precisamos calibrar esse tema. E isso é fazer política”. A ação dos líderes cooperativista no cenário nacional também deu o tom do discurso do presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas, que lembrou sobre seus primeiros ensaios em trazer a política para dentro dos debates do setor cooperativista, quando ainda trabalhava ao lado do pai.

“Convenci meu pai que não era uma questão de ter ideologia na cooperativa, mas de ajudar a ter representantes atuando pelo setor”, disse, lembrando que o Brasil tem 7,8 mil cooperativas que faturam R$ 450 bilhões ao ano. “Somos uma massa econômica e uma massa social fundamental. Não temos como não ter uma representação política e buscar nossos direitos “

Mediando a mesa, o presidente da CCGL, Caio Vianna, reforçou que o setor produtivo precisa de apoio de políticas públicas que facilitem a atividade do setor privado, e não o contrário, com ações que venham para burocratizar, atrapalhar e atrasar os investimentos que o país tanto precisa, mas também tem o dever de cumprir com seu papel nos setores que são originalmente de sua competência como educação, segurança pública e saúde.

“Às vezes se pensa que tudo depende do governo, mas aqui percebemos que há muito ainda o que fazer dentro da porteira, muito a se fazer após a porteira, evoluir em nossas cooperativas, mas sempre pensando em crescimento sistêmico. O poder público tem é que permitir que façamos os nossos projetos”, salientou. Vianna ainda citou a alta tributação incidente sobe o setor e a falta de investimentos em infraestrutura ou desregulamentação para o setor privado fazê-los que permitam ao produtor rural escoar sua produção com eficiência e rentabilidade

Fonte: Brasil Agro

Biodiesel – o que é, como é feito, vantagens, desvantagens, produção no Brasil

Biodiesel: Saiba o que é, as vantagens e desvantagens desse biocombustível, seu processo de produção, seu uso no Brasil e seu potencial a ser explorado.

1 O que é Biodiesel?

O biodiesel é um biocombustível feito a partir de biomassa, (matéria orgânica de origem vegetal ou animal) como por exemplo, plantas (óleos vegetais) ou de animais (gordura animal). Pode-se dizer então que biodiesel é a energia que vem das plantas.

Pela sua natureza orgânica, este, é considerado um combustível totalmente limpo, orgânico e renovável.

Sua principal finalidade é de substituir o óleo diesel usado em automóveis pesados como caminhões e ônibus. Ele pode ser usado em motores a combustão interna com ignição por compressão ou para geração de outro tipo de energia que possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil.

Produção de Biodiesel

Como dito anteriormente, o biodiesel é obtido através de fontes renováveis, desde que atenda as especificações da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), órgão regulador das atividades que integram as indústrias de petróleo e gás natural e de biocombustíveis no Brasil.

Para produzir biodiesel, usina-se o processo de transesterificação na usina de Biodiesel, consiste no seguinte procedimento: o óleo retirado das plantas é misturado com com etanol (proveniente da cana-de-açúcar) ou metanol (pode ser obtido a partir da biomassa de madeiras) e depois estimulado por um catalisador.

O catalisador é uma ferramenta usada para provocar uma reação química entre o óleo e o álcool. Após,o óleo é separado da glicerina (usada na fabricação de sabonetes) e filtrado.

Biodiesel no Brasil

Devido sua luminosidade, temperatura média anual e muitos recursos hídricos que originam as mais variadas espécies vegetais, o Brasil é uma região muito privilegiada em questões de produção de biodiesel. Óleo de girassol, de amendoim, de mamona, de soja, de milho, de dendê ou palma são muito comuns de serem encontrados no Brasil.

Entretanto, a tecnologia de fabricação do biodiesel ainda está em desenvolvimento avançado no Brasil. Mas isso não deixa o país pra trás. Contando com seu privilégio geográfico, dados revelam seu destaque nesse âmbito.

De acordo com Boletim Mensal de Energia – Ministério das Minas e Energia, 2017, o Brasil produz, atualmente, cerca de 50 mil barris de biodiesel por dia. Sendo o segundo maior produtor mundial de biodiesel (cerca de 4 bilhões de litros por ano). A região Centro-oeste é a maior produtora do Brasil.

A Petrobrás possui esta tecnologia e o combustível orgânico já está sendo utilizado em alguns veículos em nosso país. Acredita-se que, para o futuro, este combustível possa, aos poucos, substituir nos veículos os combustíveis fósseis. Será um grande avanço para contribuição para o desenvolvimento sustentável do país.

Potencial do Biodiesel

Tendo em vista a disponibilidade hídrica e regularidade de chuvas, o Brasil torna-se o país com maior potencial para produção de energia renovável.

O Brasil explora menos de um terço de sua área agricultável, o que constitui a maior fronteira para expansão agrícola do mundo. O potencial é de cerca de 150 milhões de hectares, sendo 90 milhões referentes à novas fronteiras, e outros 60 referentes a terras de pastagens que podem ser convertidas em exploração agrícola a curto prazo.

O Programa Biodiesel visa a utilização apenas de terras inadequadas para o plantio de gêneros alimentícios.

Vantagens

  • Baixos índices de poluição, colaborando com a sustentabilidade no país.
  • Gera emprego e renda no campo, diminuindo o êxodo rural.
  • Utilização de uma fonte de energia renovável, dependendo da plantação de grãos oleaginosos no campo.
  • Substituição gradativa de uma fonte não renovável (petróleo).
  • Produzido em larga escala e com uso de tecnologias, o custo de produção pode ser mais baixo do que os derivados de petróleo.

Desvantagens

  • Risco de diminuição das reservas florestais do nosso planeta devido alto grau de desmatamento de florestas para dar espaço para a plantação de grãos.
  • Aumento no preço dos produtos derivados de matéria-prima (leite de soja, óleos, carne, rações para animais, ovos etc.) utilizadas na fabricação deste combustível, tendo em vista sua vasta utilização.

Fonte: Escola Educação

Quão competitiva é a produção de biocombustíveis no Brasil e nos Estados Unidos

Os Estados Unidos ocupam o primeiro lugar e o Brasil ocupa o segundo lugar como os maiores produtores de etanol e biodiesel. Eles representaram 84% da produção mundial de etanol entre eles em 2017 e 26% da produção de biodiesel. Em ambos os países, o etanol combustível e o biodiesel são misturados aos combustíveis de transporte fóssil e, no Brasil, o combustível não-misturado também compete diretamente com a gasolina na bomba. No entanto, como os custos de produção de biocombustíveis, gasolina e diesel variam de país para país, a conseqüente diferença no preço de equilíbrio do etanol e do biodiesel, assim como as medidas de política, afetam a competitividade dos biocombustíveis nos dois países.

QUAIS FATORES AFETAM A ECONOMIA DA PRODUÇÃO DE BIOCOMBUSTÍVEIS NO BRASIL E NOS ESTADOS UNIDOS?

Múltiplos fatores afetam o custo, a precificação e a lucratividade da produção de biocombustível. O custo da matéria-prima é um dos principais determinantes dos custos de produção de biocombustíveis. Para o etanol combustível, o milho é a principal matéria-prima nos Estados Unidos e o Brasil usa principalmente a cana-de-açúcar, e ambos os países usam principalmente soja para a produção de biodiesel. Os preços dessas commodities agrícolas dependem da área plantada, dos rendimentos e condições de colheita, bem como da dinâmica dos mercados, os quais estão sujeitos a flutuações ano a ano. A sofisticação técnica de uma instalação de produção e o preço dos combustíveis usados ​​para energia de processo também influenciam os custos de produção.

O preço dos biocombustíveis também é determinado por outros fatores: por exemplo, os preços são freqüentemente ajustados de acordo com os preços vigentes da gasolina e do diesel para maximizar a margem de lucro. No Brasil, o preço do etanol de cana-de-açúcar flutua com o ciclo de colheita, aumentando durante o período de entressafra de janeiro a março.

Para avaliar a lucratividade da produção de biocombustível, o valor dos co-produtos também deve ser considerado. Por exemplo, a fabricação de etanol combustível à base de milho produz grãos secos de destilaria (DDGs), enquanto a produção de biodiesel a partir da soja resulta em farelo de soja. Ambos são produtos valiosos para alimentação animal e são, portanto, importantes para a economia da produção de biocombustíveis. No Brasil, o bagaço é produzido durante a moagem de cana-de-açúcar e é usado como combustível nas usinas de cogeração da usina para atender à demanda de energia no local e, em alguns casos, fornece eletricidade excedente para exportação. A produção futura de etanol celulósico no Brasil aumentaria a demanda por bagaço como matéria-prima para a produção avançada de biocombustível, aumentando consequentemente seu valor.

QUÃO COMPETITIVOS SÃO OS BIOCOMBUSTÍVEIS COM COMBUSTÍVEIS DE TRANSPORTE BASEADOS EM FÓSSEIS NOS DOIS PAÍSES?

A maior parte do biocombustível produzido no Brasil e nos Estados Unidos é destinada ao consumo interno. No entanto, embora o consumo de biocombustíveis seja obrigatório em ambos os países, sua competitividade com a gasolina e o diesel continua sendo importante para minimizar o custo da conformidade com as políticas. No Brasil, mais de 70% da frota de veículos a gasolina é composta por veículos flex, de modo que o etanol hidratado não misturado deve competir com a gasolina na bomba.

Para avaliar a competitividade relativa de biocombustíveis com derivados de petróleo, os custos de produção de gasolina e diesel devem ser comparados com os de etanol e biodiesel. Os custos de produção de gasolina e diesel são menores nos Estados Unidos do que no Brasil, potencialmente explicados pelas economias de escala proporcionadas pelas refinarias maiores e mais sofisticadas, pelo uso de gás natural de baixo custo como combustível de processo e pela otimização da ardósia da refinaria. produzir maiores volumes de combustíveis para os transportes. O Brasil é um importador líquido de gasolina e diesel, mas a análise da competitividade dos biocombustíveis com produtos petrolíferos importados está fora do escopo desta avaliação.

Os custos de produção de etanol são geralmente ligeiramente mais altos no Brasil do que nos Estados Unidos; em 2017, essa diferença foi da ordem de 6 a 7%. Os custos de distribuição de combustíveis são semelhantes nos dois países, mas os custos mais altos de produção de gasolina no Brasil significam que o etanol combustível é mais competitivo do que nos Estados Unidos. Os custos médios de produção de biodiesel também estão amplamente alinhados, porque a maior parte da produção em ambos os países é baseada em matéria-prima de óleo de soja.

O preço de equilíbrio do óleo para a produção de biocombustível revela que, em 2017 preços do petróleo entre US $ 46 / bbl e US $ 64 / bbl, a produção de etanol no Brasil era geralmente competitiva com a produção doméstica de gasolina, mas não era o caso nos Estados Unidos. Estados. O custo da produção de etanol em ambos os países é geralmente menor do que para o biodiesel, que não era competitivo com o diesel fóssil nos dois países porque, em volume, os custos da matéria-prima de óleo de soja eram quase três vezes superiores aos preços médios do petróleo em 2017.

O aumento dos preços do petróleo bruto em 2017 reduziu os prêmios de custo de biocombustível: o preço médio do petróleo bruto no primeiro semestre de 2017 ficou em torno de US $ 51 / bbl e subiu para US $ 57 / bbl no segundo semestre do ano, elevando a competitividade do biocombustível no Brasil e redução do prêmio do biodiesel sobre o diesel em 30%. O efeito nos Estados Unidos, entretanto, foi mínimo porque, embora os preços mais altos do petróleo tenham aumentado o custo da gasolina e do diesel, os custos de produção de biocombustível também aumentaram ligeiramente. Isso pode ser explicado pelos maiores custos de fertilizantes e energia de processo. No Brasil, a produção de etanol é mais dissociada dos preços dos combustíveis fósseis porque o bagaço é usado como combustível.

Fonte: O Petróleo

‘Brasil deve ser líder em biodiesel e energia renovável’, diz executivo

Entrevistado no Conexão Agro, o diretor financeiro e administrativo da 3Tentos Agroindustrial, Luiz Osório, afirma também que o setor produtivo nacional está se preparando para as demandas mundiais

No Conexão Agro desta semana, Alessandra Mello e Luiz Cornacchioni entrevistam o diretor financeiro e administrativo da 3Tentos Agroindustrial, Luiz Osório.

Atuando no mercado com o propósito de ser uma empresa de soluções e suporte no agronegócio, a 3Tentos possui 32 unidades distribuídas em 28 cidades gaúchas.

Osório afirma que o Brasil é um dos maiores produtores de soja do mundo, por isso tem um potencial grande para atuar no mercado de biodiesel e energia renovável.

Soja lidera com folga o agronegócio brasileiro

As exportações do complexo soja lideram a pauta das exportações do Brasil e nada indica que essa liderança será perdida no curto prazo, visto que a demanda de soja continua aquecida e os preços de mercado são satisfatórios. A área cultivada com a oleaginosa nas principais regiões produtoras do País continua aumentando, um esforço necessário para atender à crescente demanda pelo produto. Proporcionalmente à área cultivada com outros grãos em nível mundial, a de soja tem sido a que mais cresceu no correr das últimas décadas e, mesmo assim, não houve a formação de estoques gigantes, promotores de queda nos preços.

Segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, na safra 2018/19 o Brasil poderá ultrapassar os Estados Unidos (EUA) na produção de soja (117 milhões de toneladas – Mt contra 116,5 Mt) e assumir a liderança global, que, desde os anos 50, pertence aos EUA. A atual safra americana sinaliza com uma queda de 3,5 Mt sobre a safra anterior (120 Mt), em parte porque houve redução da área cultivada (36,22 milhões de hectares – Mha vs. 35,79 Mha) e também, porque se estimou a produtividade da safra – em pleno processo de colheita – como sendo a média dos últimos cinco anos. Poderá ser maior ou menor, assim como a área poderá ser superior ou inferior. Melhor esperar para comemorar o campeonato, embora seja bastante provável que, caso o Brasil não leve o troféu nesta oportunidade, seguramente o fará na próxima.
A produção mundial de soja 2018/19 está estimada em 354,5 Mt, sendo que 81,65% desse total se concentra em três países: Brasil (33%), EUA (32,85% e Argentina (15,8%). Era expectativa dos brasileiros de que, já na safra 2016/17, o Brasil superaria os EUA na produção de soja, dado o quase esgotamento de áreas aptas e disponíveis naquele país, dependendo de trade off entre culturas para aumentar a produção. Essa troca já aconteceu em safras recentes, mas poderá ser ampliada?
Seria compreensível se o produtor brasileiro estiver angustiado com a pressão que a recente sequência de supersafras nos EUA (117 Mt, 120Mt e 116,5 Mt) e no Brasil (114 Mt, 117 Mt e 117 Mt), respectivamente, em 2016/17, 2017/18 e 2018/19, poderia exercer sobre as cotações mundiais do produto. Contudo, as cotações do mercado para os produtores brasileiros estão muito satisfatórias, em boa medida por causa do câmbio favorável e da briga China vs EUA. Já a realidade não é tão colorida para os produtores americanos.
Com o espetacular crescimento da economia mundial no correr das últimas décadas (US$ 12 trilhões em 1980 vs. US$ 87 trilhões em 2018), a renda per capita das pessoas também aumentou, particularmente dos cidadãos que habitam os países em desenvolvimento – ainda muito carentes de proteínas animais. Com mais dinheiro no bolso, esses cidadãos passaram a consumir menos carboidratos (grãos) e mais proteína animal (carnes, leite e ovos), que têm no farelo de soja sua principal matéria prima.
Embora o óleo não seja a razão principal para cultivar-se a soja, sua produção está, também, sendo requisitada para consumo doméstico e para biodiesel, indicando que a produção da oleaginosa é duplamente estimulada: como alimento humano e animal e como biocombustível.
O Brasil se beneficia do aumento global do consumo de soja e de seus derivados, pois dispõe de muitas áreas aptas e disponíveis para produzir mais soja, clima favorável para produzir o ano todo, tecnologia para explorar zonas tropicais de baixa latitude e água para irrigar, se compensar.

Fonte: Canal Rural

Biodiesel: ambientalmente correto, economicamente competitivo

Para João Zuñeda, o caminho para levar o biocombustível ao topo será longo, mas o Sul pode abreviar esta trajetória

Os combustíveis renováveis representam sustentabilidade e reduções significativas nas emissões de gases de efeito estufa. Eles também são conhecidos como biocombustíveis. Por que eles são benéficos para a redução do efeito estufa? A resposta está no ciclo do carbono (C). Ele é um componente essencial para nossas vidas. A química orgânica é praticamente toda sobre moléculas que contém algum átomo de carbono em sua estrutura. Ele está presente no petróleo, no carvão, no gás natural, no grafite. Em nosso corpo, cerca de 24% da massa de um ser humano é constituída por átomos de carbono. O carbono está presente na atmosfera como dióxido de carbono (CO2). Estima-se que o carbono no universo representa cerca de 0,5% da sua massa.

A maior parte do carbono está no solo. Ele está também nos oceanos, na atmosfera, nas plantas e nos combustíveis fósseis. A sua queima como gasolina e diesel desalinha o balanço de carbono da natureza. Os vulcões, na média histórica, emitem cerca de 300 milhões de toneladas métricas de CO2 por ano. Em comparação, os seres humanos emitem cerca de 40 bilhões de toneladas de CO2 por ano. Isto é mais que 100 vezes as emissões dos vulcões. A combustão da gasolina e do diesel tem grande participação, assim como a queima do carvão. Ao fazer isso, movemos o carbono do ciclo lento para o ciclo rápido. Aumenta a concentração de CO2 na atmosfera e a temperatura na Terra.

Mudanças de paradigma já estão transformando o panorama energético global: a eletrificação do transporte via baterias de íons de lítio; transporte compartilhado através da maior utilização de aplicativos; a geração de eletricidade livre de carbono a partir de energia eólica e solar. Outra estratégia eficaz para reduzir esse acúmulo de carbono é substituir combustíveis derivados do petróleo por combustíveis renováveis, como o etanol e biodiesel. Apesar dessas mudanças, os combustíveis fósseis ainda representam 80% do uso global de energia.

Este é um grande desafio, mas é também uma excelente oportunidade para os biocombustíveis. E no caso da região Sul do Brasil para o biodiesel. A adição de biodiesel no diesel aumentará um ponto percentual ao ano, passando dos atuais 10% (B10) para 11% (B11) em junho de 2019. Esse aumento continuará até março de 2023, quando todo o diesel vendido ao consumidor final conterá uma mistura de 15%. Este valor poderá ser ainda maior, mas dependerá de testes neste período. Estima-se que a produção anual de biodiesel passe de 5,4 bilhões de litros para mais de 10 bilhões de litros entre 2018 e 2023. Isto representa um aumento de 85% na demanda doméstica em cinco anos. Poucos produtos têm essa elasticidade esperada na sua demanda em tão pouco tempo.

Os biocombustíveis fornecem cerca de 4% do total de combustível rodoviário a nível mundial. As análises da Agência Internacional de Energia (IEA) mostram que este valor poderá chegar a 25% em 2050. O Brasil foi o segundo maior mercado mundial de biodiesel em 2018, logo depois dos Estados Unidos. O Centro-Oeste (41%) e o Sul (40%) no Brasil são as regiões com maior produção, responsáveis por cerca de 81% do total. Se as previsões atuais de crescimento econômico para a economia brasileira e de maior uso de biodiesel forem mantidas no país, os investimentos no setor podem chegar a R$ 25 bilhões até 2030.  Em 2017, foi promulgada a Lei nº 13.576, que dispõe sobre a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio). Esta política busca propiciar a previsibilidade necessária para os biocombustíveis no mercado nacional de combustíveis. Assim, o Brasil deu mais um passo para a redução de emissões de gases causadores do efeito estufa (CO2) e com os compromissos do Acordo de Paris (COP21). E o biodiesel no transporte urbano tem muito a contribuir. Se utilizarmos em um ônibus a mistura de 20% de biodiesel no diesel fóssil (B20), isto representa uma redução de 18 toneladas/ano de CO2. É estimado que o Brasil tenha 109 mil ônibus. Se usarmos o B20 nesta frota, evitaremos emitir cerca de 2 milhões de toneladas de CO2 por ano, o que representa mais de 14 milhões de novas árvores plantadas.

Existem importantes desafios que precisam ser superados para que o biodiesel se torne uma fonte de energia convencional. Esses desafios variam desde o custo e disponibilidade de matéria-prima, como também a qualidade do biocombustível nos padrões internacionais de compatibilidade. Esses desafios não podem ser resolvidos da noite para o dia. O caminho para levar o biodiesel ao palco principal será longo. A região Sul em especial, têm excelentes exemplos que podem abreviar esta trajetória, e entrar neste ciclo de investimentos.

Fonte: Revista Amanhã

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