Márcio Félix é nomeado secretário de petróleo e gás do MME

Escolhido já ocupou cargo durante governo Temer e foi executivo da Petrobras

SÃO PAULO (Reuters) – O ministro de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, nomeou o engenheiro Marcio Felix como novo secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis da pasta, cargo que ele já havia ocupado durante parte do governo de Michel Temer, segundo publicação no Diário Oficial da União nesta segunda-feira.

Ex-executivo da Petrobras, onde chegou a ser gerente-geral de América do Norte e África na área de Exploração e Produção Internacional, Felix ocupou a área de óleo e gás e posteriormente a secretaria-executiva do ministério de Minas e Energia na gestão Temer.

Com a eleição de Jair Bolsonaro à Presidência, ele havia sido exonerado e substituído na secretaria-executiva por Marisete Pereira, antes chefe da Assessoria Econômica da pasta.

Felix é graduado em Engenharia Eletrônica pela Universidade de Brasília, com especialização em Engenharia do Petróleo pela Universidade Petrobras e MBA em Gestão Empresarial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, segundo informações do ministério.

João Vicente de Carvalho Vieira, que estava na secretaria de Petróleo desde meados de abril do ano passado, foi exonerado, ainda segundo a publicação do ministério no Diário Oficial, assinada também pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Fonte: Extra

Bioenergia

Bioenergia é o nome dado à energia proveniente da biomassa, que pode ser usada para gerar eletricidade e produzir biocombustíveis.

Bioenergia é o nome dado à energia proveniente da biomassa, ou seja, da matéria orgânica de origem vegetal e animal. Esse tipo de energia pode ser utilizado para produzir combustíveis, eletricidade e calor, sendo considerado uma alternativa às fontes de energia convencionais, que vigoram na matriz energética mundial.

Principais fontes para produção de bioenergia

A bioenergia pode ser produzida por meio de fontes provenientes de matéria-prima renovável, como:

  • Madeira;
  • Produtos agrícolas (milho, cereais);
  • Bagaço de cana-de-açúcar;
  • Dejetos orgânicos (serragem, lixo orgânico);
  • Vegetais e frutas.

Essas fontes são classificadas em quatro categorias:

1. Culturas: produtos agrícolas cultivados para produção de energia, como milho e cereais.

2. Resíduos agrícolas e florestais: resíduos produzidos durante a colheita e o corte de árvores, como palha e resíduos de madeira.

3. Subprodutos orgânicos: resíduos orgânicos, efluentes da agropecuária e resíduos provenientes do processamento da madeira.

4. Resíduos orgânicos: resíduos domésticos, efluentes domésticos e industriais e resíduos da produção alimentar.

Biomassa e bioenergia

A biomassa, matéria orgânica usada para produção de energia, pode ser de origem vegetal ou animal. Essa matéria orgânica produz a bioenergia, uma energia renovável, limpa, com baixo custo e que não emite gases poluentes à atmosfera.

Apesar de liberar gás carbônico, a queima da biomassa para a produção bioenergética não altera a atmosfera, visto que esse gás é utilizado pelos vegetais no processo de fotossíntese.

Há três classes de biomassa:

1. Biomassa sólida: produtos e resíduos agrícolas, florestais e resíduos biodegradáveis das indústrias e da área urbana.

2. Biomassa líquida: proveniente das “culturas energéticas”, resulta em biocombustíveis líquidos, como etanol e biodiesel.

3. Biomassa gasosa: pode ser encontrada nos efluentes agropecuários advindos da indústria e da zona urbana.

O uso da biomassa passou a ser mais presente nas matrizes energéticas em decorrência da exaustão de algumas fontes de energia não renováveis, tornando-se uma alternativa à matriz energética mundial.

Além disso, a produção de bioenergia representa uma resposta ao apelo da comunidade científica em relação aos impactos negativos provocados ao meio ambiente.

Os combustíveis como etanol e biodiesel são um dos principais produtos provenientes da biomassa. Esses biocombustíveis, além de mais econômicos, são sustentáveis, já que sua produção não emite gases poluentes à atmosfera.

Contudo, é válido ressaltar que o uso da biomassa para produção de energia está associado a alguns problemas ambientais, como a intensificação do desmatamento para viabilizar a produção agrícola. Essa retirada da cobertura vegetal provoca vários problemas, como desequilíbrio ecológico, perda de habitat dos animais e alterações climáticas.

Importância da bioenergia

A bioenergia é uma fonte de energia limpa e renovável. Logo, representa uma alternativa à matriz energética mundial, que é dependente das fontes não renováveis de energia, especialmente dos combustíveis fósseis.

Além de emitir menos poluentes, a energia gerada pela biomassa permite o reaproveitamento de resíduos que são, normalmente, descartados.

De acordo com o diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique, a bioenergia poderá ser uma solução para os danos provocados ao meio ambiente.

Combustíveis produzidos por meio da bioenergia

Produção de biocombustíveis
Os biocombustíveis podem ser produzidos por meio de produtos agrícolas, como milho, madeira e cana-de-açúcar.

→ Bioetanol

O etanol é produzido a partir de resíduos agroindustriais, como milho e cana-de-açúcar. No Brasil, sua produção intensificou-se no ano de 1975 com o Programa Nacional do Álcool. Em 1994, passou a representar cerca de 50% do consumo nacional de combustíveis do país.

→ Biodiesel

O biodiesel é produzido a partir de óleos vegetais. Representa uma alternativa ao uso do óleo diesel, contudo não é um combustível totalmente limpo, visto que sua produção gera emissão de gases poluentes.

→ Biogás

O biogás é um combustível de alto poder calorífico, gasoso e constituído, principalmente, por metano. Esse combustível pode ser usado para substituir o uso de gás natural, resultado de fontes de energia não renováveis.

→ Biometano

O biometano é produzido por meio da limpeza e da purificação do biogás e é constituído, principalmente, por metano. Pode ser obtido em estações de tratamento de águas residuais, aterros sanitários, ou resíduos pecuários. O Brasil produz cerca de 30 milhões de m3 de biometano por dia.

Vantagens e desvantagens

Apesar de a bioenergia representar uma fonte de energia alternativa ao modelo energético atual, seu uso e produção apresentam algumas desvantagens. Veja abaixo algumas dessas vantagens e desvantagens:

Vantagens

– É uma fonte de energia renovável;

– Gera poucos poluentes quando comparada à utilização de fontes não renováveis de energia;

– Possui baixo custo e alta capacidade de reaproveitamento de resíduos;

– Apresenta menor risco ambiental;

– Não colabora para a intensificação do efeito estufa.

Desvantagens

– Provoca desmatamento de extensas áreas, resultando em perda de habitat, desequilíbrio ecológico e alterações climáticas;

– Apresenta menor poder calorífico quando comparado a outros combustíveis;

– Possui maior dificuldade no transporte e armazenamento da biomassa sólida;

– Apresenta eficiência reduzida;

– Biocombustíveis líquidos podem provocar aumento das chuvas ácidas.

Bioenergia no Brasil

A produção de bioenergia no Brasil está relacionada ao uso de fontes primárias, como bagaço da cana-de-açúcar e madeira. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, o Brasil ocupa a segunda posição na produção de bioetanol no mundo.

A biomassa é também bastante utilizada pra produzir eletricidade no Brasil, estando atrás apenas da hidreletricidade. Cerca de 43% da energia produzida no país provém de fontes renováveis. Hoje, a cana-de-açúcar corresponde a, aproximadamente, 17% da matriz energética brasileira.

Bagaço da cana-de-açúcar
Uma das principais fontes utilizadas para produção de biocombustíveis no Brasil é o bagaço da cana-de-açúcar.

No ano de 2016, o Ministério de Minas e Energia divulgou que a biomassa é a segunda fonte mais importante para geração de energia do Brasil. Dados divulgados pela Resenha Energética Brasileira no mesmo ano indicaram que a bioenergia corresponde a 29,9% da matriz energética do país.

O maior potencial de produção de energia por meio da biomassa é na região Sudeste, especialmente no estado de São Paulo.

Desafios

A bioenergia apresenta dois problemas para o meio ambiente: retirada da cobertura vegetal de grandes áreas para produção agrícola e utilização de grande quantidade de água.

Outra preocupação refere-se à demanda de alimentos, que pode ser prejudicada pela produção agrícola destinada à obtenção de energia.

Assim, cabe à sociedade e aos governos encontrar uma maneira de aumentar o uso de bioenergia sem causar grandes impactos negativos ao meio ambiente e sem afetar a produção de alimentos.

Fonte: Brasil Escola

Biocombustível demanda R$ 90 bilhões até 2030

Brasil precisará investir para ter etanol, biodisel e biogás suficientes.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que serão necessários R$ 90 bilhões em investimentos para atender o consumo de biocombustíveis no Brasil até 2030. Etanol, biodiesel e biogás são os principais. Só o etanol demandaria R$ 60 bilhões para elevar a produção dos atuais 32 bilhões de litros para 49 bilhões de litros.

Seriam R$ 15 bilhões em 19 novas usinas processadoras de cana-de-açúcar no País, o que não acontece há uma década, além de R$ 8 bilhões para expandir as já existentes. Segundo a EPE, outros R$ 13 bilhões teriam de ser aportados no etanol de segunda geração, normalmente produzido a partir do bagaço ou palha da cana, R$ 5 bilhões em usinas de álcool de milho e outros R$ 4 bilhões no transporte do combustível.

Vegetal

Com demanda crescente pelo aumento da mistura obrigatória ao diesel de 10% para 15% até 2023, o biodiesel necessitaria de R$ 3 bilhões em investimentos, de acordo com a EPE. Para outros produtos além do biocombustível, como farelo e óleo de soja, o aporte total no setor é estimado em R$ 11 bilhões até 2030. O investimento previsto em biogás, fabricado a partir da fermentação, é de R$ 19 bilhões.

Fica Temer

Plinio Nastari, presidente da Datagro Consultoria e membro do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), rasga elogios às políticas para biocombustíveis e para o setor produtor de etanol, os programas Rota 2030 e RenovaBio, do presidente Michel Temer. “Os programas transformados em lei são grandes conquistas do governo Temer, porque fomentam o livre mercado, sem subsídios, sem novos impostos e em defesa de combustíveis renováveis.”

Fonte: Brasil Agro

Bento assumiu o MME e ressaltou o biodiesel como um dos principais biocombustíveis do país

Moreira Franco, ao deixar o cargo de ministro de Minas e Energia, durante a cerimônia de posse de Bento Albuquerque, comentou sobre o foco maior no setor elétrico e a necessidade de expansão, também pela recuperação da economia que se espera.

Bento Albuquerque já empossado de seu cargo de novo ministro do MME falou sobre o calendário de leilões deste ano e do maior poder do CNPE. O novo ministro ressaltou o crescimento que irá ocorrer nos investimentos com energias renováveis e citou o biodiesel como um dos principais biocombustíveis explorados pelo Brasil.

Bento, que dará continuidade ao processo de privatização da Eletrobras, citou o diálogo mais “objetivo, desarmado e pragmático” junto a sociedade e o mercado, no que diz respeito ao uso da energia nuclear no país. Ele comentou da previsibilidade, estabilidade regulatória e jurídica como conceitos básicos e disse que vai trabalhar a redução de encargos e subsídios do setor elétrico.

Sobre a mineração sua ressalva foi para mudança de partilha do óleo e do gás e da maior pluralidade dos investidores.

Para honrar todos os compromissos assumidos, o almirante Bento pontuou que estará preparado para “ouvir e avaliar com serenidade e transparência as múltiplas demandas sobre os diversos setores que atuam na grande órbita do MME”.

A APROBIO acompanhou o evento in loco, representada por Antonio Ventilii, assessor técnico da associação.

Fontes de referência: Correio Braziliense

InfoMoney

Relatório aponta que futuro depende de biocombustíveis

Documento lançado na Conferência do Clima revela que redução de emissões estarão fora do alcance sem biocombustíveis e bioprodutos. Brasil é líder em programas de descarbonização do setor.

Katowice – Uma coalizão formada pelo Brasil e outros países lançou nesta segunda-feira (10), na Conferência do Clima (COP 24), o relatório Criando o Biofuturo. O documento revela que as metas mundiais de redução de gases do efeito estufa não serão atingidas sem maior uso de biocombustíveis e bioprodutos. O assunto foi tema de evento paralelo realizado na Conferência, que ocorre até o fim desta semana em Katowice, na Polônia.

O relatório mapeia caminhos para o progresso e mostra como a expansão de uma bioeconomia sustentável de baixo carbono pode promover crescimento, com segurança energética, e a luta contra as mudanças climáticas. Além disso, o estudo revela as quatro maiores barreiras que impedem novos avanços.

O ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, presente no lançamento, ressalta a importância do relatório. “O principal ensinamento do relatório é que uma variedade de políticas bem formuladas, combinadas com apoio ao mercado e à inovação, é essencial para a produção sustentável dos biocombustíveis, bioenergia e bioprodutos, na escala necessária”.

Edson Duarte afirma que o Brasil é um dos países que estão à frente dessa nova forma de produção. “Junto com o Canadá, estamos liderando o caminho para os programas de descarbonização de combustível, por meio dos Padrões de Combustíveis Limpos e as políticas da RenovaBio”, afirma.

O ministro reconhece também os esforços de outros países, como a Argentina e o Reino Unido, que estão aumentando as metas de biocombustíveis e a União Europeia colocou em prática a nova diretiva de energia renovável, com metas fortalecidas para biocombustíveis mais avançados, levando em consideração a sinergia com a produção atual.

BARREIRAS

O relatório Criando o Biofuturo afirma, em consonância com modelos e cenários da Agência Internacional de Energia (IEA), da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) e do Painel Intergovernamental sobre Clima Mudança (IPCC), que os biocombustíveis e bioprodutos devem desempenhar um papel integral na transição energética global, em conjunto com outros esforços complementares de mitigação em todos os setores.

O estudo identifica as principais barreiras: a falta de dinheiro para a produção em escala comercial, impedindo a pesquisa, o desenvolvimento e a implantação necessários; a baixa competitividade para biocombustíveis e outros bioprodutos em relação a alternativas baseadas em combustíveis fósseis; as políticas desfavoráveis que não coordenam efetivamente os interesses da economia agrícola comm o sistema alimentar; e o suprimento insuficiente de fonte sustentável para uso na produção de biocombustíveis e outros bioprodutos.

CONSENSO

O relatório mostra a escala do desafio e contribui para um consenso internacional sobre a importância da bioenergia. “Sua participação no consumo total de energia renovável no mundo é de cerca de 50%. Tanto quanto a energia hídrica, eólica, solar e todas as outras fontes renováveis combinadas”, disse Fatih Birol, diretor executivo da IEA.

“A bioenergia é uma ótima maneira de equilibrar a produção variável de eletricidade, principalmente eólica e solar. No entanto, seu papel nos setores de aquecimento e transporte é ainda mais importante e crucial”, comentou Kimmo Tiilikainen, ministro do Meio Ambiente, Energia e Habitação da Finlândia, um dos países participantes. Além de delinear as quatro barreiras, o relatório fornece perfis individuais de países em todos os mercados existentes para a bioeconomia e recomenda intervenções-chave de apoio.

Cerca de 131 bilhões de litros de biocombustível são produzidos anualmente, em um mercado avaliado em aproximadamente 170 bilhões de dólares, também por ano. Isso vem principalmente das vendas de etanol de primeira geração e biodiesel. A produção global de biocombustível deve subir para 222 bilhões de litros por ano, até 2025, para estar de acordo com os cenários desenvolvidos pela IEA e pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA).

RENOVABIO

De acordo com o Balanço Energético Nacional 2017, na indústria brasileira, a energia renovável representou 58% do consumo total, ante 7,6% na média mundial. Nos transportes, a participação da energia renovável foi de 20%, contra 3% no resto do mundo. A Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) prevê, até 2028, elevar para 28,6% a participação de renováveis na matriz de combustíveis.

“Serão 36 bilhões de litros de etanol e 11,1 bilhões de litros de biodiesel produzidos anualmente. Esse esforço reduzirá em 10,1%, até 2028, a intensidade de carbono da matriz de combustíveis nacional, alinhada com a contribuição nacionalmente determinada brasileira no âmbito do Acordo de Paris”, informou o ministro Edson Duarte.

A RenovaBio estabelece como meta uma redução nas emissões da matriz de combustíveis no período 2019-2028. Dessa forma, com o impacto da nova política, as emissões em 2028 deverão cair de estimados 425 milhões de toneladas de CO2 para 345 milhões.

De acordo com o relatório, a colaboração internacional sólida e o envolvimento das partes interessadas são fundamentais para ajudar os países a alcançar esses objetivos. A Plataforma Biofuturo tem vinte países membros: Argentina, Brasil, Canadá, China, Dinamarca, Egito, Finlândia, França, Índia, Indonésia, Itália, Marrocos, Moçambique, Holanda, Paraguai, Filipinas, Suécia, Reino Unido, Estados Unidos e Uruguai, além da Comissão Europeia. Como uma iniciativa de participação múltipla, várias organizações internacionais, universidades e associações do setor privado também estão envolvidas e engajadas como parceiras oficiais.
Acesse o relatório completo Criando o Biofuturo 

Fórum Brasileiro de Mudança do Clima apresenta proposta na COP-24 do Clima

O Fórum Brasileiro de Mudança do Clima lançou nesta segunda (10) uma estratégia de longo prazo para as contribuições brasileiras ao Acordo de Paris.

O órgão é presidido pelo presidente da República e tem participação da sociedade civil, universidades, empresas e funcionários de ministérios como Meio Ambiente, Relações Exteriores e Casa Civil.

O documento foi pedido pelo presidente Michel Temer em agosto e define ações-chave para que o Brasil ajude o mundo a zerar suas emissões de gases-estufa em 2050.

A estratégia é baseada em três linhas de ação: zerar o desmatamento ilegal, criar incentivos para proteção florestal e para agricultura de baixo carbono e investir em transportes mais limpos.

“Esse trabalho vai continuar mesmo que chova canivete”, anunciou o coordenador do Fórum, Alfredo Sirkis. Indicado por Temer para o cargo, ele conta que o grupo já discutiu estratégias para lidar com o novo governo, que considera deixar o Acordo de Paris.

O futuro ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, indicado ao cargo no domingo (9), disse em entrevista à Folha no mesmo dia que “a discussão se há ou não há aquecimento global é secundária”.

Apesar de reações de alívio por Salles não negar a ocorrência do aquecimento global, membros da delegação brasileira na COP-24 se dizem preocupados com um possível desmantelamento da pasta ambiental, que ficaria submetida à Agricultura. “Estamos preparados para diversas contingências”, diz Sirkis, para quem é possível manter o trabalho sem a participação do governo federal.

Entre ambientalistas, o receio é de que o novo governo anule o decreto de criação do Fórum. “O novo governo vai demandar capacidade de dialogar; fui deputado com Bolsonaro e tinha relação de cordialidade com ele. Não tenho problema em dialogar com ninguém”, diz Sirkis.

Também na segunda o Brasil realizou seu já tradicional evento na COP do Clima, a Plataforma Biofuturo, que busca apoio internacional para a adoção dos biocombustíveis como solução de curto prazo para a transição energética.

A proposta tem que contornar posições contrárias de outras delegações, que consideravam o jogo injusto no mercado internacional, já que só o Brasil teria solo disponível para produzir biocombustível de fontes como soja, milho e cana-de-açúcar sem competir com o plantio de alimentos.

A opção, porém, passou a despertar o interesse de gigantes como Índia e China por causa das novas tecnologias que permitem produzir biocombustível a partir de resíduos agrícolas, como cascas de arroz e milho, afirma Renato Godinho, responsável pela plataforma no Itamaraty.

Segundo ele, os biocombustíveis podem substituir os combustíveis fósseis onde outras tecnologias não estão disponíveis. “Compete com o combustível comum e não com a eletrificação”, diz Godinho. Segundo ele, o biocombustível será mais viável que baterias elétricas para a frota de carga, como caminhões.

Com 20 países-membros, a plataforma passa a ser gerenciada pela Agência Internacional de Energia, sediada em Paris. O Brasil continua na presidência do grupo.

ESTRATÉGIA BRASILEIRA PARA AJUDAR A ZERAR AS EMISSÕES DO MUNDO EM 2050

Proposta foi apresentado na COP-24 do Clima, na Polônia

1.     Agricultura

Ampliar o programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), dando crédito do Plano Safra a esforços de sustentabilidade

2.     Desmate

Zerar o desmatamento ilegal até 2050 Florestas Regulamentar incentivos previstos no Código Florestal para preservação florestal

3.     Transportes

Modernizar frota com alternativas mais limpas, como carros elétricos. Investir em transporte público

4.     Economia

Criar incentivos econômicos para descarbonização, como o mercado de carbono

Fonte: Brasil Agro

Setor de biodiesel entrega troféu a Michel Temer por avanços nas políticas voltadas aos biocombustíveis no Brasil

Presidente recebeu homenagem da Aprobio, da Ubrabio e da Frente Parlamentar do Mista do Biodiesel pela aprovação de medidas como o RenovaBio e cronograma de aumento da mistura de biodiesel ao diesel derivado de petróleo

Brasília, 4 de dezembro de 2018 – O presidente Michel Temer recebeu na noite desta terça-feira um troféu pelos avanços nas políticas nacionais voltadas aos biocombustíveis, em especial ao biodiesel. A homenagem foi promovida pela Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (APROBIO), pela União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (UBRABIO) e pela Frente Parlamentar Mista do Biodiesel, em jantar realizado no Dunia City Hall, em Brasília, para cerca de 150 convidados, entre autoridades, parlamentares e produtores de biodiesel.

Ao agradecer a homenagem, o presidente destacou a importância do biodiesel na economia nacional e o quanto as políticas adotadas para o setor têm servido de exemplo para o mundo. “Agora, na reunião do G-20, em Buenos Aires, quatro chefes de Estado vieram falar comigo dessa conquista do Brasil”, afirmou Temer, após receber a honraria, um troféu representando uma gota de biodiesel.

Bem-humorado e acompanhado do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, o presidente disse que homenagens como essa são um reconhecimento do trabalho feito em pouco mais de dois anos e meio de governo. “Uma coisa é ser conhecido; outra é, depois de conhecido, ser reconhecido”, explicou. “A piada do café frio em fim de governo é verdade absoluta. Mas na minha sala o café ainda é quente e também vem acompanhado de água”, brincou Temer, sob aplausos dos convidados do evento.

O troféu em homenagem às políticas adotadas pelo governo Michel Temer foi entregue pelo conselheiro da Aprobio, Alberto Borges de Souza, pelo presidente do Conselho Superior da Ubrabio, Juan Diego Ferrés, e pelo deputado federal Evandro Gussi (PV-SP), coordenador da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel.

“Essa é uma oportunidade de agradecer e comemorar”, definiu Alberto Souza, da Aprobio. “No governo Temer, passamos do B8 (8% de biodiesel adicionado ao diesel fóssil) para o B10 e, baseado na legislação, criamos condições para continuarmos crescendo 1 ponto porcentual ao ano, até o B15 em 2023. Também lançamos, com a liderança do deputado Gussi e do governo, as bases do RenovaBio.”

Para Juan Diego Ferrés, da Ubrabio, o governo Temer deixa um legado de extrema relevância para o setor de biocombustíveis. “O RenovaBio foi construído com amplo diálogo, com todos os segmentos da sociedade. Com ele, o Brasil faz história e reafirma sua referência internacional na área de energia limpa, o que tem sido comprovado pela adesão internacional e o reconhecimento alcançado através da plataforma para o Biofuturo.”

Coordenador da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel, Evandro Gussi destacou o trabalho de toda a equipe do governo. “Somos gratos, em nome dos brasileiros, pelo trabalho abnegado do presidente, com um time capitaneado pelo ministro Padilha, a quem estendemos essa homenagem”, afirmou. “O biodiesel, que vivia em espasmos no passado, agora tem previsibilidade para o futuro.”

Dois anos de avanços

Desde 2016, o setor de biocombustíveis obteve expressivas conquistas, chanceladas pela gestão Michel Temer. Destacam-se o desenvolvimento e aprovação, em tempo recorde, da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), uma política de estado inovadora de incentivo ao uso de energia limpa e renovável em substituição aos combustíveis fósseis, com redução da emissão de gases de efeito estufa, criação de oportunidades e maior segurança e previsibilidade para as diversas cadeias produtivas envolvidas.

Outra conquista relevante foi a definição de um cronograma de aumento gradual da adição de biodiesel ao diesel derivado de petróleo. Em março de 2018, entrou em vigor o índice de 10% de biodiesel misturado ao combustível fóssil, o chamado B10. Em outubro, foi publicada pelo governo resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que prevê aumentos anuais de 1 ponto porcentual nessa mistura, a partir de 2019, até o limite de 15% de biodiesel (B15) adicionado ao diesel derivado de petróleo, em 2023, conforme previsto pela legislação vigente.

Essas medidas já proporcionam grandes avanços para o Brasil e para a cadeia produtiva de biodiesel. A produção anual do biocombustível em 2018 deve atingir 5,4 bilhões de litros, um aumento de cerca de 25% em relação aos 4,3 bilhões registrados em 2017. Para 2019, a estimativa é de 6 bilhões de litros e, em 2023, com a adoção do B15 e a aplicação prática do RenovaBio, esse volume pode chegar a 11 bilhões de litros.

O Brasil é o segundo maior produtor e consumidor de biocombustíveis no mundo, e tem tudo para seguir avançando nesse caminho. O biodiesel reúne uma série de benefícios econômicos, ambientais e sociais que o colocam como produto singular em relação a outros países. Esse biocombustível reduz a demanda nacional por diesel importado, pratica uma política de precificação mais previsível que a do combustível fóssil e agrega valor a diversas cadeias produtivas do agronegócio, em especial à da soja, mas também à da proteína animal e de outras oleaginosas.

Além de reduzir em 70% as emissões de gases de efeito estufa em comparação ao diesel mineral, o biodiesel tem como matéria-prima o sebo animal, cujo descarte inadequado tem graves impactos ambientais, e o óleo de cozinha usado, que pode ser reciclado e transformado em combustível renovável, em vez de sobrecarregar as redes de tratamento de esgoto ou, pior, poluir cursos d’água.

No Brasil, o biodiesel também é o principal programa de transferência de renda para a agricultura familiar, por meio do Selo Combustível Social (SCS). Só em 2017, cerca de R$ 4 bilhões em faturamento dos pequenos produtores foram oriundos do setor.

Acesso o vídeo completo do jantar no nosso canal do YouTube, clicando aqui.

Qual a diferença entre diesel e biodiesel?

Diesel e o biodiesel são dois produtos orgânicos que são usados como combustíveis à base de carbono. Mas apesar de certas semelhanças, incluindo os seus respectivos nomes, ambos são extraídos de diferentes fontes e apresentam características opostas quando o assunto é a preservação do meio ambiente.

O diesel é um combustível que resulta do processo de craqueamento do petróleo bruto. Embora não seja tão utilizado quanto a gasolina, ele é muito mais adaptável a veículos com motores que focam mais na força e no desempenho do que na velocidade em si, devido à sua alta densidade de energia. A desvantagem do diesel é que, quando comparado aos outros combustíveis, ele induz um risco muito maior ao meio ambiente. A combustão incompleta do diesel é responsável pela liberação prejudicial de óxidos de carbono e outros compostos poluentes para a atmosfera. Esses gases são, inclusive, os grandes responsáveis ​​pela maioria dos problemas relacionados ao degradamento da atmosfera terrestre e ao enfraquecimento da camada de ozônio, que levam ao surgimento de fenômenos como a chuva ácida e prejudicam o ecossistema. O diesel tem sido alvo de debates por causa da poluição que proporciona.

O biodiesel, por outro lado, é um combustível bem mais amigável com o meio ambiente. Ele pode ser extraído de gorduras provenientes de vegetais, o que o torna uma fonte de energia totalmente renovável, diferente do diesel comum que é dependente da existência e da extração do petróleo. Quando combinadas com certos alcoóis, as gorduras nos óleos vegetais criam longas cadeias de esteres, que fazem com que o óleo funcione como combustível, dando origem ao biodiesel. Vale lembrar que o biodiesel pode ser usado em praticamente qualquer tipo de motor diesel após algumas pequenas modificações em certos casos, sem correr o risco de causar qualquer tipo de dano ao motor. Além disso, o biodiesel libera níveis bem menores de substâncias poluentes no ar. Ou seja, a maior diferença entre os dois é que o diesel é uma fonte de energia esgotável e não renovável, enquanto o biodiesel é exatamente o oposto.

Como as fontes de produção do diesel não são favoráveis ​​ao meio ambiente e correm o risco de serem completamente eliminadas a longo prazo, o biodiesel se torna muito mais viável em termos de produção e de preservação da camada de ozônio. Além disso, o biodiesel pode ser um passo importante para a adoção de fontes de energia mais limpas, renováveis ​​e eficientes. Mas ainda assim é necessária uma atenção especial nessa área, pois alguns países temem que a safra necessária para a produção de biodiesel e outros biocombustíveis possa levar a uma diminuição no suprimento de alimentos básicos.

Fonte: Tri Curioso

Produção e consumo de biocombustíveis no país aumentam em 2018

A produção e o consumo de combustíveis derivados de matérias-primas renováveis apresentou crescimento relevante no país em 2018. De janeiro a agosto, o aumento na produção de biodiesel foi de 26% e a alta no consumo de etanol chegou a 14%, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Os dados foram divulgados hoje (6) pelo Ministério de Minas e Energia e apontam para a possibilidade deste tipo de combustível representar 44% da matriz energética brasileira até o final do ano – um ponto percentual a mais do que em 2017, quando 43% da matriz energética do país eram derivadas de matéria-prima renovável.

De acordo com o MME, o Brasil é o segundo maior produtor de etanol do mundo. “Até setembro deste ano, cerca de 164 milhões de barris foram produzidos, com destaque para os estados de São Paulo, Goiás e Minas Gerais”, disse a assessoria do MME. O Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Goiás lideram o ranking na produção do biodiesel no país. Esses estados produziram 25 milhões de barris nos primeiros nove meses de 2018.

Segundo o ministério, até 2023 a estimativa é de que a produção do biodiesel brasileira passe de 5,4 para mais de 10 bilhões de litros anuais. O crescimento seria resultante da proposta de aumento gradativo do percentual obrigatório de biodiesel ao óleo diesel vendido ao consumidor final, que pode chegar até 15% (B15) entre 2018 e 2023.

Reunião extraordinária

O tema foi discutido em reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) no final de outubro e, de acordo com a proposta, a expansão da adição obrigatória de biodiesel ao óleo diesel comercializado no Brasil será de maneira gradual e progressiva.

Assim, haveria o aumento de um ponto percentual na adição de biodiesel ao ano, passando do atual patamar de 10% (mistura B10) para 11% (mistura B11) em junho de 2019. Pelo cronograma, em março de 2023, todo o diesel comercializado ao consumidor final deve conter 15% de biodiesel.

“Esse crescimento representa um aumento de 85% da demanda doméstica, o que deve consolidar o Brasil como um dos maiores produtores de biodiesel no mundo”, disse o MME.

Fonte: Jornal do Brasil

Celeiro do desenvolvimento sustentável, por Erasmo Carlos Battistella

Leia artigo assinado pelo presidente do Conselho de Administração da APROBIO, Erasmo Carlos Battistella, publicado pelo jornal gaúcho Zero Hora nesta sexta-feira (2):

 

Os olhos do mundo estão voltados ao Brasil e às políticas que serão adotadas pelo novo governo, com apoio de um Congresso renovado pelo desejo da sociedade por um futuro melhor. No mundo contemporâneo, isso significa desenvolvimento econômico ético e sustentável. A geração de riqueza no século 21 exige firme compromisso não só com “o que” se produz, mas com “o como” se produz.

Os produtores brasileiros já têm demonstrado que é ideia ultrapassada pensar em incompatibilidade entre o agro e o meio ambiente. Ao contrário, produtos agropecuários devidamente certificados têm obtido acesso a mercados importantes, por meio de acordos internacionais e cumprimento de exigências sanitárias e ambientais.

Assim, por mais louvável que seja enxugar o Estado, não soa razoável uma eventual fusão entre os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, como se esse desenho garantisse mais produção no campo. O efeito pode ser o oposto, diante do risco de se fecharem portas de importantes mercados, abertas após anos de trabalho sério de produtores que, hoje, colhem merecidos frutos.

Da mesma forma, é preciso encarar pactos como o Acordo de Paris como oportunidade, e não entrave. Nossa experiência e potencial em energias renováveis, como etanol e biodiesel, nos credenciam como referência mundial em alternativas ao petróleo. O Brasil deve se tornar o “Oriente Médio Verde”.

O biodiesel brasileiro tem benefícios inquestionáveis: 71,65% menos emissões que a produção de diesel fóssil e geração de mais emprego (capacidade 113% maior) e PIB (35% a mais). Sem falar na substituição de diesel importado, no incentivo à agricultura familiar e no estímulo a novas culturas, como a da palma de óleo, para recuperar áreas degradadas.

Com a aplicação da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), instrumento inovador criado pelo Brasil para cumprimento do Acordo de Paris, a atual produção anual de 5,4 bilhões de litros de biodiesel deve chegar a 18 bilhões. Para tanto, estima-se investimentos de R$ 22 bilhões até 2030 só na indústria de óleos vegetais e biodiesel.

Nosso país não pode abrir mão de oportunidades como essa, propiciadas pela união entre preservação ambiental e geração de riquezas no campo. Podemos – e devemos – fazer desse cenário um celeiro de oportunidades para o desenvolvimento sustentável.

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