A influência humana na mudança climática remonta ao século XIX

A mudança climática representa um sério desafio para a sociedade humana e geralmente acredita-se que os seres humanos são os culpados. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas concluiu que, com alta confiança, as atividades humanas são responsáveis pelo contínuo aumento da temperatura média do ar na superfície desde os anos 50.

Institute of Atmospheric Physics, Chinese Academy of Sciences*

Um artigo recente publicado na revista Nature Sustainability por Duan et al. tem mostrado que a influência humana sobre as mudanças climáticas pode ser rastreada até o final do século 19 com base na diferença de temperatura entre verão e inverno. Esta pesquisa foi realizada por cientistas do Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências, em colaboração com os principais especialistas em pesquisa climática do Reino Unido e da Alemanha.

“É bem sabido que os seres humanos estão conduzindo o aquecimento global, mas quando isso começou?” disse o principal autor, Dr. Jianping Duan, “Nosso estudo mostrou que a influência antropogênica na mudança climática começou muito antes do que acreditávamos anteriormente”.

A mudança climática antropogênica é geralmente focada no aumento da temperatura do ar na superfície, ou seja, o aquecimento global e o aumento dos extremos climáticos. Duan et al. (2019) descobriram que a amplitude das flutuações da temperatura sazonal tem diminuído amplamente, e essa tendência pode ser rastreada até o final do século XIX.

Eles descobriram que a sazonalidade da temperatura tem sido estável até a década de 1860, da qual tem havido contínuas tendências de queda nas latitudes médias do hemisfério norte. Uma análise formal de detecção e atribuição usando as mais recentes simulações do modelo climático mostrou que o aumento das concentrações de gases de efeito estufa e os aerossóis antrópicos são os principais contribuintes para as tendências de queda observadas.

Fonte: EcoDebate

As fontes renováveis atingiram um terço da capacidade global de energia em 2018, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

“A idade da pedra não acabou por falta de pedras”

“Devemos deixar o petróleo antes que ele nos deixe”
Faith Birol (Economista chefe da IEA)

capacidade de geração de energia renovável e transição energética

No dia 22 de abril se comemora o Dia da Terra. O documentário da BBC (Climate Change – The Facts) mostra que o crescimento das atividades antrópicas, impulsionadas pelo uso generalizado de combustíveis fósseis, está gerando um aquecimento global sem precedentes no Holoceno (últimos 12 mil anos), com consequências catastróficas para a vida no Planeta. No vídeo, o grande ambientalista, Sir David Attenborough, entrevista alguns dos principais cientistas climáticos do mundo e aponta possíveis soluções para essa ameaça global. Uma das soluções imprescindíveis é a mudança da matriz energética global.

Uma boa notícia é que as fontes renováveis de energia responderam por cerca de um terço de toda a capacidade de energia global em 2018, segundo relatório divulgado no início de abril de 2019 pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA). As renováveis foram responsáveis por 63% da capacidade líquida instalada em 2018.

A IRENA mostrou que foram adicionados 171 GW de nova capacidade de energia renovável em 2018, um aumento anual de 7,9%. Este aumento foi impulsionado principalmente pelas novas adições de capacidade eólica e solar. Isso eleva a capacidade total de geração de energia renovável para um total de 2.351 GW no final de 2018, representando cerca de um terço da capacidade instalada total de eletricidade do mundo.

Como mostra o gráfico abaixo, a energia hidrelétrica continua sendo a maior fonte de energia renovável baseada na capacidade instalada, com 1.172 GW, seguida pela energia eólica com 564 GW e energia solar com 480 GW. O grande destaque da nova capacidade instalada em 2018 foi da energia solar, com acréscimo de impressionantes 94 GW. A energia eólica adicionou cerca de 50GW, a hidrelétrica adicionou 20 GW e a bioenergia e a geotérmica com acréscimos modestos.

energia hidrelétrica continua sendo a maior fonte de energia renovável baseada na capacidade instalada

A IRENA também mostrou que houve crescimento de energia renovável em todas as regiões do mundo, embora em níveis variados. A Ásia respondeu por 61% da nova capacidade em 2018 (ligeiramente abaixo do ano passado) e resultou em 1,024 Terawatt de capacidade renovável (44% do total global). Ásia e Oceania também foram as regiões de maior crescimento, com expansão de 11,4% e 17,7%, respectivamente. A Europa cresceu no mesmo período do ano passado (+24 GW ou variação de 4,6%, ficando com 23% da participação global). A expansão na América do Norte se recuperou ligeiramente, com um aumento de 19 GW (mais 5,4%) e participação global de 16%. A África acrescentou 3,6 GW (mais 8,4%), mas com participação de somente 2% na capacidade global. A América do Sul aumentou 9,4 GW (mais 4,7%), representando 9% da capacidade global.

capacidade de geração renovável em nível regional

O crescimento das energias renováveis (especialmente solar e eólica) é, indubitavelmente, uma boa notícia, tanto no sentido de cumprir as metas climáticas do Acordo de Paris (de 2015), quanto as metas do Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os países que aproveitam ao máximo o potencial de renováveis se apropriam de uma série de benefícios socioeconômicos, além de descarbonizar suas economias.

Além disto, as energias renováveis são a alternativa diante da iminência do Pico do Petróleo. Artigo do site The Beam, mostra que, sem novos investimentos, a produção global de petróleo – todas as fontes não convencionais – cairá em 50% até 2025, conforme a figura abaixo. A produção anual global de petróleo pode diminuir em aproximadamente seis milhões de barris por dia a partir de 2020. Alguns países produtores de combustíveis fósseis (e não somente a Venezuela) já convivem com a queda da produção.

sem novos investimentos, a produção global de petróleo - todas as fontes não convencionais - cairá em 50% até 2025

Desta forma, mesmo diante do avanço da produção de energia renovável, os desafios são cada vez mais urgentes. O ritmo da transição energética tem se mostrado lento diante da gravidade dos desafios ecológicos e da inevitabilidade do Pico de Hubbert. Como a população e a economia mundial continuam crescendo em volume, aumentam, em consequência, a extração de recursos do meio ambiente, elevam as emissões de gases de efeito estufa (GEE), acelerando o aquecimento global, o que aumenta a Pegada Ecológica do Planeta e reduz a biocapacidade e a biodiversidade (ver o vídeo da BBC: Climate Change – The Facts).

Artigo de Nafeez Ahmed (Motherboard, 27/08/2018) mostra que os cientistas alertam a ONU sobre a possibilidade do fim iminente do capitalismo, pois um abandono dos combustíveis fósseis, necessário para deter as mudanças climáticas, significa que a economia mundial fundamentalmente precisará mudar. O capitalismo emissor de CO2, como o conhecemos, acabou e não oferece respostas para os desafios do século XXI.

Assim, o processo de transição energética e o fim do uso dos combustíveis fósseis, a despeito dos avanços, pode chegar tarde e não ser suficiente para evitar um colapso ambiental. Se o Planeta se transformar em uma estufa e ficar inabitável, não haverá mais Dia da Terra, pois o colapso ecológico será também um colapso civilizacional. Será o verdadeiro fim da história humana e os únicos culpados serão os próprios seres humanos.

Fonte: EcoDebate

Aquecimento do planeta e desaquecimento da vida

Aquecimento global… há quanto tempo estamos aquecendo esse assunto, aquecendo ideias, nos aquecendo para de fato entrarmos em ação? É um aquecimento que de certo modo pode-se dizer, reverso, desacelerado, na verdade um desaquecimento de ações e um aquecimento de fato do planeta.

Aquecimento do desmatamento, da dizimação da fauna, do derretimento das calotas polares, do uso de produtos tóxicos, enfim, estamos há tanto falando de aquecimento global que parece o ser humano estar interpretando de forma errada o verdadeiro sentido dessa frase, ou melhor, esquecendo que para se fazer completa não pode esquecer da palavra combater e seus sinônimos no sentido de vencer algo ruim, ou seja, vencer, derrotar, dominar debelar, extinguir, suprimir, eliminar, afastar; manifestar-se contra: obstar, contrariar, rejeitar, reprovar, rechaçar, impugnar… são tantos os sinônimos, mas as pessoas estão esquecendo dos verdadeiros significados e importância. Em vez disso, estão dando conforto, acalentando, alentando, aliviando, consolando, confortando e reconfortando o aquecimento do planeta.

É bonito falar sobre a causa e abraça-la, mas não com braços invisíveis, com abraço frouxo, que numa questão de segundos esmorece e se revira pela facilidade do mundo, pela ganância por dinheiro e poder, através de atitudes que colaboram com o tal aquecimento, ações como a emissão de gases do efeito estufa,  por via de práticas humanas ou melhor desumanas, através do uso exacerbado de veículos, das indústrias poluentes, da queima de combustíveis fosseis, do uso indiscriminado de agrotóxicos, entre outras práticas. E não sendo o suficiente, o homem aquece o aquecimento global através dos desmatamentos que promovem o aumento da temperatura, poluindo os mares, matando algas e fitoplânctons diminuidores de dióxido de carbono e colaboradores na emissão de oxigênio na atmosfera, e muitas outras atitudes que dão início a uma avalanche de prejuízos. São consequências catastróficas que aquece o globo e tudo o que nele está, provocando mudanças drásticas nas sociedades e em suas estruturas, através de inundações, aumento de doenças um virtude da radiação solar, furacões, tornados, secas, extinção de espécies da fauna e da flora, enfim, uma verdadeira catástrofe a qual o homem vem se acostumando ao longo do tempo.

São muitas siglas, convenções, politicas, documentos e poucas práticas. Possivelmente essa falta de prática não provem de todos, mas certamente da maioria. No ano de 1992, 179 países estabeleceram uma agenda global com o intuito de minimizar os problemas ambientais no mundo, isso se deu, na Rio 92 durante a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, onde foram levantados os problemas ambientais existentes, e de onde saíram sem sombra de dúvidas, documentos que ainda hoje servem como alicerce para muitas discussões ambientais, tanto é que após 27 anos depois, estamos novamente discutindo o que se tornou ainda mais preocupante.

A Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima aconteceu nesse cenário, e nela, compromissos e obrigações surgiram para estabelecer a garantia do cumprimento dos compromissos acordados. O Protocolo de Quioto um documento com o objetivo de reduzir os gases emitidos pelo efeito estufa, através da execução de metas específicas para diminuir a emissão dos principais gases causadores desse efeito: dióxido de carbono (CO), metano (CH), óxido nitroso (N2O), hexafluoreto de enxofre (SF6), hidro-fluorcarbonos (HFCs) e perfluorcarbonos (PFCs), estipulou as metas de reduções obrigatórias dos principais gases de efeito estufa para o período de 2008 a 2012, mas em sua finalização foi observado o não cumprimento das metas por diversos países, havendo a necessidade de prorrogação por mais oito anos.

Estamos prorrogando atitudes ambientalmente corretas desde a Idade Média, quando por exemplo, algumas cidades italianas estabeleceram regras para a destinação de objetos e carcaças de animais, a eliminação de águas paradas e a proibição de lixo e fezes nas ruas, além do serviços de coleta de lixo. Se desde essa época regras fossem respeitadas e ações concluídas, muito teria sido evitado e certamente não estaríamos no caos ambiental de hoje.

A Revolução Industrial não revolucionou somente a indústria, mas a produção de lixo que com um aumento significativo, acarretou impactos sanitários gravíssimos, e lá vem mais medidas e mais regras, mas… quando foi mesmo que ocorreu a revolução industrial? Considerando seu período mais tardio foi por volta de 1840, ou seja, mais de um século e meio.

No século XX a questão do lixo já não tratava apenas dos materiais orgânicos, mas, já entrava na área industrial, e regiões onde hoje são consideradas primeiro mundo jogavam boa parte do lixo coletado nos mares e nos rios. Era preocupante porque se antes só havia problema com o descarte de lixo orgânico, com a industrialização o problema se tornou bem maior, o mundo começava a produzir lixo em dimensões inimagináveis, tornando o descarte do lixo em algo complexo e preocupante.

O mundo passou a ser uma indústria de lixo, e a cabeça de algumas pessoas uma fabriqueta de soluções para lhe dar com tudo isso. Ideias foram surgindo e a necessidade as pondo em prática, mas com o tempo veio o modismo e tudo deixou de ser urgente, o que era importante ser dizimado, tornava-se necessário para que a fabriqueta de soluções se tornasse uma grande indústria, um captador de recursos, onde uma ideia valia um recurso.

O ser humano não consegue enxergar o quão grandiosa é a recompensa em cuidar, preservar e amar a natureza, o que o faz cobrar outros tipos de recompensa para desenvolver atitudes ambientalmente corretas. A preservação dos recursos naturais tem a sua importância, e qualquer interesse por mínimo que seja em praticar ações ambientalmente corretas é importante. O que não pode acontecer é que ninguém nada faça, enquanto esperam atitudes uns dos outros.

Todas as ações ambientalmente incorretas são provocadoras do aquecimento global. Já faz tempo que ouvimos dizer que não é tarde para mudarmos de atitudes, mas o tempo passa, e com ele a oportunidade de entramos em ação, a ação que antes era simples hoje se tornou complexa, e o homem cada vez mais envolvido com as questões não urgentes do mundo, acaba classificando as questões ambientais como não urgentes, isso, porque há muito vê a necessidade de praticar essas ações, de mudar de atitude e há muito não ver nada acontecer, e assim, aos vão aquecendo o aquecimento do planeta, e sem perceber, desaquecendo a vida.

Fonte: EcoDebate

Aquecimento global aumenta a ocorrência de eventos extremos?

Estudo recente mostra que o aumento das emissões de gases do efeito estufa está relacionado com a maior ocorrência de eventos extremos. Esses eventos são ligados ao comportamento do jatos de altos níveis, que está mudando impulsionado, principalmente, pelo rápido derretimento do Ártico

A contínua subida nas taxas de emissões dos gases do efeito estufa estão aumentando a ocorrência de interrupções e quebras nas ondas dos jatos de altos níveis. A corrente de jato possui ondas de Rossby responsáveis por grande parte dos sistemas meteorológicos que atuam em médias e altas latitudes. Interrupções ou amplificações das feições do jato de altos níveis gerariam secas e incêndios mais frequentes no verão, inundações e até maiores eventos de frio no inverno.

Os resultados foram publicados em um trabalho do final do ano passado (2018), que sugere que verões como do de 2018, quando a configuração da corrente de jato induziu eventos extremos em escala sem precedente no Hemisfério Norte, serão 50% mais frequentes no final do século. Esse aumento ocorre em um cenário futuro onde as emissões de dióxido de carbono e outros gases do efeito estufa continuem a aumentar. Em um cenário mais pessimista, a ocorrência de extremos guiados pela corrente de jato poderia triplicar.

Nos últimos 15 anos, as corrente de jatos de ambos hemisférios ficaram mais altas e rápidas. O padrão de ondulação extrema, associado aos eventos meteorológicos mais intensos e catastróficos, é conhecido como amplificação quasi-ressonante. Os eventos extremos que afetaram todo hemisfério Norte durante o verão boreal de 2018 ocorreram devido à amplificação quasi-ressonante da corrente de jato. O resultado foi um ano marcado por incêndios na Califórnia, inundações no leste dos EUA e uma onda de calor de 6 meses em algumas partes da Europa. Segundo o estudo, todos esses eventos levam marcas do aquecimento global.

Adaptado de InsideClimateNews.org

O trabalho ainda explora o efeito de outros poluidores no comportamento do jato, especialmente os aerossóis – partículas microscópicas sólidas ou líquidas proveniente da industria, agricultura, atividades vulcânicas e plantas. O aerossol tem um efeito resfriador que contrabalanceia as mudanças no jato causadas pelos gases do efeito estufa.

Para Daniel Swain, cientista da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos EUA, esse trabalho mostra mais evidências da relação entre o derretimento acelerado do Ártico e os eventos extremos em médias latitudes no verão. [entrevista em Inside Climate News]

O derretimento do gelo marinho no verão expõe o oceano, que, ao invés de refletir a radiação solar como o gelo, a absorve. Isso acaba aquecendo mais as porções de terras ao redor aumentando a temperatura média na região. Como a taxa de aquecimento na região ártica é maior que no resto do globo, o contraste de temperatura que mantém a corrente de jato diminui, o tornando mais lento. Isso faz com que torções do jato e ondulações mais amplificadas e lentas fiquem mais frequentes, aumentando os eventos extremos e alongando suas durações.

Fonte: Tempo

O que aquecimento global tem a ver com saúde mental

Eventos extremos, como furacões, tempestades, secas e ondas de calor, podem ser gatilho para ansiedade, distúrbio pós-traumático e depressão

Sabe-se que a luz solar ativa a produção de serotonina e dopamina, neurotransmissores relacionados à felicidade e ao bem-estar. Dias escuros, assim como chuvosos, não acionam esse mecanismo. Há até mesmo problemas mentais que surgem em função das estações: o transtorno afetivo sazonal, por exemplo, é um quadro que apresenta sintomas de depressão no inverno e melhoras no verão. No entanto, mais uma vez, o clima não bate o martelo: em um livro clássico sobre suicídio, o sociólogo francês Émile Durkheim, ao analisar as taxas de mortes autoinduzidas em países da Europa do século 19, descobriu que os casos costumam ocorrer no verão, e não no inverno.

O sul do Brasil registrou 23% de todos os casos de suicídio de 2017 no país, apesar de concentrar 14% da população brasileira, segundo boletim do Ministério da Saúde. E o Rio Grande do Sul tem as maiores taxas entre os Estados: 10,3 mortes por suicídio a cada 100 mil habitantes, quase duas vezes maior do que a taxa nacional, de 5,5.

A Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul (SES) trata o tema como problema de saúde pública. A zona de maior risco é o Vale do Rio Pardo, região de plantio de fumo. Há estudos apontando que agricultores responsáveis por essa atividade têm maiores taxas de suicídio – os riscos seriam desde o uso do agrotóxico, aplicado de forma manual, até uma autoestima mais baixa, afetada pelos maus olhos que grande parte da sociedade destina a quem trabalha na cadeia do cigarro.

— São vários os fatores que influenciam o ser humano. Países escandinavos, com clima predominantemente frio e noites prolongadas, têm grandes taxas de depressão e de suicídio. O Rio Grande do Sul, onde o inverno é acentuado em comparação ao resto do Brasil, tem as maiores taxas de suicídio do Brasil — ressalta Cláudio Meneghello Martins, diretor daSociedade Brasileira de Psiquiatria (SBP). — O frio proporciona um isolamento social maior, mas entram também a predisposição genética e o estresse ambiental, como violência urbana, pobreza ou maus-tratos emocionais — salienta o psiquiatra.

Ainda que o escuro seja naturalmente associado ao perigo e ao que não é visível, o psiquiatra Luiz Carlos Mabilde, da Sociedade de Psicanálise de Porto Alegre (SPPA), destaca que nenhum clima é essencialmente melancólico ou inspirador: o indivíduo é responsável por conceber significados a eventos. Se para um morador da cidade a chuva pode suscitar tristeza, para um fazendeiro pode ser sinal de alegria e de prosperidade na plantação.

— O dia ensolarado é um dia como qualquer outro. E o dia cinzento também. Projetamos no sol e no cinza questões que já existem dentro de nós. Se estamos bem, não é o dia acinzentado que vai nos deprimir, nem o sol irá nos deixar eufóricos — reflete Mabilde.

Desafio à capacidade emocional de resiliência

Profissionais da saúde se preocupam com os impactos das mudanças climáticas à saúde mental. Especialistas indicam que serão cada vez mais comuns eventos extremos, como furacões, tempestades, secas, ondas de calor no verão e de frio no inverno. Eventos assim podem ser gatilho para ansiedade, distúrbio pós-traumático e depressão – sobretudo quando há perdas materiais ou de pessoas. Comunicado da Associação Psiquiátrica dos Estados Unidos (APA, na sigla em inglês) alerta ainda para outros riscos, como comportamento agressivo e violência doméstica. Para piorar, a exposição ao calor forte está ligada ao uso de álcool, às internações em emergências hospitalares e ao suicídio.

— Extremos exigem muito do ser humano em termos adaptativos, sobretudo uma grande capacidade emocional de resiliência — pontua o psiquiatra Cláudio Meneghello Martins, da SBP.

Estudo feito pela Universidade de Harvard e pelo Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), publicado em 2017, prevê também que nosso sono irá piorar em função da elevação de temperatura como consequência do aquecimento global. As mais afetadas, alertam os pesquisadores, serão as populações de menor renda, por terem menos dinheiro para se proteger com ventiladores e ar-condicionado, e os idosos, que regulam menos a temperatura do corpo.

Variações climáticas e seus impactos em nosso comportamento devem ser observados sempre, mas com cuidado. Nenhum pode afetar nosso pensamento da forma como Alcides Maya defendeu no início dos anos 1900. Mas ele pode descansar em paz: com clima grego ou não, montanhoso ou com os pampas, o Rio Grande do Sul segue produzindo grandes intelectuais.

Fonte: Gauchazh

Chuvas atípicas vão se tornar o novo normal, diz especialista

Episódios extremos aconteceram em todo o país e falta investimento em medidas de adaptação às mudanças climáticas

As chuvas intensas registradas em diferentes regiões no Brasil nestes primeiros meses do ano sinalizam que, daqui para frente, o que era considerado “atípico” deverá ser tornar o novo normal. Considerada a maior chuva em 22 anos, o temporal causou dez mortes no Rio de Janeiro. No Piauí, mais de 10 000 famílias foram atingidas — cerca de 3 000 estão desabrigadas — e 17 cidades estão em situação de emergência.

É o que explica o especialista em recursos hídricos da ONG The Nature Conservancy, Samuel Barrêto. “Primeiro temos que mudar uma questão conceitual. Essa chuva tão intensa não é mais atípica. Apenas neste ano, já vimos vários casos semelhantes no acúmulo de volume de água. O conceito é a primeira noção que precisamos mudar”, afirmou.

Além das mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global, toda a infraestrutura disponível (sirenes, sistemas de drenagem, equipes de resgate, etc.) para lidar com desastres naturais, especificamente no Rio de Janeiro, não funcionou. Atualmente, trabalha-se com a ideia de adaptação às alterações do clima, e não mais com a possibilidade de evitar que as transformações ocorram. Ou seja, já que elas estão por aí, cabe ao poder público tomar ações para proteger a população.

“As mortes poderiam ter sido evitadas. Se não há investimento em ciência e coleta de dados, não será possível melhorar. Vamos cair em um ciclo vicioso”, afirmou Barrêto. Segundo o especialista, o governo precisa impedir a ocupação dos territórios em risco de desabamento, criar uma política pública de habitação e prevenção de riscos, com investimento em soluções de drenagem, manutenção de bueiros e coleta e disponibilização de informações para a sociedade. “Nos Estados Unidos, por exemplo, os cidadãos recebem alertas para cada evento climático extremo, seja um tufão ou temperaturas muito baixas”, afirmou.

Barrêto destacou que as medidas de natureza também são importantes. Parques lineares, principalmente em áreas que têm sofrido com o processo de urbanização, com a impermeabilização do solo, podem contribuir com a absorção da água.

“Vimos situações dramáticas no Rio de Janeiro, no Piauí e em São Paulo. O governo é responsável e precisa criar políticas públicas para minimizar os impactos e os efeitos, em níveis federal, estadual e municipal. Essas anomalias são crescentes no Brasil e no mundo. Temos que nos preparar”, afirmou.

Junto ao poder público, a população também tem como colaborar. Jogar lixo na rua, por exemplo, é uma das ações que Barrêto descreveu como prejudiciais para o sistema inteiro. Os resíduos sólidos entopem bueiros e impedem que a água escorra pelo caminho por onde deveria percorrer.

“Estamos no caminho inverso da adaptação às mudanças climáticas, não dando importância a elas e reduzindo os investimentos nessa área. Mais mortes vão acontecer, além dos prejuízos sociais e econômicos. Dos econômicos a gente corre atrás, mas quando se perde a vida, não há mais o que fazer”, declarou.

Fonte: Veja

Você sabe o que é o Efeito Estufa?

Em si, o Efeito Estufa é um processo natural e necessário para a vida humana. Mas as ações irresponsáveis dos seres humanos têm intensificado esse processo, tornando-o prejudicial para o planeta. Vem que eu te conto mais sobre isso.

O que é o Efeito Estufa?

É um fenômeno natural de aquecimento da Terra, ele é responsável por manter a temperatura do planeta amena, para que nós possamos habitá-la. Resumidamente ele funciona assim: o sol emite radiações que chegam até a superfície da Terra. A superfície absorve parte dessa radiação, cerca de 51%. O restante ela converte e emite em forma de radiação infravermelha.  Essa radiação vai para a atmosfera, que é composta de gases-estufa, esses gases são responsáveis por absorver essa radiação e impedirem que ela volte para o espaço. Se esses gases não existissem, a temperatura média da Terra seria de 18 graus negativos. Esse processo mantém o clima sem grandes variações e possibilita a vida no planeta.

Então qual o problema do Efeito Estufa?

O problema é que as atividades humanas como o desmatamento, a queima de combustíveis fósseis, o uso de certos fertilizantes e o grande desperdício de alimentos têm lançado cada vez mais gases-estufa na atmosfera. Com uma concentração muito grande desses gases na atmosfera, forma-se uma barreira, que faz com que mais radiação infravermelha fique retida e devolvida novamente para a superfície do planeta. Assim o efeito estufa deixou de ser um processo natural e passou a ser o causador do aquecimento global.

Consequências do Efeito Estufa

  • Derretimento das calotas polares, consequentemente aumento do nível do mar. Isso leva a perda de vários ecossistemas costeiros. A longo prazo pode levar ao alagamento de cidades litorâneas.
  • O Efeito Estufa pode levar ao desaparecimento de espécies animais e vegetais.

  • O Efeito estufa gera mudanças climáticas severas, que podem  alterar os cursos naturais das correntes marítimas o que acabaria por provocar a extinção de diversas espécies de peixes e outros animais marinhos.
  • Pode potencializar fenômenos como: furacões, tempestades, secas e enchentes em determinadas regiões.

Fonte: Tri Curioso

Geleiras dos Alpes podem derreter 90% até 2100

Aquecimento global, em alta nas últimas décadas, ameaça cerca de 4.000 geleiras

As geleiras dos Alpes podem derreter em 90% até o final do século, se nada for feito para reduzir o efeito estufa, responsável pelo aquecimento global, de acordo com um estudo divulgado nesta terça-feira (8).

Cerca de 4.000 geleiras, cujo derretimento no verão fornece água a milhões de pessoas, estão ameaçadas pelas emissões vinculadas à atividade humana.

Uma equipe de pesquisadores suíços estimou a evolução das geleiras de acordo com diferentes hipóteses de aquecimento.

Se as emissões chegarem a um teto em poucos anos e depois caírem rapidamente até 2100, apenas um terço do volume de geleiras sobreviverá.

No entanto, se as emissões continuarem no ritmo atual, a previsão é muito mais assustadora.

“Com essa hipótese pessimista, os Alpes poderão ficar sem geleiras em 2100, com apenas alguns isolados em altitude, que representaria 50% ou menos do que o volume atual”, explica Mathias Huss, diretor da ETH Zurich, e co-autor do estudo.

Quaisquer que sejam os esforços para reduzir as emissões, os Alpes perderiam pelo menos metade de suas geleiras, alertam os pesquisadores que ressaltam a importância destas massas de gelo.

“Uma geleira é um reservatório. Uma geleira em bom estado derrete (parcialmente) durante o verão e aumenta de volume no inverno. Isso significa que o período em que as pessoas mais precisam de mais água, elas obtêm da geleira”, disse à AFP Harry Zekollari, da Universidade Tecnológica de Delft, na Holanda.

As geleiras dos Alpes contêm cerca de 100 km3 de gelo. Mas eles não são os únicos que derretem.

Outro estudo publicado na segunda-feira na Nature estima que o derretimento das geleiras em todo o mundo acelerou nas últimas décadas.

As geleiras perderam 9 trilhões de toneladas de gelo desde 1961, o que fez que o nível do mar subisse 2,7 cm, de acordo com o estudo publicado na segunda-feira por pesquisadores europeus.

As geleiras que mais contribuíram para esse aumento foram as do Alasca, as da Patagônia e as do Ártico. As dos Alpes, que são menores, tiveram uma contribuição “menor”.

Fonte: Destak Jornal

Fim do mundo chegando? Aquecimento global, asteroides, guerras e outras ameaças à Terra

As pessoas seguem com seus afazeres do dia a dia, sem imaginar que estão cercados por perigos fatais, que podem acabar com a raça humana na Terra. As mudanças climáticas, os riscos de uma guerra nuclear, pandemia e como se não bastasse tudo isso, ainda existe o risco de um asteroide gigante colidir com nosso planeta.

Muitos especialistas e estudiosos dedicam boa parte do seu tempo para investigar uma solução para estes problemas, mas a pergunta que todos fazem é se os seres humanos conseguirão sobreviver até o fim deste século.

Por muitos anos as pessoas acharam que estavam seguras neste planeta, onde há muita água, oxigênio, alimentos e tudo que se precisa para viver, mas atualmente a realidade é outra. São muitos os riscos que ameaçam o ser humano e o planeta se mostra frágil diante de tantas ameaças.

É real o risco de um asteroide gigante se colidir com a Terra, mas o ser humano criou tantos novos riscos, que este ficou em segundo plano. Hoje é grande a preocupação com a superpopulação, a escassez de alimento, de água e ainda tem a mudança climática, que segue sendo ignorada por muitos governantes.

As ameaças não param por aí. Pandemias, guerra nuclear e muito mais. O planeta terra corre perigo e o ser humano precisa entender que sem ele, não terá como sobreviver.

Fonte: News

Mudanças climáticas abalaram a vida de 62 milhões só no ano passado, diz relatório da OMM

Planos concretos, realistas, não apenas discursos bonitos para servirem como plataforma política, é o que pede Antonio Guterres, secretário geral da ONU, aos líderes que vão se reunir em setembro na cúpula das Nações Unidas, em Nova York. Guterres faz este apelo não à toa. É que há muito o que fazer para que verdadeiras mudanças nos níveis de produção e consumo, de fato, comecem a fazer diferença. Por enquanto, pouco se vê como resultado prático dos encontros que debatem o clima. Para ilustrar com mais estudos a preocupação do chefe da ONU, na semana passada a Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou um relatório que constata que 62 milhões de pessoas foram afetadas pelas mudanças do clima somente em 2018. E mais: a temperatura global, segundo os estudos, já subiu 1º grau acima do período pré-industrial.

É preciso cortar as emissões globais de gases do efeito estufa em 45% até 2030, sob pena de que as inundações, as ondas de calor e os instantâneos de frio prolongados devastem ainda mais vidas em todo o mundo. Petteri Taalas, secretário-geral da OMM, na apresentação do relatório, lembra que o Ciclone Tropical Idai, que massacrou Moçambique, Zimbábue e Malaui com inundações devastadoras, pode ser considerado, até agora, um dos mais mortíferos desastres relacionados ao clima a atingir o Hemisfério Sul.

“Idai atingiu a cidade de Beira, uma cidade em rápido crescimento e baixa altitude, num litoral vulnerável a tempestades e já enfrentando as consequências da subida do nível do mar. As vítimas de Idai personificam por que precisamos da agenda global sobre desenvolvimento sustentável, adaptação às mudanças climáticas e redução do risco de desastres”, disse Taalas.

Os céticos do clima começam a se mexer na cadeira, estou certa disso. Hão de dizer que é impossível atribuir toda a culpa do que está acontecendo nos países africanos – em Moçambique já se registra um caso de cólera – às mudanças climáticas. São países pobres, que não têm estrutura para suportar eventos extremos de qualquer magnitude, diriam. Isto também é verdade, já que para os países ricos é muito mais fácil se livrar de tais problemas. Assim mesmo, sabemos bem o que acontece aos habitantes dos Estados Unidos, a nação mais rica, quando são atingidos por furacões.

Fato é que quando a primeira edição do relatório anual da OMM foi divulgada, há quinze anos, os níveis de dióxido de carbono estavam em 357 partes por milhão. Em 2017, eles atingiram 406 partes por milhão, com especialistas esperando números ainda maiores para 2018 e 2019.

Os cientistas, estes mesmos que têm sido tão fortemente aplaudidos e reverenciados quando descobrem formas de melhorar a vida da humanidade, é quem dizem, com base em nada menos do que seis mil estudos, que as emissões de gases do efeito estufa estão por trás do aquecimento e das mudanças climáticas. São eles também, não custa lembrar, que em outubro do ano passado lançaram o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) advertindo que o mundo precisa de mudanças sem precedentes para alcançar a meta traçada no Acordo de Paris, de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 graus Celsius.

Voltemos ao relatório recentemente divulgado pela OMM. Segundo ele, as enchentes atingiram mais de 35 milhões de pessoas em todo o mundo em 2018. A seca também afetou nove milhões de pessoas, áreas do Quênia, Afeganistão e América Central, além de ter provocado migrações em El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua.

“Esses extremos estão piorando a fome, que está aumentando novamente após um declínio prolongado. Em 2017, o número de pessoas subnutridas foi estimado em 821 milhões. Quarenta países continuam a depender de assistência externa para o fornecimento de alimentos, dos quais 31 estão na África”, diz a reportagem sobre o relatório no site Climate Home News.

O Relatório da OMM deixa claro que as variações climáticas e os eventos extremos – seca, tempestades, furacões, ciclones – estão impulsionando as crises alimentares no mundo.

Segundo o relatório, 2018 foi o quarto ano mais quente já registrado. E não foram poucas as implicações disto na vida de pessoas comuns. Somente em setembro de 2018, seca, inundações e tempestades provocaram o deslocamento de dois milhões no mundo.

Japão foi castigado por uma forte onda de calor, seguida de tempestades que causaram enchentes. Um recorde de temperatura alta: 41.1 graus registrados na cidade de Kumagaya no dia 23 de julho.

Ondas de calor trouxeram incêndios florestais. Na Suécia, mais de 25 mil hectares foram queimados, o que também atingiu Letônia, Noruega, Alemanha, Reino Unido e Irlanda. Em Atenas, no dia 23 de julho, o fogo se espalhou rapidamente por causa de uma fortíssima ventania. Na Europa Central, o transporte fluvial foi interrompido várias vezes por causa da seca, que também castigou a Austrália, parte da Indonésia e muito severamente o Afeganistão, Paquistão, Uruguai, Argentina. Na América Latina houve neve fora do comum no Chile, Bolívia, Peru e Uruguai. Uma forte tempestade atingiu o Mar Mediterrâneo em setembro, com proporções de ciclone tropical.

As informações sobre os impactos negativos das mudanças climáticas estão à disposição e podem, também, ser lidas com ceticismo quanto ao papel da atividade humana neste processo. É por isso que, já não é de hoje, outro grupo de cientistas se esforça para alterar a Escala do Tempo Geológico, propondo que se entenda a era atual como Antropoceno. Mas esta é uma história mais complexa, que será contada pelo economista José Eli da Veiga em seu novo livro, “O Antropoceno e a Ciência do Sistema Terra” (Ed. 34), sobre o qual trarei notícias em breve.

Fonte: G1

Assine nossa newsletter e tenha acesso as principais notícias do setor


aprobio@aprobio.com.br
Av. Brigadeiro Faria Lima, 1903 - Conj. 91 - Jd. Paulistano - 01452-911 - São Paulo - SP - Tel: 55 11 3031- 4721