Saiba como ajudar a frear o aquecimento global e reduzir seus impactos na saúde

 No Brasil, mortes decorrentes da poluição aumentaram 14% em 10 anos

impacto das mudanças climáticas é real, é preocupante e tem efeitos claros no dia a dia de qualquer pessoa. Tomar medidas urgentes para combater o aquecimento global e seus impactos é um dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) que devem ser implementados por todos os países do mundo até 2030. E chegar lá passa, necessariamente, por entender o problema e colocar em ação meios de solucioná-lo — tarefa que não deve ficar a cargo apenas dos governos, mas de toda a população mundial.

Afinal, uma das implicações mais inquietantes da mudança climática é sobre a saúde humana. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “um clima mais quente e mais variável ameaça provocar a elevação da concentração de alguns poluentes no ar, o aumento da transmissão de doenças por água impura e por alimentos contaminados, o comprometimento da produção agrícola em alguns dos países menos desenvolvidos e o aumento dos perigos típicos dos climas extremos”.

“A perspectiva é desafiadora, mas ainda temos a oportunidade de transformar uma emergência médica iminente no avanço mais significativo para a saúde pública neste século. Precisamos de medidas urgentes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Os benefícios econômicos e de saúde oferecidos são enormes. O custo da inação será contado em perdas evitáveis de vidas em larga escala”, alerta Anthony Costello, coautor do relatório e um dos diretores da Organização Mundial de Saúde.

Parece distante da realidade brasileira? Não se engane. No nosso país, as mortes em decorrência da poluição atmosférica aumentaram 14% em 10 anos, passando de 38.782 óbitos em 2006 para 44.228 em 2016. A constatação é do estudo Saúde Brasil 2018, do Ministério da Saúde, divulgado em junho. As doenças isquêmicas do coração atribuídas à poluição do ar foram responsáveis pelo maior número de mortes. Em seguida, vêm as doenças cerebrovasculares. Houve aumento nas mortes por câncer de pulmão, traqueia e brônquios e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) atribuídas à poluição, tanto entre homens quanto em mulheres.

— As mudanças climáticas são a questão definidora do século 21 — afirmou Enrique Barros, médico e coordenador de meio ambiente na Organização Mundial de Médicos da Família (Wonca, na sigla em inglês), no lançamento do Lancet Countdown em Porto Alegre, relatório que aponta a gravidade do impacto das mudanças climáticas para a saúde.

Preocupada com o aquecimento global, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma agência das Nações Unidas, apresentará em Nova York, nos EUA, um relatório sobre o clima, englobando o período 2015-2019, na Cúpula da ONU para Ação Climática, em setembro.

É para essa conferência que, na última terça-feira, partiu a ativista sueca Greta Thunberg, 16 anos, a bordo de um veleiro de regata – a adolescente se recusa a andar de avião para não contribuir com a emissão de carbono.

Empresários mobilizados contra mudanças climáticas

Com capitalização de mercado total de US$ 1,3 trilhão, 28 empresas estão se preparando para estabelecer um novo nível de ambição climática em resposta a uma campanha promovida às vésperas dessa cúpula da ONU. As empresas (como HP, Natura e Unilever) se comprometeram com metas alinhadas à limitação do aumento da temperatura global de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais e em zerar as emissões líquidas de carbono até 2050.

Quando o corpo diretor de uma empresa compreende os riscos envolvidos nas mudanças climáticas e as oportunidades que elas oferecem, a tendência é de que a empresa passe a analisar todos os seus negócios sob essa luz.

MARINA GROSSI

Presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável

O compromisso das 28 empresas tem como base as preocupações apontadas pelo mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que alertou para as catastróficas consequências caso o aquecimento global ultrapasse 1,5 °C.

— Quando o corpo diretor de uma empresa compreende os riscos envolvidos nas mudanças climáticas e as oportunidades que elas oferecem, por exemplo, de novos investimentos rentáveis na mitigação de emissões e precificação de carbono, a tendência é de que a empresa passe a analisar todos os seus negócios sob essa luz — avalia Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

Há, claro, muitos desafios envolvidos. O primeiro, explica Marina, é fazer com que a empresa compreenda que a transição para uma economia de baixo carbono é necessária porque o negócio pode sofrer com as mudanças climáticas decorrentes das suas próprias emissões. O segundo ponto é mostrar a essa empresa as inúmeras oportunidades de negócios decorrentes da transição energética:

— É uma questão de sobrevivência para a empresa atrair os olhos do investidor cada vez mais criterioso na escolha de onde aplicar seu capital, uma vez que precisam ter a segurança do retorno de seus investimentos — completa ela, que cita, entre os riscos envolvidos, o aumento de custos de produção, a preferência do consumidor por produtos com menos carbono e o aumento da competitividade devido à adoção de alternativas tecnológicas nos processos produtivos.

O combate às mudanças climáticas está unindo as principais organizações sociais, econômicas e políticas do mundo. São iniciativas que, em geral, contam com o apoio da população. Falta, ainda, que cada vez mais todos façam a sua parte – e que os governos, independentemente de quem estiver no poder, também se unam em torno dessa causa.

Faça a sua parte

Desde 2016, prestigiadas instituições acadêmicas de todos os continentes publicam anualmente o relatório The Lancet Countdown sobre Saúde e Mudanças Climáticas. Reunindo um total de 41 indicadores, o documento alerta para o risco que os sistemas de saúde correm se os governos e a sociedade não agirem rápido para frear o aquecimento global.

Entre as iniciativas recomendadas, estão regulamentações trabalhistas mais fortes, que protejam os trabalhadores de extremos de calor, e maior investimento em infraestrutura de hospitais e centros e saúde. O relatório é elaborado por uma equipe multidisciplinar, composta por climatologistas, economistas, engenheiros, especialistas em energia, sistemas de alimentação e transporte, geógrafos, matemáticos, profissionais de saúde e cientistas sociais e políticos.

Você também pode colaborar. Pequenas ações, repetidas diariamente, podem reduzir nossa pegada de carbono. Quanto mais pessoas agirem, maiores serão os impactos.

1. Produza menos lixo

u Evite comprar produtos com muitas embalagens e sempre recicle o que for possível. A decomposição do lixo libera CO2 e metano, gases que contribuem para o efeito estufa. Em um sistema de decomposição mais ideal, esses gases são aprisionados e utilizados para produzir eletricidade.

2. Use transporte público

u A queima de combustíveis fósseis pelos meios de transporte é a principal fonte de emissão de gases do efeito estufa nas cidades. Assim, utilizar transporte coletivo contribui para amenizar a emissão desses poluentes, além de diminuir os congestionamentos e otimizar o tempo de todos.

3. Consuma produtos locais

u Esses itens não necessitam ser transportados a longas distâncias e, portanto, dispensam as emissões de gases do efeito estufa que os caminhões geram ao rodar centenas e centenas de quilômetros.

4. Modere no ar-condicionado

u Os aparelhos liberam gases do tipo HFC, mais potentes que o CO2 quando se trata de prender os gases do efeito estufa na atmosfera. Ou seja, ao mesmo tempo em que resfriam o interior de ambientes, contribuem para aumentar a temperatura no exterior.

Fonte: Gaúchazh

Emissão de gases causadores do efeito estufa é recorde em 2018

Relatório da Sociedade Americana de Meteorologia em parceria com a Agência Climática do governo americano também mostra que foi recorde o derretimento das geleiras

A emissão de gases causadores do efeito estufa na atmosfera atingiu um recorde histórico em 2018. A conclusão está num estudo divulgado pela Sociedade Americana de Meteorologia em parceria com a Agência Climática do Governo Americano.

Está no relatório e você viu: as chuvas transformaram o Rio de Janeiro num caos. Em Belo Horizonte choveu em 20 minutos o que deveria chover em um mês. Quando o JN fez uma reportagem no interior do Ceará em 2015, o que todo mundo achava era o seguinte: “” coisa mais difícil que eu já vivi na vida foi essa seca, que estamos nela”.

Mas o relatório mostra que, desde então, o solo por lá só ficou mais seco. Pode parecer história velha: que sempre choveu no Rio e teve seca no Nordeste. Mas o grande retrato das mudanças climáticas são exatamente esses extremos.

O relatório foi feito a partir de estudos de 475 cientistas em 57 países, incluindo o Brasil. Derek Arndt é chefe de Monitoramento Global do Clima da Agência Climática Americana, e um dos autores. Ele explica que esses fenômenos registrados no Brasil estão ocorrendo no mundo todo.

É porque, com o aquecimento da Terra, a água evapora mais rápido e causa seca e chuva extremos. Os cientistas estão certos de que isso acontece porque a gente nunca lançou tantos gases causadores do efeito estufa na atmosfera.

Por causa, principalmente, da emissão de três gases principais: dióxido de carbono, que vem principalmente da queima de combustíveis fósseis; metano, que vem principalmente da agricultura e da extração de petróleo e gás natural; e óxido nitroso, que fica mais de 100 anos na atmosfera, e os cientistas atribuem ao uso de fertilizantes à base de nitrogênio.

O relatório mostra que 2018 foi o ano recorde de emissão desses gases e a capacidade de eles piorarem o aquecimento global aumentou em 43% desde 1990. Os Estados Unidos são o segundo país que mais contribui para isso, atrás da China. Hoje, 22 estados americanos e sete cidades processaram o governo de Donald Trump por agravar problema.

O governo de Barack Obama impôs taxas à emissão de gás carbônico para produção de energia, o que prejudicou principalmente as usinas de carvão, que poluem muito. O presidente Trump reverteu essa decisão.

O professor Richard Revesz, da Universidade de Nova York, disse que o governo agiu ilegalmente ao tentar derrubar a ação do governo de Obama, que já nem era suficiente para resolver o problema.

Enquanto isso, o relatório também mostra que foi recorde o derretimento das geleiras. E recorde também no aumento do nível dos oceanos. Cidades ricas como Vancouver, no Canadá, já decretaram estado de emergência climática e fazem planos para remover a população no caso da água invadir a cidade.

Richard diz que quem vai sofrer mais são países pobres. O professor diz que já passou da hora de a gente mudar nossos hábitos de vida e que cidadãos precisam pressionar seus governos para que ajam com responsabilidade em relação ao nosso atual estado de emergência.

Fonte: G1

Aquecimento global põe em risco a espécie humana

Para colunista, temperaturas altíssimas no verão europeu deveriam servir de alerta para aqueles que negam verdades científicas

As altas temperaturas que atingiram cidades europeias nos últimos dias – Paris chegou a registrar mais de 42 graus centígrados – chamaram a atenção do colunista Pedro Dallari. Para ele, essas temperaturas recordes deveriam servir de alerta para aqueles que, como o governo brasileiro, negam verdades científicas como o aquecimento global e o risco do desmatamento.

“São situações que podem ser irreversíveis. O desmatamento na Amazônia e o aquecimento do planeta são temas interligados, que podem ter consequências sérias para a humanidade”, afirma Pedro Dallari, dando continuidade em sua coluna às questões ambientais.

Para o professor, o aumento das temperaturas da atmosfera da Terra e das águas dos oceanos leva ao chamado efeito estufa. “Isso prejudica drasticamente o ecossistema terrestre, o que pode representar um risco para a própria sobrevivência da espécie humana.”

Fonte: Jornal da USP

Aquecimento global é real para 89% no País, aponta Datafolha

Resultado mostra que a maioria da população do país está alinhada com os elementos centrais do consenso científico sobre o tema

Na opinião de 89% dos brasileiros, o planeta está se aquecendo, e 72% concordam que as atividades humanas contribuem muito para o fenômeno. A parcela das pessoas que se dizem bem informadas sobre a mudança climática, porém, é menor hoje do que na década passada, revela pesquisa Datafolha.

O resultado mostra que a maioria da população do país está alinhada com os elementos centrais do consenso científico sobre o tema. O IPCC (painel do clima da ONU) concluiu em seu quinto relatório de avaliação, em 2014, que o aquecimento global é “inequívoco” e que é “extremamente provável” que sua causa tenha origem humana, sendo esta o aumento nas emissões de gases do efeito estufa.

A pesquisa também detectou que o grau de aceitação da mudança climática -e de suas causas antropogênicas- é mais alto entre as pessoas com maior escolaridade. A pesquisa ouviu 2.086 pessoas em 130 municípios do país no início deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Em 2010, 34% dos brasileiros diziam estar bem informados na época, e são 28% os que dizem estar em 2019. O número de pessoas que disse nunca ter ouvido falar de aquecimento global subiu de 10% para 11% no mesmo período. Apesar da parcela relativamente alta de pessoas que ainda não aceitam a conclusão da ciência sobre o tema, cientistas veem com otimismo o fato de que ela é abraçada pela maioria.

“É uma excelente noticia o fato de que a população tem um alto grau [85%] de entendimento de que as mudanças climáticas estão entre nós”, diz o físico Paulo Artaxo, um dos climatólogos mais influentes do Brasil e coautor do último relatório do IPCC. “Isso mostra o óbvio: a população observa o que está realmente acontecendo com o clima da Terra.”

Na opinião do cientista, a comunicação do tema ainda pode melhorar na mídia e entre os próprios cientistas e reduzir a parcela daqueles que negam o aquecimento global é uma meta possível, mas a origem do problema não é necessariamente acadêmica. “O combate às mudanças climáticas mexe com poderosos interesses econômicos, entre eles o do agronegócio brasileiros por causa da devastação da Amazônia e dos grupos econômicos predominantes no Brasil”, diz Artaxo.

Entre as pessoas que avaliam bem o governo de Jair Bolsonaro (PSL), a porcentagem de aceitação da mudança climática é maior –86%, contra 81% daqueles que o reprovam. Ao mesmo tempo, Bolsonaro foi o único entre os cinco candidatos mais bem votados na eleição de 2018 a ter negado o aquecimento global e sua origem humana.

Dada a alta aceitação do consenso científico sobre a mudança climática, resta saber quanto isso poderá afetar a agenda do governo, que tem se mostrado hostil ao clima. Um decreto de Bolsonaro em janeiro extinguiu a subsecretaria do Ministério das Relações Exteriores que cuidava de questões relativas ao ambiente e à mudança climática.

Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, coalizão de ONGs que se dedicam ao tema, acha pouco provável um recuo em relação ao tema. Depois do início do governo, Bolsonaro já havia voltado atrás em algumas promessas controversas, como a de tirar o Brasil do Acordo de Paris, que exige redução na emissão de gases do efeito estufa. “Mas a manutenção do Brasil no acordo do clima foi por interesses comerciais”, diz Rittl. “A opinião pública é relevante, mas não é suficiente.”

Para ele, o fato de a avaliação do presidente Bolsonaro ter tido pouco peso na pesquisa do Datafolha é um sinal de que a onda de direita da última eleição presidencial não tem tanto a ver com a negação do aquecimento global. “A questão das mudanças climáticas não é de direita ou esquerda”, afirma Rittl. “O Fórum de Davos classificou como riscos para a economia global vários riscos associados ao clima, e grandes empresas seguradoras também fizeram isso.”

O desconhecimento sobre o aquecimento global pode ter relação com a educação, mas não necessariamente o problema está na escola. “A mudança climática é um tema que está presente nos livros didáticos, e os professores tratam disso”, diz o geógrafo e educador Eustáquio de Sene, autor de várias coleções de obras didáticas. “Um problema é que, com a fragmentação das fontes de informação e do conhecimento na internet e nas mídias sociais, o professor deixou de ser o centro da difusão do conhecimento.”

Como as pessoas se deixam influenciar pelo que figuras de autoridade dizem sobre o tema, Sene diz crer que declarações do presidente e de ministros atacando o conhecimento científico tem um efeito nocivo no público. Na pesquisa Datafolha de 2010, o número de quem acreditava no aquecimento global era um pouco maior (90% contra 85% agora). E também mais gente aceitava o aquecimento antropogênico (85% contra 72% agora). Diferenças metodológicas não permitem dizer que houve efetivamente uma redução, mas não houve sinais de melhora.

Artaxo diz crer que a opinião pública tem, em contrapartida, a capacidade de mudar os formuladores de política. “Sim, há esperança de que a pressão popular possa mudar o atual panorama do sistema que defende somente o interesse das indústrias associadas aos combustíveis fósseis”, diz.

Os três especialistas entrevistados pela Folha sobre a pesquisa concordam que melhorar a difusão das informações sobre a mudança climática é algo que passa, em alguma medida, pela educação, pelas comunicações e pela política.

Fonte: Folha PE

Reflexos do aquecimento global para a economia brasileira

Especialistas explicam como as mudanças climáticas podem trazer prejuízos na agricultura, pecuária, geração de energia e, consequentemente, ao PIB

Reduzir a emissão de poluentes na atmosfera, diminuir os impactos à biodiversidade e ao clima e intensificar ações de preservação ambiental para garantir que a economia brasileira prospere nas próximas décadas. Esse é o caminho apontado por pesquisadores da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

Sem essa preocupação estratégica, tudo indica que haverá impacto da produção agropecuária e industrial, com produtos ainda mais caros para a população. É possível, contudo, adotar medidas para que as consequências do aquecimento global não prejudiquem o setor econômico do país.

O climatologista Carlos Nobre, doutor pelo Massachusetts Institute of Technology e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, alerta que caso o Acordo de Paris, que visa frear as emissões de gases de efeito estufa no contexto do desenvolvimento sustentável, não seja cumprido, o Brasil deixaria em pouco tempo de ser a potência agrícola que é hoje.

“Se a temperatura subir entre 3°C e 4°C, o Brasil não terá mais condições de manter uma expressiva produção agrícola. Talvez apenas a Região Sul tenha alguma condição. A pecuária também vai cair muito”, afirma Nobre.

O Brasil sofreria, portanto, impactos significativos na produção de alimentos e, por consequência, nas exportações.

O secretário-executivo do Observatório do Clima e membro da Rede de Especialistas, Carlos Rittl, ressalta que pode ocorrer uma mudança na geografia agrícola do país pela perda de aptidão de solos agrícolas a determinadas culturas devido às mudanças nos padrões de temperatura e pluviosidade a geográfica agrícola brasileira.

“Algumas regiões terão perda de aptidão para diferentes culturas, gerando até a inviabilidade de produção. Há casos de produtores de café em Minas Gerais que já estão migrando para outros cultivos”, relata.

Escassez à vista

Com a agricultura e a pecuária sofrendo os impactos decorrentes do aquecimento global, o PIB brasileiro também será afetado. O agronegócio representa cerca de 23% do PIB nacional. Seria, portanto, um círculo vicioso que afetará toda a sociedade. Como consequência da escassez de produção agrícola, os preços das mercadorias em supermercados e feiras deverão se tornar mais caros para o consumidor final e perda de competitividade nos mercados internacionais.

A alteração climática gerará ainda outros impactos. Um deles é que terá maior tendência em aumentar o fluxo migratório de pessoas que deixarão o interior para morar em capitais. Afinal, com a produção agrícola em queda, as pessoas buscarão outras fontes de renda.

“Este êxodo rural tem uma série de implicações, inclusive para a capacidade das cidades de oferecer serviços públicos adequados para aqueles que fogem das regiões cujo clima se tornou impróprio para a subsistência das famílias”, ressalta Rittl.

Falta d’água

Ainda conforme Rittl, a possibilidade de escassez de água é outro efeito que merece atenção.

“Além de afetar diretamente a população, a falta de água impacta setores econômicos importantes, como a produção de alimentos e a geração de energia. A agricultura brasileira consome cerca de 2/3 da água produzida no país. E as hidrelétricas dependem das chuvas que abastecem os rios que movem as turbinas. Em determinados cenários, há rios da Amazônia, onde se planeja a construção de grandes hidrelétricas que podem perder 30% ou mais da vazão pela perda de chuvas em suas bacias. Isto torna os empreendimentos inviáveis”, ressalta.

Para compensar os baixos reservatórios, usinas termoelétricas serão mais acionadas, gerando mais poluentes e mais caras para operar.

“Hoje, quando os reservatórios das hidrelétricas, estão em baixa, são acionadas termelétricas que emitem gases de efeito estufa, agravando o problema do aquecimento global, e que têm um custo elevado para as famílias e para a economia” completa o especialista.

Saúde

A saúde é outra área que terá impacto decorrente da mudança climática e ambiental. Quanto mais emissão de poluentes, mais pessoas ficarão doentes, especialmente crianças e idosos.

“Temperaturas muito elevadas podem gerar graves problemas de saúde para a população, em especial os mais idosos e bebês, em especial doenças cardiorrespiratórias. Mas as doenças transmitidas por mosquitos, como zika, dengue, Chikungunya, febre amarela e malária, entre outras, podem ter sua área de ocorrência ampliada e levar a muito mais casos. Além disso, a falta ou o excesso de chuvas leva ao consumo de água impropria ou contaminada pela população, o que aumenta os riscos de outras doenças. Além do impacto para a saúde do ser humano, os custos para a saúde pública também irão aumentar”, afirma Rittl.

Adaptação

A mudança climática já é uma realidade. Para isso, é necessário que haja um processo de adaptação. Uma das estratégias, como explana Nobre, é a restauração florestal.

“As árvores são essenciais para retirar o excesso de gás carbônico que produz o aquecimento global pelo efeito estufa da atmosfera”, afirma.

Além disso, estudos recentes confirmam que a restauração florestal em bacias hidrográficas é uma estratégia para garantir a segurança hídrica e reduzir os custos com o tratamento da água. Nesse caminho, é fundamental o Brasil cessar o processo de desmatamento.

Poluição

Outro ponto que Nobre ressalta é a necessidade de uma redução na emissão de poluentes na atmosfera. Para tanto, a matriz energética e o transporte devem ser revistos.

“Para o transporte a saída é utilizar carros, caminhões e ônibus movidos à eletricidade. O Brasil está atrasado neste sentido. Mas isso irá acontecer no país”, afirma.

Atualmente, a maioria dos meios de transporte no Brasil usa gasolina ou diesel, que emitem gás carbônico e vários poluentes que impactam a saúde. Ele também acredita ser fundamental apostar em fontes de energia renováveis, como a solar e a eólica.

“O Brasil tem potencial para isso. As usinas hidrelétricas existentes funcionariam como uma espécie de enorme bateria que seria acionada quando necessário. É preciso apostar nisso até chegar a condição que todas as pessoas tenham uma pequena usina em casa, gerando sua própria energia elétrica”, aponta Nobre. Isso já é realidade para cerca de 40 mil brasileiros, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Fonte: Destak

Cyberpunk 2077: Game demonstrará resultados do aquecimento global

Eventos climáticos estarão presentes no mundo de Cyberpunk 2077

Cyberpunk 2077 apresentará uma cidade totalmente tecnológica, entretanto, repleta de poluição devido às péssimas condições que a humanidade se encontra. Afinal, é Cyberpunk. Assim, este aspecto é algo mais do que garantido.

Dito isso, Cyberpunk 2077 promete levar a sério as condições a qual sua cidade se encontra. Nas pouquíssimas vezes que vimos o game em ação – ou em trailer, ou em gameplay – notamos que Night City se traduz a total poluição. Assim, de acordo com o estúdio, esta situação terá consequências que afetarão diretamente o mundo do game.

Em uma recente entrevista cedida ao site WCCFTech, o diretor UI, Alvin Liu, detalhou como as péssimas condições ambientais em Night City afetará o mundo de CP 2077. De acordo com o diretor, a cidade estará sujeita a chuvas ácidas decorrentes a irresponsabilidade ambiental. Sobretudo, esta reação climática afetará os NPC’s e os mesmo responderão de forma natural.

Sim, teremos chuva ácida. Night City é uma cidade muito poluída e estamos explorando esse tipo de coisa, poluição e aquecimento global e tudo mais. Sim, vai acontecer como em The Witcher 3. Quando a chuva chegava, as pessoas procuravam abrigo. Geralmente, estamos tentando tornar os NPCs muito convincentes, queremos que este seja um mundo em que as pessoas realmente vivam.” , disse Liu.

Embora confirmado a existência de climas dinâmicos em CP 2077, não foi dito se teremos inverno em Night City. A cidade pertence ao estado livre do norte da Califórnia. Bem como, está localizada na costa oeste do Estados Unidos, na Baía de Del Coronado. Desta forma, se levarmos em consideração as condições climáticas reais da localidade a qual Night City foi inspirada, há a possibilidade de presenciarmos o inverno no game.

Cyberpunk 2077 chega às lojas em 16 de Abril de 2020 para PS4Xbox One e PC.

Fonte: Combo Infinito

Recorde de calor no local habitado mais perto do Pólo Norte: temperatura 15 graus acima do normal

Alert, o lugar permanentemente habitado mais setentrional do planeta, está a registar um recorde de calor. No domingo, o termómetro chegou aos 21 graus centígrados — a média para julho é de 3,4

Alert, no Canadá, é o lugar permanentemente habitado mais setentrional do planeta, e no passado domingo alcançou os 21 graus centígrados, escreve o El País. Isto é significativo se se considerar que em Alert — que se encontra a menos de 900 quilómetros do Pólo Norte — a temperatura média para o mês de julho tende a ser 3,4 graus (a máxima é de 6,1 graus).

Trata-se, portanto, do recorde máximo de calor para o verão boreal desde que há registo, segundo informou na passada quarta-feira o instituto de meteorologia canadiano. Alert, continua o jornal espanhol, é uma base militar estabelecida para intercetar comunicações russas e dispõe de uma estação meteorológica desde 1950. Ali vivem menos de 100 pessoas, entre militares e civis, sendo que a cidade mais próxima é Toronto, a mais de 4 mil quilómetros de distância.

Se no domingo a temperatura alcançou os 21 graus, no dia anterior os termómetros marcavam os 20 graus, o que era, até então, o recorde máximo (estabelecido a 8 de julho de 1956). “É um recorde absoluto, nunca o tínhamos visto”, declarou à agência AFP Armel Castellan, meteorologista do Ministério do Meio Ambiente do Canadá, que considera estes dados “impressionantes” do ponto de vista estatístico e mais uma prova do aquecimento global.

Fonte: Ariquemes Online

Emissões de CO2 atuais devem aumentar em 1,5°C a temperatura da Terra

Para que a temperatura do globo terrestre fosse considerada estável até o ano de 2050, as emissões atuais de CO2 (gás carbônico) deveriam se aproximar de zero até lá. Entretanto, a infraestrutura já comprometida do globo sofrerá ainda mais com a contínua expansão do uso de combustíveis fósseis, os principais emissores de CO2 na atmosfera.

De acordo com um novo artigo publicado na revista Nature, há uma grande possibilidade de que a temperatura ainda passe dos 1,5° C definidos no acordo do clima de Paris. E isso mesmo se não fossem construídas mais qualquer instalação energética, fábrica, eletrodomésticos ou carros.

Consequências

Como aponta um estudo publicado na MIT Technology Review, caso ocorra esse aquecimento superior aos 1,5° C na temperatura do planeta, cerca de 70% dos recifes de corais seriam destruídos, cerca de 500 mil quilômetros quadrados do gelo ártico derreteriam e 14% da população mundial sofreria com índices alarmantes de ondas de calor.

Para os pesquisadores, uma saída viável seria o desenvolvimento de ferramentas capazes de retirar o dióxido de carbono do ar e melhorias com a modernização das instalações existentes, ao passo que se encerrasse as atividades. Nenhuma dessas soluções é barata, mas são a melhor alternativa para uma situação que poderá ser ainda pior.

Fonte: Tec Mundo

Derretimento de geleira da Antártica pode se tornar irreversível, sugere pesquisa

Processo pode elevar o nível do mar em 50 centímetros

A instabilidade na geleira de Thwaites, na Antártica Ocidental, enfrentará um ponto irreversível em seu processo de derretimento, mesmo se o aquecimento global diminuir. Isso é o que sugere pesquisa financiada pela Nasa e publicada na revista Proceedings of National Academy of Sciences, dos Estados Unidos. As informações são do jornal inglês The Guardian.

Simulações sugerem que a extensa perda de gelo teria início em 600 anos, mas os pesquisadores disseram que isso poderia ocorrer mais cedo, dependendo do ritmo do aquecimento global e da natureza da instabilidade. Ao The Guardian, Hélène Seroussi, cientista de laboratório de propulsão a jato da Nasa, disse que este cenário pode se tornar realidade nos próximos 200 a 600 anos, dependendo da topografia do leito rochoso sob o gelo. Porém, esta afirmação é difícil de precisar.

Influência da geleira no nível do mar

A Antártica tem quase oito vezes mais gelo terrestre do que a Groenlândia e 50 vezes mais do que todas as geleiras de montanha combinadas. Os pesquisadores descobriram que uma estimativa precisa de quanto gelo a Thwaites lançaria nos próximos 50 a 800 anos não seria possível devido a flutuações climáticas e limitações de dados imprevisíveis.

No entanto, 500 simulações diferentes apontaram para a perda de estabilidade. Isso aumentou a incerteza sobre o aumento futuro do nível do mar, mas tornou os piores cenários mais prováveis.  Uma perda completa da camada de gelo da Antártica Ocidental poderia aumentar o nível do mar global em cerca de cinco metros, fazendo com que as cidades costeiras do mundo ficassem submersas.

Gelo no mar

Outro estudo divulgado na mesma revista, na semana passada, sugere que o gelo do mar Antártico foi aumentando gradualmente durante 40 anos de medição e atingiu um máximo recorde em 2014, antes de cair acentuadamente. A causa da reviravolta abrupta não foi estabelecida.

Ao contrário do derretimento das camadas de gelo em terra, o derretimento do gelo no mar não eleva o nível do mar, mas a perda do gelo branco faz com que mais calor do sol seja absorvido pelo oceano, aumentando o ritmo de aquecimento.

Fonte: Gauchazh

Aquecimento global: Cidades declaram estado de emergência climática

Mera política simbólica ou uma guinada verdadeira? Nos últimos anos, um número cada vez maior de cidades vem declarando as mudanças climáticas como uma emergência. Pioneiros foram prefeituras na Austrália (2016), Estados Unidos (2017), Canadá e Reino Unido (2018).

Em 2019 o movimento também chegou ao continente europeu: os parlamentos nacionais do Reino Unido, Irlanda, França e Portugal também aprovaram recentemente resoluções definindo as mudanças climáticas como ameaças graves.

Na Alemanha, a cidade de Constança, na fronteira com a Suíça, foi a primeira a declarar emergência climática. O exemplo foi seguido por mais de 45 municipalidades do país, entre elas, as de metrópoles como Düsseldorf, Münster, Aachen, Bonn, Kiel e Saarbrücken.

De acordo a Aliança Climática Hamm, mais de 100 conselhos municipais da Alemanha pretendem discutir e votar pedidos de emergência climática nas próximas semanas. A rede de proteção climática Declaração de Emergência do Clima e a Mobilização em Ação registra que mais de 700 cidades em todo o mundo já proclamaram emergência climática.

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