Nova York vai proibir construção de arranha-céus espelhados? Entenda a polêmica

Prefeitura da cidade norte-americana precisa reduzir pegada de carbono e prefeito anunciou que, uma das formas encontradas, é evitar a construção de prédios com fachadas do tipo de vidro e aço.

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, realizou uma entrevista coletiva em abril para anunciar a implementação do NYC’S Green New Deal, o plano de ação da cidade para reduzir a emissão de poluentes e diminuir a pegada de carbono da cidade, entre outras medidas voltadas a sustentabilidade e conscientização ecológica da situação.

Entre as iniciativas propostas pelo plano, uma fala do prefeito chamou a atenção do público e da imprensa internacional nas últimas semanas: a de que a cidade não vai mais permitir a construção de prédios com fachada de vidro e aço, os famosos edifícios espelhados.

Na declaração, de Blasio diz que as medidas afetarão especialmente alguns prédios que não deveriam ter sido construídos nunca, para começo de conversa. “Nós vamos introduzir uma legislação para banir os arranha-céus de vidro e aço, que contribuem tanto para o aquecimento global. Eles não têm mais lugar na nossa cidade ou no nosso planeta”, cravou o prefeito, declarando guerra a este tipo de construção.

O motivo do embate é o impacto ambiental deste tipo de prédio, que segundo o prefeito, contribuem imensamente para o aquecimento global. “Por que estamos tão focados em prédios? Porque eles são a causa número um de emissão de gases de efeito estufa. Não são carros, são os prédios”.

Com resistência do mercado imobiliário, a cidade aprovou uma lei que impõe multas de até um milhão de dólares por ano para quem não cumprir as regras do novo acordo. A declaração – e a lei em si – causaram polêmica e resistência no setor dentro e fora de Nova York, já que os gigantes prédios espelhados são parte importante da paisagem local, gerando uma das skylines mais famosas do mundo.

A aplicação da mesma, no entanto, não será tão fácil e a cidade deve encontrar resistência por toda a parte. A colunista da revista internacional Architectural Digest, Audrey Gray, escreveu em seu espaço na publicação que, embora seja “forte em sentimento”, contém “mais latida do que mordida”. “Não haverá uma proibição total do vidro e do aço para novas construções, mas haverá certos padrões de eficiência energética que os edifícios terão de cumprir, cujas especificidades ainda não estão claras”, escreveu ela.

Os comentários do prefeito surpreenderam muitos arquitetos da cidade, segundo ela, especialmente por conta dos recentes avanços nas técnicas de construção ecológica. “Os projetistas agora podem criar mais torres de carbono neutro usando todos os tipos de materiais, incluindo painéis de vidro.”

A própria fala seguinte do prefeito na coletiva já esclarece a polêmica: “Se uma companhia quer construir um grande arranha-céu, ela pode usar todo o vidro que quiser, se ela fizer todas as coisas que precisa para reduzir as emissões, mas construir monumentos que prejudicam o planeta e ameaçam nosso futuro, isso não vai mais ser permitido na cidade de Nova York”.

Em outras palavras, não se trata exatamente de um banimento deste tipo de construção, mas de uma intensificação na vigilância para que as os prédios passem a se preocupar, obrigatoriamente, com a emissão de gases de efeito estufa.

Um grande acordo municipal
Para inspirar os empresários do setor, a prefeitura vai começar a mudança pelos próprios edifícios, investindo 3 bilhões de dólares na reforma de prédios públicos para torná-los menos poluentes. Ao todo, o Green New Deal vai custar aos nova-iorquinos U$ 14 bilhões.

“É a primeira grande cidade no planeta a exigir que seus prédios parem de emitir tantos poluentes perigosos. Agora é lei que nossos prédios devem fazer a coisa certa pelas pessoas dessa cidade”, complementou de Blasio na coletiva.

O objetivo de Nova York com este plano é o de reduzir em pelo menos 30% as emissões de gases de efeito estufa até 2030.

Veja a entrevista coletiva na íntegra:

Fonte: Gazeta do Povo

Cientistas projetam máquina capaz de reverter o aquecimento global no Ártico

Os profissionais da Universidade Nacional de Ciência e Tecnologia do Taiwan desenvolveram uma tecnologia que capaz de desacelerar o derretimento das geleiras

Quando a arquitetura assume a missão de salvar o planeta dos danos causados pelo homem, surgem projetos inovadores, fundindo tecnologia, design e sustentabilidade. Os cientistas Yiyang Xu e Jingyi Ue, da Universidade Nacional de Ciência e Tecnologia do Taiwan projetaram uma torre que cumpre a função de salvar o Ártico do derretimento das gelereiras.

A partir da ideia de prolongar o inverno na região, a construção seria ativada todos os anos, no mês de abril, época em que o gelo começa a derreter. O mecanismo usado para barrar esse fenômeno, seria, portanto, congelar a água do mar em regiões estratégicas. Para isso, uma moldura que circula a torre comecaria a rotacionar, enquanto a unidade submersa no mar absorveria água para congelar e tratar o líquido.

Ao criar tal solução, os pesquisadores consideram que os animais polares alterariam o seu período de migração. Por isso, uma base fixa na parte externa da estrutura ajudaria os ursos polares em seu período de transição entre os lugares, da mesma forma que os icebergs.

O projeto já foi nomeado para os prêmios Golden Pin Design Award e The Index Project. Resta saber se é uma solução viável e eficiente o bastante para reverter o aquecimento global nas regiões polares.

Fonte: Casa e Jardim

Por que ainda duvidam da mudança climática?

Miami lançou projeto contra enchentes

4 morreram por alta temperatura na Índia

Quase por unanimidade, a comunidade científica confirma a veracidade da mudança climática. Eis os principais fatos. A média da temperatura global aumentou 0,9˚ C desde o século 19. O estudo da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês) mostra que, nos últimos 100 anos, a temperatura da superfície do oceano aumentou 0,13˚C por década. Entre 1993 e 2016, as geleiras da Groenlândia e Antártica perderam em média, 286 e 127 bilhões de toneladas de gelo, respectivamente. Todo esse gelo derretido causou o aumento de 20,32 cm no nível do mar e consequentemente elevou o risco da ocorrência de furacões, ciclones e tsunamis.

Mesmo diante de tantas evidências atestadas pela ciência, tem muita gente que não acredita na mudança climática. Assim como em pleno século 21 existem os terraplanistas, pessoas que não acreditam em vacinas e aqueles que duvidam que o homem pousou na lua, duvidar da mudança climática é como viver em um universo paralelo.

Figuras predominantes na política como o presidente Donald Trump, e o secretário de estado americano, Mike Pompeo, são conhecidos por negar esse fenômeno. Em vídeo propagado no Twitter, o deputado Eduardo Bolsonaro insiste no velho discurso de que é preciso ver para acreditar. Ele aposta na ideia simplista de que se os invernos continuam frios e os verões quentes, portanto, não existiriam provas suficientes para acreditar no aquecimento global.

A verdade é que milhões de pessoas já sofrem as graves consequências dos seus efeitos da mudança do clima. E pouco importa se houve mais ou menos neve em um ano. A mudança climática trata da variação dos padrões do clima. É a desorganização de um sistema, com impactos diversos no planeta. Em Miami, o governo lançou um projeto de infraestrura que custou USD 400 milhões para prevenir enchentes devido ao aumento do nível do mar. No Oriente Médio, as secas estão cada vez mais dominantes, o que está levando ao desaparecimento de rios. No continente africano, fazendeiros estão sendo forçados a migrar devido à baixa produtividade das lavouras e o risco de enchente.

O argumento que atividades humanas não são responsáveis pelo aquecimento global também é bastante comum. Segundo uma pesquisa realizada este ano pela Universidade de Yale, 14% dos eleitores americanos não acreditam que atividades humanas causem o aquecimento global.

De acordo com a NASA, a emissão de CO2 na atmosfera registra elevação desde a Revolução Industrial e hoje atinge os níveis mais altos da história. Negar que o CO2 é um gás de efeito estufa (GEE) e que contribui para o aumento da temperatura na atmosfera é como acreditar que a terra é plana. Em uma tentativa de impor o conceito de plausible deniability, o cidadão que acredita nessa tese se livra da responsabilidade de mudar seus próprios hábitos. A mudança de hábito, afinal, exige novas atitudes e custa dinheiro, dois fatores que geram resistência.

Outro ponto utilizado pelos céticos da mudança climática é jogar para o futuro os danos causados pelo fenômeno. Basta observar vídeos de geleiras derretendo para perceber que a mudança climática está acontecendo agora. Nos últimos dias, as temperaturas chegaram a 48˚ C na Índia e quatro pessoas morreram dentro de um trem sem ar condicionado. Muitos estudos revelam que o custo benefício da prevenção é muito maior do que o custo para reparar os efeitos devastadores do aquecimento global. Vale a pena investir na prevenção.

Não acreditar na mudança climática é obscurantismo. Acreditar que a crise climática está no futuro distante é ignorância. Negar que as atividades humanas interferem no aquecimento global é se acomodar.  Os fatos são claros e as informações estão disponíveis. É preciso agir.

Fonte: Poder 360

Níveis de CO2 na atmosfera crescem pelo sétimo ano consecutivo

Dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), mostram queo nível de gás carbônico na atmosfera da Terra cresceu pelo sétimo ano consecutivo. No último mês de maio, os níveis médios de emissão foram de 414,7 partes por milhão ( ppm), a maior marca desde 1958.

As informações, que foram coletadas do observatório Mauna Loa Atmospheric Baseline, do Havaí, indicam ainda que houve do ano passado para para cá um aumento de 3,5 partes por milhão (ppm) nas emissões de CO2, um dos principais gases responsáveis pelo efeito estufa.

“Essas medições são referentes à atmosfera real. Elas não dependem de nenhum modelo, mas nos ajudam a verificar as projeções, que tem subestimado o ritmo crescente das mudanças climáticas observadas”, escreveu em comunicado Pieter Tans, cientista da Global Monitoring Division da NOAA.

Os picos de emissão de CO2 ocorrem geralmente em maio e após meses nos quais são feitas plantações de soja que liberam o gás na atmosfera. Dados coletados ao longo dos anos no Mauna Loa Atmospheric Baseline revelam médias de aumento das emissões anuais que foram de 0,7 ppm até 1,6 ppm, na década de 1980. Esse número caiu em 1990 (1,5ppm) para aumentar ainda mais na última década, quando as emissões médias variaram de 2,2ppm para 400 ppm ( maio de 2014).

Com o aumento das emissões de gás carbônico e outros gases do efeito estufa, o aquecimento global tem alcançado um nível crítico: o Painel Internacional de Mudanças Climáticas alerta que apenas um aumento de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais antes de 2100 pode significar riscos sérios à vida. Já um relatório publicado pelo Centro Nacional de Descoberta do Clima da Austrália prevê ainda que as mudanças climáticas podem levar o colapso da humanidade até 2050.

Fonte: Galileu

Aquecimento global: perguntas e respostas

‘Aquecimento global: perguntas e respostas’ constitui um levantamento do Ciência e Clima a respeito da pesquisa em ferramentas de busca dos internautas brasileiros. Identificamos as perguntas mais comuns na internet quando o assunto é aquecimento global.

A partir daí, elaboramos esse pequeno guia composto por 14 perguntas e respostas. Ainda não sabe o que é o aquecimento global? Ouviu falar de controvérsia? Agora ficou fácil tirar suas dúvidas. Siga os links do texto para ver informações mais detalhadas, ou então explore os artigos do site.

1. O que é o aquecimento global?

Outra variação desse tipo de pergunta: O que significa o aquecimento global?

Gráfico do aumento da temperatura global entre 1900 e 2017
Reconstrução da evolução da temperatura média global entre 1900 e 2017. Os dados são apresentados tomando-se como referência a média da temperatura entre 1981 e 2010. É possível ver a tendência de aquecimento global no aumento da temperatura em cerca de 1ºC. Fonte: NOAA.

Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, na sigla em inglês -, o aquecimento global se refere ao aumento gradual, observado ou projetado, da temperatura superficial global, enquanto consequência do acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera.

Assim, a expressão aquecimento global descreve a tendência de aumento da temperatura média global, calculada anualmente a partir de medições da temperatura do ar e da água superficial dos oceanos. A temperatura média global serve como um dos indicadores da quantidade de energia presente no sistema climático.

Consulte a página sobre aquecimento global para saber mais.

Ligado à Organização das Nações Unidas – ONU, o IPCC coordena a elaboração de relatórios periódicos revisando toda a pesquisa científica mundial a respeito do aquecimento global e das mudanças climáticas. É a principal referência científica sobre o tema. Consulte a página sobre o IPCC para saber mais. Para acessar o último relatório do IPCC, clique aqui.

2. Como ocorre o aquecimento global?

Outras variações desse tipo de pergunta são: O que causa o aquecimento global? Como o aquecimento global é formado? Como funciona o aquecimento global? Como o aquecimento global é causado? Como surgiu o aquecimento global? Como se criou o aquecimento global? Por que o aquecimento global acontece? Qual a causa do aquecimento global?

Ilustração da causa do atual aquecimento global
A ilustração apresenta uma simplificação da causa do atual aquecimento global. Fonte: Ciência e Clima.

O aquecimento global é um indicador de que o sistema climático está acumulando quantidades maiores de energia. Quanto mais energia acumulada, mais quente fica, e por isso sobe a temperatura média global. A ciência considera que a causa do atual aquecimento global é o acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera.

O sol é a fonte de toda a energia presente no sistema climático terrestre. Parte da energia solar absorvida pelo sistema climático é emitida de volta ao espaço pela atmosfera. Mas a quantidade de energia emitida pela atmosfera depende da concentração de gases de efeito estufa.

Quanto maior a concentração, maior o efeito estufa. Com a intensificação do efeito estufa, aumenta a capacidade da atmosfera de evitar a emissão de energia para o espaço. Os gases do efeito estufa funcionariam como uma espécie de cobertor, evitando a perda de calor. Dessa forma, mais energia acaba sendo acumulada no sistema climático.

Consulte a página sobre o efeito estufa para saber mais a respeito da causa do aquecimento global.

3. Quando o aquecimento global começou?

Gráfico da concentração de CO2 1700-2018
Reconstrução das concentrações atmosféricas de CO2 entre 1700 e 2018. Considera-se que o aquecimento global começou no fim do século 19 (um pouco antes de 1900) devido ao aumento das concentrações, provocada pelas emissões crescentes a partir da Revolução Industrial. Gráfico: SCRIPPS – Universidade de São Diego.

Conforme ressalta a associação científica Royal Society, do Reino Unido, considera-se que o atual aquecimento global começou no final do século 19. Mas não existe uma data precisa de quando o aquecimento teve início.

As evidências levantadas pela ciência mostram que a concentração atmosférica de CO2, o principal gás de efeito estufa, começou a subir no século 19 – a partir do ano 1800. Nesse período ocorreu a Revolução Industrial, utilizando combustíveis fósseis como fonte de energia.

Nos 10 mil anos anteriores ao século 19, as concentrações de CO2 permaneceram na faixa de 260 a 280 partes por milhão – ppm. A partir de então, em função das emissões humanas de gases de efeito estufa, as concentrações passaram a crescer, levando ao aquecimento do planeta.

Entretanto, ainda existe debate no meio científico a respeito de quando o aquecimento global começou. Por exemplo, estudo de um time de cientistas de universidades da Austrália e dos Estados Unidos sugeriu que, em vez do final, o aquecimento global teve início na metade do século 19 – por volta de 1850.

Ao analisar registros paleoclimáticos posteriores ao ano de 1500, e apoiado em um modelo climático, o estudo identificou um aumento persistente da temperatura dos oceanos tropicais e do ar no Hemisfério Norte a partir da metade do século 19. Os cientistas concluíram que o aumento era efeito das emissões do início da Revolução Industrial.

Deve-se ressaltar que outro ponto de discussão no meio científico é a contribuição da variabilidade natural do sistema climático para a tendência de aquecimento observada até a década de 1940. Por um lado, há defensores da hipótese de que oscilações climáticas internas do sistema climático responderam por parte do aumento da temperatura média global.

De outro lado, pesquisas sugerem que as oscilações naturais internas do sistema climático não exerceram qualquer influência. Para essa linha de pensamento, o aumento da temperatura média global registrado desde o início do século passado se deve exclusivamente à intensificação do efeito estufa provocado pelas emissões humanas.

Mais informações sobre o estudo: Abram, Nerilie J., et al. “Early onset of industrial-era warming across the oceans and continents.” Nature 536.7617 (2016): 411.

4. Quem descobriu o aquecimento global?

Gráfico temperatura
Gráfico do estudo de Callendar aponta para o aumento da temperatura média global entre 1880 e meados da década de 1930. Fonte: Weart (2018), a partir de Quarterly J. Royal Meteorological Society 64, 223 (1938).

O primeiro pesquisador a identificar em um artigo científico a tendência de aumento das temperaturas globais foi o britânico Guy Stewart Callendar. Engenheiro e climatologista amador, ele publicou os levantamentos realizados e suas conclusões no ano de 1938.

Trabalhos anteriores haviam coletado medições de temperatura ao redor do Hemisfério Norte, em especial no leste da América do Norte e no oeste da Europa. Um breve debate havia surgido sobre a possibilidade das temperaturas estarem aumentando, o que era considerado como parte de um ciclo natural.

Utilizando registros da temperatura de diversas estações, Callendar detectou que a temperatura média havia subido nos 50 anos anteriores ao estudo. Ele sugeriu que as emissões de dióxido de carbono – CO2 -, originadas da queima de combustíveis fósseis, estariam por trás de uma grande parte do aquecimento.

Todavia, a hipótese de uma tendência de aquecimento global devido às emissões humanas de gases de efeito estufa não encontrou abrigo entre meteorologistas e climatologistas da época. Os dados climatológicos disponíveis sofriam de severas limitações, como falta de padronização e de organização.

Além disso, a comunidade científica da época atribuiu o aumento de temperatura observado à flutuação natural, ou então à alterações na circulação atmosférica.

Fontes: Weart S. 2008. The Discovery of Global Warming. Harvard University Press: Cambridge, MA. A versão online, revista e ampliada, pode ser acessada aqui. Hawkins, E., & Jones, P. (2013). On increasing global temperatures: 75 years after Callendar. Quarterly Journal of the Royal Meteorological Society139(677), 1961-1963.

5. Qual a relação entre o aquecimento global e o efeito estufa?

Outra variação desse tipo de pergunta: qual a diferença entre aquecimento global e efeito estufa?

Ilustração aquecimento global e efeito estufa
Quando o efeito estufa da atmosfera fica mais forte, acontece o aquecimento global. Fonte: Ciência e Clima.

Aquecimento global e esfeito estufa são expressões que se referem a duas coisas diferentes, mas interligadas. O aquecimento global constitui a tendência de longo prazo de aumento da temperatura média global. Ele é apenas um indicador, elaborado pela ciência, de que o sistema climático terrestre está acumulando energia.

Por sua vez, o efeito estufa consiste na propriedade física da atmosfera terrestre de reter energia, evitando que ela seja perdida para o espaço. Quanto mais intenso o efeito estufa, maior a quantidade de energia retida pela atmosfera.

O aumento da temperatura média global registrado desde 1900 – o aquecimento global atual – ocorre porque o sistema climático tem acumulado energia. Mais energia se traduz em mais calor, por isso sobe a temperatura global.

E o motivo porque o sistema climático tem acumulado energia é a intensificação do efeito estufa da atmosfera, como resultado do crescimento das concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa.

6. Qual a relação entre o aquecimento global e o CO2?

Gráfico CO2, temperatura e glaciação
Reconstrução das concentrações atmosféricas de CO2 (linha roxa), da temperatura média global (linha verde) e do volume de gelo (linha vermelha). Durante as glaciações, as concentrações de CO2 e a temperatura diminuem. O volume de gelo sobe. Fonte: Sigman & Boyle (2000).

O dióxido de carbono – CO2 – é o principal entre todos os tipos de gás de efeito estufa. Como explica a Administração Nacional do Oceano e da Atmosfera dos EUA – NOAA, na sigla em inglês -, em comparação com os outros gases, como o metano ou o óxido nitroso, o CO2 absorve menos calor por molécula.

Todavia, além de bem mais abundante, o CO2 permanece por períodos de tempo muito superiores na atmosfera. Ele também absorve comprimentos de onda de energia térmica que não são absorvidos pelo vapor d’água, intensificando o efeito estufa de uma forma única.

Assim, do desequilíbrio energético total provocado por todos os gases de efeito estufa emitidos pelas atividades humanas, estima-se que o CO2 responda por quase dois terços.

Os registros paleoclimáticos mostram uma correspondência entre o aumento e a diminuição da temperatura média global, o ciclo das glaciações, e o aumento e a diminuição das concentrações atmosféricas de CO2. Mesmo em períodos mais antigos da história geológica da Terra, registra-se uma co-relação entre a temperatura média global e a concentração de CO2.

Consulte a página sobre os gases de efeito estufa para saber mais a respeito do CO2.

7. Se existe aquecimento global, existe resfriamento global?

Outras variações desse tipo de pergunta: O que é resfriamento global? Quando o resfriamento global acontece?

Gráfico temperatura últimos 60 milhões de anos e projeções
Reconstrução da temperatura global dos últimos 60 milhões de anos. Observa-se que o sistema climático se encontrava em uma tendência de resfriamento. As projeções do cenário de altas emissões de gases de efeito estufa indicam como as atividades humanas reverteram essa tendência, e o risco do sistema se aquecer em um curtíssimo período de tempo. Fonte: Lurcock, P. C., & Florindo, F. (2017).

Ao longo da história geológica do planeta, o sistema climático atravessou tanto períodos de aquecimento quanto de resfriamento global. De fato, reconstruções da era Cenozóica, abrangendo os últimos 60 milhões de anos, mostram que, antes da Revolução Industrial, o sistema climático se encontrava em uma tendência de resfriamento, com episódios esporádicos de aquecimento global.

No início do Cenozóico,  durante a época chamada de Paleoceno, estima-se que a temperatura média global era 8ºC mais alta do que no período pré-industrial. Os pólos estavam livres de gelo – não haviam calotas polares na Antártica e na Groenlândia.

A partir daí, modificações nos componentes do sistema climático levaram a uma queda continuada da temperatura média global. Entre as modificações, incluem-se a transformação de partes dos continentes, o surgimento da corrente oceânica ao redor da Antártica, e a redução das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2.

A tendência de resfriamento, com duração de milhões de anos, sofreu quatro principais interrupções esporádicas. Nesses episódios (indicados pelas setas no gráfico acima), o sistema climático reverteu temporariamente para um estado de aquecimento global – usualmente, acompanhado por um crescimento do CO2 atmosférico.

No contexto do Cenozóico, as emissões humanas de gases de efeito estufa marcam o fim da tendência natural de resfriamento. E se as emissões persistirem no mesmo patamar, as projeções apontam que a temperatura poderá retornar, em poucos séculos, a níveis ocorridos milhões de anos atrás.

Representaria uma transformação ambiental de enorme magnitude, em velocidades sem precedentes na história do planeta.

8. O desmatamento pode causar aquecimento global?

Outras variações desse tipo de pergunta: O aquecimento global está ligado ao desmatamento? Como o desmatamento pode influenciar o aquecimento global?

Desmatamento em terra indígena
Parcela desmatada em terra indígena. Foto: IBAMA/ Felipe Werneck.

O desmatamento pode levar ao aquecimento global. O motivo é que as florestas armazenam carbono nas plantas e solos. O desmatamento – usualmente acompanhado de queimadas – levam à liberação do carbono para a atmosfera na forma de dióxido de carbono – CO2.

Estimativas do IPCC de 2010 calculavam que as floresta e outros usos da terra respondiam por 11% das emissões totais anuais de gases de efeito estufa. E, desde 1750, as emissões cumulativas seriam cerca de metade das emissões globais.

As emissões de CO2 do desmatamento contribuem para o crescimento das concentrações atmosféricas do gás. E, com isso, para a intensificação do efeito estufa e para o aquecimento global.

Mas os efeitos do corte das florestas vão bem além da liberação de CO2 para a atmosfera. A retirada da vegetação altera o clima local, Se ocorrer em larga escala e magnitude, a alteração local pode exercer pequena influência na temperatura média global, especialmente no caso das florestas tropicais.

Além disso, o desmatamento reduz a quantidade de compostos orgânicos voláteis na atmosfera, um tipo de gás produzido naturalmente pelas florestas. Os compostos orgânicos voláteis interagem com outros elementos químicos e afetam a concentração de gases de efeito estufa e de aerossóis. A redução pode levar ao aquecimento.

Finalmente, os ecossistemas terrestres representam um fundamental sumidouro de carbono. Eles absorvem parte das emissões humanas de gases de efeito estufa, minimizando o aumento das concentrações atmosféricas. Dessa forma, contribuem para retardar a taxa atual de aquecimento global.

Com o desmatamento, esse serviço de sequestro de carbono fica cada vez mais prejudicado.

9. A agropecuária tem ligação com o aquecimento global?

Pasto e gado
Foto: Flickr/ Mariano Mantel.

Sim, a agropecuária tem ligação com o aquecimento global. A atividade agropecuária responde por emissões de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono – CO2 -, o metano – CH4 – e o óxido nitroso. Como resultado, sobem as concentrações atmosféricas desses gases, intensificando o efeito estufa e levando ao aquecimento global.

É o caso, por exemplo, do Brasil. Dois setores interligados respondem pela maior parte das emissões de gases de efeito estufa do país: a agropecuária e a mudança de uso da terra e floresta – em particular, o desmatamento.

Em 2017, o país emitiu 2,071 bilhões de toneladas brutas de gás carbônico equivalente – CO2eq. Desse total, o setor da agropecuária respondeu por aproximadamente 24%, ou  495 milhões de toneladas de CO2eq.

Além disso, a agropecuária consiste no principal fator de desmatamento, provocando, indiretamente, grandes quantidades de emissões de CO2.

Para informações mais detalhadas, o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticaspublicou em 2015 relatórios específicos sobre as emissões dos dois setores, agropecuária e mudança do uso da terra.

10. Quais são as consequências do aquecimento global?

Outras variações desse tipo de pergunta: O que o aquecimento global pode causar? Por que o aquecimento global é um problema? Por que o aquecimento global é ruim? Por que o aquecimento global é preocupante? Como o aquecimento global afeta nossas vidas?

Gráfico consequências do aquecimento
Cinco áreas de preocupação quanto aos riscos introduzidos pelo aquecimento global. Comparação entre cenários de limitação do aquecimento em 1,5ºC e 2ºC até 2100. A escala vai de risco nenhum (cor branca) até risco muito alto (cor roxa). Fonte: adaptado da figura SPM.2 do IPCC.

O aquecimento global é um indicador de que o sistema climático terrestre está acumulando energia. Como consequência do aquecimento global – isto é, do acúmulo de energia -, os componentes do sistema climático, suas características e dinâmicas, alteram-se.

O último relatório do IPCC, publicado em 2013, abordou as diversas modificações observadas até aquele ano. Por exemplo, no caso da atmosfera, incluía o aumento da intensidade e frequência de eventos de temperatura máxima diária, da probabilidade de ocorrência de ondas de calor, ou a mudança na padrão das chuvas em algumas regiões.

A Criosfera consiste em outro componente do sistema climático que apresenta mudanças significativas. Verifica-se uma redução acentuada do gelo marinho do Ártico, a perda de volume e massa das calotas polares, a retração global das geleiras de montanha, e a redução da área coberta de neve durante a primavera no Hemisfério Norte.

O oceano experimenta um aumento do nível médio do mar, mudanças na salinização e nas correntes oceânicas.

As projeções das consequências do aquecimento global no Brasil apontam para impactos significativos. Segundo relatório do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas – PBMC, de 2013, o Nordeste é a região mais vulnerável do país. No futuro, o clima semiárido regional poderá se transformar em árido, prejudicando severamente a agricultura, a disponibilidade de água e a saúde da população.

Haverá mudança na temperatura e nas chuvas em diversos pontos do país. Mesmo em áreas que não registrem alteração do total anual de precipitação, elas devem ocorrer de modo mais concentrado. Poderá aumentar a frequência de eventos extremos, agravando os problemas em grandes cidades do Brasil, como o Rio de Janeiro e São Paulo.

A agricultura representa um dos setores econômicos brasileiros mais vulneráveis aos impactos do aquecimento global. Crescerão as limitações relacionadas à deficiência hídrica. Poderá ser inviabilizada a realização de certos tipos cultivos em regiões de baixa latitude e altitude do país, além de reduzir a área disponível para plantas de clima temperado.

Consulte a página sobre aquecimento global para mais detalhes a respeito de suas consequências. E também o artigo ‘10 consequências do aquecimento global‘.

11. Como o aquecimento global interfere no clima?

Gráfico expansão de área da América do Sul com aumento da temperatura
Expansão da área geográfica da América do Sul com temperatura média de 18ºC. Fonte: Figura SEF.3/ Relatório PBMC.

O sistema climático terrestre, seus componentes, processos e dinâmicas estão mudando em resposta à energia adicional acumulada. Um dos indicadores de que sobe a quantidade de energia no sistema é o aquecimento global – o aumento da temperatura média global.

Como consequência, os fenômenos meteorológicos, que definem as condições cotidianas do Tempo, também se modificam. Por exemplo, a frequência e a intensidade da precipitação, dos dias de calor e de frio intensos, ou dos eventos climáticos extremos – como as secas. Apesar de variações regionais, a tendência é que áreas úmidas se tornem mais úmidas, e áreas secas, ainda mais secas.

No caso do Brasil e da América do Sul, entre as mudanças citadas em relatório do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas – PBMC, inclui-se o aumento de noites quentes e diminuição de noites frias, reduzindo a amplitude diurna da temperatura, principalmente durante a primavera e no outono.

Desde 1948, verifica-se o aumento da temperatura durante o verão, de forma mais acentuada nas zonas tropicais do que nas subtropicais da América do Sul. Também se observa uma tendência positiva de crescimento da temperatura média no continente.

Entre 1949 e 2009, registrou-se uma expansão das áreas do continente que experimentaram temperaturas médias maiores do que 18ºC entre setembro e novembro.

12. Como o aquecimento global pode interferir no nível de água dos oceanos?

Gráfico do aumento do nível do mar desde 1880
Reconstrução do aumento do nível médio do mar desde 1880. Fonte: Agência Ambiental Européia.

Em resposta ao aquecimento global – ao acúmulo de energia pelo sistema climático terrestre -, o oceano está acumulando calor e o gelo da criosfera está derretendo. Esses dois fatores fazem com que o nível médio do mar aumente.

Através do ganho de calor do oceano, o nível médio do mar aumenta por causa do efeito da expansão térmica da água. Por sua vez, o derretimento de geleiras e calotas polares transfere a água dessa regiões, até então imobilizada na forma de gelo, para o oceano.

Em 2016, segundo informações da Agência Ambiental Européia, o nível médio do mar havia subido 20 centímetros em relação ao início do século 20. Estima-se que no século passado o nível cresceu a uma média anual de 1,2 a 1,7 mm, com grande variação entre uma década e outra.

Mas desde 1993 o aumento do nível médio do mar se acelerou, passando para aproximadamente 3 mm por ano.

A tendência continuará ao longo do presente século. Projeções indicam um aumento provável de 0,28 a 0,61 m para o cenário de baixas emissões, e na faixa de 0,52 a 0,98 m para o cenário de altas emissões.

Todavia, elevações significativamente maiores do nível médio do mar não podem ser descartadas. Existe o risco de que alcancem a faixa de 1,5 a 2,5 m até 2100, o que acarretaria graves impactos para zonas costeiras em todo o mundo.

13. Como limitar o aquecimento global?

Outras variações desse tipo de pergunta: Como evitar o aquecimento global? Como impedir o aquecimento global? Como diminuir o aquecimento global? O que fazer contra o aquecimento global?

Gráfico cenários de mitigação do aquecimento global
O gráfico apresenta cenários de mitigação do aquecimento global, limitando o aumento da temperatura a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais. As emissões de gases de efeito estufa devem ser zeradas até 20150. Fonte: figura SPM3.A/ IPCC SR 1,5ºC.

Para limitar, evitar ou diminuir o aquecimento global, existe uma única saída: zerar a emissão de gases de efeito estufa pelas atividades humanas. Em especial, as emissões de dióxido de carbono – CO2. Eliminando as emissões, a concentração atmosférica deixará de subir, interrompendo a intensificação do efeito estufa.

Talvez não exista tarefa mais difícil do que essa. Isso porque as emissões de CO2 ocorrem como resultado da queima de combustíveis fósseis – óleo, gás natural e carvão. A base energética do mundo moderno – capitalista e industrial – foi construída em torno da disponibilidade e uso dos combustíveis fósseis.

Eles representam uma forma barata, fácil e acessível de gerar energia. O mundo ainda continua dependente dos combustíveis fósseis para acender as luzes, para fazer funcionar máquinas e equipamentos, e para o transporte. Países ricos em reservas ou em processo de industrialização ainda apostam no carvão para gerar energia.

Outra fonte humana de gases de efeito estufa é o desmatamento e as atividades agropecuárias. Zerar as emissões humanas de gases de efeito estufa demandaria eliminar o desmatamento. E também transformar a agropecuária neutra em carbono.

14. O aquecimento global é um tema controverso?

Outras variações desse tipo de pergunta: Existe debate científico sobre o aquecimento global? O aquecimento global é mito ou verdade? O aquecimento global é uma farsa?

Comissão do senado discute o aquecimento global
Membros da administração pública constituem um dos atores de promoção do negacionismo científico. Exemplo foi uma audiência pública conjunta das Comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional – CRE – e de Meio Ambiente – CMA – do congresso federal. Fonte: Geraldo Magela/ Agência Senado.

Pode-se dizer que a controvérsia em torno do aquecimento global se verifica somente junto à opinião pública, em especial em países anglo-saxões. O motivo é a atuação de pessoas e grupos negacionistas, cujo objetivo é promover a desinformação. Trata-se de uma controvérsia fabricada.

Desde a década de 1950, o número de evidências do aquecimento global registradas pela ciência tem crescido exponencialmente. E o conhecimento científico sobre o tema é resumido e ganha publicidade periodicamente, através dos relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, na sigla em inglês.

Os relatórios reúnem e sintetizam a literatura científica produzida sobre dezenas de tópicos relacionados ao aquecimento global e às mudanças climáticas. Centenas de cientistas elaboram e revisam os relatórios, cujo objetivo é justamente apresentar o conhecimento e os debates da ciência.

O negacionismo não representa uma vertente do debate científico – se assim fosse, participaria e estaria presente nos relatórios do IPCC. Pelo contrário, o negacionismo tem como ponto de partida o anti-cientificismo. Nega-se o conhecimento científico, minando ou postergando a implementação de políticas ambientais.

Uma pesquisa sobre o negacionismo identificou quatro grandes argumentos utilizados pelos negacionistas. O primeiro nega que o aquecimento global esteja acontecendo. O segundo sugere que o atual aquecimento não pode ser resultado das emissões humanas. Há ainda o argumento de que o aquecimento não provocará impactos, e, finalmente, o argumento de que não exista um consenso a respeito.

Os atores por trás do ataque à ciência abrangeriam um pequeno grupo de cientistas – em geral, de áreas afins -, membros da administração pública, algumas organizações políticas e religiosas, e empresas privadas. Os dois últimos grupos, intimamente ligados à interesses econômicos, representam um dos principais focos de negacionismo nos Estados Unidos.

Evidências mostram a atuação de empresas de óleo e gás do país, bem como de concessionárias de energia, em iniciativas direcionadas para desinformar o público a respeito do tema.

Fonte: Ciência e Clima

Mudanças climáticas causam prejuízo de US$ 1 trilhão para grandes empresas, aponta estudo

Relatório divulgado na Alemanha sugere que muitas empresas ainda subestimam os perigos relacionados ao fenômeno

Mais de 200 das maiores empresas do mundo deverão perder US$ 1 trilhão por causa das mudanças climáticas, grande parte disso apenas nos próximos cinco anos, informa um relatório divulgado na Alemanha. Entre os fatores que afetam os negócios estão o aumento das temperatura, o clima caótico e os preços colocados sobre a emissão de gases do efeito estufa. O alerta é feito no Dia Mundial do Meio Ambiente.

O estudo – realizado pela Organização Não Governamental CDP – sugere que muitas empresas ainda subestimam os perigos relacionados ao fenômeno, enquanto os cientistas alertam que o clima da terra se encaminha para limites catastróficos caso não haja reduções nas emissões de carbono na atmosfera.

— A maioria das empresas ainda tem muito a caminhar em termos de avaliar adequadamente os riscos relacionados ao clima — afirmou Nicolette Bartlett, diretora para Mudanças Climáticas da CDP e autora do relatório.

Fundada no ano 2000, a CDP (antigamente chamada de Projeto de Transparência do Carbono – nome que originou a sigla em inglês) é um organismo respeitado dentro de uma crescente coalizão de grupos de lobby, administradores de fundos, bancos centrais e políticos que acreditam que as mudanças climáticas representem um risco sistêmico para o sistema financeiro.

Metas climáticas

Ao forçar as empresas a enfrentar os riscos às suas operações, os defensores de mais transparência esperam fazer avançar investimentos suficientes na indústria para reduzir as emissões, a tempo de cumprir as metas climáticas.

O CDP analisou dados de 215 das maiores indústrias do mundo, como Apple, Microsoft, Nestlé, Unilever, China Mobile, Infosys, UBS, Sony e BHP.

Essas empresas já teriam tido prejuízos de US$ 970 bilhões em custos adicionais devido a fatores como o aumento das temperaturas, clima caótico e o preço colocado sobre as emissões de gases causadores do efeito estufa.

Cerca de 50% desses custos são considerados prováveis ou praticamente certos.

Segundo o relatório, as companhias poderiam obter amplas vantagens com um mundo descarbonizado a tempo de evitar os cenários climáticos mais tenebrosos, que os cientistas acreditam representar um risco existencial para a civilização industrial.

As preocupações com os riscos representados pelo clima aumentaram de modo acentuado, paralelamente ao crescimento do ativismo ecológico em muitos países, enquanto ondas de calor, secas, incêndios florestais e tempestades reforçadas pelo clima se tornam cada vez mais difíceis de serem ignoradas.

Fonte: Gauchazh

Aquecimento global pode ser catastrófico para o Brasil, alertam cientistas

O Brasil deve esforçar-se para cumprir as metas acordadas no âmbito do Acordo de Paris, e manter seu protagonismo nos esforços multilaterais visando mitigar os efeitos danosos do aquecimento global. Este foi o consenso na reunião conjunta das Comissões de Relações Exteriores (CRE) e de Meio Ambiente (CMA) nesta quinta-feira (30), com renomados cientistas brasileiros que pesquisam as mudanças climáticas.

Impacto total

Para o biofísico Carlos Nobre, que atua junto à Universidade de São Paulo (USP) e também é membro da Academia de Ciências dos EUA (em inglês: NAS), praticamente todas as regiões brasileiras serão inviabilizadas sócio-economicamente, caso a temperatura média mundial aumente 5ºC até o final do século, que é o que pode ocorrer se nada for feito para reduzir as emissões de CO2.

Ele alertou que os efeitos do aquecimento global já são evidentes no Brasil, uma vez que durante a década de 1960, a média de dias por ano com temperatura superior a 34ºC nunca passava de 30 dias, mas desde o início do século 21, este índice nunca mais foi inferior a 60 dias por ano. A temperatura média de 34ºC é relevante para o Brasil porque um índice superior a este inviabiliza a prática de diversas culturas agrícolas.

O biofísico chamou a atenção ainda para a possibilidade do Brasil passar a sofrer mais com eventos extremos relacionados a períodos de seca ou de chuvas, respectivamente nas regiões Nordeste e Sudeste. Condições extremas destes fenômenos já vêm se manifestando com uma freqüência muito maior nos últimos anos, e estes extremos podem tornar-se o “novo normal” nestas regiões.

— A situação do Nordeste é muito preocupante. A seca entre 2012 e 2018 foi a mais longa da história, e estas medições são feitas desde o período do Império. A região já vive um período de aridização, por exemplo, no norte da Bahia — avisou Nobre.

A Amazônia também já passa por situações anômalas e sem precedentes desde 2009, alternando seguidamente períodos de secas e inundações.

Vida inviável

Nobre defendeu o cerne do Acordo de Paris, para que a temperatura média global não aumente mais do que 2ºC até 2100. Ele lembrou que o trabalho da ONU leva em conta um índice mundialmente consensual na medicina, que calcula o limite fisiológico do ser humano a uma temperatura de 34ºC, levando em conta a umidade relativa do ar em 100%. Cidades como Manaus, Cuiabá e Rio Branco já atingem a temperatura de 32°C hoje neste cálculo.

— São regiões de nosso país que estão a meros 3°C de atingirem o limite fisiológico humano. No pior dos cenários, em caso de descontrole climático, em toda a Amazônia, no Nordeste e mesmo em outras regiões do país, durante mais de 200 dias por ano as pessoas terão que estar em ambientes internos com ar-condicionado durante algumas horas, todos os dias, impossibilitadas de saírem para ambientes externos. Se o Acordo de Paris fracassar, este é o quadro para o qual o país deve se preparar. Projeções indicam que pelo menos 500 milhões de pessoas morrerão em todo o mundo caso o clima saia do controle — alertou.

Nobre ainda apresentou estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Fórum Econômico Mundial alertando para riscos graves ao agronegócio brasileiro, relacionados às alterações climáticas. Chamou atenção para o fato de que não há engenharia genética capaz de fazer uma planta realizar fotossíntese acima de 43°C. Esses estudos alertam que um eventual fracasso do Acordo de Paris pode inviabilizar muitas das culturas agrícolas em nosso território já nas próximas décadas.

Além disso, o descontrole das emissões pode levar todo o Nordeste à condição de seca extrema, com avanço significativo da Caatinga sem condições de manter a vegetação, tornando a região tecnicamente um semi-deserto. Por fim, o Brasil corre risco concreto de, na prática, perder a região amazônica, a partir da combinação dos efeitos das mudanças climáticas com o desmatamento e o aumento dos incêndios florestais, finalizou o cientista.

Outras participações

O físico Paulo Artaxo, que atua junto ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) e no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), corroborou as pesquisas apresentadas por Nobre. Ele ainda divulgou outros levantamentos, de organismos como a FAO (Organização da ONU para a Agricultura e a Alimentação) e também do IPCC e do Inpe, com projeções semelhantes em relação à agropecuária brasileira em caso de descontrole climático. Ele entende que o país não tem como escapar, por exemplo, de já tomar diretrizes mais incisivas visando diminuir a emissão do gás metano.

A geobotânica Mercedes Bustamante alertou para o fato do Brasil ainda hoje “apenas arranhar” seu gigantesco potencial na bio-economia. Por isso, ela considera “francamente equivocado” um enfoque, ainda forte em setores sociais brasileiros, de que a preservação ambiental é um empecilho ao desenvolvimento. O aquecimento global é que pode pôr em risco a biodiversidade do nosso território, no entender da cientista.

Fonte: Agência Senado

A comunicação das mudanças no clima: finalmente um avanço

Em 2011, quando fiz parte de um programa de integração entre jornalistas na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, passei vários meses estudando como a mídia britânica – em especial as versões online da BBC News e The Guardian – vinha reportando o tema das mudanças climáticas, em uma tentativa de encontrar um modelo que pudesse ser aplicado à incipiente cobertura brasileira sobre o assunto. O que encontrei foi o mesmo tratamento raso e ultra cauteloso que vínhamos praticando no Brasil. Oito anos depois, as coisas – finalmente – parecem estar mudando, pelo menos em terras britânicas.

Há duas semanas, o Guardian informou à sua audiência que está atualizando seu “manual de redação” para introduzir termos que descrevem mais acuradamente a crise ambiental que o mundo está enfrentando. A partir de agora, o veículo utilizará termos como “emergência climática”, “crise climática” ou “colapso climático” ao invés do usual “mudança climática”.

Segundo o veículo, também é preferível que seus jornalistas usem o termo “global heating”, em detrimento do “global warming”, que em português possuem o mesmo significado – aquecimento global -, mas que, em inglês, trazem pesos muito diferentes: “warm” é associado a algo brando, morno; “heating” é sinônimo de ferver.

Com a mudança, o Guardian pretende assegurar uma cobertura cientificamente mais precisa e clara sobre o tema. “A expressão ‘mudança climática’, por exemplo, soa bastante passiva e gentil quando o que os cientistas estão falando é uma catástrofe para a humanidade”, disse a editora-chefe do veículo, Katharine Viner, ao anunciar a nova linha editorial.

A alteração no manual de redação do Guardian foi tomada após a publicação de dois relatórios de referência global relativos à crise ambiental: um sobre a urgência de cortes nas emissões de dióxido de carbono, outro sobre a aniquilação da vida selvagem e dos ecossistemas da terra. O veículo também levou em conta as considerações de cientistas climáticos, da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Met Office, o serviço de meteorologia britânico, que têm mudado gradativamente o uso das terminologias.

A modificação na forma de reportar as mudanças climáticas não está só no Guardian. Em setembro de 2018, a BBC orientou seus jornalistas: “Vocês não precisam mais de um ‘negador’ [das mudanças no clima] para balancear o debate”, disse Fran Unsworth, diretor de notícias da BBC, em uma nota enviada aos seus profissionais. Ao anunciar as mudanças em sua política editorial, a corporação de mídia declarou: “Mudanças Climáticas vem sendo um assunto difícil para a BBC, e nós cobrimos isso errado muito frequentemente”, assumiu.

Em agosto de 2018, 57 proeminentes ambientalistas britânicos já haviam anunciado: “Nós não vamos mais discutir com aqueles que negam que a mudança climática causada pelo homem é real. Há uma abundância de debates vitais sobre o caos climático e o que fazer sobre isso; isso [negar] simplesmente não é mais um deles. Pedimos às emissoras que sigam em frente, como estamos fazendo.”

Abrir mão do que nós, jornalistas brasileiros, chamamos de “ouvir o outro lado” é um passo enorme para uma corporação de mídia. Mas a medida foi tomada pelo simples fato de que não dá mais pra negar que o mundo passa por uma grande transformação climática, que nós somos os culpados e que cada vez mais estudos são publicados com confirmações nesse sentido.

Parece óbvio que a mídia precisa acompanhar esse movimento, mas os veículos de comunicação, em sua maioria, se negam a “seguir em frente”.

Mudança lenta demais

O modo como a mídia cobre as mudanças no clima do planeta, as consequências do fenômeno e as formas de mitigar e adaptar, tem ajudado a moldar a percepção do público sobre o assunto e, através disso, afetar como a ciência é traduzida em políticas públicas. Por isso, o trabalho de jornalistas importa em muitos e diferentes aspectos.

Em seu livro “Why the Media Matters in a Warming World: a guide for policymakers in the global South”(Por que a mídia importa em um mundo em aquecimento: um guia para formuladores de políticas no Sul Global), o biólogo inglês e especialista no tema, Mike Shanahan, declarou: “A luta contra as mudanças climáticas pode ser vencida ou perdida nas páginas dos jornais, na TV, no rádio, na internet e nos aparelhos celulares… Mudança climática é o contexto em que nossas vidas serão vividas. Sua escala e impactos nas próximas décadas vão depender das decisões que tomamos nos próximos anos. Informação será crítica”.

“Diante de tantas evidências sobre o tema das mudanças no clima e do grande desenvolvimento do jornalismo científico em todo mundo, cabe a nós, comunicadores, nos questionar: a quem estamos enganando?”

A primeira vez que a Ciência do Clima apareceu nos meios de comunicação foi no início da década de 1930, em um artigo publicado pelo New York Times. No começo da década de 1950, os meios de comunicação começaram a reportar as mudanças que vinham acontecendo no clima do planeta mais claramente, mas foi apenas na década de 1990 que o tema começou a ganhar a atenção das empresas de mídia.

É certo que na última década houve um aumento no número de pesquisas que tratam do assunto, o que ajudou em sobremaneira a embasar o trabalho de jornalistas. Mas a produção científica sobre as mudanças climáticas não é nova. Em 1988, o físico James Hansen, da agência norte-americana Nasa, já alertava para os efeitos do aquecimento global no planeta e ao longo das décadas seguintes, a balança de pesquisas científicas sempre pendeu para o lado daqueles que afirmavam que o clima estava mudando, e não para o dos que negavam o fato.

Ao comentar a mudança na linha editorial da BBC News, especificamente, o professor  Ed Hawkins, cientista climático da Universidade de Reading disse: “Este conjunto de orientações da BBC está muito atrasado. Houve muitas ocasiões em que o público da BBC foi enganado sobre as realidades da mudança climática”.

Diante de tantas evidências sobre o tema das mudanças no clima e do grande desenvolvimento do jornalismo científico em todo mundo, cabe a nós, comunicadores, nos questionar: a quem estamos enganando?

Na Inglaterra, as coisas já estão mudando. Eu pergunto: quando vamos começar essa mudança, definitiva e formalmente, aqui no Brasil?

Fonte: O Eco

No Ártico, a ciência ainda dá os primeiros passos

No que diz respeito às alterações em curso no Ártico, o conhecimento científico ainda está dando os primeiros passos, alertou artigo de um time internacional de cientistas. Mas uma coisa é certa: as temperaturas da região estão subindo a uma velocidade bem maior do que no restante do mundo.

Uma das consequências do aquecimento global no Ártico é a profunda alteração da paisagem. Os solos congelados estão derretendo, muitas vezes, segundo o artigo, pela primeira vez em milhares de anos. Os solos abrigam aproximadamente duas vezes mais carbono do que a atmosfera, portanto o derretimento pode liberar enormes quantidades de gases de efeito estufa.

Todavia, ainda há pouca informação sobre os processos e o modo como o derretimento dos solos congelados ocorre ao longo do tempo. Uma das limitações dos atuais modelos computacionais consiste no pressuposto de que os solos irão descongelar gradual e lentamente. A suposição é de que o derretimento se dá a partir das camadas superficiais do solo, em direção a camadas mais profundas, e pode levar décadas a séculos.

Os modelos, no entanto, não condizem com a realidade. Os solos congelados apresentam propriedades físicas estruturais, mantendo unido o terreno. À medida que eles derretem, o resultado tem sido uma desestabilização da paisagem. A terra pode afundar, ou partes do terreno colapsam, dando lugar a lagos e zonas úmidas.

Essa transformação dos solos pode acontecer em curto espaço de tempo. Tanto a camada superficial quanto aquelas mais profundas são afetadas pelo processo. Segundo o artigo, áreas ocupadas por florestas desaparecem, encostas deslizam, e estradas e edificações ficam prejudicadas pela instabilização do terreno. A alteração atinge até mesmo a prática da caça pelas comunidades tradicionais do Ártico.

Dessa forma, as transformações dos solos congelados tem sido bem superior ao previsto pelos modelos computacionais. E a quantidade de gás de efeito estufa a ser potencialmente liberada ainda permanece cercada de incertezas. Estimativas sugeriram que o degelo gradual do Ártico implicaria em emissões de 200 bilhões de toneladas de carbono – 15% do estoque dos solos – durante 300 anos.

A estimativa desconsidera fatores importantes, apontaram os cientistas. A começar pela probabilidade de derretimento abrupto de aproximadamente 20% de toda a extensão de solos congelados do Ártico. Nessas regiões, a paisagem sofre alterações significativas, incluindo a modificação de cursos d’água e da cobertura vegetal.

Além disso, as áreas mais vulneráveis ao derretimento abrupto tendem a concentrar volumes mais elevados de carbono nos solos. As modificações dessas áreas levaria a emissões em média bem mais significativas do que no restante do Ártico.

Em uma revisão recente da literatura científica relacionada ao derretimento abrupto de solos congelados, os cientistas sugeriram que o processo eleva a projeção de emissões de gases de efeito estufa em cerca de 50%. Além dos 200 bilhões de toneladas liberados gradualmente nos próximos 300 anos, entre 23 e 100 bilhões viriam da formação de lagos, de zonas úmidas ou deslizamento de encostas.

Mas essas estimativas são ainda preliminares, e demandam aprimoramento. Para tanto, ressaltaram os cientistas, investir em pesquisa no Ártico representa uma prioridade. A ciência pode tentar identificar as chances de quando e onde ocorrerá processos de derretimento abrupto.

Reduzir a velocidade das transformações pelas quais atravessa o Ártico constitui a mel25hor alternativa para se evitar surpresas. Há somente um caminho para isso: eliminar as emissões humanas de gases de efeito estufa, de forma a limitar o aquecimento global.

Fonte: Ciência e Clima

Comparação de Climatologias Oceânicas confirma aquecimento do oceano global

Aquecimento do oceano global

O oceano global representa o componente mais importante do sistema climático da Terra. Os oceanos acumulam energia térmica e transportam o calor dos trópicos para latitudes mais altas, respondendo muito lentamente às mudanças na atmosfera.

Institute of Atmospheric Physics, Chinese Academy of Sciences*

As climatologias digitais das grades do oceano global fornecem informações básicas úteis para muitas aplicações oceanográficas, geoquímicas e biológicas. Como tanto o oceano global quanto a base de observação estão mudando, atualizações periódicas das climatologias oceânicas são necessárias, o que está de acordo com as recomendações da Organização Meteorológica Mundial para fornecer atualizações decadais das climatologias atmosféricas.

“A construção de climatologias oceânicas consiste em várias etapas, incluindo controle de qualidade de dados, ajustes para vieses instrumentais e preenchimento das lacunas de dados por meio de um método de interpolação adequado”, diz o professor Viktor GOURETSKI, da Universidade de Hamburgo. O Prof. GOURETSKI é bolsista da Iniciativa de Bolsas Internacionais do Presidente da Academia Chinesa de Ciências (PIFI) no Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências e autor de um relatório recentemente publicado na Atmospheric and Oceanic Science Letters .

“A água do mar é essencialmente um sistema de dois componentes, com uma dependência não-linear da densidade na temperatura e salinidade, com a mistura no interior do oceano ocorrendo predominantemente ao longo de superfícies isópicas. Portanto, a interpolação dos parâmetros oceânicos deve ser realizada em isopirnais níveis isobáricos, para minimizar a produção de massas de água artificiais.As diferenças entre estes dois métodos de interpolação de dados são mais pronunciadas nas regiões de alto gradiente como a Corrente do Golfo, Kuroshio e Corrente Circumpolar Antártica “, continua o Professor GOURETSKI.

Em seu recente relatório, o professor GOURETSKI apresenta um novo Experimento de Circulação do Oceano Mundial / Climatologia Hidrográfica Global ARGO (WAGHC), com média de temperatura e salinidade em superfícies isopiteliais locais. Com base em dados de bordo de alta qualidade e perfis de temperatura e salinidade dos flutuadores ARGO, a nova climatologia tem uma resolução mensal e está disponível em uma grade de latitude a 1/4 ° de longitude.

Aquecimento do oceano global entre 1984 e 2009
Aquecimento do oceano global entre 1984 e 2009, como visto na seção média zonal da diferença de temperatura entre as climatologias oceânicas globais WAGHC e WOA13. (Imagem de Viktor GOURETSKI)

“Comparamos a climatologia WAGHC com a climatologia quadriculada WOA13 da NOAA. Essas climatologias representam produtos digitais alternativos, mas a WAGHC se beneficiou da adição de novos dados de flutuação ARGO e dados hidrográficos das regiões da Polar Norte”, diz o professor GOURETSKI. “As duas climatologias caracterizam os estados oceânicos médios com 25 anos de diferença, e a seção média zoneada da diferença de temperatura WAGHC-menos-WOA13 mostra claramente o sinal de aquecimento oceânico, com um aumento médio de temperatura de 0,05 ° C para os 1500-m superiores camada desde 1984 “.

Fonte: Eco Debate

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