Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel discute ações do setor em Brasília

O diretor superintendente da APROBIO e presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Julio Cesar Minelli, conduziu nesta terça-feira (25) a 36ª reunião ordinária da câmara, em Brasília. Na abertura da reunião, Minelli ressaltou a importância da continuação das câmaras setoriais para concretização de ações estratégicas do setor produtivo.

O Coordenador–Geral de Apoio às Câmaras Setoriais e Temáticas do MAPA, Helinton José Rocha, afirmou que a pasta já trabalha na elaboração do próximo Plano Safra (21/22) e apresentou a nova estrutura do ministério. Rocha também destacou ainda a importância do funcionamento das câmaras setoriais e temáticas para a pasta. De acordo com o coordenador, os colegiados continuarão com três reuniões anuais e em casos extraordinários, uma outra reunião poderá ser realizada em Brasília.

Segundo o coordenador, as ações  da pasta estarão inseridas em oito eixos estruturantes: Abastecimento; Crédito, Comercialização e Gestão do Risco; Defesa Agropecuária; Estrutura da Cadeia e Fomento; Pesquisa e Inovação; Promoção comercial; Assuntos fundiários e Temas Transversais de Políticas Externas ao Mapa (ambiental, infraestrutura e logística, trabalhista, tributária).

O técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Leonardo Amazonas, apresentou dados sobre a Safra de Oleaginosas 2019. Segundo ele, houve uma redução de 0,25% da produção neste ano. O setor registrou o aumento de 0,67% da área produzida e acréscimo de 2% no consumo. Os principais produtos foram soja, canola e girassol. No cenário internacional, a produção de óleo teve o protagonismo de palma, soja, canola e girassol.

Amazonas apontou ainda a guerra comercial entre Estados Unidos e China como fator para a forte queda nos preços internacionais de grãos. Ele destacou ainda a peste suína na China como aspecto que tem influenciado na redução dos preços da soja no cenário internacional. Segundo ele, as exportações brasileiras para China em 2019 foram as menores dos últimos três anos. “Apesar da guerra comercial, os Estados Unidos estão conseguindo exportar ainda mais para China”, afirmou.

Minelli ressaltou que enquanto a Europa pretende extinguir a importação de óleo de palma do sudeste asiático, Brasil pode ser beneficiado por ter seu zoneamento agroecológico definido e defendeu ainda o incentivo de maior industrialização de grãos no país. “A peste suína na China pode ser uma oportunidade para o Brasil e enquanto resolvem esse problema, devemos ver ‘o copo meio cheio’, aproveitando para com maior industrialização procurar exportar produto com mais valor agregado, proteína vegetal transformada em proteína animal – carne”, avaliou.

Para o representante da ABIOVE, Daniel Amaral, a exportação de farelo para China pode resolver a questão do esmagamento de soja no país. “Mercado de óleo de soja não falta, o que falta é criar mercado para o esmagamento da soja”, apontou.

Plano Safra

O diretor do Departamento de Financiamento e Informação da Secretaria de Política Agrícola do Mapa, Wilson Vaz, explicou os critérios adotados na construção do Plano Safra 2019/2020, lançado na terça-feira (18), a medida disponibilizará R$ 225,59 bilhões a pequenos, médios e grandes produtores. Os recursos já estarão disponíveis aos agricultores partir de 1° de julho.

Segundo Vaz, o governo federal editará uma Medida Provisória para incluir uma linha de crédito ao produtor considerando “patrimônio de afetação”, no qual seria usada apenas uma parte do imóvel compatível ao empréstimo como garantia do valor.

Outra medida anunciada por Vaz é o “Fundo de Aval Fraterno”, que respaldará renegociação de dívidas com linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com taxas de juros abaixo de 12%.

Selo Biocombustível Social

Também foram apresentadas as alterações previstas para a Portaria do Selo Biocombustível Social. Atualmente, o selo confere ao seu possuidor o caráter de promotor de inclusão social dos agricultores familiares enquadrados do Pronaf.

Segundo o representante da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo do MAPA, Marco Pavarino, o selo passará a se chamar Selo Biocombustível Social e incluirá a possibilidade de aquisição de forma indireta nos arranjos de comercialização de matéria prima da Agricultura Familiar, dando oportunidade a que todos os agricultores familiares tenham oportunidade de participar do programa que garantiu a compra em 2018 de cerca de R$ 5 bilhões em matérias-primas da Agricultura Familiar.

De acordo com Pavarino, insumos agrícolas passarão a ser contabilizados como aquisições da Agricultura Familiar. Com a mudança, também será permitido que agricultores familiares ligados à cooperativas agropecuárias sem DAP Jurídica, associações ou à empresas possam comercializar no Selo. A previsão é que os dispositivos legais que alteram a portaria e o decreto que dispõem sobre o selo sejam publicados no Diário Oficial da União até o fim de julho.

No entanto, a inclusão só da Região Norte com aplicação do multiplicador 1,5 no valor de aquisições de agricultura familiar também previstos no novo regramento gerou debates entre os membros da câmara setorial. Para o presidente do colegiado, Julio Minelli, isso mantém distorções entre as regiões do país e continua promovendo uma aplicação de forma heterogênea.

“Houve avanços importantes com as mudanças previstas na regulamentação do selo biocombustível social, no entanto, ainda não há justificativa plausível para que o fator multiplicador seja tratado de forma diferenciada entre as regiões”, argumentou Minelli.

A próxima reunião ordinária da Câmara Setorial está marcada para o dia 22 de outubro.

Aprobio muda estatuto para abranger outros biocombustíveis

A Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio) está para mudar. Fundada em 2011, como uma organização exclusiva para fabricantes de biodiesel, a entidade vai passar a abranger outros biocombustíveis. A mudança do estatuto foi aprovada no final do mês passado.

Embora o novo estatuto a autorize a representar os biocombustíveis de forma ampla – a entidade até já conta com empresas que atuam no ramo de etanol –, a ideia central da mudança é acolher empresas fabricantes de outras alternativas renováveis ao óleo diesel fóssil. Especialmente o óleo vegetal hidrotratado (HVO) e o bioquerosene de aviação (bioQAV).

“A alteração no nosso estatuto reforça esse posicionamento, demonstrando que estamos atentos à evolução tecnológica dos biocombustíveis e comprometidos com a adoção de uma matriz energética cada vez mais limpa e eficiente no país”, diz o presidente do Conselho de Administração da entidade, Erasmo Carlos Battistella. Em fevereiro, Battistella anunciou a intenção de investir US$ 800 milhões para montar uma unidade produtora de HVO no Paraguai.

Novo conselho

Na mesma assembleia, foi eleita a nova composição do Conselho de Administração da Aprobio. Erasmo Carlos Battistella segue como presidente do colegiado e Rodrigo Prosdócimo Guerra, como vice-presidente.

Para integrar o Conselho, foram eleitos Alberto Borges de Souza, Marcelo Alcantara de Queiroz, Silvio Henrique da Silveira Roman e Fernanda Bocchi. Os membros escolhidos para o Conselho Fiscal são Luiz Osório Dumoncel e Silvio Cezar Pereira Rangel.

Fonte: BiodieselBR

Setor de biodiesel quer financiamento do BNDES

Apesar de alguma turbulência inicial relacionada à chegada do B11, o setor de biodiesel está para entrar numa nova fase de expansão acelerada. Para tanto, as entidades representativas da indústria esperam convencer o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a financiar de forma ativa a expansão da capacidade produtiva no país, como aconteceu durante o começo do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB).

Com o objetivo de iniciar uma conversa nesse sentido, nessa terça-feira (04) representantes das três principais entidades do setor – Abiove, Aprobio e Ubrabio – e da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel (FrenteBio) se reuniram com executivos do banco público de fomento.

“[Na reunião] deixamos claro o sentimento do setor da necessidade do BNDES voltar a ter um relacionamento efetivo, com linhas de acesso ao setor de biodiesel”, explicou o presidente da FrenteBio, deputado federal Jerônimo Goergen, num vídeo postado na Internet.

B15

Editada em novembro passado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), a Resolução 16/2018 estipula que a mistura obrigatória de biodiesel deverá avançar para 15% até 2023. Isso deverá representar um aumento de pelo menos 50% sobre a atual produção de biodiesel – sem considerar a expansão no consumo de diesel ou os efeitos da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio).

Para fazer frente aos investimentos que serão necessários para viabilizar essa expansão, o setor quer acesso facilitado aos fundos geridos pelo banco.

“Foi uma reunião importante. O início de conversa. Ficamos agendados de seguir conversando e construindo mecanismos e linhas que atendam a demanda do setor de biodiesel”, resume Jerônimo.

Fonte: BiodieselBr

Frente Parlamentar Mista do Biodiesel é lançada com apoio dos ministros da Agricultura e de Minas e Energia

A Frente Parlamentar Mista do Biodiesel, que reúne 234 deputados e senadores, foi lançada nesta quarta-feira (22), em Brasília com a presença, do Legislativo, da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, do Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e das entidades do setor produtivo. Atualmente, o país é o segundo produtor mundial do produto e responsável pela produção de mais de 5 bilhões de litros de biodiesel por ano.

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, confirmou que a validação da mistura B11 será autorizada em breve, graças a um trabalho que uniu Anfavea, o Sindipeças, o setor de biodiesel e a Agência Nacional do Petróleo. “A implantação da mistura B11 será feita após estudos de curta duração sobre aditivação do biodiesel no INT (Instituto Nacional de Tecnologia). Os resultados desses estudos serão analisados e atestados por instituição independente, no caso a UFRJ, garantindo a melhor governança e qualidade na integração dos biocombustíveis na matriz energética e de transporte no Brasil. Isso deverá ser concluído nos próximos dois meses”, disse Albuquerque, sobre o trabalho conduzido pela pasta.

O ministro destacou ainda que esse trabalho tem foco na proteção do consumidor, ressaltando que o B11 substituirá a importação de 600 milhões de litros de diesel, gerando uma economia de R$ 1,3 bilhão por ano ao Brasil. Ele destacou que há muitos desafios para o setor de biodiesel no país. “Mas estamos aqui para ajudar nessa missão”, acrescentou.

O setor de biodiesel foi representado pelos presidentes da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), da Aprobio (Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil) e da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioqueresene). Atualmente, o setor conta com 50 indústrias autorizadas a produzir biocombustível, que em 2019 devem produzir cerca de 6 bilhões de litros, um recorde para o setor.

Durante o evento, as três associações e os presidentes da Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio), deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) e da Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético, deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) assinaram o termo de cooperação para atuação em prol do RenovaBio.

A agenda prioritária da FPBio é dividida em três pontos: a implantação imediata do B11, a efetivação do RenovaBio e dos créditos de descarbonização (CBIOs), e o fortalecimento da industrialização de grãos no país como forma de agregar valor a toda a cadeia de produção do biodiesel no país.

Agricultura

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, ressaltou a importância da FPBio e do biodiesel para o país. “Nós temos muitas coisas para terminar, fazer acontecer no setor. Vocês podem ter certeza que o Ministério da Agricultura é parceiro”, disse.

Tereza Cristina afirmou ainda que o biodiesel é um dos bons exemplos que o Brasil tem para dar ao mundo. “Nós temos muito para mostrar ao mundo, principalmente para alguns países da Ásia. Fiz apresentações sobre o assunto [em viagem recente ao continente asiático] e muitos querem vir aqui para conhecer”, destacou.

O presidente do Conselho da Aprobio, Erasmo Carlos Battistella, afirmou que o Brasil tem o potencial de ser protagonista no mercado de biodiesel no mundo. “Acreditamos que a Frente vai fazer uma união entre setor produtivo e a sociedade. Acredito que a frente parlamentar pode fazer mais. Realmente dar o destaque que o Brasil merece no setor produtivo no mundo”, afirmou.


Battistella afirmou que 17 representantes de embaixadas participaram do evento. “Isso mostra o quanto o biodiesel está sendo demandando pelo mundo. O Brasil tem uma grande oportunidade de liderar a ‘OPEP VERDE’. Junto com Paraguai, Uruguai, Argentina, no Mercosul, o Brasil pode, sim, ser o protagonista de um mercado que vai crescer muito”.

O presidente Executivo da Abiove, André Nassar, ressaltou a importância da união das três associações para o setor produtivo de biodiesel. Além disso, destacou que o Brasil é o segundo maior produtor de soja no mundo e pode ocupar o primeiro posto. “Temos que pensar grande e agregar mais valor [ao produto]”, disse. “Ter três entidades nem sempre significa trabalhar em conjunto. Hoje, o trabalho conjunto é de tal forma que um pensa e o outro concorda. Quero ressaltar essa capacidade de articulação conjunta da iniciativa privada”, completou.

O presidente da Ubrabio, Juan Diego Ferrés, destacou as condições naturais da agricultura como um fator importante para a produção de biodiesel no país. Ele apontou que esta é a segunda vez que Jerônimo Goergen é presidente da frente parlamentar. “Eram menos deputados da primeira vez. Na segunda cresceu muito, e os sonhos continuam grandes”, disse. “O biodiesel permite extraordinário aproveitamento das potencialidades do Brasil: água, trabalho e sol”, completou.

“O Brasil é um país privilegiado com condições inigualáveis para a agricultura. Precisamos agregar valor à nossa produção e o biodiesel faz isso. Quanto maior a produção e uso de biodiesel, maior o investimento em indústria, pesquisa, inovação e geração de empregos e renda”, disse Juan Diego Ferrés.

O presidente da Frente Parlamentar, deputado Jerônimo Goergen, saudou o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmando que era a primeira vez que o encontrava pessoalmente. “O carisma e a simpatia do ministro combinam com um momento como esse”, afirmou o deputado.

O parlamentar ressaltou que o setor começou com a mistura B3 e, atualmente, já tem o RenovaBio. “Primeiro buscamos a consolidação do setor, agora queremos o seu avanço”, disse. “O Brasil precisa daqueles que acreditam na mudança de rumo que o presidente Bolsonaro está tentando conduzir”, completou.

O presidente da Frente Parlamentar de Valorização pelo Setor Sucroenergético, deputado Arnaldo Jardim ressaltou a convergência do setor em um momento que o país tem posições “muitas vezes extremadas”. “Quando o biodiesel foi pensado falaram que não daria certo, vocês acreditaram, vocês fizeram dar certo”, disse.

B11 imediato

O setor considera que a adição obrigatória do biodiesel deve avançar, de forma gradual, de acordo com o que está previsto na Lei n° 13.263/2016 e na Resolução nº 16/2018 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Desta forma, é preciso adotar o B11 imediatamente, o que significa tornar obrigatória a adição de 11% de biodiesel ao diesel fóssil comercializado no país, respeitando o cronograma de aumento de 1% ao ano no teor de mistura para alcançar o B15 em 2023.

RenovaBio

Outra reivindicação do setor é a regulamentação e implementação efetiva da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), conforme previsto na Lei n° 13.576/2017. A iniciativa tem como premissas o reconhecimento dos biocombustíveis, o estabelecimento de metas de redução de emissões de carbono e a indução de eficiência energética e ambiental na produção e uso de combustíveis. Segundo o Ministério de Minas e Energia, os biocombustíveis serão a “Máquina de Captura de CO2”, produzindo energia mais limpa e mais barata para sociedade.

Fortalecimento da indústria

O documento também demanda o desenvolvimento de uma política circular e intrasetorial para compensar as distorções no mercado, reduzindo a vulnerabilidade dos produtores brasileiros, que têm 80% das vendas de soja (principal produto da pauta de exportação nacional) in natura ligada à China. Essa preocupação decorre do fato de o Brasil sofrer nos últimos anos um forte processo de desindustrialização, que leva os produtores a depender quase que exclusivamente de um único mercado consumidor.

O que é o biodiesel

O biodiesel é um biocombustível feito a partir de fontes renováveis, utilizado como substituto do combustível mais usado no Brasil: o diesel fóssil. O uso do composto é obrigatório no Brasil desde 2008 e desde então o teor de mistura com o diesel fóssil evoluiu de 2% para 10%. Em março de 2018, a adição de 10% de biodiesel ao diesel de petróleo vendido no território nacional passou a ser obrigatória por exigência da Lei 13.263/2016, que também prevê a adoção do B15 (15% de biodiesel) em 2023.

A substituição do combustível fóssil por um produto renovável alivia a dependência de diesel importado, melhorando a qualidade do ar e contribuindo com a redução da emissão de gases que causam o efeito estufa.

Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel entrega agenda de inovação do biodiesel para a ministra da Agricultura, Tereza Cristina

O presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel (CSOB) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e diretor superintendente da APROBIO, Julio Cesar Minelli, entregou nesta quarta-feira (24) uma minuta da agenda de inovação para a cadeia do Biodiesel para a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em Brasília.

O documento apresenta as principais metas e ações estratégicas do setor para os próximos anos. O objetivo da agenda é promover a inovação na cadeia de produção do biodiesel por meio de ações estratégicas nas vertentes da pesquisa e desenvolvimento, da transparência de tecnologias e das políticas públicas, visando ampliar a competitividade e a evolução em bases sustentáveis do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel. Entre os principais desafios está a contínua evolução da PNPB, incluindo misturas superiores a B15.

A entrega do documento aconteceu na Casa do Cooperativismo, durante evento de lançamento da Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), que reúne cerca de 300 congressistas.

Setor de biodiesel terá uma nova agenda estratégica

Na semana passada, os membros da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel puderam ver em primeira-mão o novo planejamento estratégico que pretende apontar o caminho para que a indústria brasileira de biodiesel atinja um novo patamar de eficiência. O documento é fruto de 10 meses de esforços de um grupo de trabalho que foi formado em meados do ano passado.

“Precisamos de um norte, algo que nos mostre onde queremos chegar. Só quando você tem isso, consegue ver as responsabilidades que você consegue assumir e que projetos consegue realizar”, explicou à BiodieselBR.com o pesquisador da Embrapa Agroenergia, Bruno Laviola, que respondeu pela coordenação do GT responsável pela elaboração da agenda. “Desde o início, decidimos elaborar um plano alinhado com a forma como o setor produtivo enxerga o futuro do biodiesel”, completa.

Por esse motivo, o GT foi além do cronograma de implementação do B15 até 2023 já autorizado pelo CNPE e encampou o B20 como o horizonte de mercado no processo de elaboração dos cenários que serviram de referência durante o processo de elaboração da agenda. Essa é uma bandeira que as três principais entidades representativas do setor – Abiove, Aprobio e Ubrabio – vêm empunhando desde outubro de 2016 quando foram convidadas pelo Ministério de Minas e Energia (MME) a consolidarem metas de longo prazo para a indústria.

O documento de 2016 fez parte do processo inicial de elaboração do Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio).

Segundo Bruno, se a progressão de aumentos de um ponto percentual ao ano na mistura obrigatória já aprovada pelo CNPE puder ser ampliada para contemplar o B20, a produção nacional de biodiesel em 2028 seria aproximadamente 18 bilhões de litros anuais.

Desdobramentos

Foi a partir deste horizonte geral que o GT desdobrou quatro grandes metas: ampliar a participação de matérias-primas diferentes de soja e sebo para 15% do mercado; aumentar a participação das regiões Norte e Nordeste para 20% da produção nacional; colaborar para que 65% da produção brasileira de soja seja esmagada internamente; implantar pelo menos duas plantas piloto com tecnologia que permita a produção a partir de matérias-primas de baixa qualidade.

Embora reconheça que muitas dessas sugestões já venham sendo debatidas pelo setor há tempos, Bruno ressalta que a grande novidade da agenda estratégica é explicitar metas que possam ser atingidas nos próximos 10 anos.

Para chegar nesse resultado, o GT não contou somente a expertise de seus membros. “Além de consultas à pesquisadores, fizemos uma enquete sobre o que eles achavam que precisava ser feito e enviamos para várias pessoas e entidades do setor”, explica Bruno acrescentando que recolheram cerca de 20 sugestões.

Número e data

A diversificação das matérias-primas é uma das chaves para garantir que a cadeia de biodiesel cresça de forma sustentável. “Mas só dizer ‘precisamos diversificar’ não é muita coisa. Agora nós colocamos um número e um prazo: queremos 15% da matriz do biodiesel venha de fontes diferentes de soja e sebo até 2028”, diz.

Pelas contas do GT, isso exigiria que o país produz pelo menos 2,7 milhões de toneladas de óleos e gorduras diferentes de soja e sebo ao ano. Metade disso deverá vir da produção de óleo de palma e metade de oleaginosas de ciclo anual como a canola e o girassol.

Outra frente de batalha seria a expansão da produção de biodiesel no Norte e Nordeste que hoje representa 9% do total nacional para cerca de 20%. “Isso equilibraria melhor a produção com o consumo e melhoria a logística do biodiesel no Brasil”, avalia.

Levar a produção de biodiesel para essas duas regiões é um sonho antigo – e nunca concretizado – do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB). Para Bruno, faltou um mapeamento adequado das matérias-primas pelas diferentes microrregiões do Nordeste. “Você tem a área do Matopiba onde a soja vem ganhando corpo, mas também as áreas do litoral. Nesses esforços sempre faltou mapear adequadamente onde é possível aumentar a produção de oleaginosas e, a partir desse diagnóstico, desenhar políticas públicas e linhas de financiamento específicas”, elabora.

Mais esmagamento

Para atingir a meta de aumentar a processamento de soja no mercado interno, a própria expansão da demanda – e produção – de biodiesel será um ponto fundamental. Mantida a matriz atual de matérias-primas do setor, a demanda esperada para 2028 exigiria o esmagamento de praticamente metade de produção anual da sojicultura nacional.

Outra linha de atuação que a Câmara Setorial poderia adotar para incentivar o esmagamento seria difundir novas oportunidades de agregação de valor dentro do complexo soja. “Hoje as esmagadoras aproveitam relativamente poucos dos bioprodutos que o processamento da soja poderia permitir entre eletricidade, farelos proteicos especiais ou, até mesmo, etanol de melaço de soja como o que a Caramuru já vem produzindo”, elabora Bruno.

“Nós já temos estudos mostrando que é mais viável financeiramente agregar valor do que simplesmente exportar a soja em grão. Que isso pode gerar ganhos tanto para o setor produtivo quanto em termos de arrecadação tributária. Temos que difundir melhor esse conhecimento”, complementa.

Resíduos

Talvez a mais singela das metas propostas esteja na instalação de plantas piloto para a difusão de novas tecnologias dentro do setor de biodiesel. Embora o setor ainda tenha muita capacidade instalada ociosa – no ano passado mais de um terço da capacidade das usinas ficou subutilizada – o que inibe qualquer mudança maior na base tecnológica das usinas, o aproveitamento de matérias-primas de baixa qualidade e custo mais atrativo pode criar vantagens competitivas para as usinas. “O investimento pode valer a pena para permitir o aproveitamento de uma oportunidade regional”, especula.

O foco seria permitir a incorporação de uma parcela maior de óleos residuais na produção de biodiesel. Os casos paradigmáticos seriam o óleo de cozinha usado e o óleo de macaúba de comunidades extrativistas. “No extrativismo os frutos são coletados do chão e isso quer dizer que, normalmente, eles já passaram do ponto o que aumenta sua acidez. O processo de transesterificação não é tão eficiente com esse tipo de óleo”, explica acrescentando que muitos outros processos industriais geram subprodutos que poderiam ser incorporados caso o setor tivesse a tecnologia produtiva adequada. “O desafio é mapear esses produtos para podermos avaliar como viabilizar a escala e a sua coleta desses resíduos”, pontua.

O GT está aparando as arestas finais do texto. A expectativa do presidente da Câmara Setorial, Julio Cesar Minelli, é que o documento final esteja pronto para apresentação para a ministra Teresa Cristina já na próxima semana. Na sequência o documento será tornado público.

Fonte: BiodieselBR

ANP realiza workshop sobre qualidade do biodiesel

A ANP realizou ontem (9) o Workshop Qualidade de Biodiesel e suas Misturas, em Brasília. O evento, que debateu os principais aspectos sobre qualidade do biodiesel B-100 e do óleo diesel B, teve participação de produtores de biodiesel, produtores de aditivos antioxidantes, representantes de distribuidores e revendedores, universidades, Petrobras e Ministério de Minas e Energia (MME).

Na abertura, o diretor da ANP Aurélio Amaral destacou a importância de assegurar a qualidade da mistura óleo diesel/biodiesel em função do cronograma de aumento do percentual de biodiesel.

Ele reiterou ainda o esforço da ANP em concluir os estudos de parâmetros críticos do óleo diesel BX, com a recente inclusão do B15 em seu escopo. “Em função dos resultados, a ANP revisará as especificações, aí incluo o valor limite para estabilidade à oxidação. Todas essas questões não devem ser tratadas de maneira isolada, requerendo participação de todos os envolvidos, de produtores a usuários finais dos combustíveis”.

Ao final do workshop, os participantes fizeram uma visita ao Centro de Pesquisas e Análises Técnicas (CPT) da ANP.

Fonte: ANP

*A APROBIO esteve presente no evento representada pelo diretor superintendente, Julio Cesar Minelli.

 

Biodiesel tem papel fundamental na redução de gases de efeito estufa

Erasmo Battistella, presidente da Aprobio, é o entrevistado desta semana do programa Conexão Agro

A BSBIOS é uma das três maiores empresas produtoras de biodiesel no país, biocombustível que vem ganhando espaço no país. Em 2008, o produto era adicionado ao diesel numa proporção de 2%; em 2018, a taxa passou para 10%. Segundo Battistella, o biodiesel tem um papel fundamental no processo na redução de emissão de gases de efeito estufa.

Brasil produziu 5,35 bilhões de litros de biodiesel em 2018

Turbinada pela chegada do B10, a produção brasileira de biodiesel deu um salto em 2018, registrando seu melhor desempenho em toda a história. Fechadas as contas do ano, as usinas brasileiras fabricaram um total de 5,35 bilhões de litros. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (28) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A produção em dezembro foi de 487,4 milhões de litros, 27,4% maior do que no último mês do ano passado.

Previsível

O recorde era previsível uma vez que tivemos um inédito aumento de dois pontos percentuais na mistura obrigatória a partir de março passado. A questão real era de quanto ele seria. E os números de 2018 não desapontaram.

O volume fabricado ao longo do ano foi um bilhão de litros maior do que o de 2017. Esse foi o maior aumento absoluto na produção de nacional de biodiesel desde que o setor começou a ter sua atividade acompanhada em 2005. O recorde anterior era de 2010 quando a produção aumentou quase 778 milhões de litros em relação ao ano anterior.

Nos trilhos

Percentualmente, o crescimento foi de 24,7%. Esse é o melhor desempenho desde 2010 quando o crescimento foi de 48,4%. Ele fica um pouco acima dos 23,4% de crescimento esperado pelo apenas o aumento da mistura. Ou seja, o mercado de diesel também cresceu em 2018.

Ainda falta a ANP liberar os números de dezembro para que possamos ter uma ideia mais precisa do tamanho do crescimento do diesel em 2018. Mas os dados até novembro indicavam para um crescimento discreto – na faixa dos 1,5% – com um volume comercializado ainda bem abaixo do período pré-crise.

Vale ressaltar, no entanto, que o mercado de diesel foi duramente atingido pela greve de caminhoneiros acontecida em maio. Naquele mês, as vendas do derivado encolheram 18,2% em relação ao mesmo mês de 2017. Se eliminássemos o resultado de maio completamente das contas, as vendas estariam apresentando um crescimento de 3,4%

De qualquer forma, os números finais ficaram bem próximos aos das projeções feitas pelo do mercado. Durante a edição mais recente da Conferência BiodieselBR, as três principais entidades representativas do segmento – Abiove, Aprobio e Ubrabio – disseram que esperavam que o mercado movimentasse entre 5,3 e 5,4 bilhões de litros em 2018.

Fonte: BiodieselBR

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