ANP realiza workshop sobre qualidade do biodiesel

A ANP realizou ontem (9) o Workshop Qualidade de Biodiesel e suas Misturas, em Brasília. O evento, que debateu os principais aspectos sobre qualidade do biodiesel B-100 e do óleo diesel B, teve participação de produtores de biodiesel, produtores de aditivos antioxidantes, representantes de distribuidores e revendedores, universidades, Petrobras e Ministério de Minas e Energia (MME).

Na abertura, o diretor da ANP Aurélio Amaral destacou a importância de assegurar a qualidade da mistura óleo diesel/biodiesel em função do cronograma de aumento do percentual de biodiesel.

Ele reiterou ainda o esforço da ANP em concluir os estudos de parâmetros críticos do óleo diesel BX, com a recente inclusão do B15 em seu escopo. “Em função dos resultados, a ANP revisará as especificações, aí incluo o valor limite para estabilidade à oxidação. Todas essas questões não devem ser tratadas de maneira isolada, requerendo participação de todos os envolvidos, de produtores a usuários finais dos combustíveis”.

Ao final do workshop, os participantes fizeram uma visita ao Centro de Pesquisas e Análises Técnicas (CPT) da ANP.

Fonte: ANP

*A APROBIO esteve presente no evento representada pelo diretor superintendente, Julio Cesar Minelli.

 

Minerva quadruplica capacidade produtiva

A Minerva está fazendo novos investimentos em seus negócios no setor de biodiesel. A empresa recebeu nesse segunda-feira (11) autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) que permite que sua usina em Palmeiras de Goiás (GO) quadruplique sua capacidade produtiva.

Com a autorização a unidade produtiva goiana vai mais do que quadruplicar sua capacidade instalada indo dos 16,2 milhões de litros ao ano atuais para 72 milhões de litros.

Pouco destacada

Segunda maior exportadora de carnes do Brasil com atividades em cinco países, a empresa tem presença – ainda que modesta – no ramo de biodiesel desde o começo de 2011. Essa é a primeira ampliação pela qual a unidade passa em oito anos de atividade.

A usina da Minerva está longe da elite do setor de biodiesel. Com capacidade produtiva de 16,2 milhões de litros, ela ocupa a antepenúltima colocação no ranking de fabricantes – 48ª posição. Com a ampliação, ela passará a dividir o 35º lugar com a usina de Sumaré (SP) da Prisma.

Apesar da pouca expressividade, a Minerva vem se mantendo ativa no setor. Desde que ela entrou em operação em janeiro de 2011, ela vem mantendo a produção de forma bastante consistente. A única falha é um período de oito meses entre julho de 2016 e fevereiro de 2017

Uma cópia da autorização dada à Minerva pode ser consultada clicando aqui.

Fonte: BiodieselBR

Produção de biodiesel cresceu 32% em janeiro

O ano começou relativamente bem para as usinas brasileiras. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção de biodiesel no mês de janeiro foi de 446,4 milhões de litros. Esse volume é praticamente um terço – 32,1% – maior do que o registrado no mesmo mês de 2018, quando a produção reportada foi um pouco maior que 337,8 milhões de litros.

Mesmo se levarmos em conta que em janeiro de 2018 o percentual de mistura obrigatória ainda estava no B8, o crescimento foi robusto. Sozinho, o aumento pode explicar um crescimento de apenas 25%. Embora os números sobre as vendas de combustíveis pelas distribuidoras em janeiro ainda não tenham sido disponibilizados, essa diferença pode sinalizar que o mercado um aquecimento na demanda por óleo diesel.

Em janeiro de 2018, o consumo de diesel foi de 4,13 bilhões de litros.

A última vez em que o comparativo anual indicou um crescimento tão robusto foi justamente em janeiro de 2018 quando a produção mensal superou a de 2017 em praticamente 35%.

O ritmo de crescimento no volume de biodiesel fabricado no país vem se acelerando nos últimos meses. Em setembro passado, as usinas reportaram uma produção de 21% maior do que no mesmo mês de 2017; esse percentual vem se expandindo a cada mês desde então.

Em níveis absolutos, janeiro não se sai assim tão bem. A produção foi a menor desde maio passado. Historicamente, contudo, os primeiros dois meses do ano costumam ser os piores para as usinas com a produção realmente engatando a partir de março.

Maior

O maior fabricante o mês foi a Granol de Anápolis, que colocou 29,9 milhões de litros de biodiesel no mercado. A usina goiana repetiu o desempenho de dezembro quando tomou a primeira colocação da Oleoplan de Veranópolis.

O Rio Grande do Sul foi a maior praça produtora de biodiesel do país, com 119,6 milhões de litros.

No total, tivemos 38 unidades produtivas ativas em janeiro, o mesmo número que tivemos em dezembro do ano passado.

Fonte: BiodieselBR

Décio Oddone: ‘devemos evitar subsídios e intervenções’ no setor de óleo e gás

O diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), Décio Oddone, 59 anos, defende que não haja subsídios e intervenções do governo no setor de óleo e gás.

Oddone referia-se à criação do chamado Brasduto, já aprovado pelo Senado e pronto para ser votado na Câmara. Em entrevista ao Poder360 na 3ª feira (26.fev.2019), ele afirmou:

“Devemos evitar, sempre que possível, subsídios, fundos e intervenções. Deixamos o mercado trabalhar e construir os gasodutos que forem viáveis no seu tempo. Devemos deixar para trás os momentos de intervenção, de dirigismo e de uso de recursos públicos para atividades distintas das mais nobres do Estado, para quais faltam recursos no Brasil.”

No comando da agência reguladora desde dezembro de 2016, Décio já diz publicamente que não quer ser reconduzido ao cargo para ficar mais 4 anos. O mandato atual termina em dezembro de 2020.

Um dos objetivos até deixar a agência, segundo o diretor, é adotar medidas regulatórias para tornar o mercado de gás natural aberto para novos agentes e, consequentemente, mais competitivo.

Décio é enfático ao defender o fim do monopólio da Petrobras nos setores de gás e refino. Para o diretor, é necessário que a sociedade “tenha consciência” de que o domínio da estatal nestes segmentos garante lucros apenas aos acionistas da empresa.

“O monopólio é de quem o detém. No caso do refino do petróleo no Brasil, o monopólio é da Petrobras e seus acionistas. Parte deles somos nós, como sociedade brasileira, via as ações que o Estado tem na empresa, mas também há acionistas privados. A Petrobras tem hoje 1 mandato que é legítimo para maximizar o lucro para os acionistas”, disse.

O diretor também é contra qualquer tipo de intervenção do governo nos preços dos combustíveis. Décio defende que os reajustes sejam baseados nas cotações do petróleo no mercado internacional, como é feito atualmente pela Petrobras.

Entretanto, ele tem ressalvas sobre como a empresa divulga os preços de combustíveis praticados nas refinarias. Afirma ser necessário haver uma explicação mais clara sobre a formação dos valores dos combustíveis para os consumidores finais.

Na avaliação dele, é importante esclarecer que, além do preço da commodity (petróleo), o preço pago nas bombas é composto pelas margens de lucro das distribuidoras e revendedores e, principalmente, pelo peso da carga tributária.

Sobre a discussão do Supremo Tribunal Federal em relação à decisão cautelar (liminar, ou seja, provisória) que proíbe a Petrobras de vender ativos sem aval do Congresso, diz que “espera que haja o entendimento” de que a atração de novos players é positiva para o país.

Depender dos deputados e senadores para prosseguir com os desinvestimentos da estatal poderia atrasar a venda de ativos, o que vai na contramão do que Décio defende. Para ele, atualmente o processo já não está na velocidade ideal.

Responsável pela organização dos trâmites para realização de leilões de óleo e gás, Décio falou com cautela sobre a revisão do contrato da cessão onerosa e da realização de 1 megaleilão do pré-sal, que pode render mais de R$ 100 bilhões aos cofres públicos.

A expectativa é que o assunto seja avaliado pelo Conselho Nacional de Política Energética nesta 5ª feira (28.fev). Superada essa etapa, o diretor afirma que a agência finalizaria os trâmites técnicos para realização da rodada em 4 meses.

Nascido em Lavras do Sul (RS), Décio estudou engenharia elétrica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Administração na Harvard Business School, nos Estados Unidos.

É funcionário aposentado da Petrobras, pela qual consolidou carreira internacional ao atuar no Brasil, Angola, Líbia e presidido as subsidiárias na Argentina e Bolívia.

Antes de assumir a diretoria-geral da ANP, exerceu cargo de diretor de projetos de óleo e gás da Prumo Logística, de julho de 2015 a novembro de 2016.

Assista a seguir a entrevista gravada em vídeo (23min50seg) no estúdio do Poder360 na 3ª feira (26.fev.2019):

A seguir, a transcrição de trechos da entrevista de Décio Oddone ao Poder360:

Poder360 – A expectativa é que o Conselho Nacional de Política Energéticaanalise a revisão do contrato da cessão onerosa e a realização do megaleilão de petróleo nesta 5ª feira. Superada esta etapa, gostaria de saber quais são os procedimentos que a ANP deverá tomar até a realização do leilão de fato?
Décio Oddone – Uma vez tomada a decisão política de realizar qualquer leilão –pode ser este que você está mencionando, o do excedente da cessão onerosa–, a ANP começa os trâmites normais de realização do leilão. Isso toma uns 4 a 5 meses. Esse é o prazo normal que temos para viabilizar 1 leilão. Muitas vezes conseguimos enxugar, porque algumas das decisões precisam ser publicadas em atos oficiais do governo, e havendo a aceleração desses atos, conseguimos encurtar o prazo. Eu diria que 4 meses é 1 prazo normal para se viabilizar 1 leilão, uma vez aprovado.

Se aprovado ainda neste mês, é possível realizar o leilão ainda neste ano?
A gente precisa de 4 meses. É possível.

Abrir uma nova rodada de negociação com os Estados que querem parte da arrecadação pode atrasar a realização do leilão?
Eu prefiro não comentar o assunto da cessão onerosa além do tema prazo. Estou sob acordo de confidencialidade. Assinei 1 documento que me faz manter em reserva as informações que tenho sobre o assunto.

Além desse megaleilão, temos 2 leilões de óleo e gás agendados para o 2º semestre deste ano. Quais as expectativas do senhor?
Muito positivas. As duas rodadas que temos para 2019 são das mais atraentes que nós já realizamos. A 16ª rodada de concessão prevê uma série de blocos próximos ao polígono do pré-sal, com uma atratividade muito grande. A 6ª rodada de partilha também tem áreas muito atraentes. Estamos agora trabalhando com o Conselho Nacional de Política Energética na definição do cronograma exato dessas rodadas. Vai depender de como ficará a questão da cessão onerosa.

Já tem data para os leilões?
A previsão é que seja no 2º semestre.

É perceptível que desde que a Petrobras adotou o mecanismo de hedge, houve uma redução na frequência de reajustes de preços dos combustíveis nas refinarias. Essa medida é suficiente para amenizar as críticas à política de preços da Petrobras?
Precisamos, de uma vez por todas, tratar essa questão de preço de combustíveis como 1 assunto normal. O problema é que durante décadas, desde que a gente se conhece por gente, é 1 tema politizado no Brasil. Temos uma empresa estatal que depende de decisões de governo. Por isso, o preço dos combustíveis se transformou em 1 assunto de governo, quando no mundo inteiro as commodities, não só os combustíveis, são precificadas internacionalmente.
Nunca tivemos no Brasil, efetivamente, 1 ambiente competitivo e transparente que permitisse que a variação de preço das commodities chegassem ao consumidor. Os preços foram liberados no Brasil em 1º de janeiro de 2002, já se vão quase 20 anos. Ao longo desse período, houve intervenções. Como a Petrobras é uma empresa estatal, ficou a percepção da última grande intervenção, que foi entre 2011 e 2014, de que a Petrobras vendia os combustíveis a preços inferiores aos do mercado internacional.
Isso não é verdade. Eu vou repetir: não é verdade. Durante a maior parte do tempo, desde 2002, os preços estiveram acima do mercado internacional. Estou me referindo à gasolina e ao diesel. Podemos verificar que os preços dos outros derivados, que não têm esse grau de importância para a inflação, economia, e para o PIB [Produto Interno Bruto], foram geralmente superiores aos preços internacionais.
Precisamos ter no Brasil a consciência de que monopólio não é bom para ninguém. O monopólio não é nosso, é de quem o detém. No caso do refino do petróleo no Brasil, o monopólio é da Petrobras e seus acionistas. Parte deles somos nós, como sociedade brasileira, via as ações que o Estado tem na empresa, mas também acionistas privados. A Petrobras tem hoje 1 mandato que é legítimo para maximizar o lucro para os acionistas. Ao fazer isso, a Petrobras não está minimizando os preços para o consumidor brasileiro. Muito pelo contrário. Quer dizer, maximizar o seu lucro. Ao fazer isso, a Petrobras não está minimizando os preços para o consumidor brasileiro. Muito pelo contrário.
Essa política da Petrobras, vigente desde 2016, deve ser acompanhada de ações regulatórias para mitigar o efeito do monopólio. A ANP está trabalhando para dar mais transparência para a formação e divulgação dos preços dos combustíveis. A forma como a Petrobras divulga os preços não é adequada nem respeitosa com a sociedade.
Precisamos que a sociedade entenda que preço de combustível varia como de qualquer outra commodity e isso precisa estar presente para atrairmos investimentos e não ficarmos dependentes de importações, como somos hoje. Só vamos conseguir isso com transparência na formação de preço e com competitividade, que passa por eliminar o monopólio da Petrobras no refino. Há uma investigação em andamento no Cade. Espero que isso traga resultado. A própria Petrobras tem se manifestado, repetidamente, que quer outras empresas competindo no refino. Acho isso muito saudável. Não só para a empresa, mas, principalmente, para a sociedade brasileira.
A formação de preço não termina na commodity do combustível. Também é composta pelas margens que estão na cadeia: distribuição e revenda e também pelos impostos, que são elevados no Brasil. Se olharmos o comportamento dos preços dos principais combustíveis no Brasil –gasolina e diesel– ao longo dos últimos anos, e excluirmos a parte do preço da commodity, percebemos que tudo subiu. As margens das distribuidoras subiram, as margens de revenda subiram, e os impostos subiram. O consumidor paga a conta. Isso é Custo Brasil. Então a maneira de nós termos preços justos é tendo competição em todos os elos da cadeia.

Em novembro, a ANP solicitou que as distribuidoras explicassem o porquê os preços nas bombas não acompanham os reajustes nas refinarias da Petrobras. O que as distribuidoras alegam? E o que a agência pode fazer para garantir que essas reduções cheguem ao consumidor final?
A ANP e o Cade são os órgãos que têm a obrigação de acompanhar esse tipo de questão. Identificadas as distorções, de 1 potencial abuso, é responsabilidade da ANP encaminhar ao Cade, órgão responsável pela avaliação de potenciais infrações no âmbito da competição e do abuso do poder econômico. Havendo essa constatação nós encaminharemos.

O plenário do STF pode abrir discussão sobre a decisão liminar [provisória] que proibiu a Petrobras de vender ativos sem aval do Congresso. O senhor acha que há alguma extrapolação de competência por parte do Judiciário?
Do ponto de vista de representante do órgão regulador do setor, nós consideramos que monopólios não são bons para a sociedade. A Petrobras tem posição dominante em 2 segmentos: o refino e o gás natural. Para o órgão regulador, a venda de ativos da Petrobras e a atração de outras empresas para investir no setor é muito positiva e esperamos que outros órgãos da administração pública tenham esse entendimento.

A Petrobras está vendendo seus gasodutos sem considerar que a construção foi, em grande parte, subsidiada pelo governo. A Petrobras pode vender esses ativos como se fossem parte exclusiva do patrimônio da estatal?
Porque foi construído subsidiado pelo governo? Os investimentos da Petrobras foram feitos com recursos da Petrobras, gerados pelas suas operações no passado. A Petrobras há muitos anos é uma companhia de capital aberto, com ações negociadas na bolsa brasileira e também em outras bolsas, como a de Nova York. Não há conexão entre o Tesouro e a Petrobras, pelo menos, há décadas.
A Petrobras deve ter liberdade para administrar seu portfólio de investimentos, gasodutos, refinarias e outros ativos. Mas os órgãos reguladores, como a ANP e o Cade, devem ter a responsabilidade de olhar esse plano de desinvestimentos da Petrobras e avaliar se a forma como está sendo adotado e se as estratégias de desinvestimentos são adequadas do ponto de vista regulatório.

Até o momento, qual a avaliação do senhor e da ANP sobre como tem sido conduzido o processo de desinvestimentos da Petrobras?
Tem sido conduzido segundo interesses da Petrobras. Nós gostaríamos que alguns dos desinvestimentos fossem feitos de forma mais célere. Já nos manifestamos em relação a isso. Principalmente no que diz respeito aos desinvestimentos de campos de petróleo e gás maduros, como chamamos os campos mais antigos. A Petrobras está buscando desinvestir, mas não tem sido rápida o suficiente. A falta de investimentos nesses campos reduz a geração de empregos e a arrecadação, não só para a União, mas especialmente para Estados e municípios que dependem desses recursos –principalmente alguns municípios pequenos do Nordeste. Então, no nosso ponto de vista, esses desinvestimentos devem ser mais rápidos e nós, inclusive, já acionamos a Petrobras para que faça isso.

De acordo com dados da Abegás, o consumo de gás natural caiu 2,8% em 2018. O que é necessário ser feito no âmbito de regulação, da ANP, e do governo federal para termos 1 mercado de gás mais aberto e competitivo?
Precisamos ter 1 mercado de gás aberto e competitivo. O que temos hoje é uma dominância excessiva da Petrobras, herança desses anos e décadas desse monopólio que até hoje persiste. Até 1997, a Petrobras era 1 monopólio estatal formal. Neste ano, surgiu a nova lei do petróleo e a ANP foi criada. Mas essa medida de abertura só ficou concentrada no setor de exploração e produção de petróleo, com os leilões da ANP que vemos. Ainda assim, passamos 1 bom tempo sem leilões, mas felizmente agora retomamos.
Mas essa abertura nunca chegou efetivamente ao mercado de refino nem ao mercado de gás natural. E é necessário que chegue agora. Tem uma série de medidas que precisam ser tomadas para que tenhamos competitividade, transparência, diversidade de agentes no mercado de gás natural. Só assim vamos ter 1 mercado de gás natural no Brasil. E é muito importante que a gente tenha nesse momento em que a sociedade, não os agentes econômicos, já escolheu a transição para uma economia de mais baixo carbono.
Nesse ambiente, o gás natural é fundamental, pois é o combustível de transição entre o petróleo e o carvão para as energias renováveis.
Precisamos, antes que seja tarde, criar esse mercado diversificado de gás natural e reduzir o preço. A exemplo de outros combustíveis que já falamos aqui, os preços do gás no Brasil são muito superiores aos do mercado internacional, o que é ruim para o consumidor, para a indústria e para a economia. Temos a possibilidade de fazer uma revolução no mercado de gás natural, com benefícios enormes para a sociedade brasileira.

O senhor poderia pontuar alguns dos obstáculos para termos esse mercado ideal hoje? 
Da mesma forma que a ANP se manifestou junto ao Cade em relação ao mercado de refino, ela se manifestou em relação ao mercado de gás natural. Em outubro, enviamos uma nota para o Cade com essas medidas. As principais são: o acesso às infraestruturas, ou seja, às instalações que hoje são da Petrobras e que os concorrentes não têm acesso.
Ao não ter acesso a gasodutos e às plantas industriais que fazem o tratamento do gás, os concorrentes não conseguem vender o gás natural no mercado, tem que vender para a Petrobras que, posteriormente, vende muito mais caro para o consumidor final. Por isso, o livre acesso é importantíssimo.
A desverticalização do setor, ou seja, que uma companhia não seja dona de todos os elos de cadeia:  produzir gás natural, ser dona dos gasodutos, ser a transportadora e a comercializadora do gás. Também temos questões relacionadas com a administração desse sistema, uma vez que haja uma abertura. Mas, o mais importante é a atração de outros atores para que haja competição.

Uma das queixas do setor e das empresas é a falta de infraestrutura para escoar e transportar gás. Considerando que o país tem cerca de 45.000 quilômetros de gasodutos, contra uma malha de quase 2 milhões de quilômetros nos Estados Unidos e de 150.000 quilômetros na Argentina, gostaria de saber a opinião do senhor em relação a proposta de criar 1 fundo para financiar a expansão de gasodutos no país?
As atividades econômicas têm que ser justificadas por si só. Devemos evitar, sempre que possível, subsídios, fundos e intervenções. Deixamos o mercado trabalhar e construir os gasodutos que forem viáveis no seu tempo. Devemos deixar para trás os momentos de intervenção, de dirigismo e de uso de recursos públicos para atividades distintas das mais nobres do Estado, para as quais faltam recursos no Brasil.
Não termos recursos para investir em saúde, em educação, em segurança, e vamos investir em gasodutos? Deixa que as empresas invistam em gasodutos e serem remuneradas por tarifas. Vamos criar 1 mercado de gás e esse mercado vai se encarregar de ser pujante por si só. Quanto mais intervenção tiver, pior vai ser a inserção do gás natural no mercado.

Qual seria a solução para este problema de infraestrutura caso a iniciativa privada não faça esses investimentos?
A iniciativa privada não faz esses investimentos porque ela não tem acesso. O que nós precisamos é criar 1 mercado de gás natural e dar as condições para que os investimentos venham. Investimentos em infraestrutura de gás natural e de energia são altamente financiáveis. Existem recursos abundantes para financiar esses investimentos. Isso não acontece no Brasil pois o mercado não está aberto e não há condições para que haja competitividade no mercado de gás.
A lei do gás vigente não permite a construção de gasodutos por autorização, precisa ter uma concessão, uma licitação para construção dos dutos. Muitos atores não se animam para propor 1 projeto de gasoduto, gastar recursos projetando para depois esse gasoduto ser disputado por outro agente. Precisamos criar condições para que o mercado venha e não continuarmos no dirigismo que nos trouxe até aqui, para o mercado de gás irrelevante para 1 país como o Brasil.

Tem alguma expectativa da retomada da discussão da atualização da Lei do Gásno Congresso Nacional neste ano?
Estamos avançando o máximo possível nos assuntos relacionados à regulação para que o mercado do gás natural se desenvolva independente da aprovação ou não da lei do gás. São poucos os assuntos que efetivamente necessitam de mudança legal. Um desses é essa questão da obrigação de construção dos gasodutos por concessão. Gostaria muito de ver isso acontecer, mas isso depende de aprovação por projeto de lei. Se isso vai ser neste ano, no ano que vem, ou no outro, não temos clareza ainda. Mas, é absolutamente fundamental para que o mercado comece a abrir.

Recentemente, o senhor comentou que o preço do botijão de gás vendido pela Petrobras está acima da média internacional. Por que não acompanhamos o mercado internacional?
Durante 60 anos não acompanhamos o mercado internacional. Estivemos muitas vezes acima e algumas vezes abaixo. Precisamos seguir o mercado internacional e aprender a conviver com as regras de mercado que são boas para todo mundo, pois permite que a economia brasileira e a indústria se integrem facilmente às cadeias de produção globais. Quando você tem preços importantes como os de energia desconectados dos mercados globais, dificulta a inserção da nossa economia nas economias globais.
A questão do GLP [gás de cozinha] é fruto desse processo. A Petrobras trabalha com médias de preço, contas gráficas, e isso leva a esse tipo de situação. Hoje, a Petrobras está vendendo o botijão de GLP por cerca de R$ 25, os preços das agências independentes que acompanhamos está na casa de R$ 20. Isso precisa ser endereçado e até acredito que a própria Petrobras, ao ter interesse em vender suas refinarias, precisa praticar preços de mercado, ou não aparecerão interessados. O monopólio gera esse tipo de distorção.

Gostaria que o senhor pontuasse os objetivos dos próximos anos como diretor-geral da ANP.
É 1 tanto ambicioso, pois não tenho muitos próximos anos pela frente, meu mandato terminará no ano que vem. O nosso objetivo é transformar 1 país que viveu e vive sob 1 monopólio e alguns oligopólios em 1 mercado aberto, competitivo e dinâmico. Isso vale para o setor de exploração e produção, no qual já tivemos 1 conjunto de leilões exitosos que atraíram empresas para operar no Brasil, especialmente na região do pré-sal e em águas profundas.
Queremos fazer o mesmo em águas rasas e, especialmente, em terra. Revitalizar a exploração de petróleo e gás por pequenas e médias empresas no Brasil.
Queremos que o mercado de refino seja mais competitivo e que haja outras empresas investindo no Brasil, para que tenhamos excedente em derivados e exportadores de petróleo. Ao ter excedente de derivados podemos sair da situação de ser 1 país que forma preço via paridade de importação, que inclui os custos de internação e transportes, para paridade de exportação, que exclui esses custos. Essa é a única maneira de reduzir preços de derivados no Brasil sem se desconectar com o mundo.
Avançar na competição na cadeia de derivados líquidos, gasolina e diesel. Há necessidade de criar 1 ambiente mais competitivo, com menos amarras regulatórias. A regulação ditada pela ANP estabelece os papéis específicos de cada agente na cadeia e isso dificulta a competição.
A mesma coisa em relação ao gás de cozinha, no qual também precisamos ter maior competição, maior investimentos, maiores atratividade para que outros agentes importem e não só a Petrobras. No setor de gás natural, o objetivo é que o país deixe de ter 1 monopólio para ter 1 mercado.

Fonte: Poder 360

Matérias-primas desconhecidas voltam a superar sebo na produção de biodiesel

Durante o mês passado, as matérias-primas desconhecidas voltaram a tirar do sebo bovino a vice-liderança o mercado de matérias-primas para a produção de biodiesel. Essa é a segunda vez na história do setor que isso acontece. Os dados foram divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na manhã desta quinta-feira (21).

A diferença foi pequena. Em janeiro, o sebo ficou com um pouco menos de 12,5% do mercado de biodiesel enquanto as desconhecidas registraram 12,6%. Da última vez em que as posições se inverteram havia sido em março de 2017 quando o placar ficou em 9,3% a 11.9%. Em abril, no entanto, a situação voltou ao normal.

As desconhecidas – uma mistura indeterminada de óleos e gorduras que aparecem nos boletins das ANP sob o nome ‘outros materiais graxos’ – só passaram a ganhar posição de destaque dentro do mercado a partir do segundo semestre de 2016. Antes disso, elas tinham peso apenas modesto para as usinas ficando abaixo da barreira de um ponto percentual em muitos meses. Desde então, elas se consolidaram na terceira posição do ranking.

Nos últimos cinco meses, as desconhecidas vêm sempre ficando acima da marca de 10% do mercado.

Recorde sem recorde

Apesar do recorde relativo, a produção de biodiesel a partir das matérias-primas desconhecidas em janeiro foi de 56,5 milhões abaixo dos volumes registrados em outubro e novembro de 2018 que foi de, respectivamente, 58 e 58,3 milhões de litros.

Isso porque os números preliminares sobre a produção de biodiesel em janeiro também apontam para baixo. O boletim de matérias-primas da ANP fala em 446,5 milhões de litros fabricados no mês passado, o pior resultado mensal desde maio do ano passado quando as usinas colocaram no mercado 384,1 milhões de litros do biocombustível.

Com a queda no volume produzido, a produção de biodiesel de sebo também recuou para 55,7 milhões de litros. Esse é o número mais baixo desde fevereiro de 2018 quando a produção a partir da gordura bovina beirou 48 milhões de litros.

Ouro fosco

Enquanto a disputa pela prata se acirra, a soja segue isolada no topo pódio. Só que com um pouco menos de brilho.

Em janeiro, o óleo fabricado a partir do grão mais produzido no país conquistou 66,8% do mercado de biodiesel. Isso representa uma queda de quase um ponto percentual em relação ao mês anterior e o menor percentual nos últimos 12 meses.

Consolidando os números de 2009 até agora, em janeiro a soja costumava ficar com uma fatia do mercado de biodiesel equivalente a 70,7%. Esse, no entanto, já é o terceiro ano seguido em que ela fica sempre abaixo da marca de 70% no primeiro mês do ano.

A produção de biodiesel a partir de óleo de soja foi de 298,4 milhões de litros. Esse é o menor volume desde maio passado. Em relação à janeiro de 2018, a produção cresceu um praticamente 34%.

Esse volume produzido fez com que a indústria de biodiesel absorvesse o óleo equivalente ao processamento de 1,43 milhão de toneladas do grão.

Essa foi a terceira queda seguida na quantidade de soja esmagada para o atendimento da demanda de biodiesel e, novamente, é o menor valor mensal desde maio passado.

Dendê

O óleo de palma – ou azeite dendê como é mais popularmente conhecido – também tem se destacado nesses últimos meses depois de muitos anos aparecendo apenas como uma fonte promissora, mas minoritária.

Em janeiro, a palma foi a quarta matéria-prima mais usada pelas indústrias com pouco menos de 3,2% do mercado – praticamente igualando o recorde que havia sido batido em dezembro.

A produção reportada foi de 14,1 milhões de litros de biodiesel de palma. Embora essa quantidade seja 7,1% menor que em dezembro, este foi o terceiro mês consecutivo em que essa matéria-prima se manteve acima de 10 milhões de litros fabricados.

Fonte: BiodieselBR

Bento Albuquerque participa de seminário “O Futuro da Matriz Veicular no Brasil”, no Rio

O Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque encerrou hoje o seminário “O Futuro da Matriz Veicular no Brasil”, realizado no Rio de Janeiro, promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O encontro teve início ontem (20/2) e reuniu especialistas para discutir a convivência entre os biocombustíveis e a eletricidade como fontes de energia para os veículos brasileiros.

Em seu discurso salientou que o Brasil, muito em breve, poderá contar com o modelo de veículo híbrido flex, utilizando etanol hidratado. “Teremos em circulação o meio automotivo mais limpo no mundo, pois ele emite um terço das descargas de CO2 do veículo elétrico europeu”, destacou o ministro.

“Algumas outras iniciativas, como o Renovabio – lembrou o ministro -, tem por objetivo oferecer uma matriz nacional de combustíveis mais limpa, por meio do aumento da participação dos biocombustíveis, proporcionando previsibilidade ao mercado e orientando investimentos em expansão da produção”.

Bento Albuquerque lembrou que a safra 2018/19 foi 13% superior à safra anterior, e que o etanol hidratado teve participação recorde na matriz ao suprir 51% da demanda de combustíveis para veículos leves.

O ministro concluiu sua fala parabenizando a ANP pela iniciativa e pelo êxito alcançado, afirmando que o MME vem buscando a implementação de medidas e providências focadas na realidade do País, e que “nesse contexto de transição tecnológica, temos a convicção de que é fundamental induzir uma resposta adequada dos agentes econômicos, procurando beneficiar o consumidor com a garantia do abastecimento e com a oferta de combustíveis mais baratos”.

No evento foi abordado o futuro da matriz veicular no mundo, as macrotendências de mobilidade, o impacto da eletrificação veicular na matriz já existente no país, bem como os desafios à eletromobilidade no Brasil. No segundo dia, o tema das discussões foi o melhor caminho para o país em relação aos biocombustíveis e aos veículos elétricos e também o que é preciso definir em termos de políticas de governo e sob a ótica regulatória.

Participaram do seminário o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, e os diretores Aurélio Amaral e Dirceu Amorelli, além de superintendentes e técnicos da Agência.

Fonte: MME

ANP discute matriz veicular brasileira

A ANP realiza, nos dias 20 e 21/2, o seminário “Futuro da Matriz Veicular no Brasil”, no Rio de Janeiro. O encontro reunirá especialistas para discutir a convivência entre os biocombustíveis e a eletricidade como fontes de energia para os veículos brasileiros.

Na abertura, o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, destacou a importância do debate que será promovido pelo evento. “Cada época tem seus desafios. Os nossos estão entre os maiores que a indústria de energia já viveu. Temos uma superposição de desafios no Brasil e no mundo inédita. No mundo, estamos tentando nos desvencilhar dos combustíveis fósseis e caminhar para uma economia de baixo carbono. No Brasil, vivemos um momento de abertura nos setores de gás e elétrico e a retomada dos biocombustíveis, além do desafio da eletrificação.O objetivo deste seminário é juntar as partes interessadas no tema e produzir algo que possa contribuir com a política energética nacional”, afirmou.

No primeiro dia será abordado o futuro da matriz veicular no mundo, as macrotendências de mobilidade, o impacto da eletrificação veicular na matriz já existente no país, bem como os desafios à eletromobilidade no Brasil. No segundo dia, o tema das discussões será o melhor caminho para o país em relação aos biocombustíveis e aos veículos elétricos e também o que é preciso definir em termos de políticas de governo e sob a ótica regulatória.

O encerramento do seminário será feito pelo ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

Fonte: ANP

Venda de combustíveis registrou estabilidade no ano passado

A venda de combustíveis no mercado brasileiro mostrou estabilidade no ano passado, com 136,060 bilhões de litros comercializados e aumento de 0,025% em relação aos 136,026 bilhões vendidos em 2017. Os dados foram apresentados nesta terça-feira (19) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no Rio de Janeiro.

O diretor-geral da ANP, Décio Oddone, defendeu a adoção de preços relacionados à paridade de importação. Segundo Oddone, isso é fundamental para atrair investimentos. “Todos se beneficiam com isso. Queremos, cada vez mais, trazer transparência para o mercado. Precisamos decidir se queremos continuar com monopólio, oligopólio, intervenção no mercado, ou se queremos transparência e um mercado competitivo”, afirmou.

Apesar da relativa estabilidade, alguns setores já sinalizam recuperação. O crescimento do óleo diesel B de 2017 para 2018 foi de 1,4%, o que indica movimento de recuperação da economia. Contribuíram para esse crescimento a expansão do licenciamento de veículos novos, em especial ônibus e caminhões, e o aumento da venda de máquinas agrícolas.

Por outro lado, a comercialização do etanol hidratado subiu 42,1%, passando de 13,642 bilhões de litros em 2017, para 19,385 bilhões de litros no ano seguinte, motivada, em grande parte, pelo ganho de competitividade frente à gasolina C nos estados maiores produtores de etanol. O querosene de aviação cresceu 7,6%, motivado pela expansão do setor de aviação.

Gasolina

O relatório da ANP revela também que a gasolina diminuiu o volume comercializado em 13,1% em relação a 2017, caindo de 44,150 bilhões de litros para 38,352 bilhões de litros, no ano passado. O mesmo percentual de queda foi observado no etanol anidro (misturado à gasolina). Já o etanol total, que é a soma de anidro e hidratado, aumentou 16,3%, passando de 25,563 bilhões de litros para 29,740 bilhões de litros.

As vendas de biodiesel cresceram 25,3% (de 4,302 bilhões de litros em 2017 para 5,391 bilhões de litros em 2018). O crescimento foi resultado do aumento da mistura obrigatória ao diesel em março de 2018 de 8% (B8) para 10% (B10), informou a ANP. Os dados revelam ainda que a comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP) caiu 1% (de 13,389 bilhões metros cúbicos para 13,257 bilhões metros cúbicos), em função do aumento dos preços médios ao longo do ano, embora o PIB industrial tenha crescido 3% de um ano para o outro.

O levantamento indica também recuo de 31,6% na comercialização de óleo combustível (de 3,385 bilhões de litros para 2,316 bilhões de litros). O gás natural veicular (GNV) mostrou expansão de 12,3% no volume comercializado, passando de 5,395 milhões de metros cúbicos por dia para 6,056 milhões de m³/dia.

De acordo com a ANP, as importações dos principais derivados de petróleo diminuíram 24,5% entre 2017 e 2018, devido à combinação da retração na demanda interna e do aumento da produção nacional desses produtos. No caso dos biocombustíveis, foi registrada queda de 84% das importações em razão do aumento da produção nacional.

Fonte: Jornal do Brasil

65º Leilão de Biodiesel da ANP negocia 977,52 milhões de litros

No 65º Leilão de Biodiesel da ANP foram arrematados 977,52 milhões de litros de biodiesel (volume obrigatório e voluntário). Destes, 976,29 milhões de litros foram para mistura obrigatória, sendo 99,79% deste volume oriundo de produtores detentores do selo Combustível Social. O preço médio foi de R$ 2,333/L, sem considerar a margem Petrobras, e o valor total negociado atingiu o patamar de R$ 2,278 bilhões, refletindo um deságio médio de 20,64 % quando comparado com o preço máximo de referência médio (R$ 2,940/L).

A apresentação das ofertas de biodiesel ocorreu em um único dia (4/2), com 40 produtores disponibilizando um volume total de 1,124 bilhões de litros, sendo 99,79% de produtores detentores do selo Combustível Social.

No primeiro dia de seleção das ofertas (6/2) foram arrematados 884,18 milhões de litros de biodiesel exclusivamente de produtores detentores de selo Combustível Social, em torno de 78,66% do total ofertado para todo o leilão.

No segundo dia (7/2) foram arrematados 92,11 milhões de litros de biodiesel de produtores detentores ou não de selo Combustível Social, em torno de 8,19% do total ofertado no leilão.

A apresentação e a seleção de ofertas de biodiesel para mistura voluntária ao óleo diesel ocorreram no dia 11/2, quando foram disponibilizados 26,47 milhões de litros, sendo 100 % de produtores detentores do selo Combustível Social. Este volume representa 17,9 % do saldo total de oferta não vendida para fins de adição obrigatória. Foram negociados 1,23 milhão de litros de biodiesel, representando 4,65% do total ofertado no leilão autorizativo.

Os Leilões de Biodiesel destinam-se a atender o disposto na Lei nº 13.263, publicada no DOU em 24/03/16, que estabelece em 10% o percentual mínimo obrigatório de adição de biodiesel ao óleo diesel vendido ao consumidor final (B10), em até 26 meses após a data de promulgação da Lei.

O 65º Leilão (L65) visa garantir o abastecimento de biodiesel no mercado nacional durante o período de 1º de março a 30 de abril de 2019, conforme diretrizes das Portarias do Ministério de Minas e Energia nº 476, de 15/08/12, e nº 576, de 11/11/2015, e critérios estabelecidos no Edital de Leilão Público nº001/19-ANP.

Os volumes comercializados somente serão validados após homologação pela diretoria da ANP.

Fonte: ANP

Retiradas de biodiesel ficam em 96,8% do comprado para o último bimestre de 2018

A performance de entregas das usinas fechou 2018 com uma ligeira melhora. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no último bimestre do ano as distribuidoras receberam 96,8% do volume de biodiesel que foi negociado durante o Leilão 63.

Esse resultado representa uma melhoria um pouco maior que um ponto percentual sobre o indicador do bimestre anterior, quando as retiradas ficaram em 95,7%. Um ano antes – no sexto bimestre de 2017 –, o indicador havia ficado em 95,4%

Se dependesse só de novembro, as distribuidoras teriam beirado a perfeição com retiradas de quase 99,7%. Em dezembro, no entanto, a performance caiu para 94% derrubando o resultado geral do bimestre.

Queda no volume

Apesar de representar uma melhora na performance, o volume entregue no sexto bimestre ficou menor. Entre novembro e dezembro, um pouco mais de 933,9 milhões de litros de biodiesel. O volume é 1,7% inferior aos 950,5 milhões de litros que saíram das plantas durante o quinto bimestre de 2018

Uma queda no final do ano é esperada. Ao longo dos anos, a curva típica de entregas das usinas sobe ao longo do primeiro semestre até atingir um platô entre os meses de setembro e outubro para, depois, apresentar uma queda.

No caso de 2018, no entanto, a queda começou um pouco mais cedo. O pico do mercado foi atingido no quarto bimestre quando as entregas se aproximaram dos 980,5 milhões de litros perdendo força a partir daí.

Considerando apenas os volumes efetivamente entregues e os preços médios do leilão, o faturamento do setor no bimestre foi de R$ 2,63 bilhões. A cifra é R$ 85,8 milhões menor do que poderia ser faturado se as entregas tivessem sido de 100%.

Melhores

O maior volume entregue no bimestre foi da Granol de Anápolis. Da unidade goiana saíram 66,1 milhões de litros de biodiesel o que representa 97% do montante vendido para o período.

Ela, no entanto, não foi apresentou a melhor performance no período. Esse mérito cabe a Bio Vida que entregou 108,9% além do volume com que havia se comprometido no L63. A unidade entregou 98 m³ de biodiesel e havia vendido 90 m³.

Outras duas unidades – a Minerva e a BSBios de Passo Fundo – também superaram a barreira do 100%. Juntas, elas colocaram 172 m³ de biodiesel a mais do mercado.

No bimestre, apenas a Olfar de Porto Real não conseguiu atingir o piso de 90% exigido pela ANP. A planta fluminense entregou 15,2 milhões de litros, 84,4% dos 18 milhões de litros que negociou no L63.

Se a agência reguladora considerar que a responsabilidade pelo baixo resultado é da Olfar, a empresa poderá ter que cumprir uma suspensão precisamente no Leilão 66 o que a deixaria de fora da estreia do B11.

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Autorizativo

Além das entregas para o mercado regular, o mercado autorizativo movimentou 419 m³ de biodiesel no bimestre. Isso dá cerca de 94,1% dos 445 m³ negociados durante a Etapa 5A do L63. Com esse resultado, o segmento movimentou perto de R$ 1,25 milhão.

A Bocchi entregou 377 m³ – 94,2% – para projetos autorizativos engordando seus ganhos em R$ 1,1 milhões. A Granol de Anápolis entregou 93,3% dos 45 m³ devidos arrecadando R$ 125,1 mil.

Fonte: BiodieselBR

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