Adaptações na agropecuária podem ajudar a reduzir gases de efeito estufa

Adaptações na prática agropecuária e nos padrões alimentares podem ajudar a reduzir quase 40% das emissões de gases de efeito estufa até 2050. Esse é o prazo para se atingir a meta do Acordo de Paris, de limitar o aumento da temperatura entre 1,5ºC e 2ºC

Embora considerado o principal vilão do aquecimento global, o dióxido de carbono não é o único responsável por absorver parte da radiação solar e redistribuí-la na atmosfera. De fato, o CO2 representa 55% das emissões, mas há outras substâncias que têm o mesmo impacto no aumento de calor no planeta. A agropecuária é a maior fonte mundial de lançamentos dos demais gases de efeito estufa e, agora, uma pesquisa do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados (IIASA) mostrou que mudanças nas práticas agropecuárias e alimentares poderiam reduzi-las em até 38% até 2050. Esse é o prazo para o mundo atingir a meta do Acordo de Paris: limitar o aumento da temperatura média a 2ºC e, preferencialmente, 1,5ºC.

O pesquisador Stefan Frank, do IIASA, liderou a equipe que realizou a primeira análise detalhada de mitigação do setor agropecuário, usando uma combinação de quatro diferentes modelos econômicos globais e avaliando o potencial de redução de lançamento de gases de efeito estufa. De acordo com Frank, sozinha, a agricultura poderia diminuir em até 15% as emissões de metano e óxido nitroso até 2050, um total estimado de 0,8-1,4 gigatonelada de dióxido de carbono equivalente por ano (GtCO2e/a), a um custo de US$ 20/t CO2e. Mudanças na dieta em países com consumo excessivo de carne e laticínios têm potencial de contribuir com diminuições adicionais de 0,6 GtCO2e/ano, uma redução total de 23%.
As emissões de metano e óxido nitroso vindas do setor agrícola representam atualmente de 10% a 12% dos lançamentos antropogênicos de gases de efeito estufa, e a porcentagem está crescendo, em grande parte, graças ao aumento do uso de fertilizantes sintéticos e do crescimento de rebanhos de ruminantes. Desde 1990, as emissões aumentaram em um terço, mas os dados mostram que a produção cresceu 70%, de modo que a agricultura está se tornando mais eficiente ao longo do tempo. Se o mundo quiser atingir a meta de estabilização climática do Acordo de Paris, no entanto, essas emissões terão de diminuir, segundo argumenta o artigo, publicado no Jornal do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados.
As indústrias de carne bovina e laticínios são altamente produtoras de gases de efeito estufa, e quatro modelos aplicados no estudo contribuiriam com mais de 2/3 do potencial total de mitigação na agricultura. Frank identificou como o setor poderá reduzir as emissões: opções técnicas, como suplementos para alimentação animal que melhoram a digestibilidade dos alimentos; opções estruturais, que são mudanças mais fundamentais na agricultura, como alterações nos níveis de produção, e opções da demanda, ou seja, migração dos consumidores para dietas com menos produtos de origem animal. “Direcionar ações de mitigação para um número limitado de regiões, como África, China, Índia e América Latina, que são áreas em desenvolvimento, e de commodities, como carne e leite, que são caracterizadas por intensidades de emissão relativamente altas, permitiria uma redução substancial das emissões”, afirma.

Demanda
Os modelos também mostram que, à medida que os preços do carbono sobem, apenas a diminuição da produção e do consumo dos produtos associados aos gases de efeito estufa tem potencial de frear as emissões. “As mudanças na dieta teriam um benefício adicional: à medida que cai a demanda em países com consumo excessivo, menos óxidos nitrosos e metano são gerados, ao mesmo tempo em que isso também proporcionaria uma distribuição mais equilibrada da ingestão calórica de carnes e laticínios em mais regiões do mundo, com benefícios para a segurança alimentar”, argumenta o pesquisador.
Coautor do trabalho, o pesquisador do IIASA Petr Havlík lembra, contudo, que reduzir o consumo não é suficiente para cumprir o Acordo de Paris, e que os governos têm de se esforçar para implementar ações de mitigação. “Todos os modelos demonstraram que a mudança na dieta pode contribuir apenas com parte dos esforços necessários para atingir a meta de estabilização climática de 1,5 °C, e os formuladores de políticas não devem esquecer as ações voltadas à produção, que são as mais promissoras para mitigação”, alerta.
Como os países signatários do tratado terão de monitorar periodicamente o progresso e fazer um balanço da implementação das ações, ele acredita que os resultados do estudo poderão ajudá-los a identificar prioridades regionais na agropecuária e ter uma compreensão melhor dos potenciais de contribuição do setor.

Fórum discute formas de monitorar a emissão de gases que causam o efeito estufa

A discussão que envolve práticas visando à redução de emissões de carbono pela agropecuária de Mato Grosso do Sul teve a participação de agentes do setor agropecuário do Brasil e do Paraguai, como Juan Francisco Facetti – assessor do ministro da agricultura e pecuária daquele País e da engenheira Paula Durruti – diretora de cooperação e coordenadora da Comissão Nacional de Mudanças Climáticas.

Do Brasil, ativamente nos trabalhos do Fórum e do Workshop participaram: Aloisio Lopes de Melo, da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda (MF), Pedro Alves Correa Neto, do Ministério da Agricultura (MAPA), Marcio Rojas da Cruz, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, chefes da Embrapa Informática Agropecuária, Pecuária Sudeste, Meio Ambiente, Florestas e Gado do Corte – coordenadora do evento, além de outras autoridades externas como do WRI Brasil, da Confederação Nacional de Agricultura, Korin Agropecuária, da rede de fomento-ILPF e Abrasel.

O Fórum denominado “Oportunidades de precificação de carbono no setor agropecuário” foi aberto nesta terça-feira, 27, no auditório do Sistema Famasul – Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul, com uma série de apresentações. Nesta ocasião foi lançado pelo governo do Estado de MS o “Programa Carne Sustentável e Orgânica do Pantanal” que visa agregar valor à carne pantaneira priorizando a preservação ambiental, o bem-estar animal e a produção de uma carne de qualidade livre de resíduos químicos. Segundo o governador do Estado, Reinaldo Azambuja, que participou das solenidades, “haverá incentivos fiscais aos produtores que aderirem o Programa”. Já o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, anunciou que serão implementadas políticas públicas inovadoras no Estado.

O Fórum que teve continuidade nesta quarta, 28, com o Wokshop “ferramentas de monitoramento de carbono na agropecuária”, abriu uma série de discussões sobre as emissões de carbono nas produções industriais e agropecuárias, especialmente em MS. A realização deste Fórum pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Gado de Corte) é uma contribuição e acima de tudo uma necessidade em se cumprir um acordo feito durante a COP 21, quando o Brasil se comprometeu em reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em 37% abaixo dos níveis de 2005, até 2025, e, na sequencia, reduzir as emissões de gases em 43% abaixo dos níveis de 2005, até 2030.

Para o Chefe-Geral da Unidade, Ronney Mamede o Fórum possibilitou a discussão dos impactos e das medidas que estão sendo implementadas e das oportunidades de mercado para o Brasil também no cenário internacional. Ele lembra que “a Embrapa e seus parceiros lideram inúmeros projetos voltados à redução de GEE e que tais projetos tem contribuído para a geração e o refinamento de informações sobre estoques de carbono e emissão de gases no país”.

Workshop apresenta ferramenta que calcula emissão de GEE na pecuária

Viviane Romeiro, Gerente de mudanças climáticas da WRI- Brasil, uma organização de pesquisa para desenvolvimento sustentável com sede nos EUA e que atua no Brasil há mais de 12 anos e em outros países, para proteger o ambiente e criar soluções que contribuam para o desenvolvimento de forma inclusiva e sustentável, é parceira da Embrapa e teve uma participação importante no Wokshop. A gerente apresentou e em uma oficina demonstrou o uso da ferramenta GHG Protocol, que calcula a emissão de GEE. “O GHG Protocolo Agropecuário é uma ferramenta que estabelece uma abordagem de manejo sustentável de paisagens que permite ao Brasil continuar o desenvolvimento do setor agrícola e ao mesmo tempo reduzir seu impacto nos ecossistemas e no clima. Hoje o setor apresenta um terço das emissões totais de GEE”, disse ela, que complementa: “a ferramenta é a primeira planilha a incorporar fatores de emissões específicos para o Brasil e auxilia os produtores rurais a mensurar as emissões desses gases”.

Melhor que quantificar é o produtor poder estabelecer técnicas de baixo carbono para reduzir os impactos ambientais e aumentar a produtividade.Viviane explica que reduzindo a emissão de gases o produtor pode aumentar em cinco vezes sua produtividade. Para isso a adoção de técnicas de baixo carbono como a de recuperação de pastagem degradada ou a adoção da ILPF é um dos caminhos.

O trabalho do WRI se estende por mais de 50 países, com escritórios no Brasil, China, Estados Unidos, México, Índia, Indonésia, Europa e África.

Resumo das discussões sairá em um mês

A coordenadora do Fórum, Lucimara Chiari, Chefe-Adjunta de Pesquisa & Desenvolvimento da Gado de Corte disse que o evento trouxe para discussão um tema de alta relevância para o setor que são os ganhos que o produtor poderá ter mediante a introdução de ferramentas de precificação de carbono no Brasil. “Já é fato que o produtor ganha com a adoção de tecnologias de baixo carbono, mas acreditamos que a introdução dessas ferramentas poderá ser um incentivo maior para a descarbonização dos sistemas de produção, contribuindo para que o Brasil atinja suas metas de redução de emissões”.

No Workshop foram apresentadas ferramentas de monitoramento de carbono na agropecuária, como a citada acima, que poderão auxiliar os trabalhos mostrando que as que as pesquisas evoluíram bastante nos últimos 10 anos. Essas ferramentas melhoradas, diz a pesquisadora Lucimara, além de outras, terão um papel vital para os mercados de carbono, qual seja: O Monitoramento, Relato e Verificação (MRV) de emissões de GEE. A chefe de pesquisa informou que será escrito um documento até o início do mês de abril sobre o “Potencial de precificação de carbono na agropecuária brasileira” a ser entregue ao coordenador do Projeto PMR-Brasil.
Nas discussões foram mostrados dados preocupantes e que merecem atenção e ações que contribuam para a redução das emissões de gases que comprometem o ambiente, como o aumento da temperatura global além do limite considerado administrável de até 2 °C. Outro dado apresentado, este pelo ministério da Ciência e Tecnologia de 31% de emissões de gases no Brasil em 2015 pelas atividades agrícola e pecuária, exige mais que atenção, mas ações mais efetivas.
Para Aloísio Melo (MF) que durante o Fórum apresentou o “Projeto PMR-Brasil: Explorando instrumentos de precificação de carbono para o Brasil”, os desafios são muitos e a redução requer olhar para vários setores da economia. “No setor agropecuário não é fácil nem simples medir a emissão de gases. Há de se contar com as novas tecnologias, coordenar os vários instrumentos, acompanhar custos e monitorar resultados”.

O evento foi uma realização da Embrapa tendo como co-realizadoras a WRI Brasil e a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul, em parceria com o Ministério da Fazenda, governo do Estado de MS por meio da Semagro, Secretaria de Estado de Fazenda Associação Brasileira de Pecuária Orgânica entre outros importantes apoiadores.

Fotos do evento
http://bit.ly/2F8IVRf

 

Fonte: Embrapa

Mudanças climáticas, mitigação de emissões e a agropecuária

O setor agropecuário ainda aparece tímido nas discussões sobre as implicações do Acordo de Paris, embora já venha assimilando medidas mitigadoras de emissões, inclusive por iniciativa própria dos agricultores, por exemplo, ao adotar o plantio direto. Ao mesmo tempo, parcela significativa das emissões a serem reduzidas são originadas de atividades agropecuárias e os compromissos assumidos pelo Brasil naquele fórum impõem a adoção de medidas para mitigação das emissões.

Na última década, pelos dados do Sirene (Sistema de Registro Nacional de Emissões)/MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), houve redução significativa de emissões totais, principalmente pela evolução descendente no componente de mudança do uso de solo e florestas que, em 2001, era de 1.261.220 Gg de CO2 equivalente GWP¹ e caiu, em 2010, para 349.176. A composição das emissões brasileiras evidencia que a agropecuária foi, em média, nessa década, a segunda fonte mais importante de contribuição para as emissões de gases de efeito estufa (GEE), alcançando, em 2010, segundo esses dados oficiais, 407.072 Gg de CO2 equivalente GWP.

Nesse componente de emissões pelo setor agropecuário, destaca-se o papel das atividades de pecuária bovina, principalmente a de corte. Quando se fala em emissões pelo setor agropecuário, em 2010, 57,6% eram decorrentes da fermentação entérica dos animais, seguidas pelas emissões dos solos agrícolas, com 34,5%, manejo de dejetos animais, com 4,3%, cultivo de arroz (devido à irrigação por inundação), com 2,4% e 1,3% da queima de resíduos agrícolas.

Como já mencionado, contudo, parte do setor agropecuário vem, há vários anos, adotando técnicas e formas de manejo que auxiliam, de modo geral, a gerir melhor os recursos naturais e, mais especificamente, a reduzir as emissões. Pode-se citar, por exemplo, a expansão do uso do cultivo mínimo e do plantio direto, sendo que este, além de reduzir o número de operações no preparo do solo, também diminui o uso de fertilizantes e de defensivos agrícolas.

Outro exemplo interessante é o do avanço no manejo de dejetos, dentre os quais se destaca o caso da suinocultura, que tem, também pela imposição da Resolução Conama n. 237/1997, favorecido a redução das emissões de gás metano há alguns anos. Outras estratégias de manejo cuja presença vem aumentando no Brasil também já contribuem para que o aumento da produção ocorra em moldes menos intensivos em emissões, como é o caso do sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e a inoculação de bactérias fixadoras de nitrogênio no plantio da soja, o que reduz a necessidade da adubação nitrogenada.

Nesse contexto de mudanças e avanços tecnológicos, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Social (MDAS), a partir de 2009, coordenam e executam, em parceria com outros órgãos do governo federal, o Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura, ou, como vem sendo chamado, Plano ABC, fundamentado na lei n. 12.187/2009 e instituído no decreto n. 7.390/2010. Este Plano prevê ações para incentivar os produtores a absorverem tecnologias sustentáveis de produção, que têm potencial de contribuir para os compromissos brasileiros de redução de emissões de GEE no setor agropecuário.

Ao se discutir opções de mitigação para os setores emissores de GEE, como propõe o Acordo de Paris, pode-se ressaltar que o setor agropecuário, embora tímido na internalização das discussões sobre estes objetivos, já vem se movendo em direção a um modelo mais sustentável estimulado por esse Plano e seus programas. Algumas das ações propostas, como a recuperação de pastagens, claramente beneficiam o produtor rural, já que permitem obter produtividade mais alta na pecuária, reduzindo a idade de abate dos animais, propiciando não só vantagens ambientais, mas melhor sustentabilidade econômica para a pecuária.

Dentre as metas estabelecidas para 2020 pelo Plano ABC, não só para sua adoção, mas também para a redução de emissões, destacam-se: a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas; o incremento de 4 milhões de hectares com Integração Lavoura-Pecuária-Floresta; expansão de 8 milhões de hectares em plantio direto e 5,5 milhões de hectares com fixação biológica de nitrogênio; aumento de 3 milhões de hectares de florestas plantadas e de 4,4 milhões de m3 de dejetos tratados.

A implementação do Plano ABC ainda é desafiada por entraves operacionais e é preciso avaliar, de fato, todo o percurso entre a liberação do crédito pelo governo federal, passando pela etapa de apresentação de projeto técnico, operacionalização dentro do sistema bancário e, finalmente, identificar se os produtores mais necessitados estão sendo alcançados pelo Plano. Desde o seu lançamento até o último ano, é certo que houve avanços relevantes, não somente no montante desembolsado pelos programas, que saltou de R$ 1,6 bilhão na safra 2011/12, segundo o Observatório ABC, para R$ 3,7 bilhões na safra 2014/15 (embora caindo para R$ 2 bilhões em 2015/16), mas também no maior e melhor alcance setorial. De fato, em meio à necessidade de avançar no debate sobre opções de mitigação das emissões, este Plano é relevante contribuição do setor agropecuário.

Apesar de a questão ambiental suscitar sempre a preocupação do produtor rural com potenciais elevações de seu custo de produção sem haver compensação na receita, a pecuária bovina pode se beneficiar muito com a consecução das metas de melhoria das pastagens e com a redução da idade dos animais para abate. A melhoria das pastagens deve permitir uma taxa de lotação maior, além do alcance dos objetivos de redução da degradação ambiental, contribuindo, assim como outras medidas, para que os animais sejam abatidos mais novos. Nessas condições, a produção de proteína animal deverá aumentar no médio prazo, por meio de processo que permitirá reduzir as emissões por tonelada de carne produzida.

É claro que há muitos outros componentes a serem inseridos nesta discussão, mas parece haver, de fato, uma gama de medidas que podem ser incentivadas na agropecuária brasileira e que não acarretariam custos elevados no curto e médio prazos, quando comparadas a outras medidas de intervenção clássica da política ambiental, como as que se discutem para os demais setores emissores (energia, transporte, indústria). Tal discussão deve levar em consideração, ainda, que há projeções de médio e longo prazos de aumento da produção e exportação brasileira de produtos agropecuários ou derivados de suas matérias-primas.

É certo, também, que o momento de crise deixa em segundo plano temas estruturais não só para este setor, mas nos demais da economia. As experiências internacionais de intervenção para redução de GEE no setor agropecuário ainda não são tão numerosas quanto aquelas identificadas para os setores industriais e de energia, à exceção do setor florestal, que se mostra mais amadurecido nesse debate. É certo, também, que a matriz energética brasileira com alta participação da biomassa também já reflete uma contribuição adicional do setor, na interface com a política energética e de combustíveis. Porém, não é possível permanecer alijado da discussão que se inicia e que, após o momento de crise, tende a ser retomada com ênfase. A agropecuária, mais do que uma visão de passivo ambiental nas emissões, pode e deve ser vista como uma fonte rica de possibilidades de mitigação, em processos que podem ser “ganha-ganha” para o negócio agropecuário e para o ambiente.

Texto de Sílvia Helena Galvão de Miranda-Professora da Esalq/USP-Pesquisadora da Cepea. 

Agropecuária sustenta crescimento de vagas com carteira assinada

O bom momento vivido pela agropecuária (que já teve impacto no PIB no primeiro trimestre) foi o principal responsável pelo resultado positivo na criação de vagas com carteira assinada em maio.

Entre demissões e contratações, foram criadas 34,2 mil vagas com carteira assinada no país em maio, melhor resultado para o mês desde 2014. O número é metade do obtido em abril (68,1 mil), mas é a primeira vez em mais de dois anos em que há dois meses seguidos de resultados positivos para o emprego.

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Fonte: Folha de S.Paulo

Mapa disponibiliza ferramenta de risco climático

Realizar o plantio no momento adequado reduz os riscos da ocorrência de eventos climáticos adversos na lavoura. Por isso, a Secretária de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) disponibiliza mais uma ferramenta que permite aos agricultores, agentes financeiros e seguradoras acessar informações sobre a melhor época de plantio das culturas, nos diferentes tipos de solo e variedades de cada cultura (ciclos de cultivares). É o Painel de Indicação de Riscos disponibilizado no site do Mapa.

De acordo com o coordenador-geral de Risco Agropecuário da Secretaria de Política Agrícola, Hugo Borges Rodrigues, o painel de indicação de riscos tem o objetivo de fornecer, em um formato amigável e de fácil interpretação, a indicação do risco envolvido na produção em cada decêndio (período de dez dias) do ano, por cultura, tipo de solo (arenoso, textura média e argiloso) e grupo de cultivar, conforme os estudos de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).

A nova ferramenta disponibiliza as informações do Zarc em formato de “tábua de risco” para as culturas de trigo e milho 2ª safra nas faixas de risco climático de 20%, 30% e 40%. Além disso, permite ao usuário acessar as datas de plantio mais adequadas para mais de 40 culturas em um formato de indicação de risco de 20%.

A partir de julho serão incorporadas novas culturas de verão (milho, soja, algodão, feijão e arroz) no Painel de Indicação de Riscos, após a publicação das portarias do ZARC no Diário Oficial da União.

Fonte: Mapa

Ministro fala sobre sustentabilidade da agropecuária brasileira para embaixadores de 21 países

Blairo Maggi também defendeu a necessidade de ampliar o comércio entre o Brasil, a Ásia e a Oceania

Embaixadores de 21 países da Ásia e Oceania se reuniram, na última quarta-feira (26), com o ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), na Embaixada da Tailândia para discutirem a intensificação do comércio agrícola entre os dois continentes.

Além da parceria comercial, o ministro apresentou aos embaixadores dados mostrando a sustentabilidade da agropecuária brasileira. “Os produtores brasileiros possuem uma consciência muito grande da importância da preservação ambiental, que não existe em nenhum outro país do mundo”, assegurou.

Blairo Maggi disse ainda que a preocupação com o meio ambiente tem um custo elevado para os produtores e defendeu que isso seja reconhecido pelo mundo nas negociações. Ele lembrou que o Código Florestal brasileiro tem exigido a preservação de áreas dentro das propriedades rurais e que o controle sobre elas está sendo monitorado por meio de satélites.

Ao final, o ministro recebeu convite para visitar Bangladesh e ampliar o mercado com o país asiático.

Fonte: Cenário MT

Evento sobre gases de efeito estufa recebe resumos até o dia 16 de maio

O II Simpósio Internacional sobre Gases de Efeito Estufa (SIGEE), promovido pela Embrapa e Sistema Famasul, a ser realizado entre os dias 7 e 9 de junho em Campo Grande (MS), recebe até o dia 16 de maio, resumos nas áreas de mudanças climáticas: mitigação e adaptação, fluxos de gases de efeito estufa, sequestro e balanço de carbono, modelagem, socioeconomia e políticas públicas.
Acadêmicos de graduação e pós-graduação interessados em submeter trabalhos devem ater-se à originalidade dos papers, que são no máximo dois por inscrito, e só serão aceitos mediante pagamento prévio da inscrição.
Os trabalhos são em inglês, de no máximo uma página, conforme modelo e normas disponibilizadas na página oficial do evento. Além disso, devem conter título, autores, filiação, endereço eletrônico, introdução, material e métodos, resultados e conclusões, referências e agradecimentos.
Os coordenadores do SIGEE sugerem aos interessados observar, atentamente, os conceitos de introdução, que descreve uma visão geral sobre o tema com definição dos objetivos do trabalho e relevância da pesquisa; material e métodos, que detalha como o trabalho foi realizado (procedimentos, estratégias e ambientes); e de resultados e conclusões, com o relato dos resultados obtidos e a análise dos autores com base nessas soluções, relacionando-as aos objetivos. Itens que geram dúvidas nos acadêmicos, em alguns momentos.
A comissão científica é coordenada pelo pesquisador da Embrapa Alexandre Berndt. Composta por 39 especialistas, de diversas áreas que envolvem o tema, ela reúne instituições como Embrapa, Fundação MS, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e Uniderp.
Simpósio – O II Simpósio Internacional sobre gases de efeito estufa na agropecuária (II SIGEE) é realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e Sistema Famasul, com apoio do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect), Senar/MS e Rede ILPF.
Fonte: Embrapa

Paraná tem o maior saldo de empregos na agropecuária dos últimos 11 anos

A força do agronegócio no Paraná promete avançar de forma expressiva em 2016. Prova disso é que logo nos dois primeiros meses do ano, a agropecuária foi responsável pela criação de 616 novos postos de trabalho – o maior saldo de empregos no setor, dos últimos 11 anos. Os dados resultam de um levantamento realizado pelo Observatório do Trabalho, da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social, que comparou o primeiro bimestre de cada ano na série histórica a partir de 2005.

Segundo o estudo, o saldo mais próximo desse resultado foi em 2007, quando o Paraná gerou 572 novas vagas de emprego, considerando que, naquele ano, o Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná chegou a 6,72%.

O superintendente estadual do Trabalho, Jorge Leonel de Souza, lembra que o desenvolvimento do setor agropecuário responde às flutuações econômicas internacionais. “No Paraná, o desempenho se deve, também, ao forte apoio do Governo do Estado aos setores produtivos, e, principalmente, às cooperativas, por meio da agência paranaense do BRDE”, afirmou Souza.

A agência paranaense do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul financiou às cooperativas o volume recorde de R$ 2,46 bilhões no período de 2011 até o fim de 2015. Somente no ano passado, o Banco contratou R$ 890,9 milhões – montante 205% superior ao volume de 2014 (R$ 291,5 milhões).

“O apoio ao setor do agronegócio tem consolidado a vocação para a agricultura do estado. A cada ano, temos avançado nesse mercado que, impulsionado pela agroindústria, tornou-se peça fundamental na geração de empregos com carteira assinada”, destacou o superintendente.

A influência econômica internacional também é evidente. Um exemplo é o saldo negativo de empregos no ano de 2008 e a expressiva eliminação de postos de trabalho formais no setor em 2009, resultados dos efeitos da crise mundial iniciada nos Estados Unidos. O estudo identificou ainda que, dentro da série histórica de 2008 a 2014, o Paraná não registrou a criação de empregos no setor no primeiro bimestre de cada ano. “O estado só veio de fato a retomar a geração de empregos no início de cada ano a partir de 2015, ano em que também se evidenciou um crescimento expressivo no setor da agroindústria paranaense, principalmente nos frigoríficos”, explicou Souza.

Exportações

No início de 2016, o desenvolvimento econômico do Paraná no setor agropecuário foi impulsionado pelas exportações. Um dos fatores que mais contribuíram para os bons resultados foi o crescimento nas exportações de grãos, especialmente do milho e da soja – que atualmente é o produto mais importante na pauta exportadora do estado.

Leia a notícia na íntegra no site Gazeta do Povo.

Fonte: Gazeta do Povo

Plano Safra 2016/2017 deve chegar a R$ 200 bilhões

Setor está preocupado com as taxas de juros que serão ofertadas e de onde virão os recursos

O Plano Safra 2016/2017, que será lançado na próxima semana, deve oferecer recursos da ordem de R$200 bilhões, de acordo com especialistas. Uma das principais preocupações do setor agropecuário é a manutenção das taxas de juros, que foram mais altas que no ciclo passado e que contribuíram para o acesso ao crédito ter crescido pouco.

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Fonte: Canal Rural 

Lançada plataforma de monitoramento de emissão de gases de efeito estufa na agropecuária

O presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes lançou, no dia 21 de março, a Plataforma Multi-institucional de Monitoramento das Reduções de Emissões de Gases de Efeito Estufa.

Situada nas instalações da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP), a Plataforma tem o objetivo monitorar da redução das emissões de gases de efeito estufa – (GEE) na agropecuária brasileira, bem como da dinâmica de estoque de carbono no solo, a partir da implantação de tecnologias referendadas.

Estiveram presentes na solenidade, autoridades regionais, como o prefeito em exercício de Campinas, Henrique Magalhães Teixeira, o vice-presidente da Câmara de vereadores de Jaguariúna, Ângelo Roberto Torres, além de representantes de instituições parceiras da Embrapa e do Plano ABC.
A inauguração ocorreu em conjunto solenidade de posse de Marcelo Morandi, como chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente.

O lançamento da Plataforma ABC está diretamente ligado ao compromisso do país quanto a uma agricultura de baixo carbono, ou seja, uma atitude responsável em relação às mudanças climáticas, além de evidenciar o potencial que a agricultura representa em também agregar benefícios para auxiliar na mitigação dos gases de efeito estufa. Boa parte destes gases não está diretamente relacionada à produção agropecuária, mas são capazes de impactar todo o planeta.

Segundo Maurício Lopes, a Plataforma ABC tem um grande papel a desempenhar em relação ao Plano ABC, pois atuará na validação de questões ligadas à concepção do Plano. “As tecnologias aplicadas na agricultura de baixo carbono envolvem diretamente o conhecimento técnico-científico da Embrapa, pois são, em grande medida, tecnologias desenvolvidas e testadas pela Empresa, e posteriormente, transformadas em política pública,” afirmou o presidente.

Conforme explicou Maurício, a efetivação do Plano gera uma necessidade crítica no país, uma vez que demanda a geração de um grande volume de informação organizada, cientificamente embasada, para mostrar ao mundo que o modelo de agricultura de baixo carbono que o Brasil escolheu é efetivo.  Gera resultados expressivos à medida que leva ao acúmulo de carbono no solo e diminui as emissões de carbono e gás de efeito estufa.

As tecnologias de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), sistema plantio direto (SPD), recuperação de áreas de pastagens degradadas, tratamento de dejetos animais, florestas plantadas e fixação biológica de nitrogênio (FBN), são capazes de responder como sistemas de produção com viés assertivo de produção agrícola sustentável, gerando muito menos impactos no ambiente.

Para o diretor Executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Ladislau Martin Neto, essas tecnologias, uma vez implantadas pelos produtores, de forma voluntária, por meio de políticas públicas de incentivo, reforçam a atenção quanto ao monitoramento.

Segundo ele, é fundamental para a Embrapa possuir uma plataforma como lócus na referência de trabalho e de lideranças das ações de monitoramento, capazes de auxiliar na construção de dados confiáveis, que possam atribuir a nossa agropecuária uma condição diferenciada, que justifique ao mundo a denominação de agricultura de baixo carbono.

O pesquisador e responsável técnico pela Plataforma de Monitoramento ABC, Celso Manzatto destacou o compromisso assumido pela Unidade da Embrapa Meio Ambiente em fornecer suporte administrativo para o adequado funcionamento da Plataforma, bem como o apoio logístico para apoiar as realizações de análises físicas e químicas, de geoprocessamento e outras análises que se façam necessárias, mesmo que venham a ser realizadas em outras Unidades da Empresa ou outras instituições de pesquisa.

Agricultura e baixa emissão

A agenda da agricultura de baixo carbono visa, à medida dos avanços de implantação das técnicas produtivas preconizadas no Plano ABC, reverter o senso comum de que a agricultura é fonte geradora somente de impactos negativos ao meio ambiente.

A Plataforma, por possuir um caráter multi-institucional, envolve um conjunto muito amplo de parceiros, como Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, Ministério do Meio Ambiente – MMA, a Rede Clima, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Universidades e outros.

Essas características se traduzem em oportunidade para também se atrair outros parceiros essenciais ao bom andamento do Plano, como o setor bancário de crédito e o setor privado.

Para Maurício, “este é o cenário ideal para criarmos as condições onde todos possam trabalhar uma estratégia conjunta que, por meio de um monitoramento eficiente do Plano ABC, possamos alcançar o aprimoramento das tecnologias e procedimentos propostos, combinando o uso inteligente da nossa base de recursos naturais com uma produção certificada, que possa alcançar o mundo e acessar os mercados mais exigentes no futuro,” disse Maurício.

Ativo econômico

As ações brasileiras para mitigar as emissões de CO² e, com isso, frear o aquecimento global, são capazes de gerar impactos positivos na economia do país.

O desenvolvimento da ideia do meio ambiente como ativo em franco desenvolvimento encontra consonância no fato do país possuir uma agricultura de baixo carbono, sustentada em uma política pública de governo.

Para o presidente da Embrapa, esse fato, por si, já representa um ativo muito representativo para o país perante o mundo.

Para ele, a forma como estão sendo conduzidos os Sistemas Integrados de Lavoura Pecuária (ILP) e Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) no Brasil, baseados em uma política pública de estímulo aos agricultores em incorporar essas tecnologias, já reforça a imagem do país na busca de sistemas de produção eficientes e mais sustentáveis.

Segundo Maurício Lopes, ao longo do tempo, a partir dessas políticas, será possível a geração de um conjunto enorme de ativos, por meio de métodos eficientes que permitam a descarbonização da agricultura.

“Isso irá abrir caminho, no futuro, para que os produtos brasileiros possam receber certificação de “carbono neutro” ou de “baixíssima emissão”, que irão fortalecer a liderança e o protagonismo da agricultura brasileira, talvez, como a mais sustentável do planeta,” finalizou o presidente.

Fonte: Rondoniagora

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