Mudanças climáticas, mitigação de emissões e a agropecuária

O setor agropecuário ainda aparece tímido nas discussões sobre as implicações do Acordo de Paris, embora já venha assimilando medidas mitigadoras de emissões, inclusive por iniciativa própria dos agricultores, por exemplo, ao adotar o plantio direto. Ao mesmo tempo, parcela significativa das emissões a serem reduzidas são originadas de atividades agropecuárias e os compromissos assumidos pelo Brasil naquele fórum impõem a adoção de medidas para mitigação das emissões.

Na última década, pelos dados do Sirene (Sistema de Registro Nacional de Emissões)/MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), houve redução significativa de emissões totais, principalmente pela evolução descendente no componente de mudança do uso de solo e florestas que, em 2001, era de 1.261.220 Gg de CO2 equivalente GWP¹ e caiu, em 2010, para 349.176. A composição das emissões brasileiras evidencia que a agropecuária foi, em média, nessa década, a segunda fonte mais importante de contribuição para as emissões de gases de efeito estufa (GEE), alcançando, em 2010, segundo esses dados oficiais, 407.072 Gg de CO2 equivalente GWP.

Nesse componente de emissões pelo setor agropecuário, destaca-se o papel das atividades de pecuária bovina, principalmente a de corte. Quando se fala em emissões pelo setor agropecuário, em 2010, 57,6% eram decorrentes da fermentação entérica dos animais, seguidas pelas emissões dos solos agrícolas, com 34,5%, manejo de dejetos animais, com 4,3%, cultivo de arroz (devido à irrigação por inundação), com 2,4% e 1,3% da queima de resíduos agrícolas.

Como já mencionado, contudo, parte do setor agropecuário vem, há vários anos, adotando técnicas e formas de manejo que auxiliam, de modo geral, a gerir melhor os recursos naturais e, mais especificamente, a reduzir as emissões. Pode-se citar, por exemplo, a expansão do uso do cultivo mínimo e do plantio direto, sendo que este, além de reduzir o número de operações no preparo do solo, também diminui o uso de fertilizantes e de defensivos agrícolas.

Outro exemplo interessante é o do avanço no manejo de dejetos, dentre os quais se destaca o caso da suinocultura, que tem, também pela imposição da Resolução Conama n. 237/1997, favorecido a redução das emissões de gás metano há alguns anos. Outras estratégias de manejo cuja presença vem aumentando no Brasil também já contribuem para que o aumento da produção ocorra em moldes menos intensivos em emissões, como é o caso do sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e a inoculação de bactérias fixadoras de nitrogênio no plantio da soja, o que reduz a necessidade da adubação nitrogenada.

Nesse contexto de mudanças e avanços tecnológicos, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Social (MDAS), a partir de 2009, coordenam e executam, em parceria com outros órgãos do governo federal, o Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura, ou, como vem sendo chamado, Plano ABC, fundamentado na lei n. 12.187/2009 e instituído no decreto n. 7.390/2010. Este Plano prevê ações para incentivar os produtores a absorverem tecnologias sustentáveis de produção, que têm potencial de contribuir para os compromissos brasileiros de redução de emissões de GEE no setor agropecuário.

Ao se discutir opções de mitigação para os setores emissores de GEE, como propõe o Acordo de Paris, pode-se ressaltar que o setor agropecuário, embora tímido na internalização das discussões sobre estes objetivos, já vem se movendo em direção a um modelo mais sustentável estimulado por esse Plano e seus programas. Algumas das ações propostas, como a recuperação de pastagens, claramente beneficiam o produtor rural, já que permitem obter produtividade mais alta na pecuária, reduzindo a idade de abate dos animais, propiciando não só vantagens ambientais, mas melhor sustentabilidade econômica para a pecuária.

Dentre as metas estabelecidas para 2020 pelo Plano ABC, não só para sua adoção, mas também para a redução de emissões, destacam-se: a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas; o incremento de 4 milhões de hectares com Integração Lavoura-Pecuária-Floresta; expansão de 8 milhões de hectares em plantio direto e 5,5 milhões de hectares com fixação biológica de nitrogênio; aumento de 3 milhões de hectares de florestas plantadas e de 4,4 milhões de m3 de dejetos tratados.

A implementação do Plano ABC ainda é desafiada por entraves operacionais e é preciso avaliar, de fato, todo o percurso entre a liberação do crédito pelo governo federal, passando pela etapa de apresentação de projeto técnico, operacionalização dentro do sistema bancário e, finalmente, identificar se os produtores mais necessitados estão sendo alcançados pelo Plano. Desde o seu lançamento até o último ano, é certo que houve avanços relevantes, não somente no montante desembolsado pelos programas, que saltou de R$ 1,6 bilhão na safra 2011/12, segundo o Observatório ABC, para R$ 3,7 bilhões na safra 2014/15 (embora caindo para R$ 2 bilhões em 2015/16), mas também no maior e melhor alcance setorial. De fato, em meio à necessidade de avançar no debate sobre opções de mitigação das emissões, este Plano é relevante contribuição do setor agropecuário.

Apesar de a questão ambiental suscitar sempre a preocupação do produtor rural com potenciais elevações de seu custo de produção sem haver compensação na receita, a pecuária bovina pode se beneficiar muito com a consecução das metas de melhoria das pastagens e com a redução da idade dos animais para abate. A melhoria das pastagens deve permitir uma taxa de lotação maior, além do alcance dos objetivos de redução da degradação ambiental, contribuindo, assim como outras medidas, para que os animais sejam abatidos mais novos. Nessas condições, a produção de proteína animal deverá aumentar no médio prazo, por meio de processo que permitirá reduzir as emissões por tonelada de carne produzida.

É claro que há muitos outros componentes a serem inseridos nesta discussão, mas parece haver, de fato, uma gama de medidas que podem ser incentivadas na agropecuária brasileira e que não acarretariam custos elevados no curto e médio prazos, quando comparadas a outras medidas de intervenção clássica da política ambiental, como as que se discutem para os demais setores emissores (energia, transporte, indústria). Tal discussão deve levar em consideração, ainda, que há projeções de médio e longo prazos de aumento da produção e exportação brasileira de produtos agropecuários ou derivados de suas matérias-primas.

É certo, também, que o momento de crise deixa em segundo plano temas estruturais não só para este setor, mas nos demais da economia. As experiências internacionais de intervenção para redução de GEE no setor agropecuário ainda não são tão numerosas quanto aquelas identificadas para os setores industriais e de energia, à exceção do setor florestal, que se mostra mais amadurecido nesse debate. É certo, também, que a matriz energética brasileira com alta participação da biomassa também já reflete uma contribuição adicional do setor, na interface com a política energética e de combustíveis. Porém, não é possível permanecer alijado da discussão que se inicia e que, após o momento de crise, tende a ser retomada com ênfase. A agropecuária, mais do que uma visão de passivo ambiental nas emissões, pode e deve ser vista como uma fonte rica de possibilidades de mitigação, em processos que podem ser “ganha-ganha” para o negócio agropecuário e para o ambiente.

Texto de Sílvia Helena Galvão de Miranda-Professora da Esalq/USP-Pesquisadora da Cepea. 

Agropecuária sustenta crescimento de vagas com carteira assinada

O bom momento vivido pela agropecuária (que já teve impacto no PIB no primeiro trimestre) foi o principal responsável pelo resultado positivo na criação de vagas com carteira assinada em maio.

Entre demissões e contratações, foram criadas 34,2 mil vagas com carteira assinada no país em maio, melhor resultado para o mês desde 2014. O número é metade do obtido em abril (68,1 mil), mas é a primeira vez em mais de dois anos em que há dois meses seguidos de resultados positivos para o emprego.

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Fonte: Folha de S.Paulo

Mapa disponibiliza ferramenta de risco climático

Realizar o plantio no momento adequado reduz os riscos da ocorrência de eventos climáticos adversos na lavoura. Por isso, a Secretária de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) disponibiliza mais uma ferramenta que permite aos agricultores, agentes financeiros e seguradoras acessar informações sobre a melhor época de plantio das culturas, nos diferentes tipos de solo e variedades de cada cultura (ciclos de cultivares). É o Painel de Indicação de Riscos disponibilizado no site do Mapa.

De acordo com o coordenador-geral de Risco Agropecuário da Secretaria de Política Agrícola, Hugo Borges Rodrigues, o painel de indicação de riscos tem o objetivo de fornecer, em um formato amigável e de fácil interpretação, a indicação do risco envolvido na produção em cada decêndio (período de dez dias) do ano, por cultura, tipo de solo (arenoso, textura média e argiloso) e grupo de cultivar, conforme os estudos de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).

A nova ferramenta disponibiliza as informações do Zarc em formato de “tábua de risco” para as culturas de trigo e milho 2ª safra nas faixas de risco climático de 20%, 30% e 40%. Além disso, permite ao usuário acessar as datas de plantio mais adequadas para mais de 40 culturas em um formato de indicação de risco de 20%.

A partir de julho serão incorporadas novas culturas de verão (milho, soja, algodão, feijão e arroz) no Painel de Indicação de Riscos, após a publicação das portarias do ZARC no Diário Oficial da União.

Fonte: Mapa

Ministro fala sobre sustentabilidade da agropecuária brasileira para embaixadores de 21 países

Blairo Maggi também defendeu a necessidade de ampliar o comércio entre o Brasil, a Ásia e a Oceania

Embaixadores de 21 países da Ásia e Oceania se reuniram, na última quarta-feira (26), com o ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento), na Embaixada da Tailândia para discutirem a intensificação do comércio agrícola entre os dois continentes.

Além da parceria comercial, o ministro apresentou aos embaixadores dados mostrando a sustentabilidade da agropecuária brasileira. “Os produtores brasileiros possuem uma consciência muito grande da importância da preservação ambiental, que não existe em nenhum outro país do mundo”, assegurou.

Blairo Maggi disse ainda que a preocupação com o meio ambiente tem um custo elevado para os produtores e defendeu que isso seja reconhecido pelo mundo nas negociações. Ele lembrou que o Código Florestal brasileiro tem exigido a preservação de áreas dentro das propriedades rurais e que o controle sobre elas está sendo monitorado por meio de satélites.

Ao final, o ministro recebeu convite para visitar Bangladesh e ampliar o mercado com o país asiático.

Fonte: Cenário MT

Evento sobre gases de efeito estufa recebe resumos até o dia 16 de maio

O II Simpósio Internacional sobre Gases de Efeito Estufa (SIGEE), promovido pela Embrapa e Sistema Famasul, a ser realizado entre os dias 7 e 9 de junho em Campo Grande (MS), recebe até o dia 16 de maio, resumos nas áreas de mudanças climáticas: mitigação e adaptação, fluxos de gases de efeito estufa, sequestro e balanço de carbono, modelagem, socioeconomia e políticas públicas.
Acadêmicos de graduação e pós-graduação interessados em submeter trabalhos devem ater-se à originalidade dos papers, que são no máximo dois por inscrito, e só serão aceitos mediante pagamento prévio da inscrição.
Os trabalhos são em inglês, de no máximo uma página, conforme modelo e normas disponibilizadas na página oficial do evento. Além disso, devem conter título, autores, filiação, endereço eletrônico, introdução, material e métodos, resultados e conclusões, referências e agradecimentos.
Os coordenadores do SIGEE sugerem aos interessados observar, atentamente, os conceitos de introdução, que descreve uma visão geral sobre o tema com definição dos objetivos do trabalho e relevância da pesquisa; material e métodos, que detalha como o trabalho foi realizado (procedimentos, estratégias e ambientes); e de resultados e conclusões, com o relato dos resultados obtidos e a análise dos autores com base nessas soluções, relacionando-as aos objetivos. Itens que geram dúvidas nos acadêmicos, em alguns momentos.
A comissão científica é coordenada pelo pesquisador da Embrapa Alexandre Berndt. Composta por 39 especialistas, de diversas áreas que envolvem o tema, ela reúne instituições como Embrapa, Fundação MS, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e Uniderp.
Simpósio – O II Simpósio Internacional sobre gases de efeito estufa na agropecuária (II SIGEE) é realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e Sistema Famasul, com apoio do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect), Senar/MS e Rede ILPF.
Fonte: Embrapa

Paraná tem o maior saldo de empregos na agropecuária dos últimos 11 anos

A força do agronegócio no Paraná promete avançar de forma expressiva em 2016. Prova disso é que logo nos dois primeiros meses do ano, a agropecuária foi responsável pela criação de 616 novos postos de trabalho – o maior saldo de empregos no setor, dos últimos 11 anos. Os dados resultam de um levantamento realizado pelo Observatório do Trabalho, da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social, que comparou o primeiro bimestre de cada ano na série histórica a partir de 2005.

Segundo o estudo, o saldo mais próximo desse resultado foi em 2007, quando o Paraná gerou 572 novas vagas de emprego, considerando que, naquele ano, o Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná chegou a 6,72%.

O superintendente estadual do Trabalho, Jorge Leonel de Souza, lembra que o desenvolvimento do setor agropecuário responde às flutuações econômicas internacionais. “No Paraná, o desempenho se deve, também, ao forte apoio do Governo do Estado aos setores produtivos, e, principalmente, às cooperativas, por meio da agência paranaense do BRDE”, afirmou Souza.

A agência paranaense do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul financiou às cooperativas o volume recorde de R$ 2,46 bilhões no período de 2011 até o fim de 2015. Somente no ano passado, o Banco contratou R$ 890,9 milhões – montante 205% superior ao volume de 2014 (R$ 291,5 milhões).

“O apoio ao setor do agronegócio tem consolidado a vocação para a agricultura do estado. A cada ano, temos avançado nesse mercado que, impulsionado pela agroindústria, tornou-se peça fundamental na geração de empregos com carteira assinada”, destacou o superintendente.

A influência econômica internacional também é evidente. Um exemplo é o saldo negativo de empregos no ano de 2008 e a expressiva eliminação de postos de trabalho formais no setor em 2009, resultados dos efeitos da crise mundial iniciada nos Estados Unidos. O estudo identificou ainda que, dentro da série histórica de 2008 a 2014, o Paraná não registrou a criação de empregos no setor no primeiro bimestre de cada ano. “O estado só veio de fato a retomar a geração de empregos no início de cada ano a partir de 2015, ano em que também se evidenciou um crescimento expressivo no setor da agroindústria paranaense, principalmente nos frigoríficos”, explicou Souza.

Exportações

No início de 2016, o desenvolvimento econômico do Paraná no setor agropecuário foi impulsionado pelas exportações. Um dos fatores que mais contribuíram para os bons resultados foi o crescimento nas exportações de grãos, especialmente do milho e da soja – que atualmente é o produto mais importante na pauta exportadora do estado.

Leia a notícia na íntegra no site Gazeta do Povo.

Fonte: Gazeta do Povo

Plano Safra 2016/2017 deve chegar a R$ 200 bilhões

Setor está preocupado com as taxas de juros que serão ofertadas e de onde virão os recursos

O Plano Safra 2016/2017, que será lançado na próxima semana, deve oferecer recursos da ordem de R$200 bilhões, de acordo com especialistas. Uma das principais preocupações do setor agropecuário é a manutenção das taxas de juros, que foram mais altas que no ciclo passado e que contribuíram para o acesso ao crédito ter crescido pouco.

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Fonte: Canal Rural 

Lançada plataforma de monitoramento de emissão de gases de efeito estufa na agropecuária

O presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes lançou, no dia 21 de março, a Plataforma Multi-institucional de Monitoramento das Reduções de Emissões de Gases de Efeito Estufa.

Situada nas instalações da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP), a Plataforma tem o objetivo monitorar da redução das emissões de gases de efeito estufa – (GEE) na agropecuária brasileira, bem como da dinâmica de estoque de carbono no solo, a partir da implantação de tecnologias referendadas.

Estiveram presentes na solenidade, autoridades regionais, como o prefeito em exercício de Campinas, Henrique Magalhães Teixeira, o vice-presidente da Câmara de vereadores de Jaguariúna, Ângelo Roberto Torres, além de representantes de instituições parceiras da Embrapa e do Plano ABC.
A inauguração ocorreu em conjunto solenidade de posse de Marcelo Morandi, como chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente.

O lançamento da Plataforma ABC está diretamente ligado ao compromisso do país quanto a uma agricultura de baixo carbono, ou seja, uma atitude responsável em relação às mudanças climáticas, além de evidenciar o potencial que a agricultura representa em também agregar benefícios para auxiliar na mitigação dos gases de efeito estufa. Boa parte destes gases não está diretamente relacionada à produção agropecuária, mas são capazes de impactar todo o planeta.

Segundo Maurício Lopes, a Plataforma ABC tem um grande papel a desempenhar em relação ao Plano ABC, pois atuará na validação de questões ligadas à concepção do Plano. “As tecnologias aplicadas na agricultura de baixo carbono envolvem diretamente o conhecimento técnico-científico da Embrapa, pois são, em grande medida, tecnologias desenvolvidas e testadas pela Empresa, e posteriormente, transformadas em política pública,” afirmou o presidente.

Conforme explicou Maurício, a efetivação do Plano gera uma necessidade crítica no país, uma vez que demanda a geração de um grande volume de informação organizada, cientificamente embasada, para mostrar ao mundo que o modelo de agricultura de baixo carbono que o Brasil escolheu é efetivo.  Gera resultados expressivos à medida que leva ao acúmulo de carbono no solo e diminui as emissões de carbono e gás de efeito estufa.

As tecnologias de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), sistema plantio direto (SPD), recuperação de áreas de pastagens degradadas, tratamento de dejetos animais, florestas plantadas e fixação biológica de nitrogênio (FBN), são capazes de responder como sistemas de produção com viés assertivo de produção agrícola sustentável, gerando muito menos impactos no ambiente.

Para o diretor Executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Ladislau Martin Neto, essas tecnologias, uma vez implantadas pelos produtores, de forma voluntária, por meio de políticas públicas de incentivo, reforçam a atenção quanto ao monitoramento.

Segundo ele, é fundamental para a Embrapa possuir uma plataforma como lócus na referência de trabalho e de lideranças das ações de monitoramento, capazes de auxiliar na construção de dados confiáveis, que possam atribuir a nossa agropecuária uma condição diferenciada, que justifique ao mundo a denominação de agricultura de baixo carbono.

O pesquisador e responsável técnico pela Plataforma de Monitoramento ABC, Celso Manzatto destacou o compromisso assumido pela Unidade da Embrapa Meio Ambiente em fornecer suporte administrativo para o adequado funcionamento da Plataforma, bem como o apoio logístico para apoiar as realizações de análises físicas e químicas, de geoprocessamento e outras análises que se façam necessárias, mesmo que venham a ser realizadas em outras Unidades da Empresa ou outras instituições de pesquisa.

Agricultura e baixa emissão

A agenda da agricultura de baixo carbono visa, à medida dos avanços de implantação das técnicas produtivas preconizadas no Plano ABC, reverter o senso comum de que a agricultura é fonte geradora somente de impactos negativos ao meio ambiente.

A Plataforma, por possuir um caráter multi-institucional, envolve um conjunto muito amplo de parceiros, como Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, Ministério do Meio Ambiente – MMA, a Rede Clima, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Universidades e outros.

Essas características se traduzem em oportunidade para também se atrair outros parceiros essenciais ao bom andamento do Plano, como o setor bancário de crédito e o setor privado.

Para Maurício, “este é o cenário ideal para criarmos as condições onde todos possam trabalhar uma estratégia conjunta que, por meio de um monitoramento eficiente do Plano ABC, possamos alcançar o aprimoramento das tecnologias e procedimentos propostos, combinando o uso inteligente da nossa base de recursos naturais com uma produção certificada, que possa alcançar o mundo e acessar os mercados mais exigentes no futuro,” disse Maurício.

Ativo econômico

As ações brasileiras para mitigar as emissões de CO² e, com isso, frear o aquecimento global, são capazes de gerar impactos positivos na economia do país.

O desenvolvimento da ideia do meio ambiente como ativo em franco desenvolvimento encontra consonância no fato do país possuir uma agricultura de baixo carbono, sustentada em uma política pública de governo.

Para o presidente da Embrapa, esse fato, por si, já representa um ativo muito representativo para o país perante o mundo.

Para ele, a forma como estão sendo conduzidos os Sistemas Integrados de Lavoura Pecuária (ILP) e Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) no Brasil, baseados em uma política pública de estímulo aos agricultores em incorporar essas tecnologias, já reforça a imagem do país na busca de sistemas de produção eficientes e mais sustentáveis.

Segundo Maurício Lopes, ao longo do tempo, a partir dessas políticas, será possível a geração de um conjunto enorme de ativos, por meio de métodos eficientes que permitam a descarbonização da agricultura.

“Isso irá abrir caminho, no futuro, para que os produtos brasileiros possam receber certificação de “carbono neutro” ou de “baixíssima emissão”, que irão fortalecer a liderança e o protagonismo da agricultura brasileira, talvez, como a mais sustentável do planeta,” finalizou o presidente.

Fonte: Rondoniagora

Plano ABC terá central nacional de monitoramento

O Brasil passa a contar, a partir de segunda-feira (21), com uma estrutura física especialmente criada para coordenar o sistema de monitoramento da redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) na agropecuária, bem como da dinâmica de estoque de carbono no solo.

O Brasil passa a contar, a partir de segunda-feira (21), com uma estrutura física especialmente criada para coordenar o sistema de monitoramento da redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) na agropecuária, bem como da dinâmica de estoque de carbono no solo. Trata-se da sede da Plataforma Multi-institucional de Monitoramento das Reduções de Emissões de Gases de Efeito Estufa derivadas das ações do Plano ABC (Plataforma ABC).
A coordenação fica estrategicamente situada nas instalações da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP), e vai ajudar no compromisso do Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC).
Segundo o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi, a plataforma será um fator de agregação de competências das instituições envolvidas no monitoramento do Plano ABC.
Estarão alocadas as competências da Embrapa e de diversas instituições parceiras, capazes de gerar informações para um monitoramento robusto das estimativas de redução das emissões de GEE compromissadas para o Plano ABC. Cabe à plataforma a coleta, organização, análise, armazenamento e zelo pela segurança das informações e estimativas. Para tanto, a Plataforma ABC contará com um comitê diretor, que será responsável pela definição das suas diretrizes macroestratégicas e pelo acompanhamento do seu funcionamento.
O Comitê será composto por sete membros representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que atuará como presidente, e como secretário Executivo, um representante indicado pela Diretoria Executiva da Embrapa. O Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Rede Clima, instituições do sistema bancário (Banco Central ou Banco do Brasil), além da sociedade civil e do setor agropecuário privado, indicam um membro nato cada.
O sistema de monitoramento das emissões é considerado um componente estratégico para o Plano ABC. O monitoramento eficiente será a única forma de o País comprovar de que forma e em qual quantidade os setores da agricultura e pecuária brasileira estarão conciliando produção e sustentabilidade no mesmo pacote.
“É extremamente relevante o correto emprego das estratégias de monitoramento, de modo que possam garantir que as reduções sejam devidamente apuradas, contabilizadas e passíveis de serem comprovadas em 2020, inclusive para verificações de auditorias internacionais,” afirma o pesquisador Celso Vainer Manzatto, da Embrapa Meio Ambiente, que será o responsável técnico da Plataforma ABC,
Ele destacou ainda o desafio técnico-cientifico da Plataforma para o estabelecimento de mecanismos de monitoramento – Mensuração, Relatório e Verificação (MRV). Esses mecanismos devem comprovar internacionalmente o cumprimento desses compromissos em discussão nas NAMAS (Nationally Appropriate Mitigation Actions), como forma de aumentar a participação dos países em desenvolvimento no esforço de redução das emissões de (GEE). Para isso, Manzatto explicou que o Comitê terá ainda um papel fundamental no diálogo e na mobilização de instituições públicas e privadas.
A sede é resultado da articulação iniciada em 2010 entre Embrapa, MMA e Mapa e a  inauguração contará com a presença do presidente da empresa, Maurício Antônio Lopes e de diversas autoridades.
Mitigação e adaptação
O ABC é um plano setorial que busca organizar, planejar e programar ações para que, por meio de incentivos à adoção de sistemas e tecnologias sustentáveis de produção, seja possível aos produtores rurais aliar a produção com adequação ambiental, capacitando a viabilidade econômica na atividade rural.
O Plano é composto por sete programas relacionados a tecnologias de mitigação e ações de adaptação às mudanças climáticas. São eles: integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), sistema plantio direto (SPD), recuperação de áreas de pastagens degradadas, tratamento de dejetos animais, florestas plantadas, fixação biológica de nitrogênio (FBN), e por último, adaptação às mudanças climáticas.
Esses sistemas de produção, combinados ou não, são capazes de responder às responsabilidades assumidas pelo país, de forma voluntária, em 2009, na Dinamarca, durante a 15ª Conferência das Partes (COP-15).
Na ocasião, o Brasil assinou um compromisso de redução de emissões de GEE no país entre 36,1% e 38,9% das esperadas para 2020, tendo 2005 como ano-base. Os compromissos propostos para a agricultura que constituem a base do Plano ABC, possuem um potencial estimado para a mitigação de GEE da ordem de 133,9 a 162,9 milhões toneladas CO2 equivalente.
O protagonismo do Brasil
O planejamento estrutural para a realização de processos de mitigação de GEE é o resultado de esforço coordenado. O pesquisador Eduardo Delgado Assad, da Embrapa Informática Agropecuária (SP) participa das discussões para a implantação do Plano ABC desde o ano de 2009.
Ele conta que todas as etapas do projeto e a implantação do Plano contaram com o envolvimento direto do Governo Federal, dos ministérios e secretarias relacionados ao tema, universidades, entidades do terceiro setor, órgãos financiadores, Institutos de pesquisas, além da Embrapa.
O pesquisador avalia que o Plano ABC coloca o Brasil como protagonista mundial na redução dos gases efeito estufa a partir da agropecuária e que poucos países possuem um planejamento similar. “Enquanto o mundo ainda discute sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP), ou integração lavoura-pecuária-floresta – (ILPF), o Brasil promove e estuda esses sistemas há mais de três décadas”, ressalta Assad.
Cenários com áreas de degradação dos solos, verificados ainda nos anos 1980, mobilizaram pesquisadores que acabaram por oferecer sistemas produtivos mais sustentáveis para a agropecuária brasileira, nos quais os aumentos de produtividade animais e vegetais passaram a conviver com a possibilidade de preservação dos recursos naturais.
Graças ao esforço de implantação de tecnologias de produção de baixa emissão, o Brasil possui hoje 92 Unidades de Referência Tecnológica e mais de três milhões de hectares em que esses sistemas foram adotados.
“Essa é uma oportunidade da qual o País não pode abrir mão. Trata-se de um ativo valioso a ser conduzido com extremo cuidado. Não estamos tratando somente da possibilidade de produzir carne, grãos e fibra, mas de agregar pegada verde a esses produtos, com chancela de boas práticas de produção, em um mercado que anseia por isso,” explicou Assad.
Manzatto concorda. Para ele, há um caminho a se percorrer, que passa pelo desenvolvimento dos mecanismos de monitoramento das reduções de emissões de GEE, para avaliar a efetividade do Plano ABC. “Posteriormente, com as devidas comprovações internacionais das reduções de emissões da nossa agricultura tropical, essas ações irão contribuir para gerar novas oportunidades de negócios para a produção brasileira, em mercados mais seletos,” disse o pesquisador frisando que isso acontecerá à medida que produtores forem progressivamente adotando sistemas de produção sustentáveis.
A contribuição da Embrapa
Atualmente o Brasil conta com mais de 40 Sistemas Integrados de Produção, a grande maioria testada na Embrapa. Assad ressalta que a Empresa possui pesquisas em campos experimentais nessa área há mais de 30 anos. Destaca o trabalho pioneiro de pesquisa básica, sobre verificação de carbono no solo e emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), iniciada principalmente nas Unidades da Embrapa Cerrados (DF), Solos (RJ), Agrobiologia (RJ) e Meio Ambiente (SP).
Para o pesquisador, este é o momento de aperfeiçoar a produção agrícola no Brasil, fortalecendo os modelos integrados, capazes de produzir grãos, carne, leite e produtos madeireiros e não madeireiros ao longo de todo o ano. Ele ressalta que as fazendas adotantes desse modelo se tornam altamente competitivas em termos produtivos, além de incorporar benefícios econômicos e ambientais ao empreendimento.
“Temos 170 milhões de hectares de pastagens com potencial e capacidade de transformá-los em sistemas da agricultura ABC da melhor maneira possível, beneficiando produtores, o País e o ambiente”, acredita Assad.
Carbono como moeda
Quando instituições financeiras e bancos centrais de países influentes passaram a considerar as mudanças climáticas como fator de risco para a estabilidade financeira mundial, uma nova moeda de troca começou a surgir: o carbono. Ela tem origem na interpretação do Artigo 117, do Acordo de Combate ao Aquecimento Global, firmado por 195 países, incluindo o Brasil, e que versa sobre o valor social e econômico das ações de mitigação.
Enquanto se discute a definição adequada para a retenção do carbono, o mercado deste tipo de “título verde” prospera. Os “green bonds” servem para financiar empreendimentos que invistam em tecnologias de mitigação das emissões de carbono, ou que reduzam o consumo de água, matérias-primas e energia. Segundo o Climate Bonds Initiative, organização sem fins lucrativos da Inglaterra, esses títulos poderão movimentar até U$100 trilhões no mercado nos próximos anos.
Os títulos se configuram como dívida de longo prazo e são usados para financiar projetos sustentáveis, como os que contemplam as boas práticas agrícolas, por exemplo. Com isso, ajudam na redução das emissões de GEE, minimizam o aquecimento do planeta, valoram a produção e aumentam a oferta de alimentos seguros, entre outras vantagens.

Fonte: Embrapa

Brasil vai sediar congresso internacional sobre emissão de GEE em 2019

O Brasil será sede, em 2019, de um dos principais eventos mundiais sobre gases de efeito estufa na agropecuária. O anúncio foi feito esta semana durante o 6º Greenhouse Gas and Animal Conference Agricultura (6º Congresso sobre Gases de Efeito Estufa e Agropecuária), que ocorre em Melbourne, na Austrália.

O Ggaa ocorre a cada três anos e será feito pela primeira vez na América Latina.

A apresentação da candidatura do país foi realizada pelo pesquisador Alexandre Berndt, da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos – SP), que participa do congresso.

A conferência será em Foz do Iguaçu, no Paraná. A previsão é de que ocorra em maio de 2019, mas a data ainda não está definida. Participam do evento os principais cientistas e formuladores de políticas públicas na área de tecnologias e avanços para medição, modelagem e mitigação de gases de efeito estufa na agropecuária mundial.

Segundo Berndt, a importância do país sediar esse congresso é a oportunidade de mostrar à comunidade cientifica internacional as pesquisas desenvolvidas pelo Brasil relacionadas à redução das emissões de gases de efeito estufa na agricultura e pecuária e os avanços tecnológicos que contribuem para uma pecuária sustentável.

Fonte: Embrapa Pecuária Sudeste

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