Exportações de soja batem recorde para o mês de janeiro

Fato pode acabar afetando os estoques da oleaginosa

Os embarques de soja brasileira para o exterior surpreenderam em janeiro e bateram o recorde para o mês, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX). Nesse cenário, foram vendidas 2,15 milhões de toneladas de oleaginosa para outros países.

De acordo com a analista de mercado da INTL FCStone, Ana Luiza Lodi, a consultoria havia publicado sua estimativa de exportações totais para 2019, em 68 milhões de toneladas. No entanto, com essa nova informação, é possível que o País não tenha estoque suficiente para atingir esse montante. “Com essa produção menor, as exportações brasileiras devem voltar a níveis pré-guerra comercial, mesmo no cenário em que a taxação chinesa sobre a soja norte-americana continue em vigor”, explica.

Segundo a INTL FCStone, a possibilidade de uma continuação da disputa comercial travada entre a China e os Estados Unidos pode fazer com que a procura pelo grão brasileiro aumente em relação ao ano passado. Contudo, esse fato poderia gerar sérias dificuldades no abastecimento interno da soja para esmagamento.

“Neste ano, está previsto aumento da mistura do biodiesel no diesel para 11%, o que deve deixar um excedente ainda menor de óleo de soja para ser exportado”, disse a consultoria.

Por outro lado, caso China e EUA entrem em um acordo, o que foi sinalizado pelo governo asiático, é possível que as exportações brasileiras da oleaginosa fiquem, inclusive, abaixo da expectativa anterior de 68 milhões de toneladas.
“Há preocupações com a demanda chinesa total por farelo de soja, diante dos surtos de gripe suína africana, além dos esforços feitos pelo país para diminuir a dependência da oleaginosa durante o período de guerra comercial”, conclui a INTL FCStone.

Fonte: Portal do Agronegócio

Um novo salto para o agronegócio em São Paulo

Vamos produzir, vender e exportar com ousadia, tecnologia, respeito e proteção ambiental

Nos próximos dez anos, mais que de discursos precisaremos de atitudes para atender às grandes necessidades do século 21. De um lado, produzir alimentos para uma população que será maior e mais rica – até 2030 o mundo terá mais cerca de 1 bilhão de pessoas do que hoje. A chamada classe média mundial será maior, o que vai elevar o consumo de alimentos, especialmente de proteínas. De outro, temos a necessidade de reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) e conter o aquecimento global, o que exige preservação da vegetação nativa e outras medidas. Objetivamente, o que os dados mais recentes comprovam é que não existe melhor resultado do que o que tem sido obtido pelo Brasil, pelos agricultores brasileiros, pela pesquisa e inovação do nosso agronegócio.

A produção brasileira se dá numa área cultivada que é igual às áreas cultivadas da Espanha e da França somadas. Tecnicamente, estamos falando de quase 64 milhões de hectares. Os quatro maiores países em área cultivada no mundo – Índia, Estados Unidos, China e Rússia – ocupam, cada um, mais que o dobro da área dos agricultores brasileiros. Mais relevante ainda: enquanto países da União Europeia usam de 45% a 65% de seu território para a agricultura, o Brasil ocupa apenas 7,6% com a lavoura.

Responsável por 20% do PIB do agronegócio brasileiro, o agro de São Paulo é o mais diversificado e tecnológico do Brasil. Além da produção de açúcar e suco de laranja, em que o Estado é líder global, São Paulo tem uma produção relevante de carne, etanol, café, milho e produtos de base florestal, como papel, celulose e madeira. A produção agrícola paulista é uma grande demonstração de força do empreendedorismo de pequena, média e grande escalas.

No setor de hortaliças, por exemplo, o agronegócio paulista consegue produzir muito, com qualidade e segurança, fornecendo alimento para os lares de todo o Brasil e também para o exterior. Trata-se de um setor intensivo, que gera renda para as populações mais vulneráveis e leva desenvolvimento às regiões mais pobres, que florescem em torno do agro.

Desde o início do mês, zeramos o ICMS para frutas, verduras e hortaliças embaladas, um incentivo para cerca de 50 mil produtores. Estamos oferecendo a eles mais condições para agregar valor e aumentar a receita, reconhecendo a importância do trabalho de quem limpa, lava e embala seu produto. Essa é uma demonstração do que o governo pode fazer para atender a quem inova e empreende, reduzindo custos de produção e melhorando a qualidade das frutas, verduras e hortaliças oferecidas aos consumidores.

O agronegócio paulista promove a preservação ambiental e nela investe. É o grande responsável pela recuperação das áreas de nascentes e mananciais e pelo aumento da recuperação da vegetação nativa. Graças aos produtores rurais, a cobertura vegetal vem aumentando ano a ano e hoje atinge 23% da área do Estado. Esse porcentual demonstra que é possível manter elevado o índice de produção agrícola com preservação do meio ambiente. É assim que trabalhamos em São Paulo.

Nosso Estado está preparado para dar um novo salto de qualidade no agronegócio. No Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, recebi o presidente mundial do Grupo RGE (Royal Golden Eagle), Anderson Tanoto, que manifestou interesse em investir R$ 7 bilhões no interior paulista para a produção de celulose de alta tecnologia. Há poucos dias o mesmo executivo esteve no Palácio dos Bandeirantes para confirmar o projeto. Do ponto de vista da sustentabilidade, a celulose de alta tecnologia será produzida exclusivamente com florestas plantadas do Estado de São Paulo.

A nova fábrica do grupo deverá criar até 7 mil empregos diretos nos próximos 30 meses. Os empregos e os investimentos levarão para o interior de São Paulo não só a fábrica de celulose e o aumento do cultivo de eucaliptos, mas também maior consumo nas pequenas cidades, promovendo o comércio, os serviços, o mercado imobiliário e todos os demais setores da economia paulista.

É papel do governo transformar esse potencial multiplicador do agronegócio de São Paulo em realidade, atraindo investimentos, nacionais e estrangeiros, e garantindo aos investidores segurança jurídica para plantar, produzir e instalar agroindústrias que possam empregar paulistas e brasileiros de todas as partes.

O novo salto do nosso agronegócio pressupõe marcos jurídicos claros, desburocratização, previsibilidade e estabilidade, pilares que foram fortemente abalados sob a gestão do PT, que pôs a ideologia à frente dos interesses do Brasil, até mesmo impondo ao investimento estrangeiro barreiras, restrições e discriminação incompatíveis com o interesse nacional de melhorar a vida das pessoas. Basta ver a restrição à aquisição de terras por empresas brasileiras controladas por estrangeiros.

Ao reverter esses impasses criados para o investimento estrangeiro no agronegócio, teremos como consequência o aumento da produção e da exportação de açúcar, etanol, celulose, suco de laranja, carnes, ovos, verduras, hortaliças, cosméticos, têxteis e todos os produtos produzidos a partir do pujante agronegócio brasileiro. Vamos produzir, vender e exportar com ousadia, tecnologia e respeito, mas com proteção ao meio ambiente.

As ações de São Paulo, do Brasil e dos nossos agricultores são vitais para a segurança alimentar do nosso país e do mundo. E precisam ser vistas como modelo de preservação ambiental. O que o Brasil faz nessas duas áreas nenhum país do mundo fez.

Fonte: Estadão

‘Brasil deve ser líder em biodiesel e energia renovável’, diz executivo

Entrevistado no Conexão Agro, o diretor financeiro e administrativo da 3Tentos Agroindustrial, Luiz Osório, afirma também que o setor produtivo nacional está se preparando para as demandas mundiais

No Conexão Agro desta semana, Alessandra Mello e Luiz Cornacchioni entrevistam o diretor financeiro e administrativo da 3Tentos Agroindustrial, Luiz Osório.

Atuando no mercado com o propósito de ser uma empresa de soluções e suporte no agronegócio, a 3Tentos possui 32 unidades distribuídas em 28 cidades gaúchas.

Osório afirma que o Brasil é um dos maiores produtores de soja do mundo, por isso tem um potencial grande para atuar no mercado de biodiesel e energia renovável.

Acima de US$ 100 bilhões

As exportações brasileiras do agronegócio superaram a barreira dos US$ 100 bilhões e bateram novo recorde histórico em 2018. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura, os embarques do setor somaram US$ 101,69 bilhões no ano passado, 5,9% mais que em 2017 (US$ 96,01 bilhões) e montante 1,8% superior ao do recorde anterior, de 2013 (US$ 99,93 bilhões). O crescimento foi impulsionado pelo salto das vendas à China – principalmente de soja em grão, carro-chefe do agronegócio brasileiro, mas também de produtos como carne bovina e celulose. Segundo o ministério, o aumento foi de US$ 9 bilhões em relação ao ano anterior.

Fonte: Valor

Produtividade alavanca o agronegócio

A soja continua sendo a campeã na produção agrícola brasileira, com total previsto de 118,8 milhões de toneladas na safra 2018/2019.

Favorecida por bons preços internacionais, a safra 2018/2019 deve ser 4,2% maior do que a anterior. O quarto levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), há pouco divulgado, prevê uma colheita de 237,3 milhões de toneladas de grãos.

Como já faziam prever os investimentos feitos pelo agronegócio em máquinas agrícolas, bem como em fertilizantes e outros insumos, houve um avanço sensível da produtividade, uma vez que a área plantada é prevista em 62,5 milhões de hectares, uma ampliação de 1,2% em relação à safra 2017/2018.

Como observa a Conab, “as boas condições das lavouras nas principais regiões produtoras de grãos são prenúncio de que sejam alcançados bons rendimentos nessa temporada e mostram que a produtividade estimada se manteve até agora próxima ao que havia sido calculado estatisticamente no início da safra”.

A soja continua sendo a campeã na produção agrícola brasileira, com total previsto de 118,8 milhões de toneladas na safra 2018/2019, apresentando uma pequena redução de 0,4% em confronto com a safra anterior (119,28 milhões), apesar de a área de plantio ter registrado um crescimento de 1,7% de um ano agrícola para outro.

Isso torna ainda mais significativa a produção de milho, que, em suas duas safras, deve somar 91,2 milhões de toneladas, um volume 12,9% superior ao obtido em 2017/2018 (80,77 milhões de toneladas). Nota-se que, no caso do milho, a área cultivada aumentou somente 0,4% na primeira safra, estimada em 27,46 milhões de toneladas, um aumento de 2,4% diante da primeira safra do ano agrícola precedente (26,81 milhões). Mas o grande avanço se deu na segunda safra do produto, que é projetada em 67,73 milhões de toneladas, um crescimento de 18,1% diante da segunda safra de 2017/2018 (53,98 milhões).

Duas outras lavouras também merecem destaque. Calcula-se que a produção de algodão herbáceo deva subir 20,3% na safra atual, devendo atingir 2,41 milhões de toneladas. Já a colheita de trigo deve crescer 27,3% em relação à anterior, alcançando 5,4 milhões de toneladas, o que diminuirá a importação do produto e contribuirá para a estabilidade de preços.

O único produto com produção em queda é o arroz, prevendo-se uma colheita de 11,2 milhões de toneladas, 7,1% inferior à precedente (12,06 milhões de toneladas).

Fonte: Brasil Agro

Chance de recessão em 2020 é grande, diz Mendonça de Barros

Com novo governo e incertezas no mercado internacional, sócio da MB Associados recomenda atenção principalmente ao câmbio em 2019

Os cenários para este ano de 2019 são de incertezas tanto no Brasil como no mercado internacional. Essa é a opinião do economista José Roberto Mendonça de Barros. A desaceleração no crescimento da economia mundial, com risco de recessão nos Estados Unidos no próximo ano, e seus impactos no mercado de commodities agrícolas vão exigir uma atenção redobrada dos players brasileiros quanto à paridade do dólar norte-americano em relação às moedas de outros países. É preciso ficar de olho também na volatilidade do câmbio no mercado interno, pois a posse do novo governo, com uma proposta diferente do que foi feito nos últimos anos, gera expectativa positiva, mas também incertezas. Ele prevê que, ao longo deste ano, o dólar pode recuar a  R$ 3,70 e também ultrapassar os R$ 4, de acordo com o humor do mercado em relação ao andamento da reforma da Previdência.

Globo Rural  Quais são as perspectivas para 2019?
Mendonça de Barros 
 Temos uma desaceleração na China e a Europa enfrenta uma série de questões como a saída da Inglaterra do bloco, a crise política na Itália e os protestos contra o governo na França, além do fim da carreira da chanceler Angela Merkel. Há incertezas de todos os lados. O Japão também está desacelerando e vários países emergentes, como Turquia, África do Sul e Argentina, estão vivendo um período bastante difícil.

GR  E os Estados Unidos?
Mendonça de Barros 
 A novidade é que os Estados Unidos estão numa virada de ciclo, que vai se caracterizar por uma redução do crescimento. Em 2018, graças ao incentivos fiscais concedidos pelo presidente Donald Trump, a economia norte-americana deve ter crescido acima de 3%, o que não acontecia há muito tempo. Agora, as taxas de juros crescem – e também as incertezas. Uma grande ressaca financeira vai afetar os negócios. Durante uma década de juros muito baixos, quase zero, muitos agentes nos Estados Unidos, sejam famílias ou empresas, se endividaram até as tampas. Agora, a taxa de juros está subindo e pressionará os custos das empresas.

José Roberto Mendonça de Barros, sócio-fundador da MB Associados (Foto: Rogério Albuquerque)

GR  Existe risco de uma crise mundial como a de 2008?
Mendonça de Barros 
  Nós na MB estamos relativamente pessimistas. Para 2019, achamos que não, mas não é fora de propósito que em 2020 os americanos enfrentem uma recessão. A chance é grande, por causa da alavancagem financeira. Uma lição que vale tanto para o fazendeiro como para a maior economia do mundo é que não há desalavancagem suave. O ajuste é feito com lágrimas e com sangue. Quem já incorporou isso foi a bolsa norte-americana, que em dezembro caiu 15%.

GR  E o comércio internacional?
Mendonça de Barros 
 Infelizmente, a guerra comercial que Trump declarou ao mundo inteiro e particularmente à China vai continuar. O que não é bom para o mundo como um todo, mas tem suas vantagens, como o Brasil ter aumentado suas exportações de soja. Mas uma coisa é certa: o mundo vai crescer menos em 2019 e isso pode significar menores preços de commodities em geral. Existe uma terceira variável para quem exporta, principalmente commodities agrícolas, que é o valor relativo do dólar em relação a outras moedas. Se (o dólar) enfraquecer nos Estados Unidos, deve cair nos outros países. Sempre que o dólar enfraquece, o preço das commodities (em dólar) sobe um pouquinho. O preço terá uma pressão baixista porque o mundo está crescendo menos e haverá alguma compensação, porque lá fora o dólar vai desvalorizar. Os preços não serão ruins, porque o mundo continuará comendo.

GR  Como está o cenário no Brasil?
Mendonça de Barros  
O novo governo quer avançar nas reformas, em particular a da Previdência. Se ele conseguir aprovar uma proposta que seja razoável, achamos que o Brasil vai voltar a crescer. O prêmio vai ser esse. Entretanto, como a resistência à reforma por parte do funcionalismo público e de outros grupos de pressão vai ser furiosa, achamos que vai demorar e em determinado momento haverá indefinição sobre a aprovação. Esta é uma questão importante para o agronegócio, porque a taxa do dólar vai oscilar ao sabor das expectativas. Se houver entusiasmo, o dólar pode ficar entre R$ 3,70 e R$ 3,80. Mas, no momento em que houver incerteza sobre a aprovação, o pessimismo pode elevar o dólar acima dos R$ 4.

GR  Qual será o impacto dessa volatilidade no agro?
Mendonça de Barros
  Esse aspecto é importante porque a comercialização será difícil, para travar posição e vender futuro. Se nós estivermos certos, os preços não serão ruins, mas os operadores, sejam produtores ou cooperativas, têm de estar prontos para fechar um pedaço da posição em certos momentos quando o dólar tangenciar os R$ 4.

José Roberto Mendonça de Barros, sócio-fundador da MB Associados (Foto: Rogério Albuquerque)

GR  Qual sua opinião sobre o tabelamento do frete?
Mendonça de Barros 
  A tabela de frete é uma pedra pontuda no sapato. É uma questão política. Sem dúvida devia ser abolida. Podia ser uma coisa indicativa, sugestiva. É impossível colocar um preço mínimo obrigatório num país tão grande como o Brasil, com tantas estradas, distâncias e cargas tão diversas. Acho que o novo governo vai aproveitar a queda do preço do petróleo no mercado internacional para zerar o subsídio do diesel. O ministro da Economia, Paulo Guedes, e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, são favoráveis aos preços livres.

GR  A queda do preço do petróleo era esperada?
Mendonça de Barros
  O petróleo é uma prova de que em mercado não tem doutor. Quando o Petróleo Brent atingiu U$ 80 o barril, os grandes bancos e corretoras internacionais, todos, sem exceção, disseram que a cotação iria para US$ 100. Um mês depois, recuou para US$ 60. Isto é bom para a gente ficar humilde. O que mais influenciou o mercado foi a mudança na percepção sobre o crescimento da economia mundial. Para o ano que vem, achamos que o preço do petróleo continuará relativamente baixo, o que significa menor pressão de custo, como dos fertilizantes e dos transportes.

GR  O Brasil crescerá em 2019?
Mendonça de Barros
  A economia brasileira neste ano deve crescer 2,2% e ficar acima do 1,4% de 2018. A razão para não crescer mais é o desemprego, que é muito alto. A construção civil continua de joelhos, o que é muito ruim. O efeito positivo da reforma da Previdência se dará para 2020, porque será aprovada ao longo de 2019, que terá crescimento moderado.

GR  Como o senhor vê a possibilidade de o Brasil deixar o Acordo do Clima?
Mendonça de Barros
  Infelizmente, se isso acontecer, vai atrapalhar muito. Quero chamar a atenção para uma característica do novo presidente. Ele tem demostrado uma percepção das coisas mais aguda do que seus auxiliares. Muitas coisas ditas durante a campanha serão revistas, isso inclui a questão da China, o relacionamento com os países árabes e a posição em relação à questão do aquecimento global. Se o país sair do Acordo do Clima, o impacto negativo sobre as vendas do agronegócio será significativo. O consumidor do mundo inteiro quer saber o que está comendo e se a produção é sustentável. Temos de avançar na questão da sustentabilidade.

Fonte: Globo Rural

PIB da agropecuária crescerá 0,9% em 2019, diz Ipea

O aumento da produção de grãos nesta safra 2018/19 e melhores perspectivas para as carnes deverão acelerar o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária do país este ano, conforme projeções divulgadas na mais recente “Carta de Conjuntura” do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo cálculos dos analistas do órgão, o PIB do setor cresceu 0,6% em 2018 e subirá 0,9% em 2019.

Fonte: Valor

A vitalidade do agronegócio

As primeiras estimativas já apontam para novo recorde de produção de grãos nesta safra que se intensificará nas próximas semanas. O entusiasmo do agronegócio está em alta, o que, por si só, é boa ajuda para obtenção de bons resultados. Quanto mais animado o agricultor, mais a cultura de soja responde com aumento da produção.

Ninguém mais se lembra das histórias do Jeca Tatu. Produtividade e competitividade vêm crescendo ano a ano, a incorporação de novas tecnologias até mesmo em áreas pioneiras impressiona qualquer observador, a demanda mundial por proteína vegetal é crescente, graças à inclusão de grandes massas ao mercado consumidor, sobretudo na Ásia. Até a terceira semana de dezembro, o agronegócio foi responsável neste ano por exportações de mais de US$ 100 bilhões, o equivalente a 42% do total de exportações brasileiras no período.

Esses resultados vêm surpreendendo redutos conservadores do Brasil, especialmente o das velhas esquerdas, para as quais dar força à agricultura significa apostar no Brasil-fazendão, em prejuízo da indústria e do baixo emprego de mão de obra.

Na verdade, essas esquerdas toscas nutrem velhos preconceitos, como o de que o setor dispensa mão de obra à medida que se mecaniza e, portanto, deixa de contribuir para o crescimento do proletariado, sem o qual não se pode contar, pensam eles, com a superação da economia capitalista. Não são capazes nem sequer de avaliar a expansão do segmento de serviços diretamente proporcionado pela produção agropecuária.

Mas há preconceitos ainda mais tacanhos, como os dos dirigentes do MST para os quais o agronegócio favorece a monocultura e os transgênicos, como se eles fossem um mal em si mesmos, e por isso matam a agricultura familiar. Daí os ataques e a destruição de canaviais, de áreas de florestamento e de experimentos realizados por institutos de desenvolvimento de novas variedades agrícolas e de grandes produtores de sementes.

Mas, apesar do jogo contra, o setor vem ganhando de goleada. Estudo recente do Ministério da Agricultura projeta avanço de 30% na produção brasileira de grãos nos próximos dez anos, estimativa que pode ser considerada conservadora. Observadores mais otimistas apontam para o mesmo período crescimento próximo dos 100%, número aparentemente mais cabalista do que realista. No entanto, reflete o nível das expectativas espraiadas no Brasil, que não levam em conta a ocorrência de eventuais imponderáveis, a que sempre está sujeita a atividade do campo.

Excelências e otimismos à parte, não dá para ignorar os obstáculos. O primeiro deles tem a ver com a dispendiosa, precária ou até mesmo inexistente infraestrutura. O suprimento de insumos e o escoamento da produção esbarram nas péssimas condições de transporte e instalações portuárias, situação que talvez seja mais bem compreendida quando se compara o que há com o que poderia ser e ainda não é. Quando estiver em funcionamento, a Ferrovia Norte-Sul, por exemplo, poderá reduzir em até 40% os custos de produção e escoamento da soja do Centro-Oeste, calculam técnicos do setor.

Outro grave obstáculo são os descuidos recorrentes nas questões ambientais e de garantia de qualidade do produto. A força do agronegócio do Brasil já incomoda a concorrência, não só a da ultraprotegida Europa, mas, também, a dos Estados Unidos. Como não pode alegar deslealdade nas práticas de comércio, certamente se apegará a argumentos protecionistas não tarifários, como a supostas infrações na área ambiental, a falhas na especificação de produtos ou à inobservância de critérios fitossanitários, como já está acontecendo no setor de proteína animal.

Também começam a se intensificar no mundo suspensões de contratos de importação de mercadorias para cuja produção supostamente se emprega trabalho infantil ou semiescravo, seja lá o que isso de fato signifique.

Enfim, depois de um passado econômico dependente das exportações de açúcar e de café, o Brasil desfruta agora de grande oportunidade histórica no agronegócio, desde que o setor se empenhe em enfrentar os problemas.

Muita coisa pode ser feita por iniciativa dos próprios produtores agrícolas, como construção de armazéns, de estradas vicinais e de pontes — sem esperar que o governo se mexa e que depois cobre a conta, do jeito e com os métodos dele. Do governo se espera mais que não faça besteiras ou, simplesmente, que não atrapalhe essa marcha.

Fonte: Estadão

Agricultura usa conceitos 4.0 para aumentar a produtividade

A indústria 4.0 ultrapassou os limites das fábricas e chegou a outros setores da economia.

Na agricultura a manufatura avançada permite monitorar as lavouras para diminuir custos e aumentar a produtividade.

A revolução extrapolou os limites das fábricas e outros setores de ponta da economia que já incorporaram a tecnologia digital.

Olhar a lavoura do alto virou rotina em uma fazenda de Goiás, mas é no chão que a agricultura de precisão mostra todas as suas facetas. Com tablet nas mãos, as técnicas em operações agrícolas vistoriam as plantações. Antigamente esse monitoramento era feito no papel, os técnicos agrícolas marcavam a área onde encontravam problema, como uma praga, mas sem o GPS era praticamente impossível encontrar de novo o local exato.

Agora o aplicativo identifica e armazena as coordenadas geográficas. Isso reduz o uso de inseticidas em uma área gigante como a desta fazenda, uma lavoura de 120 hectares de soja, ou mais ou menos, 120 campos de futebol.

As informações vão parar em uma sala de controle, na sede da fazenda, e geram um mapa que mostra onde tem necessidade de defensivos agrícolas.

Na lavoura a máquina recebe os dados por GPRS, tecnologia que era usada nos celulares, o operador baixa o arquivo e aí o processo é todo automático. O sistema de aplicação liga e desliga sozinho.

A fazenda já reduziu em 90% o uso de herbicidas, diminuiu o custo e o risco de contaminar o solo.

[…]

Fonte: Jornal da Globo

Futuro chanceler diz que política externa vai incentivar o agronegócio

O futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou hoje (21) que no próximo governo a política externa brasileira vai incentivar as negociações para ampliar o comércio e o agronegócio de forma “ativa e sistematicamente”. Ele criticou duramente a conduta adotada pelos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

“Nos governos petistas, o Itamaraty foi a casa do MST [movimento dos trabalhadores sem terra]. Agora estará à disposição do produtor”, disse o futuro chanceler em sua conta no Twitter. Ele fez 12 postagens sobre o tema nesta sexta-feira.

Araújo acrescentou que o objetivo é construir um novo momento para o país. “A pujança agrícola será parte do projeto de engrandecimento do Brasil. Ao mesmo tempo, a projeção de um país confiante, grande e forte servirá ainda mais aos interesses da agricultura.”

Sem antagonismos

Na série de tuítes, Araújo condena o discurso sobre o antagonismo entre os incentivos ao agronegócio e a preservação ambiental. Segundo ele, o Itamaraty e o Ministério da Agricultura trabalharão juntos. O futuro chanceler também destacou que a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimento (Apex) será redirecionada.

“Querem jogar a agricultura contra os ideais do povo brasileiro? Não conseguirão. O trabalho incansável, a fé, a inventividade, o patriotismo dos agricultores são a própria essência da brasilidade.”

Segundo Araújo, o governo brasileiro vai defender o produtor rural e não colocá-lo como adversário do meio ambiente. “Defenderemos o produtor brasileiro nos foros internacionais, da pecha completamente falsa de ser agressor do meio ambiente. O produtor agrícola brasileiro contribui para a preservação ambiental como em nenhum outro lugar do mundo.”

Orientações

O futuro chanceler afirmou também que será criado um departamento específico no Ministério das Relações Exteriores para cuidar dos temas relativos ao agronegócio.

“Estamos criando no Itamaraty um Departamento do Agronegócio para trabalhar junto com o Ministério da Agricultura na conquista de mercados internacionais. Daremos ao agro a atenção que no MRE [Itamaraty] ele nunca teve.”

Ele acrescentou que orientações serão transmitidas às representações do Brasil no exterior para dar mais atenção ao agronegócio. “Orientaremos as embaixadas a promover os produtos agrícolas brasileiros ativa e sistematicamente. A Apex será direcionada no mesmo sentido.”

Para Araújo, a forma como são conduzidas certas negociações não gera resultados positivos para o Brasil. “Algumas negociações comerciais em curso são ruins para a agricultura. Vamos reorientá-las em benefício dos produtores brasileiros.”

Identificação

De acordo com o futuro chanceler, há uma identificação entre o meio rural e as propostas do governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro. “O setor produtivo agrícola identifica-se profundamente com os valores da nação e os defende, tanto que apoiou e apóia maciçamente [presidente eleito Jair] Bolsonaro. Mas o establishment da velha política e da velha mídia quer usar o agro como pretexto para reduzir o Brasil a um país insignificante.”

Segundo Araújo, nos últimos governos não foram fechados acordos comerciais relevantes. “Nesses longos anos sem ideais e sem identidade, não fechamos nenhum acordo comercial relevante. Isso mostra que não é pela autonegação ou pela adesão automática aos cânones do globalismo que o Brasil conquistará mercados, mas pela autoconfiança e pelo trabalho.”

O futuro chanceler acrescentou que o Brasil quer ir além da exportação de frango, soja, carne e açúcar. “Nova política externa: o Brasil não deixará de exportar frango e soja, carne e açúcar, mas passará a exportar também esperança e liberdade. O fato de ser uma potência agrícola não nos proíbe de ter ideais e de lutar por eles.”

Fonte: UOL Notícias

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