Agronegócio quer de novo presidente modernização do sistema tributário

Olhar sobre o mercado externo também deverá estar na agenda

O agronegócio, apesar da importância na economia do país, acaba sendo um dos setores que têm pouca atenção dos presidenciáveis nas propostas de governo. Neste ano, não é diferente.

O segmento, porém, já elegeu seus pontos prioritários para o próximo presidente e promete cobrar. Eles vão da macroeconomia a questões relacionadas a segurança e a sustentabilidade.

As propostas se concentraram em dez pontos. Muitos focam eternos problemas brasileiros que vêm sendo adiados devido ao caixa baixo do governo para investimentos. Outros, devido à força da bancada ruralista, uma das mais fortes de Brasília, poderão ter avanço.

As propostas vieram do Conselho do Agro, que reúne 18 entidades e agregam sugestões não apenas da cadeia agrícola mas também de entidades industriais e de serviços voltadas para o agronegócio brasileiro.

Um dos pontos de relevância é o macroeconômico, que dá ambiente aos negócios do agronegócio. Além da execução das reformas econômicas, o setor quer uma modernização do sistema tributário e evitar a cobrança de impostos sobre as exportações.

Na avaliação do agronegócio, outra prioridade do novo governo deveria ser uma política agrícola com diretrizes de médio e de longo prazos.

O olhar sobre o mercado externo também deverá estar na agenda.

São necessárias visões estratégicas para os grandes mercados como China, EUA e Aliança do Pacífico.

O Brasil precisa também buscar uma evidência para a qualidade e a imagem do produto brasileiro no exterior.

Entre as propostas estão ainda a adequação da regra do licenciamento à atividade agropecuária. O país deveria ter uma política de pagamento pelos serviços ambientais e uma regulamentação do uso dos biomas.

Outro item fundamental, segundo o setor, é o da segurança jurídica. Questões fundiárias, trabalhistas e criminalidade no campo são pontos de destaque.

A economia depende cada vez mais das tecnologias, e o agronegócio não é diferente. É preciso superar as barreiras da conectividade no país, item que pode elevar o aumento da produção, do consumo e da exportação.

A logística não poderia faltar nas propostas. A lista de reivindicações passa pelos setores rodoviário, ferroviário, portuário e hidroviário. Entre elas, estão a implementação de rotas de escoamento e a viabilização dos investimentos nos setores de transporte e de armazenagem.

Na avaliação das entidades, o país precisa avançar também na defesa sanitária da agropecuária. O ambiente regulatório está em descompasso com a evolução do agronegócio.

É necessária uma reavaliação dos procedimentos nos serviços oficiais, além de modernizar e harmonizar os sistemas de informação.

Um dos pontos prioritários no campo é o de elevar o patamar de educação do trabalhador rural. As máquinas vêm, cada vez mais, com muita tecnologia, e a baixa escolaridade dificulta a utilização desses equipamentos.

A edução e a assistência técnica são ferramentas indispensáveis para a transferência de tecnologia. O governo deverá ampliar e aprimorar o sistema educacional, principalmente nos municípios.

Os estudos devem conter disciplinas focadas em gestão econômica e financeira do agronegócio, além de ampliar os programas de qualificação profissional, segundo as propostas para o futuro presidente do país.

Tradicional produtor e exportador de grãos e de carnes, o país precisa aprimorar também a agroenergia. Uma das recomendações das entidades do agronegócio é a regulamentação do Renovabio (Política Nacional de Biocombustíveis) no setor de biocombustível.

A consolidação da agroenergia passa, ainda, pela realização da reforma tributária no setor de etanol e pela promoção do crescimento gradual da mistura de biodiesel ao diesel.

Além disso, é necessário, segundo o setor, viabilizar uma maior participação da biomassa nos leilões de energia. As diversas fontes de biomassa representam 9% da potência outorgada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) na matriz energética.

Carnes A primeira semana das exportações de proteínas teve ritmo fraco em relação a setembro. Houve queda nos volumes das carnes “in natura” de suínos e de bovinos. O de carne de frango ficou estável.

Preços Os dados são da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), que também apontou recuo do preço das carnes em relação aos verificados em outubro do ano passado. A carne suína vale 30% menos.

Atacado Os produtos agropecuários mantêm pressão na inflação. Os preços médios do setor variaram 2,11% no atacado no mês passado, acumulando 12,2% nos nove primeiros meses do ano, segundo o IGP-DI, da FGV.

Em queda A soja foi um dos pesos na inflação, com alta de 5,43% no mês passado. Já os preços do leite, com a melhora das pastagens, começa a cair. Açúcar, devido à queda externa, e cana também tiveram retração de preços.

Milho As exportações do cereal avançam, embora em ritmo menor do que as de 2017. Na primeira semana deste mês, superaram em 15% as de setembro, mas ficaram 13% abaixo das de outubro de 2017.

Soja O Usda (Departamento de Agricultura dos EUA) poderá trazer novidade na divulgação de safra desta terça (9), devido ao excesso de chuva. O primeiro contrato da soja está em US$ 8,6975 por bushel em Chicago.

Efeito no bolso

Os produtores foram uma das forças de Jair Bolsonaro na eleição de domingo (7). A opção pelo candidato do PSL, porém, trouxe estragos ao bolso dos agricultores. A soja, carro-chefe da agricultura, caiu R$ 3 por saca nesta segunda-feira (8), reduzindo em R$ 50 o valor da tonelada da commodity. A queda ocorreu devido ao recuo do dólar. Em Sorriso (MT), a saca do produto para entrega imediata recuou para R$ 71.

Fonte: Folha de S.Paulo

Agronegócio também preserva, diz Embrapa

As áreas de vegetação nativa preservadas por agricultores, pecuaristas, silvicultores e extrativistas somam 25% do território brasileiro

As áreas de vegetação nativa preservadas por agricultores, pecuaristas, silvicultores e extrativistas somam 25% do território brasileiro e equivalem a R$ 3,1 trilhões em patrimônio imobilizado, mostra um mapeamento inédito feito pela Embrapa. “Sabia-se que havia uma contribuição dos agricultores na preservação, porém os números dessa participação eram desconhecidos”, afirma Evaristo de Miranda, chefe-geral da Embrapa Territorial. “Mapeamos os dados do Brasil inteiro e constatamos que não há país do mundo no qual o setor agrícola dedique tanto patrimônio e recursos à preservação do meio ambiente.”

O levantamento foi possível graças ao Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SiCAR), o registro público obrigatório de todos os imóveis rurais, que identificou as áreas de preservação permanente, de uso restrito, reservas legais, remanescentes de florestas e outras formas de vegetação nativa. A partir desse cadastro, a expectativa do governo é aumentar controles, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e o combate ao desmatamento. “Ao registrar o CAR, o produtor fez uma espécie de imposto de renda no qual, além de declarar seu ‘apartamento’, foi obrigado a detalhar seus limites, a documentar a planta do imóvel e a disposição dos móveis, com o compromisso de não mexer mais neles”, diz Miranda.
Até janeiro, 4,8 milhões de produtores haviam feito seu cadastro o equivalente a 94% dos imóveis registrados no Censo Agropecuário de 2006. A base de dados foi construída sobre imagens de satélite. “A precisão é impressionante: com um zoom, é possível verificar onde estão as nascentes, a extensão e a largura dos rios e riachos, os tipos de vegetação, as áreas de preservação excedentes”, diz.
Monitoramento
O trabalho da Embrapa não analisou, nem fiscalizou a qualidade dessa preservação. Aliás, segundo o Prodes, o programa que acompanha o desmatamento da Amazônia e demais biomas e é monitorado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) quase metade do cerrado brasileiro foi desmatado e é hoje ocupado por atividades ligadas ao agronegócio. O Prodes mostra a evolução desse avanço ano a ano: só em 2017, 7,5 mil km ² foram desmatados na região. Na Amazônia, 62% das terras abertas estão sendo usadas pela pecuária e 6% pela agricultura. “Percebe-se, ao longo dos anos, que existe um avanço do desmatamento em direção à região Norte do cerrado”, diz Claudio Almeida, coordenador do Prodes.
Essa expansão foi constatada também no trabalho da Embrapa. O número de imóveis rurais cadastrados no SiCAR na região Norte superou o que havia sido identificado pelo Censo Agrícola em 35%. Já a área aumentou em 240% no período. Só no Amazonas, o salto da área foi de 801%. Há duas explicações: A primeira é que o CAR considera em sua base também as reservas extrativistas, regiões enormes e com grande presença no Norte, não contabilizadas no censo. Outra é que agricultores com condições precárias de posse usaram o cadastro para tentar formalizar suas ocupações, mesmo com o fato de o documento não valer para regularização fundiária.
A Embrapa calculou a receita que o agronegócio teria, caso as reservas legais fossem exploradas. “A intenção não é aumentar o desmatamento, mas medir a contribuição financeira do agronegócio para a preservação”, diz Miranda. Se as reservas legais fossem usadas para a produção de milho, uma cultura presente em todo o País, a receita obtida seria de R$ 6 bilhões no ano, com a geração de 74 mil empregos.
Fonte: O Estado de S. Paulo
https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,agronegocio-tambem-preserva-diz-embrapa,70002521092?from=whatsapp

O que o agronegócio quer do novo presidente

Setor aponta dez pontos prioritários para um avanço de produção e de participação brasileira no mercado externo

Ao contrário de anos anteriores, o agronegócio reuniu as principais entidades do setor e está apresentando um estudo conjunto para os presidenciáveis nesta eleição de 2018.

O chamado Conselho do Agro, que tem 18 entidades associadas, elencou dez dos principias problemas que devem ser resolvidos para que o país realmente passe a exercer um papel preponderante na produção de alimentos e de energia nas próximas décadas.

As sugestões desse estudo vêm da cadeia agrícola, além de entidades industriais e de serviços voltadas para o agronegócio.

Na avaliação dos analistas dessas entidades, avançam as práticas protecionistas internacionais, mas o mundo vai exigir do Brasil um aumento substancial de alimentos.

Eles deixam claro que as propostas do setor não são um rosário de queixas, mas um mapa para o futuro.

Macroeocnomia O estudo indica que é importante um aprimoramento do ambiente de negócios e da política agrícola. Reduzir gastos, dar continuidade às reformas, modernizar o sistema tributário e eliminar tributos incidentes sobre as exportações e investimentos no agronegócio.

Política agrícola Deve agilizar o fortalecimento e fomento dos programas de gestão de risco da atividade. Ter diretrizes de médio e de longo prazos. Entre essas políticas, o setor destaca a modernização do financiamento e a melhora nos programas de garantia de renda aos produtores.

Mercado externo Posicionar o agronegócio como um ativo do Brasil nas relações comerciais com o mundo. São necessárias visões estratégicas para os grandes mercados como China, Estados Unidos e Aliança do Pacífico. É preciso ainda, segundo o estudo, a busca de uma diferenciação dos produtos e imagem da agropecuária brasileira no exterior.

Sustentabilidade Entre as propostas no setor estão a de adequar a regra do licenciamento à atividade agropecuária, a de ter uma política de pagamento pelos serviços ambientais e a de regulamentar o uso dos biomas.

Segurança jurídica É de importância fundamental para o fortalecimento do agronegócio, segundo o estudo. Questões fundiárias, trabalhistas e criminalidade no campo são pontos de destaque.

Tecnologia e inovação São fatores fundamentais para a concretização dos aumentos da produção, do consumo e da exportação. Segundo os analistas do conselho, é preciso superar as barreiras que impedem a conectividade de alta qualidade em todo o país.

Logística A lista de reivindicações é longa e passa pelos setores rodoviário, ferroviário, portuário e hidroviário. Entre elas, estão a implementação de rotas de escoamento e a viabilização dos investimentos nos diversos setores de transporte e de armazenagem.

Defesa agropecuária Na avaliação das entidades, o ambiente regulatório está em descompasso com a evolução do agronegócio. É necessária uma reavaliação dos procedimentos nos serviços oficiais, além de modernizar e harmonizar os sistemas de informação.

Educação e assistência São ferramentas indispensáveis para a transferência de tecnologia. O governo deverá ampliar e aprimorar o sistema educacional, principalmente nos municípios. Os estudos devem conter disciplinas focadas em gestão econômica e financeira do agronegócio, além de ampliar programas de qualificação profissional.

Agroenergia No setor de biocombustível, regulamentar o Renovabio (Política Nacional de Biocombustíveis), realizar reforma tributária no setor de etanol e promover crescimento gradual da mistura de biodiesel. Além disso, viabilizar uma maior participação da biomassa nos leilões de energia.

Embrapa A indicação do novo presidente da entidade que, apesar de não estar oficialmente anunciada, pende para Sebastião Barbosa. Essa indicação trouxe novas discussões sobre a empresa nesta quarta-feira (19).

Propostas Pedro Camargo Neto, pecuarista e ex-secretário de política agrícola no governo de Fernando Henrique Cardoso, diz que, além de currículo, os candidatos devem apresentar propostas. “É preciso sabermos para onde queremos levar a Embrapa nos próximos anos”, diz.

Fonte: Folha de S.Paulo

Ciência, o adubo da agricultura brasileira

O segredo do sucesso mundial do agronegócio brasileiro tem nome e sobrenome: pesquisa, desenvolvimento e inovação agropecuária

Alimentar uma população mundial crescente – estimada em 10 bilhões de pessoas em 2050; produzir alimentos, fibra e bioenergia de forma sustentável, preservando e protegendo o meio ambiente; transformar a realidade de um país, que em pouco mais de quatro décadas saiu da posição de importador para a de celeiro mundial de alimentos. O Brasil alcançou essa condição num curto espaço de tempo. O segredo desta extraordinária mudança de paradigma tem nome e sobrenome: pesquisa, desenvolvimento e inovação agropecuária.

Na década de 1970 do século passado, o Brasil era um conhecido produtor de café, açúcar e cacau, as chamadas commodities da época. Todavia, ainda importava grande parte do que consumia: arroz, feijão, carne, leite, milho, trigo e outros cereais. A produção e a produtividade de nossas lavouras eram modestas. Havia pouco conhecimento sobre nossos biomas. A pobreza rural era uma triste realidade. O país estava imerso na insegurança alimentar. Com dimensões continentais e localizado no cinturão tropical do globo, região com solos pobres e ácidos, com temperatura e umidade favoráveis ao desenvolvimento de pragas e doenças, o Brasil não contava com um modelo de produção agropecuária a copiar. Era imperativo que desenvolvesse seu próprio modelo de agricultura tropical. Um modelo que, preferencialmente, estivesse baseado em ciência.

Foi assim que, em 1973, o governo federal criou a Embrapa. A instituição nasceu com a missão de gerar, adaptar e transferir conhecimentos para o desenvolvimento da agropecuária brasileira. Logo no início, foram enviados para treinamento no exterior mais de 1.000 profissionais das mais diferentes áreas das ciências agrárias. Centros de pesquisa foram instituídos em várias regiões do país.

A tecnologia agropecuária mudou a paisagem rural brasileira

Um consórcio público de pesquisa agropecuária, constituído pela Embrapa, universidades, organizações estaduais de pesquisa e a extensão rural, abriu caminhos para um setor privado ágil e pujante. E transformou a realidade de várias regiões brasileiras. A pesquisa pública concentrou-se então em eliminar as limitações ao desenvolvimento da produção agropecuária no Brasil. Três pilares estão na base desse processo: a tropicalização de cultivos e animais, o desenvolvimento de uma plataforma de produção sustentável e a transformação de solos ácidos e pobres em terra fértil.

A tecnologia agropecuária mudou a paisagem rural brasileira. Em pouco mais de 40 anos, aumentamos a produção de grãos em mais de cinco vezes com elevação de apenas 60% na área plantada. Incrementamos a produção de milho e trigo em mais de 240%, enquanto a produção de arroz cresceu 300%. A bovinocultura de corte aumentou seu plantel em duas vezes, enquanto a área com pastagens reduziu-se ligeiramente. A produção de leite saiu de pouco mais de 4 bilhões para mais de 35 bilhões de litros. A produtividade do café aumentou três vezes em 25 anos. Somando-se a produção de grãos, carne (bovina, suína e de frango), leite, frutas e hortaliças, o Brasil alimenta, anualmente, 1,4 bilhão de pessoas, ou sete vezes o tamanho de sua população. A pesquisa transformou o Cerrado. A tropicalização de cultivos, como a soja, o milho e o trigo, e a de animais para bovinocultura de corte e leite, fez do Cerrado – uma área até então inóspita – o celeiro brasileiro da produção de alimentos, fibras e energia do Brasil.

O país transformou-se numa verdadeira potência agrícola. E essa mudança de paradigma foi feita de maneira sustentável. Nenhum outro país do mundo produz alimentos e preserva e protege o meio ambiente como o Brasil. Usamos apenas 7,8% do território para toda a safra de grãos. A Alemanha usa 56,9% do seu território, enquanto o Reino Unido ocupa 63,9%, e a Dinamarca nada menos que 76,8%.

Por tudo isso, não podemos aceitar que desinformados ou mal-intencionados apontem o dedo para o Brasil nos acusando de predadores do meio ambiente. É preciso esclarecer que, com ciência, tecnologia e inovação, sabemos produzir de forma sustentável.

O Brasil preserva ou protege 66,3% de seu território na forma de matas e florestas nativas. Tal área equivale a toda a superfície dos países da União Europeia. Produtores rurais brasileiros preservam 25% do território brasileiro dentro dos imóveis rurais, na forma de reservas legais ou áreas de proteção permanente, o que representa um fantástico serviço ecossistêmico numa área aproximada de 218 milhões de hectares. E fazem isso sem receber um centavo sequer. O valor financeiro imobilizado dentro das propriedades rurais brasileiras é estimado em R$ 3,1 trilhões.

As pastagens e as florestas brasileiras, nativas e plantadas, ocupam outros 23%. Em síntese, usamos apenas 30% do Brasil para produzir alimentos, fibras e energia para alimentar 20% da população do globo. Os EUA usam quase 75% do seu território. Preservam apenas 19,9%, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Até 2030, estima-se que a Ásia concentrará 50% da classe média mundial. A região demandará alimentos em volumes crescentes, e o Brasil terá significativo protagonismo no atendimento dessa demanda. Dados do USDA indicam que a produção de alimentos no Brasil crescerá 69% até 2027, a maior taxa de crescimento verificada entre os maiores produtores e consumidores de alimentos no mundo. O mesmo estudo indica que a produção na Índia aumentará 48%, na Argentina crescerá 44%, na Rússia, 34%; na Austrália, 22%, nos EUA, 12%; na Ásia, apenas 11%.

O crescimento da produção brasileira se dará, sobretudo, pelo aumento da produtividade com uso intensivo de tecnologia. Ocorrerá também pela incorporação de áreas de pastagens degradadas, estimadas em 50 milhões de hectares, que vêm sendo recuperadas ao longo das últimas décadas por meio de processos de intensificação sustentável como os sistemas de integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF). Acredita-se que os sistemas integrados, que saíram de 4 milhões de hectares há 6 anos e hoje ocupam quase 14 milhões de hectares, configurem-se na segunda revolução agropecuária que se materializa em várias regiões do território brasileiro.

A demanda por alimentos aumentará significativamente nas próximas décadas. O crescimento populacional e a concentração demográfica em centros urbanos no horizonte de 2050 impõem grandes desafios para a sociedade moderna. Produzir de forma sustentável com preservação e respeito ao meio estará no centro da agenda de desenvolvimento global. Poucos países serão capazes de produzir com competitividade e sustentabilidade. A pesquisa, o desenvolvimento e a inovação agropecuária continuarão a fazer do Brasil um dos pilares da segurança alimentar e da paz em todo o mundo.

Celso Moretti é diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa.

Fonte: Gazeta do Povo – online

Safra de soja do Brasil 17/18 soma recorde de 119,3 milhões de toneladas

A safra de soja do Brasil 2017/18 somou um recorde de 119,3 milhões de toneladas, crescimento de 4,6 por cento na comparação com a temporada anterior, estimou nesta terça-feira a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em seu último levantamento para a temporada.

Na previsão de agosto, a Conab havia estimado a produção da oleaginosa em 119 milhões de toneladas.

O aumento na produção de soja do Brasil, o maior exportador global da oleaginosa, está sendo absorvido pela China, principal importador, que tem buscado mais o produto brasileiro em meio a uma disputa comercial com os Estados Unidos, também grandes produtores.

Considerando a safra total de grãos e oleaginosas, a produção brasileira em 2017/18 fechou em 228,3 milhões de toneladas, a segunda maior da história do país, atrás apenas da temporada anterior.

A produção total ficou abaixo da de 2016/17 devido principalmente a uma queda na colheita de milho, atingida por uma severa seca na segunda safra.

A produção total milho foi estimada em 81,3 milhões de toneladas, ante 82,2 milhões de toneladas na previsão de agosto. O volume total ficou 16,8 por cento abaixo do recorde da safra 2016/17, quando o país colheu 97,8 milhões de toneladas.

A Conab apontou que uma redução na área cultivada aliada ao forte estresse hídrico resultaram em perdas de produtividade. Dessa forma, a segunda safra do cereal, a maior do país, foi projetada em 54,5 milhões de toneladas, 19,1 por cento inferior à anterior.

Os estoques finais de milho, contudo, seguirão em patamares elevados, uma vez que o Brasil deve exportar menos milho, diante de custos adicionais com o tabelamento do frete.

A Conab agora projeta exportações de 25,5 milhões de toneladas, ante 27 milhões na projeção de agosto e 30,8 milhões na temporada passada. Já os estoques finais foram vistos pela estatal em 13,86 milhões de toneladas, versus 13 milhões no mês passado.

A safra de trigo do Brasil em 2018, apenas iniciada no maior produtor nacional, o Paraná, foi projetada em 5,24 milhões de toneladas, ante 5,14 milhões na previsão de agosto.

Já safra de algodão do Brasil em 17/18 foi estimada em recorde de 2 milhões de toneladas (pluma), ante 1,98 milhão na previsão de agosto e 1,5 milhão não temporada passada, conforme havia antecipado a associação de produtores.

Fonte: R7

Vendas de máquinas agrícolas crescem 30,5% em agosto

 

O crescimento nas vendas de máquinas agrícolas ocorre enquanto produtores de soja, principal produto do agronegócio do país, estão se preparando para o plantio de uma safra recorde em 2018/19.

Segundo a Anfavea, as vendas de colheitadeiras de grãos somaram 417 unidades em agosto, frente 405 em julho e 254 um ano antes, aumentos de 3 e 64,2 por cento, respectivamente.

 

No acumulado de 2018, as vendas totais de máquinas agrícolas no Brasil somam 29.630 unidades, alta de 6,2 ante os oito primeiros meses do ano passado.

Fonte: Brasil Agro – Online

Exportação de soja do Brasil cresce 13,5% de janeiro a agosto

As exportações de soja do Brasil de janeiro a agosto deste ano atingiram 64,6 milhões de toneladas, crescimento de 13,5% na comparação com o volume exportado no mesmo período do ano passado, de acordo com dados do governo brasileiro divulgados nesta segunda-feira.

Há um ano, o maior exportador de soja do mundo havia exportado 56,9 milhões de toneladas.

Os embarques em agosto superaram 8 milhões de toneladas, ante quase 6 milhões de toneladas no mesmo período do ano anterior.

Apesar da última safra de soja do Brasil ter sido recorde, os volumes embarcados em agosto caíram na comparação com julho, à medida que a oferta vai diminuindo.

Além de contar com uma produção histórica neste ano, o Brasil ainda tirou proveito de uma taxa da China contra a soja americana, em meio a uma guerra comercial entre Washington e Pequim.

Com uma tarifa de 25% sobre a oleaginosa dos EUA, a China recorreu fortemente à oferta brasileira.

Fonte: O Globo

Abag: PIB do agro ainda pode fechar o ano com alta de 0,2%

O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária ainda pode encerrar 2018 perto da estabilidade, com ligeira elevação entre 0,1% e 0,2%, apesar do recuo de 1,6% acumulado no primeiro semestre, projeta a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). No entanto, o diretor executivo da entidade, Luiz Cornacchioni, alerta que a taxa de investimento é o ponto de maior preocupação para o País como um todo. “Especificamente na agropecuária o investimento tende a ser comprometido pelo aumento de custos causado pelo tabelamento de fretes rodoviários”, disse ao Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Para o executivo, a greve dos caminhoneiros, entre o fim de maio e o início de junho, foi um fator negativo pontual e a capacidade produtiva do setor não ficou totalmente comprometida. Desta forma, a estabilidade para o PIB agropecuário do segundo trimestre, ante os três primeiros meses do ano, apontada nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), refletiu a sazonalidade das culturas.

Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, houve queda de 0,4%. “Temos potencial para entregar mais que isso, mas 2017 foi um ano em que todos os fatores convergiram para resultados muito elevados”, argumenta. A quebra na safra de culturas importantes para a formação do PIB foi um dos fatores de atenção. O milho, que corresponde a 11% do indicador setorial, marcou recuo de 16,7% na produtividade do segundo trimestre de 2018, na variação anual. A soja, que representa 37% do indicador, teve ganhos de apenas 1,2% nos rendimentos de 2017/18.

Fretes

Medida pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), a taxa de investimento do segundo trimestre chegou a 16% do PIB nacional, patamar 27% abaixo do ponto máximo alcançado no 3º trimestre de 2013 e motivo de preocupação. “Um País do tamanho do nosso em termos de geração de riquezas está com um índice de investimento muito abaixo do que precisa para crescer no médio e longo prazo”, afirma Cornacchioni.

O representante da Abag acredita que a tabela de preços mínimos do frete rodoviário foi a maior consequência da greve dos caminhoneiros e mais nociva que as perdas diretas que ocorreram durante o período em que as cargas estavam paradas nas estradas. “O tabelamento está trazendo custos que vão se refletir no desempenho geral do setor no ano. Não é o caso de puxar uma queda para o PIB, mas reduz as margens do produtor e a capacidade de investimento”, diz.

No momento atual, em que os agricultores se preparam para o plantio da temporada 2018/19, a incerteza sobre os preços de fretes gerou atrasos e despesas nas entregas de fertilizantes e defensivos, que, segundo Cornacchioni, podem fazer com que o agricultor deixe de aplicar em maquinário e tecnologia na lavoura. “O produtor vai dar preferência para colocar dinheiro na operação.”

Fonte: Terra

Safra de soja 2018/19 deverá registrar alta de 2% no mundo

Em seu mais recente relatório de acompanhamento de safra, relativo a agosto, o Conselho Internacional de Grãos (IGC, na sigla em inglês) elevou a estimativa para a produção mundial de soja no ciclo 2018/19 para 366 milhões de toneladas, avanço de 2% na comparação com a projeção de julho [359 milhões de toneladas].

O conselho manteve a previsão para o comércio global da oleaginosa na safra 2018/19 em 154 milhões de toneladas.

O IGC revisou, ligeiramente, para cima a projeção do consumo mundial na temporada 2018/19 para 357 milhões de toneladas, um milhão a mais do indicado na estimativa de julho.

Já os estoques globais ao término do período 2018/19 deverão alcançar 51 milhões de toneladas, sete milhões acima da previsão de julho.

Fonte: Infomoney

GAF: Brasil tem que crescer 40% na produção de alimentos em 10 anos

São Paulo, 23/07/18 – O ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Estudos do Agronegócio da FGV-EESP, Roberto Rodrigues, ressaltou no Global Agribusiness Forum (GAF 2018) a importância do Brasil para fornecer alimentos para o restante do mundo. “O Brasil tem de crescer 40% na produção de alimentos em 10 anos para que o mundo cresça 20%”, disse. “Há uma demanda de fora para dentro inédita na história contemporânea.”

Segundo Rodrigues, “temos tecnologia, terra e gente” para cumprir essa meta. O ex-ministro defendeu a conscientização da sociedade urbana sobre a importância do agronegócio para garantir a segurança alimentar no mundo.

Fonte: Estadão Conteúdo

Assine nossa newsletter e tenha acesso as principais notícias do setor


aprobio@aprobio.com.br
Av. Brigadeiro Faria Lima, 1903 - Conj. 91 - Jd. Paulistano - 01452-911 - São Paulo - SP - Tel: 55 11 3031- 4721