Brasil só tem a ganhar com Acordo de Paris, defende grupo de ruralistas e ambientalistas

Entidade que reúne mais de 180 membros do agronegócio, do ambientalismo e da academia, divulga comunicado reforçando seu posicionamento para que o País permaneça no Acordo de Paris – condição ainda posta em dúvida por Bolsonaro

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, entidade que reúne mais de 180 membros do agronegócio, do ambientalismo e da academia, divulga nesta quinta-feira, 13, um comunicado ao novo governo reforçando seu posicionamento para que o País permaneça no Acordo de Paris – condição ainda posta em dúvida pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro.

O grupo, composto por entidades como Sociedade Rural Brasileira (SRB), União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), Cargill e Amaggi, mas também por ONGs como Ipam, WWF, Ipam, Imazon, além do Observatório do Clima, defende que o Brasil “tem muito a ganhar” com sua permanência no acordo, estabelecido por 195 países como o principal instrumento para o combate internacional ao aquecimento global.

“O Acordo de Paris representa uma agenda de muitas oportunidades”, escreve o grupo, que lista os benefícios para os vários setores: “Para os produtores rurais, o compromisso é visto como importante incentivo à criação de mecanismos que possam compensar produtores com excedentes de áreas preservadas em suas terras, como forma de remunerar o serviço ambiental prestado por essas áreas”, aponta o documento.

“Para as florestas e a agricultura, o acordo representa uma indicação clara rumo a uma economia de baixo carbono. Uma parte relevante da economia brasileira está baseada no agronegócio, responsável por 23,5% do PIB nacional e 19% dos empregos formais no país. O setor é altamente dependente das condições climáticas para garantir sua produtividade. As florestas atuam como ‘regador’ da agricultura brasileira e protegê-las é o melhor caminho para garantir a perenidade do setor”, continua.

O grupo lembra que o Brasil é responsável por 7% dos produtos agrícolas em todo o mundo e que atender a critérios de sustentabilidade “pode atrair mais diferenciais e competitividade a seus produtos, valorizando sua imagem e reputação e abrindo novas portas em mercados internacionais”.

Ao fim do comunicado, o grupo pede que o governo considere “os ganhos que o Acordo de Paris pode representar a diversos setores da sociedade”, como listado pela coalizão no documento Visão de Futuro para as Florestas e a Agricultura.

Sinais do governo

Defesas como essas foram importantes nas últimas semanas para Bolsonaro voltar atrás, em seu plano de campanha, de fundir os Ministérios da Agricultura com o do Meio Ambiente. Mas o novo governo continua passando mensagens de incerteza sobre a permanência no Acordo de Paris.

Logo depois da eleição, o governo brasileiro desistiu de sediar a Conferência do Clima da ONU no ano que vem, a pedido de Bolsonaro; o presidente eleito continua falando que ainda pensa em abandonar o acordo; e o futuro ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou em entrevistas que a discussão sobre o aquecimento global é secundária.

O comunicado da coalizão reforça um cenário que ficou claro desde o período eleitoral: de que, apesar de Bolsonaro contar com o apoio majoritário do agronegócio, há diferentes graus de concordância com o presidente eleito dentro desse grupo tão diverso.

O chamado agro moderno em geral quer a proteção ao ambiente e o cumprimento das metas estabelecidas junto ao Acordo de Paris porque sabe que isso pode impactar as exportações. Já a velha pecuária extensiva, que não quer se modernizar, pressiona por menos fiscalização e endossa o discurso da “indústria da multa”.

Fonte: Estadão

Vendas antecipadas de soja no Brasil vão a 30,3% do total, diz Datagro

De acordo com previsões da consultoria, maior exportador mundial de soja em grão, o Brasil deve produzir um recorde de 124,66 milhões de toneladas da commodity no atual ciclo.

As vendas antecipadas de soja da safra 2018/19 no Brasil, cuja colheita pode começar ainda este mês em algumas áreas, avançaram para 30,3% da produção estimada até a última semana, informou a Datagro nesta quarta-feira (12).

Embora a comercialização esteja à frente dos 26% reportados em dezembro de 2017, ficam levemente atrás dos 31,6 por cento da média para o período e bem atrás dos 45,5 por cento de recorde em 2015, destacou a consultoria.

“A esperada queda nos preços aconteceu de forma geral, mantendo frouxo o interesse de venda pelos produtores e escasseando os negócios”, afirmou em nota o analista de grãos da Datagro, Flávio França Jr.

Em relação à temporada 2017/18, já encerrada, as vendas chegam a 95%, ante 90% há um ano.

Maior exportador mundial de soja em grão, o Brasil deve produzir um recorde de 124,66 milhões de toneladas da commodity no atual ciclo, conforme previsão da consultoria.

A estimativa da Datagro, por sinal, foi a mais otimista em uma pesquisa da Reuters divulgada no fim do mês passado.

Com as lavouras se desenvolvendo bem, a tendência é de que alguma colheita ocorra já nos próximos dias, em especial em Mato Grosso, maior produtor nacional, graças a um plantio antecipado em muitas regiões do país.

Por lá, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) destacou que os sojicultores já comercializaram antecipadamente 41,33% da produção local, um avanço mensal de 5,59 pontos.

“Este progresso é reflexo da aproximação da colheita da nova safra, seja para liberar espaço nos armazéns, quanto para a garantia de preços. Dessa forma, este último mês foi marcado por movimentações nos principais ‘drives’ de formação de preços, principalmente da queda nos prêmios de exportação nos portos brasileiros”, destacou o Imea em boletim.

Milho

A Datagro destacou também nesta quarta-feira que as vendas da primeira safra de milho 2018, colhida no último verão, alcançaram 94 por cento da produção obtida, ante 90% em dezembro do ano passado.

“A lentidão nas negociações da temporada está ligada diretamente à expectativa de melhora ainda maior no padrão de preços por parte dos produtores”, comentou França Jr.

Já em relação à segunda safra de milho, colhida no inverno deste ano, as negociações chegam a 82% da produção esperada, bem acima do percentual de 78% observado no ano passado, mas ainda abaixo dos 84% da média para os últimos cinco anos.

Aumento da produção de soja passa por desafios tecnológicos, diz Embrapa

Produto representa 36% do valor bruto de produção e 33% das exportações do agronegócio do país.

A demanda mundial por soja deverá atingir 700 milhões de toneladas em 2050, o dobro da atual. Assim como já ocorre atualmente, o Brasil será um dos principias fornecedores da oleaginosa no mundo.

A soja já é, de longe, o principal produto agrícola do país. Ela representa 36% do valor bruto de produção e 33% das exportações do agronegócio.

O aumento da produção não depende só de uma demanda externa maior, mas passa também por alguns desafios internos e avanços tecnológicos.

Entre os desafios internos estão transporte, armazenagem, política agrícola, estrutura tributária e incentivo à agregação de valor.

Um item importante nesse rol de desafios, contudo, é o da geração de tecnologia e apoio à sua transferência ao campo. Essas ponderações são de pesquisadores da Embrapa que estão lançando uma série de estudos de avaliação do agronegócio brasileiro.

Os desafios tecnológicos a serem vencidos na soja estão nas áreas fitossanitária, de manejo de solo e a obtenção de variedades de alta produtividade.

Rendimento estagnado próximo de 3,3 toneladas por hectare e custos em ascensão são os grandes gargalos do setor. Na área fitossanitária, o principal desafio vem da ferrugem asiática, doença que consome US$ 2,8 bilhões por ano dos produtores.

A perda da eficiência dos fungicidas no combate à doença reforça a necessidade das medidas legislativas – impondo o vazio sanitário no setor – e a dependência da resistência genética da soja.

Outro grande fator de perda da produtividade nas lavouras são os percevejos. O desenvolvimento de cultivares tolerantes ao ataque deles é importante para o manejo dessa praga, segundo os pesquisadores da Embrapa.

Os nematoides, que causam atrofiamento da planta e inibem a produtividade da soja, também estão na lista das grandes preocupações.

Rotação de culturas, modificações do ambiente e da nutrição e utilização de cultivares resistentes podem reduzir a ação da praga.

Outro gargalo no setor são as plantas resistentes a herbicidas, que começam a elevar gastos e reduzir a produtividade. Para os pesquisadores, é necessário um desenvolvimento tecnológico de um sistema de controle dessas plantas daninhas.

A produtividade depende, ainda, do manejo do solo. As características físicas, mecânicas, químicas e biológicas do solo devem estar dentro de um equilíbrio ideal. O imediatismo da produção poderá trazer sérias consequências para a sustentabilidade do agronegócio, segundo os pesquisadores.

Outro desafio para a produtividade brasileira passa a ser as condições climáticas. De 2004 a 2014, apenas na região Sul, o país perdeu US$ 27 bilhões com efeitos climáticos. No futuro, será vital a disponibilidade de cultivares comerciais de soja tolerantes à seca.

O aumento da produção no Brasil terá de vir da elevação da produtividade, segundo a Embrapa. É preciso um esforço de transferência de tecnologia em grande escala e de forma permanente.

Para os pesquisadores, países que optarem por obter maior produtividade vão melhorar sensivelmente a posição no mercado internacional

Fonte: Brasil Agro

Novo patamar para o agronegócio – Por Sérgio Amaral

Abre-se uma avenida promissora para o setor na sua rota de internacionalização

O Brasil viveu nas últimas décadas uma verdadeira revolução agrícola. Para ser mais preciso, uma revolução no agronegócio, que vai além da agricultura e da pecuária, para incluir os serviços e a indústria que estiveram associados com a prosperidade no campo.

Tudo começou com a expansão da agricultura no Cerrado, em parceria com o Japão. Na sequência, universidades e centros de pesquisa brasileiros deram valiosa contribuição ao desenvolvimento de uma cultura de zona tropical lastreada na ciência. Nada disso, no entanto, teria sido possível sem a liderança empresarial no agronegócio.

O aumento da produtividade e da competitividade encontrou eco na expansão sem precedentes da demanda internacional, particularmente durante o “boom das commodities”, no qual a China teve participação preponderante.

Os resultados foram expressivos. Vale citar o salto na produção de grãos, que passou de 85 milhões de toneladas em 2000 para 228 milhões em 2018. O agronegócio representa hoje 45% das exportações e 24% do produto nacional.

Qual o cenário para os próximos anos? Do lado da oferta, o Brasil já demonstrou ser capaz de produzir e exportar mais sem expandir a área cultivada, ainda que existam grandes extensões de terra disponíveis. Os entendimentos a que chegaram agricultores e ambientalistas evidenciaram que é possível incrementar as safras e multiplicar as cabeças de gado sem degradar o meio ambiente, condição para assegurar o acesso dos produtos brasileiros aos mercados mais exigentes.

Do lado da demanda, no entanto, prevalecem sinais de declínio nas taxas de crescimento. O fracasso da Rodada Doha frustrou a expectativa de liberalização do comércio agrícola. Ademais, o Brasil colocou todas as fichas na Organização Mundial do Comércio (OMC), em detrimento dos acordos bilaterais ou regionais de comércio, que só recentemente foram retomados e que a maioria de nossos parceiros comerciais já havia concluído.

O impacto sobre o Brasil da guerra comercial em curso ainda é incerto. Tomemos o caso da soja. Se os chineses elevarem a tarifa de importação para a soja americana, o Brasil poderá ganhar fatias adicionais no mercado chinês. Entretanto, na hipótese de um entendimento que induza os chineses a comprar mais soja dos Estados Unidos, o Brasil perderá mercado na China.

De qualquer modo, a nova onda protecionista alimenta a incerteza e o retraimento dos mercados, com possíveis efeitos sobre as exportações brasileiras.

Em médio prazo, porém, as perspectivas da demanda por produtos agrícolas são promissoras. Estudo realizado conjuntamente pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) projeta um aumento da demanda por alimentos da ordem de 50% entre 2012 e 2050. Segundo a mesma pesquisa, o crescimento da demanda viria predominantemente do Sudeste Asiático e da África Subsaariana e poderia ser atendido em boa medida pelo Brasil. O estudo destaca também que parcela do aumento do consumo deverá ser suprida por aumento da produção própria nessas duas regiões.

A se confirmarem os prognósticos da OCDE-FAO, o agronegócio brasileiro deverá preparar-se para expandir sua produção e atender ao aumento da demande por alimentos, mesmo se não lograrmos concluir novos acordos para abertura de mercados, hipótese muito improvável.

Mas exportar não basta. É preciso ter presente que o Brasil desenvolveu, de modo autônomo, uma tecnologia e um know-how próprios para a agricultura de zona tropical. Eles nos conferem vantagem comparativa para exportar, mas podem representar igualmente uma fonte adicional de rendimentos para o País, para as empresas de pesquisa e para os empresários do agronegócio. Nós temos boas oportunidades para promover a transferência de tecnologia e a prestação de serviços, de modo remunerado, e para expandir investimentos no exterior, que, por sua vez, abririam novos mercados para exportação, tanto de alimentos quanto de equipamentos.

Temos, assim, pela frente um dilema entre sermos o espectadores passivos de uma revolução agrícola que vários países começam a promover ou participarmos dessa revolução, buscando retirar mais valor de uma tecnologia que desenvolvemos, mediante investimentos, parcerias e abertura de novos mercados, a começar por uma região, a África, com a qual temos uma cooperação tradicional, que podemos ampliar mediante um intercâmbio mais sólido e duradouro. Cabe anotar que a África Subsaariana registrou entre 2007 e 2017 uma taxa de crescimento (77%) substancialmente mais alta que a da América Latina (51%).

Por fim, o foco nos investimentos, assim como nas parcerias empresariais e tecnológicas, abre uma avenida promissora para o agronegócio galgar um novo patamar em sua rota de internacionalização.

Essa caminhada poderá levar algum tempo e, sobretudo, demandar a redução dos custos para produzir e para transportar o que, de qualquer modo, seria necessário. Deverá exigir igualmente maior articulação entre os vários atores, no governo e no setor privado, em torno de um objetivo comum, o de ampliar a exportação de bens e serviços com maior valor agregado.

A África, por sua vez, já percebeu os benefícios mútuos de uma nova visão do intercambio com o Brasil, não apenas inspirado na nostalgia do passado, mas também nas realidades do presente e nas oportunidades do futuro. Num seminário em São Paulo, o ministro da Economia de um importante país africano, referindo-se às relações com o Brasil, deixou clara sua expectativa: “Africa does not need compassion, it needs investments” (Sérgio Amaral é embaixador do Brasil em Washington e foi ministro da Indústria e do Comércio).

Fonte: Brasil Agro

Colheita de soja do Brasil começará mais cedo, na 2ª quinzena de dezembro, diz AgRural

Produtores do Brasil já plantaram 60 por cento da área estimada com soja em 2018/19, em ritmo recorde para esta época do ano, favorecidos por boas condições climáticas, o que permitirá uma colheita com início mais precoce, a partir da segunda quinzena de dezembro, avaliou nesta segunda-feira a consultoria AgRural.

O plantio no país avançou 14 pontos percentuais em uma semana até quinta-feira passada. Na mesma época de 2017, a semeadura havia sido feita em 43 por cento da área. Os trabalhos também estão bem adiantados em relação à média histórica (41 por cento para esta época).

Em Mato Grosso, maior produtor brasileiro da oleaginosa, com cerca de 27 por cento da safra brasileira, o plantio avançou para 90 por cento da área, ante 61 por cento na mesma época do ano passado e 57 por cento na média de cinco anos, com chuvas intercaladas por sol, o que ajuda nos trabalhos de campo.

“Tem um plantio muito rápido em Mato Grosso, com certeza vamos ter colheita iniciando na segunda quinzena de dezembro”, declarou à Reuters o analista Adriano Gomes, da AgRural, acrescentando que tal previsão apenas não se confirmaria na hipótese de algum problema climático até lá.

Ele disse que a colheita começaria por Sorriso (MT), maior município produtor de soja do Brasil. Também teria início na mesma época em Lucas do Rio Verde, outro polo produtor importante, além de algumas regiões no oeste de Mato Grosso, que devem receber semente de algodão na segunda safra.

Normalmente, as colheitas mais precoces começam na época do Natal, ou cerca de 10 dias depois do esperado para este ano.

Uma colheita mais precoce dever ajudar a aliviar a escassez de soja após exportações recordes do Brasil neste ano –os embarques continuam atipicamente fortes em outubro, diante da forte demanda da China.

As vendas externas deverão deixar os estoques finais em 2018 entre os menores da história.

Questionado se uma colheita antecipada poderia favorecer maiores volumes exportados no início de 2019, o analista afirmou que isso dependerá do volume de soja que vai sobrar em 2018.

“A grande pergunta é: quanto teremos de estoques de passagem, com essas exportações batendo recordes.”

De qualquer forma, o volume colhido em dezembro não será muito expressivo, na comparação com a safra total. “Começa a ter mais volume em janeiro, intensificando-se a colheita em fevereiro”, ponderou.

Ele disse que não somente o clima tem favorecido colheitas cada vez mais antecipadas, mas também o uso das chamadas sementes precoces, com ciclo mais curto.

“Isso para dar tempo de fazer o plantio da segunda safra, de algodão e milho. E tivemos também um clima muito favorável no início desta safra…”, disse ele.

O analista citou bom clima também em Goiás e Mato Grosso do Sul, que também estão com trabalhos acelerados.

O Paraná, que teve um início de plantio bastante acelerado por chuvas em setembro, acabou prejudicado pelas precipitações em excesso em outubro. Ainda assim, o ritmo está mais forte do que na média histórica.

O Estado, segundo produtor brasileiro da oleaginosa, já plantou 69 por cento da área, contra 74 por cento há um ano e 66 por cento na média de cinco anos.

“Embora não haja perda de potencial produtivo, o desenvolvimento inicial das lavouras está mais lento do que o esperado em algumas áreas do oeste paranaense devido aos poucos dias de sol registrados em outubro”, disse a AgRural em relatório.

Dessa forma, a safra brasileira, de maneira geral, está tendo um “excelente início”, concluiu Gomes.

A AgRural estima a safra do país em um recorde de 120,3 milhões de toneladas, ante 119,3 milhões em 2017/18.

MILHO

Com relação ao plantio de milho primeira safra do centro-sul, a consultoria estimou que 65 por cento da área estava plantada até quinta-feira, avanço de 13 pontos percentuais em uma semana, além de superar os 49 por cento do ano passado e os 57 por cento da média de cinco anos.

A produção, baseada por enquanto em linha de tendência de produtividade, é calculada em 22 milhões de toneladas, ante 20,3 milhões em 2017/18.

(Por Roberto Samora)

Fonte: Extra

Celeiro do desenvolvimento sustentável, por Erasmo Carlos Battistella

Leia artigo assinado pelo presidente do Conselho de Administração da APROBIO, Erasmo Carlos Battistella, publicado pelo jornal gaúcho Zero Hora nesta sexta-feira (2):

 

Os olhos do mundo estão voltados ao Brasil e às políticas que serão adotadas pelo novo governo, com apoio de um Congresso renovado pelo desejo da sociedade por um futuro melhor. No mundo contemporâneo, isso significa desenvolvimento econômico ético e sustentável. A geração de riqueza no século 21 exige firme compromisso não só com “o que” se produz, mas com “o como” se produz.

Os produtores brasileiros já têm demonstrado que é ideia ultrapassada pensar em incompatibilidade entre o agro e o meio ambiente. Ao contrário, produtos agropecuários devidamente certificados têm obtido acesso a mercados importantes, por meio de acordos internacionais e cumprimento de exigências sanitárias e ambientais.

Assim, por mais louvável que seja enxugar o Estado, não soa razoável uma eventual fusão entre os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, como se esse desenho garantisse mais produção no campo. O efeito pode ser o oposto, diante do risco de se fecharem portas de importantes mercados, abertas após anos de trabalho sério de produtores que, hoje, colhem merecidos frutos.

Da mesma forma, é preciso encarar pactos como o Acordo de Paris como oportunidade, e não entrave. Nossa experiência e potencial em energias renováveis, como etanol e biodiesel, nos credenciam como referência mundial em alternativas ao petróleo. O Brasil deve se tornar o “Oriente Médio Verde”.

O biodiesel brasileiro tem benefícios inquestionáveis: 71,65% menos emissões que a produção de diesel fóssil e geração de mais emprego (capacidade 113% maior) e PIB (35% a mais). Sem falar na substituição de diesel importado, no incentivo à agricultura familiar e no estímulo a novas culturas, como a da palma de óleo, para recuperar áreas degradadas.

Com a aplicação da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), instrumento inovador criado pelo Brasil para cumprimento do Acordo de Paris, a atual produção anual de 5,4 bilhões de litros de biodiesel deve chegar a 18 bilhões. Para tanto, estima-se investimentos de R$ 22 bilhões até 2030 só na indústria de óleos vegetais e biodiesel.

Nosso país não pode abrir mão de oportunidades como essa, propiciadas pela união entre preservação ambiental e geração de riquezas no campo. Podemos – e devemos – fazer desse cenário um celeiro de oportunidades para o desenvolvimento sustentável.

Agronegócio quer de novo presidente modernização do sistema tributário

Olhar sobre o mercado externo também deverá estar na agenda

O agronegócio, apesar da importância na economia do país, acaba sendo um dos setores que têm pouca atenção dos presidenciáveis nas propostas de governo. Neste ano, não é diferente.

O segmento, porém, já elegeu seus pontos prioritários para o próximo presidente e promete cobrar. Eles vão da macroeconomia a questões relacionadas a segurança e a sustentabilidade.

As propostas se concentraram em dez pontos. Muitos focam eternos problemas brasileiros que vêm sendo adiados devido ao caixa baixo do governo para investimentos. Outros, devido à força da bancada ruralista, uma das mais fortes de Brasília, poderão ter avanço.

As propostas vieram do Conselho do Agro, que reúne 18 entidades e agregam sugestões não apenas da cadeia agrícola mas também de entidades industriais e de serviços voltadas para o agronegócio brasileiro.

Um dos pontos de relevância é o macroeconômico, que dá ambiente aos negócios do agronegócio. Além da execução das reformas econômicas, o setor quer uma modernização do sistema tributário e evitar a cobrança de impostos sobre as exportações.

Na avaliação do agronegócio, outra prioridade do novo governo deveria ser uma política agrícola com diretrizes de médio e de longo prazos.

O olhar sobre o mercado externo também deverá estar na agenda.

São necessárias visões estratégicas para os grandes mercados como China, EUA e Aliança do Pacífico.

O Brasil precisa também buscar uma evidência para a qualidade e a imagem do produto brasileiro no exterior.

Entre as propostas estão ainda a adequação da regra do licenciamento à atividade agropecuária. O país deveria ter uma política de pagamento pelos serviços ambientais e uma regulamentação do uso dos biomas.

Outro item fundamental, segundo o setor, é o da segurança jurídica. Questões fundiárias, trabalhistas e criminalidade no campo são pontos de destaque.

A economia depende cada vez mais das tecnologias, e o agronegócio não é diferente. É preciso superar as barreiras da conectividade no país, item que pode elevar o aumento da produção, do consumo e da exportação.

A logística não poderia faltar nas propostas. A lista de reivindicações passa pelos setores rodoviário, ferroviário, portuário e hidroviário. Entre elas, estão a implementação de rotas de escoamento e a viabilização dos investimentos nos setores de transporte e de armazenagem.

Na avaliação das entidades, o país precisa avançar também na defesa sanitária da agropecuária. O ambiente regulatório está em descompasso com a evolução do agronegócio.

É necessária uma reavaliação dos procedimentos nos serviços oficiais, além de modernizar e harmonizar os sistemas de informação.

Um dos pontos prioritários no campo é o de elevar o patamar de educação do trabalhador rural. As máquinas vêm, cada vez mais, com muita tecnologia, e a baixa escolaridade dificulta a utilização desses equipamentos.

A edução e a assistência técnica são ferramentas indispensáveis para a transferência de tecnologia. O governo deverá ampliar e aprimorar o sistema educacional, principalmente nos municípios.

Os estudos devem conter disciplinas focadas em gestão econômica e financeira do agronegócio, além de ampliar os programas de qualificação profissional, segundo as propostas para o futuro presidente do país.

Tradicional produtor e exportador de grãos e de carnes, o país precisa aprimorar também a agroenergia. Uma das recomendações das entidades do agronegócio é a regulamentação do Renovabio (Política Nacional de Biocombustíveis) no setor de biocombustível.

A consolidação da agroenergia passa, ainda, pela realização da reforma tributária no setor de etanol e pela promoção do crescimento gradual da mistura de biodiesel ao diesel.

Além disso, é necessário, segundo o setor, viabilizar uma maior participação da biomassa nos leilões de energia. As diversas fontes de biomassa representam 9% da potência outorgada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) na matriz energética.

Carnes A primeira semana das exportações de proteínas teve ritmo fraco em relação a setembro. Houve queda nos volumes das carnes “in natura” de suínos e de bovinos. O de carne de frango ficou estável.

Preços Os dados são da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), que também apontou recuo do preço das carnes em relação aos verificados em outubro do ano passado. A carne suína vale 30% menos.

Atacado Os produtos agropecuários mantêm pressão na inflação. Os preços médios do setor variaram 2,11% no atacado no mês passado, acumulando 12,2% nos nove primeiros meses do ano, segundo o IGP-DI, da FGV.

Em queda A soja foi um dos pesos na inflação, com alta de 5,43% no mês passado. Já os preços do leite, com a melhora das pastagens, começa a cair. Açúcar, devido à queda externa, e cana também tiveram retração de preços.

Milho As exportações do cereal avançam, embora em ritmo menor do que as de 2017. Na primeira semana deste mês, superaram em 15% as de setembro, mas ficaram 13% abaixo das de outubro de 2017.

Soja O Usda (Departamento de Agricultura dos EUA) poderá trazer novidade na divulgação de safra desta terça (9), devido ao excesso de chuva. O primeiro contrato da soja está em US$ 8,6975 por bushel em Chicago.

Efeito no bolso

Os produtores foram uma das forças de Jair Bolsonaro na eleição de domingo (7). A opção pelo candidato do PSL, porém, trouxe estragos ao bolso dos agricultores. A soja, carro-chefe da agricultura, caiu R$ 3 por saca nesta segunda-feira (8), reduzindo em R$ 50 o valor da tonelada da commodity. A queda ocorreu devido ao recuo do dólar. Em Sorriso (MT), a saca do produto para entrega imediata recuou para R$ 71.

Fonte: Folha de S.Paulo

Agronegócio também preserva, diz Embrapa

As áreas de vegetação nativa preservadas por agricultores, pecuaristas, silvicultores e extrativistas somam 25% do território brasileiro

As áreas de vegetação nativa preservadas por agricultores, pecuaristas, silvicultores e extrativistas somam 25% do território brasileiro e equivalem a R$ 3,1 trilhões em patrimônio imobilizado, mostra um mapeamento inédito feito pela Embrapa. “Sabia-se que havia uma contribuição dos agricultores na preservação, porém os números dessa participação eram desconhecidos”, afirma Evaristo de Miranda, chefe-geral da Embrapa Territorial. “Mapeamos os dados do Brasil inteiro e constatamos que não há país do mundo no qual o setor agrícola dedique tanto patrimônio e recursos à preservação do meio ambiente.”

O levantamento foi possível graças ao Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SiCAR), o registro público obrigatório de todos os imóveis rurais, que identificou as áreas de preservação permanente, de uso restrito, reservas legais, remanescentes de florestas e outras formas de vegetação nativa. A partir desse cadastro, a expectativa do governo é aumentar controles, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e o combate ao desmatamento. “Ao registrar o CAR, o produtor fez uma espécie de imposto de renda no qual, além de declarar seu ‘apartamento’, foi obrigado a detalhar seus limites, a documentar a planta do imóvel e a disposição dos móveis, com o compromisso de não mexer mais neles”, diz Miranda.
Até janeiro, 4,8 milhões de produtores haviam feito seu cadastro o equivalente a 94% dos imóveis registrados no Censo Agropecuário de 2006. A base de dados foi construída sobre imagens de satélite. “A precisão é impressionante: com um zoom, é possível verificar onde estão as nascentes, a extensão e a largura dos rios e riachos, os tipos de vegetação, as áreas de preservação excedentes”, diz.
Monitoramento
O trabalho da Embrapa não analisou, nem fiscalizou a qualidade dessa preservação. Aliás, segundo o Prodes, o programa que acompanha o desmatamento da Amazônia e demais biomas e é monitorado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) quase metade do cerrado brasileiro foi desmatado e é hoje ocupado por atividades ligadas ao agronegócio. O Prodes mostra a evolução desse avanço ano a ano: só em 2017, 7,5 mil km ² foram desmatados na região. Na Amazônia, 62% das terras abertas estão sendo usadas pela pecuária e 6% pela agricultura. “Percebe-se, ao longo dos anos, que existe um avanço do desmatamento em direção à região Norte do cerrado”, diz Claudio Almeida, coordenador do Prodes.
Essa expansão foi constatada também no trabalho da Embrapa. O número de imóveis rurais cadastrados no SiCAR na região Norte superou o que havia sido identificado pelo Censo Agrícola em 35%. Já a área aumentou em 240% no período. Só no Amazonas, o salto da área foi de 801%. Há duas explicações: A primeira é que o CAR considera em sua base também as reservas extrativistas, regiões enormes e com grande presença no Norte, não contabilizadas no censo. Outra é que agricultores com condições precárias de posse usaram o cadastro para tentar formalizar suas ocupações, mesmo com o fato de o documento não valer para regularização fundiária.
A Embrapa calculou a receita que o agronegócio teria, caso as reservas legais fossem exploradas. “A intenção não é aumentar o desmatamento, mas medir a contribuição financeira do agronegócio para a preservação”, diz Miranda. Se as reservas legais fossem usadas para a produção de milho, uma cultura presente em todo o País, a receita obtida seria de R$ 6 bilhões no ano, com a geração de 74 mil empregos.
Fonte: O Estado de S. Paulo
https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,agronegocio-tambem-preserva-diz-embrapa,70002521092?from=whatsapp

O que o agronegócio quer do novo presidente

Setor aponta dez pontos prioritários para um avanço de produção e de participação brasileira no mercado externo

Ao contrário de anos anteriores, o agronegócio reuniu as principais entidades do setor e está apresentando um estudo conjunto para os presidenciáveis nesta eleição de 2018.

O chamado Conselho do Agro, que tem 18 entidades associadas, elencou dez dos principias problemas que devem ser resolvidos para que o país realmente passe a exercer um papel preponderante na produção de alimentos e de energia nas próximas décadas.

As sugestões desse estudo vêm da cadeia agrícola, além de entidades industriais e de serviços voltadas para o agronegócio.

Na avaliação dos analistas dessas entidades, avançam as práticas protecionistas internacionais, mas o mundo vai exigir do Brasil um aumento substancial de alimentos.

Eles deixam claro que as propostas do setor não são um rosário de queixas, mas um mapa para o futuro.

Macroeocnomia O estudo indica que é importante um aprimoramento do ambiente de negócios e da política agrícola. Reduzir gastos, dar continuidade às reformas, modernizar o sistema tributário e eliminar tributos incidentes sobre as exportações e investimentos no agronegócio.

Política agrícola Deve agilizar o fortalecimento e fomento dos programas de gestão de risco da atividade. Ter diretrizes de médio e de longo prazos. Entre essas políticas, o setor destaca a modernização do financiamento e a melhora nos programas de garantia de renda aos produtores.

Mercado externo Posicionar o agronegócio como um ativo do Brasil nas relações comerciais com o mundo. São necessárias visões estratégicas para os grandes mercados como China, Estados Unidos e Aliança do Pacífico. É preciso ainda, segundo o estudo, a busca de uma diferenciação dos produtos e imagem da agropecuária brasileira no exterior.

Sustentabilidade Entre as propostas no setor estão a de adequar a regra do licenciamento à atividade agropecuária, a de ter uma política de pagamento pelos serviços ambientais e a de regulamentar o uso dos biomas.

Segurança jurídica É de importância fundamental para o fortalecimento do agronegócio, segundo o estudo. Questões fundiárias, trabalhistas e criminalidade no campo são pontos de destaque.

Tecnologia e inovação São fatores fundamentais para a concretização dos aumentos da produção, do consumo e da exportação. Segundo os analistas do conselho, é preciso superar as barreiras que impedem a conectividade de alta qualidade em todo o país.

Logística A lista de reivindicações é longa e passa pelos setores rodoviário, ferroviário, portuário e hidroviário. Entre elas, estão a implementação de rotas de escoamento e a viabilização dos investimentos nos diversos setores de transporte e de armazenagem.

Defesa agropecuária Na avaliação das entidades, o ambiente regulatório está em descompasso com a evolução do agronegócio. É necessária uma reavaliação dos procedimentos nos serviços oficiais, além de modernizar e harmonizar os sistemas de informação.

Educação e assistência São ferramentas indispensáveis para a transferência de tecnologia. O governo deverá ampliar e aprimorar o sistema educacional, principalmente nos municípios. Os estudos devem conter disciplinas focadas em gestão econômica e financeira do agronegócio, além de ampliar programas de qualificação profissional.

Agroenergia No setor de biocombustível, regulamentar o Renovabio (Política Nacional de Biocombustíveis), realizar reforma tributária no setor de etanol e promover crescimento gradual da mistura de biodiesel. Além disso, viabilizar uma maior participação da biomassa nos leilões de energia.

Embrapa A indicação do novo presidente da entidade que, apesar de não estar oficialmente anunciada, pende para Sebastião Barbosa. Essa indicação trouxe novas discussões sobre a empresa nesta quarta-feira (19).

Propostas Pedro Camargo Neto, pecuarista e ex-secretário de política agrícola no governo de Fernando Henrique Cardoso, diz que, além de currículo, os candidatos devem apresentar propostas. “É preciso sabermos para onde queremos levar a Embrapa nos próximos anos”, diz.

Fonte: Folha de S.Paulo

Ciência, o adubo da agricultura brasileira

O segredo do sucesso mundial do agronegócio brasileiro tem nome e sobrenome: pesquisa, desenvolvimento e inovação agropecuária

Alimentar uma população mundial crescente – estimada em 10 bilhões de pessoas em 2050; produzir alimentos, fibra e bioenergia de forma sustentável, preservando e protegendo o meio ambiente; transformar a realidade de um país, que em pouco mais de quatro décadas saiu da posição de importador para a de celeiro mundial de alimentos. O Brasil alcançou essa condição num curto espaço de tempo. O segredo desta extraordinária mudança de paradigma tem nome e sobrenome: pesquisa, desenvolvimento e inovação agropecuária.

Na década de 1970 do século passado, o Brasil era um conhecido produtor de café, açúcar e cacau, as chamadas commodities da época. Todavia, ainda importava grande parte do que consumia: arroz, feijão, carne, leite, milho, trigo e outros cereais. A produção e a produtividade de nossas lavouras eram modestas. Havia pouco conhecimento sobre nossos biomas. A pobreza rural era uma triste realidade. O país estava imerso na insegurança alimentar. Com dimensões continentais e localizado no cinturão tropical do globo, região com solos pobres e ácidos, com temperatura e umidade favoráveis ao desenvolvimento de pragas e doenças, o Brasil não contava com um modelo de produção agropecuária a copiar. Era imperativo que desenvolvesse seu próprio modelo de agricultura tropical. Um modelo que, preferencialmente, estivesse baseado em ciência.

Foi assim que, em 1973, o governo federal criou a Embrapa. A instituição nasceu com a missão de gerar, adaptar e transferir conhecimentos para o desenvolvimento da agropecuária brasileira. Logo no início, foram enviados para treinamento no exterior mais de 1.000 profissionais das mais diferentes áreas das ciências agrárias. Centros de pesquisa foram instituídos em várias regiões do país.

A tecnologia agropecuária mudou a paisagem rural brasileira

Um consórcio público de pesquisa agropecuária, constituído pela Embrapa, universidades, organizações estaduais de pesquisa e a extensão rural, abriu caminhos para um setor privado ágil e pujante. E transformou a realidade de várias regiões brasileiras. A pesquisa pública concentrou-se então em eliminar as limitações ao desenvolvimento da produção agropecuária no Brasil. Três pilares estão na base desse processo: a tropicalização de cultivos e animais, o desenvolvimento de uma plataforma de produção sustentável e a transformação de solos ácidos e pobres em terra fértil.

A tecnologia agropecuária mudou a paisagem rural brasileira. Em pouco mais de 40 anos, aumentamos a produção de grãos em mais de cinco vezes com elevação de apenas 60% na área plantada. Incrementamos a produção de milho e trigo em mais de 240%, enquanto a produção de arroz cresceu 300%. A bovinocultura de corte aumentou seu plantel em duas vezes, enquanto a área com pastagens reduziu-se ligeiramente. A produção de leite saiu de pouco mais de 4 bilhões para mais de 35 bilhões de litros. A produtividade do café aumentou três vezes em 25 anos. Somando-se a produção de grãos, carne (bovina, suína e de frango), leite, frutas e hortaliças, o Brasil alimenta, anualmente, 1,4 bilhão de pessoas, ou sete vezes o tamanho de sua população. A pesquisa transformou o Cerrado. A tropicalização de cultivos, como a soja, o milho e o trigo, e a de animais para bovinocultura de corte e leite, fez do Cerrado – uma área até então inóspita – o celeiro brasileiro da produção de alimentos, fibras e energia do Brasil.

O país transformou-se numa verdadeira potência agrícola. E essa mudança de paradigma foi feita de maneira sustentável. Nenhum outro país do mundo produz alimentos e preserva e protege o meio ambiente como o Brasil. Usamos apenas 7,8% do território para toda a safra de grãos. A Alemanha usa 56,9% do seu território, enquanto o Reino Unido ocupa 63,9%, e a Dinamarca nada menos que 76,8%.

Por tudo isso, não podemos aceitar que desinformados ou mal-intencionados apontem o dedo para o Brasil nos acusando de predadores do meio ambiente. É preciso esclarecer que, com ciência, tecnologia e inovação, sabemos produzir de forma sustentável.

O Brasil preserva ou protege 66,3% de seu território na forma de matas e florestas nativas. Tal área equivale a toda a superfície dos países da União Europeia. Produtores rurais brasileiros preservam 25% do território brasileiro dentro dos imóveis rurais, na forma de reservas legais ou áreas de proteção permanente, o que representa um fantástico serviço ecossistêmico numa área aproximada de 218 milhões de hectares. E fazem isso sem receber um centavo sequer. O valor financeiro imobilizado dentro das propriedades rurais brasileiras é estimado em R$ 3,1 trilhões.

As pastagens e as florestas brasileiras, nativas e plantadas, ocupam outros 23%. Em síntese, usamos apenas 30% do Brasil para produzir alimentos, fibras e energia para alimentar 20% da população do globo. Os EUA usam quase 75% do seu território. Preservam apenas 19,9%, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Até 2030, estima-se que a Ásia concentrará 50% da classe média mundial. A região demandará alimentos em volumes crescentes, e o Brasil terá significativo protagonismo no atendimento dessa demanda. Dados do USDA indicam que a produção de alimentos no Brasil crescerá 69% até 2027, a maior taxa de crescimento verificada entre os maiores produtores e consumidores de alimentos no mundo. O mesmo estudo indica que a produção na Índia aumentará 48%, na Argentina crescerá 44%, na Rússia, 34%; na Austrália, 22%, nos EUA, 12%; na Ásia, apenas 11%.

O crescimento da produção brasileira se dará, sobretudo, pelo aumento da produtividade com uso intensivo de tecnologia. Ocorrerá também pela incorporação de áreas de pastagens degradadas, estimadas em 50 milhões de hectares, que vêm sendo recuperadas ao longo das últimas décadas por meio de processos de intensificação sustentável como os sistemas de integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF). Acredita-se que os sistemas integrados, que saíram de 4 milhões de hectares há 6 anos e hoje ocupam quase 14 milhões de hectares, configurem-se na segunda revolução agropecuária que se materializa em várias regiões do território brasileiro.

A demanda por alimentos aumentará significativamente nas próximas décadas. O crescimento populacional e a concentração demográfica em centros urbanos no horizonte de 2050 impõem grandes desafios para a sociedade moderna. Produzir de forma sustentável com preservação e respeito ao meio estará no centro da agenda de desenvolvimento global. Poucos países serão capazes de produzir com competitividade e sustentabilidade. A pesquisa, o desenvolvimento e a inovação agropecuária continuarão a fazer do Brasil um dos pilares da segurança alimentar e da paz em todo o mundo.

Celso Moretti é diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa.

Fonte: Gazeta do Povo – online

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