Programas reduzem uso de agrotóxicos e dano ambiental, e geram economia para produtor

Dá para usar menos veneno com manejo integrado de pragas e doenças. Equipamentos de proteção individual são indispensáveis para aplicar o produto

Informação e vigilância constante são as principais armas para usar agrotóxicos de forma mais racional e sustentável. Conhecer bem o lugar onde se produz, ficar atento ao que acontece no clima da região e, especialmente, monitorar as lavouras são ações fundamentais para se reduzir o uso de veneno.

A própria indústria do agrotóxico reconhece que é possível usar os produtos de forma mais racional. “Se a gente considerar a realidade de hoje, em que a gente está enfrentando problemas de resistência de pragas, é essencial que se tenha o máximo de ferramentas disponíveis”, diz Mário Von Zuben, diretor executivo da Andef, entidade formada pelas fabricantes.

“A convergência de tecnologias hoje já permite que haja um maior equilíbrio entre a utilização de defensivos químicos, dos eventos de biotecnologia, que nos últimos 10 a 15 anos já são uma realidade no país, e também dos produtos biológicos que vêm crescendo bastante”, emenda.

Ferramentas para ajudar no controle não faltam. O manejo integrado de doenças (MID) e o manejo integrado de pragas (MIP) são tecnologias consagradas que auxiliam o produtor a escolher o melhor momento para controlar o que acontece na lavoura.

Manejo integrado de pragas (MIP)

O MIP só requer um pano de batida. É um tecido, de 1 metro de comprimento, que retira a amostra de 1 metro da linha plantada. Basta percorrer a área e chacoalhar a planta em, pelo menos, um ponto a cada 10 hectares.

Depois, é só contar quantas lagartas e percevejos caíram no pano. Para cada praga, há um número de indivíduos que determina a necessidade de controle. Abaixo do limite, não é preciso controlar.

Manejo integrado de doenças (MID)

O coletor de esporos, que são como sementes de fungo, é usado para o MID, o manejo das doenças. Atualmente, é uma das principais ferramentas para monitorar a ferrugem da soja, principal doença da cultura.

A lâmina é retirada de uma a duas vezes por semana e levada a um laboratório, onde uma pessoa treinada vai verificar se tem ou não esporos nela.

Menos veneno, mais economia

Há cerca de 6 anos, em parceria com a Emater do Paraná, a Embrapa Soja criou um grupo de propriedades que rigorosamente faz plantio direto, MIP e MID.

Paulo Mirtv, chefe do escritório da Emater, coordena a parte de campo do programa, em Londrina. Ele conta que há dois coletores instalados em fazendas em pontos bem diferentes do município, e que eles servem de referência para todos os agricultores da região.

A unidade de referência tem 26 hectares, mas, no entorno, mais de 1,6 mil hectares plantados dependem das informações que saem de lá para decidir se fazem ou não o controle.

“Os vizinhos faziam 4, 5 aplicações de fungicida. E, hoje, nós estamos aí com soja plantada em 20 de outubro não foi feita nenhuma aplicação”, conta Paulo.

O resultado foi tão bom que o grupo, que começou com 50 propriedades, hoje já tem 196.

O sítio Ventania, uma das unidades de referência do programa, já faz monitoramento de pragas e de doenças há quase 6 anos, com redução no uso de agrotóxicos muito significativa.

A propriedade tem 60 hectares e fica no município de Londrina. Ela pertence a Cláudio Alves, que toca o trabalho com a ajuda do filho Vinícius, estudante de agronomia.

Vinícius conta que o número de aplicações de herbicidas, fungicidas e herbicidas caiu de 6 a 7 vezes depois do programa. Com esse manejo, economizou na safra de soja passada cerca de R$ 60 mil.

Proteção para o agricultor

Paulo Mirtv, especialista em meio ambiente, lembra que o controle rigoroso do uso de agrotóxico é bom para todos, especialmente para o agricultor.

“O produtor tem que ganhar dinheiro (…) só adota (o programa) se ele achar que é interessante para o bolso dele. Nós temos que pensar na lucratividade e até nos danos, nas questões ambientais. O que vamos deixar para a próxima geração? Um solo totalmente poluído, água contaminada.”

Junto com o programa, vêm outros benefícios. O Cláudio, por exemplo, nunca usou um equipamento de proteção individual (EPI), que é lei no Brasil e todo mundo que mexe com agrotóxicos tem que usar.

“Todos os agrotóxicos são prejudiciais, porque são produtos químicos. Se você usar o equipamento de proteção individual, está minimizando esses riscos. Agora, é 100% de proteção? Se o uso for feito de forma correta, garante o isolamento praticamente total das partículas do agrotóxico”, explica a agrônoma Flaviane Medeiros, técnica do Senar, que dá treinamentos e cursos na área de segurança.

Veja dicas para usar o EPI:

  • o EPI para usar agrotóxicos inclui: calça, blusa, boné, bota, avental, respirador, touca e viseira.
  • é preciso vestir antes de começar a lidar com qualquer agrotóxico. Desde o preparo da calda, até a aplicação. Mesmo com trator cabinado. Porque se houver algum problema durante o trabalho, e o operador tiver que fazer algum conserto, desentupir um bico de pulverizador, por exemplo, estará protegido do contato com o produto.
  • dependendo da marca, o EPI tem um número máximo de lavagens, que deve ser respeitado para manter a segurança.

Fonte: Globo Rural

Agricultura brasileira e tecnologia

Agricultura comercial: altamente mecanizada e voltada para o mercado externo

 O impacto das revoluções agrícolas na economia brasileira.

A agricultura no Brasil é uma das principais bases da economia do país e uma das maiores do mundo desde os primórdios da colonização até o século XXI, evoluindo das extensas monoculturas para a diversificação da produção. A agricultura é uma atividade que faz parte do setor primário onde a terra é cultivada e colhida para subsistência, exportação ou comércio.

Somente os agricultores familiares produzem cerca de 70% dos alimentos consumidos em nosso país. Eles são os principais responsáveis por abastecer nossas casas com, por exemplo, mandioca, feijão, carne suína e leite. De acordo com o relatório Perspectivas Agrícolas 2015-2024, publicado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é o segundo maior exportador agrícola mundial e o maior fornecedor de açúcar, suco de laranja e café.

Nossa produção, no entanto, é marcada por desigualdades. De um lado, há um próspero e moderno modelo de agropecuária comercial e, do outro, a agropecuária familiar, com recursos bem mais modestos. A agropecuária comercial é intensamente mecanizada e produz, principalmente, culturas de exportação, como a soja, a cana-de-açúcar, o café e a laranja. Ela está associada a uma extensa cadeia de atividades econômicas, que engloba a indústria de insumos agrícolas (maquinários, agroquímicos e biotecnologias), a produção agrícola (toda a matéria-prima produzida no campo) e a agroindústria (beneficiamento das matérias-primas, transformando-as em produtos com maior valor agregado). O agronegócio brasileiro tem destaque internacional e uma importância muito grande para a nossa economia.

Já a agropecuária familiar utiliza técnicas mais rudimentares, sem tanto aparato tecnológico. Normalmente, não utilizam adubos, fertilizantes ou pesticidas, além de terem baixa mecanização. É esta modalidade, no entanto, que emprega a maior parte da mão de obra brasileira que trabalha no campo (cerca de 80%, de acordo com o Censo Agropecuário de 2006) e produz, principalmente, culturas alimentares como feijão e mandioca.

Revoluções agrícolas

Ao longo da história, houve grandes transformações no meio rural. Há 10 mil anos, ocorreu a revolução agrícola neolítica, que tinha três características principais: o cultivo na várzea dos rios, a rotação de culturas e a plantação em terraços. Nos séculos XVIII e XIX houve crescimento da produção agrícola devido ao uso de fertilizantes naturais (esterco) e, posteriormente, de máquinas agrícolas.

Na metade do século XX, houve a revolução verde, que tinha como objetivo solucionar a falta de alimentos em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. Para produzir mais intensamente, ela valeu-se de tecnologias mais avançadas, mão de obra especializada, sementes selecionadas e agrotóxicos.

Mais recentemente, temos a revolução agrobiotecnológica, caracterizada pela produção de Organismos Geneticamente Modificados (OGM), os polêmicos alimentos transgênicos. Paralelamente, também vem sendo usada a agricultura orgânica, que não utiliza agrotóxicos, e a técnica da agrofloresta, que combina culturas agrícolas com culturas florestais.

Fonte: Brasil Agro

Soja: Apesar de ainda pontuais, negócios têm ritmo melhor nesta semana no Brasil

O ritmo dos negócios no mercado brasileiro da soja tem se mostrado melhor nesta semana se comparado às duas outras anteriores. Apesar de operações ainda pontuais e de volumes limitados, o cenário já é diferente do observado no início de janeiro, uma vez que os preços já são melhores entre R$ 1,00 e R$ 2,00 por saca no interior e nos portos do país.

Como explicou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, há diferentes realidades financeiras entre os produtores e, por conta disso, diferentes realidades também entre os estilos de comercialização que estão sendo registrados agora.

Nesta semana, ainda de acordo com o executivo, já se observou indicativos de R$ 77,50 a R$ 77,80 no porto de Paranaguá, bem como cotações na casa dos R$ 74,00 por saca na região de Maringá (ferrovia), por exemplo, e estes são patamares de preços que atraem produtores, principalmente aqueles que precisam fazer caixa neste momento.

“Há produtores que precisam fazer caixa para continuar tocando a colheita, então, os negócios mais expressivos acontecem em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, onde eles estão colhendo”, explica Brandalizze. “E há aqueles que antecipam sua entrega para as revendas – inicialmente programadas para fevereiro e março – buscando garantir descontos de 1 a 1,5% ao mês em seus pagamentos. Há todos os tipos de realidade”, diz.

Ainda assim, o consultor volta a dizer que a maioria do Brasil e dos produtores não está vendendo. “Ou, teríamos uma enxurrada de negócios, e isso ainda não está acontecendo”, completa. Alguns ainda aguardam melhores oportunidades de comercializar, na busca de preços melhores.

No porto de Rio Grande, os embarques mais longos – para junho e julho – pagam entre R$ 81,50 e R$ 82,00 por saca, e esses níveis atraem vendedores. No entanto, há muitos que ainda têm a necessidade da venda no curto prazo e, por isso, esperam por momentos mais rentáveis, dependendo de suas condições.

A atenção dos produtores continua sobre a mudança de ritmo também dos preços na Bolsa de Chicago. A recente melhora dos futuros da oleaginosa negociados no mercado futuro norte-americano ajudou os preços no Brasil, porém, de forma tão limitada quanto se movimentam na CBOT.

O intervalo curto de US$ 9,20 a US$ 9,30 por bushel no contrato março, como explica Brandalizze, ajuda nessa limitação e só será rompido na medida em que novas informações sobre as relações entre China e Estados Unidos começarem a surgir. Até lá, a commodity deverão permanecer oscilando entre US$ 9,10 e US$ 9,60 nos contratos mais negociados.

O mercado continua esperando a confirmação de um acordo entre americanos e chineses, uma vez que já trabalha com as perdas conhecidas da safra da América do Sul. “Com essa confirmação, acredito que todos os vencimentos possam passar por um ajuste de cerca de US$ 0,50 por bushel, o que significaria uma alta de até R$ 5,00 por saca para o produtor brasileiro”, diz Brandalizze.

Ademais, o mercado internacional também anseia pela volta das informações oficias que chegam do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) com a reabertura do governo de Donald Trump após mais de 30 dias de paralisação.

“Sem novidades na guerra comercial EUA/China, traders ansiosos para a divulgação dos dados USDA, agora que os escritórios do governo americano voltaram a operar por periodo indeterminado. No entanto, enquanto a expectativa era que todos os números atrasados seriam conhecidos ainda esta semana, os comentários são de que dados de exportações americanas poderão sim ser divulgados nos próximos dias, mas números oficiais de oferta e demanda americana e mundial serão conhecidos apenas no dia 8 de fevereiro”, explica o diretor da Cerealpar, Steve Cachia.

Nesta terça-feira (29), as cotações da soja na Bolsa de Chicago trabalharam durante todo o dia em campo negativo e terminaram o dia registrando leves baixas entre as principais posições. O março segue na busca em manter-se próximo dos US$ 9,20, enquanto o maio/19 procura seguir acima de US$ 9,30 por bushel.

A preocupação dos produtores, no entanto, também está sobre o câmbio. E nesta sessão, a moeda americana terminou o dia com baixa de 1,14% e sendo cotada a US$ 3,7222, com o foco do mercado voltado, principalmente, ao cenário externo e às expectativas para o novo encontro entre China e EUA que acontece no final desta semana.

Fonte: Notícias Agrícolas

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