O que é permafrost e como seu derretimento coloca o planeta em risco

Permafrost, também conhecido como pergelissolo, é composto por gelo, terra e rochas congelados. Era para ficar assim para sempre, mas o aquecimento global tem feito com que o material comece a derreter, o que pode causar diversos problemas, como a instabilidade do solo e emissão de gases na atmosfera.

Um estudo recente publicado pela Nature Communications indica que os impactos econômicos associados a essas mudanças climáticas podem chegar a US$ 70 trilhões até 2.300. O carbono emitido pelo descongelamento do permafrost é um dos principais vilões nesse sentido.

Para entender melhor a questão, precisamos chegar também em outro termo: o albedo; ou seja, a capacidade de reflexão da radiação solar de uma determinada superfície. Cerca de um terço de todo o albedo da Terra provêm do gelo marinho do Ártico e da neve. Porém, com o aquecimento, a tendência é que essas superfícies geladas diminuam e, com isso, aumente a incidência de radiação solar em nosso planeta, gerando… adivinha? Mais calor!

Caso nenhuma medida seja tomada para frear esses efeitos, estima-se que o degelo do permafrost possa liberar mais de 280 gigatoneladas de dióxido de carbono (CO²) e 3 gigatoneladas de metano. O valor estimado em impactos ambientais é dez vezes maior do que a projeção em termos de benefícios do degelo do Ártico, com abertura para navegação e exploração mineral, por exemplo.

Se as medidas previstas pelo Acordo de Paris, que estipulam a meta de manter o aquecimento global em no máximo 1,5 graus em relação ao período pré-industrial, forem tomadas, o custo dos impactos cairia para US$ 25 trilhões. Leia a pesquisa completa clicando aqui.

Fonte: Hypeness

Biocombustíveis ganham destaque na matriz energética brasileira, diz AIE

O Brasil tem a matriz energética menos poluente entre os maiores consumidores globais no mercado de combustíveis. Segundo relatório divulgado pela AIE (Agência Internacional de Energia), o País é o que tem maior participação de fontes renováveis no setor e deve somar 45% em biocombustíveis no consumo final até 2023, principalmente em função da bioenergia nas áreas de transporte, indústria e hidroeletricidade.

De acordo com o diretor executivo da AIE, Faith Birol, o Brasil é a “estrela ascendente no uso sustentável de energia”. O País tem se destacado no acúmulo de investimentos em biocombustíveis e pode servir de inspiração para outros países, que deveriam cumprir os compromissos do Acordo de Paris (tratado que rege medidas de redução de emissão de dióxido de carbono a partir de 2020, com o objetivo de combater as mudanças climáticas).

A previsão é de que no Brasil, a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), regulamentada este ano, pode fortalecer as bases econômicas na produção de biocombustíveis e acelerar investimentos no setor e na produção de usinas. A tendência é que os países estrangeiros também se adaptem às políticas de energia sustentável, como a China, que em 2020 passará a misturar 10% de etanol à gasolina.

Ainda segundo levantamento feito pela AIE, a bioenergia moderna (etanol e biodiesel) representou 50% do consumo energético global de origem sustentável no ano passado, sendo quatro vezes mais que as fontes solar fotovoltaica e eólica combinadas. Em projeção feita pela Agência, a bioenergia deve permanecer como a principal fonte de energia renovável em 2023.

Fonte: O Petróleo

Principais impactos do Acordo de Paris na agricultura brasileira

Para iniciar a coluna “Direito do Agronegócio” no ano de 2019, trataremos das polêmicas em torno dos efeitos do Acordo de Paris para a agricultura brasileira. As críticas ao acordo se concentram em suposta ameaça à soberania brasileira, mas, afinal, quais obrigações legais assumidas pelo Brasil junto à comunidade internacional influenciam a agropecuária brasileira?

O Acordo de Paris é um tratado internacional celebrado na cidade que lhe dá nome, no ano de 2015. Ele é fruto de discussões e negociações dos Estados nacionais que fazem parte da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Do ponto de vista do arranjo jurídico, a Convenção-Quadro funciona como um guarda-chuva, sob a qual estão outros tratados, como o Protocolo de Kyoto, a Emenda Dohae o Acordo de Paris.

Cabe à Convenção-Quadro estipular princípios gerais para a cooperação internacional no combate à mudança do clima, e o Acordo de Paris estabeleceu metas e parâmetros para a contribuição de cada Estado-parte. Para isso, o acordo é dividido em duas partes. No corpo do tratado, estão os compromissos gerais, que se concentram em medidas de mitigação de emissão de gases, adaptação ao aumento da temperatura global e adequação dos fluxos financeiros a uma economia de baixo carbono. São eles, segundo o artigo 2 do acordo:

(i) “Manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, e envidar esforços para limitar esse aumento da temperatura a 1,5°C”;

(ii) “Aumentar a capacidade de adaptação aos impactos negativos da mudança do clima e promover a resiliência à mudança do clima e um desenvolvimento de baixa emissão de gases de efeito estufa, de uma maneira que não ameace a produção de alimentos”;

(iii) “Tornar os fluxos financeiros compatíveis com uma trajetória rumo a um desenvolvimento de baixa emissão de gases de efeito estufa e resiliente à mudança do clima”.

Em forma de anexos estão as Contribuições Nacionalmente Determinadas (iNDC, em inglês), que são os documentos em que cada Estado-parte apresenta a sua contribuição para alcançar o objetivo comum. Trata-se de arranjo jurídico de tipo bottom up, técnica utilizada no Direito Internacional para aquelas questões em que há dificuldade em alcançar uniformidade. Assim, cada Estado-parte voluntariamente decidiu qual seria sua contribuição e sob qual parâmetro ela seria calculada.

Nesse cenário, o Brasil livremente se comprometeu, como medida de mitigação, a reduzir as emissões de gases de efeito estufa de forma que, em 2025, emita 37% abaixo daquilo que foi emitido no ano de 2005. Do ponto de vista da adaptação, foi prometida a finalização do Plano Nacional de Mitigação (PNA), instituído desde 10 de maio de 2016 por meio da Portaria 150. Não foram estabelecidos metas e objetivos explícitos sobre fluxos financeiros.

Dois setores da agricultura brasileira serão particularmente afetados por esses compromissos: o energético e o florestal/agrícola (uso da terra). A iNDC brasileira prevê que, para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, precisará adotar políticas públicas para que a bioenergia represente aproximadamente 18% da matriz energética nacional até 2030.

A adoção dessas medidas já foi iniciada. Em dezembro de 2017, foi promulgada a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), que instituiu um mercado de créditos de descarbonização (CBIO). As estimativas sugerem que o novo mercado injetará no setor algo entre R$ 1,5 bilhão e R$ 6,8 bilhões. Tudo isso indica que, assim como a crise do petróleo na década 1970, a crise climática será convertida em oportunidade para o setor de biocombustíveis.

Já em relação ao uso da terra, as informações de esclarecimento da iNDC brasileira prometem alcançar uma série de metas até 2030. Comprometeu-se a atingir o desmatamento ilegal zero na Amazônia brasileira (compensando as emissões de gases emitidas), reflorestar 12 milhões de hectares de floresta e melhorar as técnicas de manejo sustentável de florestas nativas.

Todas essas medidas, por mais impactantes que pareçam, não significam muito mais que o Brasil comprometendo-se a cumprir sua própria legislação. Pesquisa do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) lançada em 2017 calcula que existe um déficit total de 19,4 milhões de hectares de áreas de preservação permanente (APPs) e reservas legais (RLs). Isso significa que apenas a recomposição da vegetação que foi ilegalmente suprimida, com base no Código Florestal de 2012, é o bastante para honrarmos parte significativa dos compromissos internacionais.

Especificamente em relação ao setor agrícola, a iNDC brasileira ainda defende o fortalecimento do Plano ABC, do qual uma linha de crédito (Programa ABC) de R$ 2 bilhões foi destinada para a safra 2018/2019. Esses recursos podem ser utilizados para a introdução de tecnologias e técnicas de produção agropecuária de baixa emissão de carbono. A taxa de juros é de 6% a.a., podendo ser reduzida para até 5,25% naqueles projetos que visam regularizar as propriedades rurais à legislação ambiental.

Tudo isso leva-nos a crer que os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris estão alinhados com sua legislação interna. Nessa seara, os principais impactos do Acordo de Paris na agricultura são o retorno da importância do setor de biocombustíveis, gravemente deteriorado pelas políticas econômicas no preço da gasolina entre 2008 e 2014, e o reforço quanto ao cumprimento do Código Florestal — cenário esse muito distante de uma violação à soberania brasileira.

Fonte: Consultor Jurídico

Aquecimento global: década pode ser a mais quente da história, diz agência britânica

O mundo está no meio do que pode ser a década mais quente já registrada, de acordo com um estudo do Met Office – o serviço meteorológico do governo britânico.

O serviço, cujos registros remontam a 1850, projeta que as temperaturas nos próximos cinco anos estarão até 1°C mais altas do que aquelas observadas no período pré-revolução industrial.

Há também uma pequena chance de que um destes anos registre temperaturas até 1,5°C maiores.

Este patamar é visto como um limite crítico para o aquecimento global.

Se os dados realmente corresponderem às projeções do Met Office, o período de 2014 até 2023 será a década mais quente nos 150 anos de dados da agência.

Segundo o Met Office, o ano de 2015 foi o primeiro no qual a temperatura média global da superfície da Terra atingiu 1°C acima dos níveis pré-revolução industrial – geralmente, este nível é calculado levando em conta as temperaturas entre os anos de 1850 e 1900.

Em todos os anos desde 2015, a temperatura média global ficou próxima ou ligeiramente acima desta marca de 1°C a mais. Agora, o Met Office afirma que esta tendência deve se manter ou até se fortalecer nos próximos cinco anos.

“Acabamos de fazer as previsões deste ano e elas vão até 2023 e o que sugerem é um rápido aquecimento global”, disse o professor Adam Scaife, chefe de previsão de longo prazo do Met Office.

“Olhando individualmente para cada ano nessa previsão, podemos ver agora, pela primeira vez, que há o risco de uma superação temporária, e repito, temporária, do limiar de 1,5°C estabelecido no acordo climático de Paris.”

Em outubro passado, cientistas da ONU publicaram um relatório sobre os impactos de longo prazo de um aumento de temperatura de 1,5°C.

No acordo de Paris, ficou estabelecido que os países signatários tentariam cortar emissões de carbono para impedir que o mundo passe desse limite até 2030. Agora, a análise do Met Office diz que há 10% de chance de isso acontecer nos próximos cinco anos.

“É a primeira vez que as previsões mostram um risco significativo de superação – que é apenas temporária. Estamos falando de anos individuais variando acima do nível de 1,5 grau”, disse o professor Scaife.

“Mas o fato de que isso possa acontecer nos próximos anos devido a uma combinação de aquecimento geral e flutuações devido a eventos como os do El Niño significa que estamos chegando perto desse limiar”.

Gráfico com dados do Met OfficeDireito de imagemANDRE SHALDERS

Quão confiante está o Met Office sobre sua previsão?

O serviço diz que tem um patamar de confiança de 90% nas previsões para os próximos anos.

Segundo o Met Office, de 2019 a 2023, veremos temperaturas variando de 1,03°C a 1,57°C acima do nível de 1850-1900, com aumento do aquecimento em grande parte do globo, especialmente em áreas como o Ártico.

A equipe de pesquisadores diz que está bastante segura de suas previsões por causa de experiências passadas. Sua previsão anterior, feita em 2013, já havia mencionado a rápida taxa de aquecimento que foi observada nos últimos cinco anos. Previu também alguns dos detalhes menos conhecidos, como a mancha de resfriamento observada no Atlântico Norte e os pontos mais frios do Oceano Antártico.

Se as observações do Met Office para os próximos cinco anos corresponderem às expectativas, a década entre 2014 e 2023 será a mais quente em mais de 150 anos de registros.

E o que disseram outras agências climáticas?

A previsão do Met Office vem ao mesmo tempo que várias agências publicam suas análises sobre as temperaturas observadas em 2018, mostrando que o ano foi o quarto mais quente desde que os registros começaram.

Dados divulgados nesta quarta pela NASA e pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês), instituição governamental dos Estados Unidos, ressaltam esse panamora e informam que 2015, 2016 e 2017 foram os outros três anos mais quentes.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) publicou uma análise de cinco grandes conjuntos de dados internacionais, mostrando que os 20 anos mais quentes já documentos aconteceram nos últimos 22 anos.

“As temperaturas são apenas parte da história. O clima extremo e de alto impacto afetou muitos países e milhões de pessoas, com repercussões devastadoras para economias e ecossistemas em 2018”, disse o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.

Cidade sob o solDireito de imagemGETTY IMAGES
Image caption2018 foi o quarto mais quente desde que os registros de temperatura começaram, em 1850

“Muitos dos eventos climáticos extremos são consistentes com o que esperamos de um clima em transformação. Essa é uma realidade que precisamos encarar. A redução de emissões de gases do efeito estufa e as medidas de adaptação ao clima devem ser uma prioridade global”, afirmou.

Outros pesquisadores da área disseram que a nova previsão para os próximos cinco anos está alinhada com as expectativas, dado o nível recorde de CO2 bombeado para a atmosfera em 2018.

“A previsão do Met Office, infelizmente, não é uma surpresa”, disse Anna Jones, química do British Antarctic Survey, órgão responsável pelos interesses do Reino Unido na Antártica.

“Temperaturas médias em todo o mundo estão em um recorde de alta, e tem sido assim por vários anos. Elas são impulsionadas predominantemente pelo aumento das concentrações de gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono, que resultam do nosso uso contínuo de combustíveis fósseis”, disse.

“Até reduzirmos as emissões de gases do efeito estufa, podemos esperar tendências de alta nas temperaturas médias globais”.

Fonte: BBC

Acordo de Paris e RenovaBio

Muito se tem discutido, nesse começo do novo governo, sobre qual será a política ambiental que o País seguirá de agora em diante. Os primeiros indícios, manifestados antes da tragédia de Brumadinho (MG), apontavam para algum tipo de flexibilização em matéria ambiental, seja em licenciamento, seja em controle de fiscalização, entre outros. No entanto, há de se acompanhar as movimentações que se seguirão a partir de agora.

Na questão climática, os primeiros rumores foram no sentido de que o Brasil estaria prestes a abandonar o Acordo de Paris. Contudo, logo depois de sua posse, o novo Ministro do Meio Ambiente chegou a dizer que ¨por enquanto¨ o Brasil não sairia do Acordo.

De nossa parte, recebemos com alívio essa informação e ficamos na torcida para que o Brasil permaneça comprometido com as metas de redução de emissões que assumiu perante a comunidade internacional.

Em primeiro lugar, porque parece bastante difícil negar as evidências de que o aquecimento global experimentado nos últimos anos é decorrente da ação humana e de suas atividades antrópicas realizadas pelo planeta afora. E a estagnação ou reversão disso está diretamente ligada a compromissos de redução de emissões de gases que geram o efeito estufa.

Em segundo lugar, porque no caso do Brasil, cumprir as metas de redução de emissões pactuadas no Acordo de Paris é uma imensa oportunidade para o agronegócio, especialmente no que diz respeito ao setor sucroalcooleiro. E isso é muito simples de constatar.

A nossa matriz energética é extremamente limpa. Seja para fins de geração de energia elétrica por hidroelétricas, seja levando em conta a produção de biocombustíveis (etanol e biodiesel), assim como pela crescente introdução de geradores de energia eólica e solar na base energética brasileira.

Diante dessa realidade o governo Temer tratou de regulamentar a forma pela qual o Brasil cumpriria as suas metas assumidas no Acordo de Paris. Editou a Lei Federal no 13576/2017, que criou o RENOVABIO, um programa por meio do qual nosso país estabelece as formas pelas quais vai reduzir suas emissões até 2030.

O primeiro passo foi a definição das metas de redução de emissões. Agora, a ação seguinte ficou para o atual governo, que é fixar as metas de ampliação da adição de etanol e biodiesel que vão ser misturados à gasolina e o diesel, para que essas metas de redução sejam atingidas.

Na prática, vamos, literalmente, misturar mais quantidade de biocombustíveis aos combustíveis fósseis derivados de petróleo.

Isso significa aumentar a produção de etanol e de biodiesel, com uma perspectiva econômica enorme para o setor sucroalcooleiro. Além disso, o RENOVABIO prevê a geração de CBios, que são créditos que o produtor de biocombustíveis poderá gerar para si e posteriormente comercializar em bolsa de valores. Algo semelhante ao que já vivemos com os créditos de carbono, gerados a partir das regras do antigo Protocolo de Kioto.

É, portanto, uma oportunidade enorme de ampliação da nossa produção sucroalcooleira, com enorme repercussão para o agronegócio e geração de crescimento econômico. E isso só foi possível porque aderimos ao Acordo de Paris, por que fizemos a lição de casa aprovando no Congresso um instrumento legal que aponta para esse caminho e que vai gerar redução de emissões com crescimento econômico e geração de riquezas para o setor e para o Brasil.

Por isso tudo que nos parece impensável abandonar o Acordo de Paris.

Fonte: Brasil Agro

Mudança climática na América Latina

Governos da região vão ter de lutar muito para responder aos desafios de atenuar seu impacto

Em outubro o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas divulgou relatório sugerindo que mesmo que os signatários do Acordo de Paris cumprissem todos os compromissos assumidos a temperatura planetária subiria mais de dois graus Celsius (2°C) até o fim do século. Evitá-lo demandaria uma ação política global, cada vez mais improvável. Vale a pena perguntar qual será o futuro econômico da América Latina ante as mudanças climáticas e que recursos políticos seus dirigentes têm para proteger a população dos efeitos das mudanças.

Apesar de mais de 75% dos latino-americanos reconhecerem a gravidade do problema, há indícios de que esse tema se está politizando. No Brasil, o novo governo anunciou a intenção de sair do Acordo de Paris e o País já não sediará a próxima rodada de conversações sobre o clima patrocinadas pela ONU, a COP-25. Jair Bolsonaro prometeu abrir as florestas tropicais à exploração comercial, apesar de o aumento do desmatamento ter consequências mundiais em curto prazo.

Alguns setores da economia latino-americana são mais vulneráveis que outros a ter seus ativos desvalorizados ou inutilizados pela mudança climática e pelas políticas adotadas para mitigá-la. Por exemplo, grandes reservas de combustível fóssil não deverão ser explorados se a América Latina pretender cumprir o que foi firmado no Acordo de Paris – que exige que quase 50% das reservas de petróleo e gás da região e 75% das de carvão permaneçam enterradas.

A agricultura é o desafio mais problemático para os planos de adaptação da região ao clima. No Brasil, os efeitos da mudança climática sobre a disponibilidade de água serão variados: estudo recente concluiu que o norte do País deve sofrer uma redução de 40% no volume de chuvas, mas no sul elas aumentariam 30%. Como resultado, a produção de grãos como trigo e soja deve cair, mas em âmbito continental haverá aumentos, limitados, em zonas hoje marginais à produção de commodities. Culturas como café e vinho sofrerão mais. Está claro que a adaptação tem um custo e desafiará a capacidade dos governantes.

Mas se há riscos para a América Latina, também há oportunidades. Nenhuma região do mundo produz mais energia de fontes renováveis do que a América Latina, mas mais de 75% dessa energia vem de imensas hidrelétricas, que são vulneráveis à mudança do clima. Secas severas já causaram extensos apagões em bacias que apostaram seu futuro energético no poder hídrico – especialmente no Brasil.

Em termos de recursos naturais e vontade política, o Chile talvez seja o país em melhor posição na região para se beneficiar de um futuro com base em energia renovável. O país possui exatamente o tipo de recursos que o tornarão uma potência em energia renovável: em nenhum outro lugar há uma irradiação solar de longo prazo maior que no Deserto de Atacama. Se a energia solar que chega ao Atacama fosse plenamente aproveitada, já seria o suficiente para prover eletricidade para toda a América Latina, nos níveis atuais.

O Atacama e a área em torno dele – que abrange Chile Bolívia e Argentina – também abrigam mais da metade do suprimento global de lítio, elemento crucial para as baterias usadas em veículos elétricos e que armazena energia produzida por fontes eólicas e solares. Desenvolver recursos do lítio e se capacitar para criar produtos com valor agregado, eis uma vasta fonte potencial de renda para as nações andinas que desejem aproveitar o movimento global de abandono dos combustíveis fósseis.

Se o Deserto do Atacama é o futuro epicentro da produção de lítio e energia solar, a costa atlântica do Brasil pode rivalizar com ele com a energia eólica. Beneficiando-se de ventos constantes e unidirecionais, a região atraiu altos investimentos externos entre 2009 e 2015. As sucessivas crises políticas e econômicas sufocaram a produção, mas os leilões de energia marcados pelo governo brasileiro para 2019 e 2020 têm previsão de trazer mais 15 gigawatts de energia eólica para a rede elétrica.

As economias sul-americanas estão, portanto, em excelente posição para lucrar com a mudança econômica global na direção da economia verde. Naturalmente, isso vai exigir que governos e atores privados reconheçam a urgência de fazer esses investimentos, agora, enquanto ainda existe uma chance – cada vez menor – de limitar o aquecimento a 1,5°C. As diferenças entre 1,5°C e 2°C de aquecimento são dramáticas. Consideremos dois cenários diferentes para o futuro da América Latina, um em que a temperatura global aumenta 1,5° e outro em que esse aumento chega a 2°.

No primeiro caso, uma seca na América do Sul duraria em média um mês. Mas num cenário de 2° de aumento a seca duraria três meses. Isso significa que, enquanto 18 milhões de pessoas sofreriam com a escassez de água no caso de um aquecimento climático de 1,5°, se o aumento for de 2° serão 25 milhões.

O clima extremo – que compromete as condições de crescimento das regiões afetadas – aumenta exponencialmente à medida que a temperatura sobe, com diferenças notáveis entre cenários de 1,5° e 2°. A Região Amazônica, por exemplo, sofrerá um aumento de 258% das situações climáticas de calor extremo sob 1,5° a mais, mas será de 737% num cenário de 2°. O Cone Sul registraria um aumento de 188% das situações de calor extremo num cenário de 1,5° de a mais da temperatura, e 553%, se ela exceder os 2°.

A estabilidade política e econômica da América Latina dependerá da capacidade da região de atenuar os impactos sobre os pobres marginalizados de um admirável mundo novo de secas e temperaturas extremas, mesmo procurando beneficiar-se das oportunidades de negócios que poderão surgir. A mudança climática, como a globalização, terá seus vencedores e perdedores. A América Latina já é a região com mais desigualdades no mundo. Como os efeitos da mudança climática atingem mais duramente os mais vulneráveis, os governos se verão diante de desafios que terão de lutar muito para lhes responder.

Fonte: Estadão

Documentário mostra casos de brasileiros que sofrem hoje os impactos das mudanças climáticas

Se não bastassem os alertas dados pelos cientistas, se não bastassem os apelos da comunidade internacional para o Brasil não abandonar o Acordo de Paris, que em 2015 acordou planejamentos produtivos no sentido de baixar as emissões de gases do efeito estufa. Se não bastassem os sinais evidentes de dias mais quentes ou muito frios, secas que tornam solos inviáveis para a agricultura, tempestades e furacões que devastam tudo e tiram vidas humanas. Há quem ainda se dê o direito de negar o impacto das atividades humanas sobre as mudanças climáticas. Atribuir ao Sol a maioria dos problemas, remontar a eras passadas que já testemunharam o avanço do gelo sobre a superfície terrestre, é a opção dos negacionistas.

Estes preferem deixar tudo como está, sem mudanças de paradigma. Fecham os olhos e ouvidos às evidências que já submetem milhares de pessoas a uma vida cheia de privações por não conseguirem chamar a atenção de autoridades, ou mesmo da sociedade civil como um todo, para suas tragédias. Cada vez estão mais perto de nós os casos que mostram que aquele “amanhã” anunciado nos anos 80, por exemplo, pelo famoso Relatório Brundtland, também chamado de “Nosso Futuro Comum”, já chegou. É dever de todos, nem que seja por uma atitude solidária, dar atenção a esses relatos.

Com este objetivo, sete organizações da sociedade civil fizeram um documentário de 24 minutos chamado “O Amanhã É Hoje”, mostrado em dezembro, na Polônia, durante a Conferência das Partes sobre o Clima (COP24) convocada pelas Nações Unidas. Os efeitos das mudanças do clima sobre a vida de brasileiros, expostos na tela, são capazes de tirar o fôlego até dos menos sensíveis.

Para começar, falemos sobre desmatamento. Por mais cético que seja o cidadão, é impossível não perceber que o verde faz falta, mesmo nas cidades. Havia um descontrole sobre árvores derrubadas que chegaram a registrar 27 mil quilômetros quadrados/ano de desmatamento em 2004. O efeito de um bom patrulhamento e de informações sobre a necessidade, para os humanos, de manter a floresta em pé, sem visar somente ao lucro produzido pelas madeiras, acabou dando resultado. Até que, em 2012, comemorou-se uma baixa, dos 27 mil para 4 mil quilômetros quadrados de desmatamento.

Ricardo Abramovay, professor titular de economia da FEA/USP, um dos entrevistados para o documentário, lembra que depois deste gol o país voltou a mostrar um desmatamento preocupante:

“De 2012 para cá, já estamos com 7 mil quilômetros quadrados de desmatamento. De julho a novembro de 2018 as queimadas na Amazônia cresceram 36%. E o Brasil, apesar do progresso que viveu (em termos ambientais) entre 2004 e 2012, hoje já é o sétimo maior emissor de gases do efeito estufa”, disse ele.

O cenário é triste, devastador. Um pequeno grupo de indígenas Krikati formou uma brigada voluntária contra incêndios e tem tido muito trabalho. O fogo se alastra com uma facilidade aterrorizante, estimulado pela falta de chuvas e pelo desmatamento. Isto, quando não é criminoso, como costuma acontecer também no Maranhão, mas em outra parte, onde as quebradeiras de coco babaçu ficam sem sua principal fonte de renda quando as palmeiras são queimadas por quem as considera apenas um entrave ao gado e à monocultura. Esta história é contada com detalhes nesta reportagem.

Em 2017 o país registrou mais de 275 mil incêndios, sendo 132 mil só na Amazônia. Celiana Krikati, a única mulher da brigada de sua aldeia, fala para a câmera do documentário e não consegue segurar as lágrimas, principalmente quando se lembra da precariedade de ferramentas de que dispõem para combater o fogo:

“O fogo estragou áreas de cultivo, de caça, de pesca. A gente combatia o fogo com chinelos, chiteiras. A gente ainda não tem todo o material completo, estamos lutando por isso. Não recebemos recursos, a brigada é constituída por pais de família e está sendo protetora da terra indígena. Tudo isso é um trabalho que é do estado porque esse risco também é para a comunidade.”

A Terra Indígena Krikati sofre com as queimadas há tempos. Incêndios levaram embora, de 2009 a 2011, 60% das aldeias.

De Norte a Sul, os impactos das mudanças climáticas já alcançam os brasileiros. Esta é a principal mensagem do documentário, que foi também ouvir a agricultora Maria José Rocha, de São José do Egito, no sertão de Pernambuco. Ela sobreviveu a seis anos de uma seca cruel, que levou dali as chances de bons cultivos. Havia árvores frutíferas, cabras…

“A gente via os animais morrendo sem poder fazer nada. Tentávamos dar, mesmo de graça, mas ninguém queria porque ninguém tinha condições de alimentá-los ou dar-lhes água. Isso foi em 2012, quando felizmente, ao menos, as crianças não morreram. Tínhamos o dinheiro do Bolsa Família que nos ajudava a comprar água”, disse ela.

Da seca às enchentes. Ouve-se também o drama de quem viveu a tormenta em Nova Friburgo, cidade da Região Serrana do Rio de Janeiro, que em 2011 foi devastada por temporais que deixaram centenas de mortos. No litoral catarinense, os produtores de ostras dão conta mudanças no nível do mar que põem em risco seus negócios.

“A situação mais gritante (que dá conta de mudanças climáticas) é a não presença do vento Sul. Antigamente, há cerca de três décadas mais ou menos, a gente costumava dizer que quando o vento Sul batia, ficava três, quatro dias ventando, e isso era bom para o nosso negócio”, disse Leonardo Cabral.

No litoral de São Paulo, cidade de Santos, moradora conta seu desespero com uma ressaca que invadiu seu prédio, levou-lhe dois carros e a fez subir ao ponto mais alto do edifício, com o filho no colo e muito medo de uma tsunami. O mar entrou também com força e tirou mais de 600 metros de terra da Comunidade Nova Enseada, em São Paulo.

Como se vê, não é preciso ir longe para mostrar os efeitos que as mudanças climáticas já estão causando. O Brasil, que nos anos 70 era considerado quase imune a essas questões, já que tinha bens naturais em profusão, está na rota das dificuldades. Vale a pena repetir aqui a reflexão de Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima (OC):

“Continuar debatendo se isso (as mudanças climáticas causadas pelas ações humanas) existe ou não é imoral”.

Fonte: G1

Ano de 2018 foi o quarto mais quente já registrado, diz serviço climático europeu

De acordo com órgão da União Europeia, temperatura média no planeta foi de 14,7 ºC no ano passado

OSLO — O ano de 2018 foi o quarto mais quente já registrado, estendendo uma sequência impulsionada pelo aumento na concentração de gases do efeito estufa produzidos pela humanidade, afirmou o Serviço de Mudança Climática Copérnico, da União Europeia, nesta segunda-feira. Em relatório, a organização afirmou que a temperatura média do ar no planeta foi de 14,7 ºC em 2018, 0.2 ºC menos que em 2016, o ano mais quente já registrado, o que foi divulgado na primeira avaliação global de temperaturas com base em dados coletados durante o ano todo. O ano de 2016 teve uma maior temperatura principalmente pelo El Niño, que aqueceu a superfície do Oceano Pacífico.

“Em 2018, tivemos outra vez um ano muito quente, o quarto com maiores temperaturas já registrado. Grandes eventos climáticos como o verão quente e seco em grandes partes da Europa ou o aumento nas temperaturas em regiões do Ártico são sinais alarmantes para todos nós”, disse o chefe do Serviço de Mudança Climática, Noel Thépaut.

Os anos de 2017 e 2015 também foram um pouco mais quentes que 2018, em registros que retomam medições feitas desde o século XIX, de acordo com o órgão climático. Na Convenção do Clima da ONU, realizada na Polônia em dezembro, quase 200 países concordaram em seguir uma série de regras para prosseguir com o Acordo de Paris, ainda que críticos tenham dito que as negociações foram insuficientes para evitar níveis perigosos de aquecimento global.

O Acordo de Paris, firmado em 2015, pretende finalizar a era dos combustíveis fósseis neste século ao mudar o uso para energias limpas, como eólica e solar. O presidente dos EUA, Donald Trump, já afirmou que pretende abandonar o pacto e promover a indústria de combustíveis fósseis nos Estados Unidos.

O relatório da instituição confirma projeções da Organização Meteorológica Mundial em novembro de 2018, que já afirmava que o ano seria o quarto mais quente já registrado.

Fonte: O Globo

A COP24 e o tempo de refletir sobre o clima

O período de final de ano é, inevitavelmente, um momento no qual somos levados a avaliar nossas realizações individuais no ciclo que se encerra e renovarmos desejos e traçarmos rumos para outro que se inicia. Coincidentemente, é neste período repleto de significados que acontecem as Conferências das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Nada mais propício, diga-se de passagem, uma vez que o debate sobre os efeitos das mudanças climáticas na qualidade de vida no planeta também envolve reavaliação de condutas e comprometimento com objetivos.
A boa notícia é que a COP24 aconteceu após significativos avanços na atuação de outras partes interessadas além dos governos, tais como setor privado, academia e sociedade civil. Foi a partir da participação dessas vozes que cresceu a percepção de que é possível atingir as metas do Acordo de Paris. O objetivo em comum é o de nos mantermos bem abaixo do limite de 2oC de aumento na temperatura média da superfície global terrestre, conforme estabelecido no documento. E temos tecnologia para chegarmos lá.

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), por meio de suas associadas, vem se dedicando nos últimos anos a dar a sua parcela de contribuição ao planeta na causa climática. Apresentamos na Polônia, durante a COP24, o nosso mais recente e estudo, que mostra como 38 empresas brasileiras globais estão se comprometendo no médio e no longo prazo em termos de monitoramento de emissões e de estabelecimento de metas. Foram consultadas as que já adotam a precificação interna de carbono como ferramenta de tomada de decisão, quais estão investindo em projetos de redução de emissões e quanto vem sendo mobilizado para esses projetos.
De 2015 a 2017, as empresas brasileiras executaram 1340 projetos, totalizando um investimento da ordem de US$ 85,8 bilhões. A maior parte envolveu o uso de tecnologias de eficiência energética, otimização de processos e busca por fontes energéticas de baixo carbono. Juntos, esses projetos foram responsáveis pela redução de 212,1 milhões de tCO2e no período, o que corresponde a um volume equivalente a 27% da meta total de redução assumida pelo Brasil no Acordo de Paris até 2025.

Sem dúvida, o resultado é positivo, mas merece algumas reflexões. Vale lembrar que se trata de um desempenho obtido em um cenário de baixa atividade econômica. Se não houver continuidade desses investimentos com foco no longo prazo, parte desse ganho pode ser perdido em um cenário de retomada do crescimento econômico. Isso ficou claro no estudo do CEBDS, no qual 90% das empresas analisadas demonstraram ter metas de curto prazo, ou seja, até 2025. Poucas, no entanto, já estabeleceram metas de médio e longo prazo, que se estendam até 2030 e 2050, respectivamente.
Essa questão já havia sido observada no estudo “Estratégias de Desenvolvimento de Baixo Carbono para o Longo Prazo”, realizado no ano passado pelo CEBDS em parceria com o iCS, e um dos caminhos apontados foi o desenvolvimento de instrumentos financeiros estruturados com base na precificação das emissões de carbono. O trabalho mostrou que a criação de um mercado brasileiro de títulos verdes pode ser um mecanismo eficaz de financiamento desses projetos, que já não deixam dúvidas sobre seus resultados.
E é com base neste último dado que volto às tradicionais resoluções de final de ano. Assim como acontece no plano pessoal, é no alinhamento das nossas ações de curto e longo prazo que alcançamos nossas maiores conquistas.

Fonte: Neo Mondo

Jorge Viana ressalta participação de comissão mista em encontro internacional do clima

O senador Jorge Viana (PT-AC) destacou nesta quarta-feira (19) a participação da Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas na COP-24, realizada em Katowice, na Polônia, de 2 a 14 de dezembro. O encontro teve a missão de concretizar as negociações para definir as regras de implementação do Acordo de Paris, que prevê a redução das emissões dos gases do efeito estufa.

A participação no encontro foi uma das principais ações da comissão mista em 2018, destacou Jorge Viana durante a apresentação do relatório anual de atividades do colegiado, lido nesta quarta-feira (19).

As atividades da comissão, da qual Jorge Viana é relator, centraram-se nos principais compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris para enfrentamento dos cenários previstos de alterações climáticas, com foco no desenvolvimento de economia de baixo carbono. O Brasil assumiu meta de reduzir em 43% as emissões de gases de efeito estufa até 2030, de forma escalonada, diminuindo-as em aproximadamente 37% até 2025, com base nas emissões de 2005.

Em 2018, a comissão mista realizou sete audiências públicas para discutir a implementação das regras do Acordo de Paris e a participação brasileira na COP-24. Por meio dos debates, o colegiado buscou viabilizar a candidatura brasileira para sediar a COP-25, em 2019, da qual o Brasil formalmente desistiu perante o Secretariado da Convenção-Quadro, no final de novembro, atendendo ao pedido da equipe do presidente eleito, Jair Bolsonaro.

A comissão mista, explicou Jorge Viana, solicitou a revisão dessa decisão, assim como o fez a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), já que a candidatura seria submetida à votação durante a COP-24, com o propósito de firmar a posição de liderança do Brasil nas negociações e ações climáticas.

Acordo de Paris

A comissão debateu ainda o Programa RenovaBio, cujos objetivos incluem contribuir para o cumprimento das metas do Acordo de Paris por meio da expansão dos biocombustíveis na matriz energética, com ênfase na regularidade e na previsibilidade do abastecimento desses combustíveis. Para que se atinja a meta brasileira, o Brasil prevê o aumento da participação de bioenergia sustentável na matriz energética brasileira para aproximadamente 18% até 2030, aumentando a parcela de biocombustíveis avançados (segunda geração) e o uso de biodiesel.

Também foram realizados debates sobre o combate ao desmatamento ilegal na Amazônia e no Cerrado, sua situação atual e propostas para o atingimento das metas brasileiras para a redução da emissão de carbono. De 2004 a 2014, o Brasil diminuiu o ritmo de desmatamento em torno de 83%, sobretudo por meio de diversos programas de comando e controle e pela criação de unidades de conservação e demarcação de terras indígenas, inclusive com apoio internacional, destacando-se o da Noruega por meio do Fundo Amazônia. A atuação da comissão mista, disse Jorge Viana, tem sido no sentido de manutenção de políticas de controle e de fomento a atividades econômicas que não pressionem por mais desmatamento.

Fonte: Senado Notícias

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