Aumento de 10% para 11% na porcentagem de biodiesel misturado ao diesel entra em vigor

Reportagem do Jornal da Globo exibida na edição de segunda-feira (2) destacou a entrada em vigor do B11 mínimo em todo o Brasil e os benefícios ambientais e econômicos do biodiesel produzido no país. Além de explicar a redução de emissões de poluentes na comparação com o diesel fóssil, o vídeo mostrou como a maior demanda da indústria de biocombustível por matéria-prima estimula o processamento da soja, agregando valor ao longo de toda a cadeia produtiva.

Produzida pela TV Centro América, de Mato Grosso, a reportagem contou com informações, dados e locação de duas empresas associadas da APROBIO. Foram gravadas imagens da usina da Caramuru em Sorriso, e o vice-presidente da APROBIO Rodrigo Guerra foi entrevistado pela jornalista Eunice Ramos. Ele afirmou que o setor está preparado para atender a atual demanda e vai investir na ampliação da capacidade produtiva para a chegada do B15, em 2023.

Fonte: Jornal da Globo

Aumento da mistura de biodiesel estimula investimentos

O cronograma de ampliação gradual da adição do biocombustível ao diesel deve trazer R$ 6 bilhões em aportes até 2023

A partir de 1º de setembro, aumenta de 10% para 11% o percentual obrigatório de biodiesel misturado ao diesel comum. Segundo a Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (APROBIO), o volume adicional demandará cerca de 600 milhões de litros do biocombustível no período de um ano, ou seja, 3 milhões de toneladas de soja a mais para esta finalidade.

Além disso, segundo cálculos do Ministério de Minas e Energia, a mudança trará uma economia estimada de US$ 1,3 bilhão ao ano, considerando o menor volume de importação de combustível de petróleo. Em outubro do ano passado, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o cronograma de aumento gradual de adição do biodiesel ao diesel para os próximos cinco anos. O calendário prevê o incremento (em volume) de 1% de biodiesel ano a ano até chegar ao percentual de 15% em 2023.

“A partir do próximo mês, a adição será de 11%, mas a lei deixa flexível, e a mistura pode chegar até 15%”, afirma Erasmo Carlos Battistella, presidente da APROBIO. “Dependendo da região, o biodiesel pode ser mais competitivo, e a distribuidora pode optar por colocar um pouco mais para ter uma melhor margem de preço”, complementa o executivo.

O fato é que o cronograma de adição, somado à segurança da nova Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) e às metas assumidas pelo Brasil na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2015 (COP-21) – que incluem aumento de biocombustíveis na matriz energética nacional –, trouxe previsibilidade ao setor e estimulou investimentos.

Cálculos do Ministério de Minas e Energia apontam uma economia estimada de US$ 1,3 bilhão ao ano com o aumento para 11% da mistura de biodiesel ao diesel comum

“Nossa expectativa é que o setor vá receber em torno de R$ 6 bilhões de investimentos em toda a cadeia até 2023”, diz o presidente da Associação. Diante das perspectivas, a BSBIOS, empresa presidida por Battistella, já investiu mais de R$ 70 milhões na ampliação das usinas de biodiesel em Marialva (PR) e Passo Fundo (RS).

E recentemente, a JBS anunciou um investimento de R$ 180 milhões para a construção de uma nova fábrica em Santa Catarina. O empreendimento será na cidade de Mafra e produzirá o biocombustível com descarte de gordura animal da Seara, braço do grupo voltado à produção de aves e suínos.

A JBS possui duas unidades de produção de biodiesel a partir de sebo bovino. Em 2018, a empresa comercializou 260 milhões de litros do biocombustível. A expectativa é que a produção ultrapasse 600 milhões de litros com a nova fábrica, que deve entrar em operação em 2021 e gerar 100 empregos diretos.

Pilares do biodiesel

As contribuições do biodiesel para a sociedade brasileira estão alicerçadas em três pilares, segundo o presidente da APROBIO:

Econômico – o Brasil vai importar menos diesel e gerar mais empregos com a produção de biocombustível.

Social – o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel determina que aproximadamente 30% da matéria-prima da produção venha da agricultura familiar.

Ambiental – as emissões de gases de efeito estufa (GEE) no ciclo de produção e consumo de biodiesel são cerca 69% inferiores e vão ajudar o Brasil a atingir as metas redução de GEE assumidas na COP-21.

Fonte: Estadão – Canal Agro

O ano de 2018 para o setor de biodiesel

Este foi um ano bastante intenso, tanto para o setor de biodiesel quanto para o Brasil como um todo. Com a economia ainda lambendo suas feridas e tentando reencontrar seu caminho depois uma de suas piores crises, vivemos uma greve de caminhoneiros histórica que paralisou o país e quase todas as usinas durante duas semanas e, quase em seguida, tivemos que encarar um período eleitoral bastante polarizante que – para o bem ou para o mal – terminou com a eleição de Jair Bolsonaro e uma das maiores renovações do Legislativo desde a redemocratização.

Apesar de todos os sobressaltos, o setor de biodiesel foi colecionando vitórias.

A primeira delas veio em março, quando tivemos a oficialização B10 como mistura obrigatória. Esse foi o tiro inicial de uma corrida que levou as usinas a passarem, pela primeira vez na história, da marca de meio bilhão de litros fabricados num único mês e garantir que o recorde anual de produção fosse batido com dois meses de antecipação.

Também foi interessante acompanhar a evolução do RenovaBio ao longo do ano. A Política Nacional de Biocombustíveis que ao ser aprovado perto da virada de 2017 era pouco mais que um esqueleto de uma boa ideia foi ganhando musculatura.

Em março, foi assinado o decreto que criou a estrutura de governança responsável por regulamentar o novo programa. Em junho, o CNPE fixou em 10,1% a meta de descarbonização que precisará atingida pelas distribuidoras. Por fim, pouco menos de um mês atrás, a ANP publicou as regras que os fabricantes terão que seguir se quiserem certificar seus produtos para participarem desse novo mercado. Só para o setor de biodiesel, o RenovaBio poderá render até R$ 1,2 bilhão

Esses dois fatos já fariam de 2018 um ano memorável para a indústria. Em outubro, no entanto, o setor ainda conquistaria sua maior vitória deste ano com a aprovação de um novo cronograma de aumentos da mistura obrigatória que deverá nos levar ao B15 dentro dos próximos cinco anos.

Se tudo correr como planejado, a expectativa é que a produção brasileira de biodiesel praticamente dobre chegando a 10 bilhões de litros em 2023.

Ao que parece o setor de biodiesel tem um futuro e tanto pela frente. E BiodieselBR.com estará por aqui para acompanhá-lo em profundidade cumprindo sua missão de praticar um jornalismo responsável e independente. Mas, por enquanto, o portal entra em recesso devendo retomar suas atividades no dia 08 de janeiro.

Desejamos boas festas e um ótimo 2019 a todos os nossos leitores.

Fonte: BiodieselBR

Setor de biodiesel entrega troféu a Michel Temer por avanços nas políticas voltadas aos biocombustíveis no Brasil

Presidente recebeu homenagem da Aprobio, da Ubrabio e da Frente Parlamentar do Mista do Biodiesel pela aprovação de medidas como o RenovaBio e cronograma de aumento da mistura de biodiesel ao diesel derivado de petróleo

Brasília, 4 de dezembro de 2018 – O presidente Michel Temer recebeu na noite desta terça-feira um troféu pelos avanços nas políticas nacionais voltadas aos biocombustíveis, em especial ao biodiesel. A homenagem foi promovida pela Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (APROBIO), pela União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (UBRABIO) e pela Frente Parlamentar Mista do Biodiesel, em jantar realizado no Dunia City Hall, em Brasília, para cerca de 150 convidados, entre autoridades, parlamentares e produtores de biodiesel.

Ao agradecer a homenagem, o presidente destacou a importância do biodiesel na economia nacional e o quanto as políticas adotadas para o setor têm servido de exemplo para o mundo. “Agora, na reunião do G-20, em Buenos Aires, quatro chefes de Estado vieram falar comigo dessa conquista do Brasil”, afirmou Temer, após receber a honraria, um troféu representando uma gota de biodiesel.

Bem-humorado e acompanhado do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, o presidente disse que homenagens como essa são um reconhecimento do trabalho feito em pouco mais de dois anos e meio de governo. “Uma coisa é ser conhecido; outra é, depois de conhecido, ser reconhecido”, explicou. “A piada do café frio em fim de governo é verdade absoluta. Mas na minha sala o café ainda é quente e também vem acompanhado de água”, brincou Temer, sob aplausos dos convidados do evento.

O troféu em homenagem às políticas adotadas pelo governo Michel Temer foi entregue pelo conselheiro da Aprobio, Alberto Borges de Souza, pelo presidente do Conselho Superior da Ubrabio, Juan Diego Ferrés, e pelo deputado federal Evandro Gussi (PV-SP), coordenador da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel.

“Essa é uma oportunidade de agradecer e comemorar”, definiu Alberto Souza, da Aprobio. “No governo Temer, passamos do B8 (8% de biodiesel adicionado ao diesel fóssil) para o B10 e, baseado na legislação, criamos condições para continuarmos crescendo 1 ponto porcentual ao ano, até o B15 em 2023. Também lançamos, com a liderança do deputado Gussi e do governo, as bases do RenovaBio.”

Para Juan Diego Ferrés, da Ubrabio, o governo Temer deixa um legado de extrema relevância para o setor de biocombustíveis. “O RenovaBio foi construído com amplo diálogo, com todos os segmentos da sociedade. Com ele, o Brasil faz história e reafirma sua referência internacional na área de energia limpa, o que tem sido comprovado pela adesão internacional e o reconhecimento alcançado através da plataforma para o Biofuturo.”

Coordenador da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel, Evandro Gussi destacou o trabalho de toda a equipe do governo. “Somos gratos, em nome dos brasileiros, pelo trabalho abnegado do presidente, com um time capitaneado pelo ministro Padilha, a quem estendemos essa homenagem”, afirmou. “O biodiesel, que vivia em espasmos no passado, agora tem previsibilidade para o futuro.”

Dois anos de avanços

Desde 2016, o setor de biocombustíveis obteve expressivas conquistas, chanceladas pela gestão Michel Temer. Destacam-se o desenvolvimento e aprovação, em tempo recorde, da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), uma política de estado inovadora de incentivo ao uso de energia limpa e renovável em substituição aos combustíveis fósseis, com redução da emissão de gases de efeito estufa, criação de oportunidades e maior segurança e previsibilidade para as diversas cadeias produtivas envolvidas.

Outra conquista relevante foi a definição de um cronograma de aumento gradual da adição de biodiesel ao diesel derivado de petróleo. Em março de 2018, entrou em vigor o índice de 10% de biodiesel misturado ao combustível fóssil, o chamado B10. Em outubro, foi publicada pelo governo resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) que prevê aumentos anuais de 1 ponto porcentual nessa mistura, a partir de 2019, até o limite de 15% de biodiesel (B15) adicionado ao diesel derivado de petróleo, em 2023, conforme previsto pela legislação vigente.

Essas medidas já proporcionam grandes avanços para o Brasil e para a cadeia produtiva de biodiesel. A produção anual do biocombustível em 2018 deve atingir 5,4 bilhões de litros, um aumento de cerca de 25% em relação aos 4,3 bilhões registrados em 2017. Para 2019, a estimativa é de 6 bilhões de litros e, em 2023, com a adoção do B15 e a aplicação prática do RenovaBio, esse volume pode chegar a 11 bilhões de litros.

O Brasil é o segundo maior produtor e consumidor de biocombustíveis no mundo, e tem tudo para seguir avançando nesse caminho. O biodiesel reúne uma série de benefícios econômicos, ambientais e sociais que o colocam como produto singular em relação a outros países. Esse biocombustível reduz a demanda nacional por diesel importado, pratica uma política de precificação mais previsível que a do combustível fóssil e agrega valor a diversas cadeias produtivas do agronegócio, em especial à da soja, mas também à da proteína animal e de outras oleaginosas.

Além de reduzir em 70% as emissões de gases de efeito estufa em comparação ao diesel mineral, o biodiesel tem como matéria-prima o sebo animal, cujo descarte inadequado tem graves impactos ambientais, e o óleo de cozinha usado, que pode ser reciclado e transformado em combustível renovável, em vez de sobrecarregar as redes de tratamento de esgoto ou, pior, poluir cursos d’água.

No Brasil, o biodiesel também é o principal programa de transferência de renda para a agricultura familiar, por meio do Selo Combustível Social (SCS). Só em 2017, cerca de R$ 4 bilhões em faturamento dos pequenos produtores foram oriundos do setor.

Acesso o vídeo completo do jantar no nosso canal do YouTube, clicando aqui.

Brasil terá 45% de renováveis na matriz energética em 2023

A parcela atual é de 43% e crescimento será possível com a ampliação de biocombustíveis na matriz de transportes O Brasil é o país com a maior participação de fontes renováveis na matriz energética, segundo o Relatório sobre Mercado de Energias Renováveis 2018 da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). O estudo projeta que o país terá o correspondente a 45% de fontes renováveis no consumo final de energia em 2023, principalmente com os biocombustíveis nos transportes e na indústria e das hidrelétricas, no setor elétrico. Atualmente, esse percentual corresponde a cerca de 43%.

O relatório aponta que o ano de 2020 será “crucial” para as políticas de biocombustíveis ao redor do mundo pois entrará em vigor na China a mistura obrigatória de 10% de etanol à gasolina. A política de biocombustíveis anunciada na Índia, que pretende investir em biorerefinarias, também deverá resultar em aumento da produção no período.

No Brasil, o RenovaBio, regulamentado neste ano, também é citado com incentivo aos investimentos em nova capacidade instalada e na produção de usinas existentes. De acordo com o levantamento, a bioenergia moderna (etanol, biodiesel) representou 50% do consumo energético global oriundo de fontes renováveis no ano passado, quatro vezes mais que as fontes solar fotovoltaica e eólica combinadas.

Projeção global

Em 2023, segundo a projeção da AIE, a bioenergia deverá permanecer como a principal fonte de energia renovável, “embora sua participação proporcional deva diminuir ligeiramente, devido à expectativa de aceleração da expansão das fontes eólica e solar fotovoltaica no setor elétrico”. O relatório projeta que a participação de fontes renováveis na demanda energética global deverá aumentar para 12,4% em 2023, um quinto a mais que no período entre 2012 e 2017, e que as energias renováveis vão responder por cerca de 40% do crescimento do consumo energético mundial projetado para os próximos cinco anos.

Fonte: Agência Brasil

[CBBR 2018] Curta o bom momento do biodiesel com moderação

O termo “previsibilidade” foi praticamente um mantra entre os palestrantes da Conferência BiodieselBR do ano passado. Todos os atores cobravam clareza por parte do governo Temer a respeito da evolução da mistura obrigatória e da regulamentação do RenovaBio. Passado um ano, o setor de biodiesel parece ter ganhando tudo o que queria.

Exatamente uma semana antes da abertura da Conferência BiodieselBR 2018, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) regulamentou o cronograma que prevê a obrigatoriedade do B15 a partir de março 2023. Ou seja, o setor vai virar o ano – e entrar no novo governo – com cinco anos de crescimento garantidos pela frente.

Fora isso, ao longo de 2018, o RenovaBio parece ter ganhado musculatura bastante para enfrentar qualquer mudança de humor mais abrupta em Brasília.

As vitórias acumuladas pelo setor ao longo do ano foram ressaltadas pelo diretor executivo de BiodieselBR.com, Miguel Angelo Vedana. “Na abertura da conferência do ano passado fiz uma série de perguntas que, na época, não tinham resposta. (…) Entre elas estavam: ‘o B11 vem em 2019?’; ‘quais os critérios para o B15?’; ‘o que distribuidoras, montadoras e governo pensavam sobre o B15?’; ‘o RenovaBio vai virar lei?’. O setor conseguiu responder todas elas de maneira positiva. Isso que mostra o quanto avançamos em apenas um ano”, admirou-se.

Não foram conquistas que vieram de mão beijada. Cada uma delas foi fruto de muito empenho e persistência de todos os envolvidos com o setor que conseguiram virar o jogo até em casos onde a batalha parecia perdida. Elas agora colocam a indústria frente ao que promete ser seu maior ciclo de crescimento sustentado e investimentos em toda sua a história. “Esse ano, pela primeira vez o setor vai ultrapassar os 5 bilhões de litros. Com o B15 e a taxa de crescimento do mercado de diesel apresentada na última semana pela EPE, teremos um consumo de biodiesel em 2023 de quase 10 bilhões de litros”, completou Miguel Angelo apontando que mesmo sem novos aumentos na mistura obrigatória além dos já programados, o mercado deverá passar a crescer ao ritmo de um bilhão de litros ao ano.

Isso tudo é o que já está dado. Mas, por propício que o momento atual seja, ele não vem sem uma dose de contradições. “Os próximos anos serão bons para o setor, mas ele pode esquecer nunca de suas maiores virtudes. O biodiesel é renovável e é amigo da natureza e meio ambiente. (…) O setor vai ter que colocar na prática o discurso ambientalmente correto. Chegaremos ao momento em vamos precisar definir se queremos ser ambientalmente corretos ou ganhar dinheiro no curto prazo”, alertou.

Entre outros palestrantes, a preocupação é mais imediata. Pego no fogo cruzado da guerra comercial entre EUA e China, o setor de esmagamento terá que resolver turbulências significativas para conseguir dar conta de manter as usinas abastecidas com óleo de soja. “A soja dos Estados Unidos está sendo sobretaxada pela China. Num primeiro momento isso é benéfico para o Brasil porque remunera melhor nosso grão, mas, no curto prazo cria o risco de uma ruptura na industrialização”, preocupa-se o diretor do conselho da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Juan Diego Ferres, para quem será preciso “agir de forma imediata”. “Temos condições de resolver todas as dificuldades, mas precisamos agir com obstinação”, prossegue.

Uma parte resposta para esse dilema foi dada por André Nassar, presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), cuja fala veio gravada em vídeo. No mesmo período da Conferência, Nassar participava de uma missão comercial que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento enviou para tentar abrir o mercado chinês às exportações brasileiras de farelo de soja. “Se fizermos um trabalho bom com a China, especialmente nesse momento em que eles estão com um contencioso com os EUA (…) podemos ter uma relação ganha-ganha”, animou-se o executivo.

Para o presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Erasmos Battistella, a despeito de qualquer dificuldade que esteja no horizonte, é importante ter em mente que esse é um momento positivo para o setor sem perder o pé no chão. “Nas conferências anteriores a gente estava sempre angustiado sobre o futuro do mercado. Agora é diferente. Temos que aproveitar esse momento, mas vamos ‘curtir com moderação’, aconselhou.

Fonte: BiodieselBR

Câmara do Conama dá até 2023 de prazo para veículos reduzirem poluição do ar

A Câmara Técnica de Qualidade Ambiental do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) aprovou nesta terça-feira, 2, o prazo até 2023 para que o Brasil adote medidas visando reduzir a poluição provocada por veículos. Uma das providências mais importantes discutida na reunião, que faz parte do Programa de Controle de Poluição Veicular (Proconve), foi a necessidade de adaptação dos motores, principalmente dos ônibus e caminhões, ao modelo adotado na Europa, o euro VI, menos poluentes.

“A proposta vencedora, com o prazo até 2023, foi defendida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Confederação Nacional de Transportes (CNT). Os ambientalistas e os Ministérios da Saúde e Meio Ambiente defendiam o prazo final em 2022, ou seja, daqui a três anos”, afirma Carlos Bocuhy, presidente do Proam, uma das entidades que atuaram contra a extensão do prazo. Bocuhy é também conselheiro do Conama.

Com a aprovação na Câmara Técnica, a proposta segue agora para a plenária do Conama. “Se for aprovada, permitirá a entrada de frotas poluentes por mais um ano, ou seja, milhares de veículos pesados como ônibus e caminhões que circularão por mais 25 a 30 anos, a vida útil desses veículos”, diz Bocuhy.

Atualmente, conforme o Proam, a ausência de atualização tecnológica dos motores a diesel e a falta de filtros adequados nos escapamentos dos veículos causam a morte de 4 mil a 5 mil paulistanos por ano, além de 17 mil em todo o Estado, dos quais a maioria crianças e idosos.

Um estudo nesse sentido foi feito por especialistas da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Além disso, os gastos do Estado de São Paulo por problemas de saúde decorrentes da poluição chegam a R$ 300 milhões por ano, afirma Bocuhy. “O nível de poluição de ar na cidade de São Paulo, conforme estudos recentes, é o dobro do que recomenda a OMS.”

A proposta do Proam, em conjunto com o Ministério Público Federal, é de que os padrões de qualidade do ar sejam atualizados, conforme as normas da OMS, em três etapas, em um prazo total de nove anos. “Há um encaminhamento mais próximo com os Ministério do Meio Ambiente e da Saúde, no sentido de adoção de prazos mais curto”, afirma Bocuhy.

Fonte: ISTOÉ (Estadão Conteúdo)

Combustível fóssil terá auge de consumo em 2023, diz consultoria

Estudo indica que, a partir de 2030, fontes de energia renováveis superarão as fósseis

O preço de referência global do petróleo atingiu sua máxima em quatro anos nesta segunda-feira (24). Mas os dias de preocupação com a oscilação do valor do combustível estão contados, segundo estudo da Carbon Tracker.

A consultoria calcula que a energia gerada por combustíveis fósseis no mundo deverá atingir seu pico máximo em 2023. A partir daí, passará a cair e dar lugar a fontes renováveis.

A transição é resultado, principalmente, de ganhos de eficiência energética (que vão reduzir o consumo total)e do barateamento das fontes renováveis (como a eólica e a solar), que nos últimos anos se tornaram competitivas em relação às fontes de origem fóssil.

Segundo o relatório, esse pico de consumo poderá variar entre 2020 e 2030 —a depender do ritmo de expansão das fontes renováveis e do crescimento da economia global.

A consultoria aponta quatro fases nesse processo: a primeira, que estaríamos vivendo atualmente, é a da inovação. Em seguida, vem o pico.

A partir de 2030, o cenário se inverteria: as fontes renováveis superariam as fósseis, e a mudança passaria a ser mais rápida até que, em 2050, na última etapa, mais de 50% da demanda global passaria a ser atendida por fontes limpas.

A essa altura, não apenas a geração elétrica terá sofrido uma mudança radical, mas também o consumo industrial (onde os combustíveis são usados, por exemplo, para aquecimento) e o transporte (com a expansão dos veículos elétricos), prevê o estudo.

Esse cenário já leva em consideração uma das principais limitações apontadas por especialistas à expansão das fontes eólica e solar: o fato de que são intermitentes —ou seja, dependem da disponibilidade de sol e dos ventos, que não são constantes.

Para Kingsmill Bond, analista da Carbon Tracker, isso só passará a ser um problema mais para frente, quando o consumo dos combustíveis fósseis já estiver em uma curva descendente. Ele diz que há uma tolerância mínima a essa intermitência.

“É possível ter até 20% da matriz elétrica com fontes intermitentes sem que haja problemas. O pico dos combustíveis fósseis vai acontecer quando a penetração das energias renováveis no mundo for de 14%, antes desse limite ser atingido”, afirma.

No entanto, esse movimento pode variar a depender do contexto regional.

No Brasil, por exemplo, há um risco de que essa transição provoque um efeito reverso, ou seja, provoque o aumento dos combustíveis fósseis e não sua queda, alerta Claudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil.

O motivo é que o país parou de investir em grandes hidrelétricas (principal fonte de energia no Brasil) e passou a priorizar outras fontes, como a eólica e a solar.

Para compensar a volatilidade dessas usinas movidas a ventos e sol, o país está colocando suas fichas nas usinas térmicas movidas a gás natural como forma de dar estabilidade ao sistema —e não nas hidrelétricas.

O resultado é que o consumo de combustíveis fósseis, que sempre foi menor no Brasil do que em outros países, pode ganhar força nos próximos anos, diz Sales.

“Hoje há uma rejeição grande às hidrelétricas, por questões ambientais, indígenas. O Brasil ainda tem 150 MW de potencial para novas usinas desse tipo. Mais de 60 MW estão em reservas indígenas [o que torna as obras pouco prováveis], mas há um tanto que não está e que poderia ser perseguido”, afirma.

A transição para as fontes renováveis também deverá trazer um risco sistêmico ao setor de óleo e gás no longo prazo, que atualmente detém ativos que somam US$ 25 trilhões, segundo o estudo.

Para Bond, caberá às companhias acompanhar as inovações do mercado para garantir sua sobrevivência —movimento que já está em curso.

No último ano, têm crescido os anúncios de petroleiras que decidem investir em fontes renováveis, como usinas eólicas em alto-mar.

É o caso de gigantes do setor, como a anglo-holandesa Shell, a norueguesa Statoil e a francesa Total.

Algumas das empresas já anunciaram inclusive o interesse de investir nesse segmento dentro do Brasil —onde o potencial eólico é grande. A própria Petrobras tem buscado iniciativas nesse sentido.

O esforço pode mais que dobrar a participação da energia eólica e solar na matriz energética do Brasil até 2026, para 18%, segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética).

Fonte: Folha de S.Paulo

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/09/energia-gerada-por-combustivel-fossil-atingira-pico-de-consumo-em-2023-diz-consultoria.shtml

MME convoca audiência pública para debater implementação do B15

O B15 está a caminho de se tornar realidade. O Ministério de Minas e Energia (MME) acaba de publicar uma portaria convocando uma audiência pública na qual representantes da cadeia produtiva poderão apresentar sugestões para uma futura resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) para o estabelecimento de um cronograma para a adoção do B15 em todo território nacional.

A audiência será realizada na sede do ministério em Brasília (DF) já na próxima sexta-feira (21) sem a convocação de uma consulta pública preliminar. BiodieselBR.com apurou que esse formato foi escolhido pelo ministério para agilizar o processo e que a pasta está empenhada para que a definição sobre o novo cronograma de aumentos da mistura obrigatória seja feita este ano.

O MME já vem circulando uma versão preliminar do texto entre atores da cadeia há cerca de um mês. Segundo essa proposta, o B11 seria adotado em março do ano que vem e, a partir daí a mistura obrigatória avançaria pelo menos um ponto percentual ao ano. Dessa forma, o B15 seria adotado em 2023.

Há também um dispositivo que permite o avanço de dois pontos percentuais em um só ano caso o mercado atenda alguns critérios de oferta e preço do biodiesel. Esse aumento aconteceria uma única vez e poderia ser desfeito caso as condições não consigam ser mantidas.

Os interessados em participarem da audiência, devem acessar a página de consultas públicas o site do MME onde encontrarão a ficha de inscrição e os demais documentos relevantes.

Fonte: Portal BiodieselBR

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