HOME
ASSOCIAÇÃO
QUEM SOMOS
ASSOCIADAS
PRETENDENTES
LEGISLAÇÃO
SELO COMBUSTÍVEL SOCIAL
RENOVABIO
ESTUDOS TÉCNICOS
PNPB
LEGISLAÇÃO
MERCADO
SUSTENTABILIDADE
NOTÍCIAS
CONTATO
NOTÍCIA
26 dez 2019 - 09:00
COMPARTILHAR
Compartilhar - Linkedin
Compartilhar - Facebook
Compartilhar - Twitter

Zerar CO2 em 2050 traria vasto benefício econômico, aponta novo estudo

Transição para matrizes limpas derrubaria custo da energia em 61% e geraria 28 milhões de empregos, indica simulação que inclui 143 países


Uma nova simulação ambiental e econômica indica que é possível, ainda, zerar as emissões de carbono do planeta até 2050, numa trajetória que contenha o pior do aquecimento global. A transição para energias limpas, diz o estudo, teria o benefício de reduzir a demanda energética em 57% e o custo da energia em 61%.


Não sairia barato, inicialmente, porque o investimento necessário é da ordem de US$ 73 trilhões. Mas esse dinheiro criaria um saldo de 28 milhões de empregos no planeta e evitaria as perdas futuras ligadas às mudanças climáticas, que são maiores que o custo da energia limpa.


 


O estudo, liderado pelo cientista Mark Jacobson, da Universidade Stanford, da Califórnia, sai uma semana após a COP-25, a cúpula do clima da ONU, terminar com um resultado decepcionante. Os países participantes da negociação falharam em aumentar a ambição dos cortes de emissão de gases do efeito estufa e colocam o planeta numa trajetória de aumento da produção de CO2.


— A má notícia que temos agora é que as emissões continuam subindo, e nosso prazo para reduzi-las é o mesmo; temos que trabalhar mais rápido agora — disse Jacobson ao GLOBO.


— A boa notícia é que energia eólica e solar, bem como as baterias, estão mais baratas agora — explica. — O custo da transição hoje é, na verdade, mais barato do que aquele calculado há dez anos.


Leia mais: Ricardo Salles sobre acordo climático em Madri: 'COP-25 não deu em nada'


A escala de mudanças que precisa ocorrer levou os cientista a qualificarem a proposta como um "New Deal" verde, em referência às reformas estruturais na década de 1930 que permitiram aos Estados Unidos se reerguer do colapso econômico de 1929.


A transição energética calculada por Jacobson e seus colegas não leva em conta o fator político, mas é economicamente viável, segundo os autores, porque é planejada em cima de benefícios das energias renováveis para a economia.


Custo social
Para começar, a transição energética rumo a uma matriz 100% renovável mitigaria os danos da mudança climática. O chamado custo social do aquecimento global cairia de US$ 76 trilhões/ano para US$ 7 trilhões/ano, porque a temperatura do planeta subiria abaixo de 1,5°C, nível relativamente seguro.


Isso significa que, num futuro em que a economia dos combustíveis fósseis não seja eliminada, os danos causados pelo clima em um único ano são maiores que todo o investimento necessário à transição. Esse dano potencial viria na forma de perdas na agropecuária, na saúde, no patrimônio privado e público e outros.


Viu essa? Bolsonaro, sobre a COP: 'Houve uma resolução para reflorestar a Europa ou eles estão apenas incomodando o Brasil?'


O plano de Jacobson está detalhado em um estudo publicado na última sexta-feira (20) no periódico científico "One Earth". Para certificar que suas contas são realistas, o cientista analisou dados de custo de energia, infraestrutura e composição de matriz energética em detalhes para 143 países diferentes. Ficaram de fora apenas países pequenos que não têm dados disponíveis, mas representam juntos menos de 1% das emissões globais.


 


O Brasil está incluído na equação, apesar de sua principal fonte de CO2 ser o desmatamento, e não a geração de energia.


— A queima de toda essa biomassa precisa acabar, claro, e isso deve ser feito simultaneamente — diz Jacobson. — Mas acabar com o desmatamento não vai exigir um conserto tecnológico. É um conserto econômico, político e de fiscalização.


A demanda de energia do Brasil, de qualquer forma, está projetada para atingir 593 GW em 2050 num cenário de alta emissão de CO2, mas pode ser reduzida pela metade num cenário de matriz 100% limpa.


A China, com emissões previstas para mais de 5 TW, ou seja, dez vezes aquelas do Brasil, será a maior parte do problema num cenário de energia suja, mas se torna a maior parte da solução caso promova mais energia limpa.


Segundo Jacobson, como os chineses ainda não têm infraestrutura construída para levar energia a uma grande parte de sua população mais pobre e a uma indústria que cresce, o custo de oportunidade de investir em energias renováveis é menor. Isso significa que a China tende a ser um dos países que mais vão se beneficiar dos novos empregos a serem criados pela energia limpa.


Apesar de ser de emissão relativamente baixa, a hidroeletricidade, pilar da geração elétrica no Brasil, teve pouco papel no cenário desenhado pelos cientistas de Stanford, por apresentar outros problemas ambientais. O grupo também prevê uma descontinuação total da energia nuclear até 2050, por problemas de custo e segurança.


Empregos
A maior parte dos empregos a serem criados por essa nova indústria, explicam os cientistas, está na construção de novas usinas e instalações como painéis solares no teto de prédios e casas. Como células fotovoltaicas precisam ser recondicionadas a cada 30 anos de vida, aproximadamente, essa é uma demanda de trabalho que se manterá constante.


A operação dos sistemas de energia limpa gerarão menos empregos do que a energia fóssil, no curto prazo, mas o aquecimento da indústria de construção das novas instalações compensará essa perda, diz Jacobson.


Para conseguir fechar a conta da transição energética, por fim, ele inseriu em sua simulação também a quantidade de energia que pode ser economizada com novas tecnologias. Carros elétricos ou movidos a hidrogênio, por exemplo, perdem menos energia por dispersão de calor do que carros a combustão, e o advento dessas tecnologias tem o potencial de fazer mais carros se moverem com menos energia ao final.


Cerca de metade do cenário que o pesquisador desenhou depende de economias de escala desse tipo, que incluem melhorias em sistemas de calefação. Uma quantidade de energia muito grande (2.3 terawatts/ano) poderá ser economizada simplesmente ao aposentar a infraestrutura que movimenta os combustíveis fósseis.


Jacobson afirma que, apesar de o cenário político global estar desfavorável agora, é possível ver iniciativas importantes em escala regional, como em alguns estados dos EUA. Para ele, ainda é possível colocar os donos do poder no caminho certo.


— A transição vai beneficiar todos em termos de empregos, de saúde, custo de energia, e as pessoas precisam cobrar isso dos políticos — afirma. — Elas precisam se dar conta de que existe uma solução para o problema e tentar convencer seus líderes e formuladores de política a mudarem.


Fonte: O Globo

ÚLTIMAS NOTÍCIAS
07 abr 2020

Habilitação de cooperativas para Selo Combustível Social já pode ser feita on-line

+
SAIBA MAIS
06 abr 2020

José Mauro Ferreira Coelho é nomeado secretário de Petróleo do MME

+
SAIBA MAIS
02 abr 2020

Associadas da APROBIO mantêm operação normal durante a pandemia de COVID-19

+
SAIBA MAIS
31 mar 2020

Evolução do Setor de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis

+
SAIBA MAIS
31 mar 2020

CBios poderão ser comercializados a partir de 27 de abril, de acordo com a B3

+
SAIBA MAIS
TODAS AS NOTÍCIAS
Av. Brigadeiro Faria Lima, 1903 – cj. 91
Jardim Paulistano
01452-911 – São Paulo/SP
+55 11 3031-4721
APROBIO