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30 ago 2021 - 16:52
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Visão externa do Brasil é injusta com produtor rural, diz CEO da 3Tentos

A 3tentos Agroindustrial ingressou há um mês no Novo Mercado da B3, com uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) que arrecadou R$ 1,4 bilhão. Agora, espera obter no primeiro semestre de 2022, o certificado B-corp. Retrato da nova mentalidade corporativa mundial, o documento é conferido a empresas que, além de lucro e retorno aos acionistas, seguem critérios que pretendem beneficiar o meio ambiente e a sociedade.


Em entrevista ao programa “Olhar de Líder”, do Broadcast, o empresário Luiz Osório Dumoncel, CEO e um dos fundadores da 3tentos, diz que a imagem ambiental ruim do Brasil no exterior “é injusta com o produtor rural”. “Já andei por diversos países e não somos piores”, disse. Dumoncel evitou falar diretamente sobre política, mas afirmou que o setor é resiliente a qualquer governo. Sobre a manutenção do apoio do agronegócio à Jair Bolsonaro, disse: “Confesso que não sei a resposta.” A seguir, os principais trechos da entrevista:


Broadcast: O IPO foi programado para bancar o plano de expansão?


Luiz Osório Dumoncel: Com a evolução dos negócios na B3, nos últimos 15 anos, notamos a baixa representatividade do setor agrícola, do produtor rural. Em 2007, fizemos uma primeira avaliação, mas veio a crise do subprime em 2008 (que atrapalhou os planos). Há dois anos, começamos a estudar novamente a possibilidade. Em 12 de julho, a listagem no Novo Mercado da B3 foi um marco tão importante quando a fundação da empresa. A perspectiva é de crescimento, completando toda a área do Rio Grande do Sul e fazendo a estreia no Mato Grosso.


Broadcast: A captação de R$ 1,37 bilhão do IPO irá integralmente para o processo de expansão?
Dumoncel: A arrecadação primária está sendo integralmente aplicada na expansão, com uma disciplina muito forte. O plano é de crescimento forte no Rio Grande do Sul, onde vamos abrir 22 novas unidades de negócios até dezembro e cobrir todo o Estado nas culturas de soja, milho, trigo e arroz. No Mato Grosso, abriremos oito unidades e já está em construção uma planta industrial para produção de óleo de soja e biodiesel.


Broadcast: A 3tentos vai investir também em logística no Mato Grosso?
Dumoncel: A BR-163 já está em processo de privatização e foi concluída uma parte do asfaltamento. Já o arco Sul da Ferrogrão (ferrovia que o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, trabalha para destravar) deve ir até Lucas (do Rio Verde), daí pra cima haverá o arco Norte, com conexão para outras ferrovias. A unidade da 3tentos estará entre o arco Norte e o Sul. Para essa fotografia que temos hoje, de como é difícil a operação na rodovia, com portos precários, podemos ter um olhar passivo ou ativo, como a 3tentos está se propondo a fazer. Vamos ao Mato Grosso para incrementar (o negócio), e o IPO veio nos dar confiança. A armazenagem já é um investimento forte em logística. A planta na BR-163 já está preparada para a instalação de um desvio ferroviário, assim que a ferrovia chegar lá. Estamos também estudando investimentos em terminais portuários fluviais.


Broadcast: O aumento na venda de insumos foi um destaque no resultado do 2º trimestre. Diante do patamar elevado de preços, qual sua previsão para safra 2021-2022?
Dumoncel: O preço dos insumos segue a lei maior: o mercado é mandatório. Se o preço está muito alto ou muito baixo, se há alguém que compre e consiga rentabilidade, é o valor adequado. Não vejo muita mudança para o cenário do agronegócio em 2022. Os países ao redor do mundo começaram a olhar seus estoques de alimentos não mais “just in time” como há alguns anos. Há preocupação e cautela maior dos governos e empresas, tendo segurança alimentar mais firme. A mudança é estarmos produzindo mais por hectare, de forma sustentável. Estamos muito animados, e de forma concreta, consistente, com o crescimento exponencial. Temos mais de 130 engenheiros agrônomos atendendo a produtores, de forma presencial e digital, por meio de aplicativo customizado, e criamos um omnichanel com o produtor rural.


Broadcast: O Brasil não tem imagem ambiental boa no exterior. Como exportadora, a 3tentos sente isso na negociação comercial?
Dumoncel: Nunca sentimos isso no negócio. Obviamente, não concordamos com desmatamento ilegal e queimadas. Nós, produtores rurais, muitas vezes somos tachados de agressores da natureza. Não estamos agredindo a natureza porque precisamos conviver com ela da melhor maneira possível. O Renovabio é o maior programa de redução de emissão de carbono do mundo, só que nunca saiu em nenhum lugar. Nunca vi. Não pelos brasileiros, mas pelos outros países, que competem com o Brasil. Há 26 anos, a 3tentos nasceu já como empresa ESG (com boas práticas ambientais, sociais e de governança). Estamos trilhando o caminho +B para tornar a empresa uma B-corp, provavelmente já no primeiro semestre do ano que vem.


Broadcast: A visão externa sobre o Brasil é injusta?
Dumoncel: É injusta com o produtor rural. Não vou falar em 100%, mas a imensa maioria dos produtores rurais, seja qual for o Estado onde estiver, está procurando fazer o melhor plantio direto, a melhor tecnologia, utilizar menos água em pulverizações. Se não cuidar da natureza, que é parceira dele no negócio, sabe que o horizonte é muito curto. Politicamente, vou evitar de expor a minha opinião, mas gostaria de ser um porta-voz para puxar essa questão. Não tenho receio de conversar sobre esse assunto no agronegócio. Já andei por diversos países e sei que não somos piores. Precisamos ter vontade de demonstrar o lado bom, que às vezes não gera notícia. Somos o maior produtor de soja do mundo, com 137 milhões de toneladas na última safra, enquanto os Estados Unidos vão colher agora 115 milhões. Num congresso sobre plantio direto na Espanha, me senti até um popstar, com tantos agricultores interessados em saber como conseguimos.


Broadcast: O agronegócio, que deu forte apoio ao atual governo, ainda está fechado com ele?
Dumoncel: Não saberia te dizer sobre o sentimento do produtor. O que posso afirmar é que, independentemente de governo, o agronegócio é muito resiliente. Hoje, é um setor que representa cerca de 25% do PIB nacional, é resiliente até à pandemia. Vou parar aqui para não citar tantos outros fatores, climáticos ou de mercado. O governo que estiver, ou que entrar, pode ajudar mais ou menos, mas independentemente da situação, acredito muito no produtor rural e na independência dele em relação ao governo que estiver lá. Por isso, confesso que não sei a resposta.


Fonte: Estadão

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