HOME
ASSOCIAÇÃO
QUEM SOMOS
ASSOCIADAS
PRETENDENTES
LEGISLAÇÃO
SELO COMBUSTÍVEL SOCIAL
RENOVABIO
ESTUDOS TÉCNICOS
PNPB
LEGISLAÇÃO
MERCADO
SUSTENTABILIDADE
NOTÍCIAS
CONTATO
NOTÍCIA
03 mai 2021 - 14:12
COMPARTILHAR
Compartilhar - Linkedin
Compartilhar - Facebook
Compartilhar - Twitter

Setor de biodiesel aponta consequências negativas da redução da mistura a representantes do MME e MAPA

Depois de ter sido pego no contrapé pela recente decisão do governo federal de cortar a mistura obrigatória para tentar pacificar caminhoneiros irados com as altas seguidas do óleo diesel, o setor de biodiesel está partindo para o contra-ataque. Municiadas com um estudo recém-publicado que destrincha os efeitos negativos da medida, as três principais entidades da indústria – Abiove, Aprobio e Ubrabio – estiveram na semana passada em Brasília para falar com representantes do Ministério de Minas e Energia (MME) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).


Elaborado pela GO Associados – consultoria fundada pelo economista e ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Gesner Oliveira – o parecer explora os efeitos que uma redução na mistura obrigatória teria em cinco dimensões distintas: meio ambiente, saúde púbica, economia, cadeia a soja e segurança jurídica. Em nenhuma delas, o balanço é favorável à redução.


Iniciado em março, quando o governo federal chegou a considerar a sério um corte definitivo de cinco pontos percentuais no teor de biodiesel adicionado ao diesel – de B13 para B8 –. Por esse motivo, o estudo delineia um cenário com perdas ainda mais severas do que as atuais. Pelas contas da consultoria, a economia perderia cerca de R$ 24 bilhões que haveria o fechamento de até 170 mil postos de trabalho.


Embora a situação atual não seja tão dramática e, ao menos em teoria, a situação deva se normalizar em julho, os efeitos também não serão nada suaves. Segundo Gesner, só o que já foi anunciado pelo governo deverá impactar o PIB brasileiro em R$ 8 bilhões. “Num momento em que a economia precisa de estímulo [o corte da mistura] representa um desestímulo”, elabora.


Armadilha montada


Além disso, sem uma ação mais decidida por parte do governo para gerenciar as expectativas do mercado, há o risco de que o segmento de processamento de soja acabe numa armadilha da qual seria difícil escapar.


O presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar, preocupa-se que possa se instalar uma dinâmica de mercado parecida com a que foi vista no ano passado quando as esmagadoras – em face de projeções exageradas para a retração nas vendas de diesel causadas pela pandemia da Covid-19 –- exportaram volumes de óleo e de soja em grão que, mais tarde, fizeram falta no mercado interno. “A gente está entrando nesse mesmo ciclo agora, mas, dessa vez, não será por causa de uma queda na demanda de diesel, mas porque foi forjada uma redução na demanda de biodiesel”, reclama.


O grande impasse, segundo André, vem do fato de que o corte na mistura acabou empurrando os preços do biodiesel para o campo negativo. “Hoje, o preço do biodiesel está abaixo do óleo de soja tanto no preço de paridade de exportação quanto no mercado doméstico”, alerta.


Apesar da perplexidade inicial causada quando as usinas de menor porte pediram R$ 7.060,00 por cada um dos metros cúbicos que colocaram à venda no Leilão 79. O preço médio final do leilão ficou em R$ 5.561,26 por m³ – deságio de 35,9% em relação aos preços de referência fixados pela ANP.


Em março, a tonelada do óleo de soja foi negociada por uma médio R$ 6.700,38 na praça de São Paulo. Convertido para metros cúbicos, esse valor fica em R$ 6.110,75. A não ser que haja uma inversão repentina de uma tendência de mercado que já vem firme há um ano, o óleo deve continuar Bem acima dos R$ 5.536,30 que os fabricantes vão receber pelo biodiesel vendido no L79.


Com o biodiesel no vermelho, o mercado de esmagamento perde parte de sua sustentação o que aumenta o incentivo para que a soja acabe saindo do país in natura. “As empresas que processam e exportam soja podem não querer carregar seus estoques até o segundo semestre porque a perspectiva é que as margens estejam ruins”, avalia. “Se não sinalizar logo para uma volta da mistura obrigatória, governo pode acabar criando um problema de oferta de matéria-prima”, conclui.


Em cascata


Os impactos negativos não ficariam restritos ao segmento de biodiesel. Se as empresas realmente entenderem que não vale a pena segurar o grão no país, a tendência é que a atividade de esmagamento de soja caia no segundo semestre reduzindo a ofertar para o farelo no mercado interno. “Eu vejo uma possibilidade elevada de redução do esmagamento. Se isso acontecer, as consequências para o mercado de farelo seriam muito negativas”, diagnostica André.


Não quer dizer que o farelo vá necessariamente ficar mais caro – afinal os preços são globais e têm forte influência do câmbio. O risco mais imediato, na opinião do executivo da Abiove seria de um aperto na oferta no mercado interno. “Pode faltar farelo”, avisa.


Seria má notícia para o segmento de carnes que já anda com custos bastante pressionados. Gesner Oliveira aponta que enquanto a inflação apurada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplia acumulou alta de 6,1% nos últimos 12 meses, as carnes aumentaram cerca de 31,5%. “[O farelo] é um insumo importante na formação do preço de um item importante no prato da população”, alerta.


Se o pior cenário se confirmar, o corte da mistura de biodiesel para conter a inflação pode acabar saindo pela culatra. Para André, embora essa dinâmica ainda não esteja instalada no mercado, seria importante sinalizar desde já que a mistura vai voltar ao normal.


Em teoria, o B13 volta em julho. A nota na qual o MME e o MAPA informaram a decisão já ressaltava seu caráter temporário. Mais recentemente, o MME reiterou essa informação. Afinal, a redução na mistura foi justificada pelo governo como uma forma de amenizar o impacto da volta da cobrança de Pis/Cofins sobre o diesel depois de três meses de isenção.


Em entrevista recente à Reuters, contudo, o próprio André Nassar cobrou do governo uma “sinalização forte” evidenciando que há um clima de ceticismo por parte a cadeia. “Fazendo uma sinalização para o L80, já mudaria as expectativas dos agentes”, encerra André.


Fonte: BiodieselBR

ÚLTIMAS NOTÍCIAS
05 mai 2021

Chile sediará cúpula internacional sobre energia limpa

+
SAIBA MAIS
05 mai 2021

Rumo a IPO, gaúcha 3tentos vai investir em Mato Grosso

+
SAIBA MAIS
04 mai 2021

MME abre pesquisa sobre inserção de biocombustíveis no ciclo diesel

+
SAIBA MAIS
03 mai 2021

APROBIO faz primeira avaliação sobre proposta de novo sistema de comercialização de biodiesel

+
SAIBA MAIS
03 mai 2021

Usina de biodiesel da Minerva já pode emitir CBios

+
SAIBA MAIS
TODAS AS NOTÍCIAS
Av. Brigadeiro Faria Lima, 1903 – cj. 91
Jardim Paulistano
01452-911 – São Paulo/SP
+55 11 3031-4721
APROBIO