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15 abr 2021 - 08:00
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Redução de mistura de biodiesel é contrassenso

O governo federal surpreendeu produtores de biodiesel e distribuidoras ao suspender o leilão 79 e reduzir a mistura do biocombustível no diesel fóssil de 13pc para 10pc, após observar uma forte alta nos preços na primeira fase, destinada às pequenas usinas. A medida desagradou o setor, que iniciará em breve um período de transição para abertura de mercado em 2022. Erasmo Battistella, presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) afirma que a intervenção não aconteceu no melhor momento. Battistella, que preside o ECB Group também fala sobre a perspectivas para os negócios, que inclui um terminal portuário no Uruguai e estreia no setor de alimentos. A holding projeta receita líquida de R$7,7 bilhões para este ano, alta de 45,3pc na comparação com 2020. A seguir, os principais trechos da entrevista.


Menos de um mês após se comprometer com o B13 para 2021, o governo reduziu a mistura de biodiesel no diesel para B10 em 9 de abril, devido aos altos preços no leilão 79. O que o setor achou desta medida e como foram as negociações com o Ministério de Minas e Energia (MME)?
EB: O setor não gostou. É uma intervenção que não foi feita no melhor momento. Ou melhor, não tem momento bom para isso. Há pouco chegamos ao B13, temos um cronograma de subir para 14pc e 15pc. Na questão de preço, o que ocorre, nada mais é [que operar em um] um ambiente global e, aqui, inflacionado pelo câmbio. Na nossa avaliação, o governo está comprometido para que não tenha uma possível greve no setor de transportes. Não é por meio da arbitragem do preço de um insumo que vai resolver esse problema.


O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) prevê este tipo de intervenção, mas o B13 fica em xeque para os próximos leilões, considerando o ciclo de alta das commodities e a valorização do dólar? Existe uma estimativa de perdas para as usinas entre maio e junho?
EB: Essa redução é para o L79, para os meses de maio e junho, em princípio. A menos que tenha outra decisão. Para o 80º leilão e os subsequentes, teremos a volta do B13. O que já vimos no Brasil é que sempre que há uma intervenção o custo é mais caro a médio e longo prazos. Sem dúvida, teremos perdas no setor produtivo porque haverá uma redução de 30pc do mercado. As empresas estavam preparadas para fazer a venda, adquiriram matéria-prima e não tem mercado para todos. Infelizmente, o país não é competitivo para exportar biodiesel em função do [chamado] Custo Brasil.


O que vocês pretendem fazer com essa matéria-prima excedente que já estava comprada para o leilão 79?
EB: Essa matéria-prima será exportada. Não temos como absorver no mercado interno. A consequência é o aumento do custo do farelo de soja. Isso vai encarecer o custo das rações, das carnes, do setor lácteo e dos ovos. Outro possível impacto é a produção de menos [créditos de carbono para biocombustíveis] Cbios. Com o aumento no consumo de combustível fóssil, as distribuidoras serão obrigadas a comprar mais Cbios. Pode haver um aumento no preço dos Cbios. Não sei se o governo levou em consideração todos esses pontos para tomar uma decisão.


Foi a terceira redução de mescla decidida de maneira repentina nos últimos 12 meses. Na sua visão, quais medidas devem ser adotadas para evitar que esta situação se repita?
EB: Essa foi a terceira redução, mas foi totalmente atípica. As outras duas foram em momentos de estresse no mercado de matéria-prima. Estamos no meio da colheita de soja recorde e o motivo alegado [para reduzir a mistura] foi preço. É um contrassenso. O próprio governo federal colocou um preço máximo de R$7.500/m³. Estava bem abaixo do preço máximo de referência [de R$7.620/m³]. Todos sabem que o valor inicial do leilão não seria o final. O governo criou esse mercado para pequenas usinas e agora precisa arcar com as consequências. As grandes indústrias entrariam na sequência reduzindo o preço. Informamos isso para o governo. Esse volume de cotas, que dá um volume entre 5pc-10pc [do total do certame para pequenos produtores], infelizmente, atrapalhou todo o mercado de biodiesel.


O setor está preparado para a abertura do mercado em janeiro de 2022? O senhor considera que o ritmo das discussões entre o governo e a iniciativa privada permitirá cumprir esta meta?
EB: O setor produtivo não assina metas e políticas, só cumpre. É claro que se o governo quiser, em janeiro de 2022 teremos um novo modelo de comercialização no Brasil. Na minha opinião, precisamos resolver os problemas estruturantes. Um deles é a questão tributária, com o ICMS, que já está sendo tratado no [Conselho Nacional de Política Fazendária] Confaz. Outro ponto superimportante é o controle, como ter certeza de que todas as distribuidoras estão fazendo a mistura correta. As discussões com o governo sobre qual é o modelo ideal estão lentas. Ninguém sabe efetivamente qual o modelo proposto. Precisamos acelerar porque estamos chegando na metade do ano e as empresas precisam se preparar para esse novo momento.


Quais são os investimentos prioritários do ECB Group para 2021?
EB: Reorganizamos nosso planejamento estratégico como grupo. Vamos investir em dois segmentos: energias renováveis e agronegócios, com foco na produção de alimentos. Faremos o primeiro grande investimento na área de alimentos, que deve ser anunciado entre maio e junho. Queremos iniciar as obras do projeto Ômega Green, no Paraguai, ainda neste ano.


Qual sua avaliação do ambiente institucional no Brasil para investimentos de longo prazo?
EB: Sempre tivemos uma avaliação positiva do Brasil. Para o mercado externo, o Custo Brasil não deixa o país fazer investimentos para exportar produtos manufaturados. Se não tivermos uma política industrial eficiente, não teremos investimentos nessa área. Nem sei onde foi parar o Ministério da Indústria aqui no Brasil. Se não tivermos uma reestruturação, não teremos grandes investimentos para exportação.


O ECB está em conversa avançada para entrada de algum sócio no projeto Ômega Green, no Paraguai?
EB: Sim, estamos. Recebemos propostas firmes. Hoje temos, basicamente, dois passos para finalizar e iniciar a obra: a engenharia e também a parte de engenharia financeira com os bancos.
O senhor planeja integrar o Ômega Green a um terminal portuário no Cone Sul?


EB: Estamos discutindo parcerias com companhias na área de logística. Nosso porto será próximo a Assunção [Paraguai]. Dele enviaremos nosso biocombustível provavelmente até Montevidéu [Uruguai], onde será armazenado e carregado em grandes navios, para ser exportado ao hemisfério Norte. Prevemos o início da produção dos biocombustíveis avançados para o segundo semestre de 2024 e, até lá, essa parte logística precisa estar montada. A parte de logística e tancagem é menos crítica do que a parte de indústria.


O grupo pretende estar entre as três maiores produtoras de biocombustíveis do mundo até 2030. Como a empresa pretende alcançar esta meta?
EB: É uma meta audaciosa, felizmente crescemos bastante nos últimos anos. Não é fácil porque é um mercado extremamente competitivo, temos grandes concorrentes que respeitamos muito. Temos nosso planejamento, muito bem feito e robusto, e precisamos continuar trabalhando e investindo muito para chegar nessa posição. Atualmente, ocupamos a 14ª posição em nível mundial.


Fonte: Argus Media

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