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22 fev 2022 - 09:18
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Projeto piloto prevê produção de combustível sustentável de aviação no RN

Uma parceria firmada entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a Cooperação Técnica Alemã (GIZ, na sigla em Alemão) para o desenvolvimento sustentável prevê a produção piloto, de Combustível Sustentável de Aviação no Rio Grande do Norte.

A produção deverá ocorrer no Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) localizado em Natal. Ao todo, as entidades anunciaram investimentos de mais de R$ 4,5 milhões até 2023 para obras de adaptação dos reatores e dos equipamentos já existentes para tornar a produção do combustível possível. A iniciativa visa a redução de emissões de gases do efeito estufa na aviação.

Já existe regulamentação da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) e também de organismos internacionais indicando que o combustível renovável pode ser misturado com querosene de aviação de origem fóssil em até 50% da composição.

“A mobilização da sociedade, governos e empresas com a redução das emissões é cada vez maior e no setor de aviação não é diferente. Essa parceria é muito importante para desenvolver alternativas para a descarbonização da aviação brasileira, bem como valorizar vocações locais combinando energias renováveis e co-produtos industriais para a produção de SAF”, explica Markus Francke, diretor do Projeto H2Brasil da GIZ.

Em 2019, o Instituto Senai publicou o estudo “Geração de combustíveis sintéticos de aviação a partir da glicerina oriunda da produção de biodiesel”, com apoio da organização alemã, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

“Esse apoio viabilizará a concretização desse estudo com o desenvolvimento de uma planta piloto para produção desse combustível alternativo para aviação”, explica Eduardo Soriano, responsável pelo projeto da GIZ no MCTI.


Como funciona
 
O querosene sintético renovável, ou e-querosene, como também é chamado, será produzido a partir da glicerina, um co-produto do biodiesel – por meio de um processo químico denominado rota Fischer-Tropsch.

A glicerina será transformada em gás de síntese (monóxido de carbono e hidrogênio verde) e, após processos químicos e industriais, será transformada em combustível.
Como a produção é sustentável, ao ser consumido o combustível não contribuirá para o aquecimento global – já que o balanço de carbono tende a ser neutro.

A matéria-prima para o combustível - a glicerina - é um co-produto resultado da produção de biodiesel. A abundância no mercado brasileiro é outra vantagem enxergada no projeto. Segundo o diretor do ISI-ER, o país tem mais de 400 milhões de quilos de glicerina produzidos por ano.
 


O projeto
 
A duração do projeto será de dois anos, período em que os pesquisadores também deverão estimar quando o novo combustível poderá chegar ao mercado. “É uma resposta que teremos no decorrer do processo de pesquisa e desenvolvimento, iniciado agora”, diz o diretor do ISI-ER, Rodrigo Mello.


Estudos desenvolvidos nos últimos 10 anos por pesquisadores que lideram o projeto, por meio do Laboratório de Sustentabilidade do Instituto, já identificam, segundo ele, vantagens no uso da glicerina.

“Verificou-se, por exemplo, que a emissão de CO2 para produção de combustível sintético com essa matéria-prima é praticamente nula”, observa o diretor, afirmando que o projeto em parceria com a Alemanha é mais um passo importante nos estudos que o Centro realiza, com possíveis efeitos em escala global", aponta.

“É um projeto em parceria Brasil e Alemanha, mas a solução que trabalharemos para desenvolver certamente será uma opção para o mundo todo, onde houver condições de produção dessa matéria-prima”, diz.

Por ter origem orgânica e poder ser misturado com o QAV tradicional - produzido a partir de fontes fósseis - o Combustível Sustentável de Aviação tem, de acordo com ele, potencial para evitar que um volume importante de gases de efeito estufa seja lançado na atmosfera, colaborando com as metas de carbono zero em 2050 e de redução de emissões até 2030 no Brasil.


O projeto, no Instituto, é coordenado pela pesquisadora Fabiola Correia, doutora em Ciências e Engenharia de Petróleo, com atuação, no ISI-ER, em linhas de pesquisa que envolvem relacionadas a combustíveis.

Fonte: Globo

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