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05 jul 2021 - 12:00
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Programa Soja Baixo Carbono visa associar produtividade a baixas emissões

Dentro de dois anos, sojicultores brasileiros contarão com uma metodologia nacional capaz de certificar que as suas práticas de produção apresentam baixa emissão de gases de efeito estufa, os GEEs. Esse é o foco do Programa Soja Baixo Carbono (SBC), coordenado pela Embrapa Soja, unidade de pesquisa da estatal sediada em Londrina (PR).


O objetivo é, a partir de protocolos científicos reconhecidos internacionalmente, desenvolver critérios objetivamente mensuráveis, reportáveis e verificáveis. A soja produzida dentro dos parâmetros estabelecidos pela pesquisa será certificada como de baixa emissão de carbono, o que agregará valor ao mais importante produto agrícola do País.


 


A SBC permitirá identificar a soja produzida sob um conjunto de práticas culturais e de tecnologias, que tornem o processo mais eficiente – por unidade de dióxido de carbono (CO2) equivalente emitida – em relação ao que existe disponível no mercado global. É importante ressaltar que a SBC buscará fomentar a redução das emissões de GEEs sem deixar em segundo plano o aumento de produtividade, necessário para atender à crescente demanda mundial pelo grão, do qual o Brasil é o maior exportador do planeta.


A Embrapa coordena o processo, mas a construção da metodologia do Programa SBC é participativa e envolve os diversos atores da cadeia produtiva da soja. Dessa forma, a definição dos princípios, diretrizes, critérios, práticas agrícolas e indicadores a serem seguidos para produção da SBC será conduzida sob a coordenação de um comitê gestor, e seguirá padrões internacionais de preparação de normas.


A construção metodológica do Programa envolverá o levantamento, análise e compilação de dados científicos disponíveis na literatura, com a posterior discussão e validação públicas. Depois dessa etapa, serão desenvolvidos os protocolos de certificação por meio de parcerias com órgãos certificadores internacionalmente reconhecidos.


A certificação da soja brasileira será voluntária, privada e conduzida por empresas certificadoras independentes (empresas de 3ª parte). A validação da metodologia criada será conduzida nas diferentes macrorregiões produtoras da leguminosa para que se obtenha o feedback de quem está na ponta da cadeia produtiva.


A proposta é que a SBC ateste a sustentabilidade da soja brasileira, tornando tangíveis aspectos qualitativos e quantitativos do produto obtido pelo uso de práticas agrícolas e tecnologias que reduzam a intensidade de emissão de GEEs.


O Brasil é referência mundial em tecnologias agrícolas para redução de emissões de GEEs. O Programa prevê a incorporação de muitas dessas práticas ao SBC. Entre as identificadas como promissoras para compor o protocolo estão:


1) manejo do solo em sistema plantio direto (eliminação de operações de preparo do solo e utilização de plantas de cobertura no outono-inverno);


2) uso de fixação biológica do nitrogênio (uso de inoculante promotor de crescimento e supressão total do uso de nitrogênio na soja);


3) adoção dos conceitos de manejo integrado de pragas (MIP), doenças (MID) e plantas daninhas (MIPD);


4) Integração Lavoura Pecuária Floresta. A proposta do Programa SBC é mensurar o uso das boas práticas agrícolas e recompensar o sojicultor que adotar essas tecnologias por meio de um diferencial competitivo cada vez mais valorizado mundialmente: um certificado de sustentabilidade.


*Alexandre Lima Nepomuceno é engenheiro-agrônomo, doutor em Biologia Molecular e Fisiologia de Plantas, pesquisador e atual chefe-geral da Embrapa Soja.


 Fonte: Revista Globo Rural

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