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26 mai 2021 - 09:29
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Exportações do agro com resultados impressionantes

Vamos às reflexões dos fatos e números do agro em maio e a lista do que acompanhar em junho. Na economia mundial e brasileira, o relatório Focus (Bacen), divulgado pelo Banco Central em 17 de maio, traz expectativas para o PIB de 2021 em 3,45%, e do próximo ano em 2,38%, com sensível melhoria.


Já para o IPCA, espera-se 5,15% no final deste ano e 3,64% até o término de 2022. Para o câmbio, o mercado espera R$ 5,30 em dezembro deste ano e R$ 5,35 em dezembro de 2022. Por fim, a taxa Selic foi indicada em 5,50% para o final deste ano e 6,50% no final de 2022.


O governo brasileiro se comprometeu, durante a Cúpula de Líderes sobre o Clima, a alcançar a neutralidade nas emissões de gases de efeito estufa até 2050, antecipando a meta em dez anos, e sua intenção de zerar o desmatamento ilegal até 2030. Para isso, o chefe do Executivo brasileiro pediu a colaboração de recursos internacionais, relacionados ao pagamento por serviços ambientais prestados pelos biomas brasileiros.


No agro mundial e brasileiro, no cenário internacional, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) projetou a safra mundial de soja do ciclo 2021/22 em 385,53 milhões de toneladas (22,5 milhões de t acima da safra 2020/21). Para o Brasil, é esperada uma produção de 144 milhões de toneladas (contra 136 milhões de toneladas nesta), enquanto EUA e Argentina devem produzir, respectivamente, 119,9 milhões e 52 milhões de toneladas (contra 112,5 milhões e 47 milhões de toneladas nesta). Com isso, os estoques finais globais do grão devem ser de 91,1 milhões de toneladas (cinco milhões de t maior). O interessante desta análise é que para a próxima safra estima-se que as exportações dos EUA caiam de 62 milhões para 56,5 milhões de toneladas e as do Brasil subam de 86 para 93 milhões de toneladas.


No milho, a estimativa é de uma produção de 1,19 bilhão de toneladas (50 milhões a mais), com estoques finais de 292 milhões de toneladas (nove milhões maior). A projeção do órgão americano é que os EUA produzam 380,77 milhões de toneladas (contra 360 milhões de toneladas na safra 2020/21), o Brasil, 118 milhões de toneladas (contra 102 milhões nesta) e a Argentina, 51 milhões de toneladas (47 milhões nesta). As exportações dos EUA devem cair de 71 milhões de toneladas, em 2020/21, para 62 milhões de toneladas em 2021/22, e as do Brasil, por sua vez, aumentam de 35 milhões para 43 milhões de toneladas.


Nos Estados Unidos, as condições climáticas favoráveis promoveram um bom avanço no plantio de soja e milho nas principais regiões, tirando o atraso em relação ao ciclo passado.


No boletim da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) do mês de maio, a organização estimou a safra de grãos em 271,7 milhões de toneladas para o ciclo 2020/21, redução de 0,8% em comparação à estimativa de abril, mas 5,7% maior que a safra 2019/20. Em relação à área, a Conab calcula 68,62 milhões de hectares, aumento de 4,1% em relação ao ciclo passado. Para a cultura da soja são esperadas 135,4 milhões de toneladas (+8,5%) em uma área de 38,5 milhões de hectares (+4,2%).


No milho primeira safra, a produção deve ser de 24,7 milhões de toneladas (-3,9%) e na segunda safra de 79,8 milhões (+6,3%); a área foi estimada em 4,3 (+2,4%) e 14,9 (+8,8%) milhões de hectares respectivamente. A produção e área total de milho foram indicadas em 106,4 milhões de toneladas (+3,7%) e 19,8 milhões de hectares (+7,3%). O algodão, por sua vez, teve área indicada em 1,37 milhão de hectares (-17,2%) e uma produção total de 2,44 milhões de toneladas de pluma (-18,6%). O trigo, por fim, deve entregar 6,64 milhões de toneladas (+6,5%), em uma área de 2,45 milhões de hectares (+4,9%).


As exportações do agronegócio atingiram a cifra de US$ 13,57 bilhões em abril, estabelecendo novo recorde para o mês, com crescimento de 39% frente ao mesmo período de 2020. O complexo soja liderou os embarques internacionais com destaque para a soja em grãos, a qual exportou valor e volume recordes para um único mês de, respectivamente, US$ 7,20 bilhões (+43,1%) e 17,4 milhões de toneladas. As carnes aparecem na segunda posição totalizando vendas externas de US$ 1,57 bilhão (+22,7%), gerando recorde para o mês, sendo US$ 705 milhões provenientes da carne bovina (+22,5%), US$ 598 milhões da carne de frango (+18,2%) e US$ 231 milhões da carne suína (+40,7%).


Produtos florestais aparecem em terceiro, vendendo US$ 1,21 bilhão (+32,3%), evidenciando valor recorde para abril. Na sequência, o setor sucroenergético foi responsável por exportar US$ 669,6 milhões (+36,6%), devido ao grande aumento no volume de açúcar embarcado de 1,9 milhão de toneladas. Por fim, na quinta colocação, temos o café com US$ 511,7 milhões (+24,6%) exportados. Por sua vez, as importações do agronegócio brasileiro somaram US$ 1,15 bilhão (+13,5%), deixando o saldo da balança comercial do setor com superávit de US$ 12,40 bilhões.


As importações chinesas de milho no ciclo 2020/21 devem atingir recorde histórico de 28 milhões de toneladas de acordo como o USDA. O país vem recompondo seu estoque do cereal, visando atender à demanda para a ração animal e reduzir os preços domésticos. Dessa forma, o órgão americano projeta que em 2021/22 as importações chinesas serão reduzidas a 15 milhões de toneladas, queda de 46,4% com relação a 2020/21, visto o elevado estoque final acumulado, aumento da produção interna e substituição do milho por outras fontes como trigo, sorgo e cevada. A China deve importar 103 milhões de toneladas de soja em 2021/22.


Dados divulgados pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) indicam um VPB (Valor Bruto da Produção Agropecuária) estimado em R$ 1,19 trilhão, crescimento de 15,2% em relação a 2020. As cadeias da agricultura devem faturar R$ 798,7 bilhões (+ 19,3%), com grande destaque no crescimento das receitas de soja, que devem fechar em R$ 390 bilhões (+ 33,6%), e do milho, com projeção de faturamento em R$ 160,4 bilhões (+ 32,2%). Já as cadeias da pecuária devem responder por R$ 394 bilhões (+ 7,6%), com a carne bovina se destacando pelo crescimento de 14% (R$ 206,7 bilhões).


O governo brasileiro decidiu zerar a TEC (Tarifa Externa Comum) para a importação de milho, soja e seus derivados, de países de fora do Mercosul. A medida, que tem validade até o final de 2021, visa a garantir o abastecimento interno e a competitividade de segmentos que dependem dos grãos como fonte de matéria-prima, caso do setor de proteína animal. Com isso, o Brasil pode adquirir milho dos Estados Unidos e da Ucrânia com o objetivo de reequilibrar a oferta.


Mesmo assim, com os elevados patamares do preço do milho no mercado doméstico, a indústria de produção animal brasileira tem buscado alternativas para a composição das rações, visando a ajustar os custos de produção, que vêm pressionando as margens do setor. O trigo tem surgido como um potencial substituto ao milho, levando a um aumento na intenção de plantio desse cereal no Sul do País.


Novas medidas para estimular o plantio de milho e sorgo no País para a safra 2021/22 estão sendo adotadas na esfera federal. O limite de crédito de custeio rural foi alterado de R$ 3 milhões para R$ 4 milhões por agricultor; por sua vez, no âmbito do Pronamp, o limite também foi reajustado de R$ 1,5 milhão para R$ 1,75 milhão em crédito de custeio para a produção desses cereais.


Recentemente, uma decisão do MME (Ministério de Minas e Energia) alimentou diversas discussões no setor de biocombustíveis, como a redução nas regras de mistura do biodiesel ao diesel comercial de 13% para 10%. Em nota divulgada por entidades do setor (Abiove, Aprobio e Ubrabio), as instituições repudiam a decisão, afirmando que a medida vai no sentido contrário a uma política de descarbonização para o país e que deve reduzir a oferta de farelo de soja em 4 milhões de toneladas, o que aumentaria os custos de produção das cadeias da pecuária.


O Planalto Central justificou a medida como decorrente da valorização do preço do óleo de soja e da desvalorização cambial, o que encareceu o preço do diesel ao consumidor final. Esta medida tem como consequências a falta de previsibilidade e receio em novos investimentos no setor.


No fechamento deste artigo, a soja, para entrega em cooperativa de São Paulo, estava em R$ 176/saca para maio de 2021 e R$ 159/saca para maio de 2022. Há um ano estava em R$ 85/saca. No caso do milho, atualmente está em R$ 98/saca; R$ 83/saca para entregas em agosto de 2021, e R$ 56/saca para agosto de 2022. Há um ano, o milho estava em R$ 50/saca. O algodão está em R$ 155/arroba, contra R$ 92 do ano passado. No boi, a arroba era negociada em mais de R$ 320.


Os cinco fatos do agro para acompanhar em junho são:


a) A crise hídrica que assola o Brasil e coloca em risco o abastecimento de energia elétrica, trazendo grande perdas para as safras de milho, cana, laranja, café, entre outras;
b) As importações na Ásia e outros países em carnes, grãos e demais produtos que estão saindo do Brasil com uma velocidade impressionante;
c) A tímida melhora das perspectivas econômicas e a performance consequente do mercado consumidor interno de alimentos e combustíveis. Observar as instabilidades políticas trazidas pela CPI e outros problemas;
d) O desempenho na safra dos EUA. Aparentemente, o clima está mais adequado e o plantio bem acelerado;
e) A inflação de custos na agricultura, e possíveis preços menores de venda dos produtos com valorização cambial e safras maiores no ciclo 2021/22.


(*) Marcos Fava Neves é professor titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Peto (FEA-RP) da USP.


Fonte: Campo Grande News

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