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11 jun 2021 - 09:46
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Energias renováveis aumentam oferta global de empregos

Transição energética promete criar milhões de empregos em renováveis, mas lança dúvidas sobre mercado de trabalho em óleo e gás
O reposicionamento estratégico das petroleiras, frente à transição energética para uma economia de baixo carbono, promete trazer mudanças profundas não só nos negócios, mas também para o futuro de dezenas de milhões de trabalhadores. A expectativa é que a indústria de óleo e gás comece a encolher, a partir das próximas décadas, diante do declínio esperado na demanda por petróleo e seus derivados. Por outro lado, novos empregos devem surgir, à medida que as renováveis se consolidem.
A Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês) estima que, diante da intensificação dos compromissos globais de descarbonização desde o ano passado, a agenda pós-covid-19 pode criar 5,5 milhões de empregos relacionados à transição energética, no mundo, entre 2021 e 2023. A previsão é que o mercado de trabalho no setor de renováveis cresça mais de 2,5 vezes até o fim da década, no mundo, dos 11,5 milhões de postos em 2019 para 30 milhões em 2030.
O que resta saber é se, num cenário de mais longo prazo, a geração de novos “empregos verdes” será suficiente para compensar as perdas esperadas no mercado de trabalho da indústria petrolífera.
A Irena estima que as renováveis criam até três vezes mais empregos do que os combustíveis fósseis, para cada milhão de dólares gastos. Um estudo recém-publicado pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo (Ineep), vinculado à Federação Única dos Petroleiros (FUP), alerta, contudo, que ainda há incertezas sobre a qualidade e renda para o trabalhador dessa indústria crescente - bem como qual será a participação do Brasil nas cadeias globais de valor.
O mercado brasileiro é, hoje, o segundo que mais emprega pessoas na indústria global de renováveis. Segundo a Irena, em 2019 cerca de 1,15 milhão de trabalhadores estavam empregados no setor, no Brasil, menos apenas que os 4,36 milhões da China. Enquanto no mercado brasileiro o setor que mais emprega é o de biocombustíveis, no mundo é a fonte solar.
Capitaneada pela China, a Ásia concentrará 64% do emprego na indústria de renováveis em 2050, segundo a Irena. “É um reflexo das cadeias globais de valor. A indústria, hoje, está na Ásia, não vejo muitas alterações nessa estrutura”, diz o coordenador técnico do Ineep, Rodrigo Leão.
Segundo ele, existem dúvidas sobre como a cadeia de renováveis pode potencializar a indústria no Brasil e sobre seu efeito multiplicador para a economia. “Hoje há uma tenência, principalmente no mercado de solar, de forte importação de equipamentos da China, com empregos muito focados na prestação de serviços [de instalação de painéis]. A eólica, por sua vez, já tem uma indústria local mais relevante”, afirmou.
Leão acredita que o avanço das renováveis pode trazer uma mudança no perfil do emprego no setor de energia. “Em solar, estamos falando de um emprego tipicamente de serviços, muito diferente de um petroleiro que trabalha na operação de uma plataforma ou numa refinaria. Hoje, porém, o momento é mais de incógnitas do que certezas. A transição energética se concretizará, mas não conseguimos especificar o momento e o ritmo do processo.”
A Irena estima que praticamente a metade dos empregos globais em renováveis se concentrará, em 2050, em atividades tipicamente de menor remuneração, como construção e instalação. As principais demandas serão por postos técnicos e menos qualificados, segundo o Ineep. Leão lembra que o universo da economia sustentável é heterogêneo: o mesmo setor que demanda trabalhadores com alta qualificação em pesquisa e desenvolvimento e tecnologias de eficiência energética é capaz, na cadeia dos biocombustíveis, de ofertar trabalho precário, condições insalubres e pouca sindicalização.
Guilherme Filgueiras, gerente executivo da Michael Page, empresa de recrutamento executivo de média e alta gestão, não vê grandes mudanças na remuneração dentro do mercado de renováveis, entre gestores. Segundo ele, a média observada na posição de entrada em cargos de gerência sênior e diretoria na área tem sido em linha com os segmentos tradicionais. “Pelo contrário, em alguns casos percebemos até uma diferenciação salarial, dada a procura de profissional sênior para o repocionamento de algumas empresas”, completa.
Segundo Filgueiras, a busca por executivos do setor de energia limpa cresceu 35% no Brasil em 2020 e a tendência para 2021 é de uma nova alta. Os cargos mais procutados têm sido os de gerente/diretor das áreas de projetos, desenvolvimento de projetos e organizações e métodos, com médias salariais de R$ 15 mil a R$ 25 mil.
Outra mudança possível no perfil do mercado de trabalho está na geografia dos empregos. Isso porque, enquanto a indústria de óleo e gás está muito concentrada no Sudeste, os investimentos em renováveis são mais dispersos no mapa, com presenças fortes no Nordeste, no caso das eólicas; e no Centro-Oeste, nos biocombustíveis, por exemplo. “Mas acredito que a maioria das posições de liderança continuará concentrada no Sudeste, onde estão as sedes das empresas”, ressalva Filgueiras.
O Ineep destaca que a transição se dará de forma muito diferente entre os diferentes países e empresas, porque ela não ocorre num único percurso. Hoje, no mundo, as petroleiras europeias (como BP, Shell, Equinor e Total) assumiram compromissos mais ousados de investimentos em renováveis, muito em função do interesse geopolítico europeu de reduzir a dependência energética de recursos de fora do continente, na visão de Leão. Outras companhias, como ExxonMobil, Chevron e a Petrobras, por sua vez, têm optado por um caminho baseado em iniciativas de descarbonização de suas próprias operações. “No Brasil ainda haverá uma expansão de novas plataformas de petróleo nos próximos anos”, ressalva Leão.
Ele alerta que o tema da “transição justa”, de forma a minimizar o impacto da mudança sobre a vida dos trabalhadores, ainda não entrou na pauta da indústria petrolífera global. Encomendado pela IndustriALL Global Union, federação sindical global, o estudo do Ineep destaca que, entre os efeitos esperados da transição energética, há riscos de destruição de postos de trabalho - mas também potencial para redefinição de empregos.
“Existe uma interseção entre o setor de eólica offshore e as atividades de manutenção de plataformas, por exemplo, e uma grande sinergia na transformação de refinarias em biorrefinarias”, afirma Leão. Ele, porém, relativiza que a entrada das petroleiras em renováveis tem ocorrido por meio de aquisições e parcerias com empresas de tecnologia, sem que haja, necessariamente, migração de profissionais entre as duas áreas.


Fonte: Valor

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