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25 out 2021 - 09:42
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Com desmatamento, parte da Amazônia inverte papel e vira emissora de CO2

 


Áreas da Amazônia deixam de ser locais de absorção de gases de efeito estufa e passam a ser responsáveis por emissões, transformando o papel da floresta no ecossistema global e ampliando a pressão sobre o governo brasileiro, às vésperas da Conferência do Clima, em Glasgow.

Os dados estão sendo publicados nesta segunda-feira pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), que aponta que a concentração global de gases de efeito estufa que retêm o calor na atmosfera mais uma vez atingiu um novo recorde no ano passado, com a taxa anual de aumento acima da média de 2011-2020. Essa tendência continuou em 2021.


A concentração de dióxido de carbono (CO2) atingiu 413,2 partes por milhão em 2020 e é de 149% do nível pré-industrial. O metano (CH4) é 262% e o óxido nitroso (N2O) é 123% dos níveis em 1750, quando as atividades humanas começaram a perturbar o equilíbrio natural da Terra.


Cerca da metade do CO2 emitido pelas atividades humanas de hoje permanece na atmosfera. A outra metade é absorvida pelos oceanos e ecossistemas terrestres. Mas, segundo a agência, essa capacidade de absorção está sendo afetada, com fortes implicações para atingir as metas do Acordo de Paris de 2015 e exigirão ajustes no cronograma e no tamanho dos compromissos de redução de emissões.

"As mudanças climáticas em andamento e os impactos relacionados, como as secas mais frequentes e o aumento da ocorrência e intensificação de queimadas, podem reduzir a absorção de CO2 pelos ecossistemas terrestres", diz.


Amazônia
Tais mudanças já estão acontecendo, e a agência dá um exemplo de transição da parte da Amazônia de um local de absorção de carbono para se tornar uma fonte de carbono.


O dióxido de carbono é o gás de efeito estufa mais importante na atmosfera, sendo responsável por aproximadamente 66% do efeito de aquecimento no clima, principalmente devido à combustão de combustíveis fósseis e à produção de cimento.

De acordo com a OMM, "regiões tropicais como a Amazônia desempenham um papel importante no equilíbrio global de carbono". "A Amazônia abriga a maior floresta tropical da Terra, mas como em outras regiões tropicais, possui apenas algumas das observações in situ necessárias para determinar os fluxos de carbono em larga escala", diz.

A região sudeste da floresta tem as maiores emissões de CO2 para a atmosfera, seguida pela região nordeste. Em contraste, os locais ocidentais indicam um balanço de carbono quase neutro ou de absorção.

De acordo com a agência, a coleta de dados "indica que as áreas mais afetadas pelo uso da terra e pela mudança de cobertura mostram emissões mais elevadas de carbono para a atmosfera".

"As regiões do leste da Amazônia têm fortes aumentos de temperatura na estação seca, diminuição da precipitação e grande desmatamento histórico durante os últimos 40 anos, enquanto as regiões ocidentais experimentam níveis relativamente baixos de perturbação humana e tendência climática na estação seca", destaca.


Pandemia
De acordo com a agência, a desaceleração econômica durante a pandemia da covid-19 não teve nenhum impacto discernível sobre os níveis atmosféricos de gases de efeito estufa e suas taxas de crescimento, embora tenha havido um declínio temporário nas novas emissões.

As concentrações médias globais de CO2 alcançaram uma nova alta de 413,2 ppm em 2020. O aumento de CO2 de 2019 a 2020 foi ligeiramente menor que 2018 a 2019, mas maior que a taxa média de crescimento anual na última década. Isto apesar da queda de aproximadamente 5,6% nas emissões de CO2 de combustíveis fósseis em 2020, devido às restrições da COVID-19.


"Enquanto as emissões continuarem, a temperatura global continuará a subir", alerta. "Dada a longa vida útil do CO2, o nível de temperatura já observado persistirá por várias décadas, mesmo que as emissões sejam rapidamente reduzidas a neutralidade", constata. "Além do aumento das temperaturas, isto significa mais extremos climáticos, incluindo calor intenso e chuvas, derretimento de gelo, elevação do nível do mar e acidificação dos oceanos, acompanhados de impactos socioeconômicos de longo alcance", aponta.

Segundo a agência, cerca da metade do CO2 emitido pelas atividades humanas de hoje permanece na atmosfera. A outra metade é absorvida pelos oceanos e ecossistemas terrestres.


Absorção
A agência ainda sinalizou a preocupação de que a capacidade dos ecossistemas terrestres e oceanos de agir como locais de absorção pode se tornar menos eficaz no futuro, reduzindo assim sua capacidade de captar dióxido de carbono e agir como um tampão contra um aumento maior da temperatura.

Para a organização, o documento contém uma forte mensagem científica para os negociadores da mudança climática na COP26. "Ao ritmo atual de aumento das concentrações de gases de efeito estufa, veremos um aumento de temperatura até o final deste século muito superior às metas do Acordo de Paris de 1,5 a 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais", disse o Secretário Geral da OMM, Petteri Taalas. "Estamos muito longe do caminho", alerta.

"A quantidade de CO2 na atmosfera ultrapassou o marco de 400 partes por milhão em 2015. E apenas cinco anos depois, ultrapassou 413 ppm. Isto é mais do que apenas uma fórmula química e números em um gráfico. Tem grandes repercussões negativas em nossa vida diária e bem-estar, no estado do nosso planeta e no futuro de nossos filhos e netos", disse Taalas.

"O dióxido de carbono permanece na atmosfera por séculos e no oceano por ainda mais tempo. A última vez que a Terra experimentou uma concentração comparável de CO2 foi há 3-5 milhões de anos, quando a temperatura era 2-3°C mais quente e o nível do mar era 10-20 metros mais alto do que agora. Mas não havia então 7,8 bilhões de pessoas", disse Taalas.

"Muitos países estão agora estabelecendo metas de carbono neutro e espera-se que a COP26 veja um aumento dramático nos compromissos. Precisamos transformar nosso compromisso em ações que terão um impacto dos gases que impulsionam a mudança climática", defendeu. "Precisamos revisitar nossos sistemas industriais, energéticos e de transporte e todo o nosso modo de vida". As mudanças necessárias são economicamente acessíveis e tecnicamente possíveis. Não há tempo a perder", disse.


Fonte: UOL


 

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