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03 dez 2020 - 08:00
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[CBBR 2020] O mercado de soja em 2021

Com a virada do ano se aproximando, o setor de biodiesel começa a respirar um tantinho mais aliviado. E não é só por ver um ano que foi – muito! – difícil ficando para trás, mas porque a soja da safra 2020/21 está às vésperas de começar a chegar ao mercado. As usinas andam precisando desse respiro. Apesar da boa colheita deste ano, o mercado internacional superaquecido fez com que a oferta do grão no mercado interno ficasse tão restrita que foi preciso apelar às importações.


Chamado o “O mercado de soja em 2021 e sua intrínseca relação com o biodiesel”, o quinto painel da Conferência BiodieselBR 2020 contou com representantes da Caramuru, Rabobank e da Abiove que dividiram com o público do evento suas visões sobre as perspectivas do mercado de grão para o próximo ano. Para os palestrantes, o mercado deverá continuar estressado ao longo do ano que vem.


“Este ano foi totalmente diferente para a soja”, resume o diretor da Caramuru, Cleusdimar Rodrigues da Costa, do alto de seus 22 anos de experiência no mercado deste grão lembrando que, quando a Caramuru começou a negociar a soja da safra 2019/20, os preços da saca de 60 kg giravam em torno dos R$ 70 a R$ 80. “Hoje, a soja no mercado disponível está sendo comercializada por R$ 180. São valores que a gente jamais tinha visto”, aponta.


Por ser o maior produtor de soja do mundo, o Brasil também se tornou o maior exportador do grão com embarques estimados em 92 milhões de toneladas segundo o USDA. “O Brasil tem dificuldade de manter a soja no mercado interno para o processamento”, diz Cleusdimar. É uma situação diametralmente oposta à da China que mesmo sendo o quarto maior produtor global – colhendo perto de 20 milhões de toneladas – não exporta absolutamente nada do que produz internamente que ainda absorve e ainda absorveu cerca de 98,5 milhões de toneladas este ano. “Tudo o que a China importa ela esmaga. Ela tem capacidade de esmagar mais de 120 milhões de toneladas por ano e uma força” extraordinária de direcionar o mercado de soja”, completa


Não é só no Brasil que a soja anda cara. Na Bolsa de Chicago, as cotações também andam elevadas puxadas pela “redução dos estoques de passagem” norte-americanos. Essa alta coloca ainda mais lenha da fogueira aqui no Brasil. “Qualquer movimento em Chicago acaba movimentando as cotações do Brasil. É o que está acontecendo agora”, diz.


EUA x China


De acordo com o executivo da Caramuru, a relação entre Estados Unidos e China deve continuar sendo um dos pontos pivô do mercado de soja no ano que vem. “A gente ainda não sabe o que vai acontecer, mas há sinais de que a China deve voltar a comprar soja dos EUA e isso vai afetar a Bolsa de Chicago”, diz acrescentando que isso não deverá afetar muito o volume de compras das empresas chinesas no Brasil. A demanda por soja no gigante asiático vem crescendo para sustentar a restruturação dos planteis de suínos que foram duramente afetados por um surto de peste suína africana dois anos atrás. Uma indicação nesse sentido vem do fato de já estarem acontecendo negócios antecipados para a soja da safra 2021/22.


Um complicador para o Brasil está no fato do país não ter espaço o suficiente para armazenar grãos o que cria um incentivo maior para a exportação. Os agricultores precisam se desfazer rapidamente da safra de verão para ter espaço nos silos para estocar a safra de inverno. “A soja tem que ser escoada no primeiro semestre para termos espaço para o milho no segundo semestre”, resume.


Impacto do câmbio


O economista chefe da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Furlan, lembra que o problema este ano não foi de oferta. Na temporada 2019/20, o país teve uma boa colheita de soja com 125,8 milhões de toneladas do grão que ficou acima das expectativas do mercado.


Embora as cotações na Bolsa de Chicago venham impactando os preços no mercado interno nos últimos meses, o câmbio foi o fator mais relevante sobre o mercado interno. “Houve uma depreciação muito forte do real frente ao dólar. Isso afetou vários produtos, especialmente a soja”, avalia acrescentando que apesar das exportações superaquecidas não houve necessariamente falta de soja no mercado interno. “Esmagamos bastante soja no Brasil e conseguimos produzir para o mercado interno e para exportação”, completa apontando que a demanda elevada pelo grão está sinalizando para os agricultores que há espaço para expandir a produção o que deve acabar equalizando o mercado no longo prazo.


Segundo Daniel, o mercado acabou levando uma rasteira inesperada em 2020 quando a demanda de diesel se recuperou muito mais rapidamente do que todo mundo supunha no começo da pandemia. “A demanda por diesel se manteve a despeito da variação do PIB neste ano”, diz explicando que as projeções de queda levaram as esmagadoras a exportarem uma quantidade maior de óleo de soja do que haviam planejado inicialmente e, quando a situação mudou, não houve mais como compensar o movimento inicial. “Foi uma surpresa. As expectativas eram que de tínhamos um excedente de óleo”, explica.


Estoques baixos


Não é só no Brasil que os estoques de soja andam baixos. Segundo Daniel, dados da consultoria Oilworld indicam que a relação entre o volume estocado do grão e a demanda vem piorando ao longo das últimas três temporadas agrícolas. “Temos essa questão de queda dos estoques no mundo inteiro”, relatou. “A produção está acompanhando o crescimento da demanda, mas os estoques tanto no Brasil quanto no exterior vão ficar apertados”.


A expectativa da Abiove para 2021 é bastante positiva com o Brasil batendo recordes simultâneos de colheita, processamento – com uma recuperação importante na demanda de farelo – e exportação. Apesar desse contexto, a entidade que representa as maiores empresas do setor de esmagamento declara preocupação depois que o governo federal decidiu liberar a importação de matérias-primas pela indústria de biodiesel. “Estamos preocupados com o impacto [que essa medida terá] na produção brasileira. Ela coloca em risco o ciclo virtuoso entre as cadeias da soja e do biodiesel”, comenta relatando que a demanda das usinas por óleo ajudou a garantir a estabilidade do mercado.


O último a falar foi Victor Ikeda, com o analista sênior do Rabobank, banco holandês especializado em agronegócios. Segundo ele, apesar da pandemia, o mercado de soja vem se comportando mais ou menos em linha com as projeções que o banco havia traçado no final do ano passado. “Tivemos um cenário bem altista com a soja chegando a US$ 11,5 em Chicago (...) porque tivemos alguns fatores mais intensos do que o esperado”, diz lembrando que os Estados Unidos colheram 113 milhões de toneladas de soja este ano contra projeções iniciais de 120 milhões de toneladas.


No ano que vem, os Estados Unidos devem voltar ao mercado chinês com mais vigor. Depois de dois anos de exportações baixas – em função da guerra comercial –, a expectativa é que as relações entre os dois países se normalizem fazendo com que os embarques de soja norte-americana rumo aos portos chineses cheguem a 32 milhões de toneladas. “Pode ser ainda maior por causa do atraso na safra brasileira”, avalia Victor.


As importações chinesas do grão devem ser particularmente robustas no ano que vem superando, pela primeira vez, a marca de 100 milhões de toneladas. “Teve um esforço muito importante da china para recuperar o rebanho suíno e isso está levando a um aumento no esmagamento de soja”, diz. Além disso, segundo Victor, a pandemia fez com que Pequim mudasse sua estratégia para importantes. Se antes as importações eram ajustadas à demanda, agora o país está investindo um pouco a mais para formar estoques. “A China passou por um momento de desabastecimento em função do lockdown. Teve uma mudança de mentalidade”, ressalta.


É essa confluência de menor produção nos EUA e mais demanda chinesa que vem puxando para baixo os estoques com impactos sobre os preços globais que, no Brasil, foram potencializados ainda pelo câmbio.


Forte


O Rabobank está otimista em relação safra que acaba de ser plantada, apesar do atraso no plantio a maior parte das projeções apontam para uma colheita superior a 130 milhões de toneladas. Mesmo com a La Niña ameaçando uma estiagem em diversas regiões produtores, a diversidade de áreas produtoras de soja no Brasil deve ajudar a diluir os riscos de quebra. “O Brasil é diverso geograficamente. Mesmo que uma área performe mal, ela pode ser compensada por outras”, avalia.


Além da boa produção, o mercado continua favorável com a comercialização antecipada na faixa de 65% da produção estimada. “É um nível bem acima da média dos últimos cinco anos, diz”


Três cenários


Nesse contexto, a equipe do Rabobank montou três cenários para ao periodo de 2021 e 2022. Nos três a soja se sustenta em preços bastante elevados.


No primeiro deles, os Estados Unidos não conseguiram expandir a área plantada com soja no próximo ano. “Nesse caso teremos manutenção da demanda com estoques baixos (...) esperamos que caminhe para US$ 12 a US$ 12,5 por bushel”.


No segundo, além da dificuldade em expandir a área dos EUA acontece uma quebra mais grave na soja da América do Sul. “Nesse caso, os preços podem chegar a US$ 14”, comenta.


No último deles, Brasil e Argentina colhem safras cheias enquanto a China decide reduzir o uso de farelo de soja nas rações e produção muito elevada no Brasil e Argentina. “Aí pode ter a soja a US$ 10,25 bushel. O que já seria um preço melhor do que nos últimos 2 anos”, avalia.


Fonte: BiodieselBR

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