Reduzir o aquecimento global requer esforço sem precedentes, diz ONU

Enquanto o Brasil começava a conhecer alguns de seus novos governantes na noite deste domingo, 7 de outubro, na Coreia do Sul, uma reunião com cientistas e autoridades de diversos países ligadas à ONU divulgou notícias que dizem respeito a todos os brasileiros, e demais habitantes do planeta, embora poucos se deem conta.

O Acordo de Paris, assinado em 2015 na Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, traçou os objetivos a serem atingidos pelas nações para evitar que o aquecimento global chegue ao final do século abaixo dos 2°C, com uma meta ideal de 1,5°C.

Em seguida, encomendou ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) um estudo que colocasse em números o desafio de atingir a meta, e as possíveis consequências de não fazê-lo. São milhares de cientistas trabalhando de forma colaborativa, analisando os mesmos conjuntos de dados e estudos, para chegar a um consenso. Um trabalho de anos para chegar aos resultados divulgados na manhã coreana, e eles não são muito animadores.

“Uma das principais mensagens que saem deste relatório é que já estamos vendo as consequências de 1°C de aquecimento global através de condições climáticas mais extremas, aumento do nível do mar e diminuição do gelo do Ártico, entre outras mudanças”, disse Panmao Zhai, co-presidente do Grupo de Trabalho do IPCC I.

Vamos começar pelas boas notícias: é possível atingir a meta. Se começarmos a reduzir drasticamente a emissão de dióxido de carbono, o CO2, até zerar por volta de 2050, e de outros gases, como metano, talvez consigamos impedir que a temperatura global ultrapasse 1,5°C. Mas quando reduzir drasticamente não é força de expressão. Com 45% do corte já até 2030.

O problema é que estamos muito aquém do necessário. Se as emissões continuarem do jeito que estão, chegaremos a 1,5°C em 2040. Mesmo se atingidos os objetivos das nações individualmente com o Acordo de Paris, que no caso do Brasil é de reduzir 37% das emissões de carbono até 2025 e “possível” redução de 43% até 2030, chegamos ao ano 2100 acima dos 3°C.

Com o aquecimento limitado em 1,5°C, o impacto será principalmente sentido pelas populações mais pobres. A agricultura perde produtividade, acarretando aumento dos preços dos alimentos, insegurança alimentar e fome. Fortes ondas de calor e inundações costeiras podem obrigar deslocamentos de populações. Mais de 100 milhões de pessoas podem entrar para a pobreza. O número de pessoas subnutridas no mundo poderia ser de 25 milhões a menos até o final do século do que sob o aquecimento de 2°C.

“Todo aquecimento importa, especialmente a partir de 1,5°C. Aumenta o risco associado a mudanças duradouras ou irreversíveis, como a perda de alguns ecossistemas”, disse Hans-Otto Pörtner, copresidente do IPCC – grupo de trabalho II.

Problemas graves, mas que são possíveis de contornar. Basta que a humanidade queira. Mas, se chegar a 2°C, aí não vai ter muito o se que fazer. Países que são compostos por pequenas ilhas, como Tuvalu e Kiribati, vão desaparecer. A maioria das ondas de calor vai provocar sérios impactos à sociedade, com mortes, incêndios florestais e perdas de produção. Em países tropicais, como o Brasil, ondas de calor vão ocupar pelo menos metade do verão.

Poluição

Limitar a elevação da temperatura a 1,5°C, em comparação com os 2°C, pode prevenir cerca de 153 milhões de mortes prematuras por poluição do ar em todo o mundo até 2100 – cerca de 40% das mortes nos próximos 40 anos. Esse é um benefício tão grande que, em termos econômicos, pode até ser maior do que o custo total de reduzir as emissões de carbono na maioria dos principais países emissores.

À medida que as temperaturas sobem, as áreas protegidas começam a desaparecer. Em 2°C, 25% das 80.000 espécies de plantas e animais nas áreas mais ricas do mundo, como a Amazônia e Galápagos, podem enfrentar a extinção local até o final do século. Temperaturas de aquecimento podem afetar o comportamento de insetos e animais, causando um efeito cascata que afeta ecossistemas inteiros.

Sendo isso só uma pequena parte de uma longa lista de consequências que não deixam ninguém ileso. É preciso mudar, e agora, recomenda o IPCC. “Limitar o aquecimento a 1,5°C é possível dentro das leis da química e da física, mas isso exige mudanças sem precedentes”, disse Jim Skea, copresidente do IPCC – grupo de trabalho III.

Para começar, o uso de combustível fóssil deve cair rapidamente. Principalmente o carvão, que deve ser quase totalmente eliminado por volta de 2040. O uso de petróleo também precisa cair ao longo do século.

Alcançar o 1,5 °C será muito mais fácil, mais barato e menos prejudicial se os governos tomarem medidas imediatas para mudar para energia limpa. O investimento contínuo em usinas de combustível fóssil significaria que futuros cortes teriam que ser mais drásticos. Se a energia eólica e solar continuar crescendo entre 25% e 30% por ano até 2030, então pode começar a crescer mais devagar, de 4% a 5%. Assim, o setor de energia elétrica estaria completamente descarbonizado na metade do século.

A indústria, diretamente responsável por 21% das emissões globais, deve encontrar meios de cortar suas emissões até 2050, e o transporte tem de passar a ser elétrico. Se cerca de 70% dos veículos forem elétricos até 2050, as emissões globais anuais de dióxido de carbono cairiam para o equivalente a cerca de 8% das emissões totais atuais. Mas isso não basta. É preciso planejamento urbano, de modo que diversas formas de transporte, como caminhada, bicicleta, trem, bonde, ônibus, se integrem para atender de forma fácil o cidadão, além de políticas públicas que desestimulem o uso do carro.

No prato
Nossa comida também precisa mudar. O que as pessoas comem é um fator importante que determina o estado da floresta e dos solos. A produção de carne, frutos do mar, ovos e laticínios é responsável por quase 60% das emissões relacionadas aos alimentos, apesar de contribuir com apenas 37% de proteína e 18% de calorias.

Quanto mais carne, peixe, laticínios e ovos as pessoas comem, mais difícil será limitar o aquecimento a 1,5°C. Mudar o hábito de comer mais de 100 gramas de carne por dia para comer menos de 50 gramas pode reduzir as emissões da comida de uma pessoa em 35%. Mudar para uma dieta vegetariana poderia reduzir as emissões em 47%, e mudar para uma dieta vegana poderia reduzir as emissões em 60%.

Florestas
Proteger os ecossistemas e prevenir a destruição de florestas são formas importantes de reduzir as emissões de carbono. O desmatamento deve ser zerado. Como as árvores e plantas absorvem CO2, o plantio florestal em grande escala e a restauração de ecossistemas danificados, como pântanos e mangues, também são métodos potencialmente significativos de remover carbono da atmosfera e também trazem muitos benefícios, incluindo filtração melhorada de água, proteção contra inundações, saúde do solo e habitat da biodiversidade.

Atualmente o solo libera mais gases de efeito estufa do que absorve, sendo responsável por cerca de 24% das emissões. Alguns cientistas sugeriram que esse processo, chamado de “Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono” (BECCS), poderia ser uma forma relativamente barata de remover o carbono da atmosfera. Mas a tecnologia ainda está em fase de testes e o uso da BECCS em larga escala pode ter sérias conseqüências para o uso da terra e da água doce, a biodiversidade e o funcionamento dos sistemas naturais.

Passando por diversos aspectos das nossas vidas, o relatório IPCC tem o objetivo de servir de base para que governantes e idealizadores de políticas públicas pelo planeta construam uma sociedade que vá de encontro a uma economia de carbono neutro. Uma medida urgente e inadiável, embora pensar nisso seja difícil na noite em que o candidato à Presidência da República mais votado do primeiro turno das eleições, com mais de 49 milhões de votos, Jair Bolsonaro (PSL), declara abertamente sua intenção de acabar com o Ministério do Meio Ambiente, fazendo uma fusão com o Ministério da Agricultura.

A cobertura especial de GALILEU no relatório do clima conta com o apoio institucional de ClimaInfo.

Fonte: Revista Galileu

Candidatura do Brasil a Sede da COP-25

A presidência de turno do Grupo de Países Latino-americanos e Caribenhos (GRULAC), ocupada por Barbados, comunicou hoje ao Secretariado da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima a candidatura do Brasil a sede da 25ª Sessão da Conferência das Partes da UNFCCC – COP-25, a ser realizada de 11 a 22 de novembro de 2019.

Em função da praxe de rotação regional das sedes das COPs, cabe a país da América Latina e do Caribe sediar a COP-25. Com o endosso regional, a candidatura brasileira deverá agora ser submetida à aprovação da Conferência das Partes da UNFCCC, em sua 24ª Sessão, que terá lugar em Katowice, Polônia, entre 2 e 14 de dezembro de 2018.

A Conferência das Partes é o órgão máximo da Convenção e está atualmente empenhada em concluir a regulamentação do Acordo de Paris, de modo a permitir aos países signatários sua plena implementação a partir de 2020.

A realização da COP-25 no Brasil confirma o papel de liderança mundial do país em temas de desenvolvimento sustentável, em especial no que se refere à mudança do clima, e reflete o consenso da sociedade brasileira sobre a importância e a urgência de ações que contribuam no combate à mudança do clima.

Fonte: Ministério das Relações Exteriores

Especialistas em clima e inovação tecnológica vencem Nobel de Economia

William Nordhaus e Paul Romer adotam questões atuais na análise macroeconômica

O prêmio Nobel de Economia de 2018 foi concedido aos economistas norte-americanos William Nordhaus, 77, e Paul Romer, 62, por pesquisas que contribuíram para a compreensão dos fatores que garantem o crescimento sustentável no longo prazo.

Nordhaus, da Universidade Yale, foi citado por seu estudo pioneiro sobre os efeitos econômicos do aquecimento global, enquanto Romer, da NYU Stern School of Business, foi reconhecido por investigar como a inovação tecnológica requer condições específicas para surgir e prosperar.

“Os laureados ampliaram o escopo da análise econômica ao construir modelos que explicam como a economia de mercado interage com a natureza e o clima”, afirmou a Academia Real Sueca de Ciências, no comunicado divulgado nesta manhã, em Estocolmo.

A tecnologia e o meio ambiente são, hoje, considerados temas essenciais para a compreensão do desenvolvimento econômico. Ao analisar as causas e as consequências da inovação e das mudanças climáticas, os dois economistas melhoraram a compreensão sobre políticas que podem contribuir para o crescimento sustentável.

Nordhaus é, por exemplo, um dos principais defensores da cobrança de um imposto sobre as emissões de carbono com o propósito de diminui-las. O modelo desenvolvido pelo pesquisador de Yale integrou resultados de diferentes áreas –como física e química– para compreender a evolução conjunta entre a economia e o clima.

Entre as produções bibliográficas de Nordhaus, consta a conhecida obra “Economics”, escrita com Paul Anthony. Editado desde 1948, o livro tornou-se um clássico que contribuiu e ainda contribui para o ensino da economia nos Estados Unidos e em todo o mundo.

Já Romer foi o primeiro a inverter uma linha clássica de investigação acadêmica. Pesquisadores em macroeconomia costumavam analisar o impacto da evolução tecnológica sobre o crescimento.

O economista da NYU resolveu, então, focar no contrário, ou seja, em como o ambiente econômico determina as condições para a criação de novas tecnologias, contribuindo para o estudo de regulações que incentivam a inovação.

No ano passado, o prêmio foi atribuído ao americano Richard Thaler por seus estudos sobre a influência de certas características humanas, como a racionalidade limitada, as preferências sociais e a falta de autocontrole, nos comportamentos dos consumidores ou investidores.

O Nobel da Economia celebra este ano o 50º aniversário. Criado em 1968 por ocasião do aniversário de 300 anos do Banco da Suécia é o prêmio mais importante para um pesquisador na área de ciências econômicas.

Oportunidades e desafios para desenvolvimento de bioprodutos a partir de biomassa é tema de debate durante evento em Brasília

A obtenção e o desenvolvimento de bioprodutos a partir da biomassa no conceito de biorrefinaria é a temática da segunda mesa redonda do V EnPI, que acontece na próxima terça-feira (09/10) das 15h40 as 17h30, no auditório da Confederação Nacional da Agricultura – CNA. Esta mesa redonda, coordenada pelo pesquisador da Embrapa Agroenergia, Dr Félix Siqueira, conta como palestrantes Roberto Yokoyama, Rogério Balieiro e Bruno Laviola.

O primeiro palestrante é Roberto Yoshitami Yokoyama, Presidente da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma) e da Câmara Setorial de Palma de Óleo (Belém – PA). É graduado em agronomia pela Universidade de São Paulo (1977), e atualmente é Diretor Presidente da Dendê do Pará S.A. e Diretor de Meio Ambiente da Guaporé Pecuária S/A. O tema de sua palestra é “Usos do Óleo de Palma e Coprodutos”. Sua apresentação, conta Yokoyama, vai focar nas “possibilidades de usos da torta de amêndoas, fibras, cachos vazios, efluente líquido da extração do óleo, casca de nozes e a borra”.

O segundo palestrante Rogério Balieiro, engenheiro químico formado pela Universidade Federal de Uberlândia e diretor de novos negócios da Caramuru Alimentos S.A. Em sua palestra Balieiro irá tratar do aproveitamento integral da soja e do milho.

Por fim, a palestra é do pesquisador Bruno Galveas Laviola, que desenvolve pesquisas as áreas de Melhoramento e Produção de biomassas para fins Energéticos e atua como membro da Rede Brasileira de Tecnologia do Biodiesel (RBTB/MCTIC) e da Câmara Setorial de Oleaginosas e Biodiesel (CSOB/MAPA). O pesquisador apresentará em sua palestra “Sistemas de Inteligência e Gestão Territorial de Biomassa”.

A quinta edição do Encontro de Pesquisa e Inovação da Embrapa Agroenergia tem em sua programação além de quatro mesas redondas na temática de Biomassa para a Bioeconomia, a apresentação e premiação de trabalhos de pesquisa desenvolvidos pela Embrapa Agroenegria e parceiros. O evento, acontece de 09 a 10 de outubro no auditório da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) em Brasília.

Veja a programação completa e faça sua inscrição no site www.embrapa.br/enpi2018. O evento, realizado pela Embrapa Agroenergia, tem apoio da CNA, Ceres, Denpasa, Ubrabio e o patrocínio da ABDI, da Gol Linhas Aéreas/Curcas, do Sinpaf e da FS Bioenergia.

Serviço:

Dias: 9 e 10 de outubro

Local: Sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

Endereço: Setor de Grandes Áreas Norte 601 Modulo K – Asa Norte, Brasília

Horário: Terça-feira (8h15 – 17h30)

Quarta-feira (8h30 – 16h50)

Fonte: SEGS

Embrapa leva para o ESALQSHOW tecnologias de três unidades de SP

Tecnologias de diversas linhas de pesquisa, entre elas sustentabilidade do meio ambiente, tecnologias da informação e comunicação (TICs), nanotecnologia e agricultura de precisão, desenvolvidas por três unidades da Embrapa localizadas no estado de São Paulo serão apresentadas na 2ª. edição do ESALQSHOW. O Fórum de Inovação para o Agronegócio Sustentável ocorre entre 9 e 11 de outubro, na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP), em Piracicaba (SP).

Além de soluções tecnológicas, a Embrapa participará de debates no evento, que reúne entidades de ensino e pesquisa, estudantes, lideranças do setor do agronegócio, executivos de empresas, investidores e aceleradoras, que possam apoiar o desenvolvimento de startups no setor agropecuário. O fórum tem a proposta inovadora de conectar a academia com o setor produtivo.

O diretor-executivo de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Cleber Oliveira Soares, integra o “Encontro de Lideranças em Agricultura”, que vai discutir o tema central do ESALQSHOW “O futuro da agricultura tropical para a sociedade”. O debate será no dia 9, às 14 horas, no Salão Nobre, Edifício Central.

Tecnologias visam à sustentabilidade do meio ambiente

Uma tecnologia inovadora que será demonstrada pela Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) é a RenovaCalc – ferramenta base para a determinação da Intensidade de Carbono de Biocombustíveis utilizando a metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) para a contabilidade da intensidade de carbono de biocombustíveis, com ênfase na categoria de impacto de Mudanças Climáticas, aplicável ao etanol, biodiesel, bioquerosene e biometano.

A calculadora mensura as emissões de Gases de Efeito Estufa do ciclo de vida dos biocombustíveis, gerando um índice de desempenho em g CO2eq/MJ de biocombustível. Logo, aqueles que apresentarem processos produtivos com menos emissão de carbono terão acesso a maior volume de créditos de descarbonização, os CBIOs. A ACV tem sido utilizada por organizações para avaliarem a performance de seus produtos e o atendimento à atual demanda do mercado em termos de sustentabilidade, orientando os gestores nas tomadas de decisão.

Desenvolvido pela Embrapa Meio Ambiente, com o apoio da Rede ILPF, do Instituto de Pesquisas Eldorado e da Plataforma Multi-institucional de Monitoramento das Reduções de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Plataforma ABC), o aplicativo AgroTag foi projetado para a coleta de dados e informações das propriedades que, uma vez processadas na base de operações, retornam aos diversos atores da cadeia produtiva ou interessados em agricultura de baixo carbono em forma de informações estratégicas diretamente nos celulares ou tablets. Foi concebido inicialmente para apoiar a Rede ILPF no monitoramento da adoção e da qualificação de sistemas Integração – Lavoura – Pecuária – Floresta (ILPF) no País, e, a partir de então, servir como uma ferramenta de apoio ao monitoramento da adoção da Agricultura de Baixa Emissão de Carbono.

A Embrapa desenvolveu métodos para auxiliar a avaliação de impactos em várias dimensões da sustentabilidade relacionadas ao trabalho no ambiente rural. Dois deles, o Ambitec-Agro e o APOIA-NovoRural também serão apresentados no ESALQSHOW. Estes métodos compreendem procedimentos para a previsão, a análise e a mitigação dos efeitos ambientais de projetos, planos e políticas de desenvolvimento que impliquem em alteração da qualidade ambiental.

O Ambitec-Agro consiste de um conjunto de matrizes multi-critério que integram indicadores do desempenho de inovações tecnológicas e práticas de manejo adotadas na realização de atividades rurais em determinado empreendimento. Os dados obtidos no campo e junto ao administrador do empreendimento são aplicados em matrizes de ponderação, nas quais são automaticamente transformados em índices de impacto e representados graficamente.

Os resultados permitem averiguar quais práticas de manejo produzem maior impacto no desempenho das atividades testadas. O objetivo do sistema é prover uma avaliação simples e de baixo custo dos impactos socioambientais de inovações tecnológicas e atividades rurais, introduzidas em determinado sistema de produção.

Já o Sistema de Avaliação Ponderada de Impacto Ambiental de Atividades do Novo Rural (APOIA-NovoRural) tem como foco avaliar o desempenho socioambiental de estabelecimentos rurais de acordo com determinados padrões de qualidade. Ele permite uma avaliação objetiva de qualidade ambiental e sustentabilidade das práticas de manejo em estabelecimentos rurais.

O sistema compõe-se de um conjunto 62 indicadores, obtidos em levantamentos de campo realizados com instrumentação analítica e dados gerenciais registrados por meio de diálogos com o produtor rural ou responsável pelo estabelecimento. Estão organizados em abordagem multi atributo, agrupados em cinco dimensões de sustentabilidade:  Ecologia da paisagem, Qualidade Ambiental, Valores Econômicos, Valores socioculturais e Gestão e Administração. Os indicadores são verificados com instrumental analítico e dados técnicos dos estabelecimentos rurais, para compor relatórios de gestão ambiental.

Cooperação resulta em tecnologias pioneiras

Alinhada com a concepção do evento, a Embrapa Instrumentação (São Carlos, SP) abre espaço para empresas vinculadas a seus projetos, como a startup Agrorobótica, cuja cooperação resultou no AGLIBS para análise de solos, e a Produquímica, com o fertilizante MicroActive.

Agritechs com pesquisas em desenvolvimento na área de nanotecnologia, pós-colheita e agricultura de precisão, além de outras empresas do setor produtivo vinculadas ao Centro de Pesquisa também estarão presentes no estande da Embrapa, no Espaço Inovar Esalq & Cia, que traz como tema central o “Futuro da agricultura tropical para a sociedade”.

O AGLIBS é um equipamento com tecnologia de última geração para a análise de solos de forma rápida, limpa e economicamente acessível ao produtor rural. Usa laser e inteligência artificial para a análise de solos em larga escala, não gera resíduos químicos e é capaz de analisar 1.500 amostra por dia, fornecendo dados de quantidade de carbono orgânico do solo, textura (teores de areia, silte e argila), além de pH. A tecnologia está sendo empregada de forma pioneira no Brasil e permite a avaliação em tempo real, em laboratório, enquanto que as análises convencionais demoram alguns dias para fornecer os resultados.

O MicroActive é um exemplo bem-sucedido de inovação aberta que envolveu a empresa do setor produtivo Produímica/Compass Minerals. A parceria resultou numa película formada por micronutrientes em grande concentração, que recobre de forma homogênea grânulos dos macronutrientes nitrogênio, fósforo e potássio, conhecidos pela sigla NPK. Com isso, o agricultor terá um produto completo para aplicar na lavoura com nutrientes balanceados e potencial de aumentar a produtividade e reduzir aplicações de fertilizantes.

Desenvolvido no âmbito da Rede de Nanotecnologia para o Agronegócio, o MicroActive tem a função de recobrir a superfície do grão, que vai ser usado para levar o outro fertilizante. Entre as vantagens da tecnologia estão a redução no número de aplicações de fertilizantes, impactando diretamente nos custos da produção agrícola, além de ter o potencial de fornecer as condições ideais de nutrição para as plantas; a formulação pode aumentar a produtividade, porque o fornecimento de macro e micronutrientes de modo simultâneo permite às plantas produzirem próximo ao seu potencial genético.

As duas tecnologias – AGLIBS e MicroActive – lançadas recentemente, já estão disponíveis no mercado, em formatos diferenciados, conforme a linha mercadológica de cada empresa.

Tecnologias da informação e comunicação (TIC) aplicadas à agropecuária

A Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP) vai levar ao ESALQSHOW 2018 soluções em tecnologia da informação e comunicação (TIC) aplicada à agropecuária. Também serão divulgadas iniciativas voltadas ao fomento à inovação, como o ambiente SitIoT, junção da palavra sítio e da sigla IoT (internet das coisas), dedicado a empresas e startups parceiras interessadas em testar em campo suas tecnologias, sejam sensores, equipamentos e software.

Serão demonstradas tecnologias como o aplicativo móvel Roda da Reprodução, desenvolvido para facilitar a gestão do rebanho leiteiro que acaba de ganhar uma nova versão. Por meio do aplicativo o produtor tem acesso a vários recursos que permitem acompanhar o ciclo de reprodução dos animais, desde o momento da cobertura ou inseminação artificial da novilha até o parto, e ajudam a planejar melhor o manejo do rebanho. A nova versão do aplicativo, lançada no último dia 4, conta ainda com uma nova ferramenta (Roda do Crescimento) que possibilita ao produtor gerenciar os animais de recria, indicando se as bezerras e as novilhas estão abaixo ou acima do peso ideal desde o dia do nascimento até chegar à fase reprodutiva.

O sistema WebAmbiente e as plataformas online SATVeg e WebAgritec também serão apresentados no evento. O WebAmbiente foi criado para auxiliar na tomada de decisão no processo de adequação ambiental da paisagem rural. Ele oferece estratégias para recomposição da vegetação nas propriedades rurais e contempla o maior banco de dados produzido no Brasil sobre espécies nativas, englobando todos os biomas brasileiros.

Outra tecnologia é o SATVeg (Sistema de Análise Temporal da Vegetação) que permite a observação de séries temporais de índices de vegetação por meio de imagens de satélite, oferecendo apoio a atividades de monitoramento agrícola e ambiental em todo o território brasileiro. A partir dele é possível observar a frequência com que as áreas agrícolas do País sofrem alterações e acompanhar o ciclo de uma cultura agrícola e sua intensificação.

Já o Webagritec é voltado principalmente para apoiar extensionistas e agentes de desenvolvimento rural no trabalho de orientação técnica junto aos agricultores. A ferramenta engloba as culturas de soja, milho, arroz, feijão e trigo e conta com oito módulos com informações para o planejamento e condução dos cultivos. Traz, por exemplo, informações sobre o zoneamento agrícola, cultivares mais adequadas, recomendações de adubação, previsão do tempo, monitoramento da produtividade e diagnóstico de doenças. A tecnologia já vem sendo utilizada pelas empresas de assistência técnica e extensão rural dos estados de Goiás e Minas Gerais.

Palestras

Os pesquisadores Lineu Neiva Rodrigues da Embrapa Cerrados (Planaltina, DF) e Eduardo Assad da Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP) participarão como palestrantes no Agtech Valley Summit, respectivamente, nos dias 10 e 11 de outubro pela manhã. Rodrigues falará no painel temático “Gestão de Sistemas Integrados em Agricultura” sobre o Uso de Água em Agricultura: situação atual e perspectivas e Assad participará do painel “Agricultura Tropical e a Sociedade do Futuro” no assunto Cenários de Mudanças Climáticas e o Futuro da Agricultura.

ESALQSHOW

Com os objetivos de propor, revelar e debater tendências de inovação e tecnologia do setor agropecuário, além de promover o empreendedorismo por meio de parcerias, buscando intensificar colaborações entre a universidade e a sociedade, o evento pretende melhorar a integração entre a universidade e os demais setores do agronegócio, além de dar maior visibilidade às iniciativas acadêmicas para o mercado nacional e internacional, gerando novas oportunidades.

É um fórum dedicado a estimular inovações e empreendedorismo na agricultura, frente a produtos, serviços, últimas tendências do mercado, futuros desafios e novas ideias. Os eventos são realizados pela Esalq/USP e contam com a colaboração e presença de profissionais de diferentes setores, de acadêmicos e pesquisadores consagrados, líderes de empresas renomadas e de startups, e estudantes, vindos de diferentes partes do Brasil e do exterior.

Compondo o fórum haverá quatro eventos simultâneos: o Encontro de Lideranças na Agricultura, com o tema “Futuro da Agricultura Tropical Para a Sociedade”; o Agtech Valley Summit (palestras, debates e mesas-redondas); Espaço Inovar Esalq & Cia (espaço dinâmico para discutir problemas, soluções e tendências, estimulando o networking e promovendo novas ideias, tecnologias, produtos e serviços) e a Vitrine Esalq (exposição e demonstração de projetos e serviços).

Em 2017, quando ocorreu pela primeira vez, o evento teve um público estimado em 3 mil pessoas, com 67 expositores, 55 palestrantes e 51 projetos apresentados em 14 vitrines.

Fonte: Grupo Cultivar

Medidas no trânsito para melhorar o ar são barradas nas esferas legais

Atualmente, a capital entrega aos paulistanos altos níveis de poluição atmosférica, com taxas 80% maiores que o recomendado pela OMS

A frota de 8,8 milhões de veículos registrados em São Paulo causa transtornos não só na forma de recordes de engarrafamento. A capital entrega aos paulistanos altos níveis de poluição atmosférica, com taxas 80% maiores que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para entender a gravidade da questão: estima-se que duas horas passadas no trânsito correspondam a fumar um cigarro. Nesse cenário, é sentida a falta do programa de inspeção veicular que ficou em vigência na metrópole entre 2008 e 2014. Se estivesse funcionando a plenos pulmões, a medida seria responsável por retirar da atmosfera poluição equivalente a 440 000 veículos circulando diariamente, 5% do total.

“Era um projeto que deveria ter sido expandido. Além de diminuir a emissão de poluentes, trazia dados dos carros que circulavam na capital”, explica o professor Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP. Segundo pesquisas da época, a cada 1 real investido em inspeção veicular outros 10 reais eram economizados em internações e mortes por complicações de saúde causadas pelo ar impuro.

Apesar de defendido por especialistas e bem-intencionado em sua origem, o projeto paulistano de inspeção foi encoberto por uma névoa de problemas técnicos e legais durante toda a sua vigência. Contribuíram para a má recepção pelos paulistanos, por exemplo, a taxa de cerca de 50 reais cobrada dos condutores e as sucessivas falhas no sistema da empresa Controlar, responsável pelo serviço.

O pior caso, no entanto, foi a investigação de fraude contra o ex-prefeito Gilberto Kassab, acusado de alterar o contrato de concessão do serviço. O inquérito contra o político foi arquivado pelo Supremo Tribunal Federal em 2017. Polêmica, a inspeção é um tema recorrente em discussões no plenário. Só na Assembleia Legislativa houve uma dezena de projetos de lei envolvendo o assunto nos últimos vinte anos. Nenhum deles, vale dizer, está em via de ser votado.

Inicialmente defensor da medida, o ex-prefeito João Doria afastou de vez o retorno da inspeção na cidade, mas deu sinal verde a uma lei ambiental que também pode trazer ganhos no âmbito da saúde e bem-estar do paulistano. De acordo com a norma, aprovada em janeiro, a frota de 14 400 ônibus que circula diariamente na capital deve diminuir em 50% as emissões de dióxido de carbono na atmosfera em dez anos. Nas próximas duas décadas, o impacto desse poluente no ar que respiramos deve ser zerado. A decisão ainda regula a emissão de material particulado (MP) no ar em até 90% em dez anos.

“É uma meta ambiciosa, mas totalmente factível”, diz o vereador Gilberto Natalini (PV), um dos idealizadores do projeto. O chamado MP figura como o grande vilão para a saúde dos paulistanos, podendo acarretar doenças do coração, câncer e outras complicações. “Ele atravessa a corrente sanguínea e entra no organismo, provocando uma série de alterações no sistema imunológico”, explica Evangelina Vormittag, do Instituto Saúde e Sustentabilidade.

Segundo pesquisas do instituto, com a substituição do diesel do transporte público, cerca de 12 200 vidas poderão ser poupadas nos próximos trinta anos. A efetivação dessa lei só deverá ocorrer quando o Tribunal de Contas do Município (TCM) der um parecer favorável à licitação bilionária de transporte público da cidade, que desde 2013 se arrasta sem decisão definitiva.

Em meados de setembro, a gestão de Bruno Covas enviou ao TCM a mais recente correção de dezenas de irregularidades e improbidades apontadas pelo órgão. Ainda não há prazo para a definição do caso. Se entrar em vigor, tal legislação será o primeiro esforço de fôlego da prefeitura nessa área desde 2011. Hoje, 0,06% da frota é movida só por combustível biodegradável. Na maioria dela, a proporção de biodiesel misturado ao diesel comum não passa dos 10%.

Em 2017, Doria anunciou que colocaria sessenta ônibus elétricos para rodar pela metrópole em um prazo de seis meses. Um ano depois, há apenas um veículo do tipo, movido a energia solar e em esquema de teste. Também não há prazo para a empreitada sair do papel. “Não é apenas um poluente que mata, e sim uma sucessão de fatores combinados”, explica o professor Paulo Afonso André, do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da USP.

Drama evitável

Os benefícios que a cidade teria até 2050 caso a frota de 14 400 ônibus trocasse o diesel por combustíveis alternativos e limpos

44,5 milhões de reais de economia em gastos públicos na área de saúde

13 100 internações a menos relacionadas à má qualidade do ar

12 200 mortes por doenças decorrentes da poluição seriam evitadas

Fonte: VejaSP

Terra vai esquentar 4 graus até o fim do século, diz relatório dos EUA

Nível é o dobro do considerado seguro por cientistas, e pode ter consequências gravíssimas; documento usa esse cenário para afirmar que não adianta reduzir a poluição dos carros

Se as notícias sobre aquecimento global já deixavam você preocupado com o futuro, aí vai mais uma: de acordo com um relatório elaborado pela Administração Nacional de Segurança Rodoviária (NHTSA, na sigla em inglês) – uma agência ligada ao Departamento de Transportes dos EUA – a temperatura da Terra vai subir 4 graus Celsius até 2100.

O número é preocupante: o Acordo de Paris, tratado climático elaborado pela ONU e assinado por 175 países, estabelece como limite um aumento de 2 graus. Esse seria o máximo de aquecimento que o planeta aguentaria antes de começar a sofrer consequências graves, como derretimento das calotas polares, forte elevação do nível do mar e inundação de grandes áreas costeiras.

O relatório, de mais de 500 páginas, não apresenta possíveis soluções para o problema. Na verdade, ele faz o oposto. Segundo o jornal Washington Post, que teve acesso ao documento, a NHTSA afirma que não há mais nada a ser feito.

Fonte: Super Interessante

Demanda do biodiesel levou ao esmagamento de 1,73 mi toneladas de soja em agosto

As usinas de biodiesel estão demandando óleo de soja como nunca e, consequentemente, vêm aquecendo a atividade no setor de esmagamento. Só em agosto, um pouco mais de 1,73 milhão de toneladas do grão precisaram ser processados para abastecer a produção de biodiesel. É o que revelam dados divulgados recentemente pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A produção de biodiesel em agosto foi de 486,1 milhões de litros dos quais 74,1% foram feitos a partir de óleo de soja – equivalente a 360,4 milhões de litros.

Convertendo de volume para massa, temos um pouco mais de 328,7 mil toneladas de óleo consumidas num único mês. Agosto foi o terceiro mês consecutivo que o consumo de soja pelo segmento em junho foram 1,64 milhão de toneladas e em julho foram 1,68 milhão de toneladas.

A quantidade de soja demandada em agosto foi 2,85% maior do que no mês anterior. De janeiro até agosto, os fabricantes de biodiesel consumiram o equivalente em a 11,6 milhões de toneladas de soja em grão aproximadamente um quarto a mais – 25,4% – de crescimento sobre o mesmo período em 2017.

De acordo com os números mais recentes divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) a projeção é que um total de 43,6 milhões de toneladas de soja sejam processadas em território nacional este ano.

Fonte: BiodieselBR

Agricultura brasileira e redução dos gases de efeito estufa

Emissões de gases de efeito estufa provenientes de ações humanas têm aumentado desde o início da Era Industrial e chegamos a um ponto em que é possível constatar o maior volume de concentrações de dióxido de carbono, óxido nitroso e metano dos últimos 800 mil anos na atmosfera. Esse impacto contribui decisivamente para a mudança do clima.

Em período um pouco mais recente, nos últimos 50 anos, a demanda global por alimentos aproximadamente triplicou. O rápido crescimento ocorreu devido ao aumento da população mundial — que dobrou no período —, ao aumento do consumo per capita e à elevação do padrão de vida.

A agricultura alimenta mais de 7 bilhões de pessoas no mundo, mas também é causa de impactos ambientais. Ela é responsável por 25% a 33% de todas as emissões de gases de efeito estufa; essa é uma atividade que ocupa grande parte da superfície de terra do planeta, usa defensivos agrícolas e fertilizantes nitrogenados, muitas vezes de forma irresponsável. O uso de práticas inadequadas contribui para o desmatamento — que, por sua vez, resulta em perda de biodiversidade — e para a eutrofização e acidificação de corpos d’água.

Diante desse conjunto de dados, é imperativo desenvolver uma agricultura mais consciente e sustentável, e o Brasil é um grande player do cenário mundial, sendo observado com atenção por quem importa alimentos. De acordo com a FAO, nosso país alcançará a maior produção agrícola da próxima década e será o maior exportador de alimentos e fibras do planeta.

Em 2009, na COP15, realizada em Copenhagen, Dinamarca, o governo brasileiro assumiu compromisso voluntário junto à Convenção de Mudança do Clima. Nesse compromisso, está prevista a redução, até 2020, de entre 36,1% e 38,9% das emissões de gases de efeito estufa. E, para alcançar essa meta, foram criados os Planos Setoriais de Mitigação e Adaptação à Mudança do Clima.

De modo a fortalecer ainda mais o compromisso global no enfrentamento da mudança do clima, durante a COP21, em 2015, foi assinado o Acordo de Paris, no qual o Brasil apresentou sua proposta de Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC). Por ela, buscaremos a redução das emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis registrados em 2005, até 2025, alcançando 43% em 2030. O Brasil se comprometeu, entre outras medidas, a aumentar a área com adoção de agricultura de baixo carbono no país.

Nesse âmbito, há uma revolução acontecendo na agricultura brasileira. A integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) se consolidou como a principal tecnologia para promover a mitigação das emissões de gases de efeito estufa. Trata-se de uma estratégia que visa a produção sustentável, integrando atividades agrícolas, florestais e pecuárias realizadas na mesma área, em cultivo consorciado, em sucessão ou rotativo, e busca efeitos sinérgicos entre os componentes, contemplando a adequação ambiental, a valorização do homem e a viabilidade econômica.

Os sistemas integrados são capazes de promover a mitigação das emissões de gases de efeito estufa devido à menor necessidade de uso de fertilizante nitrogenado e pela oferta de pasto de melhor qualidade ao animal, que melhora a digestibilidade e reduz as emissões de metano. A tecnologia ainda aumenta o estoque de carbono e nitrogênio no solo e na biomassa acima do solo.

O Brasil tem feito o dever de casa. As pesquisas sobre sistemas integrados começaram na Embrapa na década de 1980. Na década passada, 2010, esses sistemas eram adotados em algo como 4 milhões de hectares. Hoje, são cerca de 600 pesquisadores envolvidos e mais de 14 milhões de hectares com algum tipo de ILPF. Ainda existem entre 50 e 60 milhões de hectares com solos degradados e disponíveis para avançarmos.

Há muito a fazer, mas a experiência atual mostra que a participação da agricultura brasileira não está apenas em produzir alimentos, mas também em contribuir com um planeta mais sustentável.

Fonte: Portal DBO

Preservar meio ambiente pode dar lucro

Mecanismos para compensar financeiramente quem preserva, como as Cotas de Reserva Ambiental, começam a ser adotados em grande escala

Aprovado há seis anos, o novo Código Florestal começa a transformar a preservação do meio ambiente em dinheiro no bolso do produtor rural. Após um longo debate sobre a constitucionalidade e a validade de dispositivos da lei, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento em fevereiro e, agora, finalmente alguns instrumentos para compensar financeiramente quem preserva, começam a ser adotados em maior escala.
Entre os instrumentos, estão o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), as Cotas de Reserva Ambiental (CRAs) e os títulos verdes. Todos eles se tornaram possíveis graças ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), que deve ser encerrado em dezembro.

Até o dia 8 deste mês, por exemplo, donos de reservas particulares com planos de manejo no Paraná podem se inscrever no edital do PSA e pleitear valores que vão de R$ 10 mil a R$ 50 mil por ano. “Todos os Estados passam por dificuldades e o Paraná não é diferente, mas os proprietários que voluntariamente têm o ônus da preservação merecem ser premiados”, diz Sueli Ota, coordenadora de biodiversidade e florestas da Secretaria de Meio Ambiente daquele Estado. O recurso de R$ 1,2 milhão, proveniente do Fundo Estadual do Meio Ambiente, será destinado também ao monitoramento e à orientação dos proprietários por um grupo técnico, criado especificamente para o projeto.

Apesar de a verba pública ser quase simbólica – e ainda restrita a poucos Estados e municípios –, os donos de terras beneficiados podem, ao mesmo tempo, fazer parte de outro mercado mais atraente: o das cotas de reserva. Títulos a serem negociados em Bolsa, são emitidos por quem tem mais reservas florestais do que exige a lei. Quem tem menos, compra esses papéis e compensa o passivo ambiental. “É o custo mais eficiente para quem tem déficit de áreas preservadas regularizar sua situação: não é necessário abrir mão de áreas produtivas e ainda é possível ajudar uma região a ser preservada”, diz Plínio Ribeiro, presidente da Biofílica Investimentos Ambientais, especializada na gestão e conservação de florestas. Além das cotas, os produtores com déficits de reservas podem investir em sua restauração.

Demanda

Segundo Ribeiro, o passivo ambiental das propriedades rurais hoje no País gira em torno de 20 a 25 milhões de hectares. Com o encerramento do CAR, a lei exige que os produtores rurais compensem seus déficits ambientais, e a demanda pelas cotas tem crescido. Grandes frigoríficos e usinas, por exemplo, têm tirado de sua carteira fornecedores que não ajustaram sua conduta. O mesmo acontece com os bancos, que já exigem o CAR como condicionante ao crédito rural e prometem limitá-lo a quem estiver ambientalmente irregular.

Para alguns especialistas, porém, uma decisão do STF sobre o tema pode atrapalhar o andamento desse mercado. “O tribunal entendeu que as cotas podem compensar ambientalmente áreas degradadas se forem equivalente em tamanho e estiverem no mesmo bioma, mas menciona também a necessidade de terem a mesma identidade ecológica”, afirma Rafaela Parra, advogada da VBSO e especialista no tema. Um pequeno detalhe: ninguém sabe o que é identidade ecológica. “Já foram feitos encontros de pesquisadores e estudos técnicos, mas ninguém sabe o que é isso e esse instrumento foi enfraquecido.”

Para João Adrien, diretor executivo da Sociedade Rural Brasileira, que atuou para o estabelecimento de regras da compensação ambiental, estão sendo buscadas outras alternativas para se reverter esse entendimento.

Ribeiro acredita que a identidade ecológica será encarada como o bioma, com o qual técnicos e mercado estão acostumados. Sua percepção de que o sistema continuará andando vem do fato de a Biolífica, que recebeu aporte de R$ 7 milhões de três fundos de investimento desde que foi criada, triplicou de tamanho a cada ano, nos últimos três anos. Com 2,5 milhões de hectares de floresta como lastro em seu estoque, os negócios têm crescido. A empresa publica mensalmente um boletim de quanto valem os títulos ao proprietário, em cada bioma, segundo a oferta e a demanda.

Na Mata Atlântica, um contrato de arrendamento vale em média R$ 270 por hectare por ano. Em São Paulo, chegam a R$ 400. No bioma da Amazônia, R$ 170, sendo que em Roraima vai a R$ 190. “Uma área que só significa custo ao produtor hoje vai gerar renda equivalente ao da criação de gado, por exemplo”, diz ele.

Títulos verdes. Mais consolidados no mercado agrícola, os títulos verdes, agora ligados ao meio ambiente, também têm crescido. Para ficar apenas num exemplo, no início do ano, a Fibria emitiu um título de R$ 700 milhões para a preservação de florestas nativas em torno de sua fábrica em Jacareí e no manejo sustentável de sua fazenda em São José dos Campos, bem como de resíduos, uso eficiente de água e energia sustentável.

Segundo a Climate Bonds Initiative, entidade que estimula o mercado de capitais para soluções de mudanças climáticas, entre 2015 e 2017, o Brasil emitiu nove títulos verdes, que somaram US$ 3,67 bilhões. A grande maioria era ligada a projetos de energia e não ao agronegócio.

Fonte: O Estado de S.Paulo

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