A mais pujante fronteira agrícola brasileira está sob ameaça

EXAME percorreu 2.500 quilômetros para entender por que o Cerrado já perdeu metade da cobertura. A boa notícia: a solução está no próprio campo

Mesmo cercada por lavouras cujas dimensões se perdem no horizonte, a Fazenda Progresso, localizada em Sebastião Leal, no oeste do Piauí, chama a atenção pela grandiosidade. São 32.000 hectares plantados de grãos, numa área total de 54.000 hectares, que abarca também uma parte de vegetação preservada. Silos próprios beneficiam e armazenam grãos e sementes de soja. Sistemas fechados tratam água e resíduos. Uma recém-construída usina solar tornou a operação autossuficiente em energia.

Pertencente à família Sanders, essa estrutura foi erguida do zero de 2004 para cá. Descendentes de holandeses nascidos na pequena Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, esses agricultores viram no baixo preço das terras piauienses uma oportunidade. Técnicas para ampliar a produtividade deixaram para trás a imagem de terra seca que nada produz. A expectativa é aumentar a produção em mais de 50% em 2019. Para tanto, derrubar a vegetação nativa da região não faz parte dos planos. “Vamos crescer em produtividade ao integrar lavoura e pecuária e já fazemos a rotação de culturas para tratar o solo”, diz Gregory Sanders, diretor do grupo familiar e um dos três filhos de Cornélio, o produtor gaúcho que decidiu migrar para a região.

A realidade ao redor, porém, tem sido bem diferente. Imagens de satélite mostram que o Cerrado tem hoje apenas metade da cobertura que já teve. No caso da Amazônia, a área preservada ainda equivale a 80% da original. Os primeiros dados anuais de perda de vegetação do Cerrado foram divulgados só no ano passado. Embora o ritmo de desmatamento esteja menos intenso do que já foi, de 2010 a 2017 o bioma perdeu 80.114 quilômetros quadrados. A extensão ultrapassa os 50.000 quilômetros quadrados desmatados na floresta amazônica no mesmo período. E os prognósticos não são bons.

Um levantamento feito por pesquisadores brasileiros e divulgado na revista científica britânica Nature Ecology and Evolution mostra que, nesse ritmo, o remanescente do bioma chegaria a apenas 20% da configuração original até 2050. Especialistas são unânimes em apontar que um bioma pode perder a capacidade de regeneração vegetal e produção de água quando passa a ter menos da metade da cobertura original.

Os danos podem ser irreversíveis – e com consequências para todo o Brasil. Das 12 bacias hidrográficas brasileiras, oito nascem no Cerrado. Parte da Amazônica e a do Rio São Francisco, e os aquíferos Guarani, Bambuí e Urucuia, fundamentais ao abastecimento da agropecuária e de milhares de cidades, brotam na região. Não à toa, o bioma é chamado por especialistas de “caixa-d’água do Brasil”. “A crise hídrica que atingiu o Sudeste e colocou Brasília pela primeira vez na história em racionamento de água tornou a questão do Cerrado urgente”, afirma Tasso Azevedo, coordenador do Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo no Brasil, o Mapbiomas.

Plantio irrigado de algodão no oeste da Bahia: a oferta de de água dá sinais de alerta

Ao longo de oito dias, EXAME percorreu quase 2.500 quilômetros por 15 cidades do Matopiba, extensa área de Cerrado formada por partes dos estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, e que constitui uma pujante fronteira do agronegócio. Durante essa viagem, entre Imperatriz, no sul do Maranhão, e Barreiras, no oeste da Bahia, foi possível entender as razões do avanço do desmatamento – e as soluções que começam a ser encontradas. EXAME também questionou cerca de 30 especialistas, empresários, acadêmicos e ambientalistas sobre o tema. Embora distante de conclusões consensuais, o debate aponta uma tendência: o modelo de exploração do bioma terá de se renovar para durar.

Gregory e Cornélio Sanders (à dir.), do Grupo Progresso, no Piauí: a expansão da área de cultivo de soja pode acontecer sem a derrubada de mata nativa, por meio de ganho de produtividade

Uma das primeiras constatações é que o avanço do desmatamento se valeu de regras de ocupação da terra mais brandas. Na Amazônia, a lei limita o uso de propriedade rural a 20% da área. No Cerrado, de 65% a 80% das fazendas podem ser convertidas em pasto e lavoura, como definiu a última versão do Código Florestal em 2012. Ao mesmo tempo, a explosão do agronegócio na região fez com que a área de plantio de culturas como soja, algodão e milho crescesse 291% desde 2000. A conjunção desses fatores levou a uma conexão direta entre desmatamento e expansão agrícola. Na dinâmica clássica de ocupação dos rincões do país, a motosserra abre caminho para o boi, que, com o tempo, cede espaço a culturas como a soja.

No caso da nova fronteira agrícola, houve um longo período em que a demanda por terra suprimiu a etapa intermediária. Dados da consultoria Agrosatélite mostram que, de 2000 a 2007, 68% do crescimento da lavoura se deu sobre a mata virgem no Matopiba. De 2007 a 2014, a ocupação se manteve alta: tomou 62% da mata nativa. Nos últimos três anos, a taxa de desmatamento para plantio caiu para 14%. Uma das interpretações é que, agora, boa parte das novas áreas de cultivo esteja avançando sobre pastagens. “O argumento de que a soja continua a ser o vetor do desmatamento do Cerrado vem se tornando frágil”, diz André Nassar, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleo Vegetal (Abiove), que reúne empresas como Bunge, Cargill e ADM.

Para Frederico Machado, coordenador do programa de agricultura e alimentos da WWF, ONG que vem capitaneando as discussões de políticas para o bioma, é cedo para afirmar que a dinâmica de expansão da lavoura mudou. O motivo: os últimos três anos coincidem com uma penosa quebra de safra pela seca. “Naturalmente, o apetite pelo plantio diminuiu”, diz Machado.

Gado na fazenda Vale do Boi, em Araguaína, no Tocantins: uso intensivo do pasto

Há também o desmatamento que não cai diretamente na conta do agronegócio, mas tem nele seu principal vetor. Ao percorrer as estradas que cruzam a fronteira entre o Maranhão e o Tocantins, é possível ter a dimensão de um fenômeno desse tipo: a especulação imobiliária. Em plena época de colheita e replantio, o que se vê por quilômetros são áreas cercadas, porém vazias, à espera de compradores.

Com a valorização das terras na região, a prática se intensificou. O preço do metro quadrado cresceu até 2.000% ao longo da última década. “O desmatamento nem sempre corresponde à demanda real por novas áreas”, afirma Arnaldo Carneiro Filho, diretor do programa de cadeias de fornecimento da Global Canopy, organização ambiental que se dedica às relações entre mercado e desmatamento. Um levantamento da WWF mostra que, em algumas das áreas recentemente desmatadas no Matopiba, a parcela efetivamente produtiva é de apenas 30%. Outro fator que colabora para o baixo índice é a prevalecente pecuária extensiva, com menos de um animal por hectare.

Diante de todo o potencial de ganho de produtividade, o consenso é que a expansão do agronegócio pode e deve caminhar junto com a preservação de áreas remanescentes de mata nativa. Segundo análises da consultoria Agroicone, só no Cerrado cerca de 35 milhões de hectares já abertos são aptos à agricultura – 18 milhões com média e alta aptidão ao plantio. É o suficiente para atender à demanda de produção de soja do país nos próximos 50 anos. “Existem muitas áreas disponíveis para a soja no Cerrado, e não há necessidade de abrir mais”, diz Nassar, da Abiove. Outros estudiosos endossam a tese. “Temos uma série de cálculos que mostram que é possível dobrar a produção de grãos no Brasil sem desmatar mais nenhum hectare”, afirma Eduardo Assad, pesquisador da Embrapa e professor na Fundação Getulio Vargas de São Paulo.

Técnicas para evitar o esgotamento do solo, como as que se veem na Fazenda Progresso, têm se provado bem-sucedidas. Em quase 60 anos, a produtividade da soja avançou 208%. A ciência agronômica dominou solos arenosos e argilosos de diferentes partes do Cerrado. Práticas como a semeadura sobre a palhada da safra anterior permitiram, desde os anos 80, a segunda safra, mais conhecida como safrinha de milho, na segunda metade do ano, sem a necessidade de revirar o solo. E agora têm possibilitado a terceira safra de grãos em várias partes do país.

Produtores como o gaúcho José Antonio Gorjen, dono do grupo Risa, colhem os benefícios. Entre terras próprias e arrendadas, ele planta 98.000 hectares de soja, milho e sorgo no Maranhão e no Piauí, e fatura 600 milhões de reais por ano. Na região desde 1984, quando não havia estradas pavimentadas em torno das fazendas, Gorjen investiu na integração de sistemas e em armas naturais contra pragas.

Hoje, em suas fazendas, o milho é plantado em consórcio com uma espécie de capim com raízes longas, capaz de levar água e nutrientes a camadas mais profundas do solo. “Conseguimos produzir duas safras com a metade da chuva do Mato Grosso”, afirma Gorjen. Nos arredores de Formosa do Rio Preto, na Bahia, o paranaense Luiz Fernando Pradella, há 17 anos na região, conseguiu bons resultados da mesma forma. No último ano, o índice de matéria orgânica no solo cresceu 0,1%, um ganho significativo para o nível possível de nutrientes na terra.

Embora ainda mais raros, há bons exemplos na pecuária. Em Araguaína, no Tocantins, o aumento da produtividade também é a regra do jogo para o paulista Ricardo Andrade, dono da Vale do Boi, uma das mais importantes fazendas de pecuária da cidade chamada de “capital do boi gordo”. Há 33 anos na região, Andrade saiu de Minas Gerais para expandir a área de atuação no Tocantins. Zootecnista, ele transformou uma área de 1.300 hectares em decadência numa fazenda dividida em 142 partes, na qual 14 variedades de gramíneas alimentam cerca de 3.300 cabeças de gado. A técnica de intensificação faz com que a produtividade hoje seja equivalente ao dobro da registrada pelos vizinhos. “Pecuária pode ser rentável sem derrubar um palmo a mais de mata, mas poucos pecuaristas têm essa clareza”, diz Andrade.

O fazendeiro Andrade sabe bem que a preservação vegetal é parte da garantia de água em volume e qualidade suficientes para o pasto e para o gado no longo prazo. O controle pluviométrico da área da fazenda mostra que, nos últimos 30 anos, o volume médio de chuvas caiu de 2 300 para 1 800 milímetros anuais. De maneira mais ampla, um estudo do Input, iniciativa conjunta dos setores público e privado para a pesquisa do uso inteligente da terra, mostra que esse declínio resultou em quebras de safra mais severas. De 2003 a 2014, a quebra triplicou no caso da soja e cresceu 60% nas lavouras de milho, se comparadas ao período de 1991 a 2002. “O avanço sobre novas fronteiras trouxe um novo patamar de quebras de safra associadas a anomalias climáticas”, afirma o pesquisador Arnaldo Carneiro Filho, que conduziu a análise.

Segurança hídrica

A restrição de água já é uma ameaça concreta no oeste baiano, uma das áreas de ocupação mais antigas e densas do Matopiba. Um sobrevoo pela bacia do Rio Grande, entre o semiárido nordestino e o Cerrado, dá a dimensão do largo alcance do cultivo irrigado de algodão, em forma de círculos concêntricos. E também revela o rio, barrento, com longos trechos de assoreamento e margens desmatadas.

Nessa porção da Bahia, há cerca de 150.000 hectares de grãos irrigados. Trata-se de uma parcela pequena diante da área total de produção da região, de cerca de 3 milhões de hectares, mas garante grandes safras mesmo em períodos de seca. Os casos de conflito pelo uso da água, porém, têm crescido entre grandes produtores e comunidades de pequenos agricultores. A irrigação é a atividade que mais usa água no Brasil, responsável por 46% das retiradas em rios e aquíferos.

Diante de um cenário de baixa vazão nos rios, próximos ao limite de exploração, a Associação dos Irrigantes do Estado da Bahia, a Aiba, uniu-se a pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa e da Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, para verificar a disponibilidade hídrica do aquífero Urucuia, um dos maiores da América do Sul.

A ideia é sustentar uma rede que hoje mantém não apenas grandes produtores, mas também pequenos agricultores, como o baiano Manoel Feitosa, que, no município de Riacho Grande, consegue fornecer alface, banana e mamão a exportadoras de hortaliças e frutas onde há 30 anos nada dava. “Precisamos de dados claros para basear políticas públicas de irrigação”, afirma Celestino Zanella, presidente da Aiba. “Se os números disserem que teremos de diminuir a retirada, diminuiremos.”

Existem exemplos de exploração sustentável – mas falta escala a eles. Como o Cerrado é composto, sobretudo, de terras privadas, diferentemente do que acontece na Amazônia, os instrumentos econômicos pesam mais do que as políticas proibitivas para dar fôlego a uma postura menos predatória. E eles são poucos. Para especialistas, um dos caminhos seria incentivar a expansão da lavoura sobre pastagens – e não sobre áreas de vegetação nativa – por meio de taxas mais baixas nas linhas de financiamento mais comuns, como a de custeio da safra. “Se avançar sobre a pastagem for mais vantajoso, o desmatamento de novas áreas se tornará residual”, diz Rodrigo Lima, diretor da consultoria Agroicone.

Desde 2010, o incentivo a práticas de baixo impacto ambiental no campo vem do programa ABC (agricultura de baixo carbono) do governo federal. A linha de crédito, porém, equivale a só 3% do Plano Safra, frente de financiamento público da agropecuária, que destinou 200 bilhões de reais ao setor em 2016 e 2017.

Outro instrumento, já previsto no próprio Código Florestal, é o pagamento por serviços ambientais. Trata-se de remunerar produtores pelo desmatamento evitado e pelos chamados serviços ecossistêmicos prestados pela floresta em pé, como regulação climática e proteção a fontes de água. Ainda que o mecanismo esteja no papel, são raros os casos práticos. “Sem precificar o desmatamento evitado na área de maior oferta de alimentos do país, a ideia de desmatamento zero não vai decolar”, afirma Lima, da Agroicone.

Tido como uma espécie de bala de prata para reduzir o desmatamento, o sistema de integração lavoura, pecuária e floresta, mais conhecido pela sigla ILPF, também vem se mostrando uma via eficiente. Trata-se do plantio consorciado entre diferentes espécies, como a soja, o milho, o capim e o sorgo. Juntas, elas se favorecem mutuamente, e a ciclagem de nutrientes propiciada funciona como fator de recuperação do solo exaurido pelo pisoteio dos bois.

A depender do tipo de adoção, os animais se valem do conforto térmico proporcionado por árvores plantadas, em geral eucaliptos, que também podem fornecer madeira para secagem de grãos ou lenha. Estima-se que quase 12 milhões de hectares operem dessa maneira no país – 4% da área produtiva total. Boa parte das experiências começou nos últimos seis anos, une lavoura e pecuária, e está no Mato Grosso.

Em São Raimundo das Mangabeiras, no Maranhão, a reportagem de EXAME conheceu de perto como a junção pode ser bem-sucedida. Na Fazenda Santa Luzia, a prática elevou a produtividade da soja e do milho e rendeu um incremento de 130% na produção de 2004 para cá. De 2 hectares de testes à época, hoje são 6.000 hectares em integração, que abrigam também feijão e acácias.

Fazenda Pradella, em Formosa do Rio Preto, na Bahia: plantio consorciado de grãos para não esgotar o solo

Outras frentes visam garantir pelo menos um modelo mais sustentável para a produção de soja, dado o tamanho desse mercado no Brasil e no mundo. Desde 2015, a Fazenda Progresso, da família Sanders, é parte de um seleto grupo de produtores brasileiros cuja produção de soja é certificada pela Round Table for Sustainable Soy, entidade internacional que reúne produtores, compradores e representantes da sociedade civil em torno da melhoria dos padrões de produção do grão em todo o mundo. Mas hoje apenas 1% da soja produzida no Brasil tem essa chancela. A forte demanda chinesa, que leva 80% da soja brasileira exportada, ainda não valoriza esse tipo de certificação.

Além do cumprimento das legislações trabalhistas e ambientais, estão entre as condicionantes do selo a adoção de boas práticas agrícolas que incluam o manejo adequado da matéria orgânica no solo, a conservação da vegetação nativa e a proteção a fontes de água, bem como programas bem estruturados de relacionamento com as comunidades do entorno. “Não há por que abrir novas áreas de Cerrado em fazendas de produção estável, e temos conscientizado os produtores do perigo do desmatamento no longo prazo”, afirma Gisela Introvini, presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Corredor de Exportação Norte, certificadora da Round Table na região do Matopiba.

Moratória?

O temor pelo desaparecimento dos remanescentes do Cerrado deu força a um pleito polêmico por parte de pesquisadores, ambientalistas e até grandes indústrias de bens de consumo e também do varejo: a tolerância zero ao desmatamento. Há quase um ano, essa discussão tem se dado no âmbito do Grupo de Trabalho do Cerrado, estabelecido no ano passado para pôr à mesa produtores, comercializadoras de grãos, universidades, governo, ONGs, bancos e a Justiça, representada pelo Ministério Público Federal.

Alguns defendem uma moratória, para suspender qualquer compra de insumos advindos de áreas desmatadas a partir de determinado período. Esse mecanismo foi empregado com sucesso na Amazônia em 2006 para frear o avanço da soja na floresta. Grandes empresas passaram a banir fornecedores que tivessem provocado algum tipo de desmatamento de julho de 2008 em diante. Hoje, apenas 1,2% do desmatamento na região decorre do plantio de grãos. A área cultivada com soja na Amazônia cresceu quatro vezes de lá para cá, sem avançar por áreas virgens ou de desmatamento recente.

Manoel Feitosa, pequeno produtor de Riacho Grande, na Bahia: fonte de irrigação sob ameaça

A mesma ideia permeia um manifesto divulgado em setembro do ano passado por uma coalizão de ONGs que, meses depois, contou com a adesão de 61 empresas, entre elas multinacionais cujos produtos contêm soja ou derivados do grão cultivado no Cerrado: Nestlé, Unilever, McDonald’s, Carrefour e Walmart. Boa parte do apoio vem dos varejistas, temerosos diante de qualquer tipo de associação entre seus negócios e a exploração predatória da natureza.

Agora, eles buscam meios para controlar a complexa cadeia de custódia dos grãos mais de perto, a exemplo do que já se estabeleceu para a cadeia da carne. “Apesar de sermos atores indiretos na cadeia da soja, queremos ser indutores do combate ao desmatamento”, afirma Paulo Pianez, diretor de sustentabilidade do Carrefour, empresa que ainda em 2010 assumiu publicamente o compromisso pelo desmatamento zero em todas as suas cadeias de fornecimento.

Para as empresas protagonistas dessa cadeia, controle também é palavra-chave – e vem sendo posto à prova. Em maio, uma operação do Ibama – batizada de Operação Shoyo – identificou a compra de 49 205 sacas de 60 quilos de soja produzida em -áreas embargadas por desmatamento ilegal na região do Matopiba. Foram emitidas multas de cerca de 25 milhões de reais pela infração para cinco empresas. Entre elas Bunge e Cargill.

Em nota, a Cargill afirmou que, após cuidadosa investigação, verificou que não tem relação comercial com a propriedade que se tornou alvo da investigação. A empresa já apresentou sua defesa ao Ibama e, no momento, aguarda avaliação do órgão. A Bunge afirmou que protocolou uma defesa formal contestando as alegações. Atualmente, as empresas têm acesso irrestrito às listas de áreas embargadas pelo Ibama, que são públicas. “Uma consulta simples é capaz de identificar irregularidades até em casos de triangulação, quando há diferença entre o CPF de quem vende o grão e o CPF associado ao embargo da terra”, afirma René De Oliveira, coordenador-geral de fiscalização do Ibama.

De fato, acesso à informação é o nome do jogo para dimensionar a situação do bioma, mas os dados disponíveis enfrentam uma dificuldade específica no caso do Cerrado. “A verificação do desmatamento na Amazônia é mais fácil devido à homogeneidade da floresta. Para o Cerrado, uma vegetação mais aberta e de densidade muito variada, o contraste para o satélite é menos nítido, e isso exige uma análise mais refinada”, diz Dalton Valeriano, coordenador do programa de monitoramento da Amazônia do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que agora comanda a estruturação do Prodes Cerrado, programa de monitoramento geoespacial do bioma.

A expectativa é que o Cadastro Ambiental Rural, iniciativa que pretende mapear os ativos e os passivos de vegetação em propriedades no campo, também ajude a clarear o cenário. O prazo limite de registro das informações, no entanto, já foi adiado três vezes pelo governo desde 2016. É uma espera que, nesse caso, pode ter um preço cada vez mais alto.

AO REDOR DOS GRÃOS, A POBREZA

Para uma das maiores cidades produtoras de soja do Matopiba, o agronegócio não se converteu em crescimento socioeconômico, mesmo após 20 anos da chegada das lavouras mecanizadas | Renata Vieira, de Campos Lindos (TO)

Campos Lindos, no Tocantins: pobreza e ausência de infraestrutura na cidade que detém a maior área plantada de soja do estado

A ausência quase completa de infraestrutura no município de Campos Lindos, a 476 quilômetros de Palmas, no Tocantins, está escancarada em suas ruas cobertas de lama de terra vermelha. Apenas o trecho da rodovia que leva à cidade está devidamente asfaltado. Os 9.000 habitantes são atendidos por um único posto de saúde. A viagem até um hospital de grande porte, num município a 245 quilômetros de distância, leva 3 horas.

Fruto de um desmembramento do município de Goiatins há 25 anos, a região de Campos Lindos abriga o plantio de soja em larga escala há três décadas. Hoje, a cidade detém a maior área plantada de soja do Tocantins – equivalente a 70.000 hectares – e é fornecedora de grandes empresas do comércio internacional de commodities. Permanece, no entanto, na rabeira do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado: ocupa a segunda pior colocação entre 139 municípios, atrás de Recursolândia. Na prática, quase 85% da população local está na pobreza. “A agregação de valor ao grão, nas esmagadoras ou na produção de óleo, ocorre fora daqui”, afirma Paulo Ramos, presidente do sindicato dos assalariados rurais de Campos Lindos. “Isso coloca um freio na expansão de empregos e, consequentemente, de renda e de arrecadação.”

Na via oposta, há municípios que conseguiram alçar seus índices socioeconômicos a patamares mais altos com a consolidação da agricultura. O caso de Sorriso, no norte do Mato Grosso, é um deles. A cidade é hoje a maior produtora de soja do Brasil, com 3% da produção nacional e quase 20% da produção estadual. Com 85.000 habitantes, seu IDH está entre os dez melhores do estado. Em Sorriso, o PIB per capita cresceu 80% em 20 anos.

Uma explicação para essa diferença de resultados está na falta de investimento público adequado. Infraestrutura de transporte para o escoamento de produtos e educação de qualidade para suprir a demanda por mão de obra qualificada para operar máquinas agrícolas complexas, por exemplo, são raridades no Tocantins.

São duas das principais razões para a falta de interesse de esmagadoras e processadoras pela região. Essas empresas se concentram em Mato Grosso. Com cinco trocas de governador nos últimos dez anos, Tocantins está há tempos à deriva. Desde 2006, nenhum candidato eleito para o cargo terminou o mandato. Em abril, o então governador pelo MDB, Marcelo Miranda, investigado num esquema de corrupção com empreiteiras, foi cassado.

Em paralelo ao caos político, outro aspecto pesa na equação: capacidade financeira. A Lei Kandir, de 1996, determina que bens primários destinados à exportação sejam isentos de impostos – nesse caso, o ICMS. Em 2017, as exportações do Tocantins, boa parte de soja, somaram quase 1 bilhão de reais. Já a arrecadação de ICMS pela agricultura ficou em 11 milhões de reais. Por ora, uma comissão mista do Senado analisa uma proposta de regularização de repasses para compensar as perdas dos estados. “A lei previa um retorno de 50% das perdas, mas hoje recebemos de 5% a 10%”, diz Fernando Batista, gerente de fiscalização do agronegócio da Secretaria de Fazenda do Tocantins.

Outra hipótese está no perfil de quem ocupa as terras, embora não haja dados claros sobre isso. “Diferentemente de Mato Grosso, ocupado por famílias que ajudaram a construir cidades, o Matopiba concentra grandes empresas, cuja gestão é feita de outros estados ou de fora do país”, diz Frederico Machado, coordenador do programa de agricultura e alimentos da ONG WWF. Resultado: a riqueza não permanece no local. E, ao redor dos grãos, sobra a pobreza.

Fonte: Revista Exame

Solenidade de posse do novo presidente da Embrapa, em Brasília

O diretor superintendente da APROBIO e presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel do Ministério da Agricultura (MAPA), Julio Cesar Minelli, participou nesta quarta-feira (10) da posse de Sebastião Barbosa, pesquisador aposentado da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na presidência da estatal, vinculada ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, no Salão Nobre do Palácio do Planalto. Barbosa assume no lugar de Maurício Antônio Lopes, que estava na função desde 2012.

(A esquerda: Julio Cesar Minelli com o Guy Capdeville, Chefe-Adjunto de PD&I da Embrapa Agroenergia, e a direita: Eumar Roberto Novacki, Secretário Executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e Julio Cesar Minelli, da APROBIO)

Sebastião é engenheiro agrônomo, especialista em Entomologia (estudo dos insetos) e foi contratado pela Embrapa em 1976, atuando em programas de controle e erradicação de pragas. Por 17 anos, trabalhou na Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura (FAO), no Serviço de Proteção de Plantas, em Roma, Itália; e no escritório para a América Latina e o Caribe, em Santiago, Chile. Coordenou a cooperação internacional da Embrapa e foi Chefe-Geral da Embrapa Algodão, centro de pesquisa localizado em Campina Grande – Paraíba, além de outras atividades exercidas na estatal.

Na imagem principal: a esquerda – Julio Cesar Minelli, diretor superintendente da associação e presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva das Oleaginosas e Biodiesel, no centro – Sebastião Barbosa, presidente da Emrapa, e a direita – Antônio César Salibe, presidente da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool.

UE fecha acordo para reduzir emissões de veículos

Os países da União Europeia (UE) fecharam um acordo nesta terça-feira para reduzir em 35% as emissões de CO2 dos novos carros até 2030, mas alguns lamentaram a falta de ambição após o alarmante relatório dos especialistas da ONU sobre o aquecimento global.

“Após 13 horas de negociações, estamos aliviados”, declarou à imprensa a ministra austríaca do Meio Ambiente, Elisabeth Köstinger, depois de uma longa jornada de conversações com seus colegas europeus em Luxemburgo.

Áustria, que ocupa a presidência semestral do Conselho da UE, obteve o voto favorável de 20 dos 28 países para sua proposta de redução de 35% das emissões de CO2 de novos carros até 2030, em comparação aos modelos vendidos em 2021.

Em relação aos furgões, o objetivo será uma redução de 30%.

O compromisso é mais ambicioso que o proposto pela Comissão Europeia no final de 2017 (-30% da média das emissões até 2030), mas fica abaixo da redução de 40% aprovada pelo Parlamento Europeu no início de outubro.

Os Estados-membros iniciarão nesta quarta-feira negociações com os eurodeputados para aprovar a lei que submeterá os fabricantes de automóveis.

As negociações foram especialmente difíceis, principalmente porque a Alemanha integrou um grupo, ao lado de países do leste, que não queria ir além de uma redução de 30% das emissões.

“A indústria automobilística alemã empurra a política ambiental alemã para o fracasso e queremos acabar com isto agora”, disse pela manhã o secretário de Estado de Luxemburgo para o Desenvolvimento Sustentável, Claude Turmes.

A Alemanha finalmente deu seu aval ao texto proposto por Viena, do mesmo modo que a França, cujo ministro do Meio Ambiente, François de Rugy, defendia uma redução de 40%.

Países como Holanda, Luxemburgo e Irlanda, que desejavam uma redução maior das emissões, votaram contra o compromisso final.

– Objetivos “decepcionantes” –

“É um grande passo à frente na adoção dos nosso compromissos baseados nos Acordos de Paris”, celebrou o comissário europeu de Ação pelo Clima e Energia, Miguel Arias Cañete.

O grupo de ONGs Transporte e Meio Ambiente lamentou os objetivos “decepcionantes”, um dia após a publicação de um relatório de especialistas da ONU que pede mudanças “sem precedentes” para conter o aquecimento global.

“A Comissão e alguns Estados-membros retrocederam em relação ao seu papel de liderança em matéria de luta contra a mudança climática, colocando os interesses dos fabricantes de automóveis em primeiro lugar”, criticou Greg Archer, um dos dirigentes do grupo de ONGs.

“Mas isto não terminou, as negociações com o Parlamento Europeu ainda podem levar a um acordo ambicioso”.

A UE se comprometeu em Paris a reduzir em ao menos 40% as emissões de gases do efeito estufa até 2030 em comparação aos níveis de 1990, em todos os setores de sua economia.

Fonte: em Internacional

Meio ambiente é essencial para cidades inteligentes, aponta estudo

IESE – Cidades em Movimento 2018 analisou nove dimensões de 165 cidades pelo mundo

O uso da tecnologia é vital para uma cidade se tornar inteligente, uma vez que a automatização de processos, a ampliação de acessos e a geração de dados são importantes para melhorar a qualidade de vida da população. Entretanto, há muitos outros aspectos que devem ser levados em consideração quando se trata de democratizar o uso dos serviços públicos e prover uma gestão urbana eficiente. É isso que o IESE – Cidades em Movimento 2018 considera no momento de analisar se uma cidade é inteligente ou não. O estudo realizado pela IESE – Business School da Universidade de Navarra (Espanha), que chega a sua 5.ª edição, usa como base 83 indicadores divididos em nove dimensões para classificar o índice de inteligência de 165 cidades de todo o mundo.

Segundo o diretor técnico do Instituto das Cidades Inteligentes (ICI), Fernando Matesco, esse é um dos mais completos estudos sobre a área porque considera o planejamento estratégico dos centros urbanos como um todo. Para Matesco, um dos destaques do material é a inclusão de fatores ambientais como primordiais para elevar a classificação de uma cidade como inteligente. Entre os itens da dimensão estão a emissão de CO2 e metano, o acesso à água, a quantidade de partículas no ar, o nível de poluição, a previsão de aumento de temperatura e até o volume de lixo gerado por pessoa. “O desenvolvimento tem que ser sustentável. Não adianta apenas ter tecnologia. É importante que as cidades estejam preparadas para serem globais e inovadoras, mas respeitando seus limites e também os limites do meio ambiente”, destaca o diretor.

Os benefícios de manter e ampliar áreas verdes numa cidade avançam também para a área da saúde: em palestra ministrada no IX Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), a pesquisadora sueca Matilda Van den Bosch afirmou que a interação das pessoas com o meio ambiente melhora fatores como estresse, depressão e doenças mentais. Além disso, as mudanças climáticas apresentam riscos à saúde e a manutenção de áreas verdes nas cidades é essencial para reverter esse quadro negativo do aquecimento global. Ela alertou: “Podemos nos adaptar a um aumento de temperatura, mas sempre há um limite humano e algumas cidades sofrerão muito com isso futuramente”.

As nove dimensões analisadas na pesquisa da IESE incluem indicadores relacionados ao capital humano, aspectos sociais, economia, governança, meio ambiente, mobilidade e transporte, planejamento urbano, acesso a serviços internacionais e tecnologia. “Capital humano é a primeira dimensão tratada no estudo exatamente porque as pessoas são essenciais para tornarem uma cidade inteligente. A participação do cidadão é o que vai fazer a diferença para encontrar as soluções mais efetivas para problemas comuns. Também vale citar que a educação exerce um papel importante nesse cenário: um nível maior de escolaridade ajuda no entendimento da sociedade e nos direitos e deveres individuais e coletivos”, ressalta Matesco.

Na área de tecnologia, o estudo abrange indicadores como o índice de inovação da cidade (classificação realizada pelo Programa de Cidades Inovadoras), quantidade de casas com acesso à internet e até quantos habitantes estão inscritos em redes sociais como Twitter, LinkedIn e Facebook. Segundo o diretor técnico do ICI, essas inclusões podem gerar estranhamento em algumas pessoas, entretanto, elas são importantes para destacar a liberdade de expressão e acesso à informação. “As redes sociais são canais livres de comunicação. Qualquer um pode gerar conteúdo e divulgá-lo mundo afora. Essa inclusão é interessante porque ressalta exatamente como essas cidades permitem que as pessoas se comuniquem”, finaliza.

Fatores ambientais

Para o biólogo Fabiano Melo, doutor em Ecologia pela Universidade Federal de Minas Gerais, pós-doutor pela University of Wisconsin (EUA) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, o meio ambiente é essencial para uma cidade ser considerada inteligente. “Há uma infinidade de benefícios e vantagens, em maior ou menor escala. Os diversos benefícios que isso pode trazer incluem o bem-estar humano; a qualidade de vida atrelada a uma rotina mais saudável; serviços ecossistêmicos prestados pela natureza, como a manutenção da qualidade do ar em bons níveis (minimamente toleráveis e adequados), a polinização de hortas e jardins (em especial de árvores frutíferas que mantemos em nossos quintais), entre outros”, explica.

Segundo o especialista, muitas cidades ainda não colocam o cuidado com o meio ambiente como um fator vital de desenvolvimento. A falta de reciclagem e otimização de recursos é um dos exemplos. A ampliação de áreas verdes e dos próprios espaços entre residências é outro. “Em países desenvolvidos, é comum ter jardins e bons espaços entre as residências de bairros de classe média/alta. Aqui no Brasil, mesmo os condomínios de classe alta, que estão sendo consolidados recentemente, apresentam imóveis pequenos, com espaços estreitos entre as casas e que acabam não permitindo uma arborização adequada. Sem falar em outros tipos de loteamentos que consomem áreas verdes; um completo absurdo e contrassenso”, analisa.

O biólogo ainda reforça a importância de pensar no meio ambiente para possibilitar mais qualidade de vida aos cidadãos. “Plantas, áreas verdes, florestas em geral e cursos d’água potável são sonhos de consumo aqui no Brasil e devem compor a demanda futura por cidades inteligentes. Se isso não ocorrer, não conseguiremos acompanhar essa nova demanda e adoeceremos com as próprias cidades, uma vez que não teremos condições de manter altos e bons níveis de saúde, seja pelo ar poluído, pelo estresse do trânsito caótico, pela combinação de infraestrutura e falta de escoamento de água da chuva (com enchentes e alagamentos), com a manutenção de velhos problemas de saúde, como transmissão de zoonoses bem conhecidas por nós”, conclui.

Ranking – IESE – Cidades em Movimento 2018

Cidades mais inteligentes (ranking geral)

Nova Iorque (Estados Unidos) – 100
Londres (Reino Unido) – 99.27
Paris (França) – 90.20

Cidades mais inteligentes (ranking Brasil)

São Paulo (SP) – 44.63
Rio de Janeiro (RJ) – 41.89
Curitiba (PR) – 37.09
Brasília (DF) – 36.05
Salvador (BA) – 31.65
Belo Horizonte (BH) – 30.21

Ranking por dimensão

Capital Humano 1. Londres (Reino Unido)

Aspectos Sociais 1. Helsínquia (Finlândia)

Economia 1. Nova Iorque (Estados Unidos)

Governança 1. Bern (Suíça)

Meio ambiente 1. Reiquiavique (Islândia)

Mobilidade e transporte 1. Paris (França)

Planejamento Urbano 1. Nova Iorque (Estados Unidos)

Acesso a Serviços Internacionais 1. Paris (França)

Tecnologia 1. Hong Kong (China)

Sobre o ICI

O ICI – Instituto das Cidades Inteligentes é uma organização criada em 1998, com atuação em todo o território nacional, referência em pesquisa, integração, desenvolvimento e implementação de soluções completas de TIC para a gestão pública. Mais informações: www.ici.curitiba.org.br.

Sobre a Rede de Especialistas

A Rede de Especialistas de Conservação da Natureza é uma reunião de profissionais, de referência nacional e internacional, que atuam em áreas relacionadas à proteção da biodiversidade e assuntos correlatos, com o objetivo de estimular a divulgação de posicionamentos em defesa da conservação da natureza brasileira. A Rede foi constituída em 2014, por iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Fonte: Segs

63º Leilão de Biodiesel da ANP negocia 964,8 milhões de litros

No 63º Leilão de Biodiesel da ANP foram arrematados 964,8 milhões de litros de biodiesel (volume obrigatório e voluntário). Destes, 964,4 milhões de litros foram para mistura obrigatória, sendo 99,2% deste volume oriundo de produtores detentores do selo Combustível Social. O preço médio foi de R$ 2,814/L, sem considerar a margem Petrobras, e o valor total negociado atingiu o patamar de R$ 2,71 bilhões, refletindo em um deságio médio de 11,01% quando comparado com o preço máximo de referência médio (R$ 3,162/L).

A apresentação das ofertas de biodiesel ocorreu em um único dia (1/10/18), com 38 produtores disponibilizando um volume total de 1,029 bilhões de litros, sendo 99,1% de produtores detentores do selo Combustível Social.

Na primeira etapa de seleção das ofertas, ocorrida nos dias 3, 4 e 5/10/2018, foram arrematados 942,6 milhões de litros de biodiesel exclusivamente de produtores detentores de selo Combustível Social, em torno de 91,6% do total ofertado para todo o leilão.
Na segunda etapa de seleção das ofertas, ocorrida no dia 08/10/2018, foram arrematados 21,7 milhões de litros de biodiesel de produtores detentores ou não de selo Combustível Social, em torno de 2,1% do total ofertado no leilão.

A apresentação e a seleção de ofertas de biodiesel para mistura voluntária ao óleo diesel ocorreram no dia 9/10/18, onde foram disponibilizados 6,7 milhões de litros, sendo 85,3% de produtores detentores do selo Combustível Social. Esse volume representa 10,3% do saldo total de oferta não vendida para fins de adição obrigatória. Foram negociados 445 mil litros de biodiesel, representando 6,6% do total ofertado no leilão autorizativo.

Os Leilões de Biodiesel destinam-se a atender o disposto na Lei nº 13.263, publicada no DOU em 24/03/16, que estabelece em 10% o percentual mínimo obrigatório de adição de biodiesel ao óleo diesel vendido ao consumidor final (B10), em até trinta e seis meses após a data de promulgação da Lei.

O 63º Leilão (L63) visa a garantir o abastecimento de biodiesel no mercado nacional durante o período de 1º de novembro a 31 de dezembro de 2018, conforme diretrizes das Portarias do Ministério de Minas e Energia nº 476, de 15/08/12, e nº 576, de 11/11/2015, e critérios estabelecidos no Edital de Leilão Público nº 005/18-ANP.

Os volumes comercializados somente serão validados após homologação pela diretoria da ANP.

Fonte: ANP

Diretor Superintendente da APROBIO representa Câmara Setorial de Oleaginosas e Biodiesel do Mapa no V Encontro de Pesquisa e Energia da Embrapa

O diretor superintendente da APROBIO e presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel do Ministério da Agricultura, Julio Cesar Minelli, participa nesta terça-feira (9) do V Encontro de Pesquisa e Inovação da Embrapa Agroenergia, realizado entre hoje e amanhã na sede da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em Brasília.

Na mesa de abertura, o chefe geral da Embrapa Energia, Guy de Capdville, destacou a importância que o Encontro vem atingindo ao discutir cada vez mais a necessária integração entre Políticas Públicas, Ciência e Tecnologia e o mercado. Walter Rezende, da CNA, destacou os avanços do agronegócio no Brasil e o potencial da biomassa para a matriz energética do país.

O diretor-executivo da Embrapa, Celso Moretti, fechou a mesa de abertura e apresentou o primeiro painel do dia, com as Perspectivas para o Agro na Bioeconomia Brasileira.

Nesta terça e quarta-feira (10), o encontro prossegue na sede da CNA.

Os temas das mesas redondas que se dividem em subtemas serão Políticas Globais para Biocombustíveis frente às demandas por sustentabilidade, Bioprodutos a partir da Biomassa no conceito de Biorrefinaria, Biotecnologia para aumento de produção e enfrentamento das mudanças climáticas e Biomassa para Bioneregia – A Visão do Setor Produtivo.

Como a terceirização das emissões de gás afeta o mundo

O que acontece quando os países ‘terceirizam’ suas emissões?

Nos últimos dez anos, os Estados Unidos e a Europa deram passos importantes na redução das emissões dos gases causadores do efeito estufa. Esta tendência é frequentemente considerada um sinal de progresso na luta contra a mudança climática.

Mas estas iniciativas parecem muito menos impressionantes quando levamos em conta o intercâmbio mundial. Muitos países ricos efetivamente “terceirizaram” grande parte de sua poluição de carbono ao exterior, importando mais aço, cimento e outras mercadorias de fábricas que trabalham na China e em outros lugares, em lugar de produzi-las internamente.

A Grã-Bretanha, por exemplo, cortou drasticamente um terço das emissões geradas dentro de suas fronteiras entre 1990 e 2015. Mas, se incluirmos todas as emissões globais produzidas na fabricação  do aço importado usado nos arranha-céus e nos automóveis de Londres, veremos que o total da marca de carbono da Grã-Bretanha aumentou ligeiramente naquele espaço de tempo.

“É um grave problema”, disse Ali Hasanbeigi, cientista-pesquisador e diretor executivo da Global Efficiency Intelligence, uma empresa de consultoria. “Se um país cumpre suas metas em relação ao clima terceirizando as emissões em outro lugar, não estaremos fazendo tanto progresso quanto poderíamos imaginar.”

O dr. Hasanbeigi é o autor de um relatório sobre o comércio global de carbono, que calcula que 25% do total das emissões mundiais estão sendo atualmente terceirizadas desta maneira. O relatório define isto como uma “brecha de carbono”, porque os países raramente examinam a marca de carbono do que eles importam.

Há um ano, os legisladores da Califórnia estabeleceram novas normas para a redução do carbono para o aço que o estado compra para os seus projetos.

Alguns ambientalistas a consideram a próxima fronteira da política do clima.

O relatório, que analisa o comércio de 15 mil diferentes setores – de brinquedos a equipamento de escritório a vidro e alumínio – baseia-se em pesquisas anteriores fornecendo os quadros mais detalhados do comércio global de carbono.

Não surpreende minimamente o fato de a China, que se tornou a maior emissora de dióxido de carbono do mundo, continuar sendo a fábrica do planeta. Em 2015, cerca de 13% das emissões da China foram geradas na produção de materiais para outros países. Na Índia, outro país campeão de emissões que cresce rapidamente, a porcentagem é de 20%.

Os Estados Unidos continuam os principais importadores do mundo do que os pesquisadores chamam de “carbono incorporado”. Se os Estados Unidos fossem responsabilizados por toda a poluição que há no mundo, decorrente da produção de automóveis, vestuário e outros bens que os americanos usam, as emissões de dióxido de carbono da nação seriam 14% maiores do que sugerem os seus números referentes ao que é produzido internamente.

Entre 1995 e 2015, enquanto países mais ricos como Japão e Alemanha reduziam as próprias emissões, eles também estavam dobrando ou triplicando a quantidade de dióxido de carbono terceirizado para a China.

Segundo o acordo do clima de Paris, os países são responsabilizados somente pelas emissões produzidas dentro de suas fronteiras. Os especialistas há muito debatem se isto faz algum sentido. Será injusto que a China e a Índia sejam culpadas pelas emissões que ocorrem porque elas fabricam produtos para nações mais ricas? E o fato de também se beneficiarem por terem essas fábricas e empregos?

A migração de indústrias como cimento e aço para outros países também pode deslocar a produção para fábricas menos eficientes submetidas a normas mais brandas em relação à poluição. Uma solução possível para toda esta transferência de emissões seria que todos os países adotassem um imposto global sobre o carbono aplicável igualmente no mundo todo.

Mas, no mundo real, é improvável que isto venha a acontecer em algum momento previsível. E, embora alguns políticos como o presidente Emmanuel Macron, da França, tenham sugerido que a Europa deveria aplicar o seu próprio imposto sobre o carbono a produtos importados, a ideia não ganhou força.

Chris Erickson, o diretor executivo da Climate Earth, uma empresa que ajuda as companhias a avaliarem o impacto ambiental das suas cadeias de suprimentos, afirma que a transparência pode ser reveladora.

A sua companhia criou um banco de dados que pode ser consultado de diferentes combinações concretas, permitindo que os arquitetos procurem materiais que, em alguns casos, tenham uma marca de carbono equivalente a um terço da média do setor.

Isto, por sua vez, poderia pressionar os fornecedores a reduzirem suas emissões. “As próprias companhias que não querem admiti-lo”, disse Erickson, “sabem que uma mudança se aproxima.

Fonte: O Estado de S.Paulo

Preço do biodiesel na Europa atinge maior patamar em 4 anos e meio

Nessa última semana, o biodiesel feito a partir óleo de colza foi negociado perto de seu maior patamar de preços em quase quatro anos e meio no mercado europeu. Segundo Platts – a agência de notícias especializada nos mercados de energia e commodities – a tonelada do produto fechou a última quarta-feira (03) valendo US$ 1.135,50 no mercado de referência que inclui Amsterdam, Roterdã e Antuérpia. O valor é o mais elevado desde 24 de abril de 2014.

A alta vem sendo puxada pelo aumento nas cotações do diesel. Os contratos futuros do combustível fóssil atingiram a marca de US$ 740,50 por tonelada, pouco abaixo da máxima de quatro anos que é US$ 740,75.

O biodiesel de colza vem ganhando força à medida que os compradores tentam garantir lotes de biocombustível com menor ponto de congelamento em preparação à chegada do rigoroso inverno europeu.

O pico na demanda vem aumentando as margens para os produtores europeus no mercado de pronta entrega chegando a registra US$ 250 por tonelada – as melhores em cinco anos. Isso deverá incentivar o aumento na atividade entre os fabricantes europeus.

Para ampliar sua participação no mercado, produtores locais vêm pressionando a Comissão Europeia para taxar as importações de biodiesel com origem na Argentina.

Fonte: Portal BiodioeselBR

Agronegócio quer de novo presidente modernização do sistema tributário

Olhar sobre o mercado externo também deverá estar na agenda

O agronegócio, apesar da importância na economia do país, acaba sendo um dos setores que têm pouca atenção dos presidenciáveis nas propostas de governo. Neste ano, não é diferente.

O segmento, porém, já elegeu seus pontos prioritários para o próximo presidente e promete cobrar. Eles vão da macroeconomia a questões relacionadas a segurança e a sustentabilidade.

As propostas se concentraram em dez pontos. Muitos focam eternos problemas brasileiros que vêm sendo adiados devido ao caixa baixo do governo para investimentos. Outros, devido à força da bancada ruralista, uma das mais fortes de Brasília, poderão ter avanço.

As propostas vieram do Conselho do Agro, que reúne 18 entidades e agregam sugestões não apenas da cadeia agrícola mas também de entidades industriais e de serviços voltadas para o agronegócio brasileiro.

Um dos pontos de relevância é o macroeconômico, que dá ambiente aos negócios do agronegócio. Além da execução das reformas econômicas, o setor quer uma modernização do sistema tributário e evitar a cobrança de impostos sobre as exportações.

Na avaliação do agronegócio, outra prioridade do novo governo deveria ser uma política agrícola com diretrizes de médio e de longo prazos.

O olhar sobre o mercado externo também deverá estar na agenda.

São necessárias visões estratégicas para os grandes mercados como China, EUA e Aliança do Pacífico.

O Brasil precisa também buscar uma evidência para a qualidade e a imagem do produto brasileiro no exterior.

Entre as propostas estão ainda a adequação da regra do licenciamento à atividade agropecuária. O país deveria ter uma política de pagamento pelos serviços ambientais e uma regulamentação do uso dos biomas.

Outro item fundamental, segundo o setor, é o da segurança jurídica. Questões fundiárias, trabalhistas e criminalidade no campo são pontos de destaque.

A economia depende cada vez mais das tecnologias, e o agronegócio não é diferente. É preciso superar as barreiras da conectividade no país, item que pode elevar o aumento da produção, do consumo e da exportação.

A logística não poderia faltar nas propostas. A lista de reivindicações passa pelos setores rodoviário, ferroviário, portuário e hidroviário. Entre elas, estão a implementação de rotas de escoamento e a viabilização dos investimentos nos setores de transporte e de armazenagem.

Na avaliação das entidades, o país precisa avançar também na defesa sanitária da agropecuária. O ambiente regulatório está em descompasso com a evolução do agronegócio.

É necessária uma reavaliação dos procedimentos nos serviços oficiais, além de modernizar e harmonizar os sistemas de informação.

Um dos pontos prioritários no campo é o de elevar o patamar de educação do trabalhador rural. As máquinas vêm, cada vez mais, com muita tecnologia, e a baixa escolaridade dificulta a utilização desses equipamentos.

A edução e a assistência técnica são ferramentas indispensáveis para a transferência de tecnologia. O governo deverá ampliar e aprimorar o sistema educacional, principalmente nos municípios.

Os estudos devem conter disciplinas focadas em gestão econômica e financeira do agronegócio, além de ampliar os programas de qualificação profissional, segundo as propostas para o futuro presidente do país.

Tradicional produtor e exportador de grãos e de carnes, o país precisa aprimorar também a agroenergia. Uma das recomendações das entidades do agronegócio é a regulamentação do Renovabio (Política Nacional de Biocombustíveis) no setor de biocombustível.

A consolidação da agroenergia passa, ainda, pela realização da reforma tributária no setor de etanol e pela promoção do crescimento gradual da mistura de biodiesel ao diesel.

Além disso, é necessário, segundo o setor, viabilizar uma maior participação da biomassa nos leilões de energia. As diversas fontes de biomassa representam 9% da potência outorgada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) na matriz energética.

Carnes A primeira semana das exportações de proteínas teve ritmo fraco em relação a setembro. Houve queda nos volumes das carnes “in natura” de suínos e de bovinos. O de carne de frango ficou estável.

Preços Os dados são da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), que também apontou recuo do preço das carnes em relação aos verificados em outubro do ano passado. A carne suína vale 30% menos.

Atacado Os produtos agropecuários mantêm pressão na inflação. Os preços médios do setor variaram 2,11% no atacado no mês passado, acumulando 12,2% nos nove primeiros meses do ano, segundo o IGP-DI, da FGV.

Em queda A soja foi um dos pesos na inflação, com alta de 5,43% no mês passado. Já os preços do leite, com a melhora das pastagens, começa a cair. Açúcar, devido à queda externa, e cana também tiveram retração de preços.

Milho As exportações do cereal avançam, embora em ritmo menor do que as de 2017. Na primeira semana deste mês, superaram em 15% as de setembro, mas ficaram 13% abaixo das de outubro de 2017.

Soja O Usda (Departamento de Agricultura dos EUA) poderá trazer novidade na divulgação de safra desta terça (9), devido ao excesso de chuva. O primeiro contrato da soja está em US$ 8,6975 por bushel em Chicago.

Efeito no bolso

Os produtores foram uma das forças de Jair Bolsonaro na eleição de domingo (7). A opção pelo candidato do PSL, porém, trouxe estragos ao bolso dos agricultores. A soja, carro-chefe da agricultura, caiu R$ 3 por saca nesta segunda-feira (8), reduzindo em R$ 50 o valor da tonelada da commodity. A queda ocorreu devido ao recuo do dólar. Em Sorriso (MT), a saca do produto para entrega imediata recuou para R$ 71.

Fonte: Folha de S.Paulo

Plantio de soja está acelerado em MT e fazendeiros já olham para algodão

Correndo contra o tempo, produtores estão trabalhando até durante a noite com a chamada ‘soja precoce’, para dar lugar ao próximo cultivo.

O plantio de soja em Mato Grosso está em ritmo acelerado. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a expectativa é que sejam plantados 10 milhões de hectares do grão no estado, um aumento de 2% em relação ao ano passado.

Diferentemente de 2017, as chuvas estão melhores neste ano.

No maior estado produtor do grão no país, os agricultores trabalham com um planejamento de longo prazo. Apesar de a época ainda ser de pleno plantio da soja, já tem produtor preocupado com o cultivo do algodão, que virá em seguida.

Em uma fazenda em Pedra Preta, os primeiros hectares plantados foram da soja precoce, que em cem dias será colhida para dar lugar ao próximo cultivo.

Preço do algodão em alta

Lá, apesar da boa perspectiva com o cereal, os agricultores vão aumentar a aposta no algodão, que está com preço em alta – na última safra, a arroba foi vendida por pouco mais de R$ 100 e os contratos fechados até agora conseguiram manter esse valor.

A janela de plantio do algodão segunda safra termina no próximo dia 25 de janeiro e os produtores que vão destinar áreas à cultura correm contra o tempo: as máquinas plantadeiras permanecem no campo noite adentro.

“O mercado de algodão está bem aquecido e grande parte desse algodão que a gente vai plantar ainda está sendo comercializada”, diz Joanei Luiz Baldissera, gerente de produção da fazenda.

Na última safra, o Mato Grosso colheu mais de 3 milhões de toneladas de algodão em caroço e mais de 32 milhões de toneladas de soja.

Fonte: G1 – Globo Rural

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