Brasil e China poderiam fazer parcerias em comércio de farelo de soja, diz diplomata chinês

BRASÍLIA (Reuters) – Empresas chinesas e brasileiras poderiam formar joint ventures de processamento de soja como forma de ampliar as exportações de farelo de soja da maior economia da América Latina para o principal importador global da oleaginosa, disse em uma entrevista um alto diplomata chinês.

As empresas chinesas processam grande parte de toda a soja que usam em fábricas na China, em vez de comprar farelo de soja diretamente do Brasil, mas as companhias escolhem a opção mais lucrativa, disse Qu Yuhui, ministro-conselheiro encarregado de assuntos políticos da embaixada chinesa em Brasília.

“Se uma companhia chinesa e outra brasileira juntas fizerem uma joint venture no Brasil para processar soja, essa é uma boa escolha para os lucros de ambos os lados”, disse ele à Reuters, acrescentando que tal parceria poderia aliviar o ônus dos custos logísticos brasileiros.

Ainda assim, Qu disse que não há discussões atualmente para a China dar ao Brasil uma cota de farelo de soja com um imposto de importação mais baixo.

O investimento chinês no Brasil saltou em 2017 para uma máxima de sete anos, estimulando o debate sobre as relações bilaterais antes da eleição presidencial brasileira em outubro.

As compras chinesas de terras e operações de mineração atraíram críticas do candidato Jair Bolsonaro (PSL), que lidera a corrida em um cenário sem o ex-presidente Lula.

Qu disse que era difícil entender a raiz da preocupação de Bolsonaro. Os compradores chineses respondem por apenas 3 por cento das compras de terras estrangeiras no Brasil, disse ele.

Ele disse que a China e o Brasil continuarão a trabalhar para o desenvolvimento mútuo, independentemente de quem vencer a eleição, acrescentando que o comércio bilateral deve crescer 25 por cento, para 110 bilhões de dólares nos próximos dois a três anos.

Qu disse que ainda é muito cedo para dizer se as disputas comerciais entre os EUA e a China terão impacto sobre o comércio entre a China e o Brasil, que já estava crescendo rapidamente antes da atual disputa.

Além da demanda crescente por soja e milho brasileiros, Qu disse que o crescimento do consumo chinês impulsionará o comércio de frutas, frango e carnes suína e bovina.

O aumento do comércio bilateral não ocorre sem atritos.

A China impôs medidas antidumping ao frango brasileiro em junho, enquanto uma tarifa de açúcar pesou sobre as exportações brasileiras do adoçante para a China.

“Estou relativamente otimista de que este problema possa ter uma solução apropriada em um período relativamente curto de tempo”, disse ele sobre as exportações brasileiras de açúcar. Ele expressou avaliação semelhante sobre o comércio de frango.

Fonte: Reuters

ANP reúne mercado de combustíveis para debater o setor

A ANP realizou, de 8 a 10/8, em Armação dos Búzios (RJ), o workshop “Cenário atual e perspectivas para o mercado de combustíveis no Brasil 2018”. Ao longo dos três dias, mais de 370 pessoas, incluindo diretores, superintendentes e técnicos da Agência, representantes de outros órgãos públicos e agentes regulados estiveram reunidos para avaliar o modelo de abastecimento nacional e discutir possíveis aperfeiçoamentos na regulação do setor.

O evento ocorreu nove anos após sua primeira edição, realizada em 2009, que deu origem ao documento chamado “Carta de Búzios”, reunindo os resultados dos debates e propostas para o desenvolvimento do mercado.

Na abertura da edição 2018, diretores da ANP apresentaram a evolução do mercado e as principais mudanças ocorridas no Brasil e no mundo desde 2009, bem como os aprimoramentos regulatórios resultantes das propostas da Carta de Búzios e tendências para o setor de downstream.

O segundo dia teve início com o painel “Regulação do downstream: tendências e experiência internacional”, com participação de representantes do Ministério Público Federal, do Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade) e da empresa de consultoria IHS Markit, com moderação de diretor da ANP. Entre os principais pontos discutidos estiveram a importância da interação entre os órgãos públicos e a necessidade de aumento da concorrência e da eficiência no mercado brasileiro.

O restante do dia foi dedicado aos debates em cinco salas temáticas: Biocombustíveis; Combustíveis fósseis; GLP; Lubrificantes, asfaltos e solventes; e Preços, defesa da concorrência e tributação. Os temas foram divididos em subtemas, para os quais cada grupo identificou desafios e elaborou propostas.

Os resultados das discussões foram apresentados por cada grupo no último dia e servirão de base às ações da ANP nos próximos cinco anos, bem como poderão orientar medidas de outros órgãos públicos.

No encerramento, a Diretoria da ANP destacou que o evento possibilitou reunir representantes de todos os segmentos do downstream para discutir temas que se mostram relevantes para a sociedade no momento. Os diretores fizeram um balanço do evento, ressaltando que, entre os pontos transversais a todos os temas debatidos, estiveram as transformações pelas quais passa a sociedade, que geram necessidade de adaptação pelo mercado, e a importância de criação de um mercado mais aberto, competitivo e dinâmico.

Veja aqui as apresentações realizadas durante o evento.

Fonte: ANP

Poluição do ar: o surpreendente fator causador de diabetes tipo 2

Pesquisa mostra como partículas poluentes podem afetar a produção de insulina no nosso organismo.

Má alimentação, falta de exercício, obesidade e até a hereditariedade são fatores de risco conhecidos do diabetes tipo 2. E a fumaça liberada pelo escapamento dos automóveis?

Uma equipe da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, conduziu um estudo, o maior realizado até hoje, relacionando a doença com as emissões de dióxido de carbono (CO2).

De acordo com a pesquisa, publicada na revista científica “The Lancet Planetary Health”, 14% dos casos de diabetes registrados no mundo em 2016 estavam relacionados a partículas poluentes na atmosfera.

Ou seja, 3,2 milhões de pessoas contraíram diabetes tipo 2 devido à poluição do ar. Apenas nos Estados Unidos, observa o estudo, a contaminação atmosférica levou ao surgimento de 150 mil novos casos em 2016.

“Nossa pesquisa mostra um vínculo significativo entre a poluição do ar e o diabetes em todo o mundo”, disse Ziyad Al Aly, professor de medicina da Universidade de Washington e principal autor da pesquisa.

Mas de onde vem essa conexão?

Partículas minúsculas

Os cientistas examinaram uma partícula chamada PM2.5, cerca de 30 vezes menor que um fio de cabelo humano. Elas são emitidas pela maioria das fábricas ao redor do mundo e também emanam de carros e caminhões de carga nos Estados Unidos.

O tamanho é exatamente o que torna a partícula mais perigosa. Carregada com metais tóxicos, a PM2.5 pode penetrar facilmente nos pulmões e, a partir daí, entrar na corrente sanguínea. Dessa forma, pode passar para diferentes órgãos e causar inflamação, condição que favorece a resistência à insulina.

Com o tempo, pode afetar o pâncreas, que não consegue bombear insulina suficiente para compensar. É então que o diabetes aparece.

As consequências das partículas PM2.5 podem ser muito piores em países e cidades com altos níveis de poluição atmosférica, e onde o controle da emissão de CO2 não existe ou não é respeitado.

No México, as cidades de Monterrey, Toluca, Salamanca, León, Irapuato, Silao, Puebla, além da capital Cidade do México, excedem bastante os níveis de PM2.5 recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), afirma um relatório de 2016.

Ainda segundo a OMS, existem 420 milhões de pessoas no mundo com diabetes, a grande maioria do tipo 2. No caso do México, 14% da população sofre com a doença, que também é a principal causa de morte entre os mexicanos, segundo a organização.

No Brasil, o número de pessoas com os diabetes tipo 1 e 2 subiu 61,8% na última década, de acordo com o Ministério da Saúde.

O método

Estudos anteriores tentaram vincular a poluição e o diabetes tipo 2, mas nenhum foi tão extenso quanto esse.

Para chegar às conclusões, os cientistas examinaram 1,7 milhão de americanos durante oito anos, período em que monitoraram seu índice de massa corporal.

As informações obtidas foram cruzadas com os dados das partículas encontradas no ar, coletado pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês) e pela Nasa, agência espacial americana.

Fonte: BBC publicado no G1

Pesquisa genética desenvolve mamona atóxica capaz de alimentar animais

Cientistas conseguiram resolver um dos maiores desafios para o uso da mamona (Ricinus communisL.) na alimentação animal. Pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) desenvolveram uma mamona sem ricina, uma das substâncias mais tóxicas conhecidas que chega a ser citada na Convenção Internacional para Proibição de Armas Químicas. Os pesquisadores preveem que o novo material deve demorar, no mínimo, quatro anos para estar disponível no mercado.

Proteína presente na semente da planta, a ricina inviabiliza o uso da torta de mamona, subproduto do processamento do óleo de mamona, na alimentação animal. A proteína também apresenta riscos de intoxicação durante o processo de obtenção do óleo, produto valorizado na indústria por sua alta qualidade e empregado em cosméticos, tintas, lubrificantes e vários outros produtos.

Por isso, mesmo sendo potencialmente interessante para a alimentação animal, a torta de mamona passou a ser descartada pelos produtores rurais por causa da substância tóxica que é encontrada exclusivamente no endosperma (tecido de armazenamento de nutrientes) das sementes da planta.

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Fonte: Embrapa News

Como reverter notícias ruins sobre o clima em boas perspectivas sobre o cenário do futuro

Coragem! Lá vem notícia ruim sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre a humanidade.

Um estudo coletou séries temporais diárias históricas de temperaturas média em 412 comunidades dentro de 20 países em períodos que variaram de 1º de janeiro de 1984 a 31 de dezembro de 2015, e fez a comparação com o impacto das ondas de calor na humanidade. O que foi descoberto é que as temperaturas elevadas têm causado muitas mortes, sobretudo em países que ficam em regiões tropicais, próximo ao Equador.

Pessoas vão morrer menos de calor, no futuro, em países europeus – que estão atravessando um verão dos mais quentes – e nos Estados Unidos. Mas as notícias não são boas para o Brasil, neste sentido. O estudo foi considerado dos mais abrangentes sobre o tema pelos especialistas do Observatório do Clima.

Os pesquisadores buscaram refletir, basicamente, tomando por base três premissas: as ondas de calor podem causar um impacto significativo na saúde da população em todo o mundo, incluindo um aumento na mortalidade e morbidade; haverá um aumento na frequência e severidade das ondas de calor no futuro em todo o mundo por causa das mudanças climáticas e as evidências sobre os impactos das mudanças climáticas na mortalidade relacionada à onda de calor em escala global são (ainda) limitadas.

Para nós brasileiros, a pior notícia ainda está por vir: os 39 cientistas de todo o mundo que fizeram o estudo puseram o Brasil no terceiro lugar num cenário bem pessimista sobre os impactos das ondas de calor sobre os humanos. Por isso, dizem os pesquisadores, é preciso levar a sério uma linda de adaptação às alterações climáticas e uma política de mitigação (dos impactos) cada vez mais rigorosa para reduzir as emissões.

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Fonte: G1

Biodiesel, “petróleo verde” brasileiro

Nesse 10 de agosto, Dia Internacional do Biodiesel, que tal conhecer um pouco mais do assunto?

O biodiesel é um combustível renovável obtido a partir de um processo químico denominado transesterificação. Por meio desse processo, os triglicerídeos presentes nos óleos e gordura animal reagem com um álcool primário, metanol ou etanol, gerando dois produtos: o éster e a glicerina. O primeiro somente pode ser comercializado como biodiesel, após passar por processos de purificação para adequação à especificação da qualidade, sendo destinado principalmente à aplicação em motores de ignição por compressão (ciclo Diesel).

Os primeiros estudos para a criação de uma política para o biodiesel no Brasil iniciaram em 2003, com a criação da Comissão Executiva Interministerial do Biodiesel (CEIB) e do Grupo Gestor (GG) pelo governo federal. Em dezembro de 2004, o governo federal lançou o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), com o objetivo inicial de introduzir o biodiesel na matriz energética brasileira. Com enfoque na inclusão social e no desenvolvimento regional, o principal resultado dessa primeira fase foi a definição de um arcabouço legal e regulatório.

A sua mistura ao diesel fóssil teve início em 2004, em caráter experimental e, entre 2005 e 2007, no teor de 2%, a comercialização passou a ser voluntária. A obrigatoriedade veio no artigo 2º da Lei n° 11.097/2005, que introduziu o biodiesel na matriz energética brasileira. Em janeiro de 2008, entrou em vigor a mistura legalmente obrigatória de 2% (B2), em todo o território nacional. Com o amadurecimento do mercado brasileiro, esse percentual foi sucessivamente ampliado pelo CNPE até o atual percentual de 7,0%, conforme pode ser observado:

Evolução do percentual de teor de biodiesel presente no diesel fóssil no Brasil

  • 2003 – Facultativo
  • Jan/2008 – 2%
  • Jul/2008 – 3%
  • Jul/2009 – 4%
  • Jan/2010 – 5%
  • Ago/2014 – 6%
  • Nov/2014 – 7%
  • Mar/2018 – 10%

A especificação do biodiesel tem sido aprimorada constantemente ao longo dos anos, o que tem contribuído para a sua harmonização com as normas internacionais e alinhamento da sua qualidade às condições do mercado brasileiro, assegurando maior segurança e previsibilidade aos agentes econômicos.

Assim, o biodiesel já é uma realidade no País e garante ao Brasil uma posição destacada em relação ao resto do mundo. Juntos, etanol e biodiesel fortalecem a participação dos biocombustíveis na matriz energética nacional e a imagem do Brasil como país que valoriza a diversidade de fontes energéticas.

Os atos normativos referentes à especificação do biodiesel são os seguintes:

  • Resolução ANP nº 30/2016 – estabelece a especificação de óleo diesel BX a B30, em caráter autorizativo, nos termos dos incisos I, II e III do art. 1º da Resolução CNPE nº 03, de 21 de setembro de 2015.
  • Resolução ANP nº 45/2014 – estabelece a especificação do biodiesel contida no Regulamento Técnico ANP nº 3/2014 e as obrigações quanto ao controle da qualidade a serem atendidas pelos diversos agentes econômicos que comercializam o produto em todo o território nacional.

Para consultar informações sobre os leilões de biodiesel, clique aqui.

Clique aqui para conhecer os benefícios desse “petróleo verde”.

Fonte: Informações ANP

Ondas de calor serão mais intensas e já refletem o aquecimento global

O calor escaldante que tomou conta da Europa nesse verão traz o assunto do aquecimento global para o centro do debate.

Para o diretor de pesquisa do Laboratório Francês de Ciências do Clima e do Meio Ambiente, Robert Vautard, estamos entrando numa nova era climática, da qual conhecemos a causa. “O que nós sabemos agora é que a amplitude das ondas de calor que estamos tendo na Europa, mas não só na Europa, está relacionada às mudanças climáticas”.

Se cada evento extremo separado não pode ser diretamente relacionado ao aquecimento global, segundo os cientistas é possível mostrar que a frequência deles vem aumentando.

Nos Estados Unidos, ainda que as queimadas sejam comuns nessa época, o fogo dessa vez foi mais intenso. Um território equivalente ao tamanho de Los Angeles foi destruído. Em Palm Springs, os termômetros bateram os 50 graus. No Quebec, Canadá, sensação térmica de 45 graus.

A Suécia teve o verão mais quente dos últimos dois séculos. E o Japão registrou 80 mortos pelas altas temperaturas. Um cenário que tende a se repetir, segundo Carlos Rittll, diretor-executivo do Observatório do Clima.

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Fonte: RFI

O que tem no ar do Brasil que ajuda a matar 50 mil pessoas por ano, segundo a OMS

No Brasil, o ar é responsável pela morte de 50 mil pessoas a cada ano, por causar doenças como câncer de pulmão, ataque cardíaco e derrame cerebral

Não estamos em um campo de guerra, mas, diariamente, respiramos um ar que pode nos matar. Segundo levantamento divulgado em maio pela Organização Mundial da Saúde (OMS), nove em cada 10 pessoas no mundo respiram ar poluído. No Brasil, ele é responsável pela morte de 50 mil pessoas a cada ano, por causar doenças como câncer de pulmão, ataque cardíaco e derrame cerebral.

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Fonte: Gazeta do Povo

Brasil diz já ter cumprido meta de 2020 para o clima

O feito, segundo o governo, se deu em virtude da redução, entre 2016 e 2017, do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Especialistas que trabalham com estimativas de emissões, porém, questionam o dado

SÃO PAULO – O presidente Michel Temer deve anunciar nesta quinta-feira, 9, que o País conseguiu, três anos antes, cumprir sua meta voluntária de redução de emissões de gases de efeito estufa prevista para 2020. O feito, segundo o governo, se deu em virtude da redução, entre 2016 e 2017, do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Especialistas que trabalham com estimativas de emissões, porém, questionam o dado.

O cálculo se refere a um compromisso assumido pelo Brasil em 2009, no âmbito da Conferência do Clima de Copenhague, e que se traduziu internamente em lei com o decreto que estabeleceu a Política Nacional de Mudança do Clima.

Pela proposta apresentada à Convenção do Clima, o Brasil fez uma projeção de quanto estariam as suas emissões de gases de efeito estufa (que causam o aquecimento global) em 2020 se nenhuma medida fosse tomada para contê-las; e quanto seria possível reduzi-las, numa comparação com valores médios observados entre 1996 e 2005. A meta estabelecida foi chegar a 2020 com uma redução de 36,1% a 38,9% em relação ao projetado para aquele ano.

A principal maneira de alcançar isso, propôs o governo, foi reduzir o desmatamento. Se não houvesse nenhum tipo de ação de mitigação, a estimativa brasileira é que a perda da Amazônia, por exemplo, poderia enviar para a atmosfera 947,6 milhões de toneladas de CO2 em 2020.

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Fonte: O Estado de S.Paulo

Soja: Mais competitivo que os EUA, Brasil chega a 2019 sem estoque

Embora a soja brasileira siga mais competitiva do que a norte-americana quando o assunto é preço com a guerra comercial entre chineses e americanos em curso, a China deverá voltar a ver sua necessidade de importar a oleaginosa dos EUA nos próximos meses, se não nas próximas semanas. A oferta brasileira está cada vez mais escassa e deveremos iniciar 2019 praticamente sem estoques, como explica o consultor em agronegócios, Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios.

“Os prêmios nos EUA estão 50 cents acima de Chicago, enquanto no Brasil passam de 200. Só que não temos mais soja no Brasil, o que tem está indo embora, o farelo está indo embora. Embora não seja a favor da guerra comercial, o momento tem favorecido muito o Brasil e o mercado, no curtíssimo prazo, é bastante interessante”, explica Fernandes.

O Brasil nunca chegou a agosto exportando volumes tão elevados de soja e derivados como tem acontecido neste ano. E com isso, o aperto no volume ainda a ser ofertado se estreita cada vez mais.

A análise do consultor da Terra é semelhante à consultoria internacional Oil World. “A China precisa retomar suas compras nos EUA. A escassez do produto na América do Sul fará com que seja necessário a nação asiática tenha de importar cerca de 15 milhões de toneladas de soja americana no período de outubro de 2018 a março de 2019, mesmo com o problema da guerra comercial em andamento”, diz o boletim da empresa. O reporte acrescenta ainda que esse movimento já poderia ser iniciado nas próximas semanas.

Mesmo bem abastecida neste momento, a China, ainda segundo a Oil World, deverá enfrentar momentos de estoques bem ajustados nos próximos meses caso não volte parte de sua demanda ao mercado dos Estados Unidos. E diante de preocupações como esta, os preços da soja e do farelo subiram de forma bastante expressiva nesta quarta-feira no mercado chinês, registrando sua maior alta diária em quase 10 anos.

Além disso, as importações chinesas de soja, em julho, apresentaram um recuo em relação ao mês anterior e também trouxeram preocupações sobre o abastecimento, dando mais estímulo às altas no mercado doméstico.

No mês passado, as compras chinesas somaram 8,01 milhões de toneladas, 8% a menos do que as 8,7 milhões de toneladas de junho. A queda vem com os processadores comprando menos soja após terem garantido, nos meses anteriores, bons estoques para se prepararem para as ondas de tarifações sobre o produto norte-americano.

Em relação ao mesmo período do ano passado, as importações estão 20,6% menores, quando a China comprou o recorde mensal de 10 milhões de toneladas de soja.

“Os compradores chineses adquiriram muita soja brasileira para evitar e mitigar os impactos da guerra comercial China x EUA. Então, a pressão do estoques domésticos é grande, o que fez com que as importações de julho fossem um pouco menores”, disse o analista sênior da First Futures, Tian Hao, à Reuters Internacional.

Nos primeiros sete meses de 2018, as compras chinesas de soja já somam 52,88 milhões de toneladas, 3,7% menores do que no acumulado da temporada anterior.

Para setembro e agosto, as expectativas mostram que as importações da nação asiática poderiam se manter na casa das 8 milhões de toneladas, o que deverá manter os estoques em níveis elevados.

Os estoques chineses de farelo de soja chegaram a um recorde, em julho, de 1,27 milhão de toneladas.

Essa preocupação com o abastecimento gera um aumento dos preços ao mesmo tempo em que causa também margens elevadas de esmagamento para as processadoras. O efeito disso chega à produção de proteína, que também poderia ser reduzida, trazendo preços mais altos no mercado interno, ainda de acordo com a análise da Oil World.

Uma alternativa a isso poderia ser a a maior importação de farelo de soja pela China, o que tradicionalmente não acontece no país. “Podemos ver um direcionamento maior de farelo argentino para a China. Se a China começar a comprar mais farelo da Argentina, pode haver um déficit de grãos no mercado argentino, que consequentemente irá se abastecer nos EUA”, dizem os analistas da consultoria.

Mais do que isso, ainda segundo explica Ênio Fernandes, deverá ser registrado um aumento das triangulações. “As multinacionais compram soja dos EUA, mandam para outro país e a China compra nessas localidades”, diz. Assim, o que poderá ser observado é essa maior ocorrência de vendas trianguladas ou a China comprando o mínimo direto dos EUA para manter seus estoques elevados.

Em entrevista à Bloomberg, o analista de mercado chefe da Northstar Commodity diz que “deveremos ver mais negócios acontecendo entre China e EUA. Pode ser que nunca cheguem aos niveis que gostaríamos, mas é melhor do que volume nenhum”.

As contas são simples. A estimativa do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) é de que a China importe 95 milhões de toneladas na temporada 2018/19. E mesmo que ela absorva as 75 milhões projetadas para serem exportadas pelo Brasil, ainda há um gap de 20 milhões para ser suprido.

“Será praticamente impossível cobrir esse volume sem os chineses importarem dos EUA. A Argentina tem exportações projetadas em apenas 8 milhões, de acordo com o USDA”  dizem os especialistas ouvidos pela Bloomberg.

Sinais de que essa melhora no ritmo dos negócios já começa a acontecer vêm dos números das vendas norte-americanas do ano comercial 2018/19. De acordo com dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), as vendas dos EUA acumuladas no novo ano comercial já chegam a mais de 10 milhões de toneladas, contra pouco mais de 6 milhões do mesmo período do ano passado.

“Ou seja, apesar da guerra comercial entre China e EUA, o volume de antecipações de soja  que já está negociada é bem maior do que em igual período. Não há sinais de arrefecimento nas vendas externas dos EUA. Esse é um número bem pujante, que fica até acima da média histórica para o período”, explica o analista de mercado da Informa Economics FNP, Aedson Pereira, em entrevista ao Notícias Agrícolas.

O especialista explica ainda que dessas 10 milhões de toneladas já comprometidas pelos EUA, apenas 1,3 milhão foi destinado à China. Há, porém, mais da metade do volume total – cerca de 5,5 milhões de toneladas – tem destino não revelado. “Isso mostra que há um movimento de reestruturação na dinâmica do fluxo de exportação, por isso que o mercado está muito atento aos números de vendas antecipadas nos EUA”, completa Pereira.

Fonte: Notícias Agrícolas

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