Gelo da Antártica acelera derretimento

O aquecimento global está provocando um degelo mais acelerado da Antártica, algo seis vezes superior ao registrado há 40 anos, e deve provocar uma maior elevação do nível do mar em todo o mundo, advertiram pesquisadores nesta segunda-feira.

O derretimento do gelo antártico já elevou o nível do mar em 1,4 centímetro entre 1979 e 2017, destaca o trabalho publicado na revista americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Espera-se que o ritmo do degelo leve a um catastrófico aumento do nível do mar nos próximos anos, segundo o principal autor do trabalho, Eric Rignot, presidente de Ciência do Sistema Terra na Universidade da Califórnia, em Irvine.

“Se as camadas de gelo da Antártica continuarem derretendo, teremos um aumento de vários metros do nível do mar nos próximos séculos”, advertiu Rignot.

Um crescimento de 1,8 metro para 2100, como preveem alguns cientistas, pode inundar várias cidades costeiras, onde vivem milhões de pessoas, em todo o mundo, segundo estudos precedentes.

No trabalho atual, os pesquisadores realizaram a avaliação mais longa da história sobre as massas de gelo da Antártica, ao longo de 18 regiões geográficas.

A informação foi obtida através de fotos aéreas de alta resolução tiradas por aviões da Nasa e por satélites de diversas agências espaciais.

Os cientistas concluíram que entre 1979 e 1990 a Antártica perdeu, em média, 40 bilhões de toneladas de gelo ao ano, e que entre 2009 e 2017 está perda subiu a 252 bilhões de toneladas/ano.

Segundo os pesquisadores, até certas zonas consideradas “estáveis e imunes à mudança” climática na Antártica Oriental agora estão sofrendo degelo.

“O setor da Terra de Wilkes, na Antártica Oriental, sempre foi um participante importante na perda de gelo, inclusive nos anos 80, destaca a investigação, acrescentando que esta região é provavelmente mais sensível à mudança climática do que se acreditava, e é importante sabê-lo porque tem mais gelo que na Antártica Ocidental e na Península Antártica juntas”.

Rignot advertiu que o aumento da temperatura dos oceanos apenas acelerará o processo de degelo.

Investigações recentes mostraram que a temperatura dos oceanos está aumentando mais rápido que o previsto e estabelecendo recordes nos últimos anos.

Fonte: Gauchzh

Oceanos estão aquecendo mais rápido do que o previsto, diz estudo

Pesquisadores descobriram que os oceanos estão ficando mais quentes, em média, 40% mais rápido do que o estimado em 2014, durante um painel das Nações Unidas. No artigo, publicado na revista Science, eles também apontam que as temperaturas das águas quebraram recordes por anos consecutivos.

À medida que o planeta aquece, os oceanos amortecem o problema: eles diminuem os efeitos das mudanças climáticas, absorvendo 93% do calor aprisionado pelos gases do efeito estufa. “Se o oceano não estivesse absorvendo tanto calor, a superfície da Terra esquentaria mais rapidamente”, explicou Malin L. Pinsky, professor da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos. “Na verdade, o oceano está nos salvando do enorme aquecimento.”

As altas temperaturas já estão matando os ecossistemas marinhos, elevando o nível do mar e tornando os furacões mais destrutivos. Além disso, as populações que dependem da pesca podem ser prejudicadas. “A capacidade dos oceanos quentes de produzir alimentos é menor, o que significa que essas pessoas estarão se aproximando da insegurança alimentar”, comentou Kathryn Matthews, cientista do grupo de conservação Oceana.

Importância científica
A temperatura média das águas é uma maneira de rastrear os efeitos das emissões de gases do efeito estufa. “Os oceanos são o melhor termômetro para mudanças na Terra”, falou Zeke Hausfather, do grupo de pesquisa climática Berkeley Earth.

Historicamente, entender as temperaturas oceânicas tem sido difícil. Um relatório oficial das Nações Unidas, emitido em 2014 pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, apresentou cinco estimativas diferentes do calor marítmo. Todas mostraram menos aquecimento que os níveis projetados por modelos climáticos computacionais – sugerindo que ambos métodos eram imprecisos.

Desde o começo dos anos 2000, os pesquisadores medem o calor do oceano com uma rede chamada Argo. Nela, flutuadores medem a temperatura e a salinidade a 6,5 mil pés superiores do mar e enviam os dados via satélites.

As águas do oceano ainda são um pouco alcalinas (Foto: Rosina Peixoto/Wikimedia Commons)

Antes de Argo, eram utilizados sensores de temperatura que os navios mergulhavam com um fio de cobre. As informações eram transferidas para gravação até que o fio se quebrasse. Esta técnica estava sujeita a incertezas por causa da profundidade em que a medição era feita – e isso atrapalha os cientistas atualmente.

Na nova pesquisa, Hausfather e colegas avaliaram três estudos recentes que explicam os instrumentos antigos. Os resultados convergiram em uma estimativa de aquecimento dos oceanos maior do que a do relatório de 2014 das Nações Unidas, além de ser mais parecida com os modelos climáticos computacionais.

De acordo com a análise, as águas mais próximas da superfície ficaram mais quentes, e o aquecimento acelerou nas duas últimas décadas. Com o aquecimento, o nível do mar sobe porque a água quente ocupa mais espaço do que a água fria. “À medida que o oceano esquenta, está levando os peixes a novos lugares, e já vimos que isso está gerando conflitos entre países”, disse Malin L. Pinsky. “Isso levou ao colapso nas relações internacionais em alguns casos.”

Avaliação quente 
Um quarto estudo usou um método para estimar a temperatura dos oceanos indiretamente, também descobrindo que eles estavam aquecendo mais rápido. Esta análise inicialmente continha um erro que levou os autores a revisar as estimativas para baixo, a aproximou das estimativas do novo consenso.

“A correção fez com que eu concordasse melhor com outros registros. Anteriormente, este estudo mostrava aquecimento maior do que qualquer outro, e isso era preocupante porque significava que nossas estimativas observacionais poderiam ser problemáticas”, declarou  Hausfather.

Para ele, os esforços para mitigar o aquecimento global, como o Acordo de Paris, ajudariam a reduzi o calor oceânico.  “Há algum motivo para confiar que vamos evitar os resultados do pior caso.”

Fonte: Revista Galileu

Produtividade alavanca o agronegócio

A soja continua sendo a campeã na produção agrícola brasileira, com total previsto de 118,8 milhões de toneladas na safra 2018/2019.

Favorecida por bons preços internacionais, a safra 2018/2019 deve ser 4,2% maior do que a anterior. O quarto levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), há pouco divulgado, prevê uma colheita de 237,3 milhões de toneladas de grãos.

Como já faziam prever os investimentos feitos pelo agronegócio em máquinas agrícolas, bem como em fertilizantes e outros insumos, houve um avanço sensível da produtividade, uma vez que a área plantada é prevista em 62,5 milhões de hectares, uma ampliação de 1,2% em relação à safra 2017/2018.

Como observa a Conab, “as boas condições das lavouras nas principais regiões produtoras de grãos são prenúncio de que sejam alcançados bons rendimentos nessa temporada e mostram que a produtividade estimada se manteve até agora próxima ao que havia sido calculado estatisticamente no início da safra”.

A soja continua sendo a campeã na produção agrícola brasileira, com total previsto de 118,8 milhões de toneladas na safra 2018/2019, apresentando uma pequena redução de 0,4% em confronto com a safra anterior (119,28 milhões), apesar de a área de plantio ter registrado um crescimento de 1,7% de um ano agrícola para outro.

Isso torna ainda mais significativa a produção de milho, que, em suas duas safras, deve somar 91,2 milhões de toneladas, um volume 12,9% superior ao obtido em 2017/2018 (80,77 milhões de toneladas). Nota-se que, no caso do milho, a área cultivada aumentou somente 0,4% na primeira safra, estimada em 27,46 milhões de toneladas, um aumento de 2,4% diante da primeira safra do ano agrícola precedente (26,81 milhões). Mas o grande avanço se deu na segunda safra do produto, que é projetada em 67,73 milhões de toneladas, um crescimento de 18,1% diante da segunda safra de 2017/2018 (53,98 milhões).

Duas outras lavouras também merecem destaque. Calcula-se que a produção de algodão herbáceo deva subir 20,3% na safra atual, devendo atingir 2,41 milhões de toneladas. Já a colheita de trigo deve crescer 27,3% em relação à anterior, alcançando 5,4 milhões de toneladas, o que diminuirá a importação do produto e contribuirá para a estabilidade de preços.

O único produto com produção em queda é o arroz, prevendo-se uma colheita de 11,2 milhões de toneladas, 7,1% inferior à precedente (12,06 milhões de toneladas).

Fonte: Brasil Agro

Márcio Félix é nomeado secretário de petróleo e gás do MME

Escolhido já ocupou cargo durante governo Temer e foi executivo da Petrobras

SÃO PAULO (Reuters) – O ministro de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, nomeou o engenheiro Marcio Felix como novo secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis da pasta, cargo que ele já havia ocupado durante parte do governo de Michel Temer, segundo publicação no Diário Oficial da União nesta segunda-feira.

Ex-executivo da Petrobras, onde chegou a ser gerente-geral de América do Norte e África na área de Exploração e Produção Internacional, Felix ocupou a área de óleo e gás e posteriormente a secretaria-executiva do ministério de Minas e Energia na gestão Temer.

Com a eleição de Jair Bolsonaro à Presidência, ele havia sido exonerado e substituído na secretaria-executiva por Marisete Pereira, antes chefe da Assessoria Econômica da pasta.

Felix é graduado em Engenharia Eletrônica pela Universidade de Brasília, com especialização em Engenharia do Petróleo pela Universidade Petrobras e MBA em Gestão Empresarial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, segundo informações do ministério.

João Vicente de Carvalho Vieira, que estava na secretaria de Petróleo desde meados de abril do ano passado, foi exonerado, ainda segundo a publicação do ministério no Diário Oficial, assinada também pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Fonte: Extra

A poluição do ar prejudica até seu desempenho no trabalho

Pesquisa da Universidade de Cingapura mostra que exposição a ar contaminado prejudica o rendimento em empregos que exigem coordenação, velocidade e consistência

A poluição do ar em grandes metrópoles causa inúmeros efeitos prejudiciais em nosso corpo, como dor de cabeça, doenças respiratórias e cardíacas, exaustão e até câncer de pulmão.

Os danos da agressão ao meio ambiente à saúde são evidentes. Um grupo de pesquisadores da Universidade de Cingapura, no Sudeste Asiático, contudo, decidiu pesquisar também de que forma a poluição afeta a produtividade dos profissionais.

Evidentemente, trabalhar em meio à poluição não favorece o rendimento da equipe. Mas, segundo os pesquisadores, flutuações esporádicas no nível de qualidade do ar não impactam a média diária de produtividade.

No entanto, se a pessoa tem de trabalhar durante muito tempo exposta à poluição, seu rendimento diminui lentamente com o passar do tempo, de acordo com reportagem da Fast Company.

Para chegar a essa conclusão, a equipe liderada pelo professor Liu Haoming estudou durante um ano fábricas têxteis na China e comparou os níveis de poluição do local com a produção dos trabalhadores.

A pesquisa mostra que a exposição a altos níveis de poluição (10 microgramas por metro cúbico acima do limite considerado seguro) por 25 dias reduz a produtividade do trabalhador em 1%.

“A maioria dos gerentes que entrevistamos não percebeu que a poluição do ar pode ter um impacto negativo na produtividade de seus trabalhadores”, afirma Liu.

As descobertas da Universidade de Cingapura são relevantes porque mostram às empresas que a sustentabilidade é importante não só para seus resultados financeiros, mas também para a saúde e desempenho de seus funcionários.

Liu diz que é vital que o efeito da poluição na economia receba mais atenção. Apesar de seu estudo se concentrar em trabalhadores de fábricas têxteis, ele acrescenta que as descobertas podem ser aplicadas a qualquer emprego que exija coordenação, velocidade e consistência.

“O impacto negativo sobre a produtividade do trabalho deve ser considerado como uma parte importante do custo da poluição do ar”, diz.

Fonte: Época Negócios

Estudo alerta sobre impacto da agricultura no aquecimento global

Segundo ambientalistas, serão necessárias mudanças drásticas no sistema agrícola para alimentar a crescente população mundial

WASHINGTON – Se o mundo espera realizar uma considerável mudança climática, não bastará tornar os carros e as fábricas mais limpos. Nossas vacas e nossos campos de trigo terão de ser tratados e cultivados também de uma maneira radicalmente mais eficiente. Esta é a conclusão à qual chega um novo estudo divulgado no mês passado pelo World Resources Institute, um grupo ambientalista de Washington. O relatório adverte que, nas próximas décadas, o sistema agrícola mundial precisará de drásticas mudanças para alimentar bilhões de novos habitantes sem desencadear uma catástrofe climática.

A agricultura já ocupa aproximadamente 40% da terra em todo o planeta, e é responsável por cerca de 25% das emissões de gases da humanidade. Mas com a perspectiva de um aumento da população global para cerca de 10 bilhões até 2050, e com muitos milhões de pessoas que consumirão mais carne em razão da elevação da renda, este impacto ambiental deverá crescer de maneira significativa.

A população global deverá passar de 7,2 bilhões hoje, para 10 bilhões até 2050, aumentando significativamente a necessidade de alimentos.
A população global deverá passar de 7,2 bilhões hoje, para 10 bilhões até 2050, aumentando significativamente a necessidade de alimentos.  Foto: Yasuyoshi Chiba/Agence France-Presse

Com base nas tendências atuais, segundo os autores, em 2050, o mundo precisará produzir 56% de calorias a mais em relação a 2010. Se agricultores e pecuaristas atenderem a esta demanda destruindo ainda mais florestas e outros ecossistemas para dar espaço a terras cultiváveis e a pastos, como fizeram no passado, acabarão transformando uma área duas vezes o tamanho da Índia.

Isso poderá tornar praticamente impossível fazer com que o aquecimento global permaneça abaixo dos 2º Celsius (meta global estabelecida pelo acordo internacional), mesmo que as emissões dos combustíveis fósseis do mundo sejam reduzidas rapidamente. Quando as florestas são derrubadas, os estoques de carbono encerrados nessas árvores são liberados no ar.

“A produção de alimentos é o maior de todos os desafios à sustentabilidade”, afirmou Janet Ranganathan, vice-presidente do World Resources Institute. “Não poderemos baixar além de 2ºC. sem grandes mudanças deste sistema”.

O novo estudo não é o primeiro a fazer advertências sobre o problema. Entretanto, seus autores adotam uma nova visão no que se refere às soluções apresentadas. No passado, os pesquisadores sugeriam que o segredo de um sistema agrícola sustentável está em persuadir os consumidores a comer menos e a desperdiçar menos alimentos já produzidos. Contudo, o novo relatório alerta para a necessidade de estabelecer limites quanto ao sucesso destas estratégias.

Os autores recomendam que os maiores consumidores de carne bovina e ovina, como os da Europa e dos Estados Unidos, deveriam reduzir seu consumo em cerca de 40% até 2050, ou até cerca de 1,5 porção por semana, em média. Ambos os tipos de carne têm pegadas ambientais particularmente elevadas. Mas os autores não contam com uma grande mudança mundial para o vegetarianismo.

“Quisemos evitar depender de receitas mágicas”, afirmou Timothy D. Searchinger, pesquisador da Universidade de Princeton, Nova Jersey, e principal autor do relatório. “Podemos imaginar uma mudança significativa do consumo da carne bovina para a de aves, e esta seria uma contribuição em si muito importante”. A produção de aves tem um impacto climático equivalente a cerca de um oitavo em relação à produção de carne.

Portanto, além das medidas em relação à dieta e ao desperdício dos alimentos, os pesquisadores também focaram em amplas estratégias que permitam que agricultores e pecuaristas produzam mais alimentos nas terras agrícolas já existentes, ao mesmo tempo que reduzem as emissões. Isso que exigiria uma profunda mudança nas práticas de cultivo em âmbito mundial, e rápidos avanços na tecnologia.

Por exemplo, em algumas partes do Brasil, observam-se que os pastos mais bem tratados podem produzir quatro vezes mais carne por hectare em relação aos menos bem tratados – em parte em razão das diferentes condições de saúde do gado e da fertilização da forragem. A melhoria geral da produtividade ajudaria a atender ao aumento da demanda de carne reduzindo ao mesmo tempo a necessidade de derrubar grandes extensões de floresta tropical.

Os autores destacaram também possíveis técnicas que permitiriam reduzir o impacto climático das fazendas atuais. Novos compostos químicos poderiam impedir, por exemplo, que os fertilizantes à base de nitrogênio produzissem óxido nitroso, um potente gás que contribui para o efeito estufa. Além disso, os cientistas estudam aditivos na dieta para que as vacas arrotem menos metano, outro fator que contribui consideravelmente para o aquecimento global.

Os pesquisadores enfatizam que as estratégias para melhorar a produtividade das terras agrícolas e dos pastos existentes terão de ser acompanhadas por políticas de conservação mais rigorosas a fim de proteger as florestas atuais em lugares como o Brasil ou a África Subsaariana. De outro modo, os agricultores acharão mais lucrativo derrubar mais florestas e dar espaço para a agricultura – com consequências terríveis para o clima.

“No passado, muitas vezes vimos políticas agrícolas e políticas conservacionistas caminharem lado a lado sem muita interação”, observou Linus Blomqvist, diretor do Breakthrough Institute, um grupo de pesquisa ambiental da Califórnia. “O grande desafio está em combinar as duas, de maneira a obter uma agricultura de tipo mais intensivo sem usar uma extensão maior de terra”.

Fonte: Estadão

Com RenovaBio, ANP vê potencial para segmento de certificadoras de biocombustíveis

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) avalia que o segmento de certificadoras de produtores de biocombustíveis têm potencial para crescimento no Brasil à medida que o RenovaBio for ganhando escala, disse nesta sexta-feira o diretor-geral da reguladora, Décio Oddone.

A Amazônia se aproxima do ponto de ruptura, diz Carlos Nobre

O climatologista reflete sobre os desafios de preservação da floresta e a necessidade de uma agropecuária de carbono neutro

Polêmicas em relação ao meio ambiente marcaram a campanha, a transição e o início do governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro. Apoiado pela Frente Parlamentar da Agropecuária, o capitão reformado do Exército questionou os compromissos estabelecidos pelo Acordo de Paris e alinhou-se a um discurso negacionista reforçado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O argumento é de preservar a “soberania nacional”, ao mesmo tempo em que se atribui um “viés ideológico” a instituições ambientais independentes, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Além, é claro, da desistência de sediar a Conferência do Clima da ONU em 2019, a COP-25.

Após ser indicado para ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles declarou que o aquecimento global é uma questão secundária. Em 19 de dezembro de 2018, a Justiça de São Paulo condenou Salles por improbidade administrativa, acusado pelo Ministério Público de fraudar o Plano de Manejo de Área de Proteção Ambiental da Várzea do Rio Tietê, em 2016, quando era secretário do Meio Ambiente do estado. Já o novo chanceler Ernesto Araújo acredita que os estudos e a política em relação às mudanças climáticas são influenciados por um “marxismo cultural”.

Bolsonaro colocou a comunidade ambiental em alerta já no primeiro dia de governo. Em decreto publicado no Diário Oficial da União, o presidente encarregou o Ministério da Agricultura de identificar, delimitar e demarcar terras indígenas (antes sob responsabilidade da Fundação Nacional do Índio, Funai) e quilombolas (até então feitas pela Fundação Palmares).

A pasta também controlará os licenciamentos ambientais, as políticas de reforma agrária e o Serviço Florestal Brasileiro, órgão com fins, por exemplo, de recuperar vegetações nativas e auxiliar processos de concessão das matas.

Carlos Nobre participa do seminário Prontos para o tempo, preparados para o clima. O climatologista alerta que, caso a lei do “Velho Oeste” volte ao Brasil – com invasão de terras indígenas e públicas–, o meio ambiente pode ser muito prejudicado.

Tais funções serão realizadas pela Secretaria Especial de Assuntos Fundiários, sob o controle de Luiz Antônio Nabhan Garcia. Ele é presidente da União Democrática Ruralista (UDR) e, ao Estadão, avisou que demarcações serão “passadas a limpo”, a exemplo da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.

“Se a ideia de desmatar o quanto quiser e de invadir terras públicas prosperar, eu vejo com grande preocupação a questão do respeito com os compromissos ambientais”, observa o climatologista Carlos Nobre. O cientista paulistano pesquisa mudanças climáticas e Amazônia há mais de quatro décadas.

Em 1975, após se formar em engenharia eletrônica no Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA), Nobre mudou-se para Manaus para trabalhar no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Entre 1977 e 1982, fez doutorado em meteorologia no Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT), orientado pelo professor Jeff Charney, pioneiro nas pesquisas sobre o aquecimento global. Após os estudos, Nobre tornou-se cientista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Em paralelo aos trabalhos no Inpe, Nobre deu sequência às pesquisas acadêmicas. Em 1988, como pesquisador da Universidade de Maryland, realizou um estudo inédito sobre os impactos climáticos dos desmatamentos na Amazônia. Em 1991, levantou a possibilidade de a Amazônia deixar de ser floresta para virar uma savana, em um cenário de alta no desmatamento e na temperatura global.

Em 2007, Nobre foi um dos autores do relatório sobre o aquecimento global do Painel Intergovernamental em Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), agraciado com o prêmio Nobel da Paz. Entre outras funções, Nobre é membro da Academia Brasileira de Ciências e foi secretário nacional do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Desde maio de 2018, tornou-se pesquisador colaborador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, cujo objetivo é estabelecer caminhos de desenvolvimento sustentável para o Brasil até 2050.

Na entrevista a seguir, Nobre analisa a postura brasileira no âmbito ambiental; os compromissos do Acordo de Paris; o aumento do risco de savanização da Amazônia; a influência da bancada ruralista no Congresso para afrouxar legislações ambientais; e seu projeto de desenvolvimento sustentável batizado de Terceira Via Amazônica.

“Se a ideia de desmatar o quanto quiser e de invadir terras públicas prosperar, eu vejo com grande preocupação a questão do respeito com os compromissos ambientais.” POR CARLOS NOBRE

No final dos anos 1970, o aquecimento global entrou em pauta na comunidade científica. Desde então, qual tem sido o papel do Brasil?

O Brasil tem uma posição “esquizofrênica”. Diplomaticamente, possui um papel muito importante desde que hospedou a Rio-92. Em 1997, o país propôs o mecanismo de desenvolvimento limpo noProtocolo de Kyoto, que teve efeito a partir de 2005, quando assinado pelos países responsáveis por 55% das emissões mundiais. Depois, hospedou a Rio+20. Hoje, é o país com as mais ambiciosas metas de redução de emissões colocadas em 2015 no Acordo de Paris. No entanto, da Rio-92 até 2005, apresentava uma postura interna muito atrasada, com o propósito de expansão indefinida e irrefreável da fronteira agrícola e do desmatamento.

Na questão dos recursos fósseis, a contradição continua até hoje. Ao avaliar o grande potencial das reservas do pré-sal, o Brasil parte para uma política de uso do combustível fóssil de maneira muito mais intensiva, enquanto diminui a velocidade com que substitui a gasolina pelo bioetanol. Por outro lado, em 2004, o país lançou como política pública o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia Legal, o PPCDAm. Seu enorme impacto talvez seja o que mais projetou o Brasil no cenário político e diplomático mundial em muitas décadas. Com a redução do desmatamento em mais de 70%, o Brasil se tornou um modelo para todos os países tropicais e foi seguido no restante dos países da Amazônia, na África e no Sudeste Asiático.

Apesar disso, nos últimos anos estacionamos com as quedas do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Felizmente elas não atingiram os níveis absurdos de 2005, mas ainda mostraram aumento. Tínhamos alcançado um número de 4.500 km2desmatados na Amazônia, porém já voltamos para quase 8.000 km2 de derrubadas. Portanto, não cumprimos a nossa meta estabelecida em lei em 2010, que as limitavam a 3.900 km2 na Amazônia.

UMA NOVA ESPÉCIE É DESCOBERTA POR DIA NA REGIÃO DA AMAZÔNIA
Estudo feito pela WWF e o Instituto Mamirauá, relatou que 381 novas espécies foram encontradas entre 2014 e 2015.

Em 1988, o senhor analisou de forma pioneira os impactos climáticos do desmatamento na Amazônia. Em 1991, levantou a hipótese da savanização deste bioma. Alguns impactos previstos naquela época já foram sentidos pela floresta?

Nosso conhecimento avançou muito mundialmente. Quando produzi os primeiros estudos, entre 1988 e 1991, aquilo era uma hipótese. Naquela época, os desmatamentos na Amazônia brasileira estavam na faixa de 8%, 9%. Hoje, chegaram a 20%. A hipótese era de que, se a floresta toda fosse desmatada, aconteceria a savanização. Agora, já temos algumas suspeitas de que o processo esteja em curso. O principal fator de preocupação é o aumento da duração da estação seca no sul e no sudeste da Amazônia. Nos últimos 30 anos, a estação seca está em média seis dias mais longa por década. A mais duradoura passou de meio mês. Se continuar assim, aquela região acabará virando uma savana bem degradada.

Alguns lugares do Cerrado têm o mesmo nível de chuva da região de Santarém, na Amazônia – anualmente, um total de 1.800 mm. Se chove o mesmo volume, por que em um lugar se tem floresta e no outro, cerrado? Na região de Santarém a chuva é bem distribuída o ano todo e a estação seca é muito curta. No Cerrado, a precipitação é muito concentrada na estação chuvosa, e depois essas regiões passam por três, quatro meses de chuva zero, enquanto em Santarém chove 80, 100 mm na estação seca. Essa é a grande diferença. Estudos de ecologia começam a mostrar um aumento da mortalidade de algumas espécies de árvores. Então, estamos realmente muito próximos desse ponto de ruptura.

Com nossa política do uso da terra no Brasil, podemos evitar dois dos três fatores que levam à savanização. Primeiro, temos que zerar o desmatamento rapidamente. Na COP-24 na Polônia, o grupo do qual faço parte, chamado Coalizão Brasil, lançou um documento mostrando que podemos zerar o desmatamento em todos os biomas, por meio de uma agricultura muito mais produtiva. Segundo ponto: reduzir o uso do fogo na agricultura, que tem aumentado o risco da savanização. Temos visto muito mais incêndios florestais hoje do que dez, 20 anos atrás. O terceiro fator está fora do nosso controle: o aquecimento global. Mesmo se reduzirmos a zero as emissões do Brasil, ainda dependemos que o resto do mundo faça o mesmo.

Nos nossos cálculos, se o aquecimento na Amazônia passar de 4ºC – já chegou a 1,5ºC –, teremos essa grande mudança do bioma para a savana. Seria um caso extremo, no qual as emissões continuariam como estão por 40, 50 anos. Recentemente, escrevemos um alerta na Science Advances de que não deveríamos deixar o desmatamento passar de 20%, 25% na Bacia Amazônica como um todo. Já chegou a 17% na internacional; na parte brasileira, a 20%.

Por dois fatores importantes. Durante a estação que chove menos, a gramínea [vegetação típica das pastagens] diminui bastante sua vapotranspiração, ou seja, o vapor de água lançado para a atmosfera cai pela metade. Já a floresta acessa aquela água que caiu durante a estação chuvosa e foi para o fundo, por meio das raízes profundas. Há décadas observamos que as florestas transpiram mais na estação seca do que na chuvosa. E o fluxo de vapor d’água é muito importante para contribuir para a formação de chuva.

Outro fator importante é que a floresta tem uma superfície bem rugosa para o fluxo de vento. O topo da gramínea não é homogêneo, portanto o vento também sobe e desce, mas com variação muito pequena. A floresta tem uma irregularidade da superfície maior, que chamamos de rugosidade. O vento não consegue ficar horizontal. Passa por cima de uma árvore muito alta, depois cai. Isso gera muita turbulência com a superfície, que mistura o ar e facilita a transpiração e a diminuição da temperatura. O sol aqueceu o topo, os galhos, as folhas de uma árvore. O vento pega aquele ar quente e joga para cima. Aí vem um ar um pouco mais frio, que será aquecido de novo.

Se colocar uma floresta e uma pastagem na Amazônia, lado a lado, com a mesma chuva e o mesmo clima, a temperatura máxima da floresta será de 2ºC a 3ºC menor que a da pastagem. E a evaporação da floresta será de 30% a 50% superior. Essas fontes geram as chuvas principalmente na estação seca. São precipitações locais, de 2 mm a 5 mm, mas muito frequentes e importantes para a manutenção da floresta.

Que impactos esse ponto de inflexão traria não apenas para a Amazônia, mas para o Brasil?

O ponto de ruptura para a savanização da Amazônia não aconteceria da noite para o dia, mas de uma década a outra. Estimamos que, uma vez ultrapassado o limite do desmatamento, leva-se entre 20 e 50 anos para ocorrer essa substituição. E a savana virá de forma irreversível, porque será o bioma em equilíbrio para o novo clima. Ao diminuir as chuvas locais, reduzirá também a vazão dos rios.

Em um total desmatamento da Amazônia, ou seja, na substituição de floresta por pastagem, há boas evidências de que haveria uma alteração das chuvas no inverno no sul da Bacia do Prata, no sul do Paraguai e do Uruguai, no sul do Brasil e no centro-leste da Argentina. Nessas regiões, há uma correlação de fluxo do vapor d’água que sai da Amazônia e segue ao sul, paralelo aos Andes, e abastece os sistemas de chuva.

Ainda não sabemos o impacto no Sudeste. Durante o verão, temos uma estação chuvosa muito pronunciada, sendo que 65% do vapor d’água vem do Atlântico. Uma parte menor vem da Amazônia. Pode até ter impacto, porque a mudança das chuvas da Amazônia, com o desmatamento, altera as circulações tropicais. O efeito nessa relação seria menor, mas pode existir, porque as chuvas de verão diminuiriam. Mas ainda há incerteza científica, pois os modelos computacionais não concordam totalmente. Precisamos avançar nesse conhecimento científico.

“Devemos nos tornar muito mais rigorosos em exigir nossos direitos. Se houver movimentos no Congresso para mudar a legislação ambiental e enfraquecer a regulamentação que torna ilegal desmatamentos e queimadas, a população tem que reagir.” POR CARLOS NOBRE

Como o senhor observa os compromissos assumidos no Acordo de Paris mundialmente, assim como especificamente os do Brasil?

Primeiro, os compromissos até 2030 levariam o planeta a aumentar sua temperatura na faixa de 2,8ºC a 3,3ºC até o final do século, e continuaria subindo. As metas estão muito longe de garantir que ficaremos dentro dos 2ºC, muito menos de 1,5ºC. Alguns países estão nas trajetórias das contribuições nacionalmente determinadas, inclusive os Estados Unidos. Por mais que o presidente Donald Trump tenha ameaçado tirar o país do Acordo de Paris, as emissões americanas diminuíram em 2017 na mesma taxa dos últimos dez anos e estudos preliminares afirmam que a redução continuou em 2018.

As metas do Brasil para 2025 e 2030 são as mais ambiciosas entre os países em desenvolvimento: até 2025, 37% de redução das emissões em relação a 2005 e 43% de redução até 2030. Estados Unidos, China (a maior emissora) e Índia, a terceira, colocaram metas relativas. Até 2030, apenas prometem parar o aumento das emissões.

Enquanto os desmatamentos despencavam, o Brasil praticamente garantia sua trajetória correta. Mas depois de 2014 os desmatamentos estacionaram e, nos últimos anos, voltaram a aumentar. Já as emissões por queima de combustíveis fósseis aumentaram um pouco. Em 2014 e 2015, as secas interromperam a operação de muitas hidrelétricas, então as termelétricas entraram em máxima potência. As usinas eólicas têm se inserido muito rapidamente, mas ainda em um percentual pequeno no quadro de energia total – nem 10% da eletricidade. Já é importante, mas não o suficiente para garantir que as emissões provocadas pelos setores de energia e transportes sinalizassem uma tendência de queda.

Os desafios são maiores em outras áreas, como a redução das emissões na agricultura. A boa notícia é que elas vêm subindo em uma proporção menor do que o aumento do PIB agrícola. Em outras palavras, o setor econômico agropecuário está ficando mais eficiente, emite menos para produzir a mesma quantidade de produtos. Então, o Brasil pode cumprir seus compromissos até 2025, 2030? Pode, se reduzir drasticamente os desmatamentos.

No discurso de campanha, o presidente eleito Jair Bolsonaro sinalizava tirar o país do Acordo de Paris, pois, na opinião dele, os compromissos iam contra a “soberania nacional”. Que impactos sociais, ambientais e econômicos uma possível saída do Brasil do Acordo de Paris poderia trazer?

Olha, de fato essa possibilidade já foi descartada pela equipe do novo governo. Mas me pergunto se haverá alguma vacilação do governo para atingir as metas. Nos Estados Unidos, a vacilação do presidente Trump não teve muito impacto, porque lá o principal fator de emissão é a queima de combustíveis fósseis (80%). Nos EUA, já começou uma onda muito forte de substituição por fontes renováveis – eólica e solar. É um movimento enorme na economia americana, que gera centenas de milhares de empregos por ano e os preços são competitivos. Liderados pela Califórnia e por Nova York, 17 estados americanos assinaram compromissos rigorosos.

No Brasil é diferente, porque aqui 65% das emissões vêm de desmatamentos e agricultura. Então, temos que reduzir os desmatamentos e tornar nossa agricultura mais neutra. Se houver sinalização de que o “Velho Oeste” voltará a imperar no Brasil, se a ideia de desmatar o quanto quiser e de invadir terras públicas prosperar, eu vejo com grande preocupação a questão do respeito aos compromissos ambientais.

É lógico que o governo federal é muito importante para isso, mas temos instituições independentes. Se o Brasil quiser alguma perspectiva de melhora nos próximos anos e décadas, precisa respeitar a lei, a partir do Ministério Público, das atividades da Polícia Federal desbaratando quadrilhas, crime organizado e corrupção em todos os níveis (empresarial, governamental), que estão na raiz da invasão de terras públicas, do desmatamento, do roubo de madeira. Então, independente do presidente, do governo e dos ministros, temos que observar que o Brasil já adquiriu certa estatura de órgãos independentes que realizam sua missão de acordo com o que reza a Constituição.

E dependemos muito da população. Devemos nos tornar muito mais rigorosos em exigir nossos direitos. Se houver movimentos no Congresso para mudar a legislação ambiental e enfraquecer a regulamentação que torna ilegal desmatamentos e queimadas, a população tem que reagir. Se os deputados não seguirem a vontade da maioria, o que é essencial em uma democracia, a população não só não deve reelegê-los daqui a quatro anos, mas também tem que cobrar. Isso é muito importante e não tem ideologia. Não é uma questão ideológica, de direita, de esquerda, de centro… É uma vontade muito manifesta da população brasileira que o Congresso tem que respeitar.

O ministro do Meio Ambiente lançou recentemente os números do desmatamento em 2017, mostrando um aumento de quase 14% em relação ao período anterior. Ele falou que quase todo aquele desmatamento era ilegal, sem autorização nem em áreas onde a derrubada é permitida por lei. Quer dizer, existe um clima de grande ilegalidade por trás dos desmatamentos e das queimadas, e é isso que realmente temos que combater.

O governo de transição tem mostrado ceticismo em relação às mudanças climáticas. Por exemplo, o futuro chanceler Ernesto Araújo acredita que o aquecimento global é um complô global marxista. O que o senhor pensa sobre esse cenário?

A preocupação existe, mas não é nova. Essas tendências de fato começaram com a luta política que a bancada ruralista do Congresso iniciou em 2010, 2011, quando fez várias moções para mudar o Código Florestal, alterado em 2012. É um movimento para enfraquecer controles de legislação ambiental.

A maior preocupação que tenho é o fato de que a lei, com o novo Código Florestal, perdoou a ilegalidade de todos os desmatamentos até julho de 2008. Se de tempos em tempos, de dez em dez anos, passar uma lei que torne legal um desmatamento originariamente feito de forma ilegal, isso transmite para o setor agressivo, conservador, atrasado da agropecuária a noção de que não existe legislação. Que eles podem invadir terra pública, que podem desmatar, que podem roubar madeira. Que um dia aquilo tudo será perdoado, as multas irão desaparecer, as terras serão legalizadas… Ou seja, é uma sinalização de que não é importante nem necessário acompanhar o Código Florestal de hoje, que ainda é rigoroso em muitos aspectos. Ninguém interpretou ainda qual a força dessa bancada no novo Congresso, mas ela tem sido historicamente muito forte no Brasil. É uma fraqueza da democracia, em um país em que as leis têm uma duração curta e são modificadas por interesses de poderosos política e economicamente.

É importante dizer que o setor moderno da agricultura e da pecuária já se coloca fortemente contra o avanço do desmatamento e das queimadas, porque já se deu conta de que isso é prejudicial para os próprios negócios. Não só no sentido de diminuir a atratividade dos produtos brasileiros em mercados ambientalmente rigorosos, como o europeu, mas também porque manter o máximo possível de biomas originais traz benéficos para a produção agrícola e pecuária.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tem experimentos recentes que mostram um enorme aumento da produtividade nos sistemas chamados “integração lavoura-pecuária-floresta”. Quando se coloca um sombreamento, o gado produz muito mais leite e muito mais carne. Isso já era algo conhecido, mas agora finalmente começa a ser disseminado entre os pecuaristas e agricultores do setor moderno, que escuta a ciência e a tecnologia.

Infelizmente, temos um setor numericamente expressivo que ainda possui uma visão de expansão continuada da fronteira agrícola, sobretudo da pecuária. Estão muito mais preocupados com a posse da terra do que com uma visão empresarial de produtividade. É um pouco daquela mentalidade da colonização que ocorreu nos Estados Unidos, marcada pela força da violência, das armas, a expulsão das comunidades indígenas que eram as reais proprietárias da terra. Nesse cenário, quadrilhas criminosas tomam terras públicas e depois as vendem a pecuaristas.

O que ainda precisa mudar para impedir o desmatamento em áreas já protegidas?

Ainda temos na Amazônia algo em torno de 600 mil e 800 mil km2 de terras públicas. É importante dar uma destinação para essas áreas, com a criação de reservas protegidas e florestas nacionais, por exemplo. Caso contrário, elas se tornam alvos da grilagem, que também ocorre em áreas de proteção e reservas indígenas. A razão do sucesso da redução do desmatamento em mais de 70%, entre 2005 e 2014, é uma rigorosa política de controle, desbaratamento e desmembramento das quadrilhas organizadas responsáveis pelo roubo de madeira e pela grilagem em terras públicas. Acima de 70% dos desmatamentos são ilegais e muitos estão associados a organizações criminosas. Também precisamos dar mais ênfase na proteção das áreas já existentes, que correspondem a 50% da Amazônia brasileira, seja como áreas protegidas, reservas indígenas ou de desenvolvimento sustentável.

“Os ativos biológicos na Amazônia são muito superiores do que se substituíssem a floresta por pastagem para a pecuária, por grãos para a agricultura ou por extração de minérios.”

POR CARLOS NOBRE

O World Resources Instituteaponta que a agropecuária brasileira é responsável por 1% de todos gases de efeito estufa emitidos no mundo. Que fatores tornam essa prática tão danosa ao meio ambiente?

Esse cálculo é só da pecuária, não inclui o desmatamento. O boi, por exemplo, processa a gramínea no pré-estômago. As reações químicas de processamento da matéria orgânica geram metano e o boi arrota esse gás, o que representa a maior parte das emissões da pecuária. Existem dietas com suplementos alimentares que diminuem a produção de metano, mas não a elimina.

A partir de vários estudos, a Embrapa patenteou a “carne carbono neutro”. Você maneja a pastagem de maneira que ela absorva o carbono no solo. A gramínea cresce, as raízes também. Na estação seca as raízes morrem e aquele carbono permanece no solo. Segundo a Embrapa, no pasto super manejado há entre 2,6 a 3 cabeças de gados por hectare, enquanto a agregação de carbono ao solo é equivalente a emissão de metano de ao menos 2,6 cabeças. A ocupação média da pecuária brasileira hoje é de 1,3 cabeças de gado por hectare e no total temos 215, 216 milhões de cabeças em 1,8 milhão de km². O Ministério da Agricultura supõe que 10 milhões de pastagens já estejam mudando para esses sistemas. Se o comportamento do consumidor seguir nessa direção, poderemos ter uma pecuária muito mais produtiva e que emite muito menos.

A Embrapa calcula que, até 2025, seja possível aumentar a produção de proteína animal em 35% e, ao mesmo tempo, reduzir em 25% a área de pecuária no Brasil. Essa redução de 450 mil km² – uma cidade de São Paulo e meia – seria muito importante não só para a agropecuária, mas sobretudo para que o país cumpra a meta de restaurar 12 milhões de hectares de floresta [estabelecida no Acordo de Paris].

Qual é a ideia do seu projeto, chamado Terceira Via Amazônica?

Esse é um projeto que eu, o Ismael [irmão de Nobre, biólogo que integra a equipe de transição do presidente eleito] e outras pessoas estamos liderando. Pensando em um novo modelo de desenvolvimento para a Amazônia, seria uma economia de floresta em pé, na qual o valor maior são os produtos da biodiversidade. Pega o exemplo do açaí, um produto que há 20 anos não era nada e hoje já significa US$ 1,5 bilhão para a economia do bioma. Então, estamos propondo a Terceira Via Amazônica, ou Amazônia 4.0, número que faz referência a utilização das tecnologias modernas da quarta revolução industrial.

Como garantir que ocorra um desenvolvimento sustentável sem ameaçar nem degradar o meio ambiente?

Os ativos biológicos na Amazônia são muito superiores do que se substituíssem a floresta por pastagem para a pecuária, por grãos para a agricultura ou por extração de minérios. Mas, para isso, precisamos realmente fazer as novas tecnologias chegarem à Amazônia e adicionarem valor às cadeias produtivas. Eu dei o exemplo do açaí porque já é uma realidade, mas levantamos uma lista com mais de mil produtos com potencial, como a castanha, o guaraná, a andiroba, a copaíba, o pau-rosa. Nossa proposta também é muito preocupada com o bem-estar e a prosperidade das populações amazônicas. Não é como a mineração, em que apenas se tira o valor da Amazônia e o leva para outro lugar. Outro setor do nosso projeto é a alta tecnologia biológica. Queremos capacitar populações para que elas próprias façam o genoma das espécies que dominam, com base no conhecimento tradicional. Fariam o genoma de dezenas de milhares de espécies, e isso no futuro teria um enorme potencial econômico a partir dos recursos biológicos e genéticos.

Fonte: National Geographic Brasil

Aquecimento dos oceanos está mais rápido e calor bate recorde em 2018

Os dados apontam que 2018 provavelmente será o ano mais quente para os oceanos desde que se iniciaram os registros históricos – recorde quebrado pelo terceiro ano consecutivo, o que mostra a tendência de aquecimento

Responsáveis por absorver cerca de 93% do excesso de energia solar aprisionado no planeta por causa da alta concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, os oceanos estão aquecendo mais rápido do que se imaginava e se apresentam como um sinal claro das mudanças climáticas sofridas pelo planeta.

Mar aquecido

Tempestade Harvey é vista se aproximando do Texas, nos EUA, em 2017. O aquecimento dos oceanos, que vem batendo recordes consecutivos, promove um aumento de tempestades como essa. Foto: Noaa

De acordo com pesquisadores da China e dos Estados Unidos, liderados por Lijing Cheng, do Instituto de Física Atmosférica da Academia de Ciências Chinesa, informações coletadas por quatro sistemas de observação confirmam não só que o oceano está aquecendo, como de forma acelerada. A análise foi publicada nesta quinta-feira, 10, na revista Science. Um dos modelos, o Argo, conta com quase 4 mil robôs flutuantes ao redor do planeta, fazendo medições desde o ano 2000. Os outros consideraram medições ajustadas desde os anos 1970.

Os dados apontam que 2018 provavelmente será o ano mais quente para os oceanos desde que se iniciaram os registros históricos – recorde quebrado pelo terceiro ano consecutivo, o que mostra a tendência de aquecimento.

Para o planeta como um todo, 2018 provavelmente foi o 4º ano mais quente (os dados consolidados devem ser divulgados até o final da semana que vem), mas essa diferença ocorre porque a temperatura na superfície é influenciada também por outros fatores, como o El Niño – que ajudou 2016 a ser o ano mais quente da história – e erupções vulcânicas.

Já os oceanos são menos afetados por essas variações anuais. “Os sinais de aquecimento global são muito mais fáceis de detectar se a mudança está ocorrendo nos oceanos do que na superfície”, disse Zeke Hausfather, pesquisador da Universidade da Califórnia em Berkeley e um dos autores do trabalho.

A nova análise mostra que as tendências de aquecimento dos oceanos correspondem às previstas pelos principais modelos de mudança climática, o que dá força para as previsões futuras também estarem certas.

Modelos usados no último relatório geral do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas preveem que num cenário de “business as usual”, em que nenhum esforço seja feito para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, a temperatura dos primeiros 2.000 metros de profundidade dos oceanos do mundo aumentará 0,78 °C até o final do século.

A expansão térmica causada por esse aumento na temperatura – pense no que ocorre com a água em uma chaleira fervente – elevaria os níveis do mar em mais 30 centímetros além da já significativa elevação do nível do mar causada pelo derretimento das geleiras e dos lençóis de gelo. Oceanos mais quentes também contribuem para a ocorrência de tempestades mais fortes, furacões e precipitações extremas, além de afetarem a vida marinha, que precisa fugir para águas mais frias.

Conter aumento de temperatura pode evitar danos maiores

  1. Entre 1901 e 2010, o nível do mar global médio já subiu cerca de 20 centímetros.
  2. Há estimativas de que ele pode subir pelo menos mais uns 30 centímetros até 2100.
  3. Relatório do IPCC mostra que conter o aumento da temperatura do planeta a 1,5°C até 2100, em vez de 2°C, representaria um aumento de 10 centímetros a menos
  4. Evitar esse aumento de 10 centímetros a mais no nível do mar globalmente implicaria em deixar até 10 milhões de pessoas a menos expostas aos riscos relativos.
  5. Conter o aquecimento dos oceanos e sua elevação também pode ser benéfico para os estoques pesqueiros. Um modelo global projeta uma queda de cerca de 1,5 milhão de toneladas no total de pescado em um mundo 1,5°C mais quente. Essa perda pode chegar a 3 milhões de toneladas se a temperatura subir 2°C.
  6. Um planeta mais quente aumenta a exposição de pequenas ilhas e de regiões costeiras a inundações e danos a infraestrutura. Temperatura mais elevadas dos oceanos também está relacionada a um aumento na intensidade de chuvas e a ocorrência de tempestades mais fortes e duradouras.

Fonte: Estadão

RenovaBio em operacionalização

Com a publicação no Diário Oficial da União (DOU), a empresa estará apta a atender demandas de certificação de produtores.

Análise de pedido de uma segunda empresa interessada encontra-se na iminência de ser concluída pela Agência.

Em fevereiro, estará pronta minuta de resolução que regulamentará as metas compulsórias individuais de que trata o art. 7° da Lei 13576/2017, aplicáveis a distribuidores de combustíveis (prazo para publicação fixado na Resolução CNPE 5/2018: até 01/07/19). Aprovada internamente a minuta, serão realizadas consulta e audiência públicas sobre o tema.

A certificação, já regulamentada pela Resolução ANP 758/2018, e a individualização das metas compulsórias (em processo de regulamentação) atendem às atribuições estabelecidas para a ANP pelo Decreto 9308, de 2018.

Fonte: ANP

Assine nossa newsletter e tenha acesso as principais notícias do setor


aprobio@aprobio.com.br
Av. Brigadeiro Faria Lima, 1903 - Conj. 91 - Jd. Paulistano - 01452-911 - São Paulo - SP - Tel: 55 11 3031- 4721