RenovaBio reduzirá 600 milhões de toneladas de carbono da atmosfera até 2020

O setor sucroenergético, que está entre os emissores com maior capacidade de geração de CBIO (Créditos de Descarbonização), estará reunido na 27ª FENASUCRO & AGROCANA entre 20 e 23 de agosto

A indústria sucroenergética representa um grupo estratégico no processo de redução da emissão de carbono em virtude da produção de biocombustível e bioeletricidade, que posiciona o setor como o emissor com maior capacidade de geração de CBIO (Créditos de Descarbonização).

O Ministério de Minas e Energia, por meio do RenovaBio (Política Nacional de Biocombustíveis), estabeleceu promover uma redução de 10% na intensidade de carbono da matriz de combustíveis do Brasil até 2028. A meta representa a redução de 600 milhões de toneladas de carbono da atmosfera até 2020, o que equivale a dois anos de emissões da matriz de combustível. Considerando que cada título de CBIO é emitido com base na retirada de uma tonelada de carbono, o volume representará a emissão de 6 bilhões de certificados com um valor inicial de US$ 10 (dólares) ou uma quantia estimada em torno de R$ 23 bilhões no período. Para isso, o governo federal, por meio das ações do RenovaBio, incentivará o crescimento da participação dos bicombustíveis dos atuais 20% para 28,6% na matriz de combustíveis.

As particularidades do tema e os debates sobre aspectos da legislação e oportunidades do mercado serão tratados e esclarecidos no programa “RenovaBio Itinerante”, que acontecerá na 27ª FENASUCRO & AGROCANA, a ser realizada entre os dias 20 e 23 de agosto, em Sertãozinho (SP). O objetivo da ação na Feira Internacional de Bioenergia é levar o programa ao conhecimento dos produtores e importadores de biocombustíveis e dirimir dúvidas, estimulando a adesão ao processo de certificação eficiente de biocombustíveis. Representantes de 100% das usinas brasileiras, assim como visitantes de mais de 40 países, estarão reunidos no evento, participando das discussões e debates sobre os desafios e futuro da cadeia sucroenergética.

O diretor do Departamento de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Miguel Ivan Lacerda de Olivera, reforça a importância do setor sucroenergético e de bioenergia no processo de retenção de carbono e a posição estratégica do Brasil no mercado. “O RenovaBio é um novo paradigma por conta da retenção de carbono. A eficiência do Brasil no setor sucroenergético e de energia de biomassa é o melhor do mundo. Estamos resolvendo um problema, a produção de etanol deve dobrar nos próximos 10 anos e isso é uma grande oportunidade para o País”, afirma Oliveira.

Feira reúne representantes de toda cadeia produtiva do setor , promovendo debates de diversos temas, especialmente o RenovaBio

Feira reúne representantes de toda cadeia produtiva do setor , promovendo debates de diversos temas, especialmente o RenovaBio

O potencial brasileiro

De acordo com pesquisas apresentadas na tese de doutorado de Luciano Cunha de Souza, defendida na UnB (Universidade de Brasília), em 2015, o Brasil está na liderança da tecnologia para a cultura da cana. O estudo demonstra que as etapas de produção de biocombustíveis como a logística, fermentação, destilação, geração de vapor, geração de energia elétrica a partir do bagaço, entre outras, são de amplo domínio brasileiro e necessitariam de um esforço menor que o de outros países para evoluírem.

O potencial de crescimento e a vantagem competitiva do setor também são reconhecidos pelo presidente-executivo da Abraceel (Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia), Reginaldo Medeiros, que aponta boas perspectivas. “As usinas deixam de produzir mais energia por razões econômicas. A perspectiva é boa para o reconhecimento da capacidade dos geradores de energia. A expansão da oferta e abertura do mercado viabilizará novos projetos no setor”, afirma Medeiros.

Já o gerente de bioeletricidade da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Zilmar José de Souza, aponta que por meio da regulamentação, a indústria sucroenergética irá ganhar força e impulsionar todo mercado de bioenergia e biocombustível.  “A regulamentação do setor é fundamental e existem muitas oportunidades pela frente com o RenovaBio e o CBIO. A partir do crescimento da cana, as outras formas de cogeração serão impulsionadas e crescerão naturalmente. O setor sucroenergético possui muita força e muita competitividade”, diz Souza.

Fonte: Revide

Doria cogita trem a biodiesel para ligação entre SP e Campinas

Composições movidas a combustível tornariam a obra mais barata, segundo Alexandre Baldy, secretário dos Transportes Metropolitanos

A nova proposta de trens intercidades em estudos pelo governo de São Paulo aponta agora para uma composição com locomotiva movida a biodiesel.

O projeto seria viabilizado em uma Parceria Público-Privada (PPP), em que o Estado investiria 50% do capital necessário para a obra e o setor privado, a outra metade.

É o que afirma o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, que acompanha o governador João Doria (PSDB) em missão à China.

A locomotiva a biodiesel reduziria em cerca de R$ 1 bilhão os custos para a instalação da estrada de ferro, segundo o secretário.

Baldy disse ainda que a modelagem econômica incluiria a concessão da Linha 7-Rubi da Companhia Paulista de Trens Metropolitanas (CPTM), ramal de trens de subúrbio que, hoje, liga a capital à Jundiaí, passando pelas cidades de Francisco Morato, Caieiras e Franco da Rocha.

A concessão das linhas existentes da CPTM já havia sido anunciada como um estudo em andamento no governo.

A alternativa ao uso do biodiesel é o uso de trens elétricos, como os que já operam hoje, e tem emissão de poluentes atmosféricos próxima a zero. O Banco Mundial atua na modelagem da licitação, segundo o governo.

A volta de trens regionais ligando a capital ao interior do Estado é um projeto prometido por todas as gestões do governo paulista desde 2006 — naquele ano, já se falava em PPP. O projeto já teve cenários diferentes, e agora se trata de uma proposta de ligação entre Campinas, a capital e São José dos Campos, ao custo de R$ 7 bilhões.

A comitiva de Baldy e Doria tem 35 empresários paulistas. O governador saiu de uma reunião ocorrida na sede da China Railway Construction Corporation (CRCC), estatal de ferrovias chinesa, afirmando que a empresa “demonstrou interesse” em participar do projeto.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, Baldy afirmou que a estatal entrará na licitação.

A intenção da empresa será formalizada nesta quarta-feira. em um protocolo assinado em uma cerimônia com o governador. Um dos objetivos da viagem é promover o projeto de desestatização de ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias de São Paulo.

A missão paulista conta com suporte do Itamarati para fazer a aproximação com as empresas chinesas. Doria exaltou o apoio do governo Jair Bolsonaro à missão. “Estamos no mesmo compasso de brasilidade para ampliar investimentos com união e ação integradas”, disse o governador paulista.

Fonte: Exame

Óleo diesel passa a conter mínimo de 11% de biodiesel a partir de 1º de setembro

A Agência Nacional de Petróleo, Gas Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou hoje, 6, despacho que fixa o percentual de adição de até 15% (quinze por cento), em volume, de biodiesel ao óleo diesel vendido ao consumidor final, devendo o percentual mínimo obedecer ao cronograma previsto na Resolução CNPE nº 16, de 2018. Com essa medida, a partir de 01/09/2019, o percentual mínimo de biodiesel a ser acrescido ao óleo diesel comercializado no país passará dos atuais 10% para 11%.

A mesma medida configura o desfecho de providências definidas em reunião ocorrida em fins de abril deste ano no Ministério de Minas e Energia que abrangeram a publicação da Resolução ANP nº 798, de 01/08/2019, elevando o valor da estabilidade oxidativa do biodiesel de 8 para 12 horas e tornando obrigatório o uso de aditivo antioxidante na produção desse biocombustível, bem como a edição de relatório, pelo MME, dando por satisfatórios os testes e ensaios para validação da utilização de biodiesel B15 em motores e veículos a partir de resultados de estudos realizados pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT).

Com a elevação, de 10% para 11%, do teor de biodiesel na mistura com o diesel mineral, a ANP procederá às devidas alterações no Edital do 68º Leilão de Biodiesel adiando sua realização para 12/8.

Veja a íntegra do despacho publicado no Diário Oficial da União em 7/8/2019.

Fonte: MME

MME dá mais um passo e avança em direção à adição do biodiesel ao diesel no Brasil (B15)

O Ministério de Minas e Energia (MME), atendendo às recomendações do Relatório de Consolidação dos Testes e Ensaios para Validação da Utilização de Biodiesel B15 em Motores e Veículos, publica hoje, 5, o relatório final sobre a mistura B15 para motores e veículos, a ser comercializada em todo o país. Agora, resolvida a questão da definição do parâmetro de estabilidade à oxidação, o Grupo de Trabalho para Testes com Biodiesel dá o sinal verde e autoriza a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a fixar a evolução da adição obrigatória do percentual da adição de biodiesel ao óleo diesel vendido ao consumidor final.
Este relatório faz parte da Política Nacional de Biocombustíveis, o RenovaBio, e foi publicado com recomendações, primeiramente, em maio último, após três anos de elaboração por órgãos e entidades da iniciativa pública e privada, concretizando um importante passo para o desenvolvimento do biodiesel e das tecnologias automotivas no Brasil.
As várias empresas associadas à Anfavea, ao Sindipeças ou à Abimaq, com o apoio da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), executaram os testes e apresentaram seus respectivos relatórios individuais, com os resultados obtidos segundo a metodologia que adotaram. Este relatório de maio trouxe condicionantes à implantação da mistura B15 em todo país. O principal deles, apontado pela maioria dos relatórios individuais apresentados, é a definição do parâmetro de estabilidade à oxidação para a mistura de biodiesel/diesel, prevista na Resolução ANP nº 45, de 25 de agosto de 2014.
No mês passado, a ANP realizou Consulta e Audiência Pública 15/2019, que resultou na determinação da obrigatoriedade da aditivação do biodiesel com antioxidante estabelecendo novo limite de especificação da característica estabilidade à oxidação, conforme consta na Resolução ANP no 798, de 01 de agosto de 2019.
O RenovaBio, desde a sua criação, busca estimular, através de metas para a redução da emissão de gases do efeito estufa, a produção de biocombustíveis como o etanol, o biodiesel, o biogás, o biometano e o bioquerosene.
O MME está novamente disponibilizando o relatóri05 contendo o atendimento às recomendações dos Testes e Ensaios para Validação da Utilização de Biodiesel B15 em Motores e Veículos, que contribuirá de forma significativa para a evolução do biodiesel e dos veículos no Brasil e no mundo.
Acesse o Relatório do B15 clicando AQUI
Fonte: MME

Demanda por eficiência energética nos transportes aumentou 180% em 16 anos

Demanda por energia no setor aumentou 180% e o consumo por passageiro mais do que triplicou em 16 anos. Além disso, país utiliza 80% de combustíveis não renováveis e precisa incentivar alternativas menos poluentes

No Brasil, 80% da energia utilizada nos transportes é de origem não renovável, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). No mundo, o setor de transportes foi responsável por 28% do total do consumo final de energia global em 2016, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). Entre 2000 e 2016, houve um aumento de 8% da demanda por energia no setor de transportes em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Nos países emergentes, como o Brasil, o aumento chegou a 180% no período, e o consumo energético por passageiros mais que triplicou. A justificativa está na redução do número de passageiros por carro e no aumento de veículos próprios, além de uma mudança entre modos de transporte, com a priorização de automóveis e veículos individuais em detrimento dos transportes coletivos.

A pesquisadora da FGV Energia Tamar Roitman diz que a busca constante pelo aumento de eficiência energética nos transportes é incontestável, pois a demanda por mobilidade cresce em reflexo da expansão econômica e de outros fatores. “A maior eficiência permite tal crescimento sem implicar em um impacto de igual tamanho no consumo de combustíveis, além de reduzir custos e evitar emissões desnecessárias”, argumenta.

De acordo com ela, as pesquisas e as ações para melhoria da eficiência energética no setor de transportes brasileiro, em geral, estão mais voltadas para soluções que acabam por manter o mesmo padrão de comportamento, se concentrando em melhorar a eficiência de combustíveis, veículos e motores. “As soluções para o aumento de eficiência energética nos transportes não passam apenas pela otimização de motores e pela substituição de combustíveis fósseis por renováveis, mas se baseiam em três verbos: evitar, mudar e melhorar”, diz Roitman.

Segundo a pesquisadora, o primeiro passo é o olhar mais atento para a demanda por mobilidade, com uma melhor gestão e planejamento urbano, de forma a evitar o crescimento da demanda por transporte individual. Ela cita iniciativas como pedágio urbano, rodízio de carros, remoção de estacionamentos gratuitos e estabelecimento de áreas exclusivas para pedestres com o intuito de desincentivar o uso de carros por parte da população.

Além disso, é preciso promover mudanças no sistema de transportes. “É necessário reduzir a dependência do setor rodoviário e fazer maior uso de dutos e ferrovias. A greve dos caminhoneiros (em maio de 2018) trouxe à tona a busca por novos modais. O serviço de cabotagem aumentou depois da paralisação, porque, quando temos problemas nas rodovias, percebemos que não podemos depender de um único modal”, explica. Segundo ela, a cabotagem no Brasil é pouco explorada e possui um enorme potencial, devido à abundância de rios existentes no país.

Ainda na categoria do verbo “mudar”, a pesquisadora acredita que iniciativas como a construção de linhas de trem e metrô, a implantação de corredores expressos para ônibus, como o Bus Rapid Service (BRS) e o Bus Rapid Transit (BRT), são medidas que mudam o foco do veículo individual para o transporte coletivo. “Outra iniciativa no mesmo sentido é o compartilhamento de veículos (car sharing, em inglês), que nada mais é do que um serviço de aluguel de veículos e que contribui para a redução do número de automóveis nas ruas.” Tamar cita, ainda, a adoção de veículos não motorizados, como bicicletas e patinetes, de baixo custo.

Medidas para melhorar o padrão de eficiência energética dos veículos também são importantes. “O incentivo à otimização de motores, ao uso de combustíveis menos poluentes e ao desenvolvimento de novas tecnologias de veículos é fundamental. Nesse sentido, podem ser adotadas medidas regulatórias, como o estabelecimento de padrões de eficiência energética em veículos”, explica.

Avanço

O setor de transportes liderou o avanço da demanda energética em 2017, segundo o último Balanço Energético Nacional da EPE (2018). O segmento teve uma expansão de 1,9 milhão de toneladas equivalentes de petróleo (tep), em virtude do aumento de 2,7% do consumo de óleo diesel, resultado da maior atividade de transporte de carga. No caso dos veículos leves, houve crescimento de 0,5% na produção de gasolina automotiva e o consumo desse combustível aumentou 2,6%. O etanol, porém, apresentou comportamento inverso, com queda de 2% na produção e de 0,2% no consumo.

Em 2017, o total de emissões antrópicas associadas à matriz energética brasileira atingiu 435,8 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (Mt CO2-eq), grande parte (199,7 Mt CO2-eq) gerada no setor de transportes. Os transportes de carga e de passageiros respondem por aproximadamente 32,7% do consumo total de energia do país.

De acordo com o professor de engenharia da Universidade de Brasília (UnB), Augusto César de Mendonça Brasil, a tecnologia automotiva melhora gradativamente, e os veículos se tornam mais eficientes, consomem menos combustíveis e emitem menos poluentes. “Há uma evolução do ponto de vista energético, mas ainda há muito o que melhorar. Para os próximos anos, é necessário investir no projeto dos catalisadores e dos motores de combustão interna, de forma a otimizar o potencial energético e reduzir os impactos no meio ambiente”, explica.

Segundo ele, o ideal é investir em veículos híbridos, que são uma junção do motor a combustão e do motor elétrico. “A combinação dos dois gera uma boa eficiência energética. Apostar na transição dos veículos de combustão interna para os veículos híbridos já seria um grande avanço”. Além disso, o professor explica que otimizar vias, implementar BRT e faixas exclusivas para ônibus são medidas que melhoram o ciclo de velocidade dos veículos e acabam influenciando um melhor desempenho energético. “Priorizar o uso do transporte público em detrimento dos particulares também é um caminho”.

Alto custo

Para Mendonça Brasil, o alto custo dos veículos elétricos ainda é um fator limitante para a popularização desse tipo de veículo. “Além disso, o consumidor não tem tanta confiança no veículo elétrico para aderir. Os pontos de recarga ainda são escassos, e isso afeta na decisão de quem está comprando um carro. Posto de gasolina tem em todo lugar, pontos de recarga de carro elétrico, não. Mas não é isso que promoverá o uso de carros elétricos”, afirma.

O professor diz que combustíveis alternativos, como álcool e biogás, devem ser incentivados, inclusive o uso do hidrogênio como combustível complementar nos veículos híbridos. “Eu acredito que o que define o consumo energético não é tanto a tecnologia. As nossas melhores soluções estão mais voltadas para o comportamento e para a cultura do que para a tecnologia”, sustenta.

As soluções para o aumento de eficiência energética nos transportes não passam apenas pela otimização de motores e pela substituição de combustíveis fósseis por renováveis, mas se baseiam em três verbos: evitar, mudar e melhorar”
Tamar Roitman, pesquisadora da FGV Energia

Há uma evolução do ponto de vista energético, mas ainda há muito o que melhorar. Para os próximos anos, é necessário investir no projeto dos catalisadores e dos motores de combustão interna, de forma a otimizar o potencial energético e reduzir os impactos no meio ambiente”
Augusto César de Mendonça Brasil, professor da UnB

Fonte: Correio Braziliense

Aquecimento global transforma geleiras em cachoeiras na Groenlândia

Você deve ter acompanhado as notícias sobre a onda de calor que “tostou” a Europa há alguns dias, não é mesmo? A situação melhorou um pouco por lá, mas essa mesma massa de que provocou temperaturas recorde em alguns locais agora se encontra sobre a Groenlândia – e a situação é tão crítica que o calor tem feito com que geleiras da região se transformem em “cachoeiras”.

Vídeo incorporado

Para se ter ideia, embora as temperaturas na ilha gelada não costumem ultrapassar os 10 graus Célsius nos meses de verão, nos últimos dias foram registrados quase 23 °C. Como consequência, de acordo com Eric Niiler, do site Wired, as camadas de gelo que normalmente cobrem o território estão derretendo e formando poças, lagos e rios. Além disso, o excesso de água está se infiltrando através da capa de gelo e escorrendo até a base rochosa, centenas de metros sob a superfície, formando bolsões subterrâneos.

Degelo acelerado

Na verdade, essas cavernas de água gelada se formam naturalmente como parte da dinâmica do sistema de drenagem do manto de gelo que recobre a Groenlândia. No entanto, o derretimento que vem sendo observado nesta semana pode quebrar todos os recordes de degelo anteriores – e os bolsões vão receber uma quantidade de água bastante acima do normal.

Com isso, é esperado que a pressão da água acumulada favoreça a movimentação das camadas gelo e provoque um aumento na velocidade de deslocamento em direção ao oceano, aumentando a probabilidade de que ocorram rupturas e o desprendimento de icebergs.

Bem, neste ano, a Groenlândia se transformou em palco de situações extremas, mas não é de hoje que problemas vêm sendo registrados por lá por conta da elevação das temperaturas globais. Estudos realizados nos últimos anos revelaram um aumento na quantidade e dimensão dos bolsões subterrâneos por conta do derretimento de gelo, e isso pode afetar o sistema de drenagem e a forma como o manto de gelo se move sobre a base rochosa.

Futuro incerto

Não se sabe ainda quais serão as consequências desse aumento sem precedentes do degelo, uma vez que nem toda a água da superfície se infiltrará pelo manto. De qualquer forma, as projeções atuais apontam que, se as emissões de carbono continuarem nos mesmos patamares, dentro de 2 séculos, o derretimento de gelo na Groenlândia terá contribuído para um aumento de mais de 1,5 metro no nível dos mares. Pode parecer pouco, mas essa elevação é suficiente para encobrir dezenas de cidades costeiras pelo mundo.

O pior é não é apenas a massa de ar quente dessa última onda de calor que está causando problemas por lá. As temperaturas do oceano também estão aumentando – e acelerando o derretimento do manto de gelo pelas “beiradas”, literalmente. Tudo isso, no entanto, não significa necessariamente que o manto esteja prestes a entrar em colapso (ainda). Porém, demonstra que é necessário compreender como, exatamente, o aumento no aporte de água por conta do degelo afeta todo o sistema e qual é, exatamente, o papel exercido pelos reservatórios na sua dinâmica e, por sorte, existem diversas equipes de cientistas empenhadas nisso.

Fonte: Tecmundo

A corrida contra o tempo pelo clima

Temos 18 meses para definir o futuro do clima do planeta? O que isso significa? Vivemos atualmente um período de emergência climática e, apesar de não podermos “curar” o planeta nos próximos anos, com planejamento e comprometimento poderemos minimizar as perdas

Nos últimos anos tem se tornado mais frequente as notícias relacionadas às mudanças climáticas. Recordes de temperatura são quebrados, aumento das taxas de derretimento nos polos e desastres ambientais sem precedentes tem sido reportados com mais frequências. Segundo cientistas e autoridades pelo mundo, estamos em uma corrida contra o tempo para manter as mudanças climáticas em níveis compatíveis com a sobrevivência humana.

O que está correndo por aí é a notícia de que teríamos apenas 18 meses para definir o futuro do clima do planeta. Já sabemos que nas condições atuais de emissão de gases do efeito estufa, se hoje milagrosamente zerássemos as emissões, a temperatura do planeta continuaria subindo por alguns anos. Então, o que podemos fazer em 18 meses?

Bom, temos “18 meses” até o final de 2020, que marca o “fim” do Acordo de Paris (2015). Este prazo é decisivo para uma avaliação das metas passadas e a definição de ações políticas efetivas para os cortes nas emissões de carbono no próximos anos. “A matemática do clima é brutalmente clara: embora o mundo não possa ser curado nos próximos anos, pode ser fatalmente ferido por negligência até 2020”, disse Hans Joachim Schellnhuber, do Instituto Potsdam de Pesquisas sobre o Impacto Climático (Holanda), para a BBC.

O secretário-geral das Nações Unidas pede aos países ações para redução das emissões em 45% até 2030. Créditos: observatoriodoclima.eco.br

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterrez, pede aos países ações para redução das emissões em 45% até 2030, o que, segundo o relatório do IPCC, é o mínimo para mantermos o aumento da temperatura média global de 1,5º até o fim do século – o que seria ainda considerado um “aumento seguro” para nossa sobrevivência. Os planos atuais não são suficientes para manter as o aumento abaixo desse valor e estamos nos encaminhando para 3ºC de aquecimento até 2100. É por isso que é urgente o planejamento e comprometimento dos países até o final de 2020.

A política para além da ciência

O “desajuste climático acontece agora e para todos”, disse Guterres no último domingo em Abu Dhabi. O secretário-geral convocou para setembro a Cúpula para Ação Climática, que acontecerá em Nova Iorque, para que os países participantes levem propostas de melhorias em seus planos nacionais de corte de emissões. Guterrez apoia o desenvolvimento de energias renováveis e o fim do subsídio aos combustíveis fósseis. Segundo ele, “o dinheiro dos contribuintes não deve ser usado para aumentar os furacões, espalhar as secas e as ondas de calor e derreter os glaciais”.

A maior barreira das políticas climáticas são ações de governos que, convenientemente, negam o aquecimento global. No final do ano passado, os EUA, a Arábia Saudita, o Kuwait e a Rússia bloquearam o relatório especial do IPCC sobre a limite seguro de 1,5ºC até o final do século. A restrição do uso de trabalhos científicos nos planos desses governos são uma jogada política em prol de um desenvolvimento econômico inconsequente.

Fonte: Tempo

Aquecimento global põe em risco a espécie humana

Para colunista, temperaturas altíssimas no verão europeu deveriam servir de alerta para aqueles que negam verdades científicas

As altas temperaturas que atingiram cidades europeias nos últimos dias – Paris chegou a registrar mais de 42 graus centígrados – chamaram a atenção do colunista Pedro Dallari. Para ele, essas temperaturas recordes deveriam servir de alerta para aqueles que, como o governo brasileiro, negam verdades científicas como o aquecimento global e o risco do desmatamento.

“São situações que podem ser irreversíveis. O desmatamento na Amazônia e o aquecimento do planeta são temas interligados, que podem ter consequências sérias para a humanidade”, afirma Pedro Dallari, dando continuidade em sua coluna às questões ambientais.

Para o professor, o aumento das temperaturas da atmosfera da Terra e das águas dos oceanos leva ao chamado efeito estufa. “Isso prejudica drasticamente o ecossistema terrestre, o que pode representar um risco para a própria sobrevivência da espécie humana.”

Fonte: Jornal da USP

Soja: Brasil se consolida como maior exportador global, com participação de 56%

O Brasil se consolidou como maior exportador de soja em 2018, atingindo participação de 56% nas exportações globais do grão, mostra levantamento divulgado pela Organização Mundial do Comércio (OMC). O país ampliou em 29% as vendas externas de soja em relação ao ano anterior. Já as exportações de soja dos EUA representaram 29% do total no ano passado, segundo a entidade, com embarques caindo 20% ante 2017.

O Paraguai representou 4% dos embarques da oleaginosa em 2018 (aumento de 3% nas exportações na comparação anual), enquanto o Canadá significou outros 4% (incremento de 14%).

Ainda conforme a OMC, as exportações totais de soja em 2018 totalizaram US$ 60 bilhões. Em 2017, os embarques da oleaginosa haviam totalizado US$ 58 bilhões. A participação da oleaginosa nas exportações de produtos agrícolas aumentou de 2,6% em 2008 para 3,3% em 2018. Em média, as exportações de soja aumentaram 5,5% ao ano durante esse período de 10 anos, atingindo um pico em 2018. “As exportações de soja cresceram mais do que as exportações de produtos agrícolas em geral (3,1% ao ano), apesar de uma queda de 24% nos preços da soja desde 2008”, disse a OMC.

O Brasil ampliou em 6% as exportações de produtos agrícolas em 2018 ante o ano anterior, atingindo receita de US$ 93 bilhões, e continuou ocupando o posto de terceiro maior exportador do segmento, apontou a OMC. O maior aumento foi da China, de 9% na comparação com 2017, para US$ 83 bilhões. O país asiático vem logo atrás do Brasil, no quarto lugar entre os maiores exportadores de produtos agrícolas.

De acordo com a OMC, a União Europeia continuou liderando a lista, com receita obtida com a exportação do setor de US$ 681 bilhões (+6% ante 2017), seguida pelos Estados Unidos, com US$ 172 bilhões (+1%). Entre os dez maiores exportadores de produtos agrícolas, a Austrália foi o país que registrou maior queda nos embarques de 2017 para 2018, de 10%, para US$ 38 bilhões, puxada por trigo e centeio. Com isso, o país perdeu o posto de oitavo maior exportador do segmento para a Índia e passou ao nono lugar.

Fonte: Istoé Dinheiro

Aquecimento global é real para 89% no País, aponta Datafolha

Resultado mostra que a maioria da população do país está alinhada com os elementos centrais do consenso científico sobre o tema

Na opinião de 89% dos brasileiros, o planeta está se aquecendo, e 72% concordam que as atividades humanas contribuem muito para o fenômeno. A parcela das pessoas que se dizem bem informadas sobre a mudança climática, porém, é menor hoje do que na década passada, revela pesquisa Datafolha.

O resultado mostra que a maioria da população do país está alinhada com os elementos centrais do consenso científico sobre o tema. O IPCC (painel do clima da ONU) concluiu em seu quinto relatório de avaliação, em 2014, que o aquecimento global é “inequívoco” e que é “extremamente provável” que sua causa tenha origem humana, sendo esta o aumento nas emissões de gases do efeito estufa.

A pesquisa também detectou que o grau de aceitação da mudança climática -e de suas causas antropogênicas- é mais alto entre as pessoas com maior escolaridade. A pesquisa ouviu 2.086 pessoas em 130 municípios do país no início deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Em 2010, 34% dos brasileiros diziam estar bem informados na época, e são 28% os que dizem estar em 2019. O número de pessoas que disse nunca ter ouvido falar de aquecimento global subiu de 10% para 11% no mesmo período. Apesar da parcela relativamente alta de pessoas que ainda não aceitam a conclusão da ciência sobre o tema, cientistas veem com otimismo o fato de que ela é abraçada pela maioria.

“É uma excelente noticia o fato de que a população tem um alto grau [85%] de entendimento de que as mudanças climáticas estão entre nós”, diz o físico Paulo Artaxo, um dos climatólogos mais influentes do Brasil e coautor do último relatório do IPCC. “Isso mostra o óbvio: a população observa o que está realmente acontecendo com o clima da Terra.”

Na opinião do cientista, a comunicação do tema ainda pode melhorar na mídia e entre os próprios cientistas e reduzir a parcela daqueles que negam o aquecimento global é uma meta possível, mas a origem do problema não é necessariamente acadêmica. “O combate às mudanças climáticas mexe com poderosos interesses econômicos, entre eles o do agronegócio brasileiros por causa da devastação da Amazônia e dos grupos econômicos predominantes no Brasil”, diz Artaxo.

Entre as pessoas que avaliam bem o governo de Jair Bolsonaro (PSL), a porcentagem de aceitação da mudança climática é maior –86%, contra 81% daqueles que o reprovam. Ao mesmo tempo, Bolsonaro foi o único entre os cinco candidatos mais bem votados na eleição de 2018 a ter negado o aquecimento global e sua origem humana.

Dada a alta aceitação do consenso científico sobre a mudança climática, resta saber quanto isso poderá afetar a agenda do governo, que tem se mostrado hostil ao clima. Um decreto de Bolsonaro em janeiro extinguiu a subsecretaria do Ministério das Relações Exteriores que cuidava de questões relativas ao ambiente e à mudança climática.

Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, coalizão de ONGs que se dedicam ao tema, acha pouco provável um recuo em relação ao tema. Depois do início do governo, Bolsonaro já havia voltado atrás em algumas promessas controversas, como a de tirar o Brasil do Acordo de Paris, que exige redução na emissão de gases do efeito estufa. “Mas a manutenção do Brasil no acordo do clima foi por interesses comerciais”, diz Rittl. “A opinião pública é relevante, mas não é suficiente.”

Para ele, o fato de a avaliação do presidente Bolsonaro ter tido pouco peso na pesquisa do Datafolha é um sinal de que a onda de direita da última eleição presidencial não tem tanto a ver com a negação do aquecimento global. “A questão das mudanças climáticas não é de direita ou esquerda”, afirma Rittl. “O Fórum de Davos classificou como riscos para a economia global vários riscos associados ao clima, e grandes empresas seguradoras também fizeram isso.”

O desconhecimento sobre o aquecimento global pode ter relação com a educação, mas não necessariamente o problema está na escola. “A mudança climática é um tema que está presente nos livros didáticos, e os professores tratam disso”, diz o geógrafo e educador Eustáquio de Sene, autor de várias coleções de obras didáticas. “Um problema é que, com a fragmentação das fontes de informação e do conhecimento na internet e nas mídias sociais, o professor deixou de ser o centro da difusão do conhecimento.”

Como as pessoas se deixam influenciar pelo que figuras de autoridade dizem sobre o tema, Sene diz crer que declarações do presidente e de ministros atacando o conhecimento científico tem um efeito nocivo no público. Na pesquisa Datafolha de 2010, o número de quem acreditava no aquecimento global era um pouco maior (90% contra 85% agora). E também mais gente aceitava o aquecimento antropogênico (85% contra 72% agora). Diferenças metodológicas não permitem dizer que houve efetivamente uma redução, mas não houve sinais de melhora.

Artaxo diz crer que a opinião pública tem, em contrapartida, a capacidade de mudar os formuladores de política. “Sim, há esperança de que a pressão popular possa mudar o atual panorama do sistema que defende somente o interesse das indústrias associadas aos combustíveis fósseis”, diz.

Os três especialistas entrevistados pela Folha sobre a pesquisa concordam que melhorar a difusão das informações sobre a mudança climática é algo que passa, em alguma medida, pela educação, pelas comunicações e pela política.

Fonte: Folha PE

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