Sebo retoma vice-liderança entre as matérias-primas do biodiesel

O sebo bovino reagiu e retomou das matérias-primas desconhecidas o segundo lugar entre as maiores fontes de gordura usadas pela indústria do biodiesel. Mas foi por pouco. Segundo dados de fevereiro divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em fevereiro o subproduto a atividade dos frigoríficos ficou com uma fatia de quase 13,7%, cerca de um ponto percentual à frente das desconhecidas.

O resultado obtido pelo sebo foi o maior desde março de 2018 quando a participação foi de 14,5%.

Segundo os dados divulgados pela ANP no mês passado – posteriormente corrigidos –, as matérias-primas desconhecidas haviam ficado com 12,7% da preferência das usinas batendo, pela segunda vez na história do setor, o sebo bovino que teve 12,5%. A correção feita pela ANP reduziu a – já estreita – diferença para apenas 0,02 ponto percentual embora tenha mantido a vantagem das desconhecidas.

Outro recorde sem recorde

Assim como no mês passado, as matérias-primas desconhecidas bateram seu recorde de participação dentro do mix de óleos e gorduras consumidos na produção de biodiesel. Contudo, como os dados preliminares indicam uma produção de biodiesel abaixo da apresentada em janeiro, a produção efetiva ficou em 52,8 milhões de litros – abaixo dos 55,7 milhões de litros de janeiro.

O recorde de produção de biodiesel a partir das desconhecidas foi em novembro do ano passado, quando mais de 58,3 milhões de litros de biodiesel foram fabricados a partir dessa dessa mistura de óleos e gorduras.

A produção de biodiesel a partir do sebo cresceu ligeiramente em comparação com janeiro. Foram 56,7 milhões de litros agora contra 55,6 milhões de litros um mês antes.

No caso do sebo, o recorde de produção foi batido em outubro de 2015 quando as usinas colocaram 82,7 milhões de litros de biodiesel de sebo no mercado, o que representou 23,3% do total produzido naquele mês.

Soja

O crescimento tanto do sebo quanto das desconhecidas tomou um pouco do espaço da soja. Em fevereiro, 66,8% do biodiesel foi fabricado com a partir deste oleaginosa, é o quarto menor resultado obtido pela líder do mercado num histórico que vem desde 2009. Esse foi o menor percentual obtido pela líder de mercado desde janeiro de 2018 quando os dados da ANP apontavam para 65,9% de biodiesel feito com soja.

Em termos de volume fabricado, tivemos 277,5 milhões de litros de biodiesel de soja entrando no mercado em fevereiro. Trata-se do volume mais baixo desde que o B10 passou a valer em março passado.

Com a demanda mais amena no setor de biodiesel, a quantidade de soja em grão que precisou ser esmagada encolheu mais de 7,2% de um mês para o outro. Em fevereiro, 1,33 milhão de toneladas de soja foi esmagada para abastecer as usinas de biodiesel com óleo.

Nesse caso, temos a menor quantidade de soja esmagada em um ano. Em fevereiro de 2018, o volume de grão processado havia ficado abaixo de 1,1 milhão de toneladas.

Palma encolhe

Entre as matérias-primas de menor porte usadas pela indústria, a movimentação mais notável de fevereiro foi da palma-de-óleo, que perdeu mais da metade de sua participação de mercado indo de quase 3,2% em janeiro para 1,5% em fevereiro.

Com isso, a produção a partir do óleo de palma, que vinha se mantendo acima de 10 milhões de litros mensais nos últimos três meses, ficou abaixo de 6,4 milhões de litros.

A redução na palma explica a contração da participação das matérias-primas minoritárias de 8% para 6,8% em somente um mês.

Fonte: BiodieselBR

QUANTAS ÁRVORES VOCÊ PRECISA PLANTAR PARA COMPENSAR SEUS DANOS AO PLANETA?

Já parou para pensar na quantidade de dióxido de carbono que você emite por dia? Não só ao respirar, mas também assistindo TV, jogando vídeo game, tomando banho e até comendo fast food? Existe uma calculadora que mostra isso e, dependendo do resultado, ela ainda recomenda a quantidade de árvores que devemos plantar para compensar danos e ainda dá dicas de como diminuir nossas emissões! Ficou curioso?

A preocupação com o aumento dos gases do efeito estufa (causado pela atividade humana, que causa o aquecimento global que por sua vez muda o clima do planeta) e com todas as questões que afetam o meio ambiente, é cada vez mais o foco na vida das pessoas, principalmente nas escolas. Por este motivo, educadores e instituições, desafiam os alunos a criarem alternativas para melhorar o futuro do planeta.

Calculadora de Carbono

Uma das soluções desenvolvidas por alunos e professores do Centro Educacional da Fundação Salvador Arena, em São Bernardo do Campo (SP), foi a Calculadora de Carbono. Ela serve para saber a quantidade de dióxido de carbono emitido por cada pessoa, bem como a quantidade de árvores que cada um deve plantar por ano para compensar suas emissões.

Desenvolvida em 2015, a Calculadora de Carbono está disponível desde então no site do CEFSA Solidário, num projeto com o título de Pegada Ecológica. Na ocasião, a diretora pedagógica do Colégio Termomecânica (CTM), Cristina Favaron Tugas, explicou ao programa Tarde Nacional como funciona essa calculadora.

Por que Carbono?

O carbono é o quarto elemento mais abundante no Universo e é considerado o pilar da vida, pois é um elemento básico na composição dos organismo.

Existem basicamente duas formas de carbono, a orgânica, presente nos organismos vivos e mortos; e a inorgânica, presente nas rochas.

Já o gás carbônico (CO2) é um composto químico constituído por dois átomos de oxigênio e um átomo de carbono. É essencial à vida no planeta, é um dos compostos essenciais para a realização da fotossíntese. Pela respiração, decomposição e combustão, o gás carbônico é lançado no ambiente. Pela fotossíntese, ele é retirado.

Por isso se fala em pegada de carbono (ou pegada ecológica), ou seja, no quanto cada pessoa emite desse gás com suas atividades modernas, e na quantidade de árvores necessárias para compensar os danos (pela fotossíntese, plantio de árvores, esse gás é retirado do ambiente ajudando a reaver um equilíbrio natural perdido com a industrialização).

Calcule a tua emissão

Resumidamente funciona assim: ao abrir a página (clique aqui), basta preencher os campos com os seus hábitos e a sua rotina, mas não vale mentir! Atividades como assistir TV, jogar vídeo game, locomoção para a escola ou trabalho, bem como outras atividades simples do cotidiano como o tempo do banho e quantas vezes usamos o secador de cabelo, também influenciam no resultado.

Ao terminar o preenchimento, a Calculadora de Carbono irá mostrar a quantidade de CO2 que você emite e a quantidade de árvores que deverá plantar durante o ano. Além disso, ela também faz algumas recomendações para que você diminua a emissão de dióxido de carbono através de medidas simples como fechar bem a geladeira ou diminuir o tempo de uso do computador.

A ideia da Pegada Ecológica é muito criativa e inteligente! Que tal usá-la como recurso para melhorar nossos hábitos de consumo e ajudar ainda mais o planeta? Faça o teste você também e compartilhe com seus amigos para saber se eles poluem mais ou menos que você.

Trata-se de um assunto sério, mas que pode ser incorporado com leveza quando visto de forma lúdica e divertida. Experimente!

Fonte: Green Me

Biodiesel – o que é, como é feito, vantagens, desvantagens, produção no Brasil

Biodiesel: Saiba o que é, as vantagens e desvantagens desse biocombustível, seu processo de produção, seu uso no Brasil e seu potencial a ser explorado.

1 O que é Biodiesel?

O biodiesel é um biocombustível feito a partir de biomassa, (matéria orgânica de origem vegetal ou animal) como por exemplo, plantas (óleos vegetais) ou de animais (gordura animal). Pode-se dizer então que biodiesel é a energia que vem das plantas.

Pela sua natureza orgânica, este, é considerado um combustível totalmente limpo, orgânico e renovável.

Sua principal finalidade é de substituir o óleo diesel usado em automóveis pesados como caminhões e ônibus. Ele pode ser usado em motores a combustão interna com ignição por compressão ou para geração de outro tipo de energia que possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil.

Produção de Biodiesel

Como dito anteriormente, o biodiesel é obtido através de fontes renováveis, desde que atenda as especificações da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), órgão regulador das atividades que integram as indústrias de petróleo e gás natural e de biocombustíveis no Brasil.

Para produzir biodiesel, usina-se o processo de transesterificação na usina de Biodiesel, consiste no seguinte procedimento: o óleo retirado das plantas é misturado com com etanol (proveniente da cana-de-açúcar) ou metanol (pode ser obtido a partir da biomassa de madeiras) e depois estimulado por um catalisador.

O catalisador é uma ferramenta usada para provocar uma reação química entre o óleo e o álcool. Após,o óleo é separado da glicerina (usada na fabricação de sabonetes) e filtrado.

Biodiesel no Brasil

Devido sua luminosidade, temperatura média anual e muitos recursos hídricos que originam as mais variadas espécies vegetais, o Brasil é uma região muito privilegiada em questões de produção de biodiesel. Óleo de girassol, de amendoim, de mamona, de soja, de milho, de dendê ou palma são muito comuns de serem encontrados no Brasil.

Entretanto, a tecnologia de fabricação do biodiesel ainda está em desenvolvimento avançado no Brasil. Mas isso não deixa o país pra trás. Contando com seu privilégio geográfico, dados revelam seu destaque nesse âmbito.

De acordo com Boletim Mensal de Energia – Ministério das Minas e Energia, 2017, o Brasil produz, atualmente, cerca de 50 mil barris de biodiesel por dia. Sendo o segundo maior produtor mundial de biodiesel (cerca de 4 bilhões de litros por ano). A região Centro-oeste é a maior produtora do Brasil.

A Petrobrás possui esta tecnologia e o combustível orgânico já está sendo utilizado em alguns veículos em nosso país. Acredita-se que, para o futuro, este combustível possa, aos poucos, substituir nos veículos os combustíveis fósseis. Será um grande avanço para contribuição para o desenvolvimento sustentável do país.

Potencial do Biodiesel

Tendo em vista a disponibilidade hídrica e regularidade de chuvas, o Brasil torna-se o país com maior potencial para produção de energia renovável.

O Brasil explora menos de um terço de sua área agricultável, o que constitui a maior fronteira para expansão agrícola do mundo. O potencial é de cerca de 150 milhões de hectares, sendo 90 milhões referentes à novas fronteiras, e outros 60 referentes a terras de pastagens que podem ser convertidas em exploração agrícola a curto prazo.

O Programa Biodiesel visa a utilização apenas de terras inadequadas para o plantio de gêneros alimentícios.

Vantagens

  • Baixos índices de poluição, colaborando com a sustentabilidade no país.
  • Gera emprego e renda no campo, diminuindo o êxodo rural.
  • Utilização de uma fonte de energia renovável, dependendo da plantação de grãos oleaginosos no campo.
  • Substituição gradativa de uma fonte não renovável (petróleo).
  • Produzido em larga escala e com uso de tecnologias, o custo de produção pode ser mais baixo do que os derivados de petróleo.

Desvantagens

  • Risco de diminuição das reservas florestais do nosso planeta devido alto grau de desmatamento de florestas para dar espaço para a plantação de grãos.
  • Aumento no preço dos produtos derivados de matéria-prima (leite de soja, óleos, carne, rações para animais, ovos etc.) utilizadas na fabricação deste combustível, tendo em vista sua vasta utilização.

Fonte: Escola Educação

O que a ciência do clima tem a dizer para o Brasil?

As cientistas do INPE Thelma Krug e Lúbia Vinhas, e os cientistas Jean Ometto e Luiz Aragão, da mesma instituição, propõem neste texto uma visão técnica baseada na ciência do clima do papel que deve ser exercido pelo Brasil frente às questões climáticas globais. O texto faz contrapontos gerais aos argumentos apresentados pelo negacionista Molion e seus colaboradores em carta abertaendereçada ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em 09/03/2019.

Neste documento, inicialmente, demonstramos as evidências existentes da atribuição de um papel significativo da ação humana nos padrões climáticos atuais. Na sequência, sumariamos de que forma podemos determinar as causas das mudanças climáticas e as consequências da negação da existência de um processo tão crítico quanto as mudanças climáticas antropogênicas. Esclarecemos que o problema vai além do dióxido de carbono (CO2) e concluímos com informações que levam a um maior conhecimento do problema para que o Brasil atinja um patamar de destaque na implementação de um modelo moderno de desenvolvimento econômico e sustentável.

Duas perguntas centrais são aqui abordadas:

1) Existem evidências para associarmos mudanças climáticas a ações antrópicas?

2) As ações de mitigação reprimem o crescimento econômico do país e sua reputação internacional?

As evidências físicas são robustas e suficientes para atribuir a influência humana no clima global

A evidência de que as mudanças generalizadas observadas no sistema climático, desde os anos 50, são atribuíveis a influências antrópicas tem crescido exponencialmente. A conexão entre a influência humana e as mudanças climáticas é analisada e discutida com base em uma extensa literatura cientifica. São mais de 15.000 artigos científicos abordando o tema “human influence” e “climate” na base do Google Acadêmico.

Essas evidências são compiladas pelos densos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima (IPCC). Inclusive, esses relatórios passam por revisão aberta não apenas de especialistas, mas da sociedade civil e governos. O efeito das influências antrópicas no clima tem se intensificado nas últimas quatro décadas. As evidências resultam da avaliação dos inúmeros estudos que incluem dados obtidos por institutos de pesquisa do mundo todo, compondo séries históricas e indicadores. Dentre esses indicadores climáticos, podemos citar: as temperaturas próximas à superfície; o conteúdo de umidade atmosférica; a precipitação pluviométrica sobre a Terra; o conteúdo de calor oceânico; a salinidade oceânica; o nível do mar; o gelo marinho do Ártico e a intensidade e frequência de extremos climáticos.

As avaliações de atribuição e incertezas indicam que é extremamente provável que as atividades humanas tenham causado, diretamente, mais da metade do aumento observado na temperatura média global de superfície de 1951 a 2010. Ressalta-se que mecanismos de retroalimentação (feedbacks) do sistema natural podem potencializar a forçante antrópica. Como dito, essa avaliação é apoiada por evidências robustas de vários estudos científicos usando diferentes métodos. As incertezas nos diagnósticos também são contabilizadas de forma transparente e formal, a partir de análises exploratórias profundas dos dados, dos resultados de projeções e da performance dos modelos. Os dados dos modelos, antes de qualquer projeção, são confrontados e calibrados com dados derivados de observações, incorporando assim as informações mais recentes, obtidas com maior exatidão por redes de coletas de dados de superfície distribuídas no mundo todo. Esses dados atualmente são ainda complementados pelos provenientes de um arsenal de satélites operacionais de Observação da Terra, onde a contribuição do Brasil é crítica, não só para o mundo e o clima, como também para manter a soberania sobre seus recursos naturais e sua economia.

A consistência das mudanças observadas e modeladas em todo o sistema climático, incluindo o aquecimento da atmosfera e do oceano, a elevação do nível do mar, a acidificação dos oceanos e as mudanças no ciclo da água, na criosfera e nos extremos climáticos apontam para alterações em escala global, inclusive alterando o balanço energético na atmosfera e alterando a temperatura média da Terra, resultante principalmente do aumento de emissões antrópicas de gases de efeito estufa (GEE).

As emissões antrópicas aumentam as concentrações dos GEE na atmosfera, resultando em um aquecimento planetário proporcional a elas. Isso se deve a que esses gases têm o potencial de absorver o calor emitido pela Terra na direção do espaço e reemiti-lo, aquecendo o planeta. É importante notar que o CO2 não é o único gás de efeito estufa. Naturalmente, os GEE estão distribuídos na atmosfera na forma de vapor d’água (95%), CO2 (3,6%) e outros (1,4%). As emissões antrópicas estão distribuídas em 84% (CO2), 9% Metano (CH4), 5% Oxido nitroso, 2% outros. Apesar de o CO2 ser o gás mais importante, devido a sua contribuição majoritária nas emissões antrópicas, o CH4 tem um potencial de aquecimento global 28-36 vezes superior, e o oxido nitroso (N2O) têm um potencial 265-298 vezes maior que o CO2. Portanto, mesmo em quantidades inferiores a outros gases os GEE têm potencial de alteração do comportamento atmosférico e sua interação com a radiação provinda do Sol e da Terra.

As variações naturais na incidência de radiação solar são historicamente conhecidas e incorporadas nas análises. Os resultados dessas análises indicam que este forçamento natural, e suas flutuações, têm contribuição relativa muito menor que a alteração na composição química da atmosfera, determinada pelo aumento de emissões de GEE e outros poluentes. Esse fato se reforça pelo resfriamento estratosférico e aquecimento troposférico, sendo o primeiro diretamente relacionado a incidência de radiação solar e o segundo à sua composição química.

Nas análises de atribuição das alterações climáticas observadas, outros processos naturais são também considerados. A Oscilação Multi-decadal Atlântica (AMO), ou a oscilação Decadal do Pacífico são dois processos oceânicos de baixa frequência bem conhecidos. Estes têm, certamente, influência na variação natural do clima, entretanto, inúmeros estudos científicos evidenciam um desacoplamento da variação atual no aquecimento da atmosfera dessas flutuações. Estudos que encontram um papel significativo para, por exemplo a AMO, mostram que sua flutuação não se projeta fortemente nas séries de temperatura da atmosfera recente, no período de 1951-2010.

Torna-se importante ressaltar que as variações na composição química da atmosfera, em especial pela presença de compostos de carbono (como CO2 e CH4), esteve associada às grandes mudanças de clima no passado (dados derivados de estudos paleoclimáticos). Quando os níveis de CO2 subiram abruptamente (derivados de processos naturais de larga escala) o aquecimento global foi altamente disruptivo e causou grandes extinções de espécies. Um diferencial seríssimo que vivenciamos, é que a curva de aumento das concentrações de CO2 na atmosfera vem se alterando positivamente e exponencialmente. As taxas de mudança observadas atualmente são muito mais elevadas que as observadas em períodos pretéritos da história da Terra.

O ponto de discussão atual não é se as mudanças climáticas são causadas ou não pelos seres humanos, e sim que o clima está mudando e seus impactos climáticos atuais e futuros afetam e continuarão afetando diretamente a humanidade.

Como determinamos as causas das mudanças observadas

O clima da Terra está sempre mudando, afirmou Molion e colaboradores. Sim, não existe surpresa nisto. Isso pode ocorrer por vários motivos. Para determinar as principais causas das mudanças observadas, deve-se primeiro determinar se uma mudança observada no clima é diferente de outras flutuações que ocorrem sem qualquer forçamento. A variabilidade climática sem forçamento – chamada de variabilidade interna – é a consequência de processos que ocorrem dentro do sistema climático. A variabilidade oceânica em grande escala, por exemplo as flutuações do El Niño-Southern Oscilation(ENSO) no Oceano Pacífico, é a principal fonte de variabilidade climática interna nas escalas de tempo decenais a centenárias. A mudança do clima também pode resultar de forçantes naturais externas ao sistema climático, como erupções vulcânicas ou mudanças na irradiância solar. Forças como essas são responsáveis pelas enormes mudanças no clima que estão claramente documentadas no registro geológico. Forças causadas pelo homem também afetam o clima e estão relacionadas às emissões de gases de efeito estufa ou poluição particulada atmosférica (aerossóis). Qualquer uma dessas forças, provenientes de causas naturais ou humanas, pode afetar a variabilidade interna, bem como causar uma mudança no clima médio.

Estudos de atribuição tentam determinar as causas de uma mudança detectada no clima observado. Ao longo do século passado, dados científicos indicam que a temperatura média global aumentou, portanto, se a mudança observada for forçada, então a força principal deve ser aquela que causa o aquecimento, e não o resfriamento. Estudos formais de atribuição de mudanças climáticas são realizados usando experimentos controlados com modelos climáticos. As respostas simuladas por modelos para forças climáticas específicas são frequentemente chamadas de impressões digitais dessas forçantes. Um modelo climático deve simular de forma confiável os padrões de impressões digitais associados a forçantes individuais, bem como os padrões de variabilidade interna não forçada, a fim de produzir uma avaliação significativa da atribuição de mudanças climáticas. Nenhum modelo pode reproduzir perfeitamente todas as características do clima, mas muitos estudos detalhados indicam que simulações usando modelos atuais são de fato suficientemente confiáveis para realizar avaliações de atribuição. Inclusive ressalta-se a constante atualização nas representações dos modelos dos processos físicos, assim como a capacidade computacional. Um exemplo simples, refere-se à previsão do tempo (e não clima), hoje tem-se muito mais confiabilidade na previsão de tempo que se tinha décadas atrás.

As simulações que incluem os forçamentos naturais e antrópicos fornecem uma representação muito melhor da taxa temporal de mudança (inferior à esquerda) e do padrão espacial (inferior à direita) da alteração da temperatura observada de superfície. Ambos painéis à esquerda mostram que os modelos computacionais reproduzem o resfriamento da superfície naturalmente forçado, observado por um ou dois anos após grandes erupções vulcânicas, tais como as ocorridas em 1982 e 1991. Simulações com forçantes naturais captam as mudanças de temperatura de curta duração após erupções, mas apenas as simulações com forçantes natural + humana simulam a tendência de aquecimento de maior duração. Uma avaliação mais completa de atribuição examinaria a temperatura acima da superfície, e possivelmente outras variáveis climáticas, além dos resultados de temperatura de superfície mostrados na Figura 3. Os padrões da impressão digital associados a forçamentos individuais tornam-se mais fáceis de distinguir quando mais variáveis são consideradas na avaliação. Não é possível simular corretamente as mudanças climáticas observadas recentemente sem incluir a resposta às forçantes antrópicas, incluindo gases de efeito estufa, ozônio estratosférico e aerossóis. Causas naturais de mudança ainda estão em ação no sistema climático, mas as tendências recentes de temperatura são em grande parte atribuíveis ao forçamento causado pelo homem.

A importância do engajamento e da consciência da sociedade sobre a urgência nas mudanças no padrão de uso dos recursos naturais

Lê-se na carta aberta de Molion e colaboradores que “A hipótese do aquecimento “antropogênico” é um desserviço para a Ciência e um risco para as políticas públicas”. Primeiramente, a metodologia científica ensina que hipóteses não podem ser refutadas sem evidências geradas a partir de metodologias consolidadas. A negação da contribuição antrópica para o aquecimento global contradiz os resultados em milhares de estudos publicados em todo o mundo por cientistas de diferentes nacionalidades e trabalhando em diferentes instituições, com contribuições importantes de pesquisadores brasileiros. Uma análise no buscador Google Acadêmico, mostrou que existem 2 milhões de artigos publicados sobre o tema “Aquecimento Global”. Quando a busca é feita com o tema “Mudanças Climáticas” chega-se a um número superior a 3 milhões de artigos científicos. Portanto, é notório que apesar da necessidade de mais estudos, existe um volume significativo de informações que direcionam as atuais conclusões e ações.

As análises integradas sobre impactos antrópicos no ambiente indicam que a redução das emissões de gases de efeito estufa de natureza antrópica pode contribuir não só para mitigar as mudanças no clima, mas também para atingir vários objetivos de desenvolvimento sustentável da Agenda 30 das Nações Unidas, da qual o Brasil é signatário. Os cenários de mitigação que resultam em baixa concentração de gases de efeito estufa até o final deste século indicam custos reduzidos para se alcançar a melhoria da qualidade do ar, os objetivos de segurança energética, a segurança alimentar, a segurança hídrica, com significativos co-benefícios para o bem-estar, a saúde humana e os ecossistemas.

Precisamos buscar os cobenefícios das ações humanas em relação ao clima e ao ambiente de forma geral. Por exemplo, no Brasil há um enorme potencial de contribuição para a redução de emissões de gases de efeito estufa, particularmente o CO2, que pode ser atendido pela ampliação da geração de bioenergia (e biocombustíveis) e reflorestamentos em larga escala, contribuindo para métricas de sustentabilidade. Estas ações têm efeitos positivos diretos, tanto nas atividades da indústria brasileira, na economia nacional e na modernização do modelo social brasileiro.

Ao indicar o negacionismo à mudança do clima e particularmente a influência humana, o Brasil perderá inúmeras oportunidades nos mercados internacionais e possibilidades de cooperação internacional, aceita pelos países membros do IPCC como o viabilizador crítico da implementação de atividades de mitigação e adaptação por países em desenvolvimento. Isto já foi demostrado pelo recente desembolso de US$ 100 milhões pelo Fundo Verde do Clima da Convenção do Clima, pelos esforços do Brasil em reduzir as emissões pelo desmatamento no país.

Torna-se imperativo destacar que todas as ações de mitigação e adaptação devem obrigatoriamente ser implementadas considerando co-benefícios para a sociedade, incluindo erradicação da pobreza, educação, saneamento básico, fontes alternativas de energia, acesso a água potável, educação e transporte. O modelo de desenvolvimento baseado em baixo carbono, portanto, não só permite a estabilização dos processos climáticos, garantindo a manutenção da produção agrícola do país, como também incentiva a indústria de inovação, reduz gastos hospitalares e coloca o país em uma posição resiliente quanto a dependência de fontes energéticas baseadas em combustíveis fósseis.

Assim, torna-se evidente que há inúmeras sinergias entre ações de mitigação da mudança do clima com o desenvolvimento econômico nacional e outros compromissos internacionais, como a Agenda 30, a Convenção da Biodiversidade, entre outros.

Uma estratégia focada em baixas emissões de CO2 não desvia atenções e recursos das emergências reais

Não existe, de forma alguma, uma obsessão pelo CO2 e sim uma mobilização de diversos segmentos da sociedade para tomar ações, preventivas, baseadas em um conjunto extensivo de dados e pesquisas. O CO2 vem sendo utilizado como referência à trajetória de alteração na composição da atmosfera, e a consequente mudança no balanço energético do planeta. A alteração na composição da atmosfera inclui vários outros compostos que não apenas o CO2, desta forma ações na redução de emissões de GEE (que, como dito no arquivo Molion), oferece oportunidades importantes para o Brasil, sob o ponto de vista comercial e ambiental, se adequadamente feitas.

O Brasil tem potencial e características importantes para ser referência global no desenvolvimento equilibrado com o ambiente, na produção massiva de energias renováveis, produtos da biodiversidade, agricultura com impacto reduzido ao meio (que inclui não apenas ações que reduzam emissões de GEE, mas também otimização no uso de fertilizantes, agroquímicos, etc). Várias dessas alternativas podem ser financiadas internacionalmente, e ainda ser uma oportunidade para o Brasil no mercado internacional (por exemplo para produtos agrícolas). Há oportunidades em todos os setores. Por exemplo, o Brasil já está avançando neste modelo desenvolvimentista de vanguarda, respeitado mundialmente. A Política Nacional sobre Mudança do Clima contempla uma redução dos resíduos sólidos e efluentes (financiamento para acabar com os lixões no país, para aumentar a quantidade e tratamento de resíduos líquidos urbanos e aumento da eficiência energética). Interessantemente, as tecnologias nacionais também estão voltadas para auxiliar a manutenção do funcionamento ambiental. Como exemplo, nossa tecnologia de satélites, comunicação e nossa ciência em geral já foca no desenvolvimento sustentável. Será que temos que dar uma guinada em tudo que já foi construído e estabelecido nacionalmente e internacionalmente em prol de ideias contraditórias?

Como os outros países, o Brasil tem que identificar os seus nichos para estimular a inovação. No Japão, por exemplo, foram identificadas 10 tecnologias inovadoras até 2050. Existe a necessidade de sinalização para o setor privado de investimentos relevantes, com ou sem parceria internacional. Um exemplo recente advém do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Quioto, que gerou investimentos importantes para o Brasil, particularmente no setor Resíduos e Energia. Seria muito ingênuo não enxergar as enormes oportunidades que o Brasil tem de ajudar o esforço global de mitigar a mudança do clima, simultaneamente buscando o desenvolvimento sustentável. Inovação, oportunidades, identificação de nossos nichos, envolvimento do setor privado – são algumas palavras chave que precisam ser reforçadas.

Melhor conhecimento e maior resiliência

A ciência das mudanças climáticas se preocupa exatamente com isso. Quanto maior o conhecimento sobre o problema mais a sociedade e os indivíduos estarão informados e preparados para eventos climáticos extremos (como chuvas extremas, inundações, secas) e as consequências econômicas e sociais desses eventos. O aprimoramento da capacidade da meteorologia nacional é certamente relevante, entretanto mudanças no clima tem que ser vistas e tratadas de forma integrada e com amplitude socioeconômica e socioambiental. O exemplo claro desta afirmação é a economia brasileira. Um terço das exportações do Brasil, que mantém a balança comercial positiva e o crescimento do país, é derivada de produtos “naturais”.

Portanto, se não tivermos ações para minimizar qualquer possível impacto climático sobre nosso país, nossa economia pode ruir. Este é um lado da história. Devido à preocupação global com as mudanças climáticas, essas exportações são dependentes de certificações demonstrando que os produtos não estão relacionados com a degradação ambiental (por exemplo advindos de áreas desmatadas). Se as políticas se direcionarem de forma contrária a manutenção das funções ambientais, perderemos uma fração significativa de nossas exportações.

Esta ação de cunho ambiental reprimiu o crescimento econômico e as exportações do país? Não. O desmatamento amazônico diminuiu em aproximadamente 70%, reduzindo assim as emissões de CO2 e outros GEE, melhorando a saúde respiratória da população. A produção de soja, por outro lado, praticamente dobrou de 56.699.617 toneladas em fevereiro de 2007 para 113.393.434 toneladas em fevereiro de 2019 (IBGE). A imposição de restrições, permite a reformulação de modelos obsoletos de desenvolvimento e incentiva a inovação com desenvolvimento de biotecnologia, tecnologia agrícola, tecnologia de monitoramento e processamento de dados.

Com isso, terminamos a avaliação nos posicionando a favor do desenvolvimento sustentável do país baseado em conhecimento técnico e científico robusto. Temos todas as condições para demonstrar para o mundo que existem formas inovadoras e modernas de se desenvolver.

Fonte: Climainfo

Mudanças climáticas: considerações necessárias

Considerada um desdobramento da crise ambiental, a mudança climática pode ser um dos maiores desafios globais que a sociedade hodierna enfrenta. Ela exerce pressão sobre a estrutura social e política, de comunidades no mundo inteiro, em face ao cenário de incertezas sobre o escopo exato e a velocidade dos próximos passos necessários para remediar suas causas e efeitos, especialmente no plano global.

Previsões destacam que, para cada grau de aumento da temperatura média global, ocorrerá uma queda de 20% na disponibilidade de recursos hídricos para 7% da população mundial. Se as emissões de gases do efeito estufa seguirem subindo, no pior cenário, até o fim do século XXI o número de pessoas expostas a grandes enchentes será três vezes maior do que se as emissões tiverem sido reduzidas. Além disso, será maior a possibilidade de mortes resultantes de ondas de calor, as pessoas estarão expostas a doenças transmitidas pela água e por alimentos. Para completar, o aquecimento global colocará em risco a produtividade pesqueira e os serviços ecossistêmicos dos oceanos.

Tais consequências irão recair tanto quanto aos povos que menos contribuem para as emissões de gases de efeito estufa, uma das causas da mudança do clima. Portanto, seriam as variações climáticas um novo fenômeno de injustiça global? Considerando que as atividades humanas, em relação às mudanças climáticas, podem ser desprezíveis em relação a uma perspectiva global e de cronologia geológica, como supõe alguns cientistas, deve-se ter em conta, porém, que a ação conjunta destas com outros agentes atmosféricos são relevantes.

Assim, são importantes as reflexões sobre mudanças climáticas e possíveis futuros, construindo cenários que avalie causalidades, tendências e ciclos do passado, o que ocorre no presente e pode se estender ao futuro. Nesse momento, é cabível observar que as hipóteses sobre mudanças climáticas devem ser analisadas considerando-a como um fenômeno complexo, relativo, volátil e compatível com a importância do princípio da incerteza e da precaução.

Fonte: Tribuna do Vale

Sementes geneticamente alteradas da soja ajudam a modernizar economia

Pesquisa mostra que sementes geneticamente alteradas ajudaram a modernizar a economia brasileira a partir de 2003, beneficiando não só agricultores, mas também centros urbanos

Uma conhecida máxima no campo da ciência diz que estudos acadêmicos só têm valor se desafiarem o senso comum. Do contrário, eles se prestam apenas para reforçar velhas teorias. Nesse aspecto, uma extenuante pesquisa realizada por três professores especializados na área de finanças tem méritos de sobra.

Jacopo Ponticelli, professor- adjunto de finanças da americana Kellogg School, uma das mais importantes escolas de negócios do mundo, Bruno Caprettini, da Universidade de Zurique, referência em ensino na Suíça, e Paula Bustos, do Centro de Estudos Monetários e Financeiros da Espanha, instituição consagrada na área de inovação, resolveram analisar o impacto da cultura de soja geneticamente modificada na economia brasileira.

Estudo

Segundo o estudo, os efeitos econômicos do plantio não só foram positivos como se alastraram para os centros urbanos e áreas industriais. O resultado, portanto, se opõe ao que os especialistas convencionais imaginavam.

O estudo começou com uma premissa: na primeira década dos anos 2000, um dos períodos mais prósperos da história brasileira recente, o que teria levado trabalhadores das fazendas a migrar para o setor industrial? As novas oportunidades econômicas das grandes cidades atraíram os homens do campo ou foram as mudanças na agricultura que os forçaram a trocar a terra pelo asfalto? Os pesquisadores suspeitavam que a resposta tinha a ver com a soja. Ou, para ser mais preciso, com a soja geneticamente modificada.

“Maradona”

É preciso voltar no tempo para entender a linha de raciocínio dos profissionais. Em 2003, o Brasil legalizou, em meio a uma enxurrada de protestos de ONGs e movimentos sociais, a semente de soja Roundup Ready (RR), desenvolvida pela Monsanto. Naquela época, como agora, a empresa era alvo de manifestações sob o argumento de que uma semente modificada poderia causar danos à saúde. Chamada de “Soja Maradona”, uma singela homenagem dos cientistas que a desenvolveram a um dos maiores jogadores da história do futebol, a semente foi criada com uma única missão: resistir a herbicidas.

A soja geneticamente modificada alterou essa lógica. Antes dela, os agricultores não conseguiam controlar as ervas daninhas por meio da aplicação de herbicidas sem matar também as suas plantações. Como a Roundup Ready resistia aos produtos químicos, a limpeza dos campos para a retirada de ervas daninhas deixou de ser necessária. Isso, por sua vez, permitiu a produção da mesma quantidade de soja em menos tempo e com um número menor de trabalhadores para realizar o serviço.

Naquela época, em 2003, analistas disseram que esse movimento beneficiava apenas os donos da terra, já que milhares de funcionários seriam descartados. Além disso, os centros urbanos e industriais não teriam nada a ver com a história, pois sua estrutura econômica independia do que ocorria no campo. Eles estavam errados.

Fonte: Correio Braziliense

Exportação de soja ultrapassa US$ 2,5 bi em fevereiro

As exportações do complexo soja (grãos, farelo e óleo) suplantaram pela primeira vez a barreira dos US$ 2 bilhões para os meses de fevereiro, registrando US$ 2,58 bilhões no segundo mês deste ano. O grande destaque foi a venda de soja em grão, com 6,1 milhões de toneladas. Com esse recorde na quantidade exportada (+112,7%), mesmo com a queda de 5,1% no preço médio de exportação, o valor de soja foi recorde no mês, atingindo US$ 2,21 bilhões (+101,8%).

Esse desempenho contribuiu para que as exportações do agronegócio crescessem de US$ 6,27 bilhões para US$ 7,25 bilhões no mês passado. O incremento das exportações em 15,6% ocorreu, especialmente, devido à elevação de 20,8% no índice de quantum das exportações. As importações também aumentaram, passando de US$ 1,08 bilhão para US$ 1,20 bilhão em fevereiro deste ano (+10,4%).

A participação do agronegócio nas exportações totais do Brasil em fevereiro atingiu 44,5%, de acordo com dados da Balança Comercial do Agronegócio, elaborados pela Secretaria Comercial e Relações Internacionais, foi feita nesta segunda-feira (18).

Além das exportações de soja em grão, o setor exportou US$ 341,9 milhões de farelo de soja (-29,0%) e US$ 28,6 milhões de óleo de soja (-71,3%).

As vendas de carnes foram de US$ 1,17 bilhão em fevereiro, em alta de 4,8% em relação ao valor exportado em no mesmo mês de 2018. A quantidade exportada de todas as carnes foi recorde para os meses de fevereiro, com 520 mil toneladas. O valor registrado em carne bovina e de frango foi praticamente igual, US$ 518 milhões de cada tipo. Além dessas carnes, foram negociados US$ 99 milhões de carne suína (+7,5%) e US$ 4,3 milhões de carne de peru (-64,5%).

O café também teve destaque, sendo exportados US$ 452,31 milhões, sendo US$ 409,23 milhões de café verde (+13,1%) e US$ 40,75 milhões do solúvel (-2,5%). A quantidade exportada de café verde, 186,71 mil toneladas, foi recorde para fevereiro.

No agrupamento cereais, farinhas e preparações houve aumento das vendas externas de US$ 265,57 milhões para US$ 373,47 milhões (+40,6%). O milho é o principal produto de exportação do segmento, com US$ 309,88 milhões (+54,8%).

Fonte: Investimentos e Negócios

A relação entre aquecimento global, doenças e mortes

Matéria na Revista Poli nº 63 traz relação entre aquecimento global, doenças e mortes

De um dia para o outro, 52 ursos polares famintos apareceram em uma cidade na Rússia. Aconteceu em fevereiro, quando ainda é inverno no hemisfério Norte. Após decretar estado de emergência, as autoridades de Belushya Guba fizeram o que estava ao seu alcance: ergueram cercas no entorno de escolas e parques, escoltaram pessoas de um canto a outro. Acuados, os habitantes da cidadezinha, localizada em um arquipélago no Ártico, foram além: tentaram espantar os animais com tiros de advertência e bombas caseiras. A invasão gerou imagens com um quê de ficção científica.

Em novembro do ano passado, a formação de plataformas de gelo no mar aconteceu no ritmo mais lento jamais registrado. Essas plataformas são usadas pelos ursos para caçar focas. As mudanças climáticas que afetam o habitat desses grandes mamíferos também interferem em relações complexas, menos perceptíveis a olho nu. Mas transformações que acontecem na diminuta escala dos mosquitos já estão causando estragos em todo o planeta. Fazem parte de um amplo repertório de consequências do aquecimento global para a saúde humana.

O nexo

Há 18 anos, o vínculo entre as mudanças climáticas e a saúde foi declarado um consenso científico pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). Em 1990, a relação ainda não era tão clara. O IPCC fora criado apenas dois anos antes pelas Nações Unidas. O Painel, atualmente formado por 195 cientistas, recebe contribuições de milhares de pesquisadores ao redor do mundo. “O IPCC acompanha todos os estudos publicados sobre as mudanças climáticas e compila esse conhecimento em relatórios com o objetivo de subsidiar os governos na tomada de decisões”, explica Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima.

A primeira tarefa do IPCC foi reunir evidências que convencessem a comunidade internacional de algo que já vinha sendo estudado desde o século 19: a relação entre o aumento das temperaturas no planeta e as atividades humanas. Em 1896, o sueco Svante Arrhenius publicou um trabalho seminal – pelo qual ganhou o prêmio Nobel de química – em que mostrou que a queima de combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, liberava gás carbônico, aquecendo a atmosfera terrestre. A metáfora do “efeito estufa” foi criada nessa época para explicar o comportamento de gases capazes de reter calor tal qual o vidro em uma estufa. Rittl destaca a importância de pesquisas que conseguem retraçar milênios de história a partir da análise da composição de camadas de gelo e troncos de árvores, mostrando quais eram os gases prevalentes no meio ambiente em cada período. Em paralelo, estações meteorológicas em todo o planeta vão indicando, ano após ano, alta nas temperaturas médias registradas no globo.

Na segunda metade do século passado, acumularam-se evidências de que a partir da Revolução Industrial houve um expressivo aumento na concentração dos chamados gases do efeito estufa (além do dióxido de carbono, metano, clorofluorcarbonetos, óxido nitroso, etc.). Desde 1880, a temperatura terrestre aumentou 0,8o C, segundo a NASA, a agência espacial dos Estados Unidos. Dois terços desse aumento aconteceram a partir de 1975, em um ritmo que variou de 0,15o C a 0,2o C a cada década. “O aumento da temperatura provoca o derretimento mais acelerado das massas de gelo, o que leva à elevação dos níveis dos oceanos. Mas a mudança também causa eventos climáticos extremos. Assistimos à intensificação seja de chuvas e tempestades, seja de secas e estiagens. As consequências para os seres humanos estão sendo sentidas”, resume Rittl.

O segundo relatório do IPCC, de 1995, já explicava que as mudanças no clima podem afetar a saúde humana tanto de forma direta (como nas mortes causadas por ondas de calor e de frio, furacões, inundações e incêndios florestais, por exemplo) quanto de maneira indireta, quando alterações ambientais têm repercussões capazes de modificar padrões de incidência de certas doenças, ou mesmo impactar a disponibilidade e a qualidade de comida e de água. Mas foi em 2001 que o tema entrou definitivamente na agenda. “Acima de tudo, a mudança climática vai aumentar ameaças à saúde humana, especialmente nas populações de baixa renda, predominantemente nos países tropicais e subtropicais”, alertou o terceiro relatório do IPCC, com 1.166 menções à saúde, três vezes mais do que o documento anterior.

Desde então, o nexo entre clima e saúde foi reforçado. Em 2004, a Organização Mundial da Saúde (OMS) conferiu às mudanças climáticas o status de fator de risco quantificável, assim como problemas investigados há muito mais tempo pela epidemiologia, como deficiência de vitaminas, colesterol alto e tabagismo. Dez anos depois, foi possível divulgar os primeiros números graças aos avanços nos modelos estatísticos. Separar o joio do trigo é o diferencial dessas complexas equações, que levam em conta dados ambientais, socioeconômicos e sanitários.

Levando em consideração fatores que também impactam a saúde, como PIB e escolaridade, a OMS estima que as mudanças climáticas serão a causa principal de 250 mil mortes anuais entre 2030 e 2050. Esses cinco milhões de óbitos, porém, são uma projeção considerada conservadora pelo próprio organismo, já que decorrem de apenas quatro problemas de saúde para os quais há modelos globais: desnutrição infantil (95 mil mortes por ano), malária (60 mil), diarreia em menores de 15 anos (48 mil) e exposição de idosos às ondas de calor (38 mil). “Para desenvolver um modelo climático é preciso dispor de uma série histórica com medidas da temperatura, velocidade do vento, umidade relativa do ar, pressão atmosférica, etc. Para fazer as previsões de doenças, porém, é preciso dispor de outras informações. Os bancos de dados de mortalidade são os mais confiáveis. Por isso, até agora, as previsões se limitam a projetar mortes e não adoecimentos”, explica Sandra Hacon, pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz (Ensp/Fiocruz). Em 2016, um novo estudo publicado no periódico The Lancet concluiu que 529 mil adultos podem morrer até 2050 em consequência da redução na disponibilidade de comida decorrente das mudanças climáticas.

No Brasil

Mesmo com números alarmantes, especialistas se preocupam com o fato de a saúde ainda não ser uma vertente importante da cobertura da mídia sobre o aquecimento global. Mas os esforços para que essa relação seja cada vez mais conhecida estão crescendo. Lançado em 2016, o projeto Countdown, promovido pelo Lancet, pretende monitorar as evidências que relacionam mudanças climáticas e saúde humana até 2030. Para atuar como uma espécie de IPCC da saúde, a revista envolveu 27 instituições acadêmicas espalhadas pelos cinco continentes, além da ONU e de outras agências intergovernamentais. Na última edição, lançada no final de novembro de 2018, foram divulgados os 41 indicadores que serão acompanhados pelos próximos anos. “A saúde das nações nos próximos séculos depende, fundamentalmente, da resposta às mudanças climáticas”, alerta o relatório.

O Brasil foi um dos nove países que mereceu um resumo especial, escrito por pesquisadores da Fiocruz, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. Tanto no relatório global quanto no brasileiro, o problema das ondas de calor mereceu grande destaque. Sandra Hacon, que foi uma das editoras do texto, explica que uma onda de calor é quando a temperatura se mantém, por alguns dias, acima da média histórica dos últimos 30 anos. “Esse fenômeno, que está se tornando mais frequente, provoca reações no organismo humano”, diz. Estudos mostram que essas ondas estão associadas à piora das condições cardíacas e problemas no fígado decorrentes da desidratação. No ano passado, foram a causa de 1,5 mil mortes na França, que registrou o segundo verão mais quente de sua história. Contudo, o exemplo mais extremo aconteceu no verão de 2003, quando 44 mil pessoas morreram na Europa. O relatório do Lancet mostra que as ondas de calor estão se espalhando. Entre 2000 e 2017, 157 milhões de pessoas passaram a ficar expostas a elas. No Brasil, os últimos dados são de 2015 e mostram que as ondas de calor foram mais longas do que em anos anteriores. A temperatura do verão brasileiro vem ultrapassando a média mundial, e chegou a um pico de 1o C a mais naquele ano.

A variação da temperatura foi responsável por 3,5% das internações hospitalares no país no período que vai de 2000 a 2015. O achado é de um estudo publicado no ano passado na revista científica Environment International citado no relatório brasileiro. Os pesquisadores coletaram dados de internações e variações na temperatura de 1.814 municípios. Os problemas respiratórios foram os mais frequentes. As crianças abaixo de cinco anos, as mais afetadas: houve o dobro de internações nessa faixa etária em comparação a idosos e cinco vezes mais do que em adultos. As cidades mais atingidas ficam no Centro-Oeste e no interior do Nordeste do país.

Pequenas variações nas temperaturas e nos padrões de chuvas podem resultar em grandes mudanças para a saúde pública, alerta o Lancet.  Exemplo disso é a dengue. A combinação de calor e chuva que favorece o ciclo de vida dos vetores da doença, os mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, está presente em mais lugares. Além disso, esses insetos viram sua capacidade vetorial aumentar nesta década devido à mudança de temperatura. Isso quer dizer que eles têm tido mais sucesso em transmitir a dengue para humanos. O ápice desse processo se deu em 2016, mas a tendência deve continuar, de acordo com os pesquisadores. Desde que a doença começou a ser monitorada, em 1950, houve um aumento de 9,1% na capacidade vetorial do Aedes aegypti e de 11,1% na do albopictus. No Brasil, esse aumento foi de 5,8% e 11,2%, respectivamente.

O relatório brasileiro inclui um alerta sobre os impactos para a saúde da destruição da Amazônia. Em 2016, metade do total das emissões brasileiras de gases de efeito estufa teve origem no desmatamento da maior floresta tropical do mundo, que tem 60% de sua área em território nacional. A pecuária tem sido o principal motor desse processo. Entre 1990 e 2016, a criação de gado cresceu 6,7% ao ano na Amazônia brasileira, quando o crescimento médio no resto do país ficou bem abaixo disso, em 0,57%. Além disso, as queimadas geram internações hospitalares devido a problemas circulatórios e respiratórios, especialmente entre pessoas acima de 60 anos e crianças abaixo de cinco.

Hoje, os cientistas estimam que entre 15% e 17% da área da floresta foi desmatada. Projeções indicam que a região amazônica pode ficar de 1º C a 2º C mais quente do que a média mundial no período que vai de 2060 a 2080. “O aumento de temperatura vai exacerbar os efeitos da poluição atmosférica no organismo humano”, diz Sandra.

De acordo com ela, o SUS não tem se mostrado preparado para lidar com os problemas relacionados às mudanças climáticas. A começar pela coleta de informações. A notificação compulsória de doenças respiratórias no período de queimadas só foi implementada em Rio Branco, no Acre, nota a pesquisadora, que prepara o texto sobre saúde da  4ª Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima . “Estamos elaborando modelos estatísticos mais robustos, vamos trabalhar com febre amarela, dengue, leishmaniose, doenças cardiovasculares e respiratórias. Mas ainda é pouco. Para ampliar o leque, precisamos de mais informações”, diz. E questiona: “Os profissionais dos serviços de saúde precisam ser capacitados para registrar as informações, precisam compreender a importância de fazer esse registro, que é fundamental para que avancemos no diagnóstico dos impactos das mudanças climáticas. Mas estamos assistindo a um sucateamento da atenção básica. Como avançar diante dos retrocessos?”

calor

Pane nos sistemas

Um artigo publicado em janeiro deste ano no periódico New England Journal of Medicine (NEJM) destaca o impacto do aquecimento global sobre os sistemas de saúde. Isso porque os países terão de lidar, a um só tempo, com um aumento na carga de doenças (e, consequentemente, com o incremento da demanda por atendimentos e tratamentos) e com problemas de infraestrutura.

Isso ficou claro no ano passado, durante o grande incêndio florestal que castigou a costa oeste dos Estados Unidos em novembro. O hospital Feather River foi atingido pelo fogo, colocando pressão sobre outras unidades de saúde. No hospital da Universidade da Califórnia, que normalmente admite dois pacientes por dia, chegaram 12 pessoas extremamente feridas de uma só vez. “A disrupção do sistema climático, outrora uma preocupação de ordem teórica, está acontecendo diante dos nossos olhos – com um custo crescente cobrado por inundações, secas, incêndios florestais e aumento dos casos de infecções transmitidas por insetos”, resumiu o editorial do NEJM. Além de 85 mortes decorrentes do incêndio, o saldo negativo também incluiu o fechamento temporário do Feather River, anunciado em meados de fevereiro deste ano.

Mas o que se pode fazer diante do aquecimento global? A primeira linha de ação diz respeito à redução da emissão dos gases causadores do efeito estufa e é objeto de grandes negociações internacionais, como o Acordo de Paris. Lançado em 2015, o tratado tem como meta evitar que interferências humanas sobre o sistema climático global ultrapassem os chamados limites perigosos. O compromisso, que já foi assinado por 185 países, entre eles o Brasil, fixou o aumento da temperatura até 2100 “bem abaixo” dos 2o C e, se possível, a 1,5o C em comparação com os níveis pré-industriais.

Mas tão importante quanto a limitação desses poluentes, conhecida como mitigação, é a adaptação para lidar com as mudanças climáticas. Isso porque os efeitos adversos do aquecimento serão sentidos mesmo se as emissões de gases do efeito estufa cessarem hoje. Só o dióxido de carbono pode ficar na atmosfera por muitos séculos. “As atuais políticas de saúde não foram criadas à luz das mudanças climáticas. Precisam ser modificadas”, diz o editorial do NEJM.

Em 2008, a Organização Mundial da Saúde aprovou uma resolução em que os países-membros se comprometeram a proteger a saúde humana das mudanças climá-ticas. “O risco apresentado diante da intensidade do evento e das vulnerabilidades, além de comprometer seriamente os resultados já obtidos na saúde pública, pode ultrapassar a capacidade de resposta e recuperação do Sistema Único de Saúde”, alertou, por sua vez, um relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) em 2009.

Naquele ano, foi lançada por aqui uma Política Nacional sobre Mudança do Clima. Nela, o Brasil estabeleceu o compromisso nacional voluntário de reduzir as emissões de gases do efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020. “A movimentação do país – que fazia parte do grupo de nações em desenvolvimento, para o qual não havia metas de redução – foi fundamental para o avanço das negociações que levaram ao Acordo de Paris”, lembra Carlos Rittl. E a saúde foi uma das quatro áreas contempladas (as outras eram indústria, mineração e transporte).

Em 2013, foi lançado o Plano Setorial da Saúde para Mitigação e Adaptação à Mudança do Clima. Orçado em R$ 767,5 milhões, visava fortalecer a capacidade de resposta dos serviços de saúde a partir de quatro eixos de intervenção: vigilância; atenção; promoção e educação; e pesquisa. O documento tinha vigência até 2015 e deveria ser revisto de dois em dois anos, até 2020, quando deveria ser implementado por estados e municípios. A Poli perguntou ao Ministério da Saúde se havia um balanço da implementação do Plano e se o documento tinha sido revisto ou atualizado. Através de sua assessoria de imprensa, a Pasta respondeu que as evidências científicas e ações propostas no documento de 2013 serviram de base para a elaboração, em 2016, do caderno setorial da saúde no âmbito do Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, e que este é o documento de referência mais atual do Ministério. Ainda de acordo com a Pasta, a revisão do Plano Nacional está prevista para acontecer em 2019.

No âmbito internacional, o elo entre saúde e mudanças climáticas está mais forte do que nunca – apesar de o contexto não ser favorável de muitas formas. Em 2017, ao mesmo tempo em que o presidente Donald Trump anunciou a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, os médicos de lá responderam com a criação de um consórcio para debater a saúde e o clima que reúne 500 mil profissionais. Um ano antes, foi fundada a Aliança da Saúde para a Mudança Climática no Reino Unido, congregando entidades profissionais e instituições de saúde. Aliás, o NHS, sistema público de saúde do Reino Unido, já conseguiu reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 11% entre 2007 e 2015.

“Hoje, somando todas as contribuições voluntárias de redução de emissões aprovadas pelos países que já ratificaram o Acordo de Paris, a gente chegaria ao final do século com emissões em torno de 2,7o C em comparação com níveis pré-Revolução Industrial”, diz Carlos Rittl. Como desde 2017 as emissões de gases de efeito estufa voltaram a subir (a previsão é que atinjam o maior recorde em seis décadas em 2019), não estão descartados cenários piores, com altas de 3o C, 4o C e até 5o C em 2100.

Em outubro do ano passado, o IPCC lançou um relatório para mostrar que há grandes diferenças mesmo entre os cenários ‘otimistas’ do Acordo. Segundo o documento, que afirma que a janela para atingir a meta de 1,5o C está se fechando, um aumento de 2o C apresenta maiores riscos para a saúde humana, com mais mortes e doenças relacionadas às mudanças climáticas, como aquelas transmitidas por vetores. O Aedes aegypti e albopictus – que transmitem além da dengue, zika, chikungunya e febre amarela – são citados como exemplo no relatório. Os cientistas afirmam que a diferença de meio grau é suficiente para aumentar consideravelmente o número desses insetos, além de franquear ao Aedes ainda mais territórios compatíveis com suas necessidades. Em 2020, os países terão oportunidade de rever suas metas. “Para cima”, frisa Rittl.

Em dezembro passado, a OMS lançou, com entidades que representam cinco milhões de médicos, enfermeiros e outros profissionais espalhados por 120 países, um relatório especial sobre a saúde na Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas, a COP 24. Nele, o setor é considerado estratégico para pressionar pelo alcance das metas de redução na emissão de gases do efeito estufa presentes no Acordo de Paris. Até por razões econômicas. “É mais barato implantar as medidas de mitigação do que arcar com os gastos para tratar doenças”, destaca o documento, que afirma que o tratamento de enfermidades relacionadas à poluição do ar custará duas vezes mais do que a transição para um modelo de desenvolvimento alternativo aos combustíveis fósseis.

Fonte: EcoDebate

Óleo de cozinha e a poluição das águas

Projeto de extensão Educação Ambiental Comunitária, realiza um trabalho de conscientização com toda a comunidade para promover a reciclagem

Estima-se que cerca de 97,5% da água existente no mundo é salgada, e apenas 2,5% de água doce, potável ao ser humano. Era de se esperar que houvesse um maior cuidado então com a água que bebemos, não é mesmo? Porém, de acordo com um relatório divulgado pela ONU Meio Ambiente na última quarta-feira, os poluentes nos sistemas de água potável farão com que a resistência antimicrobiana se torne a maior causa de mortes até 2050.

Em alusão ao Dia Mundial da Água, na próxima sexta-feira, o projeto, juntamente com a Fundação do Meio Ambiente de Tubarão, a Tubarão Saneamento e a AFUBRA promovem um evento sobre a preservação e o uso consciente da água. A ação tem início nesta quarta-feira (20) e segue até a próxima sexta.

Fonte: Notisul

Colheita de soja chega a 63% e ultrapassa média dos últimos cinco anos

De acordo com a consultoria AgRural, em igual período do ano passado o volume estava em  58% e em 56% na média de cinco anos

A área cultivada com soja na safra 2018/2019 estava em 63% colhida até a última quinta-feira, 14, contra 57% uma semana antes. Em igual período do ano passado o volume estava em  58% e em 56% na média de cinco anos. Os dados fazer parte do último levantamento realizado pela consultoria AgRural.

O estado com a colheita mais adianta segue sendo Mato Grosso, com 97%. Nos vizinhos do Centro-Oeste, a colheita chegou a 96% em Mato Grosso do Sul e 90% em Goiás. No Paraná, onde 67% da área está colhida, a perda de ritmo levou o índice de colheita a ficar atrás do registrado há um ano pela primeira vez nesta safra.

A AgRural elevou sua estimativa de produção de soja na safra 2018/2019 do Brasil para 112,9 milhões de toneladas, ante 112,5 milhões na projeção de um mês atrás. O ajuste para cima deveu-se às chuvas de fevereiro, que beneficiaram as lavouras plantadas mais tarde.

O potencial inicial de produção era de 121,4 milhões de toneladas, mas houve perdas em diversos estados, com destaque para Paraná e Mato Grosso do Sul, devido ao tempo quente e seco de dezembro e janeiro. A consultoria revisará a estimativa de safra em abril, com foco especial nos estados do Matopiba e no Rio Grande do Sul, que têm calendário mais tardio.

Fonte: Canal Rural

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