Código Florestal Brasileiro, um obstáculo para a produção agrícola ou um diferencial de mercado?

Em artigo, o consultor em gestão da sustentabilidade da Fundação Espaço ECO, Tiago Egydio Barreto, comenta os desafios trazidos pelas mudanças climáticas

As mudanças climáticas podem ser consideradas um dos principais desafios de nível planetário que põem em dúvida o modelo atual de vida de nossa sociedade. Esse fenômeno é entendido como as alterações no clima de todo o planeta Terra, causadas pelas atividades humanas que emitem CO2 e outros gases do efeito estufa (GEE) para a atmosfera. Essas alterações têm consequências diretas no nosso dia a dia, causando, por exemplo, alterações nos padrões de temperatura e eventos climáticos de alta intensidade, como secas, inundações e picos de temperaturas altas e baixas.

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC – sigla em Inglês), já foi registrada uma elevação média de 0,8 oC na temperatura do planeta, e é imprescindível cessar as emissões de gases de efeito estufa até 2100 para estabilizar o aquecimento global em 2 oC. Uma mudança climática acima desse patamar pode colocar em risco toda a vida no planeta.

tiago-egydio-barreto-fundacao-espaco-eco (Foto: Divulgação/FEE)

Essa preocupação global gerou a formulação de um compromisso com esforço coletivo para a redução das emissões de carbono que foi assinado em 2015, na Conferência das Partes (COP 21), por 195 países, ficando conhecido como Acordo de Paris. Seu objetivo é manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2 °C e, se possível, limitar a 1,5 °C. Cada país que ratificou o acordo assumiu metas que foram chamadas de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC – sigla em Inglês). Atualmente, as emissões globais estão próximas de 37 gigatoneladas/ano de GEE (fonte: https://www.globalcarbonproject.org/carbonbudget/).

As metas assumidas por cada país no Acordo de Paris começam a ser válidas em 2020. O Brasil, que está entre as dez nações que mais emitem gases de efeito estufa, comprometeu-se a reduzir suas emissões em 37% em relação a 2005. A data-limite para isso é 2025, com indicativo de reduzir 43% das emissões até 2030. A principal fonte das emissões do Brasil é a mudança e conversão de uso do solo em virtude do desmatamento ilegal de nossos remanescentes de vegetação nativa (Cerrado e Floresta Amazônica), que corresponde a aproximadamente 46% do total. No setor produtivo, a atividade que mais tem contribuído para a emissão dos gases de efeito estufa é a atividade agropecuária, com aproximadamente 23% do total das emissões do país, segundo dados do observatório do clima.

Diante desse cenário, referente às emissões brasileiras oriundas das atividades agropecuárias, permito realizar algumas observações que buscam avaliar alguns aspectos de mercado e as leis ambientais do Brasil.

Quanto ao mercado, cada vez mais o tema da sustentabilidade permeia os diferentes setores produtivos. Parte disso se deve ao tema de emissões de GEE. Hoje, é comum encontrarmos na internet textos sobre economia de baixo carbono. Isto é, ao meu ver, esperado, visto que quase a totalidade dos países ratificaram o Acordo de Paris e se comprometeram com suas NDCs.

Na prática, segundo dados do Banco Mundial, 51 países já possuem seus mecanismos de precificação de carbono, e isso quer dizer que o custo das consequências das mudanças climáticas, que outrora não era contabilizada no balanço do custeio dos países e empresas, passará a ser valorada, e as fontes emissoras dos GEE passarão a ter suas emissões reguladas, seja por impostos ou por sistema de comércio de emissões, dado o marco legal de 2020, em que começará a entrar em vigor o Acordo de Paris. Ou seja, o custo do carbono entrará no orçamento das empresas e governos, de forma oficial, nesses países.

Olhando para o setor do agronegócio brasileiro, que produz riquezas, mas também é uma importante fonte de emissão de GEE, ressalto a importância das leis ambientais brasileiras para apoiar no equilíbrio dessa relação entre produtividade e sustentabilidade ambiental. Em específico, refiro-me ao Código Florestal – leis federais 12.651 e 12.727, de 2012 –, que propõe um zoneamento da propriedade rural. Entre as categorias previstas está a Reserva Legal, que determina um percentual de área que pode variar de 20% a 80% e deve ser destinada à conservação ambiental, com possibilidade de exploração sustentável dos recursos naturais.

Na prática, isso quer dizer que os produtores rurais que atendem a esse requisito legal devem contabilizar as emissões de seu negócio, reduzindo o que é sequestrado de carbono, considerando sua área de Reserva Legal. Outros países adotam sistemas diferentes para impor regras para o uso da terra na propriedade rural, mas pode ser dito que o modelo de Reserva Legal previsto na lei ambiental do Brasil é um caso diferenciado, quando comparado com os de outros países.

Cerca de 55% do território brasileiro ainda é coberto por algum tipo de vegetação nativa, e boa parte desse montante está localizada nas propriedades rurais – o que reforça o protagonismo do produtor rural para a conservação da biodiversidade e dos recursos naturais. Outros países, como a Rússia, possuem maiores áreas territoriais cobertas por áreas naturais. Contudo, é importante discernir que boa parte da Rússia não possui condições climáticas adequadas para o desenvolvimento de práticas agrícolas, e no Brasil temos um cenário oposto, em que teoricamente não há restrições climáticas para o desenvolvimento de agricultura, do norte ao sul do país.

O Brasil tem como base de sua produção agrícola as commodities, principalmente relacionadas ao cultivo de cereais e à pecuária. Esses produtos seguem mercados cada vez mais exigentes quanto à qualidade e aos critérios de produção socioambientais. Neste momento da nossa história, em que os mercados estão cada vez mais conectados e o carbono virou uma “moeda”, em vez de considerar a área de Reserva legal como uma barreira para aumentar a produtividade, ela pode ser vista como uma oportunidade única para atender às exigências de mercado e configurar a produção de commodities agrícolas do Brasil como uma das mais sustentáveis do mundo.

Para ilustrar essa colocação, pego um caso real. O óleo de palma e o óleo de palmiste são originados da extração do óleo existente na fruta e na semente dos dendezeiros e são os óleos mais consumidos no mundo. A produção desse cultivar está concentrada principalmente em dois países: Indonésia e Malásia. Visto que, ao longo do tempo, muitas áreas de vegetação nativa nesses países foram convertidas para o cultivo do dendezeiro, a biodiversidade local tornou-se vulnerável, e espécies entraram na lista de ameaça de extinção, como os orangotangos. Além disso, o cultivo dos dendezeiros ocorre normalmente em turfeiras, solos ricos em estoque de carbono. Assim, as emissões de GEE também viraram um ponto de atenção. Dadas essas e outras questões que envolvem a produção do óleo de palma e palmiste, houve uma reação e mobilização de mercado, e as empresas que demandam essas matérias-primas precisavam garantir as boas práticas nos seus processos produtivos. Assim, nesse caso, a certificação da produção dos respectivos óleos com critérios socioambientais adequados foi a solução para garantir que as grandes empresas atendessem às exigências dos consumidores e outros elos da cadeia de valor.

Ocorre que no Brasil também há produção de dendezeiros, porém é pouco expressiva, considerando a demanda e a produção mundial. Aqui, a produção ocorre principalmente no estado do Pará, e os produtores do dendezeiro devem seguir o Zoneamento Econômico Ambiental, que determina as regras para o plantio dessa cultura, como a proibição de conversão de floresta nativa para o plantio e o uso de áreas de pastagens degradadas para esse fim, além de respeitar o percentual exigido de Reserva Legal, que, nesses casos, é de 50% da área da propriedade.

Observa-se que essas regras ambientais vão ao encontro da proposta da certificação do óleo de palma e palmiste, por garantir uma pegada ambiental positiva em relação às emissões de carbono e à conservação da biodiversidade. Atualmente, as empresas compradoras desses óleos possuem metas quanto ao consumo de matérias-primas certificadas, e a demanda possivelmente será de 100% em um futuro próximo. Em um mundo cada vez mais conectado, as “vozes” dos diferentes elos da cadeia de valor fazem com que os mercados se atentem a elas para suas tomadas de decisão. Esse contexto se aplica a outras commodities agrícolas, como a soja. A plataforma Trase (Transparency for Sustainable Economies) monitora anualmente as áreas de plantio de soja no Brasil, identificando possíveis locais que foram desmatados, plantados em terras indígenas ou Unidades de Conservação, apoiando o mercado a atender às suas demandas e às exigências da cadeia de valor.

Nota-se que a questão de conservar áreas naturais vai além de exigências legais. Os acordos globais e o posicionamento do mercado indicam a direção a seguir de muitos setores produtivos, e é notório que o tema de conservação de florestas nativas é tendência em sustentabilidade. Todas as grandes empresas possuem metas de redução de CO2. A lei ambiental brasileira firma-se como uma oportunidade, e não como um obstáculo, trazendo um diferencial para nossa agricultura. Que cadeias produtivas poderiam se beneficiar com esse posicionamento? Em que mercados o Brasil deveria investir mais e como se posicionar?

Fonte: Globo Rural

Demanda chinesa e dólar impulsionam venda de soja

A venda de soja do Brasil, que andava a passos lentos, disparou nos últimos dias com maior demanda da China, preços e prêmios nos portos pelo produto brasileiro fortalecidos e dólar acima de R$ 4, conforme dados do mercado.

Um volume de pouco mais de 5 milhões de toneladas de soja para exportação, equivalente a uma centena de navios, rodou no mercado para embarques em junho, julho e agosto, de acordo com relatos colhidos pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), disse o pesquisador Lucílio Alves.

O estopim para essa forte negociação de soja do Brasil, o maior exportador global da oleaginosa, foi o fracasso das negociações comerciais entre China e EUA, na semana passada, que traz mais demanda ao produto brasileiro.

Essa demanda adicional veio em um momento em que o dólar atingiu o maior valor em mais de sete meses, o que torna mais barata a importação. “O dólar barateia a importação e a guerra comercial desloca a demanda para cá”, diz.

O mercado estava fraco após a China ter buscado menos soja no Brasil no primeiro quadrimestre, conforme dados da agência marítima Cargonave, mas nesta semana os negócios foram impulsionados tanto pelos preços melhores, quanto o maior interesse chinês.

Ele lembrou que o preço para embarque em Paranaguá (PR) subiu de US$ 326,48 por tonelada no início de maio a US$ 345,68 tonelada na véspera, para embarque em junho.

Ao mesmo tempo, os prêmios para exportação em junho atingiram US$ 1 por bushelsobre o contrato julho da bolsa de Chicago, maior valor desde o início de dezembro de 2018 e mais que o dobro do visto no início do mês.

Segundo a T&F Consultoria, o Brasil negociou mais de 700 mil toneladas de soja só na quinta-feira, sendo a metade produto de Mato Grosso. “É possível que tenha sido um pouco mais. O mercado está muito frenético nesta semana”, diz Luiz Pacheco, da T&F.

Pico de exportação

A conjunção de fatores positivos para os negócios ocorre em momento em que o Brasil está no pico da temporada de exportação, logo após a colheita da oleaginosa, que foi a segunda maior da história, com mais de 114 milhões de toneladas.

“Agora com a safra praticamente finalizada, considerando que alguns produtores e vendedores estavam segurando as vendas, agora pode ser um bom momento da negociação”, destacou Alves. Em meio às notícias sobre a guerra comercial, a consultoria Safras & Mercado revisou a expectativa de exportações de soja do Brasil em 2019, para em 72,5 milhões de toneladas em 2019, ante 70 milhões de março.

Fonte: DCI

O que é o “Green New Deal”, proposta para enfrentar as mudanças climáticas

No fim de 2018, dois relatórios revelaram que é preciso limitar o aquecimento global a 1,5ºC se quisermos evitar secas em grandes extensões de terra, aumento do nível do mar, deslocamentos populacionais, impactos na agricultura, entre outras consequ~encias. O risco de tudo isso acontecer é grande, visto que a ação humana já elevou a temperatura em 1ºC. Se nada for feito, chegaremos a 1,5ºC em 2030 (ou antes).

Foram esses estudos científicos que motivaram a deputada do Partido Democrata, Alexandria Ocasio-Cortez, e o senador da mesma agremiação política, Ed Markley, na criação de uma proposta com uma série de mudanças e objetivos necessários para lidar com o problema.

-Criação de fundos especiais para projetos que protegem a população de desastres relacionados às mudanças climáticas.
-Suprir toda a demanda por energia elétrica com fontes renováveis.
-Reformar e consertar infraestruturas existentes para diminuir emissões e melhorar a eficiência energética.
-Fomentar indústrias “limpas”, usando tecnologia para reduzir as emissões.
-Preservar terra, plantas e outras soluções que ajudam a retirar gás carbônico da atmosfera.
-Proteger ecossistemas frágeis e ameaçados.
-Reduzir a produção de lixo.
-Substituir os meios de transporte existentes por veículos zero-emissão e investimento em transporte coletivo.
-Promover essas ideias e inovações, tornando os Estados Unidos um país líder na ação de prevenção das mudanças climáticas.

Embora todas as propostas, se aprovadas, não tivessem valor de lei, elas foram recebidas com deboche principalmente pelo presidente do país, Donald Trump, e membros do Partido Republicano. O senador Tom Cotton, por exemplo, do Arkansas, disse em entrevista à uma rádio conservadora que a proposta “confiscaria carros e exigiria que norte-americanos usassem trens movidos a lágrimas de unicórnios”.

A proposta original foi derrotada no Senado. Ela precisava de 60 votos para ser levada adiante, e não recebeu sequer um voto — os senadores Democratas, minoria no Senado (são 49 contra 51), só marcaram presença, sem votar, como forma de protesto. Mas a deputada Ocasio-Cortez está longe de desistir de seu projeto, e agora trabalha em novas propostas menos ambiciosas que tratam do mesmo tema.

Fonte: Revista Galileu

Biodiesel ajuda fazendeiros quenianos a combater a seca

Os últimos anos foram difíceis para os fazendeiros quenianos. Ao longo dos três últimos anos, o país vem sofrendo com chuvas abaixo da média. No último ano, o governo declarou emergência nacional em 23 das 47 províncias do país. Dessas, 13 ainda estão em estado de emergência. A falta de chuvas é um dos motivos de quase 3 milhões de quenianos vivem com insegurança alimentar.

Sistemas de irrigação poderia ajudar a estabilizar a oferta de água, contudo elas atualmente cobrem apenas 6% a 8% do território do Quênia. Alguns fazendeiros, no entanto, têm encontrado uma saída na produção de biodiesel a partir do caroço de algodão.

Taher Zavery tem uma empresa de processamento de algodão em Kitui, uma província semi-árida na porção central do Quênia. Ele esmaga os caroços de algodão para produzir biodiesel, evitando a necessidade do plantio de culturas especificamente para a produção de biocombustíveis – como em outros projetos para a produção biocombustíveis na África.

Com financiamento do governo norte-americano, o biocombustível fabricado abastece 105 bombas de água para fazendeiros da região. O projeto vem ajudando os agricultores a manterem suas renda em face ao tempo errático.

É o caso de Abel Mutie que complementa seu salário como professor primário cultivando um terreno de aproximadamente dois hectares. Com a oferta local de biodiesel, ele pode manter as bombas ligadas por 12 horas diariamente contra apenas cinco horas usando combustível fóssil. Os custos também caíram. Em média, o litro de biodiesel custa US$ 0,20 menos que o combustível fóssil.

Com isso, ele passou a conseguir irrigar uma área maior de sua propriedade o que levou a um aumento de produção que consegue não apenas fazer frente ao custo do biodiesel consumido – cerca de US$ 340 – como, ainda, investir na compra de fertilizantes e pagar a educação de seus filhos.

Dificuldades

Embora outros agricultores estejam sendo beneficiados pelas bombas d’água movidas a biodiesel, nem todos tem tido o mesmo grau de sucesso.

Há um desafino no caminho de agricultores interessados a comprar bombas e outros insumos para a agricultura: financiamento. Zavery tinha esperança que as instituições financeiras emprestariam dinheiro aos fazendeiros para que eles pudessem comprar os equipamentos necessários, mas, como eles não têm contas bancárias, isso não estão acontecendo.

Instituições de microfinanciamento fixaram as taxas de juros em 45%.

Isso levou a própria companhia de Zavery, Indústrias Kitui, a financiar ela mesma os equipamentos, aumentando os riscos financeiros da operação.

Risco climático

Novas soluções para a irrigação da agricultura estão se tornando fundamentais para os pequenos produtos em face ao aumento dos riscos climáticos com chuvas erráticas e secas prolongadas.

Sistemas descentralizados de energia renováveis – tanto biodiesel quanto outras fontes – poderiam contribuir para que pequenos agricultores quenianos se adaptem às mudanças climáticas, mas, para que isso ocorra, seria fundamental que houvessem novos modelos de financiamento. Uma solução potencial seria o aluguel de sistemas de energia renováveis para os produtores rurais.

Fonte: BiodieselBR

Caramuru eleva investimentos em 2018

Depois de uma freada brusca em 2017, a Caramuru está voltando a ampliar seus investimentos. A informação consta da edição 2018 do Relatório de Sustentabilidade publicado na semana passada pelo grupo industrial de origem goiana.

Segundo do documento com desembolsos passaram dos R$ 68,6 milhões no ano passado. Alta de 31% em relação aos R$ 52,3 milhões do ano passado.

Se trata muito mais de uma retomada do que de um crescimento propriamente dito. Entre 2014 e 2016, o grupo investiu em média R$ 79,4 milhões por ano – o pico foi em 2016 com R$ 89,7 milhões.

Em 2017, no entanto, o grupo pisou no freio e mesmo o crescimento do último ano, ainda não foi suficiente para que o grupo voltasse aos níveis anteriores.

Mudança de perfil

Uma comparação entre os números da edição mais recente do relatório com os das edições anteriores também revela uma mudança importante no perfil de investimentos do grupo, com um crescimento importante nos gastos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

Com R$ 27 milhões, os gastos com P&D passaram a liderar a pauta de investimentos do grupo que multiplicou por 9 os recursos destinados à legenda.

Segundo o relatório foram firmadas parcerias com as universidades federais de Viçosa e de Uberlândia, e com a Embrapa para o lançamento de novas variedades de sementes de soja não transgênicas – foram lançadas cinco novas variedades voltadas para o estado de Goiás e fomentado o plantio de outras duas no estado do Mato Grosso. A comercialização de soja não transgênica (NGMO) para o mercado europeu foi um dos principais focos da estratégia de crescimento do grupo no ano passado.

Com isso, os investimentos em “Aumento de Capacidade” e “Logística e Distribuição” – que dominaram a pauta entre 2014 e 2017 – perderam peso.

Em 2018, a Caramuru colocou R$ 12,1 milhões na ampliação de suas unidades produtivas. O valor é cerca de metade do investido em 2017 e vem abaixo do que vinha sendo gasto desde 2014. A logística que, em 2016, liderou os investimentos com R$ 42,1 milhões – para a instalação de uma rota de escoamento da produção pela Hidrovia do Rio Tapajós – recuou para módicos R$ 2,8.

A situação deve sofrer uma nova reviravolta este ano. Em janeiro, a Caramuru anunciou investimentos de R$ 115 milhões para a instalação de uma unidade de produção de etanol a partir do melaço da soja em Sorriso (MT) e aportes nas linhas de glicerina e farelo de soja em Ipameri (GO).

Faturamento

Embora os dados não constem do Relatório de Sustentabilidade, a empresa reportou à imprensa que teve faturamento de R$ 4,2 bilhões no ano passado. O resultado representa um avanço em relação à 2017 de aproximadamente 13,5%.

Dados da plataforma BiodieselDATA indicam que as entregas de biodiesel agregaram um pouco menos de R$ 1,08 bilhão às contas da empresa no ano passado. Esse valor representa um pouco mais de um quarto do faturamento para o período – maior fatia no histórico da empresa.

Rede

O relatório aponta que o Grupo Caramuru atua em 55 localidades.

Nessa conta entra uma rede de 44 armazéns, 6 terminais e 5 unidades industriais.

Fonte: BiodieselBR

Em missão institucional, ANP divulga Renovabio em Nova York

O diretor da ANP Aurélio Amaral participou hoje (15/5) da “Iso Datagro Sugar and Ethanol Conference”, em Nova York (EUA). O diretor falou sobre o RenovaBio, programa brasileiro para os biocombustíveis.

“O RenovaBio é resultado do esforço e dedicação de diversos representantes do Governo, do Congresso e da sociedade. A ANP conduziu o processo de regulamentação do programa, que se tornou referência e exemplo de política pública”, afirmou.

O evento fez parte da agenda da missão institucional da ANP em Nova York para divulgação do RenovaBio, que inclui também reuniões temáticas ao longo da semana.

Fonte: ANP

Comparação de Climatologias Oceânicas confirma aquecimento do oceano global

Aquecimento do oceano global

O oceano global representa o componente mais importante do sistema climático da Terra. Os oceanos acumulam energia térmica e transportam o calor dos trópicos para latitudes mais altas, respondendo muito lentamente às mudanças na atmosfera.

Institute of Atmospheric Physics, Chinese Academy of Sciences*

As climatologias digitais das grades do oceano global fornecem informações básicas úteis para muitas aplicações oceanográficas, geoquímicas e biológicas. Como tanto o oceano global quanto a base de observação estão mudando, atualizações periódicas das climatologias oceânicas são necessárias, o que está de acordo com as recomendações da Organização Meteorológica Mundial para fornecer atualizações decadais das climatologias atmosféricas.

“A construção de climatologias oceânicas consiste em várias etapas, incluindo controle de qualidade de dados, ajustes para vieses instrumentais e preenchimento das lacunas de dados por meio de um método de interpolação adequado”, diz o professor Viktor GOURETSKI, da Universidade de Hamburgo. O Prof. GOURETSKI é bolsista da Iniciativa de Bolsas Internacionais do Presidente da Academia Chinesa de Ciências (PIFI) no Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências e autor de um relatório recentemente publicado na Atmospheric and Oceanic Science Letters .

“A água do mar é essencialmente um sistema de dois componentes, com uma dependência não-linear da densidade na temperatura e salinidade, com a mistura no interior do oceano ocorrendo predominantemente ao longo de superfícies isópicas. Portanto, a interpolação dos parâmetros oceânicos deve ser realizada em isopirnais níveis isobáricos, para minimizar a produção de massas de água artificiais.As diferenças entre estes dois métodos de interpolação de dados são mais pronunciadas nas regiões de alto gradiente como a Corrente do Golfo, Kuroshio e Corrente Circumpolar Antártica “, continua o Professor GOURETSKI.

Em seu recente relatório, o professor GOURETSKI apresenta um novo Experimento de Circulação do Oceano Mundial / Climatologia Hidrográfica Global ARGO (WAGHC), com média de temperatura e salinidade em superfícies isopiteliais locais. Com base em dados de bordo de alta qualidade e perfis de temperatura e salinidade dos flutuadores ARGO, a nova climatologia tem uma resolução mensal e está disponível em uma grade de latitude a 1/4 ° de longitude.

Aquecimento do oceano global entre 1984 e 2009
Aquecimento do oceano global entre 1984 e 2009, como visto na seção média zonal da diferença de temperatura entre as climatologias oceânicas globais WAGHC e WOA13. (Imagem de Viktor GOURETSKI)

“Comparamos a climatologia WAGHC com a climatologia quadriculada WOA13 da NOAA. Essas climatologias representam produtos digitais alternativos, mas a WAGHC se beneficiou da adição de novos dados de flutuação ARGO e dados hidrográficos das regiões da Polar Norte”, diz o professor GOURETSKI. “As duas climatologias caracterizam os estados oceânicos médios com 25 anos de diferença, e a seção média zoneada da diferença de temperatura WAGHC-menos-WOA13 mostra claramente o sinal de aquecimento oceânico, com um aumento médio de temperatura de 0,05 ° C para os 1500-m superiores camada desde 1984 “.

Fonte: Eco Debate

Mudanças climáticas serão tragédia para mundo, alerta chefe da ONU

Secretário convida países com propostas para combater aquecimento global e rechaça discursos

O secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, acredita que, se não forem contidas, as mudanças climáticas serão uma tragédia para mundo e, por isso, se tornará uma batalha central na organização internacional, quatro anos após o Acordo de Paris. Visando à cúpula que será realizada em 23 de setembro na ONU para intensificar os esforços para combater as mudanças climáticas, o dirigente português visita esta semana a Nova Zelândia e as ilhas do Pacífico, onde o aumento do nível do mar ameaça a existência de pequenos países.

“Continuamos perdendo a batalha”, alerta Guterres. “A mudança climática está indo mais rápido do que nós e, se não invertermos essa tendência, será uma tragédia para o mundo”, completou. Em sua carta-convite à cúpula, o secretário-geral da ONU anunciou uma reunião preparatória de 30 de junho a 1º de julho nos Emirados Árabes Unidos. Nela, serão discutidas as melhores propostas para combater o aquecimento global.

A mensagem pede aos países que não participem da reunião “com discursos”, mas com “planos concretos e realistas” para reduzir os gases causadores do efeito estufa em 45% nos próximos dez anos e eliminá-los completamente até 2050. “O que a gente quer é que os países aumentem suas ambições para 2025 e 2030, seja na cúpula, seja em 2020”, diz Nick Mabey, do think tank E3G, que insiste na necessidade de alcançar compromissos que permitam, por exemplo, acabar com o carvão poluente.

Em sua visita a Fiji, ou a Vanuatu, Guterres se reunirá com famílias, cujas vidas são ameaçadas por furacões, inundações, ou por outros eventos climáticos extremos. Fiji tem trabalhado para construir uma coalizão de mais de 90 países do Caribe, da África e da Ásia para enfrentar melhor as crises causadas pelo aquecimento global.

Desdém americano

“Esperamos que o secretário-geral encontre em sua visita uma inspiração para ir mais longe, mais rápido e mais fundo na cúpula”, disse a embaixadora das Fiji na ONU, Satyendra Prasad. “Esperamos que este cúpula marque um ponto de inflexão”, afirmou. Segundo o enviado para o clima da ONU, Luis Alfonso de Alba, a cúpula poderá ter sucesso apesar da posição contrária dos Estados Unidos. “Há cinco, ou dez anos, os países observavam o que seu vizinho estava fazendo antes de agir e, hoje, todos estão conscientes de que há uma necessidade urgente de intervir”, disse De Alba.

A disposição de Guterres de se envolver pessoalmente na luta contra a mudança climática ocorre em um momento em que os Estados Unidos, o maior contribuinte financeiro da ONU, são céticos quanto à realidade do fenômeno e às suas causas. Desde a partida de Nikki Haley, em dezembro, Washington não tem embaixador na ONU. Trump nomeou Kelly Knight Craft para sucedê-la, mas o Senado ainda não deu seu aval para a nomeação da atual embaixadora no Canadá.

Casada com um empresário do setor do carvão, no passado, ela disse acreditar que os cientistas “de ambos os lados” falam sobre o impacto humano no aquecimento global, o que faz prever alguns pontos em comum com Guterres. “O desdém do governo Trump pela diplomacia relacionada ao clima deixou a China como principal garantidora do Acordo de Paris”, disse o diretor da ONU no grupo de especialistas do International Crisis Group, Richard Gowan.

Apesar das críticas à posição sobre direitos humanos, segundo ele, Pequim se tornou indispensável nas negociações sobre o clima. Concluído em dezembro de 2015 entre 195 Estados-membros da ONU e assinado em 2016, o Acordo de Paris tem como principal objetivo impedir que a temperatura média do planeta aumente mais de 2ºC em relação aos níveis pré-industriais. A partir de 2020, contudo, os Estados Unidos vão deixar o pacto formalmente por decisão de Trump.

Fonte: Correio do Povo

As ideias inusitadas e radicais testadas por cientistas para conter as mudanças climáticas

Apenas cortar as emissões de carbono não será suficiente para combater as mudanças climáticas, alertam cientistas

O ritmo crescente das mudanças climáticas está levando pesquisadores a pensar em possíveis soluções inusitadas e radicais.

Cientistas de Cambridge, na Inglaterra, planejam montar um centro de pesquisa para explorar novas maneiras de conter as mudanças climáticas e regenerar a Terra.

Ele investigarão abordagens radicais como recongelar os polos do planeta, reciclar o dióxido de carbono (CO2) com a produção de combustível e estimular a produção de algas nos oceanos para remover este gás da atmosfera.

A decisão de criar o centro nasce dos temores de que as abordagens atuais não serão capazes de combater e reverter danos ao meio ambiente.

A iniciativa é a primeira desse tipo no mundo e busca gerar reduções drásticas nas emissões e na presença do CO2 na atmosfera. A iniciativa é coordenada pelo ex-assessor científico do governo britânico David King.

“O que fizermos nos próximos dez anos determinará o futuro da humanidade para os próximos 10 mil anos. Não há um grande centro no mundo que se concentre neste problema”, disse ele à BBC News.

Algumas das abordagens descritas por King são conhecidas pelo termo “geoengenharia”.

O Centro de Reparo do Clima faz parte da Iniciativa para Futuros Neutros em Carbono da universidade, liderada pela cientista Emily Shuckburgh.

Ela disse que a missão do projeto será “resolver o problema climático”. “Não podemos falhar nisso”, disse ela.

Urgência da questão ambiental nos obrigam a tentar viabilizar ideias antes impensáveis, argumentam pesquisadores (Foto: NASA, via BBC News Brasil)

O centro reunirá cientistas e engenheiros com especialistas em ciências sociais. “Este é um dos desafios mais importantes do nosso tempo, e sabemos que precisamos combatê-lo com uma combinação de diferentes recursos”, disse Shuckburgh.

Conheça a seguir algumas das propostas que serão estudadas.

Recongelar os polos do planeta
Uma das ideias mais promissoras para recongelar os polos é “iluminar” as nuvens acima deles. A idéia é bombear água do mar até os pontos mais altos de mastros de navios por meio de tubos bem finos.

Isso produziria minúsculas partículas de sal que seriam dispersadas na atmosfera para formar nuvens capazes de refletir mais a luz do Sol e, assim, reduzir a temperatura das regiões abaixo delas.

graf_clima 1 (Foto: Reprodução/BBC)
Reciclagem de CO2
Outra abordagem possível é uma variante de uma ideia chamada captura e armazenamento de carbono (CAC).

A CAC envolve a coleta de emissões de dióxido de carbono de usinas elétricas a carvão ou a gás ou usinas siderúrgicas, armazenando-as no subsolo.

O professor Peter Styring, da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, está desenvolvendo um projeto piloto de captura e utilização de carbono (CUC) com a empresa Tata Steel em Port Talbot, no sul do País de Gales, para reciclar o CO2.

graf_clima 2 (Foto: Reprodução/BBC)
Isso envolve a instalação de uma fábrica capaz de converter as emissões de carbono da empresa em combustível usando o calor residual da usina, de acordo com Styring.

“Temos uma fonte de hidrogênio, temos uma fonte de dióxido de carbono, temos uma fonte de calor e temos uma fonte de eletricidade renovável da usina”, disse ele à BBC News. “Vamos aproveitar tudo isso para fazer combustíveis sintéticos.”

Estimular a produção de algas nos oceanos
Outra ideia que o centro pode explorar inclui o estímulo à produção de algas nos oceanos para que eles possam absorver mais CO2.

Isso envolve o lançamento no mar de sais de ferro para promover o crescimento de plâncton. Experimentos anteriores mostraram, no entanto, que eles não absorvem CO2 suficiente e podem prejudicar ecossistemas.

graf_clima 3 (Foto: Reprodução/BBC)

Mas, de acordo com Callum Roberts, professor da Universidade de York, na Inglaterra, são pensadas atualmente abordagens que possam tornar essa iniciativa mais eficiente, porque a alternativa de que as mudanças climáticas gerem danos potencialmente irreversíveis é considerada inaceitável.

“No início da minha carreira, as pessoas ficavam horrorizadas e rejeitavam sugestões de soluções mais intervencionistas para regenerar recifes de corais”, disse Roberts.

“Agora, eles estão olhando desesperadas para um ecossistema que pode desaparecer até o fim do século, e, agora, todas as opções estão na mesa.”

Isso inclui a engenharia genética para criar corais resistentes ao calor ou o despejo de substâncias químicas no mar para torná-lo menos ácido.

“No momento, acho que usar a própria natureza para mitigar as mudanças climáticas é o melhor caminho. Mas considero legítimo explorar opções [mais radicais] para buscar um futuro melhor”, disse Roberts.

Pensando o impensável
Tais ideias têm muitas desvantagens em potencial e podem se revelar inviáveis.

Mas Peter Wadhams, professor de física oceânica da Universidade de Cambridge, disse que devem ser avaliadas adequadamente para ver se estas desvantagens podem vir a ser superadas, porque reduzir as emissões de CO2 por si só não será suficiente.

“Se apenas reduzirmos nossas emissões, conseguiremos apenas reduzir o ritmo do aquecimento global. Isso não é suficiente, porque já está muito quente e já temos muito CO2 na atmosfera”, disse Wadhams.

“Assim, precisamos retirar CO2 da atmosfera. Podemos reduzir seus níveis e de fato esfriar o clima, levando-o de volta ao que era antes do aquecimento global.”

Fonte: Época Negócios

Líderes da agricultura se comprometem com a segurança alimentar global

Os líderes da área da agricultura do Brasil, da Argentina, do México, Canadá e dos Estados Unidos divulgaram nota em que se comprometem a trabalhar em conjunto “em defesa da segurança alimentar global e do comércio agrícola, com base em princípios científicos e de análises de risco”.

O Brasil foi representado pela ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, na reunião de Líderes de Agricultura do Hemisfério Ocidental. O encontro ocorreu em Niigata, no Japão, paralelamente à reunião dos ministros de Agricultura do G20.

“Nossas cinco nações reconhecem que inovações no setor agrícola contribuem para melhorar a produtividade – inclusive de pequenos produtores, de jovens fazendeiros e de mulheres da área rural – de forma segura e sustentável e, também, para a capacidade de nossos países de atender à crescente demanda global por alimentos. Com a população mundial projetada para alcançar 9,8 bilhões em 2050, ciência e inovação terão papel chave para permitir que produtores agrícolas alimentem a todos de forma segura”, diz o comunicado conjunto.

Viagem à Ásia

Tereza Cristina lidera uma comitiva de 98 pessoas em viagem a quatro países do Oriente: Japão, China, Vietnã e Indonésia. A viagem, de 16 dias, começou na segunda-feira (6).

Segundo o Ministério da Economia, o Brasil mantém com os quatro parceiros comerciais uma pauta de exportação concentrada em produtos básicos como a soja triturada (China e Vietnã); trigo em grãos (Indonésia); carne de frango (Japão); algodão (Indonésia e Vietnã); café (Japão); farelo e resíduos de óleo de soja (Indonésia).

Fonte: Istoé Online

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