Por que o futuro do agronegócio depende da preservação do meio ambiente no Brasil

Agrônomos, biólogos e diversas pesquisas científicas alertam: questões ambientais como desmatamento, mudanças climáticas e o uso excessivo de agrotóxicos vão causar prejuízos à produção rural em menos tempo do que se imagina – alguns dos efeitos já podem ser sentidos

Se hoje a bancada ruralista é a principal força pressionando o Congresso para flexibilizar a proteção ambiental, é consenso entre agrônomos e pesquisadores que o futuro do agronegócio depende da preservação ambiental.

Agrônomos, biólogos e entidades como a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) alertam que a destruição da vegetação nativa e as mudanças climáticas têm grande potencial para prejudicar diretamente o agronegócio no Brasil, porque afetam diversos fatores ambientais de grande influência sobre a atividade agrícola.

O principal deles é o regime de distribuição das chuvas, essenciais para nossa produção – apenas 10% das lavouras brasileiras são irrigadas. Com o desmatamento e o aumento das temperaturas, serão afetados umidade, qualidade do solo, polinizadores, pragas.

A BBC News Brasil ouviu pesquisadores do agronegócio e nomes ligados ao setor para entender como esses riscos gerados pela destruição do ambiente devem afetar a produtividade das plantações brasileiras e mesmo se safras se tornarão inviáveis.

Eles dizem as notícias sobre o setor ambiental no Brasil não são animadoras: se o ritmo de desmatamento na Amazônia continuar como está, atingiremos em pouco tempo um nível de devastação sem volta. Junho foi o mês com mais desmatamento na Amazônia, 920,4 km², desde o início do monitoramento com sistema de alerta pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em 2015. Foi um aumento de 88% em relação ao mesmo mês no ano passado.

Ao mesmo tempo, as pressões e cobranças internacionais chamam atenção para a agenda ambiental do governo Bolsonaro, que tem flexibilizado a legislação ambiental e diminuído a fiscalização.

A Floresta Amazônica é questão central no debate ecológico internacional
A Floresta Amazônica é questão central no debate ecológico internacional

Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Crise iminente

Atualmente, o agronegócio é responsável por 21,6% do PIB brasileiro, segundo o Ministério da Agricultura.

Preocupados com questões como logística, estrutura e desafios comerciais como o vaivém das commodities no mercado internacional, a questão da sustentabilidade acaba não sendo prioridade para o setor como um todo.

“A questão da sustentabilidade, no sentido amplo, é uma preocupação. Mas em primeiro lugar vêm a estrutura e a logística e as questões comerciais”, afirma o agrônomo Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura (2003-2006) e coordenador da área de agro da Fundação Getúlio Vargas.

No entanto, os riscos gerados pela devastação ambiental na agricultura são uma ameaça muito mais iminente do que se imagina, segundo o pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa.

Alguns estudos, como um feito por pesquisadores das Universidades Federais de Minas Gerais e Viçosa, projetam perdas de produtividade causadas por desmatamento e mudanças climáticas para os próximos 30 anos. Outros não trabalham com tempo, mas com nível de devastação, como o estudo Efeitos do Desmatamento Tropical no Clima e na Agricultura, das cientistas americanas Deborah Lawrence e Karen Vandecar, que afirma que quando o desmatamento na Amazônia atingir 40% do território (atualmente ele está em 20%), a redução das chuvas será sentida a mais de 3,2 mil km de distância, na bacia do Rio da Prata.

O agronegócio corresponde a mais de 20% do PIB brasileiro
O agronegócio corresponde a mais de 20% do PIB brasileiro
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
Para Assad, que também é professor da FGV Agro e membro do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, os efeitos da destruição do ambiente e das mudanças climáticas já começam a ser sentidos.

Ele cita, por exemplo, o relatório da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) que mostra a perda de mais de 16 milhões de toneladas na safra de soja deste ano devido a seca que atingiu as principais regiões produtoras desde dezembro. “Já há evidências de que as mudanças climáticas aumentaram o número de eventos extremos, como secas e ondas e calor”, afirma Assad.

Há duas ameaças principais, segundo Lawrence e Vandecar. A primeira é o aquecimento global, que acontece em escala global e que é intensificado pelo desmatamento. A outra são os riscos adicionais criados pela devastação das florestas, que geram impactos imediatos na quantidade de chuva e temperatura, tanto em nível local quanto continental.

Deficiência hídrica e temperatura

A maior parte da produção agrícola brasileira depende das chuvas – só 5% da produção total e 10% da produção de grãos são irrigados. Isso significa que mudanças na precipitação afetam diretamente nossa produção.

O regime de chuvas é afetado por uma série de fatores – desde a topografia até as correntes marítimas. Um fator importante é a dinâmica de evaporação e transpiração terrestres, ou seja, a umidade produzida pela respiração das árvores e plantas, explica o agrônomo da USP Gerd Sparovek, professor da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) e presidente da Fundação Florestal do Estado de São Paulo.

Esse fenômeno, chamado de evapotranspiração, é especialmente alto em florestas tropicais como a amazônica – elas são o ecossistema terrestre que mais movimenta água, transformando a água do solo em umidade no ar e diminuindo a temperatura da atmosfera sobre elas.

“Ao cortar a vegetação natural que, durante o ano inteiro joga água na atmosfera, umas das principais consequências é a formação de menos nuvens no período seco”, explica Assad, da Embrapa. “Um estudo que acabamos de finalizar mostra um aumento significativo de deficiência hídrica do Nordeste ao Centro-Oeste”, diz.

A destruição da vegetação nativa e as mudanças climáticas vão prejudicar diretamente o agronegócio no Brasil.
A destruição da vegetação nativa e as mudanças climáticas vão prejudicar diretamente o agronegócio no Brasil.
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
Isso afeta as chuvas potencialmente até no Sudeste, já que há correntes de ar que normalmente empurram essas nuvens para sul.

A destruição da vegetação nativa afeta até a duração das temporadas de chuvas e estiagem, segundo o estudo de Lawrence e Vandecar, que faz uma revisão da literatura científica e foi publicado em 2014 na revista Nature.

O corte da vegetação nativa também altera a temperatura e clima local, e potencialmente também o de regiões mais distantes, explica Sparovek, da Esalq. “As alterações, nesse caso, são sempre desfavoráveis.”

E isso vale não só para a Amazônia: a remoção do Cerrado, onde hoje se encontra a principal expansão da fronteira produtiva, também eleva a temperatura local.

Esse problema é reforçado pelo aquecimento global, que torna o clima mais instável e aumenta a frequência de extremos, como ondas de calor e estiagens e chuvas em excesso. E o desmatamento só intensifica esse processo.

Risco para o agronegócio é maior quando altas temperaturas são concomitantes com períodos de diminuição das chuvas
Risco para o agronegócio é maior quando altas temperaturas são concomitantes com períodos de diminuição das chuvas
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
O risco para o agronegócio é especialmente grande quando altas temperaturas são concomitantes com períodos de diminuição das chuvas – isso diminui a produtividade das lavouras e pode comprometer safras inteiras, diz o biólogo.

Um efeito adicional do comprometimento da disponibilidade de água tem a ver com a produção de energia elétrica, que também é importante para o agronegócio, aponta Sparovek. Um clima mais seco ou maiores períodos de estiagem podem comprometer a vazão dos rios e dos reservatórios, afetando diretamente a produção de energia, já que nossa matriz energética é em sua maioria dependente de hidroelétricas.

Perda de área produtiva

A retirada total das florestas também gera outros problemas relativos aos recursos hídricos além da chuva, explica o biólogo Jean Paul Metzger, professor da USP e doutor em ecologia de paisagem.

A retirada da vegetação nativa retira a proteção do solo, que não é reposta mesmo se a área virar uma plantação, já que as raízes das plantas cultivadas são muito superficiais. O solo cultivado também tem pouca permeabilidade.

Isso dificulta a infiltração da água no solo, o que gera dois problemas. Um é a falta de reposição da água nos lençóis freáticos. A outra, é um processo de erosão e poluição dos rios.

“A chuva vai escoando superficialmente e levando o solo junto, há uma perda da camada mais fértil, vai tudo para o rio” diz Metzger. “E a partir de um certo momento você não tem como reverter, há uma perda de área produtiva via erosão.”

Reserva Legal

A melhor forma de evitar esse processo é manter a vegetação nativa – inclusive nas propriedades rurais, onde a cobertura florestal pode fazer uma filtragem das enxurradas antes de chegarem ao rio. Metzer aponta que as propriedades produtivas devem ter cerca de 30% de cobertura florestal, na média, para que o ciclo hidrólógico e os chamados serviços ambientais funcionem normalmente.

Serviços ambientais são benefícios trazidos ao cultivo pelo ecossistema, como, por exemplo, a polinização e o controle natural de pragas.

O processo de respiração e transpiração das árvores afeta diretamente o regime de chuvas
O processo de respiração e transpiração das árvores afeta diretamente o regime de chuvas
Foto: Larissa Rodrigues / BBC News Brasil
“Paisagens onde há produção agrícola em desequilíbrio com o ambiente são poucos favoráveis à produção. Os inimigos naturais das pragas e doenças de plantas desaparecem, e a produção passa a depender cada vez mais de agrotóxicos”, diz Sparovek, da Esalq.

Daí, dizem os pesquisadores, vem a importância da manutenção das reservas legais – áreas de mata nativa dentro de propriedades rurais cujo desmatamento é proibido por lei. O índice de proteção exigido é de 80% na Amazônia, de 35% no Cerrado e de 20% nos outros biomas.

O assunto esteve em pauta nos últimos meses, graças a um projeto do senador carioca Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, que quer acabar com as reservas legais, citando o “direito à propriedade”. Pela Constituição, no entanto, nenhum direito à propriedade é absoluto no Brasil – a construção em propriedades urbanas, por exemplo, fica restrita às leis de zoneamento municipais.

Agrotóxicos

O uso indiscriminado de agrotóxicos também é um problema ambiental que acaba se voltando contra o próprio agronegócio.

Ele afeta principalmente os cultivos que dependem da polinização, já que os animais polinizadores – abelhas, besouros, borboletas, vespas e até aves e morcegos – são fortemente afetados por alguns tipos de inseticidas e até por herbicidas usados contra pragas em lavouras, sofrendo desde morte por envenenamento a desorientação durante o voo.

Das 191 culturas agrícolas de produção de alimentos no país, 114 (60%) dependem de polinizadores, segundo o Relatório Temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil, da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Em resultado de safra, cerca de 25% da produção nacional é dependente de polinização, segundo Assad, da Embrapa.

Desmatamento e agrotóxicos prejudicam culturas que dependem de polinização
Desmatamento e agrotóxicos prejudicam culturas que dependem de polinização
Foto: Getty Images / BBC News Brasil
Além disso, o uso excessivo de agrotóxicos em espécies resistentes se torna um problema para produtores vizinhos de cultivos que não tem a mesma resistência. Produtores de uva do Rio Grande do Sul têm registrado milhões de reais de prejuízo por causa do herbicida 2,4-D, usado em plantações de soja. Ao se espalhar para as propriedades produtoras de uva, ele chegou a reduzir a colheita de uva em até 70%, segundo produtores do Estado.

O Instituto Brasileiro do Vinho chegou a defender a proibição do uso do agrotóxico na região. O noroeste gaúcho é campeão nacional no uso de agrotóxicos, segundo um mapa do Laboratório de Geografia Agrária da USP com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Até hoje, olhando a série histórica, a produtividade do agronegócio no Brasil só aumentou. A produção do milho, por exemplo, subiu de 3,6 ton/ha em 2009 para 5,6 ton/ha em 2019 (previsão), de acordo com dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

“O aumento da produção muitas vezes é usado como argumento pra dizer que não está acontecendo nada (em termos de efeitos da mudança climática). Mas a produtividade aumenta porque antes era muito baixa, porque estamos implementando as diversas tecnologias existentes”, afirma Assad, que também é membro do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas. “O teto de produtividade do milho, por exemplo, é de 10 toneladas por hectare considerando a tecnologia existente.”

Isso não quer dizer, diz ele, que os efeitos da devastação não terão um impacto na produtividade.

Segundo cálculos no modelo feito por cientistas das Universidade Federais de Minas Gerais e Viçosa, em 30 anos as perdas na produção de soja podem ir de 25% a 60%, dependendo da região, graças ao desmatamento da Amazônia.

Até a pecuária pode ser afetada, com a produtividade do pasto caindo de 28% a 33% e alguns lugares deixando de ser viáveis para a atividade.

Expansão?

Mas por que ainda há resistência em aceitar a visão de que a devastação do meio ambiente prejudica o agronegócio?

Segundo Sparovek, da Esalq, narrativas que defendem a necessidade de expandir a fronteira agrícola não têm embasamento científico. Ele afirma que “quando se analisa a necessidade de expansão do agronegócio brasileiro prevista pelo próprio setor até 2050, não se vê necessidade alguma de desmatar e expandir a fronteira agrícola.”

“Temos áreas abertas o suficiente para produzir a demanda projetada e ainda restaurar a vegetação em uma quantidade enorme de terras”, diz o agrônomo.

Agrotóxicos afetam polinizadores e podem prejudicar lavouras vizinhas que não são resistentes a eles
Agrotóxicos afetam polinizadores e podem prejudicar lavouras vizinhas que não são resistentes a eles

Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Só na Amazônia, há 17 milhões de hectares cortados, desmatados e abandonados, segundo Assad, da Embrapa.

Além das terras abertas existentes, há uma enorme possibilidade de incremento da produtividade através de implementação tecnológica, afirma o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues.

Assad, da Embrapa, afirma que soluções boas para a produção e para o ambiente – como técnicas de agricultura de baixa emissão de carbono e boas práticas de manejo de solo e água – têm se tornado cada vez mais acessíveis, e que uma maior organização de cooperativas agrícolas é necessária para aumentar o acesso dos pequenos produtores a tecnologias e avanços.

Sparovek afirma que a expansão da fronteira, especialmente na Amazônia, não interessa diretamente, não ajuda a produzir – especialmente com o avanço tecnológico que exige um terreno mais plano pelo tamanho e velocidade das máquinas. “Isso é uma agenda muito mais ligada à valorização imobiliária das terras e à grilagem. Quem se beneficia disso é o especulador do mercado de terras, lícito ou criminoso.”

Segundo Rodrigues, o Brasil é um país gigantesco que não tem “uma agricultura ou um agricultor”, mas diversos grupos com interesses diferentes. A existência de agricultores que não têm preocupação nenhuma com sustentabilidade ou com o longo prazo é “um pouco uma questão de educação, cultura e formação técnica adequada.”

“Temos 4,4 milhões de produtores que seguiram o Código Florestal e fizeram o Cadastro Ambiental Rural (mecanismos de regulação das práticas agrícolas)”, diz Assad. “É 1 milhão de agricultores que fazem essa confusão toda. É só um povo que produz como na idade média (que tem interesse no desmatamento).”

Fonte: Terra

Emissões de CO2 atuais devem aumentar em 1,5°C a temperatura da Terra

Para que a temperatura do globo terrestre fosse considerada estável até o ano de 2050, as emissões atuais de CO2 (gás carbônico) deveriam se aproximar de zero até lá. Entretanto, a infraestrutura já comprometida do globo sofrerá ainda mais com a contínua expansão do uso de combustíveis fósseis, os principais emissores de CO2 na atmosfera.

De acordo com um novo artigo publicado na revista Nature, há uma grande possibilidade de que a temperatura ainda passe dos 1,5° C definidos no acordo do clima de Paris. E isso mesmo se não fossem construídas mais qualquer instalação energética, fábrica, eletrodomésticos ou carros.

Consequências

Como aponta um estudo publicado na MIT Technology Review, caso ocorra esse aquecimento superior aos 1,5° C na temperatura do planeta, cerca de 70% dos recifes de corais seriam destruídos, cerca de 500 mil quilômetros quadrados do gelo ártico derreteriam e 14% da população mundial sofreria com índices alarmantes de ondas de calor.

Para os pesquisadores, uma saída viável seria o desenvolvimento de ferramentas capazes de retirar o dióxido de carbono do ar e melhorias com a modernização das instalações existentes, ao passo que se encerrasse as atividades. Nenhuma dessas soluções é barata, mas são a melhor alternativa para uma situação que poderá ser ainda pior.

Fonte: Tec Mundo

Safra de grãos pode bater novo recorde

Se confirmado, esse será o melhor resultado da história, superando o recorde anterior, de 237,6 milhões de toneladas da safra 2016/2017

É do campo que, mais uma vez, vem uma notícia alentadora, em meio a dados e informações preocupantes sobre o estado geral da economia brasileira. Contrapondo-se à perda de dinamismo da produção industrial e aos maus resultados do comércio e do setor de serviços, a produção de grãos na safra 2018/2019 deve atingir 240,65 milhões de toneladas, conforme o mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se confirmado, esse será o melhor resultado da história, superando o recorde anterior, de 237,6 milhões de toneladas da safra 2016/2017.

Entre essas duas safras, a de 2017/2018 foi também expressiva (de mais de 227 milhões de toneladas). São números que mostram o vigor da agricultura, que, com alto nível de produção e de produtividade, tem assegurado à população alimentos em quantidade e preços adequados. O campo gera também robustos saldos na balança comercial, os quais dão segurança às contas externas do País num período de incertezas no plano interno.

O resultado estimado para a safra 2018/2019 no décimo levantamento da Conab é 5,7%, ou 13 milhões de toneladas, maior do que o da safra anterior. A área plantada estimada, de 62,9 milhões de hectares, é 1,9% maior do que a utilizada na safra anterior. Assim, com crescimento maior da produção do que da área utilizada, mais uma vez a agricultura brasileira registrará aumento de produtividade.

De acordo com a Conab, as condições climáticas no início da safra tiveram papel decisivo para o avanço do plantio, pois propiciaram períodos favoráveis para a semeadura das culturas da primeira safra, especialmente a soja. O clima ajudou também as lavouras da segunda safra, “gerando um bom ritmo de cultivo nos principais Estados produtores”, como ressalta o relatório da Conab.

Entre os produtos destacados pela Conab está o milho da segunda safra, cuja produção deverá alcançar o recorde de 72,4 milhões de toneladas, 34,2% mais do que a da safra anterior. A produção do milho da primeira safra, porém, deverá ficar em 26,2 milhões de toneladas, com redução de 2,5%.

A produção de arroz, estimada em 10,4 milhões de toneladas, será 13,6% menor do que a da safra 2017/2018. Também a do feijão da primeira diminuiu (22,5%), somando 996,9 mil toneladas. Mas não há ameaças para o abastecimento desses itens essenciais da mesa dos brasileiros.

Fonte: Brasil Agro

Fumaça emitida por escapamentos de veículos pode poluir meio ambiente e fazer mal para a saúde

Cetesb é o órgão responsável por fiscalizar as emissões dos gases nos veículos. Em Itapetininga (SP), 23 motoristas foram autuados por irregularidades na última fiscalização realizada

Quase sete milhões de veículos são abastecidos com diesel apenas no estado de São Paulo, de acordo com um levantamento feito pelo Detran. No entanto, a fumaça emitida pelos escapamentos de caminhões, por exemplo, pode poluir o meio ambiente e também fazer mal para a saúde.

Segundo Frederico César de Oliveira, que é dono de uma mecânica de caminhão, a fumaça é a queima do combustível, que é comum em veículos antigos.

“Mas a fumaça preta em excesso significa anomalia na parte da injeção, alimentação do veículo. É preciso procurar uma oficina especializada, onde vai ser feito o teste para encontrar a causa do problema”, explica.

Fumaça emitida por escapamentos de veículos polui meio ambiente e fazer mal para a saúde

Fumaça emitida por escapamentos de veículos polui meio ambiente e fazer mal para a saúde

Monóxido de carbono e hidrocarbonetos são algumas das substâncias presentes na fumaça, que podem agravar problemas respiratórios.
“Problemas respiratórios, principalmente pessoas que já têm bronquite, asma, sinusite, rinite, asma. Nosso organismo não foi projetado para vivermos na poluição, em meio aos gases que hoje respiramos no dia a dia”, afirma o pneumologista Vidal José de Camargo Barros.

Fumaça emitida por veículos movidos a diesel podem poluir meio ambiente — Foto: Reprodução/TV TEMFumaça emitida por veículos movidos a diesel podem poluir meio ambiente — Foto: Reprodução/TV TEM

Fumaça emitida por veículos movidos a diesel podem poluir meio ambiente — Foto: Reprodução/TV TEM

Veículos fabricados a partir de 2012 têm um dispositivo que diminui a emissão das substâncias e do escapamento sai apenas vapor se a mecânica estiver em dia.

A Cetesb é o órgão responsável por fiscalizar as emissões dos gases nos veículos. A última operação foi feita em rodovias de todo o estado para verificar a quantidade de fumaça expelida pelos veículos antigos movidos a diesel.

“A gente fica situado em uma posição estratégica na rodovia, onde o técnico utiliza uma escala e o caminhão precisa estar em uma velocidade constante e conseguimos fazer a constatação”, diz Carlos Henrique Lopes, analista de educação ambiental.

Em Itapetininga (SP), na última fiscalização, 23 motoristas foram autuados em R$ 1,5 mil. Mas em todo o estado foram registados 1,1 mil veículos irregulares.

“A penalidade não pontua na carteira de motorista, mas é uma multa ambiental. Mas, no momento do licenciamento, precisa estar em ordem com a companhia ambiental.”

Fonte: G1

Derretimento de geleira da Antártica pode se tornar irreversível, sugere pesquisa

Processo pode elevar o nível do mar em 50 centímetros

A instabilidade na geleira de Thwaites, na Antártica Ocidental, enfrentará um ponto irreversível em seu processo de derretimento, mesmo se o aquecimento global diminuir. Isso é o que sugere pesquisa financiada pela Nasa e publicada na revista Proceedings of National Academy of Sciences, dos Estados Unidos. As informações são do jornal inglês The Guardian.

Simulações sugerem que a extensa perda de gelo teria início em 600 anos, mas os pesquisadores disseram que isso poderia ocorrer mais cedo, dependendo do ritmo do aquecimento global e da natureza da instabilidade. Ao The Guardian, Hélène Seroussi, cientista de laboratório de propulsão a jato da Nasa, disse que este cenário pode se tornar realidade nos próximos 200 a 600 anos, dependendo da topografia do leito rochoso sob o gelo. Porém, esta afirmação é difícil de precisar.

Influência da geleira no nível do mar

A Antártica tem quase oito vezes mais gelo terrestre do que a Groenlândia e 50 vezes mais do que todas as geleiras de montanha combinadas. Os pesquisadores descobriram que uma estimativa precisa de quanto gelo a Thwaites lançaria nos próximos 50 a 800 anos não seria possível devido a flutuações climáticas e limitações de dados imprevisíveis.

No entanto, 500 simulações diferentes apontaram para a perda de estabilidade. Isso aumentou a incerteza sobre o aumento futuro do nível do mar, mas tornou os piores cenários mais prováveis.  Uma perda completa da camada de gelo da Antártica Ocidental poderia aumentar o nível do mar global em cerca de cinco metros, fazendo com que as cidades costeiras do mundo ficassem submersas.

Gelo no mar

Outro estudo divulgado na mesma revista, na semana passada, sugere que o gelo do mar Antártico foi aumentando gradualmente durante 40 anos de medição e atingiu um máximo recorde em 2014, antes de cair acentuadamente. A causa da reviravolta abrupta não foi estabelecida.

Ao contrário do derretimento das camadas de gelo em terra, o derretimento do gelo no mar não eleva o nível do mar, mas a perda do gelo branco faz com que mais calor do sol seja absorvido pelo oceano, aumentando o ritmo de aquecimento.

Fonte: Gauchazh

Milhares de universidades se comprometem contra mudanças climáticas

Milhares de universidades de todos os continentes se comprometeram, nesta quarta-feira, a participar da luta contra o aquecimento global, ao se unirem à ONU para um plano de ação que também deve mobilizar seus estudantes.

Sob o lema “Emergência Climática”, cerca de sete mil instituições fecharam um acordo para alcançar a neutralidade de carbono entre 2020 e 2050, a mobilizar mais recursos para a pesquisa e o desenvolver a educação ambiental.

“O que ensinamos modela o futuro”, destacou Inger Andersen, diretora do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Andersen saudou a adoção do plano, apresentado durante uma reunião ministerial na sede da ONU em Nova York.

O princípio da neutralidade do carbono significa que não se deve emitir mais gases de efeito estufa do que a sua capacidade de absorção.

“Os jovens estão cada vez mais na vanguarda dos apelos por uma maior ação face aos desafios climáticos e ambientais. As iniciativas que envolvem diretamente os jovens neste trabalho crítico constituem uma contribuição preciosa”, acrescentou.

Os idealizadores da iniciativa esperam reunir até o fim deste ano um total de dez mil instituições universitárias ao plano de “Emergência Climática”.

Fonte: Istoé Dinheiro

A agricultura familiar tem papel essencial na garantia da segurança alimentar

A agricultura familiar, que consiste no cultivo realizado por pequenos produtores rurais e, na maioria das vezes, do mesmo grupo familiar, tem ganhado cada vez mais espaço no cenário econômico, climático e científico. É responsável pela renda de 40% da população economicamente ativa do país e por mais de 70% da renda dos brasileiros ocupados no campo.

Historicamente, esse tipo de cultivo acompanhou o crescimento do país. Segundo levantamento feito pelo Governo Federal em 2018, a agricultura familiar brasileira configurou-se como a oitava maior produtora de alimentos do mundo e a maior do Brasil. Hoje, 87% da mandioca, 70% do feijão, 60% da produção nacional de leite, 59% do rebanho suíno, 50% das aves e 46% do milho consumidos pela população brasileira vêm desse tipo de cultivo.

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), o setor movimenta US$ 55,2 bilhões por ano. A representatividade é tanta que envolve aproximadamente 4,4 milhões de famílias agricultoras, ou seja, 84% dos estabelecimentos rurais brasileiros.

No mundo, os números não são menos expressivos. Os agricultores familiares são responsáveis pela produção de mais de 80% de toda a comida do planeta, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), que, inclusive, lançou recentemente a “Década da Agricultura Familiar”, com o objetivo de fomentar, entre 2019 e 2028, políticas que permitam o desenvolvimento e o progresso desta área de atuação.

Os debates sobre o tema estão mais intensos porque estudos apontam para um aumento de consumo de alimentos para os próximos vinte anos. O Brasil está entre os países que terão que dobrar sua produção para atender a esta demanda. E no mundo, segundo a ONU, mais de 90% das 570 milhões de propriedades agrícolas são administradas por um indivíduo ou por uma família e dependem, principalmente, da mão de obra familiar — dados que reforçam a necessidade de estímulo contínuo ao tema que pode mudar uma realidade global.

A atividade está exposta a fragilidades que podem prejudicar o seu desenvolvimento sustentável e que envolvem questões como segurança alimentar e desafios no escoamento dos alimentos. O desperdício, por exemplo, é um dos principais problemas a serem enfrentados. O modelo agrícola já chegou a desperdiçar 35% da produção brasileira. Com o uso racional deste tipo de serviço, poderíamos alimentar mais de um terço dos habitantes apenas com o que desperdiçamos no país, atualmente.

O consumo consciente do alimento em qualquer esfera da sociedade é um assunto que deve sempre ser discutido. Aliada à agricultura familiar, a educação alimentar e nutricional é uma importante ferramenta de empoderamento individual para melhorias das condições de saúde e hábitos alimentares. Embora a alta demanda de alimentos industrializados se faz cada vez mais presente, é de suma importância a implementação de intervenções educativas capazes de capacitar os indivíduos a realizarem escolhas mais saudáveis.

E como não conectar a educação alimentar com a produção e consumo de alimentos vindo da agricultura familiar? Com este pensamento, em 2014, a II Conferência Internacional sobre Nutrição, em Roma (Itália), discutiu possíveis estratégias com as quais a educação alimentar e nutricional poderia contribuir para a geração de oportunidades de desenvolvimento da agricultura familiar e como a população poderia se beneficiar desses produtos.

É levando em conta o debate acerca da agricultura familiar no Brasil, cuja atividade está na base da economia de 90% dos municípios brasileiros com até 20 mil habitantes, que o Prêmio Fundação Bunge traz o tema para uma de suas áreas homenageadas neste ano. Com o propósito de incentivar a inovação e disseminar conhecimento, o Prêmio reconhece há mais de 60 anos profissionais que contribuem para o desenvolvimento da cultura e das ciências no Brasil.

Fonte: Grupo Cultivar

Grandes cidades do mundo enfrentarão condições climáticas ‘desconhecidas’ até 2050

Um quinto das grandes cidades do mundo enfrentará condições climáticas “desconhecidas” até 2050, disseram pesquisadores nesta quarta-feira, já que as temperaturas em elevação aumentam os riscos de secas e inundações.

Cientistas de clima do Crowther Lab, grupo de pesquisa da ETH Zurich, uma universidade de ciência e tecnologia, analisaram 520 cidades de todo o globo, incluindo todas as capitais e a maioria dos centros urbanos com uma população de mais de 1 milhão de habitantes.

Considerando as condições climáticas atuais destas cidades –inclusive dados sazonais e de precipitação–, os cientistas projetaram o que acontecerá se as temperaturas subirem outro meio grau, aproximando-se do piso da meta de 1,5º Celsius estabelecida no Acordo de Paris de 2015 sobre a mudança climática.

O relatório mostrou que 22% das cidades terão condições climáticas inéditas até 2050, como estações de seca e de monções mais intensas, disse Jean Francis-Bastin, seu principal autor.

“É uma mudança de condições climáticas que provavelmente aumentará o risco de inundações e secas extremas”, explicou ele à Thomson Reuters Foundation. “São condições desconhecidas.”

Quase 70% da população mundial deve estar morando em áreas urbanas até 2050, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Mas muitas cidades, especialmente em nações mais pobres, enfrentam desafios consideráveis, como populações grandes e crescentes em favelas que carecem de serviços básicos e correm um risco cada vez maior de desastres climáticos.

Conforme o Acordo de Paris, que foi ratificado por mais de 200 países, governos prometeram manter o aquecimento global “bem abaixo” dos 2ºC acima dos tempos pré-industriais e buscar um limite menor de 1,5ºC.

Limitar a elevação das temperaturas globais a 1,5ºC evitaria perdas econômicas de 12 trilhões de dólares até 2050, ainda de acordo com a ONU.

Cientistas do Crowther Lab disseram que o estudo, publicado no periódico científico PLOS ONE, foi a primeira análise global das alterações prováveis nas condições climáticas de grandes cidades resultantes do aquecimento global.

O estudo revelou que 77% das cidades que analisou testemunharão uma mudança notável nas condições climáticas até 2050.

Cidades de regiões tropicais, que provavelmente sofrerão os impactos mais fortes da mudança climática, terão alterações menores na temperatura média, disse o estudo.

Fonte: Extra

CNPE define metas de redução de gases-estufa para comercialização de combustíveis

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) publicou no Diário Oficial da União desta terça-feira, 9, resolução que define as metas compulsórias anuais de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa para a comercialização de combustíveis. O documento estabelece as chamadas Unidades de Créditos de Descarbonização (CBIOs) para este e os próximos dez anos, até 2029.

Assim, para 2019, a meta anual, medida em CBIOs, será de 16,8 milhões. Em 2020, de 28,7 milhões, com aumentos gradativos até alcançar 95,5 milhões de CBIOs em 2029.

Ainda conforme a resolução do CNPE, o Comitê RenovaBio proporá a meta compulsória de CBIOs para o ano subsequente até o fim do terceiro trimestre de cada ano, “observados os intervalos de tolerância definidos no art. 1º, sem prejuízo, para as metas do ano de 2019, ao disposto no art. 12, do Decreto nº 9.308, de 2018”.

O CNPE define, ainda, que “excepcionalmente, o distribuidor de combustíveis poderá comprovar sua meta individual do ano de 2019, com vigência a partir do dia 24 de dezembro, em quantidade proporcional ao número de dias de sua vigência, isto é, observada a fração 8/365, cumulativamente com sua meta individual referente ao ano de 2020”.

Fonte: Istoé

Aquecimento global: Cidades declaram estado de emergência climática

Mera política simbólica ou uma guinada verdadeira? Nos últimos anos, um número cada vez maior de cidades vem declarando as mudanças climáticas como uma emergência. Pioneiros foram prefeituras na Austrália (2016), Estados Unidos (2017), Canadá e Reino Unido (2018).

Em 2019 o movimento também chegou ao continente europeu: os parlamentos nacionais do Reino Unido, Irlanda, França e Portugal também aprovaram recentemente resoluções definindo as mudanças climáticas como ameaças graves.

Na Alemanha, a cidade de Constança, na fronteira com a Suíça, foi a primeira a declarar emergência climática. O exemplo foi seguido por mais de 45 municipalidades do país, entre elas, as de metrópoles como Düsseldorf, Münster, Aachen, Bonn, Kiel e Saarbrücken.

De acordo a Aliança Climática Hamm, mais de 100 conselhos municipais da Alemanha pretendem discutir e votar pedidos de emergência climática nas próximas semanas. A rede de proteção climática Declaração de Emergência do Clima e a Mobilização em Ação registra que mais de 700 cidades em todo o mundo já proclamaram emergência climática.

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