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29 jul 2026

Brasil e o desafio da FAO

Brasil e o desafio da FAO

Para o presidente do Conselho de Administração da APROBIO, o país pode responder à demanda global por alimentos com produtividade e tecnologia — e produzir energia limpa na mesma terra

Publicado originalmente no Jornal do Comércio em 27 de julho de 2026. Leia a versão original.

A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) afirmou, em seu relatório “How to Feed the World in 2050” (Como alimentar o mundo em 2050), que para alimentar a população mundial projetada para 2050 seria necessário um aumento de cerca de 70% na produção global de alimentos. Segundo a Organização, a população mundial deverá atingir 9,1 bilhões até lá, sendo que 70% viverá em áreas urbanas, aumentando a demanda por alimentos processados e proteínas animais. A produção anual de cereais precisará crescer de 2 para 3 bilhões de toneladas e a produção anual de carne deverá aumentar em mais de 200 milhões de toneladas.

O Brasil tem condições de produzir quase a metade das necessidades de alimento para o mundo graças às condições de clima, solo, irradiação solar, tecnologia de produção e mão de obra especializada. Há 30 anos produzíamos 35 sacos de soja por hectare, número que cresceu para 65 sacos. De 2.500 kg de milho por hectare, saltamos para 7.200 kg.

Não precisamos desmatar para produzir mais. A maior parte do aumento deve vir de ganhos de produtividade, inovação tecnológica e redução de perdas e desperdícios. No caso da expansão de áreas agrícolas, o Brasil tem 400 milhões de hectares agricultáveis e utiliza apenas 90 milhões. É uma área maior do que Rússia e Estados Unidos juntos. O País dispõe de 8 trilhões de quilômetros cúbicos de água renovável, volume maior do que o existente em toda a Ásia.

O Brasil concentra 70% da área do Aquífero Guarani, um dos dois maiores do mundo. O rio Amazonas é o segundo maior em extensão e o primeiro em volume de água, e o rio Paraná, o 8º maior do mundo. Em proteína animal, estamos entre os maiores produtores de alimentos e somos um dos principais exportadores, com produtos referência de qualidade e saudabilidade, e produzidos com sustentabilidade.

O apelo da FAO nasceu em 2009 e foi renovado em 2018, na Itália. De qualquer referência que usamos para analisar o desafio, não há dúvida de que o Brasil está pronto para responder aos esforços globais por mais alimento. Eu conheci o interior do País e ninguém pode colocar em dúvida nossas vantagens, que são muito maiores que nossos problemas. Alimentos e energia limpa, os maiores ativos do século, e nós temos para dar e vender.

Francisco Turra é presidente dos Conselhos de Administração da Aprobio e Consultivo da ABPA.

Artigo de opinião. As informações e as opiniões expressas são de responsabilidade do autor.

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