19 de agosto de 2019

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Demanda por eficiência energética nos transportes aumentou 180% em 16 anos

Demanda por energia no setor aumentou 180% e o consumo por passageiro mais do que triplicou em 16 anos. Além disso, país utiliza 80% de combustíveis não renováveis e precisa incentivar alternativas menos poluentes

No Brasil, 80% da energia utilizada nos transportes é de origem não renovável, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). No mundo, o setor de transportes foi responsável por 28% do total do consumo final de energia global em 2016, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). Entre 2000 e 2016, houve um aumento de 8% da demanda por energia no setor de transportes em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Nos países emergentes, como o Brasil, o aumento chegou a 180% no período, e o consumo energético por passageiros mais que triplicou. A justificativa está na redução do número de passageiros por carro e no aumento de veículos próprios, além de uma mudança entre modos de transporte, com a priorização de automóveis e veículos individuais em detrimento dos transportes coletivos.

A pesquisadora da FGV Energia Tamar Roitman diz que a busca constante pelo aumento de eficiência energética nos transportes é incontestável, pois a demanda por mobilidade cresce em reflexo da expansão econômica e de outros fatores. “A maior eficiência permite tal crescimento sem implicar em um impacto de igual tamanho no consumo de combustíveis, além de reduzir custos e evitar emissões desnecessárias”, argumenta.

De acordo com ela, as pesquisas e as ações para melhoria da eficiência energética no setor de transportes brasileiro, em geral, estão mais voltadas para soluções que acabam por manter o mesmo padrão de comportamento, se concentrando em melhorar a eficiência de combustíveis, veículos e motores. “As soluções para o aumento de eficiência energética nos transportes não passam apenas pela otimização de motores e pela substituição de combustíveis fósseis por renováveis, mas se baseiam em três verbos: evitar, mudar e melhorar”, diz Roitman.

Segundo a pesquisadora, o primeiro passo é o olhar mais atento para a demanda por mobilidade, com uma melhor gestão e planejamento urbano, de forma a evitar o crescimento da demanda por transporte individual. Ela cita iniciativas como pedágio urbano, rodízio de carros, remoção de estacionamentos gratuitos e estabelecimento de áreas exclusivas para pedestres com o intuito de desincentivar o uso de carros por parte da população.

Além disso, é preciso promover mudanças no sistema de transportes. “É necessário reduzir a dependência do setor rodoviário e fazer maior uso de dutos e ferrovias. A greve dos caminhoneiros (em maio de 2018) trouxe à tona a busca por novos modais. O serviço de cabotagem aumentou depois da paralisação, porque, quando temos problemas nas rodovias, percebemos que não podemos depender de um único modal”, explica. Segundo ela, a cabotagem no Brasil é pouco explorada e possui um enorme potencial, devido à abundância de rios existentes no país.

Ainda na categoria do verbo “mudar”, a pesquisadora acredita que iniciativas como a construção de linhas de trem e metrô, a implantação de corredores expressos para ônibus, como o Bus Rapid Service (BRS) e o Bus Rapid Transit (BRT), são medidas que mudam o foco do veículo individual para o transporte coletivo. “Outra iniciativa no mesmo sentido é o compartilhamento de veículos (car sharing, em inglês), que nada mais é do que um serviço de aluguel de veículos e que contribui para a redução do número de automóveis nas ruas.” Tamar cita, ainda, a adoção de veículos não motorizados, como bicicletas e patinetes, de baixo custo.

Medidas para melhorar o padrão de eficiência energética dos veículos também são importantes. “O incentivo à otimização de motores, ao uso de combustíveis menos poluentes e ao desenvolvimento de novas tecnologias de veículos é fundamental. Nesse sentido, podem ser adotadas medidas regulatórias, como o estabelecimento de padrões de eficiência energética em veículos”, explica.

Avanço

O setor de transportes liderou o avanço da demanda energética em 2017, segundo o último Balanço Energético Nacional da EPE (2018). O segmento teve uma expansão de 1,9 milhão de toneladas equivalentes de petróleo (tep), em virtude do aumento de 2,7% do consumo de óleo diesel, resultado da maior atividade de transporte de carga. No caso dos veículos leves, houve crescimento de 0,5% na produção de gasolina automotiva e o consumo desse combustível aumentou 2,6%. O etanol, porém, apresentou comportamento inverso, com queda de 2% na produção e de 0,2% no consumo.

Em 2017, o total de emissões antrópicas associadas à matriz energética brasileira atingiu 435,8 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (Mt CO2-eq), grande parte (199,7 Mt CO2-eq) gerada no setor de transportes. Os transportes de carga e de passageiros respondem por aproximadamente 32,7% do consumo total de energia do país.

De acordo com o professor de engenharia da Universidade de Brasília (UnB), Augusto César de Mendonça Brasil, a tecnologia automotiva melhora gradativamente, e os veículos se tornam mais eficientes, consomem menos combustíveis e emitem menos poluentes. “Há uma evolução do ponto de vista energético, mas ainda há muito o que melhorar. Para os próximos anos, é necessário investir no projeto dos catalisadores e dos motores de combustão interna, de forma a otimizar o potencial energético e reduzir os impactos no meio ambiente”, explica.

Segundo ele, o ideal é investir em veículos híbridos, que são uma junção do motor a combustão e do motor elétrico. “A combinação dos dois gera uma boa eficiência energética. Apostar na transição dos veículos de combustão interna para os veículos híbridos já seria um grande avanço”. Além disso, o professor explica que otimizar vias, implementar BRT e faixas exclusivas para ônibus são medidas que melhoram o ciclo de velocidade dos veículos e acabam influenciando um melhor desempenho energético. “Priorizar o uso do transporte público em detrimento dos particulares também é um caminho”.

Alto custo

Para Mendonça Brasil, o alto custo dos veículos elétricos ainda é um fator limitante para a popularização desse tipo de veículo. “Além disso, o consumidor não tem tanta confiança no veículo elétrico para aderir. Os pontos de recarga ainda são escassos, e isso afeta na decisão de quem está comprando um carro. Posto de gasolina tem em todo lugar, pontos de recarga de carro elétrico, não. Mas não é isso que promoverá o uso de carros elétricos”, afirma.

O professor diz que combustíveis alternativos, como álcool e biogás, devem ser incentivados, inclusive o uso do hidrogênio como combustível complementar nos veículos híbridos. “Eu acredito que o que define o consumo energético não é tanto a tecnologia. As nossas melhores soluções estão mais voltadas para o comportamento e para a cultura do que para a tecnologia”, sustenta.

As soluções para o aumento de eficiência energética nos transportes não passam apenas pela otimização de motores e pela substituição de combustíveis fósseis por renováveis, mas se baseiam em três verbos: evitar, mudar e melhorar”
Tamar Roitman, pesquisadora da FGV Energia

Há uma evolução do ponto de vista energético, mas ainda há muito o que melhorar. Para os próximos anos, é necessário investir no projeto dos catalisadores e dos motores de combustão interna, de forma a otimizar o potencial energético e reduzir os impactos no meio ambiente”
Augusto César de Mendonça Brasil, professor da UnB

Fonte: Correio Braziliense

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