18 de agosto de 2019

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Aquecimento global: perguntas e respostas

‘Aquecimento global: perguntas e respostas’ constitui um levantamento do Ciência e Clima a respeito da pesquisa em ferramentas de busca dos internautas brasileiros. Identificamos as perguntas mais comuns na internet quando o assunto é aquecimento global.

A partir daí, elaboramos esse pequeno guia composto por 14 perguntas e respostas. Ainda não sabe o que é o aquecimento global? Ouviu falar de controvérsia? Agora ficou fácil tirar suas dúvidas. Siga os links do texto para ver informações mais detalhadas, ou então explore os artigos do site.

1. O que é o aquecimento global?

Outra variação desse tipo de pergunta: O que significa o aquecimento global?

Gráfico do aumento da temperatura global entre 1900 e 2017
Reconstrução da evolução da temperatura média global entre 1900 e 2017. Os dados são apresentados tomando-se como referência a média da temperatura entre 1981 e 2010. É possível ver a tendência de aquecimento global no aumento da temperatura em cerca de 1ºC. Fonte: NOAA.

Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, na sigla em inglês -, o aquecimento global se refere ao aumento gradual, observado ou projetado, da temperatura superficial global, enquanto consequência do acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera.

Assim, a expressão aquecimento global descreve a tendência de aumento da temperatura média global, calculada anualmente a partir de medições da temperatura do ar e da água superficial dos oceanos. A temperatura média global serve como um dos indicadores da quantidade de energia presente no sistema climático.

Consulte a página sobre aquecimento global para saber mais.

Ligado à Organização das Nações Unidas – ONU, o IPCC coordena a elaboração de relatórios periódicos revisando toda a pesquisa científica mundial a respeito do aquecimento global e das mudanças climáticas. É a principal referência científica sobre o tema. Consulte a página sobre o IPCC para saber mais. Para acessar o último relatório do IPCC, clique aqui.

2. Como ocorre o aquecimento global?

Outras variações desse tipo de pergunta são: O que causa o aquecimento global? Como o aquecimento global é formado? Como funciona o aquecimento global? Como o aquecimento global é causado? Como surgiu o aquecimento global? Como se criou o aquecimento global? Por que o aquecimento global acontece? Qual a causa do aquecimento global?

Ilustração da causa do atual aquecimento global
A ilustração apresenta uma simplificação da causa do atual aquecimento global. Fonte: Ciência e Clima.

O aquecimento global é um indicador de que o sistema climático está acumulando quantidades maiores de energia. Quanto mais energia acumulada, mais quente fica, e por isso sobe a temperatura média global. A ciência considera que a causa do atual aquecimento global é o acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera.

O sol é a fonte de toda a energia presente no sistema climático terrestre. Parte da energia solar absorvida pelo sistema climático é emitida de volta ao espaço pela atmosfera. Mas a quantidade de energia emitida pela atmosfera depende da concentração de gases de efeito estufa.

Quanto maior a concentração, maior o efeito estufa. Com a intensificação do efeito estufa, aumenta a capacidade da atmosfera de evitar a emissão de energia para o espaço. Os gases do efeito estufa funcionariam como uma espécie de cobertor, evitando a perda de calor. Dessa forma, mais energia acaba sendo acumulada no sistema climático.

Consulte a página sobre o efeito estufa para saber mais a respeito da causa do aquecimento global.

3. Quando o aquecimento global começou?

Gráfico da concentração de CO2 1700-2018
Reconstrução das concentrações atmosféricas de CO2 entre 1700 e 2018. Considera-se que o aquecimento global começou no fim do século 19 (um pouco antes de 1900) devido ao aumento das concentrações, provocada pelas emissões crescentes a partir da Revolução Industrial. Gráfico: SCRIPPS – Universidade de São Diego.

Conforme ressalta a associação científica Royal Society, do Reino Unido, considera-se que o atual aquecimento global começou no final do século 19. Mas não existe uma data precisa de quando o aquecimento teve início.

As evidências levantadas pela ciência mostram que a concentração atmosférica de CO2, o principal gás de efeito estufa, começou a subir no século 19 – a partir do ano 1800. Nesse período ocorreu a Revolução Industrial, utilizando combustíveis fósseis como fonte de energia.

Nos 10 mil anos anteriores ao século 19, as concentrações de CO2 permaneceram na faixa de 260 a 280 partes por milhão – ppm. A partir de então, em função das emissões humanas de gases de efeito estufa, as concentrações passaram a crescer, levando ao aquecimento do planeta.

Entretanto, ainda existe debate no meio científico a respeito de quando o aquecimento global começou. Por exemplo, estudo de um time de cientistas de universidades da Austrália e dos Estados Unidos sugeriu que, em vez do final, o aquecimento global teve início na metade do século 19 – por volta de 1850.

Ao analisar registros paleoclimáticos posteriores ao ano de 1500, e apoiado em um modelo climático, o estudo identificou um aumento persistente da temperatura dos oceanos tropicais e do ar no Hemisfério Norte a partir da metade do século 19. Os cientistas concluíram que o aumento era efeito das emissões do início da Revolução Industrial.

Deve-se ressaltar que outro ponto de discussão no meio científico é a contribuição da variabilidade natural do sistema climático para a tendência de aquecimento observada até a década de 1940. Por um lado, há defensores da hipótese de que oscilações climáticas internas do sistema climático responderam por parte do aumento da temperatura média global.

De outro lado, pesquisas sugerem que as oscilações naturais internas do sistema climático não exerceram qualquer influência. Para essa linha de pensamento, o aumento da temperatura média global registrado desde o início do século passado se deve exclusivamente à intensificação do efeito estufa provocado pelas emissões humanas.

Mais informações sobre o estudo: Abram, Nerilie J., et al. “Early onset of industrial-era warming across the oceans and continents.” Nature 536.7617 (2016): 411.

4. Quem descobriu o aquecimento global?

Gráfico temperatura
Gráfico do estudo de Callendar aponta para o aumento da temperatura média global entre 1880 e meados da década de 1930. Fonte: Weart (2018), a partir de Quarterly J. Royal Meteorological Society 64, 223 (1938).

O primeiro pesquisador a identificar em um artigo científico a tendência de aumento das temperaturas globais foi o britânico Guy Stewart Callendar. Engenheiro e climatologista amador, ele publicou os levantamentos realizados e suas conclusões no ano de 1938.

Trabalhos anteriores haviam coletado medições de temperatura ao redor do Hemisfério Norte, em especial no leste da América do Norte e no oeste da Europa. Um breve debate havia surgido sobre a possibilidade das temperaturas estarem aumentando, o que era considerado como parte de um ciclo natural.

Utilizando registros da temperatura de diversas estações, Callendar detectou que a temperatura média havia subido nos 50 anos anteriores ao estudo. Ele sugeriu que as emissões de dióxido de carbono – CO2 -, originadas da queima de combustíveis fósseis, estariam por trás de uma grande parte do aquecimento.

Todavia, a hipótese de uma tendência de aquecimento global devido às emissões humanas de gases de efeito estufa não encontrou abrigo entre meteorologistas e climatologistas da época. Os dados climatológicos disponíveis sofriam de severas limitações, como falta de padronização e de organização.

Além disso, a comunidade científica da época atribuiu o aumento de temperatura observado à flutuação natural, ou então à alterações na circulação atmosférica.

Fontes: Weart S. 2008. The Discovery of Global Warming. Harvard University Press: Cambridge, MA. A versão online, revista e ampliada, pode ser acessada aqui. Hawkins, E., & Jones, P. (2013). On increasing global temperatures: 75 years after Callendar. Quarterly Journal of the Royal Meteorological Society139(677), 1961-1963.

5. Qual a relação entre o aquecimento global e o efeito estufa?

Outra variação desse tipo de pergunta: qual a diferença entre aquecimento global e efeito estufa?

Ilustração aquecimento global e efeito estufa
Quando o efeito estufa da atmosfera fica mais forte, acontece o aquecimento global. Fonte: Ciência e Clima.

Aquecimento global e esfeito estufa são expressões que se referem a duas coisas diferentes, mas interligadas. O aquecimento global constitui a tendência de longo prazo de aumento da temperatura média global. Ele é apenas um indicador, elaborado pela ciência, de que o sistema climático terrestre está acumulando energia.

Por sua vez, o efeito estufa consiste na propriedade física da atmosfera terrestre de reter energia, evitando que ela seja perdida para o espaço. Quanto mais intenso o efeito estufa, maior a quantidade de energia retida pela atmosfera.

O aumento da temperatura média global registrado desde 1900 – o aquecimento global atual – ocorre porque o sistema climático tem acumulado energia. Mais energia se traduz em mais calor, por isso sobe a temperatura global.

E o motivo porque o sistema climático tem acumulado energia é a intensificação do efeito estufa da atmosfera, como resultado do crescimento das concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa.

6. Qual a relação entre o aquecimento global e o CO2?

Gráfico CO2, temperatura e glaciação
Reconstrução das concentrações atmosféricas de CO2 (linha roxa), da temperatura média global (linha verde) e do volume de gelo (linha vermelha). Durante as glaciações, as concentrações de CO2 e a temperatura diminuem. O volume de gelo sobe. Fonte: Sigman & Boyle (2000).

O dióxido de carbono – CO2 – é o principal entre todos os tipos de gás de efeito estufa. Como explica a Administração Nacional do Oceano e da Atmosfera dos EUA – NOAA, na sigla em inglês -, em comparação com os outros gases, como o metano ou o óxido nitroso, o CO2 absorve menos calor por molécula.

Todavia, além de bem mais abundante, o CO2 permanece por períodos de tempo muito superiores na atmosfera. Ele também absorve comprimentos de onda de energia térmica que não são absorvidos pelo vapor d’água, intensificando o efeito estufa de uma forma única.

Assim, do desequilíbrio energético total provocado por todos os gases de efeito estufa emitidos pelas atividades humanas, estima-se que o CO2 responda por quase dois terços.

Os registros paleoclimáticos mostram uma correspondência entre o aumento e a diminuição da temperatura média global, o ciclo das glaciações, e o aumento e a diminuição das concentrações atmosféricas de CO2. Mesmo em períodos mais antigos da história geológica da Terra, registra-se uma co-relação entre a temperatura média global e a concentração de CO2.

Consulte a página sobre os gases de efeito estufa para saber mais a respeito do CO2.

7. Se existe aquecimento global, existe resfriamento global?

Outras variações desse tipo de pergunta: O que é resfriamento global? Quando o resfriamento global acontece?

Gráfico temperatura últimos 60 milhões de anos e projeções
Reconstrução da temperatura global dos últimos 60 milhões de anos. Observa-se que o sistema climático se encontrava em uma tendência de resfriamento. As projeções do cenário de altas emissões de gases de efeito estufa indicam como as atividades humanas reverteram essa tendência, e o risco do sistema se aquecer em um curtíssimo período de tempo. Fonte: Lurcock, P. C., & Florindo, F. (2017).

Ao longo da história geológica do planeta, o sistema climático atravessou tanto períodos de aquecimento quanto de resfriamento global. De fato, reconstruções da era Cenozóica, abrangendo os últimos 60 milhões de anos, mostram que, antes da Revolução Industrial, o sistema climático se encontrava em uma tendência de resfriamento, com episódios esporádicos de aquecimento global.

No início do Cenozóico,  durante a época chamada de Paleoceno, estima-se que a temperatura média global era 8ºC mais alta do que no período pré-industrial. Os pólos estavam livres de gelo – não haviam calotas polares na Antártica e na Groenlândia.

A partir daí, modificações nos componentes do sistema climático levaram a uma queda continuada da temperatura média global. Entre as modificações, incluem-se a transformação de partes dos continentes, o surgimento da corrente oceânica ao redor da Antártica, e a redução das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2.

A tendência de resfriamento, com duração de milhões de anos, sofreu quatro principais interrupções esporádicas. Nesses episódios (indicados pelas setas no gráfico acima), o sistema climático reverteu temporariamente para um estado de aquecimento global – usualmente, acompanhado por um crescimento do CO2 atmosférico.

No contexto do Cenozóico, as emissões humanas de gases de efeito estufa marcam o fim da tendência natural de resfriamento. E se as emissões persistirem no mesmo patamar, as projeções apontam que a temperatura poderá retornar, em poucos séculos, a níveis ocorridos milhões de anos atrás.

Representaria uma transformação ambiental de enorme magnitude, em velocidades sem precedentes na história do planeta.

8. O desmatamento pode causar aquecimento global?

Outras variações desse tipo de pergunta: O aquecimento global está ligado ao desmatamento? Como o desmatamento pode influenciar o aquecimento global?

Desmatamento em terra indígena
Parcela desmatada em terra indígena. Foto: IBAMA/ Felipe Werneck.

O desmatamento pode levar ao aquecimento global. O motivo é que as florestas armazenam carbono nas plantas e solos. O desmatamento – usualmente acompanhado de queimadas – levam à liberação do carbono para a atmosfera na forma de dióxido de carbono – CO2.

Estimativas do IPCC de 2010 calculavam que as floresta e outros usos da terra respondiam por 11% das emissões totais anuais de gases de efeito estufa. E, desde 1750, as emissões cumulativas seriam cerca de metade das emissões globais.

As emissões de CO2 do desmatamento contribuem para o crescimento das concentrações atmosféricas do gás. E, com isso, para a intensificação do efeito estufa e para o aquecimento global.

Mas os efeitos do corte das florestas vão bem além da liberação de CO2 para a atmosfera. A retirada da vegetação altera o clima local, Se ocorrer em larga escala e magnitude, a alteração local pode exercer pequena influência na temperatura média global, especialmente no caso das florestas tropicais.

Além disso, o desmatamento reduz a quantidade de compostos orgânicos voláteis na atmosfera, um tipo de gás produzido naturalmente pelas florestas. Os compostos orgânicos voláteis interagem com outros elementos químicos e afetam a concentração de gases de efeito estufa e de aerossóis. A redução pode levar ao aquecimento.

Finalmente, os ecossistemas terrestres representam um fundamental sumidouro de carbono. Eles absorvem parte das emissões humanas de gases de efeito estufa, minimizando o aumento das concentrações atmosféricas. Dessa forma, contribuem para retardar a taxa atual de aquecimento global.

Com o desmatamento, esse serviço de sequestro de carbono fica cada vez mais prejudicado.

9. A agropecuária tem ligação com o aquecimento global?

Pasto e gado
Foto: Flickr/ Mariano Mantel.

Sim, a agropecuária tem ligação com o aquecimento global. A atividade agropecuária responde por emissões de gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono – CO2 -, o metano – CH4 – e o óxido nitroso. Como resultado, sobem as concentrações atmosféricas desses gases, intensificando o efeito estufa e levando ao aquecimento global.

É o caso, por exemplo, do Brasil. Dois setores interligados respondem pela maior parte das emissões de gases de efeito estufa do país: a agropecuária e a mudança de uso da terra e floresta – em particular, o desmatamento.

Em 2017, o país emitiu 2,071 bilhões de toneladas brutas de gás carbônico equivalente – CO2eq. Desse total, o setor da agropecuária respondeu por aproximadamente 24%, ou  495 milhões de toneladas de CO2eq.

Além disso, a agropecuária consiste no principal fator de desmatamento, provocando, indiretamente, grandes quantidades de emissões de CO2.

Para informações mais detalhadas, o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticaspublicou em 2015 relatórios específicos sobre as emissões dos dois setores, agropecuária e mudança do uso da terra.

10. Quais são as consequências do aquecimento global?

Outras variações desse tipo de pergunta: O que o aquecimento global pode causar? Por que o aquecimento global é um problema? Por que o aquecimento global é ruim? Por que o aquecimento global é preocupante? Como o aquecimento global afeta nossas vidas?

Gráfico consequências do aquecimento
Cinco áreas de preocupação quanto aos riscos introduzidos pelo aquecimento global. Comparação entre cenários de limitação do aquecimento em 1,5ºC e 2ºC até 2100. A escala vai de risco nenhum (cor branca) até risco muito alto (cor roxa). Fonte: adaptado da figura SPM.2 do IPCC.

O aquecimento global é um indicador de que o sistema climático terrestre está acumulando energia. Como consequência do aquecimento global – isto é, do acúmulo de energia -, os componentes do sistema climático, suas características e dinâmicas, alteram-se.

O último relatório do IPCC, publicado em 2013, abordou as diversas modificações observadas até aquele ano. Por exemplo, no caso da atmosfera, incluía o aumento da intensidade e frequência de eventos de temperatura máxima diária, da probabilidade de ocorrência de ondas de calor, ou a mudança na padrão das chuvas em algumas regiões.

A Criosfera consiste em outro componente do sistema climático que apresenta mudanças significativas. Verifica-se uma redução acentuada do gelo marinho do Ártico, a perda de volume e massa das calotas polares, a retração global das geleiras de montanha, e a redução da área coberta de neve durante a primavera no Hemisfério Norte.

O oceano experimenta um aumento do nível médio do mar, mudanças na salinização e nas correntes oceânicas.

As projeções das consequências do aquecimento global no Brasil apontam para impactos significativos. Segundo relatório do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas – PBMC, de 2013, o Nordeste é a região mais vulnerável do país. No futuro, o clima semiárido regional poderá se transformar em árido, prejudicando severamente a agricultura, a disponibilidade de água e a saúde da população.

Haverá mudança na temperatura e nas chuvas em diversos pontos do país. Mesmo em áreas que não registrem alteração do total anual de precipitação, elas devem ocorrer de modo mais concentrado. Poderá aumentar a frequência de eventos extremos, agravando os problemas em grandes cidades do Brasil, como o Rio de Janeiro e São Paulo.

A agricultura representa um dos setores econômicos brasileiros mais vulneráveis aos impactos do aquecimento global. Crescerão as limitações relacionadas à deficiência hídrica. Poderá ser inviabilizada a realização de certos tipos cultivos em regiões de baixa latitude e altitude do país, além de reduzir a área disponível para plantas de clima temperado.

Consulte a página sobre aquecimento global para mais detalhes a respeito de suas consequências. E também o artigo ‘10 consequências do aquecimento global‘.

11. Como o aquecimento global interfere no clima?

Gráfico expansão de área da América do Sul com aumento da temperatura
Expansão da área geográfica da América do Sul com temperatura média de 18ºC. Fonte: Figura SEF.3/ Relatório PBMC.

O sistema climático terrestre, seus componentes, processos e dinâmicas estão mudando em resposta à energia adicional acumulada. Um dos indicadores de que sobe a quantidade de energia no sistema é o aquecimento global – o aumento da temperatura média global.

Como consequência, os fenômenos meteorológicos, que definem as condições cotidianas do Tempo, também se modificam. Por exemplo, a frequência e a intensidade da precipitação, dos dias de calor e de frio intensos, ou dos eventos climáticos extremos – como as secas. Apesar de variações regionais, a tendência é que áreas úmidas se tornem mais úmidas, e áreas secas, ainda mais secas.

No caso do Brasil e da América do Sul, entre as mudanças citadas em relatório do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas – PBMC, inclui-se o aumento de noites quentes e diminuição de noites frias, reduzindo a amplitude diurna da temperatura, principalmente durante a primavera e no outono.

Desde 1948, verifica-se o aumento da temperatura durante o verão, de forma mais acentuada nas zonas tropicais do que nas subtropicais da América do Sul. Também se observa uma tendência positiva de crescimento da temperatura média no continente.

Entre 1949 e 2009, registrou-se uma expansão das áreas do continente que experimentaram temperaturas médias maiores do que 18ºC entre setembro e novembro.

12. Como o aquecimento global pode interferir no nível de água dos oceanos?

Gráfico do aumento do nível do mar desde 1880
Reconstrução do aumento do nível médio do mar desde 1880. Fonte: Agência Ambiental Européia.

Em resposta ao aquecimento global – ao acúmulo de energia pelo sistema climático terrestre -, o oceano está acumulando calor e o gelo da criosfera está derretendo. Esses dois fatores fazem com que o nível médio do mar aumente.

Através do ganho de calor do oceano, o nível médio do mar aumenta por causa do efeito da expansão térmica da água. Por sua vez, o derretimento de geleiras e calotas polares transfere a água dessa regiões, até então imobilizada na forma de gelo, para o oceano.

Em 2016, segundo informações da Agência Ambiental Européia, o nível médio do mar havia subido 20 centímetros em relação ao início do século 20. Estima-se que no século passado o nível cresceu a uma média anual de 1,2 a 1,7 mm, com grande variação entre uma década e outra.

Mas desde 1993 o aumento do nível médio do mar se acelerou, passando para aproximadamente 3 mm por ano.

A tendência continuará ao longo do presente século. Projeções indicam um aumento provável de 0,28 a 0,61 m para o cenário de baixas emissões, e na faixa de 0,52 a 0,98 m para o cenário de altas emissões.

Todavia, elevações significativamente maiores do nível médio do mar não podem ser descartadas. Existe o risco de que alcancem a faixa de 1,5 a 2,5 m até 2100, o que acarretaria graves impactos para zonas costeiras em todo o mundo.

13. Como limitar o aquecimento global?

Outras variações desse tipo de pergunta: Como evitar o aquecimento global? Como impedir o aquecimento global? Como diminuir o aquecimento global? O que fazer contra o aquecimento global?

Gráfico cenários de mitigação do aquecimento global
O gráfico apresenta cenários de mitigação do aquecimento global, limitando o aumento da temperatura a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais. As emissões de gases de efeito estufa devem ser zeradas até 20150. Fonte: figura SPM3.A/ IPCC SR 1,5ºC.

Para limitar, evitar ou diminuir o aquecimento global, existe uma única saída: zerar a emissão de gases de efeito estufa pelas atividades humanas. Em especial, as emissões de dióxido de carbono – CO2. Eliminando as emissões, a concentração atmosférica deixará de subir, interrompendo a intensificação do efeito estufa.

Talvez não exista tarefa mais difícil do que essa. Isso porque as emissões de CO2 ocorrem como resultado da queima de combustíveis fósseis – óleo, gás natural e carvão. A base energética do mundo moderno – capitalista e industrial – foi construída em torno da disponibilidade e uso dos combustíveis fósseis.

Eles representam uma forma barata, fácil e acessível de gerar energia. O mundo ainda continua dependente dos combustíveis fósseis para acender as luzes, para fazer funcionar máquinas e equipamentos, e para o transporte. Países ricos em reservas ou em processo de industrialização ainda apostam no carvão para gerar energia.

Outra fonte humana de gases de efeito estufa é o desmatamento e as atividades agropecuárias. Zerar as emissões humanas de gases de efeito estufa demandaria eliminar o desmatamento. E também transformar a agropecuária neutra em carbono.

14. O aquecimento global é um tema controverso?

Outras variações desse tipo de pergunta: Existe debate científico sobre o aquecimento global? O aquecimento global é mito ou verdade? O aquecimento global é uma farsa?

Comissão do senado discute o aquecimento global
Membros da administração pública constituem um dos atores de promoção do negacionismo científico. Exemplo foi uma audiência pública conjunta das Comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional – CRE – e de Meio Ambiente – CMA – do congresso federal. Fonte: Geraldo Magela/ Agência Senado.

Pode-se dizer que a controvérsia em torno do aquecimento global se verifica somente junto à opinião pública, em especial em países anglo-saxões. O motivo é a atuação de pessoas e grupos negacionistas, cujo objetivo é promover a desinformação. Trata-se de uma controvérsia fabricada.

Desde a década de 1950, o número de evidências do aquecimento global registradas pela ciência tem crescido exponencialmente. E o conhecimento científico sobre o tema é resumido e ganha publicidade periodicamente, através dos relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, na sigla em inglês.

Os relatórios reúnem e sintetizam a literatura científica produzida sobre dezenas de tópicos relacionados ao aquecimento global e às mudanças climáticas. Centenas de cientistas elaboram e revisam os relatórios, cujo objetivo é justamente apresentar o conhecimento e os debates da ciência.

O negacionismo não representa uma vertente do debate científico – se assim fosse, participaria e estaria presente nos relatórios do IPCC. Pelo contrário, o negacionismo tem como ponto de partida o anti-cientificismo. Nega-se o conhecimento científico, minando ou postergando a implementação de políticas ambientais.

Uma pesquisa sobre o negacionismo identificou quatro grandes argumentos utilizados pelos negacionistas. O primeiro nega que o aquecimento global esteja acontecendo. O segundo sugere que o atual aquecimento não pode ser resultado das emissões humanas. Há ainda o argumento de que o aquecimento não provocará impactos, e, finalmente, o argumento de que não exista um consenso a respeito.

Os atores por trás do ataque à ciência abrangeriam um pequeno grupo de cientistas – em geral, de áreas afins -, membros da administração pública, algumas organizações políticas e religiosas, e empresas privadas. Os dois últimos grupos, intimamente ligados à interesses econômicos, representam um dos principais focos de negacionismo nos Estados Unidos.

Evidências mostram a atuação de empresas de óleo e gás do país, bem como de concessionárias de energia, em iniciativas direcionadas para desinformar o público a respeito do tema.

Fonte: Ciência e Clima

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