21 de julho de 2019

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Debate sobre aquecimento global foca em temperaturas extremas

Clima muito frio ou muito quente é argumento para defender ou negar o aumento da temperatura do planeta

No verão, quando as ondas de calor “queimam” as cidades ou as chuvas inundam a orla, alguns cientistas do clima e ambientalistas apontam para toda relação plausível com o aquecimento global, na esperança de que o tempo de hoje ajude as pessoas a compreender o perigo da mudança climática de amanhã.

Então vem o inverno. E os que querem desmentir a ciência de que os seres humanos estão aquecendo o planeta tentam modificar o diálogo. Em janeiro, quando grandes regiões dos Estados Unidos estavam congelando, o presidente Donald Trump usou o Twitter para zombar dos temores a respeito do clima: “Neste momento, até que não seria ruim um pouco daquela velha e repisada história do aquecimento global!”

As posições da batalha entre os defensores e os adversários de uma ação em relação ao clima endurecem, mas ambos usam as temperaturas extremas como arma para tentar conquistar partidários para o seu lado. E isto aumenta as apostas na discussão entre os cientistas, que há muito tentam distinguir as flutuações da temperatura a curto prazo e as mudanças do clima a longo prazo, a respeito das relações entre ambas.

“As pessoas sentem a mudança climática quando experimentam as temperaturas, e principalmente as temperaturas extremas”, disse Susan Joy Hassol, diretora da organização Climate Communication sobre o alcance da ciência. “O que nós experimentamos não é uma mudança lenta das temperaturas médias. O que experimentamos são as mudanças que se produzem nas temperaturas extremas. Por isso, nossa abordagem do problema é muito importante”.

Nos últimos anos, alguns cientistas do clima preocuparam-se em tentar tornar casos de clima severo em fatos acessíveis ao conhecimento comum. “É assim que é o aquecimento global”, disseram cientistas no verão de 2012, uma estação marcada pelas secas, incêndios florestais e alertas de calor extremo no mundo inteiro.

Mas esta estratégia pode cortar ambos os caminhos. Os que negam a mudança climática também tentaram usar a temperatura diária para estabelecer as percepções. Um dia, James Inhofe levou para o Senado dos Estados Unidos uma bola de neve, sugerindo que o aquecimento global não era um problema. Cientistas e ambientalistas tentaram contra-atacar.

Eles poderiam notar que os dias de calor recorde se tornaram muito mais frequentes do que os dias de frio recorde, e que ninguém espera que o aquecimento global elimine totalmente a neve. “Para 9% ou 10% da população que menospreza a ciência do clima independentemente de qualquer coisa, não há muito que se possa dizer a eles”, disse Marshall Shepherd, professor de ciência da atmosfera da Universidade da Georgia. “Mas muitas pessoas lá fora estão legitimamente curiosas” quanto à veracidade do aquecimento global se hoje for um dia frio.

Contudo, há alguns sinais de que as opiniões estão mudando. Um estudo recente de pesquisadores  das universidades Yale e George Mason constatou que 69% dos americanos estão “preocupados” com o aquecimento global, ou um aumento de oito pontos em relação à primavera anterior.

Uma explicação possível foi a série de desastres provocados pelas temperaturas extremas em 2018, como os incêndios florestais e os furacões, juntamente com os esforços crescentes dos cientistas e até mesmo dos meteorologistas da televisão para colocar tudo isto no contexto do clima.

“Por muito tempo, os americanos viram a mudança climática como uma ameaça distante”, disse Edward Maibach, professor da George Mason. “Mas depois da nossa pesquisa mais recente, acho que não posso mais afirmar isto. Nós estamos vendo uma grande movimentação de pessoas que compreendem que a mudança climática já está acontecendo”.

Outros se mostram mais cautelosos a respeito da interpretação destas tendências. Um estudo de 2017 constatou que as pessoas que experimentam temperaturas extremas em geral hoje estão mais dispostas a apoiar medidas de adequação do clima do que antes. Mas o efeito foi modesto e enfraqueceu ao longo do tempo.

David M. Konisky, professor adjunto da Indiana University e autor do estudo de 2017, indagou se mensagens mais claras poderiam provocar uma mudança significativa das opiniões. “Talvez o clima tenha sido a tal ponto rotulado com uma identidade e uma visão de mundo únicas que deixou se ser um fenômeno sensível a mensagens mais claras”, afirmou.

Wanyun Shao, professora assistente de geografia da Universidade de Alabama, constatou que uma série coerente de mudanças climáticas já começou a eliminar as dúvidas a respeito do aquecimento global. “Certas pessoas levam mais tempo”, prosseguiu, “mas acabam confiando em sua experiência pessoal”.

Fonte: Estadão Internacional

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