19 de agosto de 2019

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Relatório aponta conexões diretas entre eventos extremos e mudança do clima

Clima alterado por ação humana teve ligação com diversas secas, inundações e ondas de calor em 2017, segundo estudo

As mudanças climáticas causadas pela ação humana são a causa mais provável das inundações e secas severas, aquecimento anormal dos oceanos e ondas de calor extremas observadas em várias partes do mundo em 2017, de acordo com um novo estudo publicado nesta segunda-feira (10) pela Sociedade Meteorológica Americana (AMS, na sigla em inglês).

O relatório “Explicando os Eventos Extremos de 2017 na Perspectiva das Mudanças Climáticas” reúne 17 análises feitas por 120 cientistas de 10 países, com revisão por pares, sobre as condições meteorológicas extremas observadas em seis continentes e nos oceanos Atlântico e Pacífico.

A lista de eventos climáticos extremos provavelmente causados pelas mudanças climáticas induzidas pelo homem inclui ondas de calor na Europa, China e Coréia do Sul, secas nos Estados Unidos, fortes chuvas na América do Sul e Bangladesh e seca severa na África Oriental. Segundo o estudo, uma onda de calor marinha na costa da Austrália seria “virtualmente impossível” sem a mudança climática causada pelo homem.

Evidência científica

Em entrevista coletiva, um dos autores do estudo, Martin Hoerling, meteorologista da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (Noaa, sigla em inglês), afirmou que o conjunto de análises reforça a conexão estreita entre as mudanças climáticas e os eventos climáticos extremos que vêm sendo registrados. Segundo ele,

A evidência científica apoia com confiança que a atividade humana está influenciando uma variedade de eventos extremos atualmente, com grandes impactos econômicos ao redor do mundo.

Para Hoerling, os resultados confirmam as conclusões do primeiro relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima das Nações Unidas (IPCC), lançado em 1990, que já “previa mudanças radicais no padrão climático observado no século 20.”

O estudo envolveu o uso de observações históricas e simulações em modelos matemáticos com o objetivo de determinar até que ponto as mudanças climáticas podem ter influenciado eventos extemos específicos.

Mensagem da ciência

O relatório está em sua sétima edição e, pela segunda vez, os cientistas identificaram uma série de eventos meteorológicos que “não poderiam ter acontecido sem o aquecimento do clima por meio de mudanças induzidas por humanos”. Segundo os autores, 70% dos 146 resultados de pesquisa publicados no relatório identificaram uma ligação substancial entre um evento extremo e a mudança do clima.

Jeff Rosenfield, pesquisador da AMS e editor-chefe do Boletim da AMS, que publicou o relatório, afirmou:

Esses estudos de atribuição estão nos dizendo que uma Terra em aquecimento continuou a nos enviar, em 2017, eventos climáticos novos e mais extremos. A mensagem da ciência é que nossa civilização está cada vez mais fora de sincronia com nosso clima em mutação. 

De acordo com o estudo, chuvas extremas registradas entre abril e maio de 2017 no Rio Uruguai – cuja inundação causou prejuízos estimados em US$ 102 milhões –, têm o dobro de probabilidade de ocorrência ligada às alterações do clima.

Ondas de calor

As mudanças climáticas triplicaram as chances de ocorrência de ondas de calor como as de 2017 na Europa e na região do Mar Mediterrâneo, em comparação à probabilidade estimada em 1950. Segundo o estudo, de agora em diante, as chances de ocorrência desse tipo de onda de calor é de 10% a cada ano.

Durante o verão do ano passado, na Itália e nos Bálcãs houve temperaturas de 40 °C por vários dias. Recordes de temperatura foram quebrados no sul da França, na Córsega e na Croácia, com temperaturas noturnas acima de 30 °C.

As ondas de calor recorde registradas em 2017 no centro e no leste da China já foram raras, segundo o relatório, mas agora a previsão é que elas voltem a ocorrer pelo menos uma vez a cada cinco anos, em decorrência das mudanças climáticas. Durante a onda de calor, muitas estações meteorológicas registraram 15 a 25 dias com temperaturas acima de 35 °C, com algumas tendo visto temperaturas recordes em julho, como um novo recorde de 40,9 °C.

A seca extrema registrada em 2017 no norte dos Estados Unidos foi cinco vezes mais provável por conta das mudanças climáticas, que teriam alterado o equilíbrio entre as chuvas e a evapotranspiração da umidade do solo. A seca provocou incêndios florestais generalizados e comprometeu os recursos hídricos, destruindo propriedades e afetando negativamente a atividade agropecuária.

Chuvas intensas

O nordeste do Bangladesh sofreu inundações em 2017 com chuvas intensas de seis dias antes do início das monções. Nesse caso, a probabilidade de ligação com as mudanças climáticas é de até 100%, segundo o relatório.

As chuvas intensas que destruíram milhares de casas no sudeste da China em junho do ano passado também tiveram o dobro de chances de ocorrência por conta das mudanças climáticas, segundo o estudo. Essas chuvas causaram a 34 mortes e deixaram 800 mil desabrigados. Cerca de 32 mil casas desmoronaram e 41 mil foram gravemente danificadas.

As chuvas que causaram enchentes no Peru em março de 2017 foram influenciadas por um ciclo natural de aquecimento das águas do Oceano Pacífico, segundo o estudo, mas as mudanças climáticas induzidas pela ação humana aumentaram as chances de ocorrência desses eventos extremos em pelo menos uma vez e meia.

Temperatura do mar

A temperatura extremamente alta da superfície do mar na costa da África dobrou a probabilidade de ocorrência das secas extremas observadas no leste do continente em 2017. Por conta dessas secas, 6 milhões de pessoas enfrentaram escassez de alimentos na Somália. As análises mostraram que o aquecimento extremo do oceano não poderia ter ocorrido com o clima global que existia antes da Revolução Industrial.

No Mar da Tasmânia, ao leste da Austrália, os recordes de temperatura da superfície do mar registrados em 2017 e 2018 “seriam virtualmente impossíveis sem o aquecimento global” induzido pela ação humana, segundo o estudo.

O estudo também mostrou que os recordes de perda de gelo no Mar do Ártico, decorrente das mudanças climáticas, influenciaram o déficit recorde de chuvas em grande parte da Europa ocidental em dezembro de 2016. A chuva total e a queda de neve foram as menores em 116 anos.

Fonte: Direto da Ciência

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