22 de julho de 2019

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[CBBR 2018] Curta o bom momento do biodiesel com moderação

O termo “previsibilidade” foi praticamente um mantra entre os palestrantes da Conferência BiodieselBR do ano passado. Todos os atores cobravam clareza por parte do governo Temer a respeito da evolução da mistura obrigatória e da regulamentação do RenovaBio. Passado um ano, o setor de biodiesel parece ter ganhando tudo o que queria.

Exatamente uma semana antes da abertura da Conferência BiodieselBR 2018, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) regulamentou o cronograma que prevê a obrigatoriedade do B15 a partir de março 2023. Ou seja, o setor vai virar o ano – e entrar no novo governo – com cinco anos de crescimento garantidos pela frente.

Fora isso, ao longo de 2018, o RenovaBio parece ter ganhado musculatura bastante para enfrentar qualquer mudança de humor mais abrupta em Brasília.

As vitórias acumuladas pelo setor ao longo do ano foram ressaltadas pelo diretor executivo de BiodieselBR.com, Miguel Angelo Vedana. “Na abertura da conferência do ano passado fiz uma série de perguntas que, na época, não tinham resposta. (…) Entre elas estavam: ‘o B11 vem em 2019?’; ‘quais os critérios para o B15?’; ‘o que distribuidoras, montadoras e governo pensavam sobre o B15?’; ‘o RenovaBio vai virar lei?’. O setor conseguiu responder todas elas de maneira positiva. Isso que mostra o quanto avançamos em apenas um ano”, admirou-se.

Não foram conquistas que vieram de mão beijada. Cada uma delas foi fruto de muito empenho e persistência de todos os envolvidos com o setor que conseguiram virar o jogo até em casos onde a batalha parecia perdida. Elas agora colocam a indústria frente ao que promete ser seu maior ciclo de crescimento sustentado e investimentos em toda sua a história. “Esse ano, pela primeira vez o setor vai ultrapassar os 5 bilhões de litros. Com o B15 e a taxa de crescimento do mercado de diesel apresentada na última semana pela EPE, teremos um consumo de biodiesel em 2023 de quase 10 bilhões de litros”, completou Miguel Angelo apontando que mesmo sem novos aumentos na mistura obrigatória além dos já programados, o mercado deverá passar a crescer ao ritmo de um bilhão de litros ao ano.

Isso tudo é o que já está dado. Mas, por propício que o momento atual seja, ele não vem sem uma dose de contradições. “Os próximos anos serão bons para o setor, mas ele pode esquecer nunca de suas maiores virtudes. O biodiesel é renovável e é amigo da natureza e meio ambiente. (…) O setor vai ter que colocar na prática o discurso ambientalmente correto. Chegaremos ao momento em vamos precisar definir se queremos ser ambientalmente corretos ou ganhar dinheiro no curto prazo”, alertou.

Entre outros palestrantes, a preocupação é mais imediata. Pego no fogo cruzado da guerra comercial entre EUA e China, o setor de esmagamento terá que resolver turbulências significativas para conseguir dar conta de manter as usinas abastecidas com óleo de soja. “A soja dos Estados Unidos está sendo sobretaxada pela China. Num primeiro momento isso é benéfico para o Brasil porque remunera melhor nosso grão, mas, no curto prazo cria o risco de uma ruptura na industrialização”, preocupa-se o diretor do conselho da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Juan Diego Ferres, para quem será preciso “agir de forma imediata”. “Temos condições de resolver todas as dificuldades, mas precisamos agir com obstinação”, prossegue.

Uma parte resposta para esse dilema foi dada por André Nassar, presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), cuja fala veio gravada em vídeo. No mesmo período da Conferência, Nassar participava de uma missão comercial que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento enviou para tentar abrir o mercado chinês às exportações brasileiras de farelo de soja. “Se fizermos um trabalho bom com a China, especialmente nesse momento em que eles estão com um contencioso com os EUA (…) podemos ter uma relação ganha-ganha”, animou-se o executivo.

Para o presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Erasmos Battistella, a despeito de qualquer dificuldade que esteja no horizonte, é importante ter em mente que esse é um momento positivo para o setor sem perder o pé no chão. “Nas conferências anteriores a gente estava sempre angustiado sobre o futuro do mercado. Agora é diferente. Temos que aproveitar esse momento, mas vamos ‘curtir com moderação’, aconselhou.

Fonte: BiodieselBR

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