21 de julho de 2019

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Aquecimento global afeta a saúde mental das pessoas, afirmam cientistas do MIT

Pesquisa publicada nos EUA afirma que aumento das temperaturas está associado a estresse, ansiedade e depressão

CAMBRIDGE, EUA – Descongelamento dos polos, inundações, aumento do nível do mar, secas extremas, incêndios florestais, escassez de alimentos e alterações nos ecossistemas são algumas das múltiplas consequências do aquecimento global. No entanto, as mudanças climáticas terão impactos ainda mais diretos nos seres humanos, e eles estão começando a ser investigados por cientistas. Um estudo publicado na revista PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, alerta que um aumento moderado das temperaturas está associado ao crescimento dos problemas de saúde mental na população mundial, como a ansiedade, o estresse e a depressão.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) analisaram dados sobre a saúde mental de dois milhões de pessoas nos EUA, entre 2002 e 2012. Ao comparar as informações sobre atendimentos de profissionais especializados em saúde mental com os registros meteorológicos, eles observaram que os momentos de alta nos números de consultas coincidiam com variações importantes no clima. Por exemplo, meses com pelo menos 25 dias de chuva aumentaram a probabilidade de registros de problemas de saúde mental em 2%. Temperaturas médias mensais acima de 30° C estavam relacionadas a um aumento de 0,5%.

— Não sabemos exatamente porque as altas temperaturas causam problemas de saúde mental, mas o que está claro é que isso afetará mais e mais pessoas no futuro — alerta Nick Obradovich, líder da pesquisa.

Pesquisa aponta um novo norte

Estudos anteriores já haviam mostrado que a alta das temperaturas pode afetar os padrões de sono, piorar o humor e elevar as internações hospitalares. A revista Nature Climate Change, por sua vez, publicou um artigo onde se sugere que um aumento de 1° C nas temperaturas mensais está correlacionado com um aumento de 0,68% na taxa de suicídios nos EUA.

— É um estudo muito interessante, que nos estimula a procurar as variáveis que poderiam ter papel nessa relação — diz o Dr. Pablo Toro, psiquiatra da UC Christus Health Network.

Nesta linha, a UC está desenvolvendo um trabalho de acompanhamento de 10 mil pessoas por uma década. A ideia é, entre outras coisas, analisar “quais são as variáveis ambientais e de saúde geral associadas à doença mental”, explica Toro. Como eles, outros centros de pesquisa estão procurando as mesmas respostas.

— Estar exposto a condições climáticas extremas pode causar estresse, e isso, por sua vez, leva a problemas de saúde mental — sugere Obradovich, do MIT.

Desatres ambientais geram traumas psicológicos

Para Jaime Silva, diretor do Centro de Apego e Regulação Emocional da Faculdade de Psicologia da Universidade do Desenvolvimento, o tema se insere na análise de como os desastres naturais nos afetam.

— Todas as situações que de alguma forma ameaçam a vida, com maior ou menor intensidade, são difíceis de assimilar. E sabemos que a fonte mais importante de distúrbios mentais é viver experiências estressantes.

Isso aconteceu no Chile com terremotos, erupções vulcânicas, incêndios florestais e maremotos. No trabalho de Obradovich, a equipe examinou os diagnósticos de saúde mental das pessoas afetadas em 2005 pelo furacão Katrina e as comparou com as de pessoas em cidades semelhantes que não haviam sido afetadas pelo furacão: aqueles que viveram essa experiência traumática tiveram um risco 4% maior de sofrer transtornos mentais.

Obradovich também levanta outro fator que poderia influenciar os resultados: “As mudanças climáticas em alguns lugares podem levar você a reduzir comportamentos saudáveis, como fazer exercícios e ter uma boa rotina de sono, e isso pode ser um dos gatilhos para desenvolver problemas mentais”. Para os especialistas, conhecer a origem dos problemas é essencial para tratá-los.

Outros riscos

A saúde da população também pode ser afetada por outros efeitos associados às mudanças climáticas. Por exemplo, o aumento e a mudança na distribuição de mosquitos e vetores de doenças associadas a climas mais quentes e úmidos. Por outro lado, climas extremos e chuvas intensas favorecem a disseminação de infecções bacterianas através da água contaminada, principalmente no verão. Esse fenômeno também pode afetar as plantações de alimentos.

Fonte: O Globo

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