22 de julho de 2019

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Novas regras para combustível vão afetar as commodities

Uma mudança na regulamentação internacional dos combustíveis, pouco discutida fora do círculo das empresas de navegação, vai sacudir o mundo das commodities. Para tentar coibir as emissões de gases causadores do efeito estufa, a Organização Marítima Internacional (OMI) da Organização das Nações Unidas (ONU) determinou um limite ao conteúdo de enxofre no óleo diesel marítimo a partir de 2020.

Embora seja boa notícia para o meio ambiente, a mudança nas regras também ameaça elevar os preços dos combustíveis para empresas aéreas e consumidores em geral nos postos, assim como as tarifas de frete. “É muito, muito complicado”, diz Lars Robert Pedersen, secretário-geral adjunto do Conselho Marítimo Internacional e do Báltico (Bimco, na sigla em inglês), que representa os donos de cerca de 60% dos navios mercantes do mundo. Há seis meses, a OMI, órgão que governa a navegação internacional, decidiu reduzir o limite de enxofre no combustível marítimo de 3,5% para 0,5% em 2020.

Daqui a dois anos e meio, os donos de navios vão ter de passar a usar um combustível de melhor qualidade e mais caro; investir em sistemas de controle das emissões, conhecidos como “purificadores”; ou aderir a combustíveis alternativos, como o gás natural liquefeito (GNL).

Muitos analistas preveem que a maioria optará pelo combustível de maior qualidade. Uma pesquisa do banco UBS com 51 proprietários de navios mostrou que 75% dos consultados estão dispostos a comprar a gasolina com menor teor de enxofre.

Seja qual for a mudança adotada pelos donos de navios, o custo vai ser alto. Algumas estimativas indicam que o custo de navegação pode aumentar até 85%. O efeito dominó da mudança nas regras do combustível marítimo deverá estender-se além da frota mercante mundial e atingir a indústria petrolífera e a comercialização de commodities.

“Isso é enorme”, diz Kho Hui Meng, chefe na Ásia da Vitol, principal negociadora independente de petróleo. “Vai dar uma reviravolta no setor de comercialização.” A redução no limite de emissões do óleo diesel marítimo é “facilmente a mudança mais dramática nas especificações de combustível em qualquer mercado de produtos petrolíferos em escala em escala tão grande”, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

O problema para o mercado de petróleo é duplo. Embora o óleo diesel marítimo de alto teor de enxofre represente apenas 4% da demanda mundial por petróleo, segundo a AIE, o mercado de navegação tradicionalmente é um canal importante para as refinarias, que aproveitam resíduo de outros processos de refino para produzir o combustível pesado usado pelos navios. Kho diz que cerca de 3 milhões de barris de óleo diesel marítimo de alto teor de enxofre vão deixar de ser consumidos. “Ainda estamos tentando descobrir quais vão ser as implicações.”

O segundo problema é que a maior demanda por combustíveis com baixo teor de enxofre vai exacerbar as dificuldades com a falta de capacidade de produção e também elevar os preços dos combustíveis para automóveis e aviões.

“Como os principais produtos limpos — gasolina, combustível de aviação e diesel — estão intimamente relacionados, quando a demanda e o preço de um aumentam, isso tende a elevar os preços dos outros”, disse Martin Tallett, presidente da Ensys.

Os mercados do produto já refletem a mudança das regras, com os preços futuros do combustível de alto teor de enxofre para 2020 em queda e os do referencial de óleo diesel marítimo de alta qualidade e de baixo teor de enxofre em alta, segundo a S&P Global Platts.

A firma de consultoria Wood Mackenzie, especializada no mercado de combustíveis, estima que os custos da indústria de navegação com o óleo diesel marítimo poderiam subir até US$ 60 bilhões, mais de 50%, para US$ 174 bilhões, em 2020. Sushant Gupta, que trabalha na empresa como diretor de análises sobre refino na Ásia, calcula que com a mudança na regulamentação o custo do barril de petróleo transportado do Oriente Médio para Cingapura vai aumentar em US$ 1.

Apesar das preocupações, a OMI informa que a decisão tomada em 2016 por seus países-membros foi baseada em uma análise da consultoria CE Delft, segundo a qual as refinarias teriam capacidade de produção de óleo diesel marítimo de baixo teor de enxofre suficiente para atender as necessidades da indústria de navegação. “Isso foi motivado pelo enorme impacto benéfico no ambiente e na saúde humana’, diz a OMI.

Ainda assim, diante das incertezas quanto às consequências que se aproximam, Pedersen, da Bimco, avisa: “Isto é um experimento global. É sobre isso que estamos alertando”.

Fonte: Financial Times

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