22 de julho de 2019

Compartilhar , , Google Plus , Pinterest ,

Imprimir

Posted in:

Brasil mantém competitividade e lidera exportações globais de soja

Os números recordes nas exportações brasileiras de soja não param de aparecer. Somente nas duas primeiras semanas de maio, o Brasil já embarcou 5,2 milhões de toneladas da oleaginosa. Em abril, foram 10,1 milhões, ou seja, 20% a mais do que em março e 50% a mais do que no mesmo mês de 2014. Dessa forma, o país se consolida, nesta temporada 2015/16, como o maior exportador mundial da commodity.

Especialistas atribuem essa explosão nas vendas externas de soja a uma conjunto de fatores, porém, o mais forte deles foi, sem dúvida, a alta do dólar, principalmente durante o período em que ocorreu a comercialização antecipada do produto do atual ano safra, onde a moeda norte-americana chegou a superar os R$ 4,00, catalisando a competitividade da oleaginosa nacional. E o aumento das exportações brasileiras acabaram, inclusive, tomando boa parte do mercado norte-americano neste período diante de uma demanda global extremamente aquecida.

Em seu último reporte mensal de oferta e demanda, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) revisou, inclusive, os números das importações mundiais para 131,08 milhões de toneladas, contra as 123,39 milhões do ano safra 2014/15. Dessa forma, os estoques finais mundiais da atual temporada – 74,25 milhões de toneladas são estimados para ficarem abaixo do registrado na anterior – 78,08 milhões. O departamento projeta ainda que as exportações mundiais deverão alcançar neste ano 2015/16 132,58 milhões de toneladas, contra as 126,15 milhões de 2014/15.

A soja brasileira poderia, ainda, ocupar o espaço que deverá ser causado pelas quebras da safra da Argentina por conta do excesso de chuvas. O país, de acordo o diretor executivo da consultoria Globaltecnos, Sebastián Gavalda, em entrevista à agência Reuters, poderia exportar 25% menos em função dessas perdas, somando um volume modesto de apenas 8,5 milhões de toneladas. A perda de qualidade dos grãos argentinos também pesou para essa contabilidade.

Demanda 

A China, no quadro mundial de demanda pela oleaginosa, se mantém como destaque e suas importações deverão alcançar as 83 milhões de toneladas, ainda de acordo com os últimos números do USDA. Projeções de consultorias privadas, porém, acreditam em volumes ainda acima disso. A nação asiática, em 2016, foi responsável pela compra de 79% do volume de 20,89 milhões de toneladas já exportado pelo Brasil de janeiro a abril.

“O mercado asiático de alimentos está em crescimento e aumentou a demanda tanto pelo grão quanto pelo farelo. Acredito que essa tendência deve se manter nos próximos meses”, disse, em entrevista ao portal InfoMoney, o gerente de economia da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), Daniel Furlan.

O consumo mundial geral, no entanto, também dá sinais de expressivo incremento. E boa parte desse avanço tem se dado pela maior demanda por farelo de soja frente a uma demanda maior por proteína animal em todo o globo, principalmente em países emergentes. “A demanda global por oleaginosas deverá aumentar mais do que no ano anterior. E o esmagamento de soja está projetado para crescer cerca de 4%”, informou o USDA em seu último reporte.

Ao mesmo tempo, ainda de acordo com informações do departamento, o consumo mundial de proteína animal também indica elevadas perspectivas de crescimento com um movimento que deverá ser liderado pela China e alguns outros mercados importantes, como mostra o gráfico a seguir.

Consumo mundial de proteína animal - Fonte: USDA

Consumo mundial de farelos proteicos – Fonte: USDA

Dessa forma, a projeção para o consumo de farelos é de uma alta de 3% e o líder das exportações globais deverá ser, mais uma vez, o farelo de soja. “A crescente demanda por farelo de soja, que responde por mais de 70% do consumo mundial, é o principal direcionador da expansão deste mercado”, informou o USDA.

No caso dos óleos vegetais, que também deverão registrar um aumento de 3% no consumo global como alimento, a liderança fica por conta dos óleos de palma e então, de soja. O uso industrial desses derivados também deve crescer na temporada 2016/17. E o USDA aponta ainda que os estoques finais globais de óleo indicam uma queda de 5% no próximo ano comercial.

Preços x Competitividade

A concorrência entre Brasil e Estados Unidos na exportação de soja deverá aumentar nos próximos meses, acreditam analistas. As diferenças de preços, a oferta ajustada e um particular impulso tomado pela demanda internacional poderiam direcionar esse movimento nos próximos meses.

Afinal, durante a maior parte da temporada comercial norte-americana, os preços de uma soja dos Estados Unidos para a China estiveram mais baratos do que, por exemplo, uma soja embarcada em Paranaguá, no Brasil, com destino à nação asiática. Entretanto, a partir de março, com as perdas da safra brasileira sendo conhecidas e uma vantagem menor trazida pelo câmbio, essa situação começou a se inverter, como mostra o gráfico da Reuters, indicando, no último dia 16, a tonelada da soja brasileira em US$ 428,43 e a norte-americana em US$ 426,95.

Preços da Soja - Golfo x Paranaguá - Fonte: Reuters

Soja para China – Brasil (Paranaguá) x EUA (Golfo) – Fonte: Reuters

A diferença entre os valores, entretanto, é pequena e por isso, insuficiente para estimular uma recuperação das exportações norte-americanas que pudesse tirar a liderança brasileira. A oleaginosa nacional, além de tudo, conta atualmente com melhor qualidade, de acordo com especialistas, o que pode, caso sejam mantidos esses padrões mais elevados, ajudar a garantir essa maior competitividade.

 

Continue lendo aqui.

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

Assine nossa newsletter e tenha acesso as principais notícias do setor


aprobio@aprobio.com.br
Av. Brigadeiro Faria Lima, 1903 - Conj. 91 - Jd. Paulistano - 01452-911 - São Paulo - SP - Tel: 55 11 3031- 4721

Back to Top