Prefeitura de SP não regulamenta lei que prevê que empresas de ônibus zerem emissão de gás carbônico e outros gases

Uma lei que atualiza norma de 2009 e deveria ter sido regulamentada até esta terça diz que, a cada ano, 10% dos ônibus devem ser substituídos por veículos que usem energia limpa.

Prefeitura de São Paulo deveria ter regulamentado até esta terça-feira (17) uma lei que prevê a substituição de ônibus de sua frota. As empresas teriam de se comprometer a zerar a emissão de gás carbônico e diminuir em 95% a emissão de materiais particulados e de gases que prejudicam a saúde. De acordo com a ONG Greenpeace, a regulamentação não foi feita.

Uma lei de 2009 diz que a cada ano, 10% dos ônibus devem ser substituídos por veículos que usem energia limpa. Se esta lei estivesse sendo cumprida, em 2018, nenhum ônibus da capital deveria rodar só com óleo diesel. A lei, no entanto, foi alterada em janeiro deste ano para aumentar o prazo da troca da frota, mas a alteração não foi regulamentada.

Dos mais de quatorze mil ônibus da frota de São Paulo, 201 são Trolebus, 20 são movidos a etanol e 1 é elétrico. Ou seja, 98% da frota usa óleo diesel.

Como nada mudou nos últimos 9 anos, a solução foi fazer uma nova lei, com novas metas e novos prazos. Agora, em 20 anos, as empresas de ônibus terão que zerar a emissão de gás carbônico e diminuir em 95% a emissão de materiais particulados e de gases que prejudicam a saúde.

Para passar a valer, a lei deveria ser regulamentada até esta terça, mas isso não aconteceu. O Diário Oficial publicou apenas a criação do comitê de acompanhamento da substituição da frota que vai reunir representantes da prefeitura, das empresas de ônibus e da sociedade civil, como o Greenpeace. Mas, de acordo com o Greenpeace, o comitê só vai ter utilidade quando a lei passar a valer.

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Fonte: SP2 SP – G1

Ônibus e caminhões são 5% da frota, mas respondem por metade da poluição em SP

Ônibus e caminhões são responsáveis por cerca de metade da poluição atmosférica da região metropolitana de São Paulo, apesar de representarem apenas 5% da frota veicular, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira, 16. O trabalho faz uma dissecação inédita dos poluentes que contaminam o ar da metrópole paulistana, permitindo separar o que foi emitido por veículos pesados, com motores a diesel, daquilo que foi gerado por veículos leves, como carros e motos.

Os resultados apontam para a instalação de filtros no escapamento dos ônibus como uma opção simples, rápida e barata de redução da poluição atmosférica na cidade. “As soluções existem, e não custam caro; mas são necessárias políticas públicas coerentes de longo prazo para serem implementadas”, diz o pesquisador Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade São Paulo (USP), que assina o estudo com outros seis cientistas brasileiros, na revista Scientific Reports.

Segundo ele, há filtros no mercado que reduzem a emissão de poluentes dos ônibus em até 95%, a um custo de R$ 10 mil a R$ 20 mil por veículo. Só a cidade de São Paulo tem 14,5 mil ônibus, o que implicaria custo de até R$ 300 milhões. “Mas quanto vale a vida das milhares de pessoas que morrem ou ficam doentes todos os anos por causa da poluição?”, indaga Artaxo. Essa poluição pesada causa e agrava sobretudo problemas vasculares e respiratórios.

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Fonte: Estadão Conteúdo

Pesquisa mostra queda de até 78% na poluição durante greve dos caminhoneiros

Estudo também constatou que 71,4% dos estados brasileiros descumprem normas de monitoramento da qualidade do ar

O Instituto Saúde e Sustentabilidade estudou a presença de material particulado MP10 e MP2,5 e ozônio durante a paralisação dos caminhoneiros para averiguar os efeitos da imobilidade veicular sobre a qualidade do ar em todo o país.

Porém o objetivo inicial de averiguar o impacto da greve em todas as unidades federativas brasileiras não pode ser cumprido: o instituto constatou que 71,4% dos Estados não apresentavam dados confiáveis de monitoramento. O Instituto obteve dados referentes apenas aos Estados de São Paulo (região metropolitana, baixada santista e interior) e Espirito Santo.

Em ambos, foi possível observar uma queda de até 78% na concentração dos poluentes analisados. Na Baixada Santista, foi possível comprovar quedas entre 48,1% e 40% para MP10. As maiores ocorreram em Cubatão – Vale de Mogi (48,1%) e Santos (47,1%). No caso do MP2,5, só foi possível obter informações de uma única estação – Santos – na qual a primeira redução foi de 50%. Para o O3, a queda ficou entre 43,7% a 25,4% para todas as estações durante os dias da greve.

Os maiores decréscimos ocorreram em Santos (43,7%) e Cubatão – Centro (32,9 %).  Durante a greve, 4 estações registraram níveis do poluente abaixo dos limites preconizados pela OMS (níveis que asseguram um menor risco de impactos para a saúde da população). Também foi possível notar clara tendência de aumento na concentração dos poluentes com o fim da greve.

No interior de São Paulo, os níveis de concentração de MP10 recrudesceram de 65,2% a 15,5%, sendo que as maiores quedas foram registradas em Araraquara (65,2%), Paulínia – Sta Terezinha (60,4%), Jundiaí (58%), Campinas – Taquaral (56,8%), Ribeirão Preto – Centro (56,5%). São José dos Campos registrou a menor queda, 15,4%, seguida por Presidente Prudente (22,4%), Marília (24%) e Araçatuba (24,4%). Santa Gertrudes, a estação com maior nível de concentração do poluente, manteve-se acima do limite preconizado pela OMS (máxima 97 mcg/m3, mínima 49 mcg/m3) em todos os dias, com exceção de 27/06, quando chegou ao nível de 49 mcg/m3. No caso da MP2,5, foi possível observar uma retração de 50% a 23,5% durante os dias da greve.

As maiores quedas foram registradas em Ribeirão Preto – Centro e São José do Rio Preto (ambos 50,0% de queda), Campinas – Vila União (47,1%), Piracicaba (37,5%), São José dos Campos (31,6,3%) e Taubaté (23,5%).  A única estação que apresentou valores acima do limite preconizado pela OMS no período estudado foi Campinas – Vila União, nos primeiros dias, até́ dia 24/06.  As demais estações se mantiveram abaixo dos limites da OMS (níveis que asseguram menor risco de impactos sobre a saúde da população). No dia 01/06, nenhuma estação havia ainda ultrapassado este limite.

Os níveis de concentração de O3 mostraram a queda de 62,6% a 28,2% para todas as estações do interior de São Paulo durante os dias da greve. As maiores quedas ocorreram em Paulínia (62,6%), Americana – Pq Nações (62,2 %); São José do Rio Preto (59,8%); Campinas – Taquaral (59,2%); Jundiaí e Araraquara (ambas com 59%). Das 23 estações analisadas, em 11 (47,8%) delas as quedas situam-se acima de 50%.  De forma geral, 12 estações estavam com níveis do poluente acima dos limites preconizados pela OMS (níveis que asseguram a saúde da população) no dia 23/05 e apenas 3 no dia 24/06. A partir do dia 25/5, nenhuma delas.

As concentrações ainda não haviam ultrapassado os níveis mais seguros até́ o dia 01/06, último dia do levantamento de dados do estudo do Instituto Saúde e Sustentabilidade No Estado do Espírito Santo, as concentrações de MP10 e MP2,5 e ozônio sofreram maior queda nas estações de Vila Velha IBES e Cariacica Vila Capixaba. Para MP10, observou-se -se a queda de medidas entre 78% e 52%, e os níveis de concentração de O3 mostram queda de 70,6% a 44,2% para todas as estações durante os dias da greve.

Para a Dra. Evangelina, “os dados comprovam a necessidade de revisão e elaboração de políticas públicas e o cumprimento de resoluções ou leis já existentes para uma série de ações, tais como avanços no Programa Proconve para a Fase P8 ou Euro VI, nas quais se reduz drasticamente as emissões de MP E NOx, substituição de combustível fóssil, principalmente o diesel por combustíveis mais limpos, realização de inspeção veicular, melhoria no transporte público e estímulo à mobilidade ativa, reduzindo a circulação de veículos.

Todas estas iniciativas são extremamente importantes para o avanço na redução de emissões de poluentes danosos para a saúde”, conclui.

QUASE TRÊS DÉCADAS DE DESCUMPRIMENTO DA LEI

A intenção original de mapear o impacto da greve em todo o país foi frustrada porque quase três décadas depois do estabelecimento do PRONAR, (Resolução CONAMA 05/1990), três em cada quatro estados brasileiros não realizam monitoramento de qualidade do ar, realizam de forma obsoleta (poluentes desatualizados) ou ineficiente.

Em cinco estados os dados não se encontravam disponíveis nos seus órgãos ambientais estaduais: Distrito Federal, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. No caso do INEA, no Rio de Janeiro, o site encontrava-se em manutenção. “É alarmante constatar que os governos estaduais descumprem uma norma que existe há quase 30 anos, ainda mais quando ela tem relação direta com a saúde dos cidadãos”, afirma a Dra. Evangelina Vormittag, diretora do Instituto Saúde e Sustentabilidade, lembrando que a Organização Mundial de Saúde já constatou que a poluição do ar é responsável por mais de 50 mil mortes por ano apenas no Brasil e mais de 9 milhões em todo o mundo.

No total do continente americano, ela é responsável por 35% das mortes por doenças pulmonares, 15% das mortes por doenças cérebro vasculares, 44% das mortes por doenças do coração e 6% das mortes por câncer de pulmão.  Segundo o Instituto Saúde e Sustentabilidade, a poluição atmosférica é responsável por 17 mil mortes no Estado e 4.700 mortes ao ano na cidade de São Paulo, ultrapassando o número de mortes por homicídios, acidentes de trânsito, AIDS, câncer de mama e câncer de próstata.

“Apesar disso, os Estados abriram mão de ter dados confiáveis para planejar ações e políticas de saúde pública, em um flagrante desrespeito ao cidadão e contribuinte brasileiro”, completa. A íntegra do estudo, com dados da capital paulista e cidades do interior de São Paulo, bem como de vários municípios do Espírito Santo, pode ser consultado aqui.

Fonte: Instituto Saúde e Sustentabilidade

Califórnia atinge meta de redução de emissões antes do prazo

Em uma grande vitória para a luta contra o aquecimento global, o estado da Califórnia parece ter atingido sua primeira meta para a redução das emissões de gases de efeito estufa – e alcançou esse objetivo antes do previsto.

Dados divulgados na quarta-feira pelo Conselho de Recursos do Ar da Califórnia mostram que as emissões de gases de efeito estufa do estado caíram 2,7% em 2016 – o ano mais recente disponível – para 429,4 milhões de toneladas.

O índice é um pouco inferior às 431 milhões de toneladas produzidas em 1990. A legislação da Califórnia exige que as emissões do estado, que chegaram ao pico em 2004, retornem aos níveis de 1990 até 2020.

Desde o pico, as emissões caíram 13%. A crise financeira de 2008 ajudou, reduzindo o número de quilômetros percorridos pelos californianos e a quantidade de carga movimentada pelos portos, ferrovias e estradas do estado. Mas as emissões continuaram caindo nos últimos anos, mesmo com a expansão da economia do estado.

“A Califórnia estabeleceu as metas de emissões mais difíceis do país, acompanhou o progresso e entregou resultados”, twittou o governador Jerry Brown.

O ex-governador Arnold Schwarzenegger, em 2006, assinou a lei que comprometeu a Califórnia a reduzir as emissões e definir a meta para 2020. Na quarta-feira, ele também aplaudiu os resultados – e criticou outros políticos que se opõem à ação climática.

“Ultrapassar nossa meta de emissões de 2020 antes do previsto, enquanto nossa economia cresce em 4,9% e nossa taxa de desemprego está em baixa histórica, deve enviar uma mensagem para políticos de todo o país: você não precisa reinventar a roda – apenas copie-nos”, disse Schwarzenegger em um e-mail. “Os negócios crescerão e vidas serão salvas”.

A queda nas emissões, em grande parte, reflete o crescente uso de energia renovável na Califórnia.

A geração de eletricidade solar, tanto de matrizes de telhado quanto de grandes usinas de energia, cresceu 33% em 2016, de acordo com a diretoria aérea. As importações de energia hidrelétrica saltaram 39 por cento com a chegada das chuvas ao Ocidente, após anos de seca. O uso de gás natural para geração de eletricidade, por sua vez, caiu 15%.

 

Próximos passos

A lei estadual da Califórnia também determina que as emissões caiam mais 40% até 2030. Embora os analistas estejam confiantes de que o estado atingirá sua meta de 2020, eles têm menos certeza sobre 2030 – um alvo muito mais difícil.

“Há uma boa chance de precisarmos tomar ações muito mais agressivas para atingir essas metas de 2030”, disse Severin Borenstein, economista de energia da UC Berkeley. “É muito mais desafiador.”

As emissões caíram 12 milhões de toneladas entre 2015 e 2016. Para atingir a meta de 2030, elas devem cair aproximadamente o mesmo valor – pelo menos 12,3 milhões de toneladas – a cada ano.

Uma ordem executiva do governador estipula que as emissões devem cair ainda mais em 2050, para 80% abaixo dos níveis de 1990.

Borenstein apontou o transporte, a maior fonte de emissões de gases do efeito estufa no estado, como um grande desafio.

Segundo o Air Resources Board, as emissões do transporte cresceram em 2016, com a gasolina relativamente barata e o fortalecimento da economia levando a maiores vendas de combustíveis. E enquanto a Califórnia tem apoiado agressivamente os carros elétricos, apenas cerca de 200.000 estão registrados no estado.

“Nós não fizemos progresso no transporte”, disse Borenstein. “Fizemos um progresso negativo.”

Em contraste, os esforços para reduzir as emissões das usinas geradoras de energia têm sido bem mais bem-sucedidos e estão funcionando bem antes do previsto.

Fonte: San Francisco Chronicle

Uma vitrine internacional para o RenovaBio

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2019 foi aprovada nesta quarta-feira (12) pelo Congresso Nacional com um item importante para o setor de energias renováveis: a previsão de recursos para o Brasil receber a COP 25, em 2019. O sucesso da candidatura à sede do evento anual da Conferência do Clima é uma oportunidade única para o país fortalecer políticas como o RenovaBio e a produção nacional de biocombustíveis.

A chamada Conferência das Partes (COP) ocorre anualmente e, em 2019, pelo sistema de rodízio de continentes, será a vez de um país da América Latina e do Caribe receber o evento. O Brasil já demonstrou interesse em ser a sede da COP 25.

A inclusão da rubrica na LDO de 2019 foi anunciada pelo senador Jorge Viana (PT-AC), relator da Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas, durante audiência pública que discutiu o RenovaBio, na tarde de quarta-feira, em Brasília. A reunião do colegiado foi acompanhada pelo diretor superintendente da APROBIO, Julio Minelli.

“Se a COP vem para cá, você põe um holofote sobre políticas como estas que estamos discutindo aqui. O RenovaBio vai ter uma vitrine de alto destaque”, avaliou Jorge Viana.

Para Julio Minelli, a realização da COP 25 no Brasil seria uma oportunidade para o país expor ao mundo o RenovaBio, que entrará em vigor efetivamente em janeiro de 2020, e nossos programas relacionados aos biocombustíveis. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de biodiesel e, com políticas públicas bem discutidas e implementadas, tem tudo para servir de referência no desafio de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

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Desmatamento é 2ª maior causa das mudanças climáticas, revela FAO

As florestas são aliadas do homem no combate às mudanças climáticas, absorvendo por ano cerca de 2 bilhões de toneladas de CO2. Mas quando são desmatadas, as coberturas vegetais do planeta se transformam em motores do aquecimento global. Aproximadamente 20% das emissões de gases do efeito estufa são causadas pelo desmatamento. Em relatório divulgado neste mês (6), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) identifica um aumento na destruição das superfícies verdes do planeta.

De 1990 e 2015, a área da Terra coberta por florestas caiu de 31,6% para 30,6%. A agência da ONU aponta que o desmatamento é a segunda maior causa das mudanças climáticas, ficando atrás apenas da queima de combustíveis fósseis. As emissões geradas pela destruição da cobertura vegetal são maiores que as de todo o setor de transporte.

O levantamento da FAO revela ainda que a interrupção ou redução do desmatamento em zonas tropicais responderia por até 30% da capacidade de mitigar as mudanças climáticas.

Um obstáculo à proteção das florestas é o consumo de carvão vegetal. Nas regiões em que a demanda é alta, a produção exerce pressão sobre os recursos florestais e contribui para a degradação dos ecossistemas, especialmente quando o acesso às florestas não está regulamentado. Segundo o estudo da FAO, a população que depende de lenha varia de 63% na África a 38% na Ásia e 16% na América Latina.

Os continentes africano e sul-americano também estão na contramão do uso sustentável das superfícies verdes. Nos últimos 25 anos, cresceram no mundo as florestas manejadas para a conservação dos solos e das águas, mas essa expansão não foi verificada na África nem na América do Sul. Os territórios utilizados de maneira responsável representam hoje 25% de toda a cobertura vegetal do planeta. Nos países sul-americanos, o índice cai para apenas 9%.

Pobreza e meio ambiente

De acordo com a FAO, florestas são fonte de 20% da renda de famílias rurais em países em desenvolvimento. O relatório do organismo internacional alerta para uma estreita relação entre cobertura florestal e altas taxas de pobreza — no Brasil, por exemplo, pouco mais de 70% das áreas de florestas fechadas (densas, com grande cobertura de copa) apresentavam índices elevados de miséria.

A publicação mostra ainda que, na América Latina, 8 milhões de pessoas sobrevivem com menos de 1,25 dólares por dia nas regiões de florestas tropicais, savanas e seus arredores. Mundialmente, mais de 250 milhões de indivíduos vivem abaixo da linha da pobreza extrema nessas áreas: 63% estão na África, 34% na Ásia e 3% na América Latina.

Apesar da pequena participação da América Latina no total global, a FAO destaca que, nas zonas rurais latino-americanas, 82% das pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza estão em florestas tropicais, savanas e seus arredores. Essas regiões de mata são o lar de 85 milhões de pessoas na região.

Parque da Tijuca é exemplo de conservação

Destaque no relatório da FAO, o Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, tem uma superfície de 4 mil hectares e foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 2012.

A pesquisa da agência da ONU lembra que, para enfrentar a proliferação de espécies exóticas e a expansão urbana, a área foi reflorestada com árvores nativas. O governo também criou espaços recreativos para envolver a comunidade local e aumentar a conscientização sobre a proteção das florestas urbanas.

Desde 1999, o parque é administrado conjuntamente pela Prefeitura do Rio e pelo Ministério do Meio Ambiente. Atualmente, o local recebe 2,5 milhões de visitantes por ano e é um exemplo de restauração da Mata Atlântica. A reserva transformou-se num santuário para diversas espécies endêmicas.

Empresas florestais comunitárias na Guatemala

Na Guatemala, 70% das terras florestais estão sob algum tipo de proteção. Com concessões do governo, empresas comunitárias gerenciam mais de 420 mil hectares dentro da Reserva da Biosfera Maia. Em apenas um ano, de 2006 a 2007, as companhias obtiveram receitas de 4,75 milhões de dólares pela venda de madeira certificada. Outros 150 mil dólares vieram do comércio de produtos florestais não-madeireiros.

As cooperativas geraram mais de 10 mil empregos diretos e outros 60 mil indiretos. As instituições também pagavam aos trabalhadores mais que o dobro do salário normal, segundo dados coletados pela FAO.

Costa Rica: florestas e turismo

A Costa Rica é um dos principais destinos de turismo ecológico do mundo: em 2016, 2,9 milhões de turistas estrangeiros visitaram o país e 66% deles afirmaram que o ecoturismo era um dos principais motivos da viagem.

Os visitantes gastaram em média 1.309 dólares por pessoa, trazendo uma renda para o país de 2,5 bilhões de dólares. Isso equivale a 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Uma parte do montante pode ser atribuída ao ecoturismo. Em 2015, apenas as áreas de conservação florestal receberam aproximadamente 1 milhão de estrangeiros e outros 900 mil turistas nacionais.

Acesse o relatório da FAO “Estado das Florestas no Mundo” na íntegra clicando aqui (em inglês).

Fonte: Nações Unidas no Brasil

O falso dilema entre o ar limpo e o crescimento econômico

Apesar de figurar entre as oito maiores economias e ter uma das legislações ambientais mais avançadas do mundo, o Brasil falha no controle da poluição e registra 51 mil mortes por ano

No documento Qualidade do Ar e Saúde – Perguntas e Respostas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apresenta os motivos para apresentar os seus indicadores de qualidade do ar a título de “recomendações”, feitas em 2005 aos países-membros das Nações Unidas, no qual se inclui o Brasil.

Note-se de antemão que qualquer organismo das Nações Unidas, como a OMS, deve observar, por questão protocolar, um elevado tato diplomático, que implica em sugerir, aconselhar – e não impor – sua orientação. A OMS justifica claramente o objetivo do formato “recomendação”: este se dá para ressalvar os diferentes estágios e desafios para o desenvolvimento em que se encontra grande parte da humanidade, onde condições adversas afetam principalmente os países mais pobres.

Diz a OMS: “Em muitos países em desenvolvimento, a consideração das emissões de poluentes no planejamento urbano, aquecimento, produção de energia e desenvolvimento dos transportes ainda não é uma prática comum. A ignorância dos efeitos da poluição na saúde ou sob apreciação de sua magnitude são grandes obstáculos na definição das ações e na mobilização de recursos locais e internacionais. Mesmo intervenções relativamente simples, como a melhoria dos fogões de cozinha ou o aquecimento com eletrodomésticos, podem reduzir radicalmente a exposição das pessoas à poluição, produzindo ganho a um custo mínimo”.

O Brasil não se enquadra no estágio de pauperidade que preocupa a OMS. Entre 194 países listados no mundo, o Brasil ocupa o 8º lugar entre as maiores economias, à frente da França e da Grã-Bretanha, em que pese ser o 64º lugar no ranking do PIB per capita, devido à sua má distribuição de renda, o que ainda precisa ser equacionado. Está entre os G20, os países mais ricos do planeta. Apesar da crise econômica atual, as perspectivas internacionais são otimistas, em médio prazo, para o crescimento econômico do Brasil – e apontam sua ascensão para o 7º lugar em 2027, e 6º lugar em 2032.

O Brasil também possui uma Constituição Federal democrática e ambientalmente robusta. Conta com uma das legislações ambientais das mais avançadas do mundo, e já está muito distante da situação de precariedade institucional de países com baixo índice de desenvolvimento, onde o controle da poluição não esteja previsto e não é, portanto, uma prática comum.

Além disso, também não há no País a ignorância sobre os efeitos da poluição sobre a saúde. Basta verificar as notícias e informações veiculadas pelos meios de comunicação há décadas. O Brasil conta ainda com ampla institucionalização na área de saúde pública (SUS) e com um Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), que abrange as instâncias federal, estadual e municipal. Ressalte-se ainda os milhares de conselhos de saúde e meio ambiente existentes, decorrentes da instituição da participação social nos processos decisórios.

Mas apesar disso, segundo dados atuais da OMS, o Brasil contabiliza 51 mil mortes por ano em decorrência da poluição do ar, o que exige medidas urgentes, com a implementação de políticas públicas para proteger a população. O primeiro passo é o estabelecimento de valores indicadores para a qualidade do ar, e que sejam seguros.

A melhor referência médico-científica internacional são, sem sombra de dúvida, os valores preconizados pela OMS, publicados em 2005, resultantes de uma ampla pesquisa científica desenvolvida por cientistas e pesquisadores em mais de 100 países. O Brasil adota ainda os valores da OMS de 1990, que foram institucionalizados por meio da resolução Conama 03/90, cuja revisão tem sido objeto de pedidos insistentes por parte do Proam, já que abarca um referencial desatualizado para a proteção da saúde.

Um dos poluentes mais agressivos apontados pela OMS é o material particulado (MP), cujos efeitos adversos atingem principalmente crianças, idosos e as populações economicamente desfavorecidas. O MP decorre principalmente da queima do diesel em veículos pesados, especialmente caminhões e ônibus.

Países muito pobres e pouco desenvolvidos, especialmente na Ásia e na África, utilizam a queima de combustíveis fósseis e de madeira até dentro das residências, e encontrariam dificuldades para atingir os padrões da OMS. Mas nenhuma das condições estruturais apontadas pela OMS como impeditivas da adoção imediata de bons padrões de qualidade do ar se aplica ao Brasil, cuja realidade socioeconômica, institucional e cultural é indubitavelmente melhor que a dos países em estado de pobreza.

Além disso, não temos dificuldades climáticas rigorosas que impliquem aquecimento a carvão, madeira ou diesel no inverno – e contamos com uma preponderante matriz hidrelétrica, além de imensa possibilidade para as matrizes solares e eólica. E temos cozinhas movidas a gás (dos males fósseis, o menor).

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Artigo de Carlos Bocuhy – Presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam) e membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama)

Fonte: Página 22

Poluição do ar já provocou 3,2 milhões de novos casos de diabetes, segundo estudo

Elo entre a doença e a falta de ar puro já tinha sido desenvolvido por pesquisas anteriores

Um em cada sete novos casos de diabetes é causado pela poluição do ar, de acordo com um estudo da revista Lancet Planetary Health publicado neste sábado (30). O elo entre a doença e a falta de ar puro já tinha sido desenvolvido por pesquisas anteriores.

“A poluição contribuiu ao desenvolvimento de 3,2 milhões de novos casos de diabetes no mundo em 2016, o que representa cerca de 14%”, afirmaram os autores do estudo da faculdade de medicina de Washington em Saint-Louis, nos Estados Unidos.

“Acreditamos que a poluição reduz a produção de insulina e provoca inflamações, impedindo o corpo de transformar a glicose do sangue em energia”, acrescentaram. A estimativa de 14% é baseada em dados médicos de 1,7 milhão de ex-combatentes americanos, acompanhados por oito anos e meio e escolhidos por não terem diabetes no começo da pesquisa.

Os pesquisadores estabeleceram um modelo estatístico para ver em que medida a poluição do ar poderia explicar a aparição da doença, levando em conta fatores que favorecem a diabetes, como a obesidade.

Níveis de poluição do ar ainda são muito altos

“Nossa pesquisa demonstra um elo significativo entre poluição do ar e diabetes no mundo”, afirmou num comunicado o professor de medicina Ziyad Al-Aly. “É importante ressaltar esse fato porque muitos lobbies econômicos afirmam que os limites de poluentes na atmosfera são muito baixos. Mas temos provas de que os níveis atuais ainda devem ser reduzidos.”

Países que não respeitam os limites impostos, como a India, o Afeganistão e a Guiana apresentam maior taxa de diabetes decorrente da poluição do ar. No lado oposto, há menos casos desse tipo da doença em nações mais ricas como a França, a Finlândia e a Islândia.

Fonte: RFI

Poluição pode aumentar a pressão sanguínea dos bebês

A poluição das grandes cidades pode trazer diversos danos para a saúde de seu futuro filho

A poluição dos centros urbanos traz inúmeras desvantagens para a saúde humana. Estar com os pulmões sobrecarregados e ter frequentes infecções nas vias respiratórias são apenas alguns dos males que o ar poluído causa. E mulheres que estão grávidas podem ser as mais afetadas com este problema.

Segundo um estudo publicado pelo periódico Hypertension, bebês expostos a partículas de ar poluído durante a gravidez têm chances 61% maiores de terem pressão sanguínea alta do que bebês que respiraram ar de melhor qualidade durante a gestação.

O autor do estudo, Noel Mueller, professor na Universidade John Hopkins em Baltimore, ressaltou que o estudo não prova que a poluição causa pressão alta, porém, os dois estão associados.

Será que estou correndo riscos?

A queima de combustíveis, óleos e madeiras, por exemplo, podem criar mini-partículas, que medem aproximadamente 2.5 micrômetros ou até menos. Quando essas partículas invisíveis ao olho nú são inaladas, elas entram no sistema circulatório e geram problemas de saúde.

Estas partículas são chamadas de PM2.5, e recentes estudos a relacionaram com alta pressão sanguínea em crianças e adultos, além de causar a morte prematura.

“Nós precisamos de leis que mantenham o ar com maior qualidade. Isto irá contribuir não apenas para a saúde do planeta, mas também para a de nossas crianças”, afirma Mueller em entrevista ao periódico.

Como o estudo foi feito

Para o estudo, Mueller e sua equipe coletaram dados de aproximadamente 1,300 pares de mães e filhos. A pressão sanguínea das crianças foi medida no momento em que eles estavam entre três e nove anos de idade.

A pressão arterial sistólica também foi levada em consideração, e quando chegava aos 10%, era considerada elevada. Depois de analisar os dados físicos dos participantes, os pesquisadores foram até o endereço deles, para medir os níveis de poluição do local em que moravam.

A exposição à altos níveis de partículas poluentes no terceiro trimestre da gestação foi associada a uma elevação nos níveis de pressão sanguínea. Os estudiosos afirmaram que também levaram em consideração outros fatores capazes de elevar a pressão sanguínea das crianças, como: Peso de nascença e se a mãe era fumante.

Como se prevenir

Como os sintomas para a pressão alta não são tão claros na infância, o melhor é realizar diagnósticos e tratamentos prévios. De acordo com a Associação Americana do Coração, mudanças no estilo de vida, como uma dieta saudável, sem a presença de alimentos muito gordurosos também podem ajudar.

A regulação do peso, a prática de exercícios físicos e o uso de medicação também pode ser benéfica.

Fonte: Coluna Minha Vida – Terra

Milão, na Itália, quer proibir circulação de carros a diesel a partir de 2019

O projeto contra o diesel em Milão prevê que toda a cidade se torne uma “zona de baixa emissão” de poluentes

O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, anunciou que pretende proibir a circulação na cidade de carros a diesel mais poluentes a partir do dia 21 de janeiro de 2019. O projeto contra o diesel em Milão prevê que toda a cidade se torne uma “zona de baixa emissão” (Lez). A proibição deverá seguir a escala do padrão europeu de emissões, norma que disciplina a poluição de veículos da União Europeia (UE), que vai de 0 a 6.

De acordo com Sala, de segunda a sexta-feira, a circulação de veículos a diesel zero a três será proibida. Em outubro de 2019, o plano é estender a proibição para o nível quatro e, em seguida, haverá um plano para o diesel cinco.

O monitoramento será feito com centenas de câmeras que vão ser instaladas nos acessos para Milão. Além disso, sinalizações serão colocadas no trajeto com todas as proibições.

“Vamos começar agora porque será um processo de quatro anos que os cidadãos terão que se acostumar. Nossa filosofia não é feita de proibições, mas é um acompanhamento”, disse Sala.

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Fonte: Época Negócios

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