Países emergentes devem sofrer mais com os impactos das mudanças climáticas

 Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês), acredita que países emergentes, como o Brasil, e demais nações devam investir em eficiência energética para evitar um desastre ainda maior

Os impactos causados pelas emissões de gases de efeito estufa no setor energético são cada vez mais evidentes e apontam para uma crise ambiental em escala planetária sem precedentes. Contudo, estima-se que o provável esgotamento das reservas mundiais de combustíveis fósseis permita que as energias renováveis ​​ganhem cada vez mais espaço no cenário mundial.

Diante disso, autoridades do mundo todo se reuniram na Alemanha, na 4ª edição do Berlin Energy Transition Dialogue, de 17 a 18/04, para debater as medidas necessárias para evitar os impactos mais severos das mudanças climáticas e atender as metas do Acordo Climático de Paris.

A solução é o real comprometimento das nações em investimento em tecnologias de baixo carbono, energias renováveis e eficiência energética. Em entrevista exclusiva ao Último Instante, o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês), Fatih Birol, falou do Brasil no cenário internacional de energias renováveis, da responsabilidade em ajudar a limitar a elevação da temperatura global e quais são os desafios que o mundo tem pela frente nessa jornada.

“O Brasil tem sido líder na produção biocombustíveis e isso inspira muitos países em diferentes partes do mundo como na Ásia ou na África”, ressaltou Birol.

Nomeado pela revista Forbes como uma das pessoas mais influentes na cena de energia do mundo e reconhecido pelo Financial Times como personalidade energética do ano em 2017, o executivo acredita que a matriz energética mundial é a grande responsável pelos impactos mais severos das alterações no clima e os efeitos serão sentidos com mais intensidade nos mercados emergentes, como o Brasil.

“Além das mudanças climáticas, a energia é responsável pela poluição do ar em muitos lugares, especialmente em países emergentes”.

Neste contexto, a mudança para uma matriz energética mais limpa representa um dos grandes desafios mundiais deste século. Confira os principais trechos da entrevista:

Como o senhor avalia a política energética brasileira?

O Brasil fez história na busca por novas tecnologias que substituem fontes de energia antigas e isso gerou uma grande mudança de paradigma. O país, que há muitos anos era um grande importador de petróleo, está se tornando um grande exportador. Isso aconteceu de duas maneiras diferentes. Número um: a produção de petróleo do Brasil em offshore [localizada em alto mar] aumentou. E dois, porque o Brasil utiliza muitas fontes renováveis, como biocombustíveis, hidrelétricas, entre outras, para reduzir o consumo interno de petróleo.

O Brasil é referência em energias renováveis. É líder em hidroeletricidade, mas desperdiça o favorável potencial solar disponível. Como solucionar isso?

Todos os países precisam ter um mix de energias renováveis. O Brasil é referência em hidrelétricas, biocombustíveis, mas o incremento de tecnologias como eólica e solar farão um perfeito sentido econômico no contexto energético brasileiro.

As mudanças climáticas já são sentidas em todo o mundo. Onde isso será mais evidente?

Além das mudanças climáticas, a energia é responsável pela poluição do ar em muitos lugares, especialmente em países emergentes. Esta é uma razão para milhões de mortes em países em desenvolvimento. Sabemos que hoje bilhões de pessoas não têm acesso à eletricidade em diferentes partes do mundo, especialmente na África e partes da Ásia.

E as economias emergentes estão fazendo o seu papel para evitar os efeitos mais trágicos das mudanças climáticas?

O Brasil tem sido o líder na produção/consumo de biocombustíveis e isso inspira muitos países em diferentes partes do mundo como na Ásia ou na África. Estamos muito felizes em ter o Brasil como membro da Agência Internacional de Energia (IEA) e trabalhamos em estreita colaboração com o governo. Estou impressionado com o que a China está fazendo em renováveis. O crescimento da capacidade de energia renovável na China nos próximos 20 anos deve ser maior do que na Europa, nos EUA e no Japão juntos.

Mas o uso de energias renováveis vem crescendo de maneira significativa a fim de frear as mudanças climáticas?

Felizmente as demandas globais de energia no ano passado aumentaram duas vezes mais do que no ano anterior. Isso foi impulsionado por um crescimento econômico global muito bom. Vemos também que, dois campos floresceram: energias renováveis, solar e eólica, mas ao mesmo tempo o consumo de gás natural também cresceu. O gás natural teve ano de ouro nos últimos dez anos, principalmente como resultado do uso crescente na Ásia. Por outro lado, o uso de carvão, após dois anos de declínio, começou a aumentar em 2017, principalmente no setor de energia. Olhando para este cenário, temos uma vitória e um desafio. Quando olhamos para a imagem da energia hoje, vemos, por um lado, um grande crescimento econômico, interconexão e eletrificação em todo o mundo, mas ao mesmo tempo dois terços das emissões que causam as mudanças climáticas.

O mundo está preparado para a transição de uma matriz energética descentralizada e mais limpa?

Acreditamos que a transição de energia limpa precisa contar com energias renováveis, ​​de eficiência energética e outras tecnologias limpas. As tecnologias e políticas de eficiência energética reduzem as emissões de CO2, reduzem a poluição do ar, trazem benefícios econômicos e segurança energética. Para atingir nossas metas climáticas, precisamos gerar trilhões de dólares em investimentos em eficiência energética. Carros, edifícios, motores nas indústrias, tudo girando de forma eficiente e assim por diante. Esse processo exige dinheiro adicional em relação às instalações convencionais. Se você colocar um dólar a mais para tornar o consumo de energia mais eficiente, você recebe de volta três dólares ao longo da vida útil deste carro, deste prédio, desta lâmpada.

Por que isso não funciona?

Pelo seguinte motivo: você põe um dólar hoje e obtém três dólares em vários anos. Cinco anos, seis anos. Esse é exatamente o papel dos governos. Hoje, por exemplo, dois de cada três prédios construídos no mundo não têm critérios de construção, estão sendo construídos agora e esses prédios estarão conosco por várias décadas.

E o que fazer diante disso?

Utilizar todos os meios, todas as tecnologias que possam nos ajudar a alcançar os objetivos climáticos. Em termos de emissões de dióxido de carbono, ano a ano as emissões globais de CO2 aumentaram, exceto em 2009, quando tivemos a crise financeira. Somente políticas de eficiência podem estabilizar nossas emissões de CO2. Apenas eficiência, esqueça todas as outras coisas.

Fonte: Último Instante

Para se tornar líder climático, país deve se comprometer a zerar emissões

As leis climáticas criadas pelo Reino Unido trilharam um caminho que está servindo de exemplo para outras nações. Os países mais progressistas se comprometeram a zerar suas emissões e o Reino Unido deve recuperar o seu papel de liderança no clima, sentenciou o vice-primeiro-ministro da Suécia.

O que significa, afinal, para uma nação ser um “líder climático” em 2018? Primeiro pré-requisito: ter um plano firme para cumprir a sua parte no acordo climático de Paris. Em dezembro de 2015, governos de 195 governos comprometeram-se voluntariamente não apenas a manter o aquecimento global abaixo dos 2°C, como buscar o nível mais seguro de 1,5°C. Além disso, assumiram o compromisso de reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa a zero.

Nesse sentido, não posso deixar de sentir orgulho de que o meu governo foi o primeiro no mundo ocidental a acelerar e a cumprir o acordo climático de Paris. Em junho do ano passado, adotamos a meta de cortar as emissões líquidas de gases do efeito estufa da Suécia para zero até 2045, e estabelecemos o compromisso em lei.

No prazo de uma geração, no entanto, a Suécia terá feito muito pelo clima do planeta. É preciso mais. Mas a ciência nos garante que, se todas as nações adotarem essa meta, há uma boa chance de cumprirmos os compromissos que assumimos na cúpula de Paris e mantermos as mudanças climáticas dentro de limites seguros.

A lei da Suécia não define apenas uma meta de emissões e uma data. Todos os anos, o governo deve apresentar um relatório de progresso ao parlamento, e a cada quatro anos ele deve fazer um novo conjunto de políticas que proporcionem reduções de emissões cada vez maiores. Dessa forma, garantiremos um progresso constante em direção ao nosso objetivo.

Pelo conteúdo da nossa lei, temos com o Reino Unido uma dívida de gratidão. Dez anos atrás, o Reino Unido trouxe a primeira lei do mundo com uma meta obrigatória de redução das emissões de gases de efeito estufa. A Suécia tomou emprestado e fez a sua, assim como a Dinamarca e a Finlândia.

As leis climáticas oferecem algo que, em uma democracia saudável, é inestimável para empresas e cidadãos: a certeza. Nossas empresas sabem que os combustíveis fósseis serão virtualmente eliminados nos próximos 25 anos; o carvão já foi, e o petróleo e o gás seguirão o mesmo caminho. A certeza ajuda os cidadãos, as empresas, os investidores e o próprio governo a tomar as melhores decisões para o futuro e para os seus interesses. Apenas como exemplo, é sensato construir todas as novas casas com soluções de energia sustentáveis, eliminando assim a necessidade de adaptação em uma década.

Vários outros países também elevaram as metas líquidas de corte de emissões até 2040 ou 2050, o que inclui a França, a Islândia e a Nova Zelândia. Também algumas nações em desenvolvimento, como a Costa Rica e o Butão. Impulsionada por uma aliança progressista, incluindo a Suécia e o Reino Unido, a União Europeia caminha no mesmo sentido. Já o parlamento da UE votou favoravelmente pelo compromisso de emissões zeradas, e a comissão já atualiza seu roteiro de energia e clima em consonância com o acordo de Paris – um processo que inevitavelmente recomendará o objetivo de zerar as emissões líquidas no bloco até 2050.

Outras nações, inevitavelmente, seguirão o mesmo percurso até o final deste ano. Em outubro, o Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças Climáticas (IPCC) publicará um relatório histórico que deve confirmar que o mundo precisará de emissões líquidas zeradas em meados do século para cumprir o acordo de Paris. Assim, espera-se naturalmente que os países onde as finanças e a tecnologia moderna estão mais disponíveis se lancem como líderes para alcançar o objetivo. Por ser um órgão intergovernamental, será claramente insustentável para qualquer governo ocidental se tornar um líder climático sem se comprometer em zerar as emissões conforme recomenda o IPCC.

Atender a meta de ‘emissão zero’ não será uma tarefa fácil em todos os setores da economia. Sabemos como fazer isso com a eletricidade e o transporte rodoviário; mas ainda faltam alternativas para a agricultura e a aviação. Nesse ponto, devemos apostar na inovação, cuja velocidade continua a nos surpreender. Podemos, portanto, acelerar as mudanças nesses setores com instrumentos financeiros específicos, como o imposto sobre a aviação que a Suécia apresentou este mês.

Certamente não é aceitável que qualquer governo ou consultor estatutário diga que zerar as emissões é algo impossível. Não só é possível como tem de ser feito – afinal, enquanto continuarmos emitindo dióxido de carbono, as temperaturas continuarão a subir no planeta. Negar a capacidade de zerar as emissões significar desistir da missão de evitar as mudanças climáticas mais perigosas e aceitar que não iremos conter o aumento do nível do mar, a falta de suprimentos alimentares, a extinção de espécies e um oceano acidificante. Definitivamente não é o mundo que eu desejo presentear meus filhos e netos; nem, acredito, qualquer líder responsável.

Dez anos atrás, o Reino Unido se destacou perante muitas outras nações, incluindo a minha, ao adotar a Lei de Mudanças Climáticas. A ciência e a diplomacia seguem em frente; e, enquanto o IPCC e o acordo de Paris estão nos dizendo para zerar as emissões de gases de efeito estufa até meados do século, cabe a todos nós incorporar a missão em nossos programas nacionais. É a tarefa mínima para a nação que deseja ser chamada de líder climático em 2018.

Isabella Lövin é vice-primeira-ministra da Suécia e ministra do desenvolvimento internacional, cooperação e clima

Fonte: Observatório do Clima

Peru promulga lei para enfrentar mudanças climáticas

O Peru promulgou, nesta quarta-feira(18), uma lei para enfrentar as mudanças climáticas em seu território, afetado nos últimos anos pelo derretimento de geleiras andinas.

“A lei marco sobre Mudanças Climáticas tem por objeto estabelecer os princípios, enfoques e disposições gerais para (…) as medidas de adaptação e mitigação das mudanças climáticas, a fim de reduzir a vulnerabilidade do país”, revela o Diário Oficial.

Um total de 42% da superfície das geleiras andinas do Peru desapareceram desde a década de 1970 como consequência do aquecimento global, segundo dados oficiais.

A lei dispõe aproveitar “as oportunidades do crescimento baixo em carbono e cumprir os compromissos internacionais assumidos pelo Estado na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, com enfoque intergeracional”.

“O Peru assume um firme compromisso climático e se soma ao esforço de outros países”, disse o presidente, Martín Vizcarra, na terça-feira, ao assinar a lei, aprovada pelo Congresso em 15 de março.

O Peru se torna o primeiro país da América do Sul a contar com uma lei expressa após o Acordo de Paris sobre o clima, alcançado em 2015.

Com a aprovação da lei, todos os níveis do governo deverão considerar em suas ações e planejamentos o enfoque das mudanças climáticas.

O Ministério do Meio Ambiente será o encarregado de supervisionar o cumprimento desta norma, reportando, monitorando e prestando contas sobre o nível de redução das emissões de gases de efeito estufa.

Fonte: AFP

Eventos climáticos extremos geraram gastos de US$ 320 bilhões em 2017, diz ONU

O ano de 2017 foi o mais dispendioso por causa de eventos climáticos extremos, segundo um relatório da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), divulgado hoje (22), na véspera do 23 de março, Dia Mundial da Meteorologia. A informação é da ONU News.

Entre os vários fenômenos adversos, destacaram-se a grave temporada de furacões no Atlântico Norte, cheias extremas no subcontinente indiano e a continuação da seca na África Ocidental. Segundo o estudo, os prejuízos causados são estimados em cerca de US$ 320 bilhões.

O relatório da agência especializada das Nações Unidas para a Meteorologia sublinha o impacto que estes eventos tiveram no desenvolvimento econômico, segurança alimentar, saúde e migração internacional. O secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, disse que “2018 começou da mesma forma que 2017 terminou – com um clima extremo a roubar vidas e destruir formas de subsistência”.

Os eventos climáticos já provocaram o deslocamento de cerca de 23,5 milhões de pessoas. O risco de contrair doenças relacionadas com temperaturas altas aumentou de forma constante desde os anos 80. Hoje, 30% a população vive em locais com temperaturas potencialmente mortais durante, pelo menos, 20 dias do ano.

Segundo o relatório da OMM, os impactos do clima afetam nações vulneráveis de forma mais forte. Os autores garantem, por exemplo, que “a época de furacões erradicou décadas de ganhos de desenvolvimento nas ilhas do Caribe. ”

Aquecimento crescente

Numa declaração, o chefe da OMM citou o aumento dos níveis de dióxido de carbono na Terra e disse que “estes níveis devem manter-se nas próximas gerações, condenando o nosso planeta a um futuro mais quente, com mais extremos meteorológicos, climáticos e de água. ”

O documento confirma que 2017 foi o terceiro ano mais quente desde que há registros. Se não for tida em conta a influência do El Niño, foi o ano mais quente. Os nove anos com calor mais intenso de que há registro aconteceram todos depois de 2005. Os cinco anos mais quentes aconteceram todos depois de 2010.

A temperatura dos oceanos baixou em relação aos dois anos anteriores, mas 2017 ainda foi o terceiro ano mais quente que se tem notícia. O estudo diz que “a magnitude de todos os componentes que provocam a subida do nível dos mares aumentou nos últimos anos”. E a extensão do gelo, tanto no Ártico como na Antártida, foi a menor já medida.

Preparação

Este ano, a agência especializada da ONU sublinha a necessidade de fazer um planeamento informando previamente sobre acidentes, como cheias, assim como para a variação normal do clima e as mudanças de longo prazo. O secretário-geral da OMM disse que este tema é importante porque “as mudanças climáticas de longo prazo estão a aumentar a intensidade e a frequência dos eventos climáticos extremos.”

Fonte: EBC Notícias

 

MMA lança portal sobre mudança do clima

Iniciativa atende à demanda da sociedade por um canal com informações do governo e das organizações não governamentais sobre o tema.

Brasília (16/03/18) – Na última sexta-feira, Dia Nacional de Conscientização sobre a Mudança do Clima, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) lançou o portal Educaclima. A plataforma reúne conteúdos como, por exemplo, o que cada cidadão pode fazer para combatê-la; compromissos do governo; legislação; ações de educação; publicações; gráficos; sites de referência; filmes e vídeos; cursos; negociações internacionais; além das notícias sobre o tema.

“É por meio de canais como esse que queremos incentivar o maior engajamento para enfrentar a mudança do clima e se adaptar aos seus efeitos. Esse desafio global é uma grande oportunidade para adotarmos padrões mais sustentáveis de desenvolvimento, em uma economia de baixo carbono”, defende o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho. “Assim, é possível conciliar crescimento econômico com a conservação e a valorização do nosso meio ambiente”, explica.

Em linhas gerais, a mudança do clima está associada ao aumento da emissão de gases de efeito estufa por queima de combustíveis fósseis, queimadas, desmatamento, decomposição de lixo, entre outras ações do homem. Um grande esforço global vem sendo encampado pelas nações para reduzir essas emissões no planeta. Todos os anos, mais de 190 países reúnem-se na Conferência das Partes (COP) para negociar protocolos internacionais e acompanhar o andamento de pactos firmados anteriormente.

O PORTAL

O desenvolvimento do Educaclima atende às diretrizes da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) em relação à promoção da disseminação de informações, educação, capacitação e conscientização pública do tema. Essas orientações também estão presentes na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) e no Acordo de Paris. também dialoga com o texto da Agenda 2030 / Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), assinado pelo Brasil na 70ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.

EducaClima divulga conteúdos de órgãos governamentais e de instituições da sociedade civil. O lançamento ocorre após um ano e meio de desenvolvimento: em outubro de 2016, grupos de juventude da sociedade civil solicitaram ao governo brasileiro a criação de um relatório com a listagem das ações de educação realizadas para a mudança do clima. O portal é uma resposta a esta demanda e tem por intuito facilitar o acesso e garantir atualização permanente.

Acesse o Portal Educaclima

Fonte: Ascom MMA, com informações da Coordenação de Transparência de Ações em Mudança do Clima.

Mudanças climáticas podem acabar com hidrelétricas?

Devido a fortes secas, usinas mundo afora estão ficando sem água. Ao mesmo tempo, países como o Brasil planejam construir mais represas, sendo duramente criticados por ambientalistas.

Há mais de um século a água é usada mundo afora para gerar eletricidade. A energia hidrelétrica é hoje responsável por cerca de 70% da produção renovável de eletricidade e por mais de 15% do total de energia elétrica gerada no mundo. Ela é relativamente barata e, ao contrário da energia solar e eólica, pode produzir eletricidade sob demanda.

Ao mesmo tempo, a construção de represas para a produção energética remodelou sistemas ecológicos, inundou paisagens e forçou milhões de pessoas a abandonar suas casas. E agora a energia hidrelétrica enfrenta um problema adicional: devido às mudanças climáticas, alguns países estão vivenciando fortes secas, e os reservatórios de água estão secando.

“Não podemos evitar o fato de que as mudanças climáticas estão tendo um impacto significativo na geração de energia hidrelétrica e aumentando o desafio de gerir as usinas”, disse à DW Clemente Prieto, do Comitê Espanhol de Grandes Represas.

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Fonte: Deutsche Welle

Rumo do programa de biocombustíveis dos EUA segue indefinido

A reunião do presidente Donald Trump – Foto -com senadores e secretários para debater possíveis mudanças no Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS), já há 13 anos em vigor, não chegou a nenhuma conclusão, segundo agências internacionais. A situação deve prolongar as incertezas dos produtores de biocombustíveis e das refinarias, que têm travado uma dura queda de braço em torno do programa nas últimas semanas.

Trump reuniu-se com os senadores Chuck Grassley e Joni Ernst, de Iowa, Ted Cruz, do Texas, e Pat Toomey, da Pennsylvania. Após a reunião, Grassley publicou em sua conta no Twitter: “Mesma discussão de novo. Sem acordo feito”.

A reunião foi convocada na semana passada, em meio à escalada da pressão das refinarias contra o RFS. O lobby ganhou mais corpo depois que a refinaria Philadelphia Energy Solutions (PES) pediu falência à Justiça americana culpando os altos custos para a operação decorrentes do cumprimento do programa.

A falta de um acordo no encontro desta terça-feira reduziu o pânico no mercado de créditos de biocombustíveis, os RINs, que subiram hoje após uma semana em franca queda.

Após atingirem ontem o menor patamar desde maio do ano passado, os RINs para os biocombustíveis convencionais (como o etanol de milho) fecharam hoje a 61,5 centavos de dólar por papel, ante 58 centavos ontem, de acordo com a Argus Media. Por sua vez, os RINs para os biocombustíveis avançados (como o etanol de cana brasileiro) subiram para 82,5 centavos de dólar o papel, ante 80,5 centavos de dólar o papel ontem.

Os RIN vinham registrando forte queda desde o dia 20, quando surgiram notícias sobre a reunião de hoje. De lá até ontem, o RIN para os biocombustíveis convencionais acumulou desvalorização de 15%, enquanto o RIN para os biocombustíveis avançados caiu 8,8% no período. Mesmo com as altas de hoje, os movimentos não foram suficientes para recuperar as perdas da última semana.

“Os preços dos RINs firmaram-se nesta terça-feira em meio a notícias de que não houve acordo alcançado entre o governo Trump e senadores chave no encontro desta manhã que discutiu potenciais reformas no RFS”, avaliou a Argus Media, em comentário.

Segundo a agência Bloomberg, a Casa Branca pretende agora se encontrar na quinta-feira com representantes das indústrias do etanol e do petróleo.

Nesta semana, entraram na briga os agricultores americanos, que dependem das usinas de biocombustíveis para vender parte de suas safras. Em carta, representantes dos produtores de soja, milho, trigo e sorgo e outras associações rurais pediram a Trump que não altere o programa de forma a “prejudicar o propósito e a intenção do RFS”. “Qualquer ação que pretenda enfraquecer o RFS para beneficiar um punhado de refinarias vai, por extensão, recair sobre os ombros dos nossos agricultores”, afirmaram as entidades.

O impacto de uma mudança no programa sobre as exportações e as importações brasileiras ainda é incerta.  Tarcilo Rodrigues, diretor da trading Bioagência, afirma que o Brasil hoje é pouco dependente dos Estados Unidos para exportar etanol, já que a maior parte dos embarques é garantido pela política estadual de estímulo aos biocombustíveis da Califórnia, o CARB.

“Claro que o RFS se sobrepõe ao CARB. Um blender [misturador] da Califórnia deve cumprir com o mesmo mandato que um blender de Nova York. A diferença é que, quanto mais combustível avançado o blender da Califórnia comprar, menos imposto ele paga”, observou Rodrigues. Ele estima que a Califórnia responda hoje por 80% das exportações brasileiras de etanol aos Estados Unidos.

Rodrigues também não acredita que uma flexibilização nas regras americanas elevem a disponibilidade de etanol no mercado internacional a ponto de pressionar o produto para o mercado brasileiro. “Ainda que tenha [a possibilidade da] exportação, o Brasil tem imposto de importação, a China também tem imposto”, diz.

Fonte: BrasilAgro

OCDE diz que taxas de energia de países desenvolvidos não bastam para combater mudança climática

As taxas de energia cobradas nas grandes economias desenvolvidas não estão bastando para reduzir o consumo, melhorar a eficiência energética e impulsionar a adoção de fontes de baixa emissão de carbono, alertou a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) na última quarta-feira (14).

Impostos sobre o uso de energia e a produção de bens são usados por muitos governos para fazer os consumidores pagarem pelos custos da poluição, de forma a reduzir as danosas emissões de gases de efeito estufa que provocam o aquecimento global.

A OCDE examinou as taxas de uso de energia entre 2012 e 2015 em 42 economias da organização e do G20, que representam cerca de 80 por cento do consumo global de energia e das emissões de carbono resultantes.

O estudo não incluiu os preços do mercado de carbono, como no Sistema de Troca de Emissões da União Europeia, mas a OCDE disse que eles pouco alteram as descobertas do relatório.

Segundo a OCDE, quase todas as taxas são baixas demais para ajudar a combater a mudança climática quando comparadas com um nível referencial de 30 euros por tonelada de dióxido de carbono (CO2) — uma estimativa mínima conservadora do dano causado pela emissão de uma tonelada de CO2.

“Uma visão panorâmica das taxas efetivas de CO2 por tonelada em todos os países revela que mal se nota alguma mudança no índice de taxas sobre emissões fora do setor de transporte rodoviário”, disse o relatório.

“As taxas continuam a ser muito mal alinhadas aos custos ambientais e climáticos do uso de energia em todos os países”, acrescentou.

No setor de transporte rodoviário, 97 por cento das emissões são taxadas e os índices ficaram acima dos 50 euros por tonelada de CO2 em 47 por cento das emissões em 2015 — em 2012 foram de 37 por cento.

Em outros setores, que coletivamente representam 95 por cento das emissões de carbono provocadas pelo uso de energia, 81 por cento das emissões não foram taxadas e os índices ficaram abaixo dos 30 euros por tonelada de CO2 em 97 por cento das emissões.

Fonte: Reuters

Clima extremo aumentará mesmo que se cumpra acordo de Paris, diz estudo

O risco de condições climáticas extremas, como ondas de calor, inundações e secas, aumentará significativamente inclusive se os compromissos do acordo climático de Paris de 2015 forem cumpridos, alertou um estudo divulgado nesta quarta-feira (14).

O estudo publicado na revista Science Advances analisa a probabilidade de episódios de calor, períodos secos e excesso de chuvas nos próximos anos, fenômenos agravados pelo aquecimento global e pelo aumento do nível do mar.

As consequências nefastas das mudanças climáticas já estão se tornando evidentes. O ano de 2017 registrou um novo recorde, como o ano mais caro da história em termos de furacões, incêndios, inundações, secas e outros eventos extremos, com um custo total de 306 bilhões de dólares.

“Estes custos crescentes são um dos muitos sinais de que não estamos preparados para o clima atual, e muito menos para outro grau de aquecimento global”, disse o autor principal do estudo, Noah Diffenbaugh, pesquisador do Instituto de Meio Ambiente de Stanford Woods.

Está previsto que os compromissos individuais de mais de 190 países sob o acordo de Paris limitarão o aquecimento do planeta a entre 2 e 3 graus Celsius.

Mas é “provável” que esse nível de aquecimento “leve a aumentos substanciais e generalizados na probabilidade de eventos extremos sem precedentes na história”, disse o estudo dirigido por pesquisadores das universidades de Stanford, Columbia e Dartmouth College.

Com os compromissos atuais, as ondas de calor são mais de cinco vezes mais prováveis em metade da Europa e um quarto da Ásia.

As fortes chuvas são três vezes mais prováveis em mais de um terço da América do Norte, Europa e Ásia oriental. O acordo de Paris aspira a mudanças mais profundas, que reduziriam o aquecimento a 1,5 °C. Esse cenário limitaria mas não eliminaria o risco de condições climáticas extremas, segundo o relatório.

Diffenbaugh esclareceu que cumprir os objetivos “aspiracionais” faria a diferença.

“Ao mesmo tempo, inclusive se esses objetivos forem alcançados, ainda viveremos em um clima que tem uma probabilidade substancialmente maior de eventos sem precedentes que o que temos agora”, disse.

Fonte: AFP

O vaivém dos Estados Unidos com o Acordo de Paris

Catástrofes ambientais teimam em não respeitar os limites políticos dos países e tendem a afetar indiscriminadamente a todos

Com o objetivo de reduzir emissões de gases de efeito estufa e, consequentemente, diminuir a temperatura média global até algo próximo dos níveis pré-industriais, 195 países assinaram o Acordo de Paris durante a COP-21, conferência sobre mudança climática promovida pelas Nações Unidas em 2015. Para entrar em vigor, o acordo necessita da ratificação de pelo menos 55 países que, juntos, são responsáveis por 55% das emissões de poluentes atmosféricos.

Os Estados Unidos, do então presidente Barack Obama, assinaram o acordo e ratificaram-no em 2016. Entretanto, em junho de 2017, já sob o governo de Donald Trump, os americanos anunciaram a saída do acordo. Ressalte-se que, pelo teor do tratado, a retirada efetiva de um país só ocorrerá em novembro de 2020. Então, embora tenham anunciado a sua saída, os EUA ainda não saíram.

A questão central é que, à época de Obama, os americanos se comprometeram a reduzir entre 26% e 28% suas emissões de gases de efeito estufa até 2025, tendo como referência dados de 2005. Trump considerou o acordo excessivo para os Estados Unidos, reclamando das condições mais favoráveis dadas à China. Ao ratificar o acordo em 2016, os chineses concordaram em ampliar seus estoques florestais, diminuir a intensidade de carbono emitida e aumentar o uso de recursos energéticos não fósseis, atingindo o pico de emissões de gás carbônico até 2030.

Juntos, China e Estados Unidos respondem por cerca de 40% de todas as emissões de gases poluentes na atmosfera.

Recentemente, ao lado da premiê norueguesa, Erna Solberg, o presidente Trump deixou aberta a possibilidade de reintegrar o Acordo de Paris. Sua expressão, literal, foi “honestamente, não tenho qualquer problema com esse acordo em geral, mas tenho um problema com o acordo que foi assinado”, abrindo possibilidades sobre a volta dos Estados Unidos ao tratado.

A questão é mais complexa que um simples “sim” ou “não”. Igualar os países nessa dicotomia de um binário cria um grave problema de trabalhar com perspectivas diferentes: uma é pensar país por país; outra é pensar em termos de planeta Terra ou na Hipótese de Gaia, de James Lovelock!

Na primeira posição, coerente com o discurso de “América em primeiro lugar”, o acordo é prejudicial a setores fortes dos Estados Unidos, como as indústrias de gás, carvão e petróleo – grandes apoiadores de Trump. Além disso, o atual presidente americano tem dito que a China é o principal e desonesto adversário econômico norte-americano e as vantagens concedidas aos chineses são injustas, em detrimento das empresas e dos contribuintes americanos. Natural, portanto, exigir condições mais favoráveis à indústria norte-americana.

Na segunda posição, a questão muda ao pensar na Hipótese de Gaia, pois catástrofes ambientais teimam em não respeitar os limites políticos dos países e tendem a afetar indiscriminadamente a todos. É exatamente tendo por base esse preceito que, desde 1992, periodicamente, países têm construído arcabouços jurídicos voltados ao controle das emissões de poluentes. Dentre esses tratados estão o acordo adotado na Cúpula da Terra, no Rio de Janeiro (1992); o Protocolo de Kyoto, no Japão (1997); o plano de ação de Montreal, no Canadá (2005); o fundo verde para o clima criado em Durban, na África do Sul (2011); e o Acordo de Paris, na França (2015).

A disputa entre essas duas posições norteia o direito internacional ambiental. Em termos de direito, o respeito aos Estados soberanos é a base. Em termos de meio ambiente, a ideia de uma res communi iuris(coisa comum a todos) ganha uma perspectiva maior, na medida em que o planeta Terra se torne cada vez mais inóspito para a vida humana.

Artigo:Luís Alexandre Carta Winter, doutor pela USP, é professor de Direito Internacional na PUCPR. Colaborou com os dados Juliana Ferreira Montenegro, doutoranda pela PUCPR.

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