Embrapa lista os desafios da agricultura do país até 2030

Mudanças socioeconômicas e espaciais na agricultura; intensificação e sustentabilidade dos sistemas de produção; mudança do clima; riscos; agregação de valor nas cadeias produtivas; protagonismo dos consumidores; e convergência tecnológica e de conhecimentos.

Foi em torno desses sete eixos principais que a Embrapa preparou o documento “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”, lançado ontem em Brasília como parte das comemorações de seu 45º aniversário. Realizado ao longo de 18 meses, o trabalho foi costurado com a participação de cerca de 370 colaboradores da estatal e de instituições parceiras.

Considerada fundamental para o avanço do agronegócio brasileiro nas últimas décadas, sobretudo por ter ajudado a tornar viável e competitiva a produção de grãos no Cerrado, a Embrapa vive um período de transformações para tentar manter sua relevância em meio à crescente necessidade de capital para desenvolver suas pesquisas.

Daí porque o documento lançado ontem teve um significado especial para a empresa. Presidida pelo engenheiro agrônomo Maurício Antônio Lopes desde outubro de 2012, a Embrapa vive desde então um processo de mudança que inclui racionalização de gastos e ações capazes de ampliar as receitas – incluindo a criação de um braço privado, de capital fechado, para comercializar tecnologias e estabelecer parcerias com empresas privadas, cujo projeto se encontra parado no Congresso. A estatal prevê que 86% de seu orçamento de R$ 3,4 bilhões de 2018 será gasto com pessoal.

Para Lopes, a Embrapa precisa se reestruturar e se conectar cada vez mais rapidamente às mudanças globais. E esse processo envolve novas demandas como o desenvolvimento da indústria da gastronomia, transformações digitais, novos padrões de consumo de alimentos, aumento da produtividade em áreas já abertas e preocupação com o bem-estar animal.

“Se as instituições permanecerem com o mesmo modelo de operação de 15 anos atrás, não vão sobreviver. E as mudanças da Embrapa vêm no sentido de reinventar a empresa nessa linha”, disse Lopes ao Valor. “Esse é um movimento natural de uma instituição de ciência que está olhando para o futuro com a necessidade de seguir se reinventando”.

Para encarar esses desafios, o presidente da empresa pública defende novas parcerias “mais ágeis” com empresas e o setor produtivo. “Estamos buscando aproximação com muitos financiadores do Brasil e internacionais interessados em investir na produção de alimentos no país”, acrescentou.

No horizonte da estatal estão as projeções de aumento do consumo global de água (50%), energia (40%) e alimentos (35%) até 2030, derivadas das tendências de expansão da população, aumento da idade média, avanço da urbanização e incremento do poder aquisitivo, principalmente na Ásia, na África e na América Latina.

Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV), lembra que, segundo projeções da FAO, o braço das Nações Unidas para agricultura e alimentação, a produção global de alimentos deverá crescer 20% na próxima década, e que, para que isso se torne realidade, a oferta brasileira terá de aumentar 40%. “Ou seja, o protagonismo do país nessa terá de ser ainda maior do que já é”, afirmou o ex-ministro.

“Nesse contexto, a agricultura brasileira passa por profundas transformações econômicas, culturais, sociais, tecnológicas, ambientais e mercadológicas, que ocorrem em alta velocidade e em direções distintas, impactando de forma substancial o mundo rural”, afirma o estudo da Embrapa.

No que tange às mudanças socioambientais e espaciais na agricultura, o trabalho destaca, por exemplo, que a tendência é que a produção de grãos do país se concentre ainda mais no Cerrado, mas identifica forte potencial de expansão na região Norte, onde a logística de escoamento de commodities como soja e milho tem recebido investimentos bilionários.

Em tempos de queda de disponibilidade de mão de obra no campo, realça que a abertura de postos de trabalho com maior nível de qualificação continuará crescente, ao mesmo tempo que a pobreza continuará sendo uma mazela a ser combatida.

Diante da maior limitação de recursos naturais e das crescentes restrições ambientais, a Embrapa alerta que será necessário acelerar os esforços no sentido de intensificar a produção preservando a sustentabilidade das cadeias. Para isso, prevê a expansão de sistemas como integração lavoura-pecuária-floresta, agricultura orgânica, recuperação de pastagens degradadas e otimização de irrigação.

“A intensificação, viabilizando de dois a três cultivos por ano em um mesmo local, será incrementada ainda mais pela inovação tecnológica, gerando maiores benefícios sociais, econômicos e ambientais. A demanda crescente por energia impulsionará ainda mais a produção de agroenergia – biocombustíveis e biogás – e das energias eólica e solar no ambiente rural. Em substituição às fontes fósseis, essas energias renováveis estarão vinculadas à intensificação agrícola e deverão amplificar as oportunidades regionais de emprego e renda”.

Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira

Estudo coordenado pela Embrapa analisando tendências, sinais e desafios para a sustentabilidade da agricultura brasileira nos próximos anos. Acesse a íntegra do documento oficial no endereço abaixo:

https://www.embrapa.br/documents/10180/9543845/Vis%C3%A3o+2030+-+o+futuro+da+agricultura+brasileira/2a9a0f27-0ead-991a-8cbf-af8e89d62829

Olhares para 2030: desenvolvimento sustentável

Lideranças nacionais e internacionais apresentam expectativas e projeções para a agricultura e a alimentação frente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Acesse a íntegra do documento oficial no endereço abaixo:

https://www.embrapa.br/olhares-para-2030

Fonte: BrasilAgro com informações Embrapa

Lucro Social da Embrapa é de R$ 37,18 bilhões em 2017

Para cada real aplicado na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em 2017 foram devolvidos R$ 11,06 para a sociedade. Os dados são do Balanço Social 2017 da Empresa, que apontou um lucro social de R$ 37,18 bilhões, gerado a partir da adoção, pelo setor agropecuário, de 113 tecnologias e de cerca de 200 cultivares avaliadas na publicação.

“O lucro social, no caso da Embrapa, é derivado dos benefícios econômicos gerados em função dos lucros líquidos obtidos por aqueles que adotam as tecnologias disponibilizadas pela Empresa. Quando relacionamos esses benefícios econômicos com a receita operacional líquida anual, temos o que chamamos de retorno social ou lucro social”, explica Antonio Flavio Dias Avila, pesquisador e supervisor de Avaliação de Desempenho Institucional da Secretaria de Desenvolvimento Institucional (SDI) e líder dos estudos de avaliação de impacto na Embrapa. Se considerarmos o fluxo de benefícios econômicos e de custos das tecnologias que estão no Balanço Social a taxa interna de retorno média é de 36,2%.

Para chegar ao resultado de R$ 11,06 devolvidos à sociedade, o Balanço Social da Embrapa relaciona os Indicadores Laborais, Sociais e as Tecnologias Desenvolvidas e Transferidas à Sociedade que geraram benefícios de R$ 37,18 bilhões em 2017 com a Receita Operacional Líquida de R$ 3,36 bilhões, recursos que a Empresa obteve no ano a partir de receitas geradas com vendas e serviços e os subvenções para custeio, convênios e doações.

Destacam-se no conjunto de tecnologias e cultivares do Balanço Social de 2017 a contribuição da Empresa na tropicalização do trigo, com o desenvolvimento do cultivar BRS 404, específica para cultivo em sequeiro nos cerrados do Brasil. A cultivar de soja BRS 7380RR resistente aos principais nematoides de solos do País – vermes microscópicos que levam os agricultores a abandonarem áreas inteiras infestadas por eles – posiciona a Empresa na liderança numa área que havia sido dominada pela genética importada.

No âmbito da produção animal, uma parceria com a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) e a Olimpo Informática, permitiu a criação da Plataforma de Qualidade – Carne Bonificada, ferramenta que integra todos os elos da cadeia da qualidade da carne nacional e simplifica a adesão dos produtores aos diversos protocolos de raças e às exigências dos diferentes mercados importadores. Ao atender os requisitos estabelecidos nos Programas de Certificação de Raças Bovinas, os bois abatidos recebem selos de qualidade que proporcionam ao produtor o pagamento de uma bonificação.

Na agricultura familiar, o Balanço Social de 2017 destaca o desenvolvimento da BRS Zamir, cultivar que já ocupa 10% da área plantada com tomate-cereja, mais produtiva, tolerante ao principal fungo que ataca o tomateiro e com alto teor de licopeno.

Na busca pelo fortalecimento de ações e iniciativas para a popularização da ciência e tecnologias nacionais, o Balanço Social destaca a Base de Dados da Pesquisa Agropecuária (BDPA) e o Programa de Rádio Prosa Rural. A Embrapa disponibiliza sua produção técnico-científica em repositórios diretamente na internet. Só em 2017, o total de downloads dos conteúdos alcançou 24,5 milhões. Já o Programa Prosa Rural ganhou diversas versões na Web, inclusive um aplicativo para celular.

Um novo olhar sobre a sustentabilidade da agricultura brasileira

O maior destaque do Balanço Social de 2017 é a análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) pela Embrapa Territorial de cerca de 4 milhões de propriedades rurais. Foi constatado que um total de 176.806.937 hectares estava destinado à preservação e à manutenção da vegetação nativa. Isso equivale a 20,5% do território nacional, a contribuição da agricultura brasileira na preservação do meio ambiente.

O relatório também apresenta várias contribuições da Empresa ao desenvolvimento agrícola do Brasil, como os dez anos da Rede de Nanotecnologia Aplicada ao Agronegócio (Rede AgroNano), e para a redução das emissões de gases de efeito estufa e o cumprimento pelo País dos compromissos da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (ONU-COP15) com as tecnologias de fixação biológica de nitrogênio (FBN) na cultura da soja e os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Estima-se que essas duas tecnologias juntas contribuíram para a redução das emissões de carbono na safra 2016/2017 na ordem de 65 milhões de toneladas de carbono.

A função social da pesquisa pública

Para o pesquisador Antonio Flavio Dias Avila, os dados do Balanço Social demonstram o impacto da contribuição da Embrapa e da pesquisa pública para atender às prioridades nacionais e apoiar a implementação de políticas públicas. “A Embrapa possui um custo para a sociedade, na medida em que gera basicamente bens públicos, produtos que, na sua maioria, não são vendidos, o que impacta negativamente em seus resultados, se analisarmos pela ótica estritamente financeira e contábil”, afirma.

Por isso, esses resultados presentes no Balanço Social vão além das três centenas de tecnologias e cultivares monitoradas ao longo desses 21 anos, cujos impactos foram avaliados neste Balanço Social. Os bens públicos produzidos pelos centros de pesquisa da Embrapa não se restringem aos impactos positivos na geração de renda no meio rural. Esses centros contribuem, sobretudo, para o aumento da oferta e qualidade dos alimentos, que chegam à mesa dos consumidores brasileiros nas áreas urbanas, contribuindo para a redução dos preços da cesta básica.

E a esses impactos ainda possível agregar outros benefícios à economia brasileira, como a geração de saldo na balança comercial, o aumento na arrecadação de impostos e aos empregos adicionais gerados ao longo das cadeias produtivas envolvidas na sua agenda de pesquisa.

Modelo Embrapa de Balanço Social

O modelo de Balanço Social da Empresa é baseado na metodologia definida pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e um grupo de empresas estatais, entre elas a Embrapa, e já está sendo adotado pelas organizações estaduais de pesquisa agropecuária de quatro estados brasileiros, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Espírito Santo e obteve reconhecimento internacional por parte da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e de diversos países vizinhos.

A Corpoica, a Embrapa da Colômbia, acaba de publicar seu primeiro Balanço Social na comemoração dos seus 25 anos completados agora em março 2018. Da mesma forma, as organizações de pesquisa agropecuária da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai estão sendo capacitados por técnicos da SDI Embrapa para também publicarem suas versões de Balanços Sociais.

Para saber mais sobre o Balanço Social da Embrapa acesse – http://bs.sede.embrapa.br/2017/

Fonte: Embrapa

Embrapa completa 45 anos e investe em mudanças para enfrentar novos desafios

Uma conquista da ciência brasileira, liderada pela Embrapa, universidades e iniciativa privada, permitiu ao País  desenvolver um bioinsumo formulado com bactérias que fixam o nitrogênio do ar e que hoje alcança 33,9 milhões de hectares de soja. Essa inovação permitiu aos agricultores e o país economizarem R$ 42,3 bilhões – cerca de 14 vezes o orçamento anual da Empresa – apenas na última safra, sem precisar gastar com fertilizante nitrogenado. Este é apenas um exemplo do resultado da ciência aplicada à agricultura brasileira.

Exemplos como esse tornaram o País um dos maiores produtores mundiais de alimentos e consolidaram uma revolução na agricultura da faixa tropical do planeta. O quadro é bem diferente de quatro décadas atrás, quando o Brasil era conhecido por produzir açúcar e café, mas importava praticamente todo o resto, e até alimentos básicos como arroz, leite ou feijão.

Prestes a completar 45 anos no próximo dia 26 de abril, a Embrapa anunciará os resultados do seu novo Balanço Social, elaborado a partir da avaliação do impacto de 113 tecnologias e de cerca de 200 cultivares adotadas e disponibilizadas em 2017. O estudo, cujos detalhes serão anunciados em uma solenidade hoje (24), em Brasília-DF, mostrará um lucro social de R$ 37,18 bilhões no ano passado e que para cada real aplicado na Empresa foram devolvidos R$ 11,06 para a sociedade.

 

 

“O Balanço Social é uma prova de que o investimento em pesquisa agropecuária mudou a lógica do desenvolvimento do campo brasileiro”, afirma Lúcia Gatto, diretora de Gestão Institucional da Embrapa, explicando que na década de 1970 decidiu-se por realizar investimentos sólidos em inovação para área agropecuária, com base em formação de recursos humanos, pesquisa em rede e foco nos problemas dos agricultores. O objetivo era fazer com que o Brasil pudesse alcançar a sua segurança alimentar.

A Embrapa, a rede de universidades, assistência técnica, órgãos estaduais de pesquisa, muitas e muitas parcerias e um espírito empreendedor dos agricultores não apenas fizeram com que o Brasil alcançasse a segurança alimentar para sua população como permitiu exportar os excedentes para quase todos os mercados no mundo. Ainda: ajudou a diminuir o valor da cesta básica em 50% e a cada ano amplia a presença do Brasil entre os maiores exportadores de alimentos do globo, tornando o País líder em inovação agropecuária no mundo tropical – e de onde se espera que saiam os alimentos para uma população cada vez maior.

A agropecuária brasileira é hoje uma das mais eficientes e sustentáveis do planeta. Incorporou aos sistemas produtivos uma larga área de terras degradadas dos cerrados, região que hoje é responsável por quase 50% da produção nacional de grãos. A oferta de carne bovina e suína foi quadruplicada e a de frango, ampliada em 22 vezes. Nos últimos 46 anos, o Brasil aumentou a produção de grãos em 555,6%, sem ampliar a área plantada em grandes proporções (163,43%). As crises de abastecimento de produtos básicos, como feijão, arroz e frango, ficaram como lembranças das décadas de 70 e 80. Se no passado o brasileiro só consumia determinadas frutas e hortaliças (como uva e cenoura) em meses específicos, hoje elas estão presentes nas prateleiras o ano inteiro.

“Se o Brasil conquistou o posto de influente ator mundial em dois setores de importância vital, o meio ambiente e a segurança alimentar, tal patamar é consequência do trabalho da ciência, aliado à determinação e à ousadia do setor produtivo. Essa parceria precisará ser ainda mais ampliada para se fortalecer as bases que garantirão a qualidade de vida para todos no planeta”, argumenta o diretor de Pesquisa & Desenvolvimento da Embrapa, Celso Moretti. Segundo ele, o conhecimento gerado pela ciência ajuda os legisladores a produzir decisões que refletem diretamente na economia e na sociedade.

Subsídios a políticas públicas

Mas a pesquisa agropecuária não contribui apenas com novas sementes, sistemas de produção mais eficientes, controle de pragas, equipamentos, softwares, melhoramento genético ou subsídios para o agricultor tomar a melhor decisão possível. Propriedade intelectual, transgênicos e código florestal são alguns exemplos de temas de amplo alcance e impacto social que são beneficiados pela contribuição qualificada da pesquisa.

Um exemplo pouco percebido de contribuição da pesquisa é o suporte tecnológico para o Plano Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC), voltado para estimular o produtor rural a desenvolver sua atividade com menos impacto ambiental e, assim, reduzir emissões de carbono. É uma medida do Brasil para atender ao compromisso firmado na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 15), de 2009. As principais tecnologias relacionadas são a recuperação de pastagens degradadas, a ampliação da área com integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), com reflorestamento e com plantio direto de qualidade, e a expansão das áreas que fazem uso da fixação biológica de nitrogênio e das iniciativas para aproveitamento dos resíduos sólidos.

Outro caso, pouco lembrado, é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que na prática, fez desaparecer do noticiário as fraudes com seguro agrícola. Trata-se de um mapeamento das áreas de produção que indica as melhores datas de plantio de mais de 40 culturas para cada município brasileiro, reduzindo o risco de perdas por fatores climáticos. O zoneamento agrícola é hoje base para o seguro agrícola brasileiro.

Prova mais recente, lançada no começo de março deste ano, é o Sistema de Inteligência Territorial da Macrologística da  Agropecuária Brasileira, que reúne, em base georreferenciada, dados sistematizados pela Embrapa sobre produção agropecuária, armazenagem e caminhos das safras dentro do mercado interno e para exportação. A novidade, que pode ser acessada por qualquer cidadão, permite gerar diversos estudos e extrair desse big data informações estratégicas para o planejamento de políticas públicas e do setor produtivo.

Futuro e Visão 2030

Estimativas da FAO indicam que até 2050 a produção agrícola precisará crescer globalmente 70%, e quase 100% nos países em desenvolvimento, para alimentar a crescente população, excluindo a demanda para biocombustíveis. Assim, os desafios para a Embrapa e seus parceiros são enormes e exigem um olhar atento para o futuro. Além das áreas tradicionais, a Empresa tem investido fortemente em tecnologias de ponta, como sequenciamento de genomas de plantas e animais, clonagem, nanotecnologia e agricultura digital.

Ainda assim, a visão é de que é preciso mudar para se adequar às exigências de um processo permanente de transformações. “A Empresa segue em movimento, buscando ajustar-se às mudanças tecnológicas e sociais e aumentar sua eficiência, simplificando seus processos. Por isso, em fevereiro, iniciamos a maior mudança administrativa de nossa história, reduzindo de 15 para seis as áreas administrativas da sede, em Brasília, com corte de funções gratificadas e alteração de toda a estrutura e processos”, diz Maurício Lopes, presidente da estatal.

No final de 2017, a Embrapa já havia reduzido a quantidade — de 46 para 42 — de Unidades de pesquisa e inovação, com a extinção de cinco Unidades de serviço. Também no ano passado, ela adotou um novo Estatuto, alinhado à Lei das Estatais e produzido com a orientação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST) e do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Reflexo das mudanças estruturais que estão sendo implementadas, toda a gestão da programação de pesquisa também passa neste momento por uma grande reformulação, tendo como principal objetivo aumentar a capacidade de inovação da Embrapa e aproximar mais a Empresa das cadeias produtivas.

Mudanças também redirecionarão o futuro da Embrapa. Na cerimônia dos seus 45 anos será lançado o documento “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”, que consolida sinais e tendências globais e nacionais sobre as principais transformações na agricultura em questões científicas, tecnológicas, sociais, econômicas e ambientais e seus potenciais impactos. “Visão 2030” terá versões digital e impressa e oferecerá bases para o planejamento estratégico das organizações públicas e privadas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I). Na Embrapa, vai, particularmente, subsidiar novas estratégias e prioridades da Empresa, a produção do próximo plano diretor e, consequentemente, o trabalho dos seus 2.448 pesquisadores.

Edson Bolfe, coordenador do Sistema de Inteligência Estratégica da Embrapa (Agropensa) e da produção do documento, diz que “no esforço de análise e de prospecção de cenários buscou-se antever transformações e, assim, contribuir para a definição de diretrizes que orientem a programação de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) com foco no desenvolvimento sustentável da agricultura”. O documento traz perspectivas e os principais desafios científicos, tecnológicos e organizacionais baseados em análises do ambiente interno e externo, nacional e internacional e alinhados à Agenda 2030, estabelecida pela Organizações das Nações Unidas (ONU) a partir de 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Um dos destaques é a identificação de sete megatendências: Mudanças Socioeconômicas e Espaciais na Agricultura; Intensificação e Sustentabilidade dos Sistemas de Produção Agrícolas; Mudança do Clima; Riscos na Agricultura; Agregação de Valor nas Cadeias Produtivas Agrícolas; Protagonismo dos Consumidores; e Convergência Tecnológica e de Conhecimentos na Agricultura. A publicação explora aspectos relacionados a cada uma das megatendências e sugere, por exemplo, desafios e oportunidades.

Alinhada ao documento Visão 2030 será lançada também a plataforma digital Olhares para 2030, que reunirá artigos de opinião de 90 especialistas de diferentes áreas de atuação, com projeções e expectativas de caminhos possíveis para o desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira. Os artigos foram agrupados nas sete megatendências, sintetizando as principais forças de transformação da agricultura brasileira para os próximos anos.

De acordo com o diretor de Inovação e Tecnologia, Cleber Soares, a Embrapa tem feito ainda grande esforço para “dar agilidade, mais atenção à atividade-fim e obter maior proximidade com o mercado de inovações tecnológicas e os produtores. Em resumo: garantir que a instituição continue atendendo a sua missão”. O esforço é para garantir a otimização dos processos e o foco da Empresa em inovação e proximidade com o mercado, inclusive pela ampliação das parcerias públicas e privadas.

“Capacidade de influenciar é parte da Missão da Embrapa e será a base de motivação para as mudanças que estamos promovendo para nos alinharmos cada vez mais efetivamente às agendas relevantes do país, fazer escolhas acertadas e definir e perseguir metas de impacto que possam comprovar a qualidade das nossas entregas para a sociedade”, conclui o presidente Maurício Lopes.

Serviço:
Cerimônia do 45º Aniversário da Embrapa

  • Data: 24 de abril de 2018
  • Horário: 15 horas
  • Local: Auditório Assis Roberto de Bem, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília-DF
  • Lançamentos: documento “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”, Balanço Social 2017, Plataforma Olhares para 2030, Coleção de e-books sobre contribuições da Embrapa para os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, publicações, assinatura de convênios de parcerias e apresentação de tecnologias.

Fonte: Embrapa

Resíduos do dendê são usados como substrato para cultivar cogumelos comestíveis

Os cientistas usaram biomassas residuais, resíduos gerados no processamento do óleo do dendê (óleo de palma), como substrato para cultivar o fungo

Pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e da Embrapa Agroenergia (DF) encontraram uma alternativa para produzir cogumelos comestíveis, como o Pleurotus ostreatus, ou shimeji, no Brasil a baixo custo e, assim, tornar seu consumo acessível a grande parte da população. Os cientistas usaram biomassas residuais, resíduos gerados no processamento do óleo do dendê (óleo de palma), como substrato para cultivar o fungo.

Segundo o pesquisador Marcos Enê Oliveira, o shimeji encontra condições ideais para se desenvolver nos resíduos industriais do dendê produzido no Brasil, especialmente no Pará, onde a indústria gera três toneladas de resíduos sólidos e uma tonelada de efluentes líquidos.

Oliveira explica que as biomassas residuais são fibras e substâncias ricas em proteína, lipídeos, carboidratos e minerais, que podem nutrir cogumelos comestíveis como o shimeji, conhecido também como cogumelo-ostra, produto bastante apreciado na culinária nacional e internacional.

Atualmente, comprar shimeji no mercado brasileiro é para poucos. O quilo do produto sai entre R$ 48,00 e R$ 80,00 porque grande parte dele vem do exterior e tem alto custo de importação. Só de frete, paga-se em torno de dois reais por quilo. Além disso, é preciso cuidado redobrado no transporte e na conservação do produto.

Cultivo de cogumelos

O pesquisador destaca que o cultivo desses cogumelos comestíveis é possível devido à sua versatilidade em se desenvolver em diferentes condições climáticas e substratos. “Esse fungo tem uma enorme capacidade de quebrar fibras lignocelulósicas, consideradas complexas quimicamente, e extrair delas os nutrientes necessários para o seu crescimento e frutificação”, conta o especialista, explicando que o cultivo imita o que ocorre na natureza ao oferecer resíduos vegetais em um substrato formado por fibras e pelo efluente gerado.

Para se chegar à mistura ideal, os pesquisadores da Embrapa Agroenergia (DF), Félix Siqueira e Simone Mendonça testam formulações de substratos com diferentes concentrações de resíduos, entre eles, a cinza de caldeira, também oriunda do processamento do óleo de dendê.   O substrato é esterilizado em autoclave industrial para, depois, inocular o fungo. A fase de colonização, que é o crescimento do fungo no substrato, leva em torno de 25 a 30 dias em uma câmara escura, a fim de imitar a natureza onde os cogumelos crescem ao abrigo da luz em serapilheiras ou troncos de arvores.

Efluente rico

O efluente líquido do processamento do dendê, conhecido pela sigla Pome (palm oil mill effluent), é constituído, principalmente, de água, minerais e matéria orgânica, e atualmente seu destino são as lagoas de estabilização, conforme orienta a legislação. “Algumas experiências têm indicado a utilização desse efluente líquido como fertilizante para os plantios de dendê, mas essa aplicação ainda está sendo estudada para assegurar que não haja impacto ambiental”, esclarece o pesquisador Félix Siqueira.

Os valiosos resíduos do dendê

O Pará responde por mais de 90% da produção brasileira de óleo de dendê. Em 2017, por exemplo, o estado produziu cerca de 480 mil toneladas desse óleo, gerando aproximadamente 1,4 milhão de toneladas de resíduos sólidos e líquidos. De acordo com Roberto Yokoyama, diretor da empresa Dendê do Pará (Denpasa) e presidente da Câmara Setorial da Palma de Óleo, o custo médio da tonelada de óleo bruto produzido no Brasil está por volta de US$ 610 a US$ 650, e o investimento necessário para se montar uma usina de beneficiamento é de um milhão de reais para cada tonelada de cacho processado, sendo que pelo menos 30% desse valor está diretamente ligado aos resíduos.

Na indústria de beneficiamento do óleo, os resíduos são o cacho vazio; o efluente líquido (Pome); a fibra e a casca do fruto, (resultante da prensagem); a borra, partículas sólidas geradas na separação entre o óleo e a água; e a torta de palmiste, resíduo da prensagem da amêndoa. Yokoyama conta que alguns deles já são utilizados para outros fins, como alimentação animal e geração de energia, mas o volume produzido ainda é grande. “Mesmo com alguns usos, o resíduo gerado ainda é um problema para a indústria”, afirma.

A Embrapa divulgou em comunicado que, para cada tonelada de cacho de fruto fresco (CFF) que entra na agroindústria, são produzidos em média 220 kg de cacho vazio, 120 kg de fibra de prensagem, 50 kg de casca, 20 kg de torta de palmiste, 60 kg de borra e 650 kg a 1.000 kg de efluentes. Esses resíduos são basicamente compostos por celulose e lignina, um material fibroso complexo, cujas ligações conseguem ser quebradas pelos fungos do gênero pleurotus, divulgou a Embrapa.

Fonte: Farming Brasil

Empresários e cientistas discutem o papel da agricultura na bioeconomia

Bioeconomia, agricultura, inovações tecnológicas e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram os destaques da terceira edição da série “Academia – Empresa”, promovida pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), cujo objetivo é integrar acadêmicos e empresários.
Com o título “A Agricultura Brasileira na Emergente Bioeconomia”, o encontro foi realizado na última segunda-feira (5) na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília, DF). Estiveram presentes pesquisadores e gestores da Embrapa, parlamentares, representantes de ministérios, da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e de empresas do mercado de inovações tecnológicas, entre elas, Monsanto, John Deere e Oxitec do Brasil.
“Faz todo sentido discutir essa interação e essa interface da agricultura com a bieconomia nesse momento em que a sustentabilidade ganha o topo da agenda de prioridades da sociedade, em todo o mundo. Estamos todos preocupados em pensar e viabilizar um modelo de desenvolvimento seguro, de baixa emissão, de baixo impacto, que utilize a base de recursos naturais de forma prudente e inteligente. Esse movimento pela sustentabilidade está muito marcado, incrustado na agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a agenda 2030, que tem um impacto enorme para a agricultura e para a agropecuária no presente e terá um impacto ainda maior no futuro”, destacou o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, na abertura do evento.
A sessão inicial contou ainda com a participação do presidente e vice-presidente da ABC, Luiz Davidovich e João Fernando Gomes de Oliveira, respectivamente; e de Jorge Guimarães, presidente da Embrapii. Guimarães destacou a necessidade de ampliar a participação do agro na dinâmica de financiamentos de projetos da Embrapii. “Do total de projetos que temos hoje, apenas 2,5% são do setor agroindustrial. Nossa expectativa é que novas organizações participem da Embrapii a partir de eventos como esses que estamos realizando hoje”, enfatizou o dirigente ao apresentar estudo sobre o número de empresas contratantes de projetos gerenciados pela Embrapii.
A missão da empresa é apoiar instituições de pesquisa tecnológica em áreas de competência selecionadas, para que executem projetos de desenvolvimento de pesquisa tecnológica para inovação, em cooperação com a indústria. Possui uma carteira de 417 projetos com 298 empresas parceiras, que movimentaram R$ 676 milhões em financiamentos no ano passado.
A Embrapii atua por meio da cooperação com instituições de pesquisa científica e tecnológica, públicas ou privadas, tendo como foco as demandas empresariais e como alvo o compartilhamento de risco na fase pré-competitiva da inovação.
O evento
Além da sessão de abertura, o encontro foi composto por três painéis: Agricultura e Sociedade na Nova Economia; Cenários e Futuros Possíveis para a Bioeconomia no Brasil; A Bioeconomia e o Mercado de Inovações Tecnológicas no Brasil. Também representaram a Embrapa o diretor-executivo de Inovação e Tecnologia, Cleber Soares; o secretário de Inteligência e Relações Estratégicas, Renato Rodrigues; o gerente de Inteligência Estratégica e coordenador do Agropensa, Edson Bolfe; e os pesquisadores Elíbio Rech, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, e Eliseu Alves, ex-presidente da Empresa.
Para Lopes, a combinação do setor público com o privado faz com que o agronegócio brasileiro tenha protagonismo no cenário mundial, sendo capaz de se destacar como provedor de alimentos não só para a sociedade brasileira, mas para o mundo. O presidente reconhece, no entanto, que ainda há muito a ser feito. “Há questões emergindo na agenda da sociedade que vão exigir mais inovação, mais conhecimento, novas empresas, mais empreendedorismo. Não há dúvida alguma que essa vertente da bioeconomia dialogando com a agenda 2030 é um caminho que a agricultura brasileira precisará trilhar para que consiga dialogar com a agenda da sociedade que está emergindo”, disse, durante sua participação no painel sobre o papel da agricultura e da sociedade na nova economia.
Apesar de a bioeconomia ainda ser um tema emergente no País, já existem inovações tecnológicas na agricultura em perfeita sintonia com a proposta: o Brasil é líder no desenvolvimento de modelos de baixo impacto, possui serviços ecossistêmicos e ambientais exemplares, além de ter um Código Florestal moderno e uma política pública consistente para a agricultura de baixo carbono.
“O Brasil está fazendo talvez a grande revolução na agropecuária e no cinturão tropical do globo, com o conceito da intensificação sustentável integrando lavoura-pecuária, lavoura-pecuária-floresta. Não estamos partindo do zero na bioeconomia. Estamos partindo para um modelo de produção integrada, sistêmica, onde a agricultura dialoga com a natureza, provê serviços ambientais e dialoga com o desafio de desenvolver produtos inovadores que correspondam aos anseios da sociedade, uma sociedade que quer alimento de baixo impacto, de baixa emissão de carbono, produzido de forma segura, de forma inteligente”, destacou Lopes.
Cleber Soares, coordenador do primeiro painel, afirmou que o desafio é fazer a conexão da bioeconomia com a inovação digital. Para ele, a inovação digital deve estar presente em todo o processo, visando, por exemplo, o fortalecimento das cadeias produtivas e da indústria agrícola. “É necessário que a bioeconomia se conecte e traga a economia digital para seus processos mínimos”, disse.
Além de apontar convergências entre as inovações tecnológicas da Embrapa e a bioeconomia, como a relação direta da produção de alimentos com a nutrição e a saúde, Lopes também destacou a importância da atuação integrada da ciência com a cultura, a tradição, a gastronomia e o turismo nos diversos territórios brasileiros. “Portanto, há um grande número de dimensões e áreas onde a agricultura, a bioeconomia e a agenda global dos ODS terão oportunidade de atuarem em sinergia”.
Também participaram do evento, compondo os painéis, o presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Márcio Miranda, os deputados federais Hugo Leal (PSB-RJ) e Celso Pansera (MDB-RJ), o presidente para a América do Sul da Monsanto, Rodrigo Santos, o diretor-executivo da Oxitec do Brasil, Jorge Espanha, o presidente da John Deere, Paulo Herrmann, e Elisabeth Farina, diretora-presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).
Fonte: Embrapa Notícias

Embrapa realiza I Workshop para Validação da RenovaCalc

A Embrapa Meio Ambiente em parceria com o Ministério de Minas e Energia – MME, Agência Nacional do Petróleo – ANP, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – IBICT, Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol – CTBE, Universidade Estadual de Campinas – Unicamp e Agroicone, promoverão nos dias 28 de fevereiro e 1 de março de 2018, nas dependências da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), o I Workshop para Validação da RenovaCalc, a ferramenta do RenovaBio, que permitirá o cálculo da intensidade de carbono dos biocombustíveis.

Neste momento, o evento será orientado à participação de técnicos das áreas de sustentabilidade agrícola e industrial de unidades produtoras de biocombustíveis, uma vez que objetiva validar a RenovaCalc, identificando eventuais dificuldades de entendimento e de inserção de dados, e colhendo sugestões de melhoria dos potenciais futuros usuários da calculadora.

Em 28 de fevereiro técnicos das unidades produtoras de etanol de cana-de-açúcar, etanol 2G e etanol de milho discutirão as rotas tecnológicas inerentes à cadeia. Já no dia 1 de março, as mesmas ações serão oportunizadas aos técnicos das unidades produtoras de biodiesel e biogás.

O Workshop é parte dos trabalhos de regulamentação do programa, a partir da sanção presidencial da Lei 13.576/ 2017, que instituiu a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio). O cronograma prevê que esta primeira etapa de validação seja finalizada até o final do mês de março de 2018.

A Renovacalc foi estruturada para estimar os índices de desempenho ambiental dos combustíveis do Programa RenovaBio. Para tal, faz uso de um conjunto de parâmetros técnicos fornecidos pelo produtor para calcular as emissões de gases de efeito estufa (GEE) do ciclo de vida do biocombustível.

Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) é uma ferramenta para avaliação de impactos ambientais baseada na contabilidade de material e energia consumidos pelos processos produtivos e emitidos para o meio ambiente durante todo o ciclo de vida de um determinado produto, desde a fase de obtenção de recursos naturais, passando pelos processos de transformação, transporte, fase de uso e descarte do produto.

Conforme explicou a pesquisadora da Embrapa, Marília Folegatti, que coordena o grupo técnico que está elaborando a ferramenta, “a expectativa é que o evento seja um espaço para apresentação e discussão da RenovaCalc, buscando colher sugestões do setor produtivo para a melhoria da ferramenta”.

Para Marcelo Morandi, chefe geral da Embrapa Meio Ambiente, o workshop é mais um passo importante na construção do RenovaBio, “agora já em fase de materialização para o público-alvo, no entendimento das métricas que serão solicitadas para ingresso no Programa”.

Fonte: Embrapa

Semente de soja é opção para produzir cianovirina usada no combate à AIDS

Desenvolvida pela Embrapa, Instituto Nacional de Saúde dos EUA, Universidade de Londres e Conselho de Pesquisa da África do Sul pesquisa premiada pelo Consórcio Federal de Laboratório norte-americano deverá baratear a produção

Pesquisa desenvolvida pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, sigla em inglês), a Universidade de Londres e o Conselho de Pesquisa Científica e Industrial da África do Sul (CSIR – sigla em inglês) foi premiada pelo Consórcio Federal de Laboratórios (FLC, sigla em inglês) pela excelência na transferência de tecnologia na área de saúde e serviços humanos em todo o território norte-americano.

O estudo comprovou que sementes de soja geneticamente modificadas constituem a biofábrica mais eficiente e opção viável para produzir em larga escala a cianovirina – proteína muito eficaz no combate à AIDS. A pesquisa que já havia sido premiada no ano passado na região do Médio-Atlântico (FLC MAR), recebeu, agora, o prêmio nacional. O consórcio congrega mais de 300 laboratórios de renomadas instituições de pesquisa e ensino norte-americanas, como o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e as Universidades de Cornell, Carolina do Norte e Maryland, entre outras.

O prêmio será entregue durante a reunião nacional do FLC, no dia 25 de abril, em Rockville, Maryland. O pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Elibio Rech, coordenador da participação brasileira nos estudos, receberá a outorga, juntamente com os representantes das instituições internacionais que participaram do projeto.

Para Rech, além do reconhecimento científico, esse prêmio comprova a importância da cooperação técnica para o desenvolvimento de pesquisas de ponta na área de biotecnologia. “Essa homenagem coroa uma pesquisa de mais de uma década, que obteve excelentes resultados graças à parceria com os institutos internacionais”, comemora.

Além de inovadora, a pesquisa tem forte componente humanitário e, por isso, países em desenvolvimento com altos índices de propagação da AIDS, terão licença de produção e de uso livres do pagamento de royalties. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), na Zâmbia e África do Sul, cerca de 20% de toda população têm a doença. No Brasil, segundo estimativas da ONU, o índice de novos portadores do vírus subiu 3%, entre 2010 e 2016, ao contrário da média mundial, que sofreu contração de 11%.

A pesquisa, que começou a ser desenvolvida em 2005, se baseia na introdução da cianovirina, uma proteína que está presente em algas e que é capaz de impedir a multiplicação do vírus HIV no corpo humano, em sementes de soja geneticamente modificadas para produção em larga escala. O objetivo é o desenvolvimento de um gel (com propriedades viricidas) para prevenir a contaminação.

O pesquisador destacou que as sementes geneticamente modificadas serão cultivadas em condições controladas de contenção dentro de casas de vegetação ou estufas. Ele explica que os efeitos positivos da cianovirina estão comprovados desde 2008, a partir de testes realizados com macacos pelo instituto norte-americano. A capacidade natural dessa proteína, extraída da alga azul-verde (Nostoc ellipsosporum), de se ligar a açúcares impedindo a multiplicação do vírus é conhecida pela comunidade científica mundial há mais de 15 anos. “O que faltava era descobrir uma forma eficiente e econômica para produzir a proteína em larga escala”, completa.

O faturamento da biotecnologia na indústria farmacêutica mundial cresceu muito nas últimas décadas e alcança aproximadamente 10 bilhões de dólares por ano. Os produtos biotecnológicos estão em franco desenvolvimento e hoje representam cerca de 10% dos novos produtos atualmente no mercado.

A expectativa da Embrapa ao investir em pesquisas com biofármacos, como explica Rech, é fazer com que esses medicamentos cheguem ao mercado farmacêutico com menor custo, já que são produzidos diretamente em plantas, bactérias ou no leite dos animais. Existem evidências de que a utilização de biofábricas pode reduzir os custos de produção de proteínas recombinantes em até 50 vezes.

Fernanda Diniz (MTb 4685/DF) 
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia 
cenargen.nco@embrapa.br 
Telefone: (61) 3448-4768

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Fonte: MAPA

Pesquisa com microalgas que crescem em resíduos e geram biocombustíveis

A Embrapa Agroenergia (DF) conseguiu identificar espécies de microalgas que podem ser cultivadas em resíduos líquidos de processos de agroindústrias, os efluentes. Esse cultivo pode gerar matéria-prima renovável para biocombustíveis, rações, cosméticos e vários outros produtos. A pesquisa, que durou três anos, também teve como resultado a descoberta de espécies até então desconhecidas, na biodiversidade brasileira.

Os efluentes utilizados nos estudos foram a vinhaça, formada na produção de açúcar e etanol de cana, e o Pome (palm oil mill effluent), que é gerado no processamento do dendê. Eles são aproveitados, hoje, para fertirrigação das plantações. Utilizá-los, contudo, como meio para produzir microalgas, pode agregar valor às cadeias produtivas da cana e do dendê, gerando mais biomassa e óleo para obter energia e bioprodutos.

As microalgas são organismos unicelulares e microscópicos que vivem em meios aquáticos e têm uma característica curiosa: embora não sejam plantas, são capazes de realizar fotossíntese e se desenvolver utilizando luz do sol e gás carbônico. Elas se reproduzem muito rapidamente, gerando grandes quantidades de óleo e biomassa em pouco tempo. A produtividade pode ser de dez a 100 vezes maior do que os cultivos agrícolas tradicionais. Isso chamou a atenção de setores que necessitam de grandes quantidades de matéria-prima, como o de biocombustíveis.

Ao mesmo tempo, os óleos produzidos por algumas espécies quase sempre contêm compostos muito valiosos como, por exemplo, Ômega 3 e carotenoides. Por isso, elas também encontram espaço em indústrias que atendem nichos de mercado e pagam mais caro por matérias-primas com propriedades raras. É o caso dos cosméticos e dos suplementos alimentares.

Já existem pelo menos quatro empresas no Brasil produzindo microalgas: duas no Nordeste, com foco em nutrição humana e animal, e outras duas no interior de São Paulo, já atendendo indústrias de cosméticos e rações, ou projetos para tratamento de efluentes. Contudo, há ainda muito que avançar no conhecimento e desenvolvimento de tecnologias para impulsionar o setor. A redução do custo de produção é uma das principais preocupações, principalmente quando se quer alcançar mercados que necessitam de grandes volumes e preços baixos, como é o caso dos biocombustíveis.

Explorando a biodiversidade

A pesquisa da Embrapa buscou soluções em uma das maiores riquezas do Brasil: a imensa biodiversidade, que pode abrigar um quarto das espécies de microalgas de água doce, segundo as estimativas. O primeiro trabalho tinha como objetivo encontrar espécies capazes de crescer na vinhaça, em ambientes industriais e biomas brasileiros (Amazônia, Pantanal e Cerrado). Os cientistas identificaram duas espécies que podem ser cultivadas nesse efluente, com bom rendimento − uma delas ainda não está sequer descrita na literatura. A análise dos componentes da biomassa dessas duas microalgas indica maior concentração de carboidratos e proteínas do que de lipídeos e carotenoides, que as tornam mais adequadas para a produção de etanol do que de biodiesel, quando o assunto é biocombustíveis. Podem ser utilizadas, ainda, em rações.

A vinhaça é rica em nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), nutrientes tão necessários às microalgas quanto às plantas. Utilizá-la como meio de cultivo, contudo, tem seus desafios, explica o pesquisador Bruno Brasil, da Embrapa Agroenergia. Se, por um lado, a concentração de nutrientes favorece o crescimento dos organismos, por outro a coloração escura dificulta a passagem de luz, sem a qual não há fotossíntese. Para minimizar esse problema, a equipe da Embrapa Agroenergia utilizou métodos de clarificação química de baixo custo ou simplesmente diluiu a vinhaça em água. Outro desafio associado à vinhaça é a elevada carga de material orgânico. Ela favorece a proliferação de bactérias e leveduras, que se tornam contaminantes no meio de cultivo e prejudicam o crescimento das microalgas.

As duas espécies selecionadas pela equipe da Embrapa Agroenergia são mixotróficas. Isso quer dizer que elas realizam fotossíntese, mas também utilizam a matéria orgânica da vinhaça para crescer. Elas não chegam a reduzir significativamente essa carga orgânica e, por isso, não podem ser utilizadas isoladamente para tratamento do efluente. No entanto, isso pode ser bom porque permite que a vinhaça ainda seja usada para fertirrigação dos canaviais após a retirada das microalgas.

Cultivos em efluente do processamento do dendê

O Pome tem características poluidoras muito parecidas com as da vinhaça, mas a composição é diferente, já que se origina de um fruto rico em óleo, o dendê, e não de uma gramínea rica em açúcar como é o caso da cana. Por isso, o trabalho de busca de microalgas capazes de crescer nesse material envolveu tanto experimentos com cepas já testadas para a vinhaça quanto novas coletas de amostras, em ambientes diferentes. Neste caso, também, duas espécies mostraram-se eficientes. Uma delas tem capacidade de crescimento tão elevada que faz desaparecer a coloração quase preta do Pome e coloca no lugar um verde intenso. Além disso, foi demonstrado que a retenção do Pome em uma lagoa anaeróbica seguida de cultivo utilizando estas microalgas promove tratamento eficiente do efluente, processo conhecido como biorremediação.

A ideia de buscar espécies capazes de crescer em efluentes industriais explora justamente uma das vantagens das microalgas, a robustez. Diferentemente das plantas, elas não exigem água doce e limpa; podem ser cultivadas em água salgada, salobra ou mesmo residual. Esse é um fator bastante positivo para a sustentabilidade do cultivo. Soma-se a isso a característica de elas não precisarem ocupar terras férteis e a alta produtividade para se chegar à conclusão de que microalgas podem compor o rol de soluções sustentáveis para fornecer alimentos, energia e bens de consumo a uma população mundial crescente.

Engenharia genética

A equipe de cientistas da Embrapa e instituições parceiras está, agora, empenhando-se em construir ferramentas que permitam a modificação genética das espécies selecionadas para crescimento na vinhaça e no Pome, com o objetivo de potencializar o rendimento. O investimento na engenharia genética tem motivo: toda a produção de commodities agrícolas atual está baseada em espécies que passaram por décadas ou séculos de domesticação e melhoramento genético. Além disso, um grande estudo sobre microalgas financiado pelo governo dos Estados Unidos mostrou que o uso de linhagens modificadas geneticamente chega a reduzir em 85% o custo de produção – uma das grandes metas estabelecidas pelos cientistas.

O desafio para chegar a essas novas linhagens, contudo, é grande. Qualquer programa de engenharia genética precisa primeiramente de conhecimento sobre a espécie com a qual se pretende trabalhar. No caso das microalgas, essa base ainda está em construção. Basta comparar: o primeiro genoma completo de bactéria foi apresentado em 1995, o humano foi concluído em 2003, mas só em 2012 foi sequenciado o DNA de uma microalga com potencial para produção de biocombustíveis.

Quando se trata de espécies originárias do Brasil, a carência de dados é ainda maior. “Nós sabíamos que, trabalhando com espécies nativas, tínhamos a chance de encontrar coisas novas e mais produtivas do que materiais de outras partes do mundo, mas, ao mesmo tempo, por ser novo, sabíamos que iríamos ter que desenvolver esse pacote tecnológico”, conta o pesquisador Bruno Brasil.

Na Embrapa e na Universidade Federal do Rio Grande (FURG), além das microalgas, os cientistas estão explorando a genética das cianobactérias, conhecidas como algas azuis. São organismos também unicelulares, microscópicos e capazes de realizar fotossíntese, porém mais simples. Luis Fernando Marins, professor da FURG, compara os genomas delas. Enquanto o de uma das cianobactérias com que ele está trabalhando tem 2,6 milhões de pares de bases, o de uma microalga chega a 120 milhões, ou seja, é 60 vezes maior. Além disso, os meios de cultivo para as cianobactérias são geralmente mais baratos e elas têm capacidade de secretar substâncias, o que facilita os processos de obtenção dos produtos de interesse.

Além dos estudos do genoma e da engenharia genética, o pesquisador da Embrapa Agroenergia antecipa os próximos passos do centro de pesquisa: “Do ponto de vista de processos industriais, o que falta? Escalonamento de sistemas de cultivo, métodos eficientes para colheita das microalgas e processos de conversão da biomassa em produtos. Os próximos projetos vão focar esses três pontos”.

Mercado das microalgas

Uma das empresas que se tornou referência no tema microalgas é a TerraVia, que até março de 2016 chamava-se Solazyme. Com origem na região do Vale do Silício, nos Estados Unidos, a companhia estabeleceu sua unidade de produção no Brasil, numa joint venture com a Bunge. A biofábrica está associada a uma usina sucroalcooleira, em Orindiúva (SP), porque a espécie de microalga com que trabalha não realiza fotossíntese, mas alimenta-se de açúcar.

O diesel e o combustível de aviação obtidos a partir do óleo dessa microalga, o Soladiesel e o Solajet, eram destaque entre os produtos oferecidos pela tecnologia da empresa, mas isso mudou junto com o nome, justamente por causa de valor de mercado. “Esses mercados podem se tornar maiores e rentáveis no futuro e ainda são ativos valiosos para nós. Porém, com os níveis de preços atuais do barril de petróleo, biocombustíveis nesse momento não são o principal driver econômico para nós”, revela o presidente da joint venture TerraVia / Bunge, Walfredo Linhares. O executivo afirma que a empresa está voltada, agora, exclusivamente para alimentos, nutrição animal e ingredientes especiais para o mercado de cuidados pessoais. Empresas como Natura, Nestlé e Unilever já utilizam ou vão utilizar, em seus produtos, óleos e compostos originários das microalgas cultivadas em Orindiúva.

Menos vultosa, porém consistente, é a iniciativa da Fazenda Tamanduá, no sertão da Paraíba. Ali foi estabelecido um cultivo orgânico de cianobactérias do tipo spirulina, que já são bastante conhecidas pelos benefícios à saúde humana. “Eu tomo spirulina e acho um produto maravilhoso: há oito anos não sei o que é uma gripe. Não é um milagre, mas se você toma todos os dias vai sentir uma melhora na sua saúde, pele, cabelo”, testemunha o biotecnólogo José Franciraldo de Lima, responsável-técnico pela produção. A Fazenda Tamanduá foi a primeira a obter registro do produto como alimento na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ele é comercializado em cápsulas ou em pó.

Um pouco mais ao norte do País, no Ceará, a professora Francisca Pinheiro aplicou o conhecimento adquirido durante anos na Universidade Federal do estado para estabelecer em uma chácara, no Município de Cascavel, um cultivo de spirulina. Nesse caso, o foco é o mercado de rações para aquicultura, especialmente camarões, tilápias e peixes ornamentais, graças ao elevado teor de proteína do produto. Ela acredita no futuro do cultivo de microalgas e cianobactérias. “É um mercado consumidor crescente, autossustentável, com potencial no mercado interno e externo”, analisa. A empresária pretende consolidar seus métodos de cultivo e, a partir daí, iniciar um projeto de transferência de tecnologia para comunidades do Nordeste.

Em Piracicaba (SP), o parque tecnológico local abriga a Algae Biotecnologia, uma start up voltada para o desenvolvimento de projetos baseados em microalgas, com o foco em biorremedição e captura de carbono. O que está mais avançado é a iniciativa com a fabricante de cimentos Intercement, que consiste em utilizar as microalgas para biofixar o grande volume de CO2 gerado nesse segmento industrial. Já foram selecionadas espécies eficientes nesse trabalho e o projeto está entrando em fase pré-comercial.

Fonte: Embrapa Agroenergia

Embrapa lança aplicativo de celular que mapeia o uso da terra

A tecnologia permitirá o acesso de informações sobre espécies de forrageiras recomendadas para determinada região, tecnologias de sequestro de carbono para determinado bioma, além de servir para análises de crédito rural 

A partir de outubro os agricultores de todo o Brasil poderão contar com um aplicativo de celular chamado Agrotag. A tecnologia permitirá que produtores rurais acessem e atualizem um banco de dados colaborativo sobre o uso do solo. Por meio da ferramenta, será possível usar e carregar informações tais como área da propriedade ocupada por sistemas integrados de produção, pastagens degradadas, áreas de preservação, tipos de lavouras existentes e outras, sempre com apoio de mapas e imagens de satélites.

O software, que deve revolucionar a forma de coleta, armazenamento e disponibilização de dados e informações agropecuárias no país, foi desenvolvido pela Embrapa com apoio da rede ILPF, Instituto de Pesquisas Eldorado e da Plataforma Multi-institucional de Monitoramento de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Plataforma ABC).

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Fonte: Canal Rural

Embrapa Agroenergia expõe trabalhos em encontro aberto ao público

Mais de 20 pesquisas em desenvolvimento nos laboratórios da Embrapa Agroenergia serão expostas no IV Encontro de Pesquisa e Inovação (EnPI 2017) que acontece de 25 a 27 de setembro, em Brasília/DF, com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP/DF). Além da apresentação de trabalhos, o evento conta com um Simpósio sobre Biotecnologia Industrial, que tratará principalmente da produção de insumos biotecnológicos destinados às áreas de cosméticos e de nutrição animal.

Os temas dos trabalhos são alinhados às linhas de pesquisa da instituição, que incluem não só biocombustíveis, mas a geração de tecnologias para obter vários produtos de origem renovável da biomassa que sai do campo. Por isso, as pesquisas em exibição tratam de uma ampla gama de temas na área de Agroenergia, Biotecnologia, Química e Tecnologia de Biomassa, tais como enzimas e microrganismos para produção de biodiesel e produtos químicos, reforma de biogás, diesel verde, microalgas, aproveitamento de coprodutos da cadeia agroenergética, entre outros assuntos.

Os autores são estudantes, da graduação ao pós-doutorado, que atuam nos projetos da Embrapa Agroenergia como colaboradores. Para a pesquisadora Simone Mendonça, coordenadora do evento, eles agregam novas experiências e pontos de vista para a instituição. “A diversidade traz ganhos para a inovação”, opina.  A apresentação dos trabalhos no evento dá oportunidade a esses cientistas em formação para exercitarem a divulgação científica. Ao mesmo tempo, é um espaço para o público externo ter contato com as pesquisas. “É uma oportunidade para conhecer os nossos trabalhos e a nossa interação com outras instituições de ciência e tecnologia”.

A relação completa dos trabalhos que serão apresentados no EnPI2017 está disponível no site do evento. No mesmo endereço, está divulgada a programação do Simpósio, que contará com painéis reunindo especialistas de institutos de pesquisa e de empresas. As inscrições estão abertas até 18/09 e as taxas variam de R$ 20 a R$ 50.

 

Fonte: Embrapa

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