O fóssil do dia

É preocupante o recente anúncio da Organização Meteorológica Mundial (OMM) de que os níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera estão aumentando em velocidade recorde. Enquanto isso, continuaram as divergências entre as nações ricas, emergentes e em desenvolvimento, em especial quanto aos fundos para a preservação e restauração de ecossistemas e biomas.

Um desserviço ao Planeta que se reforçou em termos práticos foi a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris. Os norte-americanos estão levando muito a sério o anúncio da retirada feito pelo presidente Donald Trump. Pasmem, mas é importante lembrar que o único evento oficial do país na COP 23 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), realizada em novembro, em Bonn, Alemanha, foi referente à moção de “acesso universal aos combustíveis fósseis e à energia nuclear”, apresentada por executivos de multinacionais desses setores, incluindo uma gigante do carvão.

O Brasil, embora tenha ratificado os seus compromissos inerentes ao Acordo de Paris (reduzir as emissões de carbono, na comparação com o ano de 2005, em 37% até 2025 e em 43% até 2030), também mereceu um destaque negativo em Bonn, ao “ganhar” o Prêmio Fóssil do Dia, conferido pela Climate Action Network, rede de ONGs ambientalistas, a países que apresentam retrocesso na luta contra o aquecimento global. A “láurea” foi um “reconhecimento” à Medida Provisória 795, que estabelece subsídios para companhias petrolíferas, via renúncia fiscal que pode chegar a R$ 1 trilhão até 2040. Isso está na contramão da nova economia da energia limpa e renovável.

A MP contrariou frontalmente todas as teses e propostas da COP 23 voltadas ao equacionamento da redução das emissões. Mais do que isso, pode ser considerada contraditória em relação aos esforços do próprio governo brasileiro no sentido de estimular os biocombustíveis, que são o grande salto da matriz energética nacional e também da mundial. Nenhum país tem o potencial do nosso para produzir etanol e biodiesel num elevado padrão de sustentabilidade (econômica, ambiental e social). Há de se considerar, também, outras fontes renováveis, como a eólica e a hidrelétrica.

O Brasil, que lançou sua candidatura para sediar a COP 25, em 2019, é estratégico para o Planeta no advento de uma nova era energética. Um tempo de consciência e bom senso, no qual a humanidade precisa vencer as mudanças climáticas, atender aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, incluindo a mitigação da pobreza e uma economia inclusiva, e impedir que a degradação ambiental e o aquecimento agravem muito as desigualdades e inviabilizem a qualidade da vida. Para cumprir sua missão com eficácia, nosso país precisa afastar-se de “troféus” como o Fóssil do Dia e ratificar, com medidas concretas e eficientes, a sua vocação e capacidade de ser o grande referencial do novo mundo sem carbono!

Nesse sentido, vale ressaltar que o Projeto de Lei da Câmara Federal que cria a Política Nacional de Biocombustíveis, denominado RenovaBio, acaba de ser aprovado no Senado Federal. A rápida tramitação nas duas casas legislativas, com muitas poucas emendas, demonstra positiva responsabilidade dos parlamentares em promover importantes mudanças. Cabe ao presidente da República, agir também com rapidez e sancionar o referido diploma legal.

Artigo de João Guilherme Sabino Ometto, engenheiro (Escola de Engenharia de São Carlos – EESC/USP) e presidente do Conselho de Administração da São Martinho e membro da Academia Nacional de Agricultura

 

Fonte: Bem Paraná

Veja quais são os principais poluentes do ar

A poluição do ar, um fenômeno com múltiplas consequências para a saúde que provém em grande parte da indústria, calefação e transportes, é a questão central de uma reunião na última terça-feira (30) em Bruxelas, com vários Estados que não cumprem as normas nesse sentido.

Mais que os picos de poluição, que são em parte consequência das condições meteorológicas ou do aumento estacional de algumas atividades, o que preocupa é a exposição crônica a um ar de péssima qualidade.

Uma em cada nove mortes no mundo está relacionada com a poluição atmosférica, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que constata avanços na vigilância do fenômeno mas pede “uma ação rápida”.

– OS PARTICULADOS –

Estes materiais microscópicos em suspensão no ar são as que sujam as fachadas dos edifícios das cidades.

Estão divididos entre PM10 (com menos de 10 micrômetros de diâmetro), que procedem sobretudo dos processos mecânicos, como as atividades de construção, e “partículas finas” (PM2,5, com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros), efeito das águas residuais da combustão da madeira ou dos combustíveis (fundamentalmente o diesel), assim como dos vapores industriais.

A Agência Europeia do Meio Ambiente os considera o “poluente atmosférico mais nocivo para a saúde humana na Europa”. Um total de 90% dos habitantes das cidades estão expostos a eles em níveis superiores aos limites recomendados pela OMS.

Os particulados menores, que geram mais preocupação no âmbito sanitário, penetram nas ramificações das vias respiratórias e no sangue. A exposição a estes elementos pode provocar câncer, asma, alergias, doenças respiratórias ou cardiovasculares.

– OS ÓXIDOS DE NITROGÊNIO –

São o monóxido de nitrogênio e, sobretudo, o dióxido de nitrogênio (NO2) que se formam nos processos de combustão, especialmente nos motores dos automóveis ou nas usinas elétricas.

O dióxido de nitrogênio é o mais nocivo dos dois para a saúde humana. Por estar relacionado com o transporte terrestre, afeta muito as cidades, e suas emissões são maiores nos motores a diesel.

A OMS classificou o diesel como elemento cancerígeno, e as emissões dos motores a gasolina como prováveis cancerígenos.

O NO2, um gás irritante, favorece a asma e as doenças pulmonares em crianças. Na Europa e América do Norte, a OMS associa a diminuição da função pulmonar às concentrações atuais de NO2.

O dióxido de nitrogênio é também o principal agente responsável da formação dos aerossóis de nitratos – que representam uma proporção significativa dos OM 2,5 e do ozônio – na presença dos raios ultravioleta.

– OUTROS POLUENTES –

O dióxido de enxofre, procedente da combustão do carvão e do petróleo, provoca patologias respiratórias.

O amoníaco (NH3) está vinculado às emissões da agricultura, significativas na primavera, no momento dos fertilizantes.

Em períodos de calor, especialmente no verão, também deve-se levar em conta o ozônio (O3), um gás corrosivo procedente das reações entre vários poluentes (transportes, agricultura, indústria transformadora…) sob o efeito do sol.

A indústria emite também metais pesados, apesar de que se tenham realizado avanços, sobretudo com o chumbo e o cádmio.

Por último, os especialistas consideram que seria necessário monitorar o impacto das últimas tecnologias, como as nanotecnologias e alguns pesticidas.

Fonte: AFP

Por que o cerrado merece mais atenção da política para o clima

Um artigo científico recente traz novas e úteis informações para melhor concatenar a política brasileira sobre mudança climática com o combate ao desmatamento, ainda a principal fonte das emissões nacionais de carbono (gases do efeito estufa).

O flanco mais arejado do agronegócio deveria tomar nota. Isso, claro, se de fato quiser atuar com base em evidências, e não delegar a política do setor à atrasada bancada ruralista.

No estudo “Who Owns the Brazilian Carbon?” (Quem é o Dono do Carbono Brasileiro?, em tradução livre), parte-se da constatação de que o Brasil é o campeão das emissões por mudanças no uso da terra (leia-se: desmatamento), modalidade que responde por um décimo da poluição climática no mundo. Após recuar 80% entre 2005 e 2012, a destruição da floresta amazônica por aqui voltou a subir.

Além disso, o padrão de desmate está mudando. No passado predominava o corte raso de grandes extensões para implantar fazendas de gado. Agora a devastação ocorre em fragmentos menores, não raro por iniciativa de pequenos proprietários de terra ou posseiros.

Em qualquer dos casos, a biomassa –madeira, folhas, raízes etc.­– da floresta derrubada se transforma em gases, pelo fogo ou por decomposição. O principal deles é o dióxido de carbono (CO2), gás do efeito estufa mais comum na retenção de radiação solar na atmosfera, aquecendo-a.

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Fonte: Folha de S.Paulo

Emissões mundiais de CO2 voltam a crescer após três anos de estabilidade

Estudo é elaborado anualmente por cerca de 80 cientistas de 15 países

As emissões mundiais de dióxido de carbono (CO2) procedentes da queima de combustíveis fósseis crescerão 2% em 2017 após três anos de estabilidade, devido fundamentalmente ao maior uso de carvão na China, segundo demonstra o Orçamento Global de Carbono. O estudo, denominado em inglês Carbon Budget Project, que é elaborado anualmente por cerca de 80 cientistas de 15 países e que será publicado na revista científica “Nature Climate Change”, foi apresentado nesta segunda-feira pelos seus autores principais na Cúpula do Clima de Bonn (COP23).

A sua principal conclusão é que 2017 fechará com 37 bilhões de toneladas de dióxido de carbono a mais na atmosfera pela queima de combustíveis fósseis, o que representa um aumento de 2% com relação ao número do ano anterior, com uma margem de erro de entre 0,8% e 3%. Se a esse número fosse somado o resto de emissões de CO2 causadas por outras atividades como o desmatamento, 2017 terminaria com 41 bilhões de toneladas a mais de CO2.

Glen Peters, diretor do centro de pesquisa CICERO em Oslo e um dos autores principais, afirmou que “o aumento das emissões em 2017 se deve principalmente ao crescimento das emissões da China, que aumentarão 3,5% após dois anos estabilizados”.

Os cientistas apontaram diretamente a um maior uso do carvão (3% a mais que em 2016), que continua sendo a principal fonte de energia na China, e a uma menor geração hidrelétrica como os fatores causadores do aumento de emissões do gigante asiático, que é fundamental no resultado global já que é responsável por 28% dos gases. No entato, o número de crescimento de emissões na China é inferior ao aumento de seu Produto Interno Bruto (PIB) previsto para 2017, que é 6,8%.

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Fonte: Época Negócios

Qual o efeito de mais CO2 na atmosfera para a Amazônia?

Experimento internacional próximo a Manaus quer descobrir se aumento de emissões pode ajudar a floresta a crescer e a combater os efeitos do aquecimento global.

As florestas desempenham papel crucial para regular as mudanças do clima. Experimento quer descobrir se aumento de emissões pode ajudar as plantas a crescer e combater os efeitos do aquecimento global. Com a queima de combustíveis fósseis, os níveis de dióxido de carbono na atmosfera estão aumentando rapidamente.

Os riscos causados para o aumento da temperatura global são conhecidos – mas cientistas têm menos certeza do efeito direto de mais CO2 em florestas tropicais como a Amazônia.

Uma teoria que intriga é que um nível mais alto de CO2 na atmosfera pode, na verdade, tornar as florestas mais resistentes aos impactos das mudanças climáticas.

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Fonte: Deutsche Welle reproduzido no G1

Dê sua opinião: projeto quer proibir veículos movidos a gasolina ou diesel até 2040

Se o Projeto de Lei do Senado 304/2017 for aprovado, não será mais permitido vender no Brasil nenhum veículo novo movido a gasolina ou diesel a partir de 2030 e, a partir de 2040, ficará proibida a circulação de qualquer automóvel desse tipo.

De autoria do senador Ciro Nogueira (PP-PI), o PLS 304/2017 aguarda a designação de relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Ele também será examinado pela Comissão de Meio Ambiente (CMA), à qual caberá a decisão terminativa (ou seja, a decisão da comissão será definitiva no Senado).

projeto veda, a partir de 2030, a comercialização, e, a partir de 2040, a circulação de veículos novos que utilizem motor a combustão, a não ser que utilizem exclusivamente biocombustíveis como etanol. Ficará permitida também a venda de veículos movidos a eletricidade.

São abertas, no entanto, algumas exceções à regra. Pelo projeto, automóveis de coleção, veículos oficiais e diplomáticos, ou carros de visitantes estrangeiros (mas não de residentes) poderão continuar circulando no país, ainda que usem combustíveis fósseis.

Outros países estão tomando decisões semelhantes. O Reino Unido e a França querem proibir a venda de veículos movidos a combustíveis fósseis a partir de 2040; a Índia, a partir de 2030 e a Noruega, já em 2025. Há, inclusive, montadoras que já anunciaram planos para fabricar exclusivamente veículos elétricos a partir de 2019.

O autor do projeto aponta as iniciativas desses países e lembra que veículos em geral, no mundo todo, são responsáveis por um sexto das emissões de dióxido de carbono na atmosfera, gás proveniente da queima de combustíveis fósseis e importante agente causador do efeito estufa, que leva ao aquecimento global. Banir esse tipo de veículo, afirma o senador, será muito vantajoso para o Brasil, que já faz uso intenso de biocombustíveis.

Qual a sua opinião sobre o projeto? Vote: http://bit.ly/PLS304-2017

Fonte: Senado Notícias

Concentração de CO2 na atmosfera pode reduzir nutrientes em vegetais

Os nutrientes em vegetais hoje são fonte de proteína de 76% da população mundial. O fenômeno pode levar 148 milhões de pessoas a, em 2050, entrar em risco de deficiência alimentar

Carnes, ovos e laticínios são alimentos considerados comumente fontes de proteína. Porém, para 76% da população mundial, as plantas desempenham esse papel, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Afinal, elas são mais baratas e podem ser cultivadas no quintal de casa. O problema é que, em alguns anos, a quantidade de proteínas presente em muitos vegetais poderá diminuir, colocando cerca de 148 milhões de pessoas em risco de deficiência alimentar e morte precoce, particularmente as que vivem em áreas mais pobres. É o que mostra um estudo da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, divulgado, nesta semana, na revista Environmental Health Perspectives.

 Segundo a pesquisa, o aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera diminui a quantidade de nutrientes em diversas espécies de planta. A previsão dos investigadores é de que, em 2050, caia a quantidade de proteínas presente no arroz (em 7,6%), no trigo (7,8%), na cevada (14,1%) e nas batatas (6,4%). Como grande parte do mundo depende das fontes vegetais de proteínas, o estudo prevê também que as populações de 18 países perderão mais de 5% da quantidade do nutriente em suas dietas.

Apenas na Índia, 53 milhões de pessoas podem entrar em risco de deficiência proteica devido à emissão de poluentes. “Em Bangladesh, por exemplo, as populações pobres tiram 75% da sua energia do arroz”, complementa Marie Ruel, diretora da Divisão de Pobreza, Saúde e Nutrição do Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar, o IFPRI. “Quanto mais pobre o país, maior a proporção de energia consumida que é derivada de plantas”, complementa.

Causa desconhecida

Atualmente, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera está na casa das 400 partes por milhão. Até 2050, as projeções sugerem um aumento de 150 partes por milhão caso seja mantida a taxa atual de emissão do poluente. Um estudo publicado por Samuel Myers em 2014, na revista Nature, mostrou que a alta concentração de carbono na atmosfera diminui a quantidade de proteínas, ferro e zinco em vegetais cultivados.

Samuel Myers é pesquisador no Departamento de Saúde Ambiental de Harvard e também um dos autores do estudo divulgado nesta semana. Ele e colegas repetiram os experimentos e confirmaram o impacto sobre as plantas. A pesquisa baseou-se em dados de experimentos de campo em que os vegetais foram expostos a altas concentrações de CO2. Informações nutricionais da Organização das Nações Unidas foram usadas para calcular o impacto dessa redução de proteínas nas pessoas vulneráveis.

Apesar da confirmação dos resultados, o que exatamente causa a perda de nutrientes nas plantas ainda não é conhecido. “A resposta curta é que nós não sabemos, apesar de gastarmos muito tempo explorando isso”, diz Samuel Myers. “Nós sabemos que é mais complicado do que uma simples diluição de nutrientes com carboidratos porque descobrimos que nutrientes diferentes mudaram em proporções diferentes.”

Mais vulneráveis

Segundo Marie Ruel, que não participou da pesquisa, dentro da população atingida, crianças e mulheres em idade reprodutiva são as mais vulneráveis. Os meninos e as meninas precisam de energia e nutrientes adicionais para crescer e se desenvolver, e as mulheres, de mais nutrientes quando estão grávidas ou amamentando. “A desnutrição causa mortalidade infantil, infecções repetidas e atraso no desenvolvimento cognitivo e motor”, alerta a especialista.

E os impactos da alimentação deficiente não se limitam aos indivíduos afetados. “Crianças desnutridas se tornam adultos pouco desenvolvidos, com baixa escolaridade, habilidades cognitivas reduzidas, oportunidades de trabalho limitadas e, por consequência, com baixa renda, perpetuando a transmissão de desnutrição e pobreza entre as gerações”, ressalta Marie Ruel.

Para evitar o problema, o passo mais importante é investir na diminuição das emissões de carbono, mas Samuel Myers aponta algumas alternativas. “Promover dietas mais variadas, fortificar biologicamente as plantações, suplementação de nutrientes e, possivelmente, criar plantas menos sensíveis ao gás carbônico”, lista o pesquisador. “A maioria dessas intervenções já existe há um longo tempo, mas ainda temos bilhões de pessoas sofrendo de deficiências nutricionais. Então, não existe uma solução mágica.”

Marie Ruel chama a atenção também para a importância de se considerar as transformações nutricionais que as populações vêm conduzindo, incluindo as mais vulneráveis. “Eu acho que esse é um estudo importante e que suas implicações são válidas de se mencionar nos debates de políticas contra a desnutrição. Porém, essas estimativas não levam em conta que as dietas mudam constantemente”, ressalta. “Com o crescimento econômico e a urbanização, as pessoas tendem a ter mais renda, o que muda de forma importante suas dietas, inclusive com a redução da dependência de fontes vegetais de proteínas. Logo, apesar desse declínio nas proteínas em plantas ser preocupante, é provável que as estimativas do número de pessoas que sofrerão com isso estejam superestimadas.”

Fonte: Correio Braziliense

Pagar para preservar árvores ajuda a combater o aquecimento global

Pagar pequenas quantias de dinheiro para convencer os proprietários de terras a não cortarem suas árvores é uma estratégia altamente eficaz para reduzir as emissões de carbono que impulsionam as mudanças climáticas, disseram pesquisadores nesta quinta-feira (20).

As árvores são importantes porque absorvem muito dióxido de carbono, que é um subproduto da queima dos combustíveis fósseis e é o principal motor do aquecimento global.

A análise de um sistema chamado “Pagamentos por Ecossistemas” em Uganda mostrou que seus benefícios para o meio ambiente foram 2,4 vezes maiores do que os custos do programa, disse o estudo, publicado na revista americana Science.

“Os pagamentos mudaram o comportamento das pessoas e as levaram a conservar”, disse a autora principal do estudo, Seema Jayachandran, professora de Economia no Weinberg College of Arts and Sciences da Northwestern University.

O estudo, realizado durante dois anos no oeste de Uganda, analisou o impacto de oferecer aos proprietários de terras 70.000 xelins ugandeses (US$ 28 em 2012) por ano por cada hectare de floresta em que eles deixaram as árvores intactas.

Sessenta cidades foram escolhidas aleatoriamente para receber incentivos, e 61 não receberam nenhum dinheiro para salvar as árvores.

Dados de satélite foram analisados para medir a cobertura de árvores, e monitores florestais realizaram verificações nas terras para buscar qualquer sinal de desmatamento recente.

“Nas cidades sem o programa, 9% da cobertura de árvores que estava nos locais no início do estudo desapareceu ao final, dois anos depois”, disse Jayachandran.

“Nas cidades com o programa, houve de 4% a 5% de perda de árvores. Em outras palavras, ainda havia desmatamento, mas muito menos”, acrescentou.

Após o estudo, as cidades que receberam os incentivos preservaram 13,5 hectares de floresta a mais do que as aldeias do grupo de comparação.

“Isso equivale a 3.000 toneladas métricas de dióxido de carbono não liberadas na atmosfera, com um custo total de apenas 46 centavos por tonelada não liberada ao longo dos dois anos do estudo”, afirmou o artigo.

Fonte: AFP

Níveis de CO2 estão se expandindo em direção ao seu recorde em mais de 200 milhões de anos

Não há como negar a contribuição indelével da humanidade para a mudança climática. Depois de milhões de anos de estabilidade relativa, apenas algumas centenas de anos de emissões de gases de efeito estufa vão carregar a Terra e suas criaturas em direção a um aquecimento sem precedentes. A descoberta é publicada na revista Nature Communications.

Se não houver redução nos próximos 100 ou 200 anos, as concentrações de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera da Terra subirão ao mais alto nível desde o período Triássico, há 200 milhões de anos. Se o CO2 continuar a aumentar, os próximos 200 a 300 anos se elevarão a um estado de aquecimento sem precedentes geológicos nos últimos 420 milhões de anos.

Para o estudo, a equipe reuniu mais de 1.241 estimativas de concentrações atmosféricas de CO2 de 112 estudos publicados, para criar um registro que remonta a 420 milhões de anos. Sabendo-se que uma medição direta de concentrações antigas de CO2 não é possível, os pesquisadores confiam em “proxies” indiretos para construir um registro. Isso incluiu dados publicados sobre plantas fossilizadas, a composição isotópica de carbono de antigas amostras de solo e a composição isotópica de boro de conchas fósseis.

A acumulação destes proxies revelam uma verdade surpreendente: Enquanto o clima da Terra teve poucas alterações no passado, a velocidade atual da mudança climática é excepcionalmente rápida.

Os níveis atmosféricos de CO2 dependem de uma variedade de fatores, incluindo vulcanismo, metamorfismo, meteorização do carbono orgânico, atividade humana e muitos outros. Evidentemente, houve alterações no registro climático ao longo da história, mas o clima permaneceu relativamente estável por milhões de anos até a Revolução Industrial.

Antes da Revolução Industrial, as concentrações de dióxido de carbono estavam em torno de 280 partes por milhão (ppm). Hoje, esse número aumentou para 400 partes por milhão. Em 2250, isso poderá ultrapassar 2.000 ppm se não houver esforços para mitigar as emissões. Níveis nuca vistos desde o período Triássico (220-200 milhões de anos atrás), com o clima atingindo um estado de calor nunca visto desde o período Devoniano (cerca de 400 milhões anos atrás). O aumento da temperatura é em parte devido à adição de um sol futuro mais quente.

Milhões de anos atrás, o Sol estava mais frio do que é hoje. Isso significa que naquela época sua produção de energia foi menor – com o tempo, ficou mais brilhante e sua intensidade aumentou lentamente. No entanto, se este for o caso, por que há poucas evidências para sugerir um aquecimento semelhante do clima? Isto, dizem os pesquisadores, é um delicado equilíbrio entre um sol brilhante e o declínio dos níveis de dióxido de carbono atmosférico.

“Devido a reações nucleares em estrelas, como nosso Sol, com o passar do tempo se tornam mais brilhantes”, disse o co-autor Dan Lunt, da Universidade de Bristol em um comunicado. “Isso significa que, embora as concentrações de dióxido de carbono tenham sido altas há centenas de milhões de anos atrás, o efeito líquido de aquecimento do CO2 e da luz solar foi menor”.

Ele explicou que seu novo registro de concentração de CO2 mostrou uma queda média de 3 a 4ppm por milhão de anos, o que, segundo ele, agiu como contrapeso ao brilho crescente do Sol.

“Isso pode não parecer muito, mas na verdade é apenas o suficiente para cancelar o efeito de aquecimento causado pelo brilho do sol através do tempo, por isso, a longo prazo, parece que o efeito líquido de ambos foi praticamente constante em média”, ele adicionou.

Esse equilíbrio está agora se quebrando, com o impacto industrial curto, mas poderoso, dos seres humanos nos últimos cem anos. Isto, no entanto, não significa que devemos jogar as mãos para cima e declarar que tudo está perdido. Existem soluções possíveis para mitigar tal futuro climático. As energias renováveis, a redução das emissões de combustíveis fósseis, a proteção do ambiente, a investigação inovadora e o Acordo de Paris constituem possíveis esperanças para mitigar as alterações climáticas. O desafio agora é decretar este futuro antes que o dano seja irreversível.

Fonte: Climatologia Geográfica

Acabamos de ultrapassar 410ppm de CO2, o maior nível em milhões de anos

Cientistas previram que isso aconteceria este ano – e aconteceu. Na terça-feira (18), o Observatório Mauna Loa, no Havaí, registrou sua primeira leitura de dióxido de carbono em mais de 410 partes por milhão: 410,28 ppm (partes do gás por milhão de moléculas de ar).

Segundo informa a revista “Scientific American”, o dióxido de carbono não atingiu níveis tão altos em milhões de anos. Os números representam uma nova atmosfera com a qual a humanidade terá de lidar, uma que está prendendo mais calor e fazendo com que o clima mude em um ritmo acelerado.

No que se tornou uma tradição do outono, o dióxido de carbono vem estabelecendo um recorde anual nesta época todo ano desde que começaram as medições. Em 1958, quando os registro começaram a ser feitos em Mauna Loa, os níveis eram de 280 ppm. Em 2013, passou dos 400 ppm. Apenas quatro anos depois, a marca de 400 ppm não é mais uma novidade – é a norma.

“É muito deprimente que seja apenas alguns anos desde que o marco de 400 ppm foi derrubado”, declarou ao portal do centro de pesquisa Climate Central no mês passado Gavin Foster, um pesquisador paleoclimático da Universidade de Southampton. “Esses marcos são apenas números, mas eles nos dão a oportunidade de fazer uma pausa, fazer um balanço e agir como réguas úteis para comparações com o registro geológico”.

El Niño e emissões humanas

No início deste ano, os cientistas do Met Office da U.K. emitiram sua primeira previsão em relação ao dióxido de carbono. Eles projetaram que o CO2 poderia chegar a 410 ppm em março e quase certamente chegaria a este nível em abril. Sua previsão foi confirmada com registro diário da última terça-feira, dia 18. Eles também projetam que a média mensal chegará a um pico próximo de 407 ppm em maio, estabelecendo um recorde mensal.

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Fonte: HypeScience

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