Mais de 95% da população mundial está exposta à poluição atmosférica

Em 2016, a poluição atmosférica contribuiu para cerca de 6,1 milhões de mortes em todo o mundo. Países em desenvolvimento são os mais afetados.

Mais de 95% da população mundial respira ar poluído, sendo as comunidades economicamente desfavorecidas as mais atingidas. Esses dados constam em um novo estudo publicado nesta terça-feira (17/04) pelo Health Effects Institute, sediado em Boston, EUA. O estudo baseou-se em informações recolhidas através de satélites e de novas ferramentas de monitorização, para estimar o número de pessoas expostas em todo o mundo a níveis de poluição atmosférica acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Bilhões de pessoas estão expostas a ar tóxico nas zonas urbanas, especialmente nos países em desenvolvimento que estão ficando para trás na adoção de medidas de combate à poluição atmosférica. Contudo, as áreas rurais não se encontram livres de risco, uma vez que a queima de combustíveis sólidos é também uma das grandes causas de poluição do ar. Uma em cada três pessoas em todo o mundo enfrenta um duplo risco de poluição atmosférica, tanto dentro como fora de casa, segundo informações do relatório anual sobre o Estado do Ar Global de 2018 (State  of Global Air  Report, em inglês). Em 2016, a poluição atmosférica, tanto em ambientes externos como internos, causou uma em cada quatro mortes registadas na Índia e uma em cada cinco na China.

A queima de combustíveis sólidos, como a madeira, o carvão vegetal e outros tipos de biomassa para fins domésticos, como o aquecimento ou para cozinhar, expôs 2,6 mil milhões de pessoas a ar contaminado em ambientes fechados em 2016. Contudo, é importante salientar que o número de pessoas dependentes de combustíveis sólidos diminuiu de 3,6 mil milhões em 1990 para cerca de 2,4 mil milhões em 2016, apesar do aumento da população mundial.

Estima-se que a poluição do ar seja o quarto principal fator nas mortes prematuras registradas em todo o mundo, logo a após à hipertensão, à dieta e ao tabagismo, constituindo ainda o maior risco ambiental para a saúde. De acordo com o jornal Guardian, os especialistas acreditam que a exposição ao ar tóxico teve impacto na morte de mais de 6 milhões de pessoas em todo o mundo em 2016, tendo contribuído para o aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC), ataque cardíaco, cancro do pulmão e doença pulmonar crônica. A China e a Índia — dois dos principais países afetados pela poluição — contabilizaram mais de metade do total destas mortes.

“A poluição do ar tem um enorme impacto nas pessoas em todo o mundo, dificultando a respiração para pessoas com doenças respiratórias, enviando jovens e idosos para o hospital (…) e contribuindo para mortes precoces”, disse Bob O’Keefe, vice-presidente do instituto autor do estudo, em comunicado citado pela estação televisiva CNN.

Enquanto os países desenvolvidos se empenharam na implementação de medidas de combate à poluição atmosférica, nos países em desenvolvimento, por outro lado, “os sistemas de controle da poluição do ar ainda estão atrasados”, disse O’Keefe citado pelo jornal Guardian. Isto faz com que a diferença nos níveis de poluição atmosférica entre os países seja cada vez maior. O estudo mostrou um progresso em países como a China. No entanto, nações como o Paquistão e o Bangladesh destoam. “Existem razões para haver otimismo, embora haja um longo caminho a percorrer. A China parece estar movimentando-se agressivamente, por exemplo, no corte do carvão e em [medidas] de controle mais eficazes. A Índia começou a intensificar [o combate à] poluição do ar em ambientes fechados, por exemplo, através do fornecimento de GPL (gás liquefeito de petróleo) como combustível para cozinhar [em vez de combustíveis sólidos], e através da eletrificação”, acrescentou o especialista.

As emissões de gases tóxicos resultantes do tráfego rodoviário continuam também a ser fonte de preocupação. O diesel é a principal causa de poluição atmosférica em alguns países desenvolvidos. Em países mais pobres, um parque veicular envelhecido e tendencialmente movido a gasolina é responsável pela emissão de partículas finas no ar (PM2.5) que matam, por ano, milhões de pessoas.

O fóssil do dia

É preocupante o recente anúncio da Organização Meteorológica Mundial (OMM) de que os níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera estão aumentando em velocidade recorde. Enquanto isso, continuaram as divergências entre as nações ricas, emergentes e em desenvolvimento, em especial quanto aos fundos para a preservação e restauração de ecossistemas e biomas.

Um desserviço ao Planeta que se reforçou em termos práticos foi a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris. Os norte-americanos estão levando muito a sério o anúncio da retirada feito pelo presidente Donald Trump. Pasmem, mas é importante lembrar que o único evento oficial do país na COP 23 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), realizada em novembro, em Bonn, Alemanha, foi referente à moção de “acesso universal aos combustíveis fósseis e à energia nuclear”, apresentada por executivos de multinacionais desses setores, incluindo uma gigante do carvão.

O Brasil, embora tenha ratificado os seus compromissos inerentes ao Acordo de Paris (reduzir as emissões de carbono, na comparação com o ano de 2005, em 37% até 2025 e em 43% até 2030), também mereceu um destaque negativo em Bonn, ao “ganhar” o Prêmio Fóssil do Dia, conferido pela Climate Action Network, rede de ONGs ambientalistas, a países que apresentam retrocesso na luta contra o aquecimento global. A “láurea” foi um “reconhecimento” à Medida Provisória 795, que estabelece subsídios para companhias petrolíferas, via renúncia fiscal que pode chegar a R$ 1 trilhão até 2040. Isso está na contramão da nova economia da energia limpa e renovável.

A MP contrariou frontalmente todas as teses e propostas da COP 23 voltadas ao equacionamento da redução das emissões. Mais do que isso, pode ser considerada contraditória em relação aos esforços do próprio governo brasileiro no sentido de estimular os biocombustíveis, que são o grande salto da matriz energética nacional e também da mundial. Nenhum país tem o potencial do nosso para produzir etanol e biodiesel num elevado padrão de sustentabilidade (econômica, ambiental e social). Há de se considerar, também, outras fontes renováveis, como a eólica e a hidrelétrica.

O Brasil, que lançou sua candidatura para sediar a COP 25, em 2019, é estratégico para o Planeta no advento de uma nova era energética. Um tempo de consciência e bom senso, no qual a humanidade precisa vencer as mudanças climáticas, atender aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, incluindo a mitigação da pobreza e uma economia inclusiva, e impedir que a degradação ambiental e o aquecimento agravem muito as desigualdades e inviabilizem a qualidade da vida. Para cumprir sua missão com eficácia, nosso país precisa afastar-se de “troféus” como o Fóssil do Dia e ratificar, com medidas concretas e eficientes, a sua vocação e capacidade de ser o grande referencial do novo mundo sem carbono!

Nesse sentido, vale ressaltar que o Projeto de Lei da Câmara Federal que cria a Política Nacional de Biocombustíveis, denominado RenovaBio, acaba de ser aprovado no Senado Federal. A rápida tramitação nas duas casas legislativas, com muitas poucas emendas, demonstra positiva responsabilidade dos parlamentares em promover importantes mudanças. Cabe ao presidente da República, agir também com rapidez e sancionar o referido diploma legal.

Artigo de João Guilherme Sabino Ometto, engenheiro (Escola de Engenharia de São Carlos – EESC/USP) e presidente do Conselho de Administração da São Martinho e membro da Academia Nacional de Agricultura

 

Fonte: Bem Paraná

Confira algumas opiniões sobre o futuro de combustíveis fósseis

(Bloomberg) — Apesar do burburinho sobre a energia eólica, a energia solar e os carros elétricos, os executivos de empresas de energia tinham muito a dizer na terça-feira (10/04) sobre o papel atual dos combustíveis fósseis e da energia nuclear na cúpula da Bloomberg New Energy Finance sobre o futuro da energia.

O magnata da mineração Bob Murray defendeu apaixonadamente o carvão e afirmou que todos nós “morreríamos no escuro” sem ele. Ethan Zindler, um analista da Bloomberg New Energy Finance, contribuiu com o contra-argumento ao dizer que os fundamentos econômicos das usinas de carvão dos EUA simplesmente deixaram de funcionar.

Confira o que executivos de empresas como BP e Tellurian disseram sobre o futuro dos combustíveis fósseis em um mundo que combate a mudança do clima.

BP: o petróleo depois de Paris

O diretor financeiro da BP, Brian Gilvary, considera que petróleo e gás terão papéis fundamentais, embora a maioria dos países esteja empenhada em reduzir a emissão dos gases causadores do efeito estufa, que provocam o aquecimento global. “Muita gente acha que o que foi definido em Paris se resumiu a uma corrida para desenvolver energias renováveis”, disse Gilvary. “Na verdade, foi uma corrida para reduzir emissões.” Portanto, muitos tipos diferentes de entrarão na matriz energética, disse Gilvary. A demanda por petróleo se manterá forte até cerca de 2040 e se estabilizará, em vez de atingir um pico, disse Gilvary. “Continuaremos buscando projetos mundiais. Mas faremos isso garantindo que começaremos a reduzir as emissões em nossa própria empresa.”

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Fonte: Bloomberg

Solar, eólica e baterias formam trio imbatível contra combustíveis fósseis

Análise da Bloomberg New Energy Finance mostra que a redução dos custos das tecnologias verdes ofusca investimentos em carvão e gás

São Paulo – Os tempos do carvão e do gás como fontes de energia atrativas para se investir, tanto pelo baixo custo quanto pela flexibilidade de responder às altas e baixas da demanda na rede, estão cada vez mais próximos do fim.

Segundo uma análise da Bloomberg New Energy Finance, o carvão e o gás enfrentam uma ameaça crescente a sua posição no mix mundial de geração de eletricidade, como resultado das “espetaculares” reduções nos custos das tecnologias de geração eólica solar e, principalmente, com a expansão do mercado de baterias para armazenamento de energia.

Para todas as tecnologias, o relatório da BNEF analisou os custos nivelados da eletricidade (ou LCOE), que cobre todas as despesas de geração de uma planta nova, como custos de desenvolvimento de infraestrutura, licenciamento e permissões, equipamentos e obras civis, finanças, operações, manutenção e matéria-prima.

A análise destaca que as energias eólica e solar fotovoltaica vêm reduzindo sistematicamente seus custos nivelados de eletricidade e aumentando sua posição competitiva, graças à queda dos custos de capital com tecnologias mais baratas ganhos em eficiência e aumento de leilões em todo o mundo.

No primeiro semestre de 2018, por exemplo, o LCOE global de referência para a energia eólica terrestre é de US$ 55 por megawatt-hora (MWh), 18% abaixo dos primeiros seis meses do ano passado, enquanto o equivalente para a fotovoltaica solar é de US $ 70 por MWh, também 18% abaixo.

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Fonte: Exame

Custo menor da energia renovável desbanca combustíveis fósseis

(Bloomberg) — A equação econômica da geração de eletricidade a partir de combustíveis fósseis está se deteriorando rapidamente diante da queda de custos das tecnologias de energia renovável.

É esta a conclusão de um relatório da Bloomberg New Energy Finance (BNEF) sobre o nivelamento dos custos de energia, que contempla despesas com compras de equipamentos, pagamento de dívidas e operação de usinas com cada tecnologia. Na maioria dos lugares, sistemas de energia solar e eólica vão funcionar com menos recursos do que os sistemas a carvão até 2023, afirmou o grupo de pesquisa nesta quarta-feira (28/03).

“Algumas estações elétricas existentes movidas a carvão e gás, com custos de capital já amortizados, continuarão funcionando por muitos anos”, disse Elena Giannakopoulou, chefe da área de economia energética da BNEF. “Mas a justificativa econômica para construção de mais capacidade com carvão e gás está ruindo.”

O estudo de 104 páginas contextualizou os fatores que entram nos cálculos para definir a melhor forma de gerar eletricidade nos próximos anos. A BNEF examinou o setor em locais como China, EUA, Índia e Austrália e as principais tecnologias renováveis.

Um fator novo é que o custo das baterias de íon-lítio diminuiu 79 por cento desde 2010, de forma que a armazenagem de energia pode virar possibilidade nos próximos anos. O preço por megawatt-hora para geração de eletricidade em parques eólicos construídos em terra caiu 18 por cento neste início de 2018 para US$ 55, enquanto o custo com tecnologia fotovoltaica recuou 18 por cento para US$ 70.

Os sistemas solares e eólicos mais baratos agora se encontram na China e Índia, também campeãs em poluição. Por ora, são as fontes mais baratas de eletricidade, mesmo após o recuo significativo dos custos de energia solar e eólica.

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Fonte: Bloomberg

Emissões relacionadas à energia têm alta histórica em 2017

Mais de 70% da alta por energia foi atendida por fontes fósseis, como petróleo, gás natural e carvão

São Paulo – A demanda global por energia aumentou 2,1% em 2017, mais que o dobro da taxa do ano anterior, impulsionada pelo forte crescimento econômico global.

Mais de 70% dessa alta foi atendida por fontes fósseis, como petróleo, gás natural e carvão, enquanto as energias renováveis, como solar, eólica e hidrelétrica ​​responderam por quase todo o restante.

Como resultado, as emissões globais de dióxido de carbono (CO2) relacionadas à energia aumentaram 1,4% em 2017, após três anos permanecendo inalteradas, atingindo uma alta histórica de 32,5 gigatoneladas.

Os dados fazem parte de uma análise divulgada pela Agência Internacional de energia (IEA, na sigla em inglês).

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Fonte: Exame

Pesquisa mede resiliência da mobilidade urbana à falta de combustível

Proposta é prever o que aconteceria com a locomoção nas cidades brasileiras em caso de escassez de combustíveis fósseis

Muito se especula sobre o futuro da sociedade em caso de escassez de combustíveis fósseis. A fim de contribuir para o debate, um aluno da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP propôs em seu mestrado a seguinte pergunta: “O que aconteceria com as viagens diárias se não tivéssemos veículos motorizados disponíveis?”. Ao buscar respondê-la, Marcel Martins e o professor Antônio Nelson Rodrigues da Silva, orientador do estudo e vice-diretor da escola, estudaram o que é chamado de resiliência da mobilidade urbana.

Usando dados oficiais, a pesquisa analisou nas cidades de São Carlos e Maceió (AL) as viagens pendulares, que são aquelas realizadas com ida e volta no mesmo dia, em geral para cumprir uma jornada de trabalho, determinando os principais centros de partida e destinos das zonas urbanas. Dessa forma, foi possível verificar as distâncias entre esses centros e quais desses caminhos poderiam ser feitos sem o uso de automóveis. Estipulou-se também uma distância máxima possível realizada nos modos ativos (a pé ou de bicicleta). A partir desse dado, foi possível simular quais tipos de viagens sofreriam maior impacto em caso de falta de combustível fóssil.

Os trajetos internos de uma cidade foram classificados em quatro tipos. O primeiro são as “viagens persistentes”, que continuariam a existir mesmo com uma crise do veículo motorizado, uma vez que são aquelas já feitas por modos ativos e dentro do limite máximo de distância. O segundo tipo é composto de viagens motorizadas, dentro do limite estabelecido para o moto ativo, e são chamadas de “viagens adaptáveis” – ou seja, em tese poderiam ser feitas a pé ou de bicicleta sem maiores problemas. O terceiro tipo é chamado de “viagens transformáveis”, que são as realizadas por veículos motorizados ultrapassando os limites estipulados e, portanto, tornando mais difícil aos viajantes realizar adaptações ao contexto. Por fim, foram nomeadas como “viagens excepcionais” aquelas realizadas a pé e/ou por bicicleta mesmo estando acima dos limites de distância.

Imagem: Marcel Martins

 

Resiliente ou vulnerável?

Os pesquisadores então dividiram esses tipos de trajetos em duas categorias: resilientes e vulneráveis. As viagens persistentes, adaptáveis e excepcionais são classificadas como resilientes, uma vez que podem continuar a existir sem o uso de transportes motorizados. Logo, se houvesse uma crise de combustíveis fósseis, essas trajetórias não deixariam de existir. Já as viagens transformáveis são consideradas vulneráveis, uma vez que seriam diretamente afetadas em uma situação de escassez de combustível.

A resiliência é, portanto, a capacidade de reação de um sistema a se reorganizar ou se adaptar após um choque ou uma crise. “O veículo motorizado não vai deixar de existir. O problema é que estamos criando uma dependência muito grande dele, o que pode fazer com que tenhamos muita dificuldade na transição de um combustível para outro”, disse o vice-diretor da EESC.

O resultado final da pesquisa mostrou uma quantidade significativa de locomoções motorizadas realizadas dentro dos limites de distâncias para os modos ativos, o que demonstra uma alta dependência dos meios de transportes motorizados. “Isso reflete a situação da sociedade brasileira como um todo: a cultura do carro ainda está muito intrínseca em nós”, afirmou Marcel Martins. Para os pesquisadores, é necessário criar políticas públicas e trabalhar em soluções mais focadas em realizar a migração dos modos motorizados para os modos ativos, como a bicicleta e a caminhada, e também multiplicar a quantidade de centros de atividades econômicas dentro das cidades.

A pesquisa foi premiada pela Associação Nacional de Pesquisa e Ensino em Transportes (Anpet) neste ano e agora está sendo expandida para outras cidades brasileiras e de outros países, em uma parceria com a Universidade de Manchester, na Inglaterra.

Mais informações: anelson@sc.usp.br/mcm-mata@hotmail.com

Fonte: Jornal da USP

Contato com ar poluído, mesmo esporádico, aumenta o risco de ataque cardíaco, indica estudo

Casos de ataque cardíaco chegam a dobrar quando há alteração brusca na composição atmosférica de locais livres de poluição. Mudança na concentração de óxido de nitrogênio está ligada ao fenômeno

Pesquisadores têm mostrado como os altos índices de poluição atmosférica causam impacto na saúde das populações, incluindo a cardíaca. Um novo estudo divulgado na revista European Journal of Preventive Cardiology, porém, mostra que a preocupação em monitorar a quantidade de partículas que poluem o ar não deve se restringir a países e/ou cidades que enfrentam esse tipo de problema regularmente, como China e Índia. Mesmo em locais com o ambiente mais limpo, o aumento rápido de poluidores, principalmente o de óxido de nitrogênio, chega a dobrar o risco de ocorrência de ataque cardíaco.

Florian Rakers e colegas chegaram às conclusões conduzindo um estudo em Jena, cidade alemã com cerca de 110 mil habitantes e considerada um local com ar limpo. O registro de 693 casos de pacientes diagnosticados com ataque cardíaco e admitidos no Hospital Universitário da cidade entre 2003 e 2010 serviu de ponto de partida para os investigadores. “Comparamos os dados de mudanças na concentração de ozônio, PM10 – partículas inaláveis suspensas no ar – e óxido de nitrogênio no ar pouco antes dos primeiros sintomas de ataque cardíaco de cada paciente com os de mudanças dos mesmos poluentes uma semana antes do ocorrido”, explica Rakers, pesquisador da instituição universitária.

Os resultados mostraram que o aumento de mais de 20 miligramas por metro cúbico de óxido de nitrogênio em 24 horas foi associado ao registro de mais do que o dobro do risco de ocorrência de ataque cardíaco (121%). Quando a taxa chegou a 8 miligramas por metro cúbico, a vulnerabilidade caiu para 73%. “Esse risco provavelmente não depende apenas de exposição a longo ou a curto prazo em um ambiente com alta concentração dessas partículas, mas também da dinâmica e da extensão de seu crescimento”, pondera Rakers.

As variações repentinas de ozônio e PM10 não foram associadas à complicação cardíaca, muito embora a exposição a altas concentrações de ambos seja prejudicial à saúde humana, podendo causar doenças pulmonares, problemas cardiovasculares e aumento geral da taxa de mortalidade, ressalta o autor. Rakers também destaca que o estudo não buscou identificar as causas que levam ao aumento repentino dos poluentes.

No caso da mudança rápida na concentração de óxido de nitrogênio, porém, ele acredita que o problema possa ocorrer por alterações na intensidade do tráfego de veículos, como em um feriadão ou no começo das férias. Segundo o pesquisador, na União Europeia, os carros a diesel são a maior fonte de óxido de nitrogênio – mais de 50% são gerados pela combustão de combustíveis fósseis. “Os óxidos de nitrogênio são emitidos principalmente pelos transportes, é preciso reduzir o tráfego de carros em nossas cidades”, defende.

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Fonte: Portal Uai

Reduzir poluição pode evitar 153 milhões de mortes prematuras

O quantitativo de vidas poderia ser salvo caso as nações concordassem em diminuir emissões de combustíveis fósseis e em limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C no futuro próximo

Até 153 milhões de mortes prematuras associadas à poluição atmosférica podem ser evitadas em todo o mundo neste século se os governantes acelerarem as medidas para reduzir as emissões de combustíveis fósseis, alega estudo da Universidade de Duke publicado no site da revista Nature. O trabalho é o primeiro a projetar o número de vidas que poderiam ser salvas, cidade por cidade, considerando as maiores áreas urbanas do planeta, caso as nações concordassem em diminuir emissões e em limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C no futuro próximo, em vez de deixar para depois, como alguns países têm sugerido.

As mortes prematuras reduziriam em todos os continentes, com maiores ganhos na Ásia e na África. Kolkata e Déli, na Índia, lideram a lista das cidades que mais se beneficiariam com os cortes de emissão: até 4,4 milhões e 4 milhões de vidas, respectivamente, seriam poupadas, de acordo com as projeções do estudo. Treze outros municípios asiáticos ou africanos poderiam evitar mais de 1 milhão de óbitos prematuros, e cerca de 80 cidades poupariam ao menos 100 mil mortes.

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Fonte: Correio Braziliense

Como os fósseis entrarão para o museu dos combustíveis

A utilização dos combustíveis fósseis está com os dias contados. A sua escassez em um futuro breve e a crescente convicção de sua participação no aquecimento global vêm fazendo cidades, países e até montadoras anunciar prazos para o fim da comercialização de veículos movidos a alta quantidade de carbono.

No Brasil, ainda não existem metas ou projeções para limitar ou proibir a gasolina, o diesel ou o gás natural, mas algumas iniciativas governamentais e privadas vêm crescendo para mudar esse cenário.

Em dezembro passado, o presidente Michel Temer (PMDB) sancionou o RenovaBio, programa para incentivar a maior utilização de biocombustíveis, como o etanol e o biodiesel. O setor, que se viu “abandonado” desde a descoberta do pré-sal, agora vê um futuro promissor pela frente. “É um conjunto de diretrizes que faltava para o Brasil. Preenche uma lacuna não só para o etanol, mas para todos os biocombustíveis e opções energéticas se que possam se extrair da biomassa. [O Renova Bio] ainda precisa ser regulamentado neste semestre e deve ser implantado a partir de 2020”, declarou Alfred Szwarc, consultor de Emissões e Tecnologia da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

O programa é visto como peça-chave para o país cumprir as metas climáticas assumidas no Acordo de Paris, que prevê redução de 43% das emissões de gases estufa tendo 2005 como ano-base. “É fundamental, ele veio justamente para isso, dar um norte para a cadeia de produção e o etanol pode servir como um dos pilares no setor de transportes [que representa 1/3 da demanda energética]”, diz.

Uma das metas é dobrar para mais de 50 bilhões de litros a produção anual de etanol até 2030 (hoje na casa dos 26 bi) e emitir certificados de carbonos comprados pelas poluidores.

Segundo Szwarc, para sua regulamentação e implantação, o projeto precisa estar alinhado ao Rota 2030, que ainda não está pronto, mas deve ser anunciado em breve. O Rota 2030, voltado às montadoras, vai estipular uma série de metas de eficiência energética e segurança para os próximos 15 anos, além de conceder incentivos fiscais. No primeiro de três ciclos, a expectativa é que a eficiência dos automóveis de passeio melhore 12% –rendam mais sem ficar mais fracos.

“Com esses dois [programas], um na produção e outro na execução, o Brasil vai chegar a gestão eficiente da bionergia”, completa Szwarc.

Com emissão de CO2 que varia de 70% a 90% menos que a gasolina, de acordo com diversos estudos e o mercado consolidado, o etanol da cana-de-açúcar pode representar uma ponte sustentável até que os carros elétricos evoluam e se tornem competitivos.

Para o coordenador de Clima e Energia do Greenpeace, Ricardo Baitelo, “o grosso da transição” dos motores a combustão interna no país viria do álcool e do biodiesel. Como bom sinal, ele lembrou da lei sancionada em janeiro pela Prefeitura de São Paulo, que prevê reduções de COde 50% em 10 anos e 100% em 20 anos na frota de ônibus.

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Fonte: Metro Jornal

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