Milão, na Itália, quer proibir circulação de carros a diesel a partir de 2019

O projeto contra o diesel em Milão prevê que toda a cidade se torne uma “zona de baixa emissão” de poluentes

O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, anunciou que pretende proibir a circulação na cidade de carros a diesel mais poluentes a partir do dia 21 de janeiro de 2019. O projeto contra o diesel em Milão prevê que toda a cidade se torne uma “zona de baixa emissão” (Lez). A proibição deverá seguir a escala do padrão europeu de emissões, norma que disciplina a poluição de veículos da União Europeia (UE), que vai de 0 a 6.

De acordo com Sala, de segunda a sexta-feira, a circulação de veículos a diesel zero a três será proibida. Em outubro de 2019, o plano é estender a proibição para o nível quatro e, em seguida, haverá um plano para o diesel cinco.

O monitoramento será feito com centenas de câmeras que vão ser instaladas nos acessos para Milão. Além disso, sinalizações serão colocadas no trajeto com todas as proibições.

“Vamos começar agora porque será um processo de quatro anos que os cidadãos terão que se acostumar. Nossa filosofia não é feita de proibições, mas é um acompanhamento”, disse Sala.

Continue lendo aqui.

Fonte: Época Negócios

Cambridge prevê colapso trilionário dos combustíveis fósseis

(Bloomberg) — A demanda por combustíveis fósseis poderá cair repentinamente nas próximas décadas com o barateamento da tecnologia de energia limpa e à medida que os investidores começarem a exigi-la, concluiu um grupo de pesquisadores liderado por acadêmicos da Universidade de Cambridge.

O impulso por trás da mudança tecnológica na indústria de energia e os limites impostos aos gases causadores do efeito estufa podem provocar a eliminação de US$ 1 trilhão a US$ 4 trilhões do valor da economia global apenas em ativos de combustíveis fósseis, concluíram os pesquisadores. Uma queda dessa magnitude representaria muitas vezes o prejuízo de US$ 250 bilhões desencadeado pela crise financeira de 2008.

O resultado provavelmente será um forte declínio na demanda por combustíveis fósseis até 2035 e uma queda nos valores dos ativos, concluíram os pesquisadores, citando simulações econômicas preparadas por eles. O estudo indica que, mesmo que não sejam adotadas novas políticas climáticas, atingiu-se um ponto de inflexão que torna invendáveis muitos ativos das maiores empresas de energia.

“Contrariando as expectativas dos investidores, o encalhe dos ativos de combustíveis fósseis pode ocorrer mesmo que não haja novas políticas climáticas”, disse Jorge Viñuales, coautor do estudo da Universidade de Cambridge. “Isso sugere que está se formando uma bolha de carbono e que é provável que ela estoure.”

O HSBC Global Asset Management está entre os 250 administradores de riqueza que pedem que as empresas que detêm coloquem seus programas de investimento em sintonia com o Acordo de Paris. Uma queda nos preços dos combustíveis fósseis poderia provocar o estouro de uma “bolha de carbono”, segundo o estudo publicado na revista Nature Climate Change.

Haverá vencedores e perdedores econômicos claros, segundo os resultados, que incluíram contribuições da Radboud University, da Open University, da Universidade de Macau e da Cambridge Econometrics.

“Se os países da Opep mantiverem os níveis de produção em meio à queda dos preços, haverá uma debandada no mercado”, disse Hector Pollitt, da Universidade de Cambridge e da Radboud University, coautor do estudo. “Os países da Opep serão os únicos capazes de produzir combustíveis fósseis com os baixos custos necessários, e exportadores como EUA e Canadá não conseguirão competir.”

Fonte: Bloomberg

Como a greve dos caminhoneiros freou a poluição em São Paulo

Ligado ao Instituto de Estudos Aplicados da USP, o pesquisador Paulo Saldiva aproveitou a redução de veículos nas ruas para medir o que aconteceu com o ar da capital paulista

No dia 21 de maio de 2018, caminhoneiros iniciaram uma greve com bloqueios que fecharam estradas. O movimento teve como consequência a falta de diversas mercadorias dentro e fora das cidades, como medicamentos, ração para animais, alimentos, peças, e combustíveis. A ação dos caminhoneiros foi motivada pela alta no preço do diesel e da gasolina no último ano.

Em junho de 2017, o Estado abandonou a política de controle de preços de combustíveis pela Petrobras. Um mês depois, aumentou impostos sobre combustíveis para elevar a arrecadação. Em 12 meses, o litro do diesel, combustível utilizado por caminhões, ficou 12,5% mais caro nas bombas. O governo diz que há indícios de que donos de empresas de transporte impulsionaram as paralisações, que começaram a arrefecer após a promessa de novos benefícios fiscais.

A greve levou à falta de abastecimento de combustíveis nos postos e, consequentemente, à redução visível do trânsito nas grandes cidades. Ligado ao Instituto de Estudos Aplicados da USP (Universidade de São Paulo), o pesquisador Paulo Saldiva aproveitou essa rara oportunidade para medir como a qualidade do ar da cidade de São Paulo ficou com as ruas mais vazias.

Os dados preliminares focaram na concentração de NO2 (dióxido nitroso), um dos poluentes emitidos pela queima de combustíveis fósseis. Ela tomou o padrão de variação da poluição na semana anterior à greve, do dia 14 a 20 de maio, como base de comparação.

Continue lendo aqui.

Fonte: Nexo

Apagão dos combustíveis expõe urgência da necessidade de descarbonizar transportes

A atual greve dos caminhoneiros está mostrando de forma inequívoca que a excessiva dependência dos combustíveis fósseis é um sério problema de segurança nacional.

A exemplo do que já ocorreu no passado, quando as crises de energia elétrica alavancaram programas e iniciativas de eficiência energética e diversificação da matriz, o caos que o Brasil vive atualmente pode ajudar a lançar luzes sobre o futuro que queremos.

“É muito oportuno se discutir a eletrificação do sistema de transporte brasileiro. Quase 15% de toda carga transportada no Brasil é o próprio combustível que viaja milhares de quilômetros para chegar aos postos para abastecer os veículos. Num sistema de transporte baseado em eletricidade isto desapareceria, pois a energia circula pelo sistema integrado de energia elétrica”, explica Tasso Azevedo, coordenador do SEEG.

“Postos de recarga podem ser instalados de forma rápida em qualquer lugar e, ainda, serem carregados com energia solar no local. Embora o investimento inicial seja alto, os custos de operação dos veículos elétricos são muito mais baixos. Apesar dos óbvios benefícios, a eletrificação do transporte tem sido solenemente ignorada nas politicas de transporte, mobilidade e desenvolvimento da indústria automobilística no Brasil, como mostra de forma escancarada o Plano Rota 2030”, destaca.

Passados mais de 40 anos da criação do Proálcool, e mais de 10 anos da criação do programa de incentivo da produção e do uso de biodiesel, mais de 80% da energia que movimenta nosso sistema de transportes ainda é de origem fóssil: gasolina, querosene de aviação e óleo diesel. Ter alternativas tecnológicas à mão é fundamental, mas não parece ser suficiente.

“Para quem busca sistemas de transporte livres de combustíveis fósseis, estas crises revelam pistas sobre algumas questões de natureza não tecnológica que precisam ser enfrentadas, bem como acerca de atores sociais que devem ser levados em conta no debate sobre descarbonização dos sistemas de transportes”, explica André Ferreira, do Instituto de Energia e Ambiente.

Entre as razões estruturais que precisam ser abordadas está a excessiva dependência do transporte rodoviário, que os sistemas político e econômico têm enorme dificuldade em abordar. Entre os países de grandes dimensões, o Brasil é o que mais depende dos caminhões. Aqui estes respondem por 65% da carga transportada, enquanto na Austrália respondem por 53%, na China por 50%, no Canadá por 43%, nos EUA por 32% e, na Rússia por somente 8% (em tkm).

Vale observar que o caminhão é o mais perdulário dos modos de transporte: para transportar uma tonelada de carga útil por 100 quilômetros, os caminhões gastam – no Brasil – 2,3 litros de diesel, enquanto os trens gastam 0,4 litros e os navios 0,3 litros.

Carlos Rittl, do Observatório do Clima, diz que “o Brasil parece se esforçar demais para chegar atrasado no futuro. Enquanto vemos avançar mundo afora trens e caminhões com energia solar, internet das coisas e blockchain na logística de transportes, entre outras inovações, governo e políticos se restringem a discutir o preço e os subsídios aos combustíveis fósseis.

Continue lendo aqui

Fonte: Ambiente Energia

Costa Rica pode ser o primeiro país descarbonizado do mundo

O novo presidente da Costa Rica está determinado a acabar com os combustíveis fósseis em todo o país e foi exatamente isso que ele disse em sua posse. Certamente, é um passo muito importante para o futuro sustentável do país que está tomando uma decisão pioneira visando à qualidade de vida e principalmente as gerações futuras.

Durante sua posse, Carlos Alvarado, discursou sobre a importância da “tarefa titânica que será abolir o uso de combustíveis fósseis ”, sem prejudicar a economia do país, garantindo assim uma abertura para o uso de tecnologias e energias renováveis.

No percurso, até o local onde seria realizada a cerimônia de posse, Alvarado, de 38 anos, teve a oportunidade de dirigir um ônibus movido a hidrogênio e aproveitou para falar sobre a importância de acabar com os combustíveis fósseis no país o mais rápido possível.

O objetivo do presidente é dar início ao projeto e impedir o uso de combustíveis fósseis já em 2021 que marca o 200º ano da independência do país.

O país gera mais de 99% de sua eletricidade por meio de fontes renováveis. Contudo, especialistas dizem que chegar rapidamente a zero emissões de carbono, no setor de transportes, pode ser complicado. Oscar Echeverría, presidente da Associação de Importadores de Veículos e Máquinas, disse que: “Se não houver infraestrutura preparatória, competência, preços acessíveis e gerenciamento de resíduos, estaríamos levando este processo ao fracasso. Precisamos ter cuidado”.

O pesquisador de energia da Universidade da Califórnia em Berkeley, José Daniel Lara, disse que pode ser irreal cortar completamente os combustíveis fósseis em poucos anos, mas o plano pode abrir caminho para ações mais rápidas,“Uma proposta como esta deve ser vista por seu valor retórico e não por sua precisão técnica”, ressaltou.

Fonte: Meio Ambiente Rio

Poluentes de vida curta ameaçam clima, saúde e produção agrícola na América Latina, diz ONU

Até 2050, se adotarem medidas para combater os poluentes de vida curta, países da América Latina e do Caribe poderão reduzir em 0,9ºC o aumento da temperatura regional. A estimativa é de um relatório divulgado neste mês (19) pela ONU Meio Ambiente, que alerta para os riscos à saúde, à natureza e à produção agrícola de substâncias como o metano, o carbono negro, os hidrofluorocarbonos (HFC) e o ozônio.

A pesquisa da agência das Nações Unidas aponta que reduções desses compostos químicos poderiam provocar uma queda de 26% no número de mortes prematuras causadas pela poluição do ar por partículas finas. Quando considerados os óbitos associados à contaminação por ozônio, o índice poderia chegar a 40%.

A ONU Meio Ambiente estima que, em 2010, 64 mil pessoas morreram na América Latina e no Caribe devido à exposição a esses materiais.

Estratégias para mitigar os poluentes de vida curta também permitiriam evitar perdas anuais de 3 a 4 milhões de toneladas de cultivos básicos.

De acordo com o levantamento, em 2010, o ozônio foi responsável por um prejuízo de 7,4 milhões de toneladas em produtos agrícolas, como soja, milho, trigo e arroz.

Segundo a análise da ONU, até 2050, a mortalidade prematura, associada às partículas finas e ao ozônio, poderá dobrar. Já as perdas da agricultura poderão alcançar 9 milhões de toneladas por ano.


Ozônio

O ozônio é um gás que se forma tanto nas altas camadas da atmosfera (a estratosfera), como nas baixas (a troposfera). Na estratosfera, a substância protege a vida terrestre da radiação ultravioleta do sol. Mas na troposfera, ela atua como um poluente perigoso. O ozônio é um dos principais componentes de névoa urbana e o terceiro maior causador do aquecimento global, atrás apenas do metano e do gás carbônico. Pesquisas associaram o contato com a substância a índices mais altos de infartos, acidentes vasculares cerebrais, doenças cardiovasculares e problemas reprodutivos e de desenvolvimento. O gás também reduz o rendimento das safras e a qualidade e produtividade das plantações.

Podendo permanecer na atmosfera desde horas até dias, o ozônio é considerado um poluente secundário, pois não é emitido diretamente por uma atividade humana. Na verdade, a substância se forma quando gases precursores, como o metano, o monóxido de carbono e o óxido de nitrogênio, reagem na presença da luz solar. Por isso, é tão importante reduzir as emissões de metano.


 

A ONU Meio Ambiente lembra que o potencial de aquecimento atmosférico dos poluentes de vida curta é bem mais alto que o do gás carbônico, podendo atingir um valor mil vezes maior que a taxa atribuída ao dióxido de carbono.

A agricultura, o transporte e a refrigeração doméstica e comercial são, respectivamente, os maiores responsáveis pelas emissões de metano; carbono negro e partículas tóxicas finas; e hidrofluorocarbonos.

Soluções

O relatório das Nações Unidas apresenta medidas para diminuir as emissões desses compostos que desregulam o clima e ameaçam a vida no planeta.

Para combater o metano, são necessárias mudanças em quatro setores-chave – produção e distribuição de petróleo e gás, gestão de resíduos, mineração de carvão e agricultura. A pesquisa recomenda práticas de captura e uso dos gases liberados na produção de petróleo e gás; separação e tratamento dos resíduos sólidos municipais que sejam biodegradáveis; e captura do biogás proveniente do esterco do gado.

Até 2050, estratégias poderiam reduzir em 45% as emissões de metano.


Metano

O metano é o segundo gás com maior impacto sobre o aquecimento do planeta, depois do gás carbônico. A América Latina e o Caribe respondem por aproximadamente 15% de todas as emissões dessa substância. Quase todo o metano liberado na atmosfera vem de três setores: agricultura (cerca de 50%); produção e distribuição de carvão, petróleo e gás (em torno de 40%); e gestão de resíduos (por volta de 10%). O gás permanece na atmosfera por aproximadamente 12 anos e é considerado um importante precursor do ozônio.


 

O volume de carbono negro liberado nos países latino-americanos e caribenhos também pode ter queda considerável – de 80% – até 2050. Para isso, governos devem adotar normas equivalentes ao padrão europeu para regular os veículos a diesel, além de incorporar filtros para as partículas liberadas pelo combustível nesses automóveis.

Outras iniciativas exigidas são a eliminação dos veículos de altas emissões; a modernização de cozinhas e estufas; e a proibição da queima a céu aberto de resíduos agrícolas.

No caso dos hidrofluorocarbonos, a ONU Meio Ambiente recomenda a substituição desses compostos por alternativas que não tenham impacto sobre as variações do clima. Os HFCs são usados principalmente nos sistemas de refrigeração e ar condicionado, bem como na confecção de espumas isolantes e mecanismos de disparo aerosol. Até 2020, o consumo dessas substâncias deverá dobrar. Uma vez no ambiente, elas permanecem de 15 a 29 anos na atmosfera.

“Muitos países já estão implementando medidas para eliminar as emissões procedentes dos setores de transporte e energia, mas sua aplicação não é uniforme na região”, avalia a chefe da Secretaria da Coalizão Clima e Ar Limpo, Helena Molin Valdés.

“Políticas públicas mais exigentes e um maior controle da contaminação podem impulsionar os incentivos econômicos e os benefícios para a ação climática, a saúde, a agricultura e o desenvolvimento sustentável. É essencial agir rapidamente.”


Carbono negro

O carbono negro é formado a partir da combustão incompleta de combustíveis fósseis ou biocombustíveis. A substância contribui para a produção de partículas finas, associadas a doenças pulmonares e cardiovasculares, derrames, infartos, patologias respiratórias crônicas, como bronquite, e agravamento da asma.

A América Latina e o Caribe são responsáveis por menos de 10% do total global de emissões de carbono negro geradas pelo homem, excluindo da estimativa os incêndios florestais e em regiões de savana. O transporte e a queima residencial de combustíveis sólidos para o preparo de alimentos e aquecimento residencial são a causa de 75% das emissões na região. Mais de 60% delas vêm do Brasil e do México.


 

Para o diretor da ONU Meio Ambiente para a América Latina e o Caribe, Leo Heileman, nações devem se inspirar nas soluções apresentadas pelo levantamento.

“Se os países da região as adotarem, contribuirão para manter o aumento da temperatura do planeta abaixo do limiar de 2ºC estabelecido no Acordo Climático de Paris”, afirmou o representante do organismo internacional.

O relatório Avaliação Integrada dos Poluentes Climáticos de Vida Curta é o primeiro do tipo elaborado pela agência das Nações Unidas e reúne trabalhos de 90 autores, coordenados por um grupo de especialistas. A publicação foi lançada pela ONU em parceria com a Coalizão Clima e Ar Limpo.

Acesse o documento na íntegra clicando aqui.

Fonte: ONU Meio Ambiente

Mais de 95% da população mundial está exposta à poluição atmosférica

Em 2016, a poluição atmosférica contribuiu para cerca de 6,1 milhões de mortes em todo o mundo. Países em desenvolvimento são os mais afetados.

Mais de 95% da população mundial respira ar poluído, sendo as comunidades economicamente desfavorecidas as mais atingidas. Esses dados constam em um novo estudo publicado nesta terça-feira (17/04) pelo Health Effects Institute, sediado em Boston, EUA. O estudo baseou-se em informações recolhidas através de satélites e de novas ferramentas de monitorização, para estimar o número de pessoas expostas em todo o mundo a níveis de poluição atmosférica acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Bilhões de pessoas estão expostas a ar tóxico nas zonas urbanas, especialmente nos países em desenvolvimento que estão ficando para trás na adoção de medidas de combate à poluição atmosférica. Contudo, as áreas rurais não se encontram livres de risco, uma vez que a queima de combustíveis sólidos é também uma das grandes causas de poluição do ar. Uma em cada três pessoas em todo o mundo enfrenta um duplo risco de poluição atmosférica, tanto dentro como fora de casa, segundo informações do relatório anual sobre o Estado do Ar Global de 2018 (State  of Global Air  Report, em inglês). Em 2016, a poluição atmosférica, tanto em ambientes externos como internos, causou uma em cada quatro mortes registadas na Índia e uma em cada cinco na China.

A queima de combustíveis sólidos, como a madeira, o carvão vegetal e outros tipos de biomassa para fins domésticos, como o aquecimento ou para cozinhar, expôs 2,6 mil milhões de pessoas a ar contaminado em ambientes fechados em 2016. Contudo, é importante salientar que o número de pessoas dependentes de combustíveis sólidos diminuiu de 3,6 mil milhões em 1990 para cerca de 2,4 mil milhões em 2016, apesar do aumento da população mundial.

Estima-se que a poluição do ar seja o quarto principal fator nas mortes prematuras registradas em todo o mundo, logo a após à hipertensão, à dieta e ao tabagismo, constituindo ainda o maior risco ambiental para a saúde. De acordo com o jornal Guardian, os especialistas acreditam que a exposição ao ar tóxico teve impacto na morte de mais de 6 milhões de pessoas em todo o mundo em 2016, tendo contribuído para o aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC), ataque cardíaco, cancro do pulmão e doença pulmonar crônica. A China e a Índia — dois dos principais países afetados pela poluição — contabilizaram mais de metade do total destas mortes.

“A poluição do ar tem um enorme impacto nas pessoas em todo o mundo, dificultando a respiração para pessoas com doenças respiratórias, enviando jovens e idosos para o hospital (…) e contribuindo para mortes precoces”, disse Bob O’Keefe, vice-presidente do instituto autor do estudo, em comunicado citado pela estação televisiva CNN.

Enquanto os países desenvolvidos se empenharam na implementação de medidas de combate à poluição atmosférica, nos países em desenvolvimento, por outro lado, “os sistemas de controle da poluição do ar ainda estão atrasados”, disse O’Keefe citado pelo jornal Guardian. Isto faz com que a diferença nos níveis de poluição atmosférica entre os países seja cada vez maior. O estudo mostrou um progresso em países como a China. No entanto, nações como o Paquistão e o Bangladesh destoam. “Existem razões para haver otimismo, embora haja um longo caminho a percorrer. A China parece estar movimentando-se agressivamente, por exemplo, no corte do carvão e em [medidas] de controle mais eficazes. A Índia começou a intensificar [o combate à] poluição do ar em ambientes fechados, por exemplo, através do fornecimento de GPL (gás liquefeito de petróleo) como combustível para cozinhar [em vez de combustíveis sólidos], e através da eletrificação”, acrescentou o especialista.

As emissões de gases tóxicos resultantes do tráfego rodoviário continuam também a ser fonte de preocupação. O diesel é a principal causa de poluição atmosférica em alguns países desenvolvidos. Em países mais pobres, um parque veicular envelhecido e tendencialmente movido a gasolina é responsável pela emissão de partículas finas no ar (PM2.5) que matam, por ano, milhões de pessoas.

O fóssil do dia

É preocupante o recente anúncio da Organização Meteorológica Mundial (OMM) de que os níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera estão aumentando em velocidade recorde. Enquanto isso, continuaram as divergências entre as nações ricas, emergentes e em desenvolvimento, em especial quanto aos fundos para a preservação e restauração de ecossistemas e biomas.

Um desserviço ao Planeta que se reforçou em termos práticos foi a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris. Os norte-americanos estão levando muito a sério o anúncio da retirada feito pelo presidente Donald Trump. Pasmem, mas é importante lembrar que o único evento oficial do país na COP 23 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), realizada em novembro, em Bonn, Alemanha, foi referente à moção de “acesso universal aos combustíveis fósseis e à energia nuclear”, apresentada por executivos de multinacionais desses setores, incluindo uma gigante do carvão.

O Brasil, embora tenha ratificado os seus compromissos inerentes ao Acordo de Paris (reduzir as emissões de carbono, na comparação com o ano de 2005, em 37% até 2025 e em 43% até 2030), também mereceu um destaque negativo em Bonn, ao “ganhar” o Prêmio Fóssil do Dia, conferido pela Climate Action Network, rede de ONGs ambientalistas, a países que apresentam retrocesso na luta contra o aquecimento global. A “láurea” foi um “reconhecimento” à Medida Provisória 795, que estabelece subsídios para companhias petrolíferas, via renúncia fiscal que pode chegar a R$ 1 trilhão até 2040. Isso está na contramão da nova economia da energia limpa e renovável.

A MP contrariou frontalmente todas as teses e propostas da COP 23 voltadas ao equacionamento da redução das emissões. Mais do que isso, pode ser considerada contraditória em relação aos esforços do próprio governo brasileiro no sentido de estimular os biocombustíveis, que são o grande salto da matriz energética nacional e também da mundial. Nenhum país tem o potencial do nosso para produzir etanol e biodiesel num elevado padrão de sustentabilidade (econômica, ambiental e social). Há de se considerar, também, outras fontes renováveis, como a eólica e a hidrelétrica.

O Brasil, que lançou sua candidatura para sediar a COP 25, em 2019, é estratégico para o Planeta no advento de uma nova era energética. Um tempo de consciência e bom senso, no qual a humanidade precisa vencer as mudanças climáticas, atender aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, incluindo a mitigação da pobreza e uma economia inclusiva, e impedir que a degradação ambiental e o aquecimento agravem muito as desigualdades e inviabilizem a qualidade da vida. Para cumprir sua missão com eficácia, nosso país precisa afastar-se de “troféus” como o Fóssil do Dia e ratificar, com medidas concretas e eficientes, a sua vocação e capacidade de ser o grande referencial do novo mundo sem carbono!

Nesse sentido, vale ressaltar que o Projeto de Lei da Câmara Federal que cria a Política Nacional de Biocombustíveis, denominado RenovaBio, acaba de ser aprovado no Senado Federal. A rápida tramitação nas duas casas legislativas, com muitas poucas emendas, demonstra positiva responsabilidade dos parlamentares em promover importantes mudanças. Cabe ao presidente da República, agir também com rapidez e sancionar o referido diploma legal.

Artigo de João Guilherme Sabino Ometto, engenheiro (Escola de Engenharia de São Carlos – EESC/USP) e presidente do Conselho de Administração da São Martinho e membro da Academia Nacional de Agricultura

 

Fonte: Bem Paraná

Confira algumas opiniões sobre o futuro de combustíveis fósseis

(Bloomberg) — Apesar do burburinho sobre a energia eólica, a energia solar e os carros elétricos, os executivos de empresas de energia tinham muito a dizer na terça-feira (10/04) sobre o papel atual dos combustíveis fósseis e da energia nuclear na cúpula da Bloomberg New Energy Finance sobre o futuro da energia.

O magnata da mineração Bob Murray defendeu apaixonadamente o carvão e afirmou que todos nós “morreríamos no escuro” sem ele. Ethan Zindler, um analista da Bloomberg New Energy Finance, contribuiu com o contra-argumento ao dizer que os fundamentos econômicos das usinas de carvão dos EUA simplesmente deixaram de funcionar.

Confira o que executivos de empresas como BP e Tellurian disseram sobre o futuro dos combustíveis fósseis em um mundo que combate a mudança do clima.

BP: o petróleo depois de Paris

O diretor financeiro da BP, Brian Gilvary, considera que petróleo e gás terão papéis fundamentais, embora a maioria dos países esteja empenhada em reduzir a emissão dos gases causadores do efeito estufa, que provocam o aquecimento global. “Muita gente acha que o que foi definido em Paris se resumiu a uma corrida para desenvolver energias renováveis”, disse Gilvary. “Na verdade, foi uma corrida para reduzir emissões.” Portanto, muitos tipos diferentes de entrarão na matriz energética, disse Gilvary. A demanda por petróleo se manterá forte até cerca de 2040 e se estabilizará, em vez de atingir um pico, disse Gilvary. “Continuaremos buscando projetos mundiais. Mas faremos isso garantindo que começaremos a reduzir as emissões em nossa própria empresa.”

Continue lendo aqui.

Fonte: Bloomberg

Solar, eólica e baterias formam trio imbatível contra combustíveis fósseis

Análise da Bloomberg New Energy Finance mostra que a redução dos custos das tecnologias verdes ofusca investimentos em carvão e gás

São Paulo – Os tempos do carvão e do gás como fontes de energia atrativas para se investir, tanto pelo baixo custo quanto pela flexibilidade de responder às altas e baixas da demanda na rede, estão cada vez mais próximos do fim.

Segundo uma análise da Bloomberg New Energy Finance, o carvão e o gás enfrentam uma ameaça crescente a sua posição no mix mundial de geração de eletricidade, como resultado das “espetaculares” reduções nos custos das tecnologias de geração eólica solar e, principalmente, com a expansão do mercado de baterias para armazenamento de energia.

Para todas as tecnologias, o relatório da BNEF analisou os custos nivelados da eletricidade (ou LCOE), que cobre todas as despesas de geração de uma planta nova, como custos de desenvolvimento de infraestrutura, licenciamento e permissões, equipamentos e obras civis, finanças, operações, manutenção e matéria-prima.

A análise destaca que as energias eólica e solar fotovoltaica vêm reduzindo sistematicamente seus custos nivelados de eletricidade e aumentando sua posição competitiva, graças à queda dos custos de capital com tecnologias mais baratas ganhos em eficiência e aumento de leilões em todo o mundo.

No primeiro semestre de 2018, por exemplo, o LCOE global de referência para a energia eólica terrestre é de US$ 55 por megawatt-hora (MWh), 18% abaixo dos primeiros seis meses do ano passado, enquanto o equivalente para a fotovoltaica solar é de US $ 70 por MWh, também 18% abaixo.

Continue lendo aqui.

Fonte: Exame

Assine nossa newsletter e tenha acesso as principais notícias do setor


aprobio@aprobio.com.br
Av. Brigadeiro Faria Lima, 1903 - Conj. 91 - Jd. Paulistano - 01452-911 - São Paulo - SP - Tel: 55 11 3031- 4721