Poluentes de vida curta ameaçam clima, saúde e produção agrícola na América Latina, diz ONU

Até 2050, se adotarem medidas para combater os poluentes de vida curta, países da América Latina e do Caribe poderão reduzir em 0,9ºC o aumento da temperatura regional. A estimativa é de um relatório divulgado neste mês (19) pela ONU Meio Ambiente, que alerta para os riscos à saúde, à natureza e à produção agrícola de substâncias como o metano, o carbono negro, os hidrofluorocarbonos (HFC) e o ozônio.

A pesquisa da agência das Nações Unidas aponta que reduções desses compostos químicos poderiam provocar uma queda de 26% no número de mortes prematuras causadas pela poluição do ar por partículas finas. Quando considerados os óbitos associados à contaminação por ozônio, o índice poderia chegar a 40%.

A ONU Meio Ambiente estima que, em 2010, 64 mil pessoas morreram na América Latina e no Caribe devido à exposição a esses materiais.

Estratégias para mitigar os poluentes de vida curta também permitiriam evitar perdas anuais de 3 a 4 milhões de toneladas de cultivos básicos.

De acordo com o levantamento, em 2010, o ozônio foi responsável por um prejuízo de 7,4 milhões de toneladas em produtos agrícolas, como soja, milho, trigo e arroz.

Segundo a análise da ONU, até 2050, a mortalidade prematura, associada às partículas finas e ao ozônio, poderá dobrar. Já as perdas da agricultura poderão alcançar 9 milhões de toneladas por ano.


Ozônio

O ozônio é um gás que se forma tanto nas altas camadas da atmosfera (a estratosfera), como nas baixas (a troposfera). Na estratosfera, a substância protege a vida terrestre da radiação ultravioleta do sol. Mas na troposfera, ela atua como um poluente perigoso. O ozônio é um dos principais componentes de névoa urbana e o terceiro maior causador do aquecimento global, atrás apenas do metano e do gás carbônico. Pesquisas associaram o contato com a substância a índices mais altos de infartos, acidentes vasculares cerebrais, doenças cardiovasculares e problemas reprodutivos e de desenvolvimento. O gás também reduz o rendimento das safras e a qualidade e produtividade das plantações.

Podendo permanecer na atmosfera desde horas até dias, o ozônio é considerado um poluente secundário, pois não é emitido diretamente por uma atividade humana. Na verdade, a substância se forma quando gases precursores, como o metano, o monóxido de carbono e o óxido de nitrogênio, reagem na presença da luz solar. Por isso, é tão importante reduzir as emissões de metano.


 

A ONU Meio Ambiente lembra que o potencial de aquecimento atmosférico dos poluentes de vida curta é bem mais alto que o do gás carbônico, podendo atingir um valor mil vezes maior que a taxa atribuída ao dióxido de carbono.

A agricultura, o transporte e a refrigeração doméstica e comercial são, respectivamente, os maiores responsáveis pelas emissões de metano; carbono negro e partículas tóxicas finas; e hidrofluorocarbonos.

Soluções

O relatório das Nações Unidas apresenta medidas para diminuir as emissões desses compostos que desregulam o clima e ameaçam a vida no planeta.

Para combater o metano, são necessárias mudanças em quatro setores-chave – produção e distribuição de petróleo e gás, gestão de resíduos, mineração de carvão e agricultura. A pesquisa recomenda práticas de captura e uso dos gases liberados na produção de petróleo e gás; separação e tratamento dos resíduos sólidos municipais que sejam biodegradáveis; e captura do biogás proveniente do esterco do gado.

Até 2050, estratégias poderiam reduzir em 45% as emissões de metano.


Metano

O metano é o segundo gás com maior impacto sobre o aquecimento do planeta, depois do gás carbônico. A América Latina e o Caribe respondem por aproximadamente 15% de todas as emissões dessa substância. Quase todo o metano liberado na atmosfera vem de três setores: agricultura (cerca de 50%); produção e distribuição de carvão, petróleo e gás (em torno de 40%); e gestão de resíduos (por volta de 10%). O gás permanece na atmosfera por aproximadamente 12 anos e é considerado um importante precursor do ozônio.


 

O volume de carbono negro liberado nos países latino-americanos e caribenhos também pode ter queda considerável – de 80% – até 2050. Para isso, governos devem adotar normas equivalentes ao padrão europeu para regular os veículos a diesel, além de incorporar filtros para as partículas liberadas pelo combustível nesses automóveis.

Outras iniciativas exigidas são a eliminação dos veículos de altas emissões; a modernização de cozinhas e estufas; e a proibição da queima a céu aberto de resíduos agrícolas.

No caso dos hidrofluorocarbonos, a ONU Meio Ambiente recomenda a substituição desses compostos por alternativas que não tenham impacto sobre as variações do clima. Os HFCs são usados principalmente nos sistemas de refrigeração e ar condicionado, bem como na confecção de espumas isolantes e mecanismos de disparo aerosol. Até 2020, o consumo dessas substâncias deverá dobrar. Uma vez no ambiente, elas permanecem de 15 a 29 anos na atmosfera.

“Muitos países já estão implementando medidas para eliminar as emissões procedentes dos setores de transporte e energia, mas sua aplicação não é uniforme na região”, avalia a chefe da Secretaria da Coalizão Clima e Ar Limpo, Helena Molin Valdés.

“Políticas públicas mais exigentes e um maior controle da contaminação podem impulsionar os incentivos econômicos e os benefícios para a ação climática, a saúde, a agricultura e o desenvolvimento sustentável. É essencial agir rapidamente.”


Carbono negro

O carbono negro é formado a partir da combustão incompleta de combustíveis fósseis ou biocombustíveis. A substância contribui para a produção de partículas finas, associadas a doenças pulmonares e cardiovasculares, derrames, infartos, patologias respiratórias crônicas, como bronquite, e agravamento da asma.

A América Latina e o Caribe são responsáveis por menos de 10% do total global de emissões de carbono negro geradas pelo homem, excluindo da estimativa os incêndios florestais e em regiões de savana. O transporte e a queima residencial de combustíveis sólidos para o preparo de alimentos e aquecimento residencial são a causa de 75% das emissões na região. Mais de 60% delas vêm do Brasil e do México.


 

Para o diretor da ONU Meio Ambiente para a América Latina e o Caribe, Leo Heileman, nações devem se inspirar nas soluções apresentadas pelo levantamento.

“Se os países da região as adotarem, contribuirão para manter o aumento da temperatura do planeta abaixo do limiar de 2ºC estabelecido no Acordo Climático de Paris”, afirmou o representante do organismo internacional.

O relatório Avaliação Integrada dos Poluentes Climáticos de Vida Curta é o primeiro do tipo elaborado pela agência das Nações Unidas e reúne trabalhos de 90 autores, coordenados por um grupo de especialistas. A publicação foi lançada pela ONU em parceria com a Coalizão Clima e Ar Limpo.

Acesse o documento na íntegra clicando aqui.

Fonte: ONU Meio Ambiente

Cientistas alertam para risco de manipular clima

Pesquisadores de países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, fazem apelo para estarem à frente da geoengenharia . Argumento é de que seus territórios sofreriam mais com efeitos incertos de uma tecnologia controversa.

Um grupo de cientistas de países em desenvolvimento, como o Brasil, lançou um apelo para que tenha maior participação nas pesquisas de geoengenharia solar – o conceito de que, com a tecnologia, é possível fazer intervenções diretas no clima da Terra, reduzindo os impactos, por exemplo, do aquecimento global.

Controversa no mundo científico, a geoengenharia solar, inspirada nas grandes erupções vulcânicas que provocam o esfriamento da superfície terrestre ao encobrir o sol com uma camada de cinzas, é tradicionalmente dominada pelos países mais ricos, em universidades como Oxford, no Reino Unido, e Harvard, nos Estados Unidos.

Cientistas estudam cobertura atmosférica artificial que poderia proteger os países mais vulneráveis no hemisfério sul

A instituição americana realiza sua própria experiência em geoengenharia solar, chamada de “efeito estratosférico de perturbação controlada”, que envolve a utilização de um balão para liberar aerosol na atmosfera a uma altitude de 20 quilômetros, o que poderia alterar as propriedades de reflexão na cobertura das nuvens.

Agora, 12 pesquisadores de países como o Brasil, Bangladesh, China, Etiópia, Índia, Jamaica e Tailândia publicaram um artigo na revista científica Nature , afirmando que os países mais pobres são os mais vulneráveis ao aquecimento global e que, por isso, deveriam estar mais envolvidos nas pesquisas para evitar o problema.

Segundo argumentam os autores do estudo na Nature , as consequências de intervenções no clima ainda são incertas, mas os países mais afetados – positiva ou negativamente – seriam os em desenvolvimento.

“Os países em desenvolvimento hoje estão excluídos da pesquisa em geoengenharia, que está sendo feita quase totalmente nos países ricos. No entanto, os impactos de qualquer técnica dessas ainda envolvem muitas dúvidas – e a única certeza é que os países em desenvolvimento sofreriam mais intensamente com esses impactos”, disse o físico brasileiro Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo, que participa da equipe internacional de cientistas, ao jornal O Estado de S. Paulo .

“A ideia inicial é bastante maluca, mas aos poucos vai criando raízes no mundo das pesquisas”, diz o pesquisador Atiq Rahman, chefe do Centro de Estudos Avançados de Bangladesh.

Os cientistas pretendem avaliar os impactos regionais da geoengenharia solar em fenômenos naturais como secas, enchentes ou monções. Uma das ideias prevê a utilização de aviões que espalhariam nuvens de partículas refletoras de sulfato em grandes altitudes da atmosfera. “A técnica é controversa, e deve de fato ser. Ainda é cedo para saber quais efeitos poderá ter. Poderá ser bastante útil ou danosa”, disseram os cientistas.

O relatório de um painel da ONU de especialistas em clima, vazado à imprensa antes de sua publicação em outubro, lança dúvidas sobre a geoengenharia solar, afirmando que poderá ser “economicamente, socialmente e institucionalmente inviável”.

Entre os riscos citados pelo relatório, estão uma possível perturbação de padrões meteorológicos, a dificuldade de pôr fim ao processo após iniciado, além de o potencial que o uso da tecnologia teria para desencorajar alguns países a substituir os combustíveis fósseis por energias limpas.

Rahman observa que a maioria dos países em desenvolvimento “falhou de modo abissal” em suas promessas de reduzir as emissões dos gases causadores do efeito estufa, fazendo com que opções mais radicais para reduzir o aquecimento global se tornem mais atraentes.

Ele afirma que o mundo caminha para um aumento de temperatura de 3ºC ou mais em relação aos níveis pré-industriais, muito abaixo da meta de manter essa elevação abaixo de 2ºC, prevista no Acordo do Clima de Paris, de 2015.

Fonte: Climatempo

Prognósticos do óleo de palma se baseiam no clima da Argentina

(Bloomberg) — Quando o setor do óleo de palma se reunir em Kuala Lumpur nesta semana para uma conferência anual, estarão em foco as condições climáticas de um lugar a mais de 16.000 quilômetros de distância e a demanda no maior comprador do mundo.

O óleo de palma subiu 2,7 por cento em fevereiro, o primeiro ganho mensal desde outubro, porque a seca na Argentina elevou os preços da soja. O óleo de soja caro geralmente aumenta a demanda por óleo de palma, porque um pode substituir o outro. A margem da alta da soja, o impacto de impostos mais altos à importação na Índia e a perspectiva de uma oferta recorde também serão assuntos em foco.

Soja arrasada

A seca histórica que arrasa o cinturão de soja da Argentina provocou cortes drásticos às estimativas de produção. Os meteorologistas afirmam que o clima seco vai persistir e a Bolsa de Cereais de Buenos Aires alertou que pode haver mais reduções às previsões de oferta.

“O mercado se concentrará na extensão da perda de safra da Argentina”, disse Sathia Varqa, proprietário da Palm Oil Analytics em Cingapura. A persistência do mau tempo “deve pressionar a oferta lá, o que fará com que compradores globais se voltem para os EUA, que, por sua vez, têm apoiado os futuros do óleo de soja dos EUA”, disse ele.

O prêmio de óleo de soja em relação ao óleo de palma pode crescer e atingir um pico histórico de US$ 120 por tonelada neste ano, de acordo com Sunny Verghese, CEO da Olam International. O prêmio foi de cerca de US$ 88 por tonelada neste ano, de acordo com Sunny Verghese, CEO da Olam International. O prêmio foi de cerca de US$ 88 por tonelada na sexta-feira, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

Imposto indiano

O maior importador de óleo de palma elevou na semana passada os impostos à importação do óleo de palma bruto e refinado. Este é um fator bearish para os preços, já que diminuirá o desconto desta commodity em relação às rivais, como os óleos de soja e de girassol, levando os compradores a optar por alternativas, de acordo com Gnanasekar Thiagarajan, chefe de trading e de estratégias de cobertura da Kaleesuwari Intercontinental. Impostos mais altos podem restringir a demanda do óleo de palma nos próximos meses, quando os compradores normalmente reabastecem o estoque antes dos dos festivais, disse ele.

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Fonte: Bloomberg

Clima extremo aumentará mesmo que se cumpra acordo de Paris, diz estudo

O risco de condições climáticas extremas, como ondas de calor, inundações e secas, aumentará significativamente inclusive se os compromissos do acordo climático de Paris de 2015 forem cumpridos, alertou um estudo divulgado nesta quarta-feira (14).

O estudo publicado na revista Science Advances analisa a probabilidade de episódios de calor, períodos secos e excesso de chuvas nos próximos anos, fenômenos agravados pelo aquecimento global e pelo aumento do nível do mar.

As consequências nefastas das mudanças climáticas já estão se tornando evidentes. O ano de 2017 registrou um novo recorde, como o ano mais caro da história em termos de furacões, incêndios, inundações, secas e outros eventos extremos, com um custo total de 306 bilhões de dólares.

“Estes custos crescentes são um dos muitos sinais de que não estamos preparados para o clima atual, e muito menos para outro grau de aquecimento global”, disse o autor principal do estudo, Noah Diffenbaugh, pesquisador do Instituto de Meio Ambiente de Stanford Woods.

Está previsto que os compromissos individuais de mais de 190 países sob o acordo de Paris limitarão o aquecimento do planeta a entre 2 e 3 graus Celsius.

Mas é “provável” que esse nível de aquecimento “leve a aumentos substanciais e generalizados na probabilidade de eventos extremos sem precedentes na história”, disse o estudo dirigido por pesquisadores das universidades de Stanford, Columbia e Dartmouth College.

Com os compromissos atuais, as ondas de calor são mais de cinco vezes mais prováveis em metade da Europa e um quarto da Ásia.

As fortes chuvas são três vezes mais prováveis em mais de um terço da América do Norte, Europa e Ásia oriental. O acordo de Paris aspira a mudanças mais profundas, que reduziriam o aquecimento a 1,5 °C. Esse cenário limitaria mas não eliminaria o risco de condições climáticas extremas, segundo o relatório.

Diffenbaugh esclareceu que cumprir os objetivos “aspiracionais” faria a diferença.

“Ao mesmo tempo, inclusive se esses objetivos forem alcançados, ainda viveremos em um clima que tem uma probabilidade substancialmente maior de eventos sem precedentes que o que temos agora”, disse.

Fonte: AFP

Soja tem leves baixas em Chicago nesta 5ª feira à espera de novidades e direção do clima

Nesta quinta-feira (4), os futuros da soja negcociados na Bolsa de Chicago seguem atuando com estabilidade, porém, nesta sessão em campo negativo. As cotações recuavam, por volta de 8h10 (horário de Brasília), entre 0,75 e 1,25 ponto. Com isso, o março/18 tinha US$ 9,67 por bushel.

Os traders seguem esperando por novidades mais fortes para promover oscilações mais intensas entre as cotações, principalmente aquelas que poderiam vir de notícias do clima na América do Sul.

Os mapas climáticos seguem divergindo entre os modelos mais utilizados no mercado internacional e, com isso, a volatilidade poderia se acentuar nos próximos dias, segundo acreditam analistas e consultores de mercado.

Além disso, na análise da Informa Economics, os prçeos poderiam ser favorecidos ainda por um aperto na relação entre a oferta e demanda no cenário global, com uma oferta que ainda é incerta na América do Sul, diante de um consumo crescente não só no Brasil, mas mundo a fora.

Os preços mais baixos da oleaginosa podem atrair ainda mais os compradores, principalmente em setores em que a demanda é crescente, como a pecuária e a produção de biodiesel, no Brasil, por exemplo.

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Fonte: Notícias Agrícolas

Por que o cerrado merece mais atenção da política para o clima

Um artigo científico recente traz novas e úteis informações para melhor concatenar a política brasileira sobre mudança climática com o combate ao desmatamento, ainda a principal fonte das emissões nacionais de carbono (gases do efeito estufa).

O flanco mais arejado do agronegócio deveria tomar nota. Isso, claro, se de fato quiser atuar com base em evidências, e não delegar a política do setor à atrasada bancada ruralista.

No estudo “Who Owns the Brazilian Carbon?” (Quem é o Dono do Carbono Brasileiro?, em tradução livre), parte-se da constatação de que o Brasil é o campeão das emissões por mudanças no uso da terra (leia-se: desmatamento), modalidade que responde por um décimo da poluição climática no mundo. Após recuar 80% entre 2005 e 2012, a destruição da floresta amazônica por aqui voltou a subir.

Além disso, o padrão de desmate está mudando. No passado predominava o corte raso de grandes extensões para implantar fazendas de gado. Agora a devastação ocorre em fragmentos menores, não raro por iniciativa de pequenos proprietários de terra ou posseiros.

Em qualquer dos casos, a biomassa –madeira, folhas, raízes etc.­– da floresta derrubada se transforma em gases, pelo fogo ou por decomposição. O principal deles é o dióxido de carbono (CO2), gás do efeito estufa mais comum na retenção de radiação solar na atmosfera, aquecendo-a.

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Fonte: Folha de S.Paulo

Brasil aumenta emissão de gases do efeito estufa em 8,9%

País é o 7º maior poluidor do mundo e atinge o nível mais alto desde 2008

Rio – As emissões de gases de efeito estufa do Brasil subiram 8,9%, em 2016, em comparação com o ano anterior. O país emitiu, no ano passado, 2,278 bilhões de toneladas brutas de gás carbônico equivalente (CO2e), contra 2,091 bilhões, em 2015. Com 3,4% do total mundial, o Brasil ocupa o lugar de sétimo maior poluidor do mundo.

Segundo os dados da nova edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), divulgada nesta quarta-feira pelo Observatório do Clima, este é o nível mais alto desde 2008 e a maior elevação vista desde 2004.

De acordo com o Observatório do Clima, o crescimento é o segundo seguido, já que, entre 2015 e 2016, a elevação acumulada das emissões foi de 12,3%, contra a queda de 7,4 pontos no Produto Interno Bruto, que recuou 3,8% em 2015 e 3,6%, em 2016. “O Brasil se torna, assim, a única grande economia do mundo a aumentar a poluição sem gerar riqueza para sua sociedade”, diz o Observatório do Clima.

Segundo o relatório, a alta de 27% no desmatamento na Amazônia foi a principal responsável pela elevação nas emissões no ano passado. As emissões por mudança de uso da terra cresceram 23%, e foram responsáveis por 51% de todos os gases de efeito estufa lançados pelo Brasil no período.

Os dados apontam também que quase todos os outros setores da economia tiveram queda nas emissões, com destaque para o setor de energia, com menos 7,3%, puxada pela retração da economia e pelo crescimento da participação das energias renováveis na matriz elétrica.

O setor de processos industriais teve redução de 5,9%, e o de resíduos, 0,7%. No sentido contrário, a agropecuária aumentou suas emissões em 1,7%, sendo a principal responsável pelas emissões no país, já que responde por 74% do total.

O aumento é atribuído à crise econômica, já que os abates de bovinos recuaram pelo segundo ano consecutivo, devido à queda de demanda pela carne. Como bois e vacas emitem metano (o gás de efeito estufa mais importante depois do CO2) durante a digestão e pela degradação do esterco, menos gado sendo abatido significa mais bois no pasto e nos currais e mais emissões. “O descontrole do desmatamento, em especial na Amazônia, nos levou a emitir 218 milhões de toneladas de CO2 a mais em 2016 do que em 2015. É mais do que duas vezes o que a Bélgica emite por ano. Isso é dramático, porque o desmatamento é em sua maior parte ilegal e não se reflete no PIB do país”, disse a responsável pelos cálculos de emissões por mudança de uso da terra no SEEG, Ane Alencar.

Fonte: Agência Brasil

Debate climático domina G20 e faz de Trump antagonista na cúpula

Quando se reunirem na cidade alemã de Hamburgo nessa sexta (7), na cúpula do G20, líderes das principais economias do mundo vão discutir outra cidade: Paris.

O Acordo de Paris, assinado em 2015 na capital francesa por 195 partes, deve dominar os debates do fórum global. Enfraquecido pela crise política, o Brasil não será um dos protagonistas.

Confira mais sobre o tema aqui.

Fonte: Folha de S.Paulo

Frear aquecimento global afetaria 30% dos investimentos de petroleiras

Pesquisadores alertaram nesta quarta-feira que 30% dos investimentos planejados pelas principais empresas de petróleo e gás para a próxima década poderiam ser desperdiçados se a economia mundial se readaptar para limitar o aquecimento global a 2º C, conforme prevê o Acordo de Paris sobre o clima.

Projetos no valor de US$ 2,3 trilhões podem se tornar não lucrativos à medida que o setor energético se volta para as renováveis e se os preços dos combustíveis fósseis se estagnarem, de acordo com o relatório, que analisa os investimentos até 2025 de 69 companhias de petróleo e gás.

A companhia americana ExxonMobil é a mais exposta, visto que entre 40% e 50% dos seus investimentos são destinados a projetos suscetíveis de decepcionar os acionistas na perspectiva de um aquecimento global limitado a 2º C, concluíram os pesquisadores.

 Entre os seis gigantes do setor (ExxonMobil, Shell, Total, Chevron, Eni, BP), a britânica BP é a menos exposta, com um montante estimado de entre 20% e 30% de seus investimentos considerados desnecessários, e portanto arriscados para a empresa.

A Shell, Chevron, Total e Eni colocariam entre 30% e 40% dos seus gastos futuros em risco.

Segundo o relatório, um terço de todos os investimentos petrolíferos previstos no mundo deveriam ser abandonados, assim como dois terços dos projetos relativos ao gás na América do Norte.

No outro extremo da escala, 14 empresas – incluindo a gigante estatal Saudi Aramco – foram vistas como bem alinhadas com o cenário de 2º C.

“Este relatório é um divisor de águas para o futuro do envolvimento entre empresas e investidores”, disse Nathan Fabian, diretor de política e pesquisa do PRI, uma rede de investidores apoiada pela ONU que supervisiona US$ 62 trilhões em ativos.

“Os investidores em companhias de petróleo e gás estiveram no escuro em relação à sua exposição ao risco climático, e agora eles poderão enfrentar as empresas com informações precisas”, acrescentou.

O PRI produziu o relatório em colaboração com o Carbon Tracker, um think tank financeiro que avalia o impacto das mudanças climáticas nos mercados de capitais e no investimento.

Fonte: AFP 

Brasil assume compromissos internacionais pelo clima

País se comprometeu a reduzir emissão de carbono em 43% e a reflorestar e promover regeneração de 12 milhões de hectares

Até 2030, o Brasil pretende reduzir em 43% as emissões de carbono em relação a 2005. Antes disso, até 2025, a meta é que o País corte 37% das emissões.

Esses compromissos constam no Acordo de Paris, que estabelece medidas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, e representam apenas alguns dos acordos ambientais assumidos pelo governo federal no primeiro ano da administração do presidente Michel Temer.

O objetivo do Acordo é conter o aumento da temperatura média global em menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais, além de reunir esforços para limitar esse aumento a 1,5°C. O compromisso foi selado por meio da assinatura do Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC).

Confira outras iniciativas do Brasil, no primeiro ano de governo Temer, para enfrentamento das mudanças climáticas e preservação da biodiversidade:

Conferência das Partes

O governo brasileiro participou, em novembro de 2016, da 22ª Conferência das Partes (COP 22) sobre mudança do clima. Na ocasião, foram apresentadas iniciativas como o combate ao desmatamento na Amazônia e a promoção do desenvolvimento sustentável em território brasileiro. A geração de energia limpa também esteve na pauta das discussões encabeçadas pelo País.

Desafio de Bonn

O Desafio de Bonn representa um esforço internacional para restaurar 150 milhões de hectares de áreas desmatadas ou degradadas até 2020 e uma extensão adicional de 200 milhões de hectares até 2030. Foi lançado durante mesa redonda em Bonn, na Alemanha, em setembro de 2011.

O governo brasileiro aderiu ao desafio e se comprometeu a restaurar, reflorestar e promover a recuperação natural de 12 milhões de hectares de florestas até 2030. A recuperação poderá ocorrer com espécies nativas e exóticas, com restauração assistida ou natural, e tem como objetivo resgatar a funcionalidade ecológica e promover o bem-estar humano na paisagem.

Iniciativa 20×20

A Iniciativa 20×20 é uma plataforma que visa acelerar o cumprimento das metas do Desafio de Bonn. Ela estabelece diretrizes para restaurar 20 milhões de hectares de áreas produtivas na América Latina e Caribe. A proposta prevê a recuperação e conservação de solos produtivos, a integração de sistemas agrícolas, bem como o engajamento de investidores para financiar as atividades dessa iniciativa.

O compromisso do Brasil, no âmbito da iniciativa, é implementar, até 2030, ao menos 5 milhões de hectares de sistemas agrícolas que combinem agricultura, pecuária e floresta. A contribuição do País inclui, também, a recuperação de 5 milhões de hectares de pastagens degradadas até 2020, assim como outras tecnologias que visam aumentar a resiliência da agricultura brasileira às mudanças do clima.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Agricultura Bonn Challenge

Fonte: Portal Brasil

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