Estudo aponta quem é o “dono” do carbono no Brasil

Recurso armazenado em reservas como vegetação nativa também corre risco de ser convertido em gases do efeito estufa

Do total de 52 gigatoneladas (Gt) que compõem o estoque de carbono armazenado em vegetação nativa no Brasil, 67% estão em terras públicas, sendo que metade (26 Gt) está protegida em unidades de conservação e em terras indígenas.

Apesar de o Estado ser o principal “dono” desse carbono, isso não significa que essas reservas estejam protegidas, sem o risco de se converterem em gases de efeito estufa (GEE). Aproximadamente 20% dessas reservas (10 Gt) estão desprotegidas em 80 milhões de hectares de terras públicas sem titulação ou destinação clara, onde a disputa pela propriedade e o desmatamento ilegal desafiam a preservação da vegetação nativa e podem levar ao aumento das emissões brasileiras de GEE.

As constatações são de um estudo realizado por pesquisadores da Escola de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em colaboração com colegas do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), da KTH Royal Institute of Technology e da Chalmers University of Technology – ambas instituições da Suécia.

O estudo integra o projeto Atlas da Agropecuária Brasileira, realizado pelo Imaflora em parceria com o Geolab da Esalq, com apoio da Fapesp. Os resultados do estudo foram publicados na revista Global Change Biology.

“Conseguimos identificar, pela primeira vez, onde está e a quem pertence o carbono no Brasil que está acima do solo, tanto em vegetação nativa, como em culturas e pastagens, de todos os biomas brasileiros”, disse Luís Fernando Guedes Pinto, pesquisador do Imaflora e um dos autores do estudo, à Agência Fapesp.

Para quantificar o estoque de carbono acima do solo no país e identificar seu “tutor”, os pesquisadores desenvolveram uma base georreferenciada da malha fundiária brasileira. A malha abrange todo o território nacional e integra bases de dados oficiais, como as das áreas protegidas nacionais e estaduais – como áreas de conservação, terras indígenas e militares –, além das bases de imóveis e de assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e os polígonos de imóveis do Cadastro Ambiental Rural (CAR).

Juntas, essas bases de dados recobrem 80% do país. Para as áreas sem cobertura foi realizada uma modelagem complementar que considera essa porção do território como sendo terra privada, estima os limites dos imóveis rurais a partir dos dados do Censo Agropecuário do IBGE de 2006 e reproduz a distribuição de tamanho dos imóveis rurais censitados em cada município ou setor censitário.

“A malha fundiária representa a aproximação mais realista do tamanho, da localização e da distribuição dos imóveis privados, além dos assentamentos e das terras públicas brasileiras”, disse Guedes Pinto.

As análises dos dados revelaram que, além de 20% do carbono (10 Gt) encontrado em 80 milhões de hectares de terras públicas sem titulação ou destinação clara estar desprotegido, há outros 3,4 Gt de carbono também sem proteção em propriedades privadas, que ocupam 65% do território brasileiro, mas englobam somente 30% do carbono (15,8 Gt).

Embora o Código Florestal proteja 75% (12,4 Gt) do estoque de carbono encontrado nessas propriedades privadas por meio de reservas legais e áreas de preservação permanente, os outros 25% (3,4 Gt) estão desprotegidos em 101 milhões de hectares, aponta o estudo.

“Nossos resultados indicam que, embora haja uma grande área de vegetação nativa e um grande estoque de carbono protegido no Brasil, aproximadamente 25% (13,4 Gt) – que representa a soma do carbono desprotegido em terras públicas e privadas – ainda estão desprotegidos, expostos ao risco de desmatamento e podendo contribuir para o consequente aumento das emissões brasileiras de gases de efeito estufa”, avaliou Guedes Pinto.

Desproteção por biomas

De acordo com o estudo, o Cerrado é o bioma com o maior volume de carbono desprotegido: 1,4 Gt, correspondente a 40% do carbono com risco de emissão no país. Em segundo lugar está a Amazônia, que responde por um terço do carbono desprotegido no Brasil (1Gt), seguida pela Caatinga, que também tem um grande volume de carbono e área de vegetação nativa desprotegidos.

A análise também permitiu identificar que a distribuição do carbono por tamanho de imóvel rural é desigual e varia para cada bioma do Brasil.

Somente 2% de grandes imóveis ocupam metade da área privada e acumulam também metade do carbono em terras privadas. Um terço das terras privadas são ocupadas por 93% pequenos e médios imóveis.

No caso da Amazônia, por exemplo, os pesquisadores estimam que 7 mil grandes imóveis acumulam 15% (0,5 Gt) do carbono desprotegido do Brasil, enquanto outros 110 mil pequenos imóveis retenham outros 10% (0,34%). Já o Cerrado é dominado por grandes imóveis: cerca de 30 mil acumulam 25% do carbono nacional desprotegido, enquanto outros 600 mil pequenos e médios imóveis representam apenas 17%.

“O estudo indica que a conservação do carbono desprotegido no Brasil vai depender de uma combinação de políticas que incluem a regularização fundiária, a destinação de terras, a implementação do Código Florestal e outros instrumentos que priorizem a proteção da vegetação nativa e estoques de carbono que excedem a proteção dos mecanismos legais”, avalia Gerd Sparovek, professor da Esalq e um dos autores do estudo.

“Além disso, este conjunto de políticas deve ser desenhado e implementado de maneira adaptada para as diferentes realidades produtivas, ecológicas e de governança de cada região do país”, afirmou.

O artigo Who owns the Brazilian carbon? (doi: 10.1111/gcb.14011), de Flavio L. M. Freitas, Oskar Englund, Gerd Sparovek, Göran Berndes, Vinicius Guidotti, Luís F. G. Pinto e Ulla Mörtberg, pode ser lido na revista Global Change Biology.

Elton Alisson / Agência Fapesp (Leia aqui o texto original)

Fonte: Jornal da USP

Brasil, algas e biodiesel: uma aposta que pode gerar riqueza

Quando Rudolf Christian Karl Diesel inventou o motor a combustão em 1897, desenhou-o para funcionar com óleos vegetais, como o de amendoim.

A história demonstra, portanto, que o interesse pela utilização do biodiesel não é novo. Entretanto, à época, por ser mais barato e mais fácil de produzir, o óleo feito a partir do petróleo ganhou o mercado e foi “batizado” com o sobrenome de Diesel.

Atualmente, calcula-se que o consumo mundial de diesel gira em torno de 684 milhões de toneladas, com potencial de crescimento de 8% ao ano. Já a produção mundial de biodiesel representa 0,035% do mercado, ou seja, 2,4 milhões de toneladas. Com o preço do petróleo atingindo patamares proibitivos, principalmente pelo efeito cascata que provoca em cadeias de produção dependentes de seus derivados e de seu freqüente uso como arma econômica, questiona-se a opção feita no passado e cada vez mais se aproxima ou retorna-se ao ponto de partida de Rudolf Diesel.

Pesquisas recentes indicam que a produção de biodiesel a partir de microalgas poderá mudar radicalmente o mercado de combustíveis. Com potencial de produção de óleo muito superior por área equivalente de cultivo do que as culturas tradicionais produzidas em terra e utilizadas na produção do biodiesel, as microalgas despertaram o interesse mundial e as pesquisas e estratégias dos investidores são, em sua maioria, mantidas em segredo. Enquanto a soja produz de 0,2 a 0,4 toneladas de óleo por hectare, o pinhão manso produz de 1 a 6 toneladas de óleo por hectare e o dendê, de 3 a 6 toneladas de óleo por hectare. Alguns, mais otimistas, afirmam que com um hectare de algas pode-se produzir 237 mil litros de biocombustível; outros, mais contidos, informam que em uma superfície equivalente a um hectare semeado com alga pode-se produzir 100.000 litros de óleo.

Sendo possível cultivá-las em água salgada ou doce em ambiente que disponha de calor e luz abundantes, é inegável que o Brasil possui condições ideais para a produção de microalgas, em especial na Região Nordeste. De cultivo simples, as microalgas podem ser produzidas em tanques abertos com profundidade de pouco mais de 10 cm e alimentadas, por exemplo, com dejetos de suinocultura e águas residuais de esgotos. Além disso, sua produção não requer uso de adubos químicos; sua massa pode ser duplicada várias vezes por dia; a colheita pode ser diária; o cultivo pode ser realizado em zonas áridas e ensolaradas, inclusive em regiões desérticas; trata-se de uma matéria-prima não alimentícia e sustentável; e seu cultivo em tanques com água do mar minimiza o uso de terra fértil e água doce potável. Sem dúvida, um achado.

Atentos ao movimento mundial, empresas públicas e privadas e o Governo brasileiro estão investindo no desenvolvimento da produção de biodiesel a partir de microalgas.  Exemplos são a parceria entre a Petrobras, a Universidade Federal de Santa Catarina e a Universidade Federal do Rio Grande, e o recente edital publicado em conjunto pelos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Pesca e Aqüicultura e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq. O Edital nº 26/2008, de 11 de agosto de 2008, é o primeiro que tem como objeto o apoio a projetos de pesquisas que contemplem a aqüicultura e uso de microalgas como matéria-prima para a produção de biodiesel e tem previsão de repasse de R$ 4,5 milhões por meio do CNPq. Segundo o Edital, serão admitidos projetos que englobem todo o processo de produção e transformação em temas como: desenvolvimento de técnicas de cultivo de microalgas de baixo custo e que visem a produção de óleo como matéria-prima para a produção de biodiesel; estudos de potencial de cepas de microalgas; avaliação da viabilidade econômica do processo global do cultivo à obtenção de biodiesel; processos mais econômicos e eficientes do que os convencionalmente usados para a coleta de microalgas e extração do óleo para a produção de biodiesel. As propostas poderão ser apresentadas até o dia 25 de setembro, os resultados serão divulgados a partir de 27 de outubro e os contratos firmados a partir de 1º de dezembro.

Como resultado da soma do crescimento da demanda por biodiesel no Brasil, estimulada pela publicação da Lei nº 11.097, de 14 de janeiro de 2005, que dispõe sobre a introdução do biodiesel na matriz energética brasileira, com as condições climáticas e territoriais favoráveis à produção de algas no Brasil, têm-se condições apropriadas para o investimento em pesquisas, inovação e a instalação de novas plantas industriais para produção de biodiesel nas mais variadas regiões do país. Cenário que pode tornar o Brasil um país ainda mais atraente para os investidores interessados na produção de biocombustíveis, tanto para uso no mercado interno quanto para a exportação.

Investidores certamente não faltarão. O uso das algas como matéria-prima para produção de biocombustíveis vem sendo pesquisado em países como Japão, Estados Unidos da América, Israel, Alemanha, Portugal, Suíça, Argentina e Espanha.  Exemplo de investimento é o anúncio feito pela Royal Dutch Shell e HR Biopetroleum, informando a construção de uma planta-piloto na costa de Kona, no Havaí, com o objetivo de cultivar algas marinhas e produzir óleo vegetal para conversão em biocombustível.

Importante observar que o litoral brasileiro, que é banhado pelo Oceano Atlântico, do Arroio Chuí ao Cabo Orange, possui 9.198 Km quando consideradas suas saliências. Além disso, a maior bacia hidrográfica do mundo, com 7.050.000 km² é a Bacia Hidrográfica Amazônica, que a ela podemos somar as Bacias do Rio São Francisco, dos Rios Tocantins e Araguaia e do Rio da Prata.

Efetivamente, caso a corrupção, a insegurança jurídica e a burocracia não atrapalhem esse promissor segmento, a economia nacional muito poderá se beneficiar.

Fonte: Grupo Cultivar

Para aproveitar biodiversidade, Brasil deve investir em pesquisa

Especialistas da USP defendem fontes alternativas de energia e programas de estudo sobre sustentabilidade

Na última sexta-feira(18), o Diálogos na USP falou sobre Biodiversidade e Sustentabilidade. O Brasil é o país com a maior diversidade de espécies no mundo: são mais de 103 mil espécies animais e 43 mil espécies vegetais. A costa marinha do País é de 3,5 milhões de quilômetros quadrados e inclui ecossistemas como recifes de corais, dunas, manguezais, lagoas, estuários e pântanos. No próximo 22 de maio, terça-feira, se comemora o Dia Mundial da Biodiversidade, criado pelas Nações Unidas. Mas quanto os governos e a sociedade se preocupam com esse tema?

José Goldemberg, físico, professor da USP e presidente da Fapesp, que atuou no Ministério da Educação e na Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, acredita que há aspectos a comemorar e a lamentar sobre o Dia Mundial da Biodiversidade. Para ele, após 1992, com a Convenção do Clima e da Biodiversidade, houve muitos progressos. “A preservação de recursos naturais bate de frente com tendências desenvolvimentistas. Os setores da sociedade são diferentes e é preciso conciliar isso.” Ele defende que a solução dos problemas exige uma análise científica.

Para Pedro Luiz Cortês, professor associado e livre-docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (Procam) do Instituto de Energia e Ambiente da USP, professor da ECA e coordenador da Rede Internacional de Estudos sobre Meio Ambiente e Sustentabilidade (Rimas), as questões ambientais foram colocadas em pautas de discussão política e econômica, ocupando espaço cada vez maior na mídia. “Muita pesquisa científica de qualidade vem sendo desenvolvida, não só na USP, mas em outras universidades, e isso é bastante grande.” Ele diz que o grande obstáculo é fazer com que essas pequisas alcancem formuladores de políticas públicas, para que eles utilizem esse conhecimento científico para embasar suas soluções.

José Goldemberg e Pedro Luiz Cortês no programa Diálogos na USP, com apresentação de Marcello Rollemberg – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Os convidados acrescentam a importância das fontes alternativas de energia para a sustentabilidade, mas reforçam que a sua geração depende de cada região e de cada país. Cortês defende que o Brasil tem capacidade de produzir o biodiesel e tecnologia para utilizá-lo na vida urbana. Goldemberg completa que aprender a armazenar energia também é importante.

Para utilizar bem sua biodiversidade, o Brasil deve investir em pesquisas. “Há uma carência de pesquisa, há uma carência de investimento e uma falta de interesse por vezes da indústria em aproveitar a grande biodiversidade que a gente tem”, reflete Cortês. Ouça o programa completo no player acima.

Clique aqui para ouvir o programa completo.

Esta edição do Diálogos na USP teve apresentação de Marcello Rollemberg e trabalhos técnicos de Marcio Ortiz. A produção é do Departamento de Jornalismo da Rádio USP.

Fonte: Jornal da USP

O aumento da produção de óleo de palma no Brasil. E seu impacto no campo

A gordura extraída da palma é o óleo de origem vegetal mais consumido no mundo. Ainda que a versão “crua” do produto, chamada de azeite de dendê, seja mais popular no Brasil por conta de seu uso na culinária, a lista de aplicações na indústria é que absorve a maior parte da demanda.

Para servir à composição de margarinas, chocolates, biscoitos e também fazer parte de cremes e produtos de higiene, o óleo de palma precisa ser refinado por meio de branqueamento, processo que retira sua cor e odor. Por ano, são produzidas mundialmente 72 milhões de toneladas, destinadas sobretudo ao setor alimentício, à produção de cosméticos e ao ramo de biocombustíveis, que vêm ganhando importância nos últimos anos. A palmeira de óleo (Elaeis guineensis) é nativa da costa oeste da África.

Outra variedade da planta, comumente utilizada em espécies híbridas, é a Elaeis oleifera, que ocorre nas Américas do Sul e Central. São duas nações asiáticas, porém, que concentram sozinhas mais de 80% da produção mundial. Em comum, Indonésia e Malásia têm clima e regime de chuvas semelhantes, além de ampla cobertura vegetal nativa. Essa vegetação tropical característica possibilitou que a cultura da palma de óleo obtivesse sucesso também no bioma amazônico.

No Brasil, é o Pará, que mais contribui para a produção nacional – e também vem sendo mais impactado pelo avanço do cultivo. A literatura científica aponta que o estado reúne fatores climáticos ideais, como umidade entre 75% e 90%, média anual de chuvas na casa dos 2.500 milímetros e temperatura entre 24ºC e 28ºC. Segundo a Abrapalma (Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma), mais de 85% da produção está concentrada no Pará, onde existem 207 mil hectares de palma de óleo.

Entre empregos diretos e indiretos, estima-se que a produção de óleo de palma no território paraense seja responsável por até 80 mil postos de trabalho. O restante é distribuído, principalmente, entre Bahia e Roraima. O Brasil ocupa hoje a décima posição do ranking mundial de produtores.

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Fonte: Nexo

Países emergentes devem sofrer mais com os impactos das mudanças climáticas

 Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês), acredita que países emergentes, como o Brasil, e demais nações devam investir em eficiência energética para evitar um desastre ainda maior

Os impactos causados pelas emissões de gases de efeito estufa no setor energético são cada vez mais evidentes e apontam para uma crise ambiental em escala planetária sem precedentes. Contudo, estima-se que o provável esgotamento das reservas mundiais de combustíveis fósseis permita que as energias renováveis ​​ganhem cada vez mais espaço no cenário mundial.

Diante disso, autoridades do mundo todo se reuniram na Alemanha, na 4ª edição do Berlin Energy Transition Dialogue, de 17 a 18/04, para debater as medidas necessárias para evitar os impactos mais severos das mudanças climáticas e atender as metas do Acordo Climático de Paris.

A solução é o real comprometimento das nações em investimento em tecnologias de baixo carbono, energias renováveis e eficiência energética. Em entrevista exclusiva ao Último Instante, o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA, sigla em inglês), Fatih Birol, falou do Brasil no cenário internacional de energias renováveis, da responsabilidade em ajudar a limitar a elevação da temperatura global e quais são os desafios que o mundo tem pela frente nessa jornada.

“O Brasil tem sido líder na produção biocombustíveis e isso inspira muitos países em diferentes partes do mundo como na Ásia ou na África”, ressaltou Birol.

Nomeado pela revista Forbes como uma das pessoas mais influentes na cena de energia do mundo e reconhecido pelo Financial Times como personalidade energética do ano em 2017, o executivo acredita que a matriz energética mundial é a grande responsável pelos impactos mais severos das alterações no clima e os efeitos serão sentidos com mais intensidade nos mercados emergentes, como o Brasil.

“Além das mudanças climáticas, a energia é responsável pela poluição do ar em muitos lugares, especialmente em países emergentes”.

Neste contexto, a mudança para uma matriz energética mais limpa representa um dos grandes desafios mundiais deste século. Confira os principais trechos da entrevista:

Como o senhor avalia a política energética brasileira?

O Brasil fez história na busca por novas tecnologias que substituem fontes de energia antigas e isso gerou uma grande mudança de paradigma. O país, que há muitos anos era um grande importador de petróleo, está se tornando um grande exportador. Isso aconteceu de duas maneiras diferentes. Número um: a produção de petróleo do Brasil em offshore [localizada em alto mar] aumentou. E dois, porque o Brasil utiliza muitas fontes renováveis, como biocombustíveis, hidrelétricas, entre outras, para reduzir o consumo interno de petróleo.

O Brasil é referência em energias renováveis. É líder em hidroeletricidade, mas desperdiça o favorável potencial solar disponível. Como solucionar isso?

Todos os países precisam ter um mix de energias renováveis. O Brasil é referência em hidrelétricas, biocombustíveis, mas o incremento de tecnologias como eólica e solar farão um perfeito sentido econômico no contexto energético brasileiro.

As mudanças climáticas já são sentidas em todo o mundo. Onde isso será mais evidente?

Além das mudanças climáticas, a energia é responsável pela poluição do ar em muitos lugares, especialmente em países emergentes. Esta é uma razão para milhões de mortes em países em desenvolvimento. Sabemos que hoje bilhões de pessoas não têm acesso à eletricidade em diferentes partes do mundo, especialmente na África e partes da Ásia.

E as economias emergentes estão fazendo o seu papel para evitar os efeitos mais trágicos das mudanças climáticas?

O Brasil tem sido o líder na produção/consumo de biocombustíveis e isso inspira muitos países em diferentes partes do mundo como na Ásia ou na África. Estamos muito felizes em ter o Brasil como membro da Agência Internacional de Energia (IEA) e trabalhamos em estreita colaboração com o governo. Estou impressionado com o que a China está fazendo em renováveis. O crescimento da capacidade de energia renovável na China nos próximos 20 anos deve ser maior do que na Europa, nos EUA e no Japão juntos.

Mas o uso de energias renováveis vem crescendo de maneira significativa a fim de frear as mudanças climáticas?

Felizmente as demandas globais de energia no ano passado aumentaram duas vezes mais do que no ano anterior. Isso foi impulsionado por um crescimento econômico global muito bom. Vemos também que, dois campos floresceram: energias renováveis, solar e eólica, mas ao mesmo tempo o consumo de gás natural também cresceu. O gás natural teve ano de ouro nos últimos dez anos, principalmente como resultado do uso crescente na Ásia. Por outro lado, o uso de carvão, após dois anos de declínio, começou a aumentar em 2017, principalmente no setor de energia. Olhando para este cenário, temos uma vitória e um desafio. Quando olhamos para a imagem da energia hoje, vemos, por um lado, um grande crescimento econômico, interconexão e eletrificação em todo o mundo, mas ao mesmo tempo dois terços das emissões que causam as mudanças climáticas.

O mundo está preparado para a transição de uma matriz energética descentralizada e mais limpa?

Acreditamos que a transição de energia limpa precisa contar com energias renováveis, ​​de eficiência energética e outras tecnologias limpas. As tecnologias e políticas de eficiência energética reduzem as emissões de CO2, reduzem a poluição do ar, trazem benefícios econômicos e segurança energética. Para atingir nossas metas climáticas, precisamos gerar trilhões de dólares em investimentos em eficiência energética. Carros, edifícios, motores nas indústrias, tudo girando de forma eficiente e assim por diante. Esse processo exige dinheiro adicional em relação às instalações convencionais. Se você colocar um dólar a mais para tornar o consumo de energia mais eficiente, você recebe de volta três dólares ao longo da vida útil deste carro, deste prédio, desta lâmpada.

Por que isso não funciona?

Pelo seguinte motivo: você põe um dólar hoje e obtém três dólares em vários anos. Cinco anos, seis anos. Esse é exatamente o papel dos governos. Hoje, por exemplo, dois de cada três prédios construídos no mundo não têm critérios de construção, estão sendo construídos agora e esses prédios estarão conosco por várias décadas.

E o que fazer diante disso?

Utilizar todos os meios, todas as tecnologias que possam nos ajudar a alcançar os objetivos climáticos. Em termos de emissões de dióxido de carbono, ano a ano as emissões globais de CO2 aumentaram, exceto em 2009, quando tivemos a crise financeira. Somente políticas de eficiência podem estabilizar nossas emissões de CO2. Apenas eficiência, esqueça todas as outras coisas.

Fonte: Último Instante

Elevação das exportações de soja depende de expansão logística e de armazenamento, diz estudo da Esalq

Pesquisa aponta necessidade de mais investimentos para que o Brasil se beneficie do cenário internacional atual.

Com o cenário atual das exportações de soja, a disputa comercial entre China e Estados Unidos por mais espaço pode abrir caminho para outro nome de peso no mercado de soja: o Brasil. Mas, para isso, é preciso que haja novos investimentos na infraestrutura viária e de armazenamento para otimizar o escoamento dessa produção. É o que aponta um estudo do coordenador do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), Thiago Guilherme Péra.

“A expectativa é de que, se essa briga [comercial] continuar, isso pode acabar afetando um nível maior de exportação da soja brasileira para a China, principalmente se tiver retaliação da China de deixar de comprar grãos dos Estados Unidos”, explica o docente.

Ele detalha que, mesmo com fortes investimentos no setor ferroviário e hidroviário – tanto oriundos na iniciativa pública quanto privada -, a participação da movimentação de grãos (soja e milho) em relação à quantidade produzida em 2010 era de 21,3% e passou para 27,9% para 2017. “É muito pouco ainda […] O Brasil já é bastante competitivo nos custos de produção. Por outro lado, perde muito na logística”, ressaltou.

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Fonte: G1

 

EUA dizem que Brasil será líder mundial da produção de soja

Projeção do Departamento de Agricultura americano é para a próxima safra

O Brasil passa a liderar a produção mundial de soja a partir da próxima safra. No período entre o final deste ano e o início de 2019, o pais deverá desbancar os EUA, até então os líderes mundiais na produção do grão.

A projeção, do próprio governo americano, foi divulgada na tarde desta quinta-feira (10) pelo Usda (sigla em inglês para Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). É a primeira vez que o órgão prevê o Brasil na liderança.

Na avaliação do órgão, um dos mais conceituados na área de projeções agrícolas, o Brasil deverá obter produção de 117 milhões de toneladas de soja, pouco acima dos 116,5 milhões previstos para a colheita dos americanos.

Os produtores dos Estados Unidos já iniciaram o plantio da safra entre 2018 e 2019. Os brasileiros vão levar as máquinas ao campo só no segundo semestre do ano.

Clima e produtividade são fundamentais para a concretização dessa estimativa de liderança do Brasil. As previsões ainda vào alternar muito durante o desenvolvimento das lavouras.

Se o país conseguir de fato superar os americanos, a soja brasileira se somará a uma lista de outros produtos em que o Brasil tem a liderança – café, suco de laranja, açúcar e carne bovina.

O Brasil já é o maior exportador de soja do mundo, graças ao apetite do mercado chinês. Na safra entre 2018 e 2019, os chineses deverão importar 103 milhões de toneladas de soja e os brasileiros vão exportar 72 milhões.

Brasil, Estados Unidos e Argentina, líderes mundiais, ainda precisam definir as áreas de plantio da oleaginosa, mas, com base nos dados atuais, já é possível estimar que a safra mundial de ficai – na casa de 354,5 milhões de toneladas de soja, acima dos 337 milhões colhidos entre 2017 e o início deste ano.

A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) também divulgou dados sobre a produção de soja no Brasil nesta quinta. Na avaliação do órgão governamental, a produção nacional será de 117 milhões nesta safra, 2 milhões a mais do que estava previsto em abril último.

Fonte: Folha de S.Paulo – coluna de Mauro Zafalon

ONU e parceiros lançam estudo sobre progressos no setor de energia

Novo estudo mede avanços no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 7, que avalia temas como fontes renováveis e acesso a eletricidade.

 

Um relatório lançado por Banco Mundial, Organização Mundial da Saúde (OMS), a Divisão de Estatística das Nações Unidas e outros parceiros mostra o quanto falta para cumprir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 7, relacionado à energia.

A boa notícia do estudo, apresentado em Lisboa, no início de maio, é que algumas áreas estão fazendo progressos reais. Duas delas são a expansão do acesso a eletricidade e o aumento de eficiência energética na indústria.

África

documento analisa as quatro principais áreas do Objetivo, ou ODS, 7: acesso a eletricidade, combustíveis limpos para cozinhar, eficiência energética e energia renovável.

O número de pessoas que têm acesso a eletricidade aumentou a partir de 2010, mas precisa evoluir mais rapidamente para alcançar a universalização. Hoje, 1 bilhão de pessoas vivem sem esse serviço. E, se o ritmo atual de crescimento continuar, 674 milhões ainda estarão no escuro em 2030.

Na África, pela primeira vez, o acesso está crescendo mais depressa do que a população. Nesse quesito, destacam-se Etiópia, Quênia e Tanzânia, que aumentaram os níveis de acesso em pelo menos 3% ao ano entre 2010 e 2016.

Biomassa

Já o país que mais aumentou o acesso em números absolutos fica fora da África. Trata-se da Índia, que forneceu eletricidade a 30 milhões de pessoas nesse período.

O indicador com menos melhorias foi o de uso de combustíveis limpos para cozinhar, algo que traz impactos importantes para a saúde.

Três bilhões de pessoas, ou mais de 40% da população global, ainda preparam seus alimentos em fogões precários abastecidos com lenha e outros tipos de biomassa. O número deve cair para 2,3 bilhões se a atual trajetória de acesso se mantiver.

Índia, Paquistão, Indonésia e Vietnã são os países que mais avançaram nesse aspecto, mas resta muito a ser feito. Segundo o relatório, é preciso melhorar a tecnologia dos fogões limpos e dar aos consumidores pobres condições de adquiri-los.

Utilização

No quesito eficiência energética, um dado chama a atenção: de 2010 a 2015, o Produto Interno Bruto (PIB) global aumentou quase duas vezes mais do que o abastecimento de energia primária. Isso mostra uma dissociação entre crescimento econômico e utilização de energia.

A indústria puxou esse avanço, o que é muito importante, pois se trata do setor com maior consumo de energia em nível mundial. Já o progresso em setores como o de transportes, em particular o de frete, foi bem mais modesto.

Finalmente, o novo estudo discute o tema das fontes renováveis, que correspondem a 17,5% da utilização de energia global.

Brasil

O maior progresso se deu no setor de eletricidade. Agora, falta aumentar o uso de energias renováveis para transporte e aquecimento. Ambos os setores respondem por 80% do consumo em todo o mundo.

Nesse indicador, o Brasil se destacou nos últimos anos. Foi o único país, entre os 20 maiores consumidores de energia, que ultrapassou consideravelmente a média global do uso de renováveis em todas as utilizações: eletricidade, transportes e aquecimento.

(Apresentação: Mariana Ceratti, do Banco Mundial em Washington, para a ONU News)

Fonte: ONU

Colheita da safra de soja alcança 98% da área e do milho 95%, aponta Datagro

Segundo o analista de grãos da DATAGRO, Flávio Roberto de França Júnior, trabalhos estão virtualmente encerrados

A colheita da safra de soja 2017/18 no Brasil alcançou 98% da área semeada, considerando a data de 04 de maio, ligeiro avanço contra o percentual de 95% da semana anterior, apontam dados da DATAGRO.
Segundo o analista de grãos da DATAGRO, Flávio Roberto de França Júnior, o ritmo de retirada da oleaginosa das lavouras atingiu o mesmo percentual de 98% registrado em igual período de 2017, ficando levemente acima da média normal de 97% das últimas cinco temporadas. De acordo com França Júnior, a produção de soja deve somar 116,768 milhões de toneladas, crescimento de 2% sobre o resultado da temporada 2016/17.
Milho
No caso da primeira safra de milho, a colheita atingiu 95% da área semeada, pequena evolução em relação ao percentual de 91% da semana anterior. Entretanto, França Júnior ressalta que o ritmo de retirada do grão das lavouras está atrasado na comparação com o percentual de 99% registrado em igual período de 2017, bem como se comparado à média de 97% dos últimos cinco ciclos. A produção do milho verão deve totalizar 26,010 milhões de toneladas, queda de 16% ante o resultado da temporada 2016/17.
Comercialização 
Soja
A comercialização da safra brasileira 2017/18 de soja alcançou 64% da produção obtida, também considerando a data de 04 de maio. Segundo França Júnior, o percentual se encontra acima dos 52% registrados em igual período do ano passado e dos 62% da média das últimas cinco temporadas.
“O avanço foi de expressivos 10% sobre o relatório anterior, bem acima do crescimento normal de 6% para o período. A boa e extemporânea elevação dos preços durante abril foi o motivo central para o disparo de volumosas negociações”, assinala o analista de grãos da DATAGRO.
Milho
Por sua vez, a comercialização da safra brasileira 2017/18 do milho verão atingiu 27% da produção obtida, ainda considerando a data de 04 de maio, contra 16% do levantamento de um mês atrás. Entretanto, segundo França Júnior, o percentual se encontra inferior aos 46% registrados em igual período do ano passado e abaixo dos 37% da média das últimas cinco temporadas.
No caso do milho de inverno 2018 [segunda safra], as vendas alcançaram 32% da produção esperada, contra 26% do relatório do mês anterior. Contudo, de acordo com França Júnior, o percentual de comercialização do milho de inverno 2018 se encontra acima dos 29% de igual período de 2017, mas abaixo dos 40% da média dos últimos cinco ciclos.
Fonte: DATAGRO

Brasil lidera volume de soja certificada e movimento vem ampliando mercados importadores para o país

Objetivo é certificar, em 2018, 4 milhões de toneladas de soja. Produtores que já atendem aos critérios da RTRS recebem, anualmente, prêmios pela oferta diferenciada. Média de produtividade das propriedades certificadas na última safra ficou em 63 sacas por hectare, contra a média nacional de pouco mais de 50.

O consultor externo da Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS), Cid Sanches, conversou com o Notícias Agrícolas nesta quarta-feira (09) sobre o crescimento da soja certificada, que tem sido bastante consistente no Brasil, com cada vez mais produtores procurando se adequar aos critérios em sua propriedade.

Como aponta Sanches, esses critérios são diversos, mas envolvem o respeito à legislação vigente completa de seu país, bem como uma série de exigências e requisitos legais como o respeito às boas práticas agrícolas, legislação trabalhista e respeito ao meio ambiente.

Grupos de mais de 40 produtores são certificados em conjunto. A partir daí, os vizinhos vão observando que é possível atingir os padrões e aqueles que já adotam observam melhorias em todos os processos produtivos na fazenda, o que é auditado por organismos internacionais. Por isso, muitos produtores também vêm procurando fazer o processo voluntariamente.

No Brasil, foram 3,2 milhões de toneladas certificadas em 2017, com o objetivo de chegar a 4 milhões neste ano. No mundo, o RTRS deve chegar a 5 milhões de toneladas – ou seja, o país responde por um grande volume desse total.

A demanda por essa soja começou na Europa, especialmente nos países nórdicos. Hoje, já está espalhada pelo continente, despertando também o interesse dos asiáticos e das próprias empresas brasileiras e argentinas. Há um prêmio pela comercialização da oleaginosa, que o produtor negocia diretamente com as empresas.

Anualmente, a RTRS organiza uma conferência, que será realizada este ano nos dias 30 e 31 de maio, na França. Mais de 30 produtores do Brasil estarão presentes, bem como empresas, pequenos cerealistas e representantes governamentais.

Clique aqui para ouvir o podcast da reportagem.

Fonte: Notícias Agrícolas

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