China x EUA pode ampliar janela da soja da América do Sul por pelo menos 2 anos

A guerra comercial entre China e Estados Unidos continua muito presente no radar do cenário macroeconômico mundial, influenciando no andamento dos negócios e na ordem do comércio global, inevitavelmente. O momento poderia, inclusive, criar uma ampla janela de oportunidades para a soja da América do Sul por mais dois anos.

A análise é do chefe do Union Agriculture Group Corp., um dos maiores grupos agrícolas do Uruguai, Jose Pedro Sanchez, em entrevista à agência de notícias Bloomberg.

“Não só o Uruguai, mas a América do Sul tem a grande oportunidade de fornecer ainda mais oleaginosas para a China na medida em que o produto americano se torna menos competitivo em função dos altos preços por conta da tarifação”, diz Sanchez. “A China vai acabar comprando quase toda a soja uruguaia”, completa.

O mesmo já começa a ser observado no Brasil, em níveis ainda mais amplos. Somente na última semana, os chineses compraram de 19 a 20 navios de soja, o que corresponde a pouco mais de 1 milhão de toneladas, e os negócios continuam a acontecer.

Os números das exportações nacionais continuam mostrando dados recordes, segundo informações que partem da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e se estendem por todo o complexo da oleaginosa. No acumulado do ano, as exportações brasileiras de soja já somam 51.550,6 milhões de toneladas. Ao contabilizar os números de toda a cadeia, as vendas externas chegam a 61,7 milhões.

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Fontes: Notícias Agrícolas

Energia solar dá grande salto em cinco anos

Área vem avançando rapidamente graças a consumidores residenciais, ao agronegócio, indústrias e algumas distribuidoras privadas de eletricidade

Embora o Brasil esteja ainda muito longe de aproveitar bem seu imenso potencial em energia solar, essa área vem avançando rapidamente no País, graças a consumidores residenciais, ao agronegócio, indústrias e algumas distribuidoras privadas de eletricidade. Segundo dados recentes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o número de conexões para a micro geração de energia saltou de 23 em junho de 2013 para 30.900 agora, sendo 99% desse total está voltado para utilização de energia solar.

Mais de dois terços das conexões foram feitas por consumidores residenciais, que não se limitam a proprietários de grandes mansões, mas abrangem, principalmente, edifícios de apartamentos de classe média, cujos condôminos resolveram investir na instalação de painéis solares com o objetivo de poupar gastos com eletricidade a mais longo prazo. Em um país como o Brasil, com intensa insolação em todo o seu território, durante praticamente o ano inteiro, essas instalações colocam também seus usuários a salvo de apagões nas redes de transmissão de grandes distribuidoras.

A opção pela energia solar também tem se mostrado vantajosa no campo, especialmente em fazendas mais afastadas, que podem prescindir de extensas linhas de transmissão. Indústrias de ramos diversos, instaladas em diferentes regiões do País, também têm recorrido com mais frequência a microusinas solares, de modo a cortar custos fixos, como eletricidade, que podem vir a prejudicar sua competitividade.

Uma questão que se coloca é o custo dos equipamentos para a microgeração solar, considerado elevado, embora tenha baixado bastante nos últimos anos, com a maior competição entre fornecedores. Calcula-se que, para uma residência média, os painéis custem por volta de R$ 20 mil. Para empreendimentos de maior porte que exigem uma multiplicidade de painéis, o custo pode ser inicialmente pesado, considerando sobretudo a recente alta da cotação do dólar, sendo todos os equipamentos atualmente importados.

Tudo isso vem ocorrendo no âmbito da iniciativa privada, mas o governo tem procurado ajudar por meio do BNDES, que financia pessoas físicas interessadas em utilizar energia solar com empréstimos a taxas de 4,03% a 4,55% ao ano, pelo prazo de até 12 anos, com 24 meses de carência.

 Fonte: Estadão Conteúdo

Brasil vai ultrapassar EUA como 3º maior fornecedor de soja do mundo, diz FAO

Queda na produção na América do Sul vai favorecer o Brasil, conclui relatório divulgado nesta segunda-feira (16)

O Brasil ultrapassará os Estados Unidos como terceiro maior fornecedor de óleo de soja do mundo no período da safra de 2017 e 2018, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) divulgado nesta segunda-feira (16).

O estudo mostra que, apesar da maior produção da commodity em território brasileiro, outros países da América do Sul sofrerão uma queda na safra de 2018/2019 devido ao clima desfavorável. O recuo de cerca de 9% no continente será puxado por severas perdas na Argentina, Paraguai e Uruguai, segundo a FAO.

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Fonte: G1

Brasil poderá ter de importar soja com disputa entre EUA e China, diz Anec

Maior exportador de soja do mundo poderá ter de importar até 1 mi de toneladas do grão dos EUA até fim do ano para suprir demanda de processadores locais

São Paulo – O Brasil, maior exportador de soja do mundo, poderá ter de importar até 1 milhão de toneladas da oleaginosa dos Estados Unidos até o fim deste ano para suprir a demanda de processadores locais, disse um executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) nesta quinta-feira.

Se a demanda da China por soja brasileira crescer em meio a uma guerra comercial com os Estados Unidos, processadores locais poderão ter de recorrer a importações dos EUA, disse Luis Barbieri, um membro do conselho da Anec.

“Esse é um dos momentos de maior incerteza na história recente do comércio de grãos”, disse ele.

Fonte: Reuters

Temer assina criação de novo programa de incentivos a montadoras, o Rota 2030

Novo regime automotivo prevê que indústria poderá abater até R$ 1,5 bi em tributos ao ano, volume similar ao plano anterior, se investir R$ 5 bi anuais em pesquisa e desenvolvimento.

O presidente Michel Temer assinou nesta quinta-feira (5), em cerimônia no Palácio do Planalto, a medida provisória que cria o novo regime automotivo brasileiro, o Rota 2030 Mobilidade e Logística.

Trata-se de um programa de incentivo a montadoras e de um conjunto de regras que as fabricantes deverão seguir para usufruirem desses estímulos, incluindo aumento da segurança e melhoria no consumo de combustível dos carros (leia mais detalhes abaixo).

Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), o regime foi dividido em 3 ciclos de investimentos, ao longo de 15 anos.

O plano era esperado para o começo do ano, mas atrasou devido a um impasse entre o Mdic e a Fazenda.

Por se tratar de uma medida provisória, o Rota 2030 só entrará em vigor ao ser publicado no “Diário Oficial da União”. A MP precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em 120 dias, sob o risco de perder a validade.

Metas do Rota 2030

A principal medida do novo regime é a concessão de até R$ 1,5 bilhão por ano de crédito tributário à indústria, como um todo, caso as montadoras participantes do Rota 2030 invistam, pelo menos, R$ 5 bilhões em pesquisa e desenvolvimento ao ano.

É um montante semelhante ao oferecido no plano anterior, o Inovar Auto, encerrado em 2017.

Cada empresa receberá crédito equivalente a 10,2% do total investido, que poderá ser usado no abatimento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), o que era o principal ponto de discórdia entre os ministérios.

O programa completo será divulgado nesta sexta, mas algumas outras metas foram adiantadas pelo governo na cerimônia:

  • Eficiência energética – as montadoras serão obrigadas a manter a meta de eficiência energética do programa anterior (Inovar Auto) e deverão melhorar esse patamar em 11% até 2022, reduzindo o consumo de combustível e a emissão de poluentes dos carros;
  • Etiquetagem veicular – veículos comercializados no Brasil receberão etiquetas que informarão de maneira mais direta ao consumidor a eficiênca energética e os equipamentos de segurança instalados;
  • Desempenho estrutural – até 2027, os carros deverão incorporar as chamadas tecnologias assistivas à direção, que auxiliam o motorista na condução.

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Fonte: Auto Esporte – G1

Negócios com a soja no Brasil estão voltando aos poucos

Piso de preços da soja em Chicago pode estar próximo já que a partir de US$ 8,40/bushel produtores podem acionar o seguro nos EUA

Nesta quarta-feira (4), em função do feriado de 4 de julho nos Estados Unidos, o mercado se viu sem a referência da Bolsa de Chicago (CBOT) para a soja. Contudo, há uma melhora no mercado interno brasileiro, mesmo que pouco significativa no momento.

Luiz Fernando Gutierrez Roque, analista da Safras & Mercado, lembra que na sexta-feira (6) entra em vigor a tarifação dos produtos chineses, de forma que a retaliação para a soja americana pode ocorrer em sequência. Dessa forma, o mercado segue em compasso de espera.

Há um pessimismo crescendo em cima da questão comercial entre os Estados Unidos e a China que traz um mau humor no mercado mundial como um todo. O dólar ganha valor frente a outras moedas e o mercado espera por novidades – e a tendência é que elas não apareçam de fato.

Se a tarifação ocorrer, haverá um impacto sem precedentes para a soja norte-americana. A CBOT, por sua vez, tem um fundo histórico de US$8,40/bushel, já que, a partir desse valor, o Governo entra com subsídio para o produtor local. O último teste desse piso foi há dez anos.

Os brasileiros viram, neste momento, uma janela para as oportunidades. Os prêmios estão elevados na região portuária e as negociações ocorrem por volta dos R$90.

Por outro lado, a indefinição dos fretes atrapalha o mercado. O maior ritmo de negócios ocorre para os meses de setembro e outubro. Existe uma necessidade grande de deixar claro qual será o preço mínimo para a fluidez maior dos negócios.

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Por: Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte: Noticias Agrícolas

Petroleiras miram potencial do Brasil para renováveis em meio a transição energética

O enorme potencial do Brasil para a geração de energia limpa tem atraído a atenção de grandes petroleiras interessadas em diversificar investimentos em preparação para uma esperada transição energética global que pode levar a uma redução da importância dos combustíveis fósseis nas próximas décadas.

Os primeiros negócios ainda são tímidos, concentrados em ativos de pequeno porte, estudos e pesquisas, mas passam por diversas tecnologias que vão da energia solar a projetos eólicos no mar e envolvem gigantes globais como a anglo-holandesa Shell, a francesa Total, a norueguesa Equinor e a estatal local Petrobras.

“Todas as ‘majors’ estão fazendo movimentos similares, em três grandes grupos: tecnologias de eficiência energética, de captura e armazenamento de carbono e a aposta na transição da matriz para renováveis”, disse à Reuters o gerente executivo de Estratégia e Organização da Petrobras, Rodrigo Costa.

“As duas primeiras dimensões são mais comuns, e a terceira depende mais do perfil de cada empresa, da vantagem competitiva de cada uma”, adicionou.

A francesa Total, por exemplo, tem avançado gradualmente no segmento de geração de energia solar no Brasil por meio da compra de projetos fotovoltaicos em desenvolvimento. A empresa, que fechou o primeiro negócio local no setor no ano passado, fechou no mês passado uma nova aquisição.

A companhia tem como meta global uma participação de 20 por cento de renováveis em seu portfólio nos próximos 20 anos, além da ampliação de sua capacidade de geração de energia por renováveis para 5 gigawatts ao redor do mundo nos próximos cinco anos.

“Nesse contexto, a energia solar tem um papel importante e a Total vem investindo nesse setor desde 2011… A Total entende que a energia solar é uma alternativa com grande potencial de crescimento”, afirmou a petroleira francesa em nota.

A subsidiária da companhia para renováveis, Total Eren, conta atualmente com 140 megawatts em capacidade no Brasil, entre projetos em construção e em operação.

A norueguesa Equinor (ex-Statoil) também entrou no setor solar brasileiro, ao anunciar em outubro do ano passado a criação de uma joint venture com a também norueguesa Scatec Solar para investir em geração fotovoltaica no país. O negócio teve início com a compra de uma fatia em um complexo de 162 megawatts no Ceará.

Na época, a companhia disse que a transação era “um primeiro passo rumo à indústria de energia solar”.

Além delas, outras petroleiras também se movimentam no segmento, segundo o diretor da consultoria Greener, especializada em energia solar, Márcio Takata.

“Temos conversado com alguns ‘players’ de petróleo… Eles precisam diversificar e eles têm dinheiro, têm muito capital, então a gente vai ver aí sem dúvida uma movimentação dessas empresas de petróleo. Não só as que já estão no Brasil, como outras”, afirmou.

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Fonte: Terra

O falso dilema entre o ar limpo e o crescimento econômico

Apesar de figurar entre as oito maiores economias e ter uma das legislações ambientais mais avançadas do mundo, o Brasil falha no controle da poluição e registra 51 mil mortes por ano

No documento Qualidade do Ar e Saúde – Perguntas e Respostas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apresenta os motivos para apresentar os seus indicadores de qualidade do ar a título de “recomendações”, feitas em 2005 aos países-membros das Nações Unidas, no qual se inclui o Brasil.

Note-se de antemão que qualquer organismo das Nações Unidas, como a OMS, deve observar, por questão protocolar, um elevado tato diplomático, que implica em sugerir, aconselhar – e não impor – sua orientação. A OMS justifica claramente o objetivo do formato “recomendação”: este se dá para ressalvar os diferentes estágios e desafios para o desenvolvimento em que se encontra grande parte da humanidade, onde condições adversas afetam principalmente os países mais pobres.

Diz a OMS: “Em muitos países em desenvolvimento, a consideração das emissões de poluentes no planejamento urbano, aquecimento, produção de energia e desenvolvimento dos transportes ainda não é uma prática comum. A ignorância dos efeitos da poluição na saúde ou sob apreciação de sua magnitude são grandes obstáculos na definição das ações e na mobilização de recursos locais e internacionais. Mesmo intervenções relativamente simples, como a melhoria dos fogões de cozinha ou o aquecimento com eletrodomésticos, podem reduzir radicalmente a exposição das pessoas à poluição, produzindo ganho a um custo mínimo”.

O Brasil não se enquadra no estágio de pauperidade que preocupa a OMS. Entre 194 países listados no mundo, o Brasil ocupa o 8º lugar entre as maiores economias, à frente da França e da Grã-Bretanha, em que pese ser o 64º lugar no ranking do PIB per capita, devido à sua má distribuição de renda, o que ainda precisa ser equacionado. Está entre os G20, os países mais ricos do planeta. Apesar da crise econômica atual, as perspectivas internacionais são otimistas, em médio prazo, para o crescimento econômico do Brasil – e apontam sua ascensão para o 7º lugar em 2027, e 6º lugar em 2032.

O Brasil também possui uma Constituição Federal democrática e ambientalmente robusta. Conta com uma das legislações ambientais das mais avançadas do mundo, e já está muito distante da situação de precariedade institucional de países com baixo índice de desenvolvimento, onde o controle da poluição não esteja previsto e não é, portanto, uma prática comum.

Além disso, também não há no País a ignorância sobre os efeitos da poluição sobre a saúde. Basta verificar as notícias e informações veiculadas pelos meios de comunicação há décadas. O Brasil conta ainda com ampla institucionalização na área de saúde pública (SUS) e com um Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), que abrange as instâncias federal, estadual e municipal. Ressalte-se ainda os milhares de conselhos de saúde e meio ambiente existentes, decorrentes da instituição da participação social nos processos decisórios.

Mas apesar disso, segundo dados atuais da OMS, o Brasil contabiliza 51 mil mortes por ano em decorrência da poluição do ar, o que exige medidas urgentes, com a implementação de políticas públicas para proteger a população. O primeiro passo é o estabelecimento de valores indicadores para a qualidade do ar, e que sejam seguros.

A melhor referência médico-científica internacional são, sem sombra de dúvida, os valores preconizados pela OMS, publicados em 2005, resultantes de uma ampla pesquisa científica desenvolvida por cientistas e pesquisadores em mais de 100 países. O Brasil adota ainda os valores da OMS de 1990, que foram institucionalizados por meio da resolução Conama 03/90, cuja revisão tem sido objeto de pedidos insistentes por parte do Proam, já que abarca um referencial desatualizado para a proteção da saúde.

Um dos poluentes mais agressivos apontados pela OMS é o material particulado (MP), cujos efeitos adversos atingem principalmente crianças, idosos e as populações economicamente desfavorecidas. O MP decorre principalmente da queima do diesel em veículos pesados, especialmente caminhões e ônibus.

Países muito pobres e pouco desenvolvidos, especialmente na Ásia e na África, utilizam a queima de combustíveis fósseis e de madeira até dentro das residências, e encontrariam dificuldades para atingir os padrões da OMS. Mas nenhuma das condições estruturais apontadas pela OMS como impeditivas da adoção imediata de bons padrões de qualidade do ar se aplica ao Brasil, cuja realidade socioeconômica, institucional e cultural é indubitavelmente melhor que a dos países em estado de pobreza.

Além disso, não temos dificuldades climáticas rigorosas que impliquem aquecimento a carvão, madeira ou diesel no inverno – e contamos com uma preponderante matriz hidrelétrica, além de imensa possibilidade para as matrizes solares e eólica. E temos cozinhas movidas a gás (dos males fósseis, o menor).

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Artigo de Carlos Bocuhy – Presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam) e membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama)

Fonte: Página 22

FAO: preço dos principais produtos agrícolas e pecuários deve se manter baixo

São Paulo, 04 – O ritmo de crescimento da demanda global por alimentos e commodities agrícolas está se enfraquecendo, ao passo que o setor agrícola como um todo continua conquistando importantes e contínuos ganhos de produtividade. Como consequência, os preços dos principais produtos agrícolas e pecuários no mundo devem se manter em nível relativamente baixo na próxima década.

A avaliação é da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em relatório sobre as perspectivas entre 2018 e 2027, apresentado na noite de terça-feira, 3, em Paris.

A demanda nas principais economias emergentes é um dos fatores que mais pesam sobre o ritmo global, verificou o levantamento, com a estagnação do consumo de alimentos básicos. Nesse quesito, o destaque fica com a demanda da China, que dá sinais de desaceleração, após forte expansão na última década, sustentada pela melhora da renda. Outro fator que influência negativamente o apetite global por alimentos é o crescimento populacional mais moderado no mundo. O cenário, enquanto isso, não apresenta fontes alternativas para compensar o enfraquecimento da demanda.

O aumento da produção em 2017 foi verificado em praticamente todas as culturas, atingindo níveis recordes para a maioria dos grãos e cereais, carnes e lácteos. Ao mesmo tempo, os estoques acumularam patamares jamais vistos.

Na próxima década, a produção agrícola global deve ter um crescimento de 20%, ainda que regiões em desenvolvimento e com crescimento populacional maior devam puxar o ritmo para cima. É o caso de regiões como a África Subsaariana, Leste Asiático, Oriente Médio e o norte da África. Em contrapartida, o relatório aponta que o ritmo em regiões desenvolvidas, como na Europa Ocidental, deve ser “muito mais fraco”.

A desaceleração da demanda por carnes deve “colocar um freio na demanda por cereais e proteínas utilizadas em ração animal”, diz o relatório.

O comércio internacional, por sua vez, deverá sofrer o impacto da desaceleração. A projeção da FAO e da OCDE é de queda de cerca de 50% no ritmo de expansão das exportações na próxima década, em comparação ao verificado nos últimos dez anos.

Brasil

Muitas vezes tratado como ‘celeiro do mundo’, o Brasil continuará protagonista na produção e fornecimento de alimentos ao resto do mundo, aponta o levantamento.

No caso da soja, o País continuará dividindo a maior fatia do mercado com os Estados Unidos. O relatório prevê, ainda, que o milho brasileiro deve ganhar mercado. “As exportações de soja, outras sementes oleaginosas e de farelo de proteína seguirão dominadas pelas Américas. Os preços deverão aumentar ligeiramente em termos nominais ao longo do período de previsão, com ligeiros declínios em termos reais”, diz o documento.

Já no caso do açúcar, as projeções indicam que o crescimento da produção se dará “em ritmo mais lento do que na década anterior”. O Brasil continuará como o maior produtor global de açúcar, assim como deverá concentrar 45% das exportações globais. “A demanda por adoçantes calóricos deve crescer a um ritmo mais rápido do que outras commodities”, diz a FAO/OCDE.

O relatório aponta que os preços globais do biodiesel e do etanol deverão diminuir, respectivamente, 14% e 8% em termos reais na próxima década. “No entanto, a evolução dos mercados de etanol e biodiesel continuará sendo moldada pela definição de políticas e pela demanda por combustível para transporte, o que implica considerável incerteza nessas projeções”, pondera. O Brasil pode perder market share na próxima década, de 90% para 88%, em virtude do aumento da produção na Ásia.

No segmento de carnes, as entidades projetam crescimento de 15% da produção em 2027, em comparação com 2018. A alta do consumo de proteína animal deve ser liderada por países em desenvolvimento, com peso de 76% do crescimento.

“Consumidores em países em desenvolvimento devem aumentar e diversificar o consumo de carnes, buscando opções mais caras como carne bovina e de carneiro”, diz o relatório. Em 2027, as vendas internacionais de Brasil e Estados Unidos, os principais exportadores de proteína animal do mundo, devem corresponder a 45% do total.

Fonte: Estadão Conteúdo

Crédito para economia verde cresce 33% no Brasil em 2017, diz Febraban

SÃO PAULO (Reuters) – Na contramão da trajetória cadente do crédito corporativo no Brasil nos últimos anos, os financiamentos para projetos ligados à redução da emissão de carbono, eficiência no uso de recursos naturais e inclusão social seguem crescendo forte no país, segundo levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Os empréstimos para a chamada economia verde cresceram 33,4 por cento em 2017, para 412,3 bilhões de reais, segundo os dados da entidade. Em relação a 2013, quando a pesquisa começou a ser feita, o montante representa um salto de 233 por cento.

Com isso, a participação dos financiamentos para companhias de economia verde no total dos empréstimos dos bancos em um ano subiu de 18,8 por cento para 27,6 por cento da carteira de crédito de 15 bancos que, somados, representam 86,8 por cento dos 1,7 trilhão de reais da carteira de financiamentos para pessoa jurídica.

O movimento vai na esteira da rápida multiplicação de projetos ligados a energia renovável e biocombustíveis.

“Isso reflete em parte a crescente demanda de empresas e dos próprios bancos por aliar operações a padrões internacionais de práticas ambientais e sociais em projetos.

Embora com expressão bem menor, o mercado de capitais foi na mesma direção, com a captação de recursos via os chamados green bonds, dando um salto de 181 por cento no ano passado, para 8,1 bilhões de reais. A emissão de debêntures verdes cresceu quase 60 por cento no período, para 33,3 bilhões de reais.

Segundo Vasconcelos, apesar da potencial redução de uma série de riscos, inclusive ambientais e legais, que projetos com essas características apresentam, por ora os tomadores ainda não conseguem obter taxas mais baixas de juros.

“Por enquanto são taxas de mercado, mas no futuro acredito que isso começará a acontecer”, disse.

Fonte: Reuters

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