Estados Unidos oficializam taxas de até 72% sobre importação de biodiesel proveniente da Argentina e da Indonésia

Nesta quinta-feira (04), os Estados Unidos oficializaram a imposição de taxas compensatórias de até 72% sobre as importações de biodiesel provenientes da Argentina. O país norte-americano alega que a sua indústria local do combustível está “materialmente prejudicada por importações subsidiadas”.

A Comissão de Comércio Internacional (TIC, na sigla em inglês) determinou que qualquer ingresso do produto proveniente da Argentina e também da Indonésia será objeto das medidas compensatórias, segundo as resoluções C-357-821 e C-560-831.

Essa porcentagem se estende para o biodiesel que foi importado desde 28 de agosto de 2017, data na qual o Departamento de Comércio publicou as determinações preliminares a respeito do assunto.

As taxas são de 72,28% para a Dreyfus Corporation, de 71,45% para a Vicentín e de 71,87% para as demais empresas que exportam biodiesel aos Estados Unidos.

Em novembro, as autoridades argentinas haviam anunciado que o país irá recorrer ao Sistema de Solução de Controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Tradução: Izadora Pimenta do Notícias Agrícolas

Fonte: AgroVoz

A batalha do Biodiesel

Produtores pressionam o governo para aumentar a participação do diesel renovável na mistura com o combustível de petróleo, um produto que neste ano deve bater recorde na importação

No dia 5 de julho, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, iniciou sua agenda com a assinatura de um acordo para que a BR Distribuidora, que é subsidiária da Petrobras, forneça biodiesel para testes de motores a diesel. O encontro aconteceu em Brasília, com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio) e a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio). As entidades têm pressa para que esses testes ganhem ritmo, porque são fundamentais para validar o uso de biodiesel no diesel de petróleo acima dos atuais 8%, instituídos em março deste ano. Por exemplo, em patamares mais elevados, como B10, B15 e B20. “O Brasil será um exemplo de como o governo e a iniciativa privada podem trabalhar juntos para o desenvolvimento do País”, disse Coelho Filho durante o encontro.

O acordo é uma resposta aos produtores de biodiesel, que vinham reivindicando o aumento para 9% na mistura ainda neste ano. Mas o governo já sinalizou que não voltará atrás do que foi determinado pela Lei 13.263, de 2016, na qual se estabeleceu que a partir de março a mistura deveria conter o mínimo de 8% de biodiesel, e somente um ano depois subir para 9%, chegando em 10% em março de 2019. Segundo Plínio Nastari, membro do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão de assessoramento do presidente da República para formulação de políticas e diretrizes de energia, e presidente da consultoria Datagro, havia um pleito dos produtores de biodiesel para aprovar o B9 para o mês de setembro. “Mas já no pleito se viu que não haveria tempo hábil”, diz Nastari.

Para os produtores, o aumento para B9 ainda neste ano estimularia a produção imediata do biocombustível. A estimativa de produção para 2017 é de 4,4 bilhões de litros de biodiesel, ante os 3,8 bilhões de litros em 2016. Mas, no ano passado, a capacidade instalada autorizada a operar comercialmente já era de 7,3 bilhões de litros, o que significa uma ociosidade no setor da ordem de 2,9 bilhões de litros. Segundo a Ubrabio, cerca de 15 unidades produtoras estão paralisadas. A ociosidade no setor tem sido da ordem de 50% nas últimas safras. Por isso as lideranças querem pressa nos testes.

“Continuamos importando diesel. Isso mostra que o Brasil não é autossuficiente” Erasmo Battistella, presidente da BSBios (Crédito:JOÃO CASTELLANO/AG. ISTOÉ)

Para Erasmo Battistella, presidente da Aprobio e CEO da BSBios, empresa com sede em Passo Fundo (RS), que processa 216 milhões de litros de biodiesel derivado da soja, o setor está preparado para antecipar até o B10, caso o governo decida por essa política. “O governo precisa avaliar a cadeia como um todo, já que há um pedido enfático das distribuidoras, principalmente, as ligadas ao Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes, de passar direto ao B10 em 2018”, afirma Battistela. “O consumo de diesel no Brasil caiu 20% nos últimos dois anos e continuamos importando diesel. Isso mostra que o Brasil não é autossuficiente. Essa dependência reforça a importância de maior produção de biodiesel.”

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Fonte: Dinheiro Rural

Macaúba é aposta para gerar biocombustível no Nordeste

A Embrapa estuda o cultivo da macaúba em consórcio com grãos e leguminosas para obter matéria-prima

Produzir agroenergia e alimentos na mesma área pode ser um negócio lucrativo e viável. É o que tem demonstrado pesquisa feita por meio de parceria entre a Embrapa e o World Agroforestry Centre (Icraf). As instituições estudam o cultivo da macaúba em consórcio com grãos e leguminosas para obter alimentos e matéria-prima de qualidade para biocombustíveis.

Segundo a Embrapa, a ideia é, no futuro, incluir a pecuária no sistema, a fim de demonstrar que a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) também pode atender o mercado de agroenergia, conferindo ainda mais sustentabilidade ao setor e gerando renda para a agricultura familiar.

Agroenergia

Os experimentos estão sendo conduzidos em dois locais: Parnaíba, no litoral do Piauí, e em Barbalha, no Ceará, interior do Nordeste. A macaúba gera frutos com volume de óleo comparável ao do dendê, que é campeão em produtividade. Esse óleo pode atender à produção de combustíveis de origem renovável como o biodiesel, já presente no Brasil, e o bioquerosene de aviação, um produto ainda em consolidação, com grande potencial de mercado.

O projeto da Embrapa e do Icraf no Nordeste faz parte um programa internacional para desenvolvimento de cultivos alternativos para produção de biocombustíveis, com ações também na África e na Ásia. As atividades são lideradas pelo Icraf, com financiamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Ifad). No Brasil, a Embrapa conta, na condução do projeto, com o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Agrário, em esfera federal, do Instituto Federal, Emater, e Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará, além da interação com comunidades extrativistas locais.

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Fonte: SF Agro

Franquia de fast food no Qatar investe em biodiesel para diminuir sua pegada ambiental

A Al Mana Restaurants & Food Company – proprietária e operadora da franquia McDonald’s no Qatar – país localizado no Oriente Médio, anunciou que as operações de sua cadeia de fast food estão caminhando para reduzir sua pegada ambiental através da implantação de medidas inovadoras para a gestão de resíduos.

Para atingir esse objetivo, o McDonald’s estabeleceu seu próprio marco na sustentabilidade da cadeia de suprimentos, criando, protegendo e aumentando o valor ambiental, social e econômico de longo prazo para todas as partes envolvidas no fornecimento de produtos e serviços ao mercado.

Pensando nisso, a divisão de suprimentos da empresa desenvolveu o programa de reciclagem de OGR (óleos e gorduras residuais) em um movimento para maximizar seu impacto ambiental e fazer seus restaurantes tão sustentáveis ​​quanto possível cumprindo assim as normas estabelecidas pelo Ministério do Município e Meio Ambiente do Qatar.

O programa de reciclagem de óleo foi desenvolvido com o apoio e colaboração da GBO, um parceiro local e provedor, que coleta óleo usado para processa-lo em plantas de biodiesel. Ao fazê-lo, a empresa ajuda a garantir que o óleo usado dos restaurantes McDonald’s no Qatar não acabe em poços d’água e que seja reciclado para outros usos, em conformidade com os requisitos europeus para a produção sustentável de biodiesel no âmbito da International Sustainability and Carbon Certification System (ISCC).

O biodiesel, produzido a partir de resíduos de óleos vegetais, emite menos gases de efeito estufa quando comparado ao diesel de petróleo. Especialistas acreditam que usando biodiesel em vez de diesel pode-se reduzir os gases de efeito estufa em até 78 por cento.

“Uma cadeia de abastecimento verde e sustentável garante que os impactos ambientais, sociais e econômicos são gerenciados de forma eficiente, ao mesmo tempo em que incentivam as melhores práticas de boa governança.

“Ao longo dos ciclos de vida de produtos e serviços, as iniciativas do McDonald’s são um passo adiante para minimizar suas pegadas de carbono, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e melhorando a sustentabilidade da água para reduzir consideravelmente os riscos ambientais em suas cadeias de suprimento e expandir seu círculo de responsabilidade “, disse Fadi Rezek, gerente geral da AlMana Restaurants & Food Co. – McDonald’s Qatar.

Fonte: TradeArabia

Indústria de biodiesel nos EUA quer incentivos para a produção interna do produto

De acordo com Phillip Harden, gerente da Scott Petroleum, planta localizada no Mississippi, uma petição para atualizar a lei do imposto sobre o biodiesel americano ganhou força junto aos produtores do país. O objetivo é chamar a atenção para a campanha, a favor do restabelecimento do crédito fiscal de US$ 1 por litro de biodiesel, expirado em 31 de dezembro passado, e atualizá-lo a favor do biocombustível nacional.

A ação visa não só estender o incentivo até 2019 mas, torná-lo ainda um crédito ao produtor interno. Hoje, um terço do combustível baseado em biomassa, consumido nos EUA em 2016, veio do exterior. Esse volume totalizou cerca de 1 bilhão de litros de biodiesel e diesel renovável importados da Argentina, Indonésia, Cingapura e Canadá.

De acordo com a petição de Harden, a forma como a política opera hoje incentiva os distribuidores a usar biodiesel importado em vez de americano.  Os ativistas acreditam que a indústria de biodiesel dos EUA só conseguirá prosperar se a ameaça do biocombustível importado for removida.

Atualmente, o setor emprega 64 mil pessoas e fornece mais de 11,4 bilhões de dólares (10,7 bilhões de euros) em benefícios econômicos ao país. Com o argumento de que esse cenário corre sérios riscos, sem a atualização proposta e necessária, Harden espera conseguir 100 mil assinaturas até 23 abril quando pretende encaminhar a petição ao governo americano.

Fonte: Biofuels International com adaptações Aprobio

Argentina e suas alternativas para aumentar o uso doméstico de biodiesel

O Plano B, em caso de um embargo comercial pelos EUA, seria o emprego de grande parte do biocombustível no setor do agronegócio.

Como ficaria o mercado doméstico se as autoridades norte-americanas decidissem acatar a ação proposta na última semana pelo NBB (National Biodiesel Board, conselho que representa os produtores de biodiesel nos EUA) e bloqueassem a entrada do biodiesel argentino no país?

A pergunta vem movimentando as autoridades locais já que, atualmente, o país não possui capacidade para absorver todo o volume exportado.

No entanto, segundo a Associação Argentina de Biocombustíveis e Hidrogênio, parece haver alternativas para contribuir com o setor e contornar os danos aos produtores.

“O governo está trabalhando para aumentar o uso de biodiesel no campo, através da utilização do biocombustível no maquinário agrícola e, permitindo que as pequenas plantas instaladas, eventualmente, operem marginalmente”, afirmou Claudio Molina, diretor-executivo da Associação Argentina de Biocombustíveis e Hidrogênio.

Em 2016, de acordo com dados oficiais, a produção de biodiesel na Argentina – produzido 100% à base de óleo de soja –  foi de 2,65 milhões de toneladas, dos quais 39% foram alocados para mistura obrigatória de 10%, enquanto o restante (1,62 milhão de toneladas) foram exportados principalmente para os EUA e, em menor medida, para o Peru (nação que no final do ano passado, decidiu aplicar direitos antidumping sobre o biodiesel argentino).

“O Ministério da Agro Indústria aposta que um terço do combustível consumido pelo agronegócio tem potencial para ser substituído pelo biocombustível. Esse volume adicional representaria cerca de 530.000 toneladas de biodiesel consumido a mais por ano. Contudo, essa demanda também suscitaria outras: a resolução de problemas fiscais, logísticos e até alguns casos de qualidade, o que provavelmente atrasaria um pouco essa implantação”, diz Molina.

Desde 2014 está em vigor no país, uma resolução que permite que empresas, onde seja tecnicamente possível utilizar biodiesel na geração de energia, possam utilizar 10% do biocombustível ao diesel. Todavia, o uso do produto para tal efeito não “pegou” no setor.

“No momento, o consumo no segmento de geração de energia elétrica é quase nulo e o governo não tem como assegurar o cumprimento desta resolução”, adverte Molina. “Se isso acontecesse, a demanda de biodiesel adicional médio estaria perto de 180.000 toneladas por ano”, acrescenta.

Outra alternativa para o excedente do biocombustível  seria a sua utilização, em mistura B20 (20% de biodiesel ao diesel), em frotas cativas de caminhões e ônibus. “O programa, com condições de implementação pelo Departamento de Energia e Mineração, seria voluntário, o que não o torna viável já que os preços relativos, biodiesel x diesel,  no momento, são desfavoráveis”, ressalta Molina.

Outra luz para o setor

Em outubro do ano passado, o Órgão de Apelação da Organização Mundial do Comércio (OMC) ordenou que a União Europeia removesse os direitos anti-dumping, aplicados desde novembro/13 ao biodiesel argentino, medida que reaqueceria o mercado e aumentaria o volume exportado.

Contudo, mesmo com a vitória Argentina, a implementação efetiva da retirada dessas restrições só deve acontecer no final deste ano devido a critérios burocráticos da própria OMC.

 

Biocombustível aumenta demanda interna

Caramuru anuncia investimentos de R$ 24,5 milhões em sua nova unidade em Sorriso, município líder na produção e na exportação da oleaginosa mato-grossense

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Vice-predisente da Caramuru Alimentos, César Borges, comemorou autorização da ANP para construção da nova planta

O ano de 2017 começou com boas novas a cadeia produtiva da soja, tanto pelo aumento da demanda interna como pelos investimentos e pela geração de empregos, renda e impostos diretos e indiretos que serão gerados a partir da produção de biocombustível. A Caramuru Alimentos vai investir cerca de R$ 24,5 milhões na construção de sua terceira unidade de produção. A autorização veio nesse início de ano da Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A Caramuru Alimentos é uma das maiores processadoras de grãos do país e escolheu Sorriso (460 quilômetros ao norte de Cuiabá), para ser a sede de sua nova planta no Estado. Terá capacidade para produzir 285 mil litros por dia, ou cerca de 104 milhões de litros por ano. “Sorriso, a propósito, é o município líder em exportações do Mato Grosso, movimentando US$ 1,36 bilhão e, além disso, detém a maior área e produção de grãos do país, tanto em soja, quanto em milho, pontua o vice-presidente da Caramuru Alimentos, César Borges.

Os recursos para a construção da nova planta serão financiados pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO). Esta será a terceira fábrica de biodiesel da empresa no país. A companhia já opera duas unidades em Goiás que, juntas, têm capacidade para processar 450 milhões de litros por ano.

“Com mais está unidade de produção, cresce a demanda pela soja produzida em Mato Grosso e, consequentemente, as oportunidades de negócios dos produtores locais”, defende o vice-presidente.

Ainda como argumenta, outro aspecto positivo segundo Borges, é a retomada do mercado brasileiro de petróleo. A produção cresceu no ano anterior, bem como a balança comercial, que registrou superávit de R$ 410 milhões. As exportações somaram US$ 13,47 bilhões, enquanto as importações movimentaram US$ 13,06 bilhões.

De outra parte, a Petrobrás anunciou um aumento de 6,1% sobre os preços do diesel no início de janeiro deste ano. A informação é relevante porque, como se sabe, o biodiesel é acrescentado hoje ao diesel na proporção de 7%, índice que passará para 8% até 2017, 9%, até 2018 e 10%, até 2019. “Ganham, particularmente, com isso os produtores do Mato Grosso, o maior produtor de soja – principal matéria-prima do biodiesel”.

“Com a maior oferta do biocombustível, os produtores do Estado têm, paralelamente, a oportunidade de promover maior utilização em seu maquinário – tratores, pulverizadores, colheitadeiras, caminhonetes etc., substituindo o diesel, mais oneroso, e reduzindo, assim, o custo de transporte. A maior disponibilidade de farelo de soja, resultante da produção do processamento do grão para a produção do biodiesel, abre outro promissor horizonte: a oportunidade de agregar valor, investindo com eficiência e competitividade na produção de carnes de frango, suínos e derivados bovinos. Esse sistema otimiza a produção de milho necessária para a cobertura da terra, no intervalo da soja e que tem um ônus enorme quando paga frete aos portos, já que é um produto de muito baixo valor”, completa.

Esse novo modelo de produção é duplamente vantajoso, por reduzir o custo de fretes (substituindo a movimentação de volumosas partidas de grãos pelo transporte de derivados de carnes, mais compactos e, portanto, mais econômicos). De outra parte, a substituição da produção de grãos pela de carnes descortina ainda promissoras oportunidades no rentável mercado externo.

“Há ainda o papel social que a produção de biodiesel. Pela lei do chamado Selo Combustível Social, boa parte da produção deve ser reservada à agricultura familiar. Calcula-se que no ano passado mais de 70 mil pequenos produtores foram envolvidos no processo, promovendo, assim, a distribuição de riquezas no campo. Importa destacar as vantagens e propriedades ambientais do biodiesel, um combustível limpo, ecologicamente correto e que não concorre para o aumento do aquecimento global, ao contrário do diesel e demais derivados de petróleo”, argumenta.

Fonte: Diário de Cuiabá

Brasil recicla 30 milhões de litros de óleo de cozinha na produção de biodiesel

O Brasil utiliza hoje cerca de 30 milhões de litros de óleo de fritura para processar biodiesel, biocombustível feito à base de óleos vegetais. Cada litro óleo de cozinha reutilizado gera 980 mililitros (ml) do biocombustível. É pouco para o total produzido no ano passado, algo em torno de 3,9 bilhões de litros.

Mas o benefício maior é para o meio ambiente. Segundo a Sabesp, empresa de saneamento de São Paulo, um litro de óleo descartado polui o equivalente a 20 mil litros em cursos d’água. E de acordo com a Associação Brasileira para Sensibilização, Coleta e Reciclagem de Resíduos de Óleo Comestível (Ecóleo), o país descarta 200 milhões de litros de óleo de cozinha na natureza.

Não há estatísticas precisas sobre o número de projetos dedicados a recolher óleos e gorduras residuais (OGR) no país, mas muitos deles acumulam resultados. Na última sexta-feira (15), o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), começou a coleta de óleo de fritura pelos funcionários de suas casas e produzido no próprio órgão, também para fabricar biodiesel.

A finalidade é reduzir o impacto ambiental da queima de combustíveis – o biocombustível servirá para alimentar a frota da Caesb – e reduzir os custos do tratamento de esgoto do DF. Segundo Oilton Paiva, encarregado da Gerência de Gestão Ambiental Corporativa da empresa, para cada litro de óleo de cozinha que chega à rede de esgoto da capital federal são gastos 25 centavos para seu tratamento.

Em 2014 a parceria da Petrobras Biocombustível com 28 cooperativas e associações de catadores no Ceará (Quixadá e Fortaleza) e na Bahia (região metropolitana de Salvador), contribuiu para duas usinas da companhia, em Candeias (BA) e Quixadá (CE), processarem 232 mil litros de OGR para produzir biodiesel.

No ano passado a cidade de Indaiatuba, em São Paulo, produziu 14,6 mil litros de biodiesel a partir de óleo de gorduras recicladas. A iniciativa proporcionou uma economia em combustível de R$ 36 mil aos cofres públicos e ainda abasteceu a frota de caminhões e máquinas da Prefeitura e do Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto).

Em Sete Lagoas, Minas Gerais, o projeto “Papa Óleo”, promovido pela União Social Ecológica (USE), conseguiu preservar 50 bilhões de litros de água coletando 50 mil litros de óleo usado desde sua implantação em outubro de 2014.

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Osasco implantou em 2008 o Projeto Biodiesel, que já soma mais de 250 mil litros recolhidos em 900 pontos de coleta. O programa promove, ainda, ações para conscientizar a população da importância do descarte ecológico dos OGR.

Dados da Secretaria da cidade na região metropolitana de São Paulo mostram que descartar óleos e gorduras residuais na rede de esgoto encarece seu tratamento em até 45%. Além da produção de biodiesel, a reciclagem do óleo de cozinha usado pode fabricar massa de vidraceiro, ração animal, resinas para tintas, adesivos e outros produtos.

O biodiesel no Brasil é processado pelo método de transesterificação, reação química entre óleos vegetais (novos ou usados) e álcool de cana de açúcar ou metanol (álcool derivado de gás natural ou petróleo).

Fontes: Ecóleo, MMA, SABESP

Cientistas descobrem como produzir ‘petróleo’ com esgoto

Tecnologia aprimorada consegue gerar bicombustível a partir de qualquer matéria-prima úmida

Com uma pressão extremamente elevada e uma temperatura de mais de 350°C, em 45 minutos cientistas conseguiram transformar esgoto em um biocombustível com características semelhantes às do petróleo.

Feito pelo Laboratório Nacional Pacific Northwest (PNNL, na sigla em inglês), associado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos, o estudo com os resíduos que seguem vaso sanitário abaixo usa uma tecnologia chamada de liquefação hidrotérmica (HTL, na sigla em inglês). O processo, que imita as condições geológicas de alta pressão e temperatura que a Terra usa para criar naturalmente o petróleo bruto, conseguiu em minutos algo que a natureza leva milhões de anos.

De acordo com o engenheiro do laboratório Justin Billing, a tecnologia pode trabalhar com qualquer tipo de resíduo orgânico úmido, seja esgoto, algas ou estrume animal. A principal inovação é que nos processos usados até agora essas eram consideradas fontes pobres para a produção de combustível biológico, porque necessitaria secá-los antes do processamento. Mas, com essa tecnologia aprimorada por eles, tudo o que é preciso é pressão e calor (veja a infografia).

Sustentável

O resultado conquistado recebeu elogios da pesquisadora Vânya Pasa, do Laboratório de Ensaios de Combustíveis (LEC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “É uma tecnologia interessante do ponto de vista da sustentabilidade, pois vai evitar o custo do tratamento do esgoto, que é alto e problemático, e ainda gerar combustível”, diz.

Como a técnica envolve o uso de água na mistura da reação e dissolve os componentes inorgânicos, isso produz um combustível mais “limpo” e sem cinzas. Segundo Pasa, é mais ou menos como usar uma enorme panela de pressão, cuja força é de cerca de três atmosferas, e a técnica envolve uma força de 200 atmosferas. “Bombeando com alta pressão e temperatura, o processo consegue fazer a liquefação em alguns minutos. Depois, o material se vai rearranjando e forma hidrocarbonetos, que são moléculas de carbono e hidrogênio, parecidas com as do petróleo”, afirma.

Em uma escala menor e usando gorduras residuais de frituras e óleos, como de soja, de macaúba, de pequi e de coco, uma pesquisa parecida vem sendo desenvolvida por Pasa há cerca de quatro anos na UFMG.

O reator da UFMG que hoje transforma óleos em biodiesel também poderia ser usado para um trabalho como o norte-americano, diz a cientista. “Não processamos o esgoto, mas estamos trabalhando com óleos vegetais, em que as pressões são mais baixas. Agora estamos finalizando a parte de laboratório para fazermos testes em uma escala piloto maior”, conta.

Pasa explica que essa tecnologia usada nos EUA é mais cara e, para ter viabilidade, deveria ser usada em cidades maiores, metrópoles. Por outro lado, o Brasil ainda é um país com outras alternativas e muita biomassa disponível.

“Temos muita terra para plantar, óleos para fazer biocombustíveis, resíduos agrícolas para fazer gaseificação, uma siderurgia de carvão vegetal, cujos voláteis podem ser recuperados para obter bio-óleo. É uma realidade diferenciada em relação a outros países da Europa”, afirma a pesquisadora.

EUA

A Genifuel Corporação adquiriu a licença da tecnologia para colocar o “petróleo” em uso. A Metro Vancouver está trabalhando em uma fábrica para processar resíduos da indústria de laticínios.

Fonte: O Tempo

UE lança projeto ‘revolucionário’ sobre energia limpa

BRUXELAS, 30 NOV (ANSA) – A Comissão Europeia lançou nesta quarta-feira (30) um projeto “revolucionário” que tem como base o incentivo ao uso de energias “limpas” com investimentos de 177 milhões de euros por ano.

Segundo as mais de mil páginas do “Pacote de Inverno”, a ideia é criar mais de 900 mil postos de trabalho e dar um impulso à economia do bloco, com um aumento no Produto Interno Bruto de até 1%. As propostas redefinem o mercado elétrico, a forma de cobrança da energia, o papel dos consumidores e aumenta para 30% o objetivo de eficiência energética.

O vice-presidente da Comissão Europeia, Maros Sefcovic, diz que o plano é “uma simplificação notável das obrigações para os Estados-membros”, já que vai unificar as informações sobre o monitoramento e a planificação das ações nacionais para o clima e a energia através de um modelo único definido por Bruxelas e as capitais europeias.

O pacote é um novo passo da UE para implantar o Acordo de Paris sobre o clima, que entrou em vigor no último dia 4, e para começar a cumprir o acordo assinado em Marrakech, durante a COP22, de monitorar o andamento das metas a partir de 2018.

Ainda conforme Sefcovic, o “rascunho” dos planos para o período entre os anos de 2021-2030 será apresentado em 2018 para ser implementado a partir do ano seguinte.

– Agricultura: O plano ainda prevê a limitação do uso de biocombustíveis de primeira geração, provenientes de culturas alimentares, e o incentivo para usar os de segunda geração, mais sustentáveis, produzidos a partir de lixo e de resíduos agrícolas.

“O objetivo é eliminar gradualmente o uso de biocombustível de primeira geração para aumentar os de segunda geração”, ressaltou Sefcovic.

Para a biomassa usada para a geração de eletricidade e de calor, serão implantados critérios de sustentabilidade, que incluem a gestão sustentável de florestas e o respeito à biodiversidade.

Fonte: ANSA

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