Pesquisador piauiense inova na produção de biodiesel

O mundo todo persegue o uso de energias alternativas especialmente para reduzir os impactos contra o meio ambiente das fontes mais usadas na atualidade. Isso tem acontecido não somente nas matrizes que produzem energia elétrica, onde se busca um maior aproveitamento da energia dos ventos e da energia fotovoltaica, quanto na produção de substitutos para os derivados do petróleo, recurso finito, extremamente impactante, mas que move, literalmente (através dos combustíveis veiculares) o mundo inteiro.

Uma das alternativas tem sido o uso de biocombustíveis. Algumas experiências se mostraram mais exitosas do que outras, existindo inclusive uma forte discussão na academia quanto a produção de culturas de plantas oleaginosas de onde é possível extrair recursos para produção do biodiesel.

O processo de produção de biodiesel ainda vem sendo estudado, pois existem gargalos como a produção de resíduos que impactam o meio ou o valor de alguns reagentes que inviabilizam economicamente o processo. É o caso de agentes catalizadores (que aceleram as reações químicas) à base de platina, que encarecem muito o processo de produção do biocombustível.

Mas a pesquisa no Piauí pode ter encontrado uma boa alternativa para produção de biodiesel em larga escala e resolvendo alguns destes gargalos.

Recentemente, a tese de Doutorado desenvolvida pelo pesquisador Cícero Oliveira Costa Neto, do curso de Química da UESPI, chegou a descobertas interessantes no sentido de melhor produzir biodiesel. Usando o óleo extraído das amêndoas do babaçu (Attalea speciosa), palmeira abundante em áreas do Piauí e do Maranhão, Cícero Neto, orientado pelo Prof. Dr. Francisco das Chagas Alves Lima (UESPI), conseguiu eliminar a produção da acroleína, resíduo da síntese do Biodiesel, que provoca um odor forte e é considerado um gargalo para o uso do combustível, além de aplicar um novo composto como catalizador, à base do mineral bauxita, com um custo baixíssimo em relação aos catalizadores à base de platina, o que pode viabilizar a produção em larga escala do biodiesel à base da óleo de babaçu, fortalecendo a ideia de se usar fontes alternativas de combustível que tragam menos impactos ao meio ambiente e fortalecendo a ideia da Química Verde. O pesquisador conseguiu ainda projeções, através de cálculos teóricos, que permitem a identificação mais precisas de substâncias, na síntese do Biodiesel, o que representam avanços teóricos do seu trabalho para o processo de produção do combustível alternativo.

Os processos e produtos gerados pela pesquisa do Dr. Cícero Neto representam mais um resultado do promissor programa de Pós-Graduação da Rede Nordeste de Biotecnologia (RENORBIO).

Fonte: Cidade Verde.com

Câmara aprova Projeto de Lei que cria o Funbabaçu

O Funbabaçu terá a finalidade de desenvolver, financiar e modernizar a cultura do babaçu no Maranhão

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou, com substitutivo, o Projeto de Lei 4.337/16, do deputado Weverton Rocha (PDT), que institui o Fundo Nacional de Apoio à Cultura do Babaçu – Funbabaçu, com a finalidade de desenvolver, financiar e modernizar a cultura da palmeira do babaçu.

O babaçu é uma palmeira brasileira que tem grande importância socioeconômica e ambiental nos estados do Norte e Nordeste. Da amêndoa se extrai um óleo usado como matéria-prima na produção de sabão, cosméticos e biocombustíveis. Também pode ser utilizada como alimentação. “A cultura do babaçu é forte empregadora de mão de obra, no entanto, carece do apoio para o seu fortalecimento e expansão. O Fundo é uma medida para que o setor tenha esse apoio do governo federal”, defendeu o parlamentar maranhense.

O propósito, entre outras políticas, é proteger a flora nativa; promover a pesquisa científica e o desenvolvimento de tecnologias e métodos racionais de cultivo, extrativismo sustentável, aproveitamento, beneficiamento, pasteurização, industrialização e agregação de valor a produtos e subprodutos de espécies da flora.

O novo texto aprovado, proposta que tramita apensada ao PL 2.334/15, teve relatoria da deputada Luana Costa (PSB), passa a ser o projeto principal, e também cria uma política nacional para o manejo sustentável, plantio e restringe o corte das espécies nativas da flora brasileira.

Fonte: O Imparcial

Pesquisadores piauienses estudam o potencial do babaçu para a produção de biodiesel

Professor Manoel Gabriel Rodrigues Filho, da Universidade Estadual do Piauí, coordena um estudo que visa obter biodiesel a partir do fruto do babaçu

Com o aumento dos efeitos naturais provocados pela liberação na atmosfera de gases que potencializam o efeito estufa e a possibilidade de esgotamento de fontes mineiras de energia, como o petróleo, as pesquisas que buscam fontes alternativas de combustíveis tem fundamental importância. O efeito estufa é fundamental para a manutenção da vida na terra, já que serve para manter o planeta aquecido. No entanto, algumas atividades humanas têm intensificado este fenômeno e produzido o que conhecemos como aquecimento global, que deixa a atmosfera mais intensa em seus fenômenos climáticos, como a escassez de chuvas em determinadas regiões e excesso em outras.

Neste contexto, a busca por alternativas para contornar estes efeitos tem permeado os estudos nas mais diversas áreas do conhecimento. No Piauí, o doutor em Química Analítica, professor Manoel Gabriel Rodrigues Filho, da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), coordena um estudo que visa obter biodiesel a partir do fruto do babaçu, palmeira típica bastante conhecida no estado.

“A pesquisa partiu da tentativa de agregar valores ao subproduto do babaçu, tendo em vista que nós temos uma das maiores produtividades e uma cadeia em desenvolvimento. Dessa forma, a gente buscou transformar o óleo do babaçu no biodiesel, que é um combustível que vem sendo utilizado e que tem uma tendência de crescimento dentro da cadeia do transporte nacional. Levando em consideração a menor quantidade de poluentes provenientes de combustíveis obtidos de fontes renováveis, em detrimento de combustíveis obtidos através de fontes minerais ou fóssil, no caso o diesel, que é a cadeia de maior produtividade no país”, explica o pesquisador.

De acordo com o professor, o biodiesel obtido através do babaçu tem características que o tornam o biocombustível de melhor qualidade em relação aos demais biodieseis produzidos no Brasil. O produto extraído do babaçu além de ser mais limpo, tem uma vida útil maior.

Professor Manoel Gabriel (Divulgação)
Professor Manoel Gabriel (Divulgação)

O pesquisador explica que grande parte do biodiesel brasileiro é obtida da soja, cujo subproduto tem uma vida útil menor e, por isso, precisa ser aditivado com produtos sintéticos, fato que implica em uma perca da característica renovável do combustível. Manoel Gabriel explica que o biodiesel extraído pode ser usado como aditivo daquele que é extraído da soja, tornando assim, o produto totalmente sustentável.

“Hoje o Brasil tem aproximadamente 70% de biodiesel obtido da fonte, que é o óleo de soja, mas, em contrapartida, esse biodiesel tem um tempo de vida útil muito pequeno, ou seja, ele oxida e envelhece com facilidade, principalmente na região nordeste onde a temperatura é elevada. Desta forma, quando utilizamos o biodiesel obtido da soja temos que aditivar, para que a vida útil do biodiesel passe a ser maior e aí você já perde o foco de um produto renovável, que não teria poluentes, e passa a ter uma poluição proveniente dos aditivos ali colocados”, explica.

“Nós estamos corrigindo o biodiesel de soja, que tem um período de oxidação muito curto, adicionando a ele o biodiesel de babaçu. O próprio biodiesel de babaçu serve como aditivo para o biodiesel de soja, para que não ocorra o processo de oxidação, assim passaríamos a ter uma correção natural, fazendo com que toda a cadeia do biodiesel fosse, além de renovável, sem poluentes sintéticos adicionados à matéria prima”, complementa o professor.

O pesquisador ainda destaca que a produção do biodiesel através do óleo extraído do fruto do babaçu cumpre um papel social importante, tendo em vista que dá visibilidade aos membros da base da cadeia produtiva do babaçu, como a quebradeira de coco, por exemplo.

Na atual fase da pesquisa desenvolvida na Uespi, os pesquisadores estão realizando testes com proporções para definir as concentrações necessárias para que o biodiesel do babaçu tenha o melhor desempenho como aditivo para o biodiesel extraído da soja.

“Nós estamos variando as proporções, buscando a melhor proporcionalidade para que nós tenhamos a vida útil do biodiesel de soja de acordo com as normas da Agência Nacional de Petróleo. A ANP só aceita um biocombustível no mercado se ele tiver um tempo de vida útil de um período de indução de seis horas, hoje a soja pura chega a duas horas, então a gente está em busca desta proporcionalidade para que, com a adição do biodiesel de babaçu, a gente chegue ao exigido pela ANP”, explica o professor.

Manoel Gabriel ressalta que embora o babaçu produza um biodiesel superior aos demais, o produto não teria a capacidade de suprir a cadeia do biodiesel no Brasil, sobretudo, pela carência da matéria prima até porque nós não teríamos matéria prima para isso. Segundo ele, o foco é a correção do biodiesel extraído da soja.

“Hoje, a ideia é que se nós tivéssemos condições de corrigir as propriedades físico-químicas do biodiesel de soja utilizando o biodiesel de babaçu, muito provavelmente esse produto barateava, porque não precisaríamos utilizar aditivos sintéticos”, afirma o pesquisador.

O professor destaca que a grande barreira para o inicio da produção em massa do biodiesel do babaçu é a obtenção da matéria prima e distribuição para o mercado industrial, especialmente pelo caráter artesanal da obtenção dos frutos da palmeira.

“O grande desafio é a saída da matéria prima ou a obtenção dessa matéria prima, onde nós temos gargalos. O maior gargalo da cadeia do babaçu é o mecânico, a coleta do fruto e a extração desse óleo, que, infelizmente, ainda são processos artesanais. Então, para suprirmos um mercado industrial, teríamos que melhorar lá na ponta. A questão cientifica do biodiesel já está basicamente resolvida, agora existe a questão da matéria prima até o passo industrial, para que se tenha o subproduto do babaçu que possa suprir a indústria do biodiesel no Brasil”, finaliza o professor Manoel Gabriel.

Fonte: Ascom Fapepi publicado no Portal do Governo do Estado do Piauí

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