Poluentes de vida curta ameaçam clima, saúde e produção agrícola na América Latina, diz ONU

Até 2050, se adotarem medidas para combater os poluentes de vida curta, países da América Latina e do Caribe poderão reduzir em 0,9ºC o aumento da temperatura regional. A estimativa é de um relatório divulgado neste mês (19) pela ONU Meio Ambiente, que alerta para os riscos à saúde, à natureza e à produção agrícola de substâncias como o metano, o carbono negro, os hidrofluorocarbonos (HFC) e o ozônio.

A pesquisa da agência das Nações Unidas aponta que reduções desses compostos químicos poderiam provocar uma queda de 26% no número de mortes prematuras causadas pela poluição do ar por partículas finas. Quando considerados os óbitos associados à contaminação por ozônio, o índice poderia chegar a 40%.

A ONU Meio Ambiente estima que, em 2010, 64 mil pessoas morreram na América Latina e no Caribe devido à exposição a esses materiais.

Estratégias para mitigar os poluentes de vida curta também permitiriam evitar perdas anuais de 3 a 4 milhões de toneladas de cultivos básicos.

De acordo com o levantamento, em 2010, o ozônio foi responsável por um prejuízo de 7,4 milhões de toneladas em produtos agrícolas, como soja, milho, trigo e arroz.

Segundo a análise da ONU, até 2050, a mortalidade prematura, associada às partículas finas e ao ozônio, poderá dobrar. Já as perdas da agricultura poderão alcançar 9 milhões de toneladas por ano.


Ozônio

O ozônio é um gás que se forma tanto nas altas camadas da atmosfera (a estratosfera), como nas baixas (a troposfera). Na estratosfera, a substância protege a vida terrestre da radiação ultravioleta do sol. Mas na troposfera, ela atua como um poluente perigoso. O ozônio é um dos principais componentes de névoa urbana e o terceiro maior causador do aquecimento global, atrás apenas do metano e do gás carbônico. Pesquisas associaram o contato com a substância a índices mais altos de infartos, acidentes vasculares cerebrais, doenças cardiovasculares e problemas reprodutivos e de desenvolvimento. O gás também reduz o rendimento das safras e a qualidade e produtividade das plantações.

Podendo permanecer na atmosfera desde horas até dias, o ozônio é considerado um poluente secundário, pois não é emitido diretamente por uma atividade humana. Na verdade, a substância se forma quando gases precursores, como o metano, o monóxido de carbono e o óxido de nitrogênio, reagem na presença da luz solar. Por isso, é tão importante reduzir as emissões de metano.


 

A ONU Meio Ambiente lembra que o potencial de aquecimento atmosférico dos poluentes de vida curta é bem mais alto que o do gás carbônico, podendo atingir um valor mil vezes maior que a taxa atribuída ao dióxido de carbono.

A agricultura, o transporte e a refrigeração doméstica e comercial são, respectivamente, os maiores responsáveis pelas emissões de metano; carbono negro e partículas tóxicas finas; e hidrofluorocarbonos.

Soluções

O relatório das Nações Unidas apresenta medidas para diminuir as emissões desses compostos que desregulam o clima e ameaçam a vida no planeta.

Para combater o metano, são necessárias mudanças em quatro setores-chave – produção e distribuição de petróleo e gás, gestão de resíduos, mineração de carvão e agricultura. A pesquisa recomenda práticas de captura e uso dos gases liberados na produção de petróleo e gás; separação e tratamento dos resíduos sólidos municipais que sejam biodegradáveis; e captura do biogás proveniente do esterco do gado.

Até 2050, estratégias poderiam reduzir em 45% as emissões de metano.


Metano

O metano é o segundo gás com maior impacto sobre o aquecimento do planeta, depois do gás carbônico. A América Latina e o Caribe respondem por aproximadamente 15% de todas as emissões dessa substância. Quase todo o metano liberado na atmosfera vem de três setores: agricultura (cerca de 50%); produção e distribuição de carvão, petróleo e gás (em torno de 40%); e gestão de resíduos (por volta de 10%). O gás permanece na atmosfera por aproximadamente 12 anos e é considerado um importante precursor do ozônio.


 

O volume de carbono negro liberado nos países latino-americanos e caribenhos também pode ter queda considerável – de 80% – até 2050. Para isso, governos devem adotar normas equivalentes ao padrão europeu para regular os veículos a diesel, além de incorporar filtros para as partículas liberadas pelo combustível nesses automóveis.

Outras iniciativas exigidas são a eliminação dos veículos de altas emissões; a modernização de cozinhas e estufas; e a proibição da queima a céu aberto de resíduos agrícolas.

No caso dos hidrofluorocarbonos, a ONU Meio Ambiente recomenda a substituição desses compostos por alternativas que não tenham impacto sobre as variações do clima. Os HFCs são usados principalmente nos sistemas de refrigeração e ar condicionado, bem como na confecção de espumas isolantes e mecanismos de disparo aerosol. Até 2020, o consumo dessas substâncias deverá dobrar. Uma vez no ambiente, elas permanecem de 15 a 29 anos na atmosfera.

“Muitos países já estão implementando medidas para eliminar as emissões procedentes dos setores de transporte e energia, mas sua aplicação não é uniforme na região”, avalia a chefe da Secretaria da Coalizão Clima e Ar Limpo, Helena Molin Valdés.

“Políticas públicas mais exigentes e um maior controle da contaminação podem impulsionar os incentivos econômicos e os benefícios para a ação climática, a saúde, a agricultura e o desenvolvimento sustentável. É essencial agir rapidamente.”


Carbono negro

O carbono negro é formado a partir da combustão incompleta de combustíveis fósseis ou biocombustíveis. A substância contribui para a produção de partículas finas, associadas a doenças pulmonares e cardiovasculares, derrames, infartos, patologias respiratórias crônicas, como bronquite, e agravamento da asma.

A América Latina e o Caribe são responsáveis por menos de 10% do total global de emissões de carbono negro geradas pelo homem, excluindo da estimativa os incêndios florestais e em regiões de savana. O transporte e a queima residencial de combustíveis sólidos para o preparo de alimentos e aquecimento residencial são a causa de 75% das emissões na região. Mais de 60% delas vêm do Brasil e do México.


 

Para o diretor da ONU Meio Ambiente para a América Latina e o Caribe, Leo Heileman, nações devem se inspirar nas soluções apresentadas pelo levantamento.

“Se os países da região as adotarem, contribuirão para manter o aumento da temperatura do planeta abaixo do limiar de 2ºC estabelecido no Acordo Climático de Paris”, afirmou o representante do organismo internacional.

O relatório Avaliação Integrada dos Poluentes Climáticos de Vida Curta é o primeiro do tipo elaborado pela agência das Nações Unidas e reúne trabalhos de 90 autores, coordenados por um grupo de especialistas. A publicação foi lançada pela ONU em parceria com a Coalizão Clima e Ar Limpo.

Acesse o documento na íntegra clicando aqui.

Fonte: ONU Meio Ambiente

Especialistas pedem políticas que fomentem energias renováveis na América Latina

Santiago, 3 Abr 2018 (AFP) – Os especialistas exigem políticas econômicas de longo prazo na América Latina para realizar a transição da matriz energética para fontes renováveis não convencionais, como a solar ou a eólica.

“Precisamos de um roteiro claro”, disse Eduardo Valente, sócio de Energia e Mineração da consultora EY, no âmbito do Latam Energy Forum, que começou nesta terça-feira em Santiago e vai durar dois dias.

A realidade dos países é muito diferente. Enquanto Chile e Uruguai fizeram apostas claras nas energias solar e eólica, respectivamente, no Peru, por exemplo, presa de uma crise política nos últimos meses que terminou com a mudança de governo, o avanço está muito atrasado, segundo César Butrón, presidente do COES-SINAC.

Financiamento e comercialização, integração das energias renováveis não convencionais à rede, interconexão regional ou novas soluções de estabilidade para os sistemas elétricos, são algumas das arestas da produção energética limpa na região ainda não resolvidas.

Diante da tendência de aposentar os combustíveis fósseis, “o que vamos ver na próxima década vai ser surpreendente. Isto é cada vez mais rápido, mais radical e mais forte”, assegurou José Ignacio Escobar, diretor-geral para a América do Sul da espanhola Acciona Energía.

Ele acrescentou que espera que em 2030 tenhamos um mundo com mais de 50% de energias renováveis.

Se a região explorasse apenas 10% do potencial de energia eólica e solar, a produção energética seria 8 e 14 vezes maior, respectivamente, que o consumo de energia atual de 21 países da região, apontou Carolina Zelaya, secretária executiva da Comissão Nacional de Energia do Chile.

– Uruguai, o laboratório -A experiência do Uruguai, “um laboratório da realidade”, foi exposta como exemplo neste fórum de especialistas.

Desde 2010 este país investiu sete bilhões de dólares para mudar sua matriz energética, apostando na geração eólica, lembrou Gonzalo Casaravilla, presidente da Administração Nacional de Usinas e Transmissões Elétricas (UTE).

Só em quatro anos, a energia produzida pelo vento passou de 1% do total, em 2013, a 31%, em 2017. Em março passado, a energia eólica se tornou a principal fonte de geração pela primeira vez, alcançando 41% de participação, disse Casaravilla, citando uma notícia desta terça-feira da imprensa local.

“Se nos movemos bem e trabalhamos as relações com as pessoas, a troca e a confiança, há muitas oportunidades para trabalhar”, apontou.

Os produtores de energia ainda terão que resolver problemas como o armazenamento para combater a irregularidade da produção, que diminui quando o sol se põe ou os ventos remitem.

As interconexões são outro dos obstáculos que os países sul-americanos tem que superar, “muito menores” que na Europa, Estados Unidos e Canadá ou inclusive América Central.

Para chegar a 100% de renováveis, são necessárias todas as tecnologias, mareomotriz, eólica, solar ou outras que forem aparecendo, lembram os especialistas.

“A digitalização vai nos permitir ter respostas muito rápidas”, disse Luis Meersohn, vice-presidente de Energia da Siemens.

Fonte: AFP

Fundo Verde da ONU aprova US$ 350 milhões para energia limpa na América Latina

O diretor-executivo do Fundo Verde do Clima (GCF, na sigla em inglês), Howard Bamsey, anunciou nesta segunda-feira (5), em Bogotá,  que aprovou cerca de US$ 350 milhões para “financiamento climático” em países latino-americanos. O GCF é uma entidade criada pela Convenção Marco das Nações Unidas para a Mudança Climática para apoiar os países na transição para investimentos limpos e resilientes nesta área. A informação é da EFE.

“Na semana passada, a junta tomou a decisão de aprovar quase US$ 350 milhões em financiamento climático para os países latino-americanos e isso alavanca mais de US$ 1 bilhão em co-financiamiento de outros projetos”, disse Bamsey na capital da Colômbia, durante o Primeiro Diálogo Estrutural do Fundo Verde do Clima.

Eficiência energética

Segundo ele, os projetos que serão financiados impulsionarão os mercados para que haja uma maior eficiência energética “a nível de pequenas empresas e em escala industrial. Isto é muito importante para remover obstáculos e ter uma maior absorção comercial da forma mais econômica de energia”.

Além disso, ele disse que a junta do GCF “comprometeu” recursos, sem precisar a cifra, para melhorar “a resiliência dos casos vulneráveis no Paraguai, o que vai ser feito promovendo práticas sustentáveis de terras, para poder ter uma produção bioenergética”, apontou.

Bamsey acrescentou que após uma junta realizada na semana passada, o Fundo Verde do Clima se comprometeu a fortalecer projetos em nove países da América Latina: Peru, México, Guatemala, Equador, El Salvador, Argentina, Chile, Brasil e Paraguai.

Por sua vez, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, avaliou o GCF como um “aliado determinante” para que os países latino-americanos possam mobilizar recursos adicionais para financiar projetos.

Riqueza natural e desafios comuns

“Não podemos negar que todo apoio de financiamento terá sempre maiores impactos se os países receptores contarem com um marco normativo que favoreça os investimentos, como ocorre na Colômbia. No caso do Fundo Verde do Clima, o valor agregado para ter acesso aos seus recursos reside no financiamento de projetos com padrões muito exigentes”, assegurou.

Santos falou que o Primeiro Diálogo Estrutural do GCF é “um sinal da vontade da América Latina” para defender o planeta perante os efeitos da mudança climática. “Os nossos países se caracterizam, em grande medida, pela sua grande riqueza natural e por ser o lar de incontáveis espécies e ecossistemas (…) Semelhante riqueza nos exige uma responsabilidade frente a nossos compatriotas e também frente ao mundo, e nos impõe desafios comuns”, disse.

O encontro, que começou hoje em Bogotá e prossegue até o próximo dia 8 de março, tem 170 convidados de 19 países, entre eles altos funcionários da Costa Rica, Honduras, Nicarágua, República Dominicana e Colômbia.

Fonte: Agência EFE

Energias renováveis são oportunidade de integração energética da América Latina

As energias renováveis, como a solar, a eólica, a hidrelétrica e a proveniente de biomassa, como o etanol e outros biocombustíveis, representam uma oportunidade de integração energética dos países latino-americanos em razão da complementaridade de suas matrizes, hoje fortemente baseadas na produção de energia hidrelétrica. Para atingir esse objetivo, contudo, será preciso superar barreiras para a produção de energia proveniente de recursos naturais em países da região, como a Argentina. A avaliação foi feita por Carina Guzowski, professora do Departamento de Economia da Universidad Nacional del Sur da Argentina durante palestra na FAPESP Week Montevideo.

Organizado pela Asociación de Universidades Grupo Montevideo (AUGM), a Universidad de la República (UDELAR) e a FAPESP, o simpósio, que ocorreu entre os dias 17 e 18 de novembro no campus da UDELAR, em Montevidéu, teve como objetivo fortalecer as colaborações atuais e estabelecer novas parcerias entre pesquisadores da América do Sul nas diversas áreas do conhecimento. Participaram do encontro pesquisadores e dirigentes de instituições do Uruguai, Brasil, Argentina, Chile e Paraguai.

“As energias renováveis representam uma oportunidade para a integração energética dos países latino-americanos porque podemos aproveitar as complementaridades dos nossos sistemas energéticos e importar regionalmente e exportar energia proveniente de fontes intermitentes”, avaliou Guzowski.

“Mas, para isso, será preciso que países como a Argentina consigam se livrar de bloqueios tecnológicos que impossibilitam que tenham um desempenho comparável ao do Brasil e do Uruguai, por exemplo, em matéria de produção de energia renovável”, apontou.

De acordo com a pesquisadora, a matriz energética da maioria dos países latino-americanos está baseada em hidreletricidade e no uso de energias fósseis, principalmente gás.

Os países da região com maior participação das energias renováveis na geração de eletricidade, segundo dados apresentados por ela, são o México, seguido do Brasil e Uruguai.

Já a Argentina está muito longe de atingir esse objetivo, comparou Guzowski. “A Argentina está muito abaixo da média de participação das energias renováveis na geração de eletricidade na América Latina e muito aquém do Brasil e do Uruguai”, afirmou.

A matriz energética do país é eminentemente fóssil e composta por gás natural (com 51% de participação) e 33% por gás que, como não produzem, precisam importar de outros países.

As energias renováveis têm uma participação de menos de 1% na potência instalada (a capacidade de geração de energia elétrica) do país, enquanto que o Brasil e o Uruguai, por exemplo, têm uma matriz energética muito mais diversificada, com expressiva participação de energia hidrelétrica, eólica e proveniente de biomassa.

“A Argentina depende quase que 80% de energia proveniente de fontes fósseis. Isso é resultado de bloqueios tecnológico e cultural de dependência de petróleo e gás para o abastecimento energético que precisam ser superados para conseguirmos promover a integração energética de países da América Latina”, avaliou.

Na opinião da pesquisadora, algumas das vantagens da integração energética dos países latino-americanos por meio das energias renováveis seriam a geração de economia de escala (vantagens em temos de custos obtidos pela expansão) para atrair investimentos, além do aproveitamento das complementaridades entre os recursos renováveis dos países da região.

Outra vantagem seria a minimização do problema de intermitência no fornecimento de energia em países como a própria Argentina, avaliou.

A forte queda dos custos de geração elétrica por meio de tecnologias de produção de energias renováveis representa uma oportunidade para os países da região que, ao estimular a produção desse tipo de energia, poderiam diminuir sua dependência energética externa, assegurar o abastecimento energético e diversificar seu mix de geração de energia, hoje fortemente baseado em hidrelétricas, que são vulneráveis a fenômenos climáticos, ressaltou.

“Dispor de fontes de energia intermitentes que ajudem e complementem a geração de energia hidrelétrica e térmica é uma opção muito importante para os países latino-americanos”, avaliou.

A palestra de Guzowski fez parte da programação de uma sessão sobre Energia realizada na FAPESP Week Montevideo. Também integraram a sessão Heitor Cantarella, pesquisador do Instituto Agronômico (IAC); Luís Augusto Cortez, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Natalia Raffaeli, professora da Universidad Nacional de La Plata, da Argentina; e Cláudia Laureo, professora da Universidad de La República (UDELAR). Cantarella abordou os progressos na quantificação das emissões e no entendimento dos processos que ocorrem em áreas cultivadas com cana-de-açúcar no Brasil. E Cortez apresentou algumas oportunidades na área de bioenergia no país.

Fonte: Agência FAPESP 

Puxada pelo Brasil, América do Sul lidera exportação de grãos

Demanda por matéria-prima originou crescimento de 700% nas exportações de grãos, nos últimos vinte anos; destaques e desafios da região serão debatidos no 4º Fórum de Agricultura da América do Sul.

Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai se fortalecem, a cada ano, como líderes na agricultura global, tanto pela extensão territorial, quanto pela capacidade de produção agrícola. Principais exportadores de grãos da América do Sul, esses países registraram, nas últimas duas décadas, salto de aproximadamente 700% nas exportações de soja e milho. Na safra 2015/16 foram 123,9 milhões de toneladas embarcadas, 29% a mais que os Estados Unidos da América.

“Os dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) ainda mostram que o Brasil, sozinho, representa mais de dois terços do total exportado. Um ótimo desempenho nos embarques internacionais de grãos que vem sendo experimentado nos últimos anos e pode dar fôlego à economia da região”, avalia Giovani Ferreira, coordenador do 4º Fórum de Agricultura da América do Sul (Agricultural Outlook Forum 2016).

Curitiba recebe o evento internacional na próxima semana, nos dias 25 e 26 de agosto, e terá dois especialistas no painel “Grãos: o mercado da demanda”. Além do Brasil, que mantém a liderança no agronegócio sul-americano, o destaque este ano é a Argentina e o aumento de 68% nas exportações agrícolas no primeiro trimestre de 2016, boa parte devido às mudanças na política tributária implementadas pelo presidente Mauricio Macri.

“Embora, em alguns aspectos, os dois sejam concorrentes em certos mercados, há sinergias para se explorar e áreas para se trabalhar em conjunto”, aponta Guillermo Rossi, economista argentino e um dos palestrantes do Fórum. O especialista em grãos e biocombustíveis vai falar das três principais determinantes da demanda por grãos – o consumo humano, o consumo animal e os biocombustíveis – e oferecerá um panorama do agronegócio sul-americano nos últimos anos, bem como perspectivas para o futuro, inclusive na relação entre Brasil e Argentina.

Para Glauco Monte, diretor de commodities da INTL FCStone, que também participa do painel, ser o líder e representar uma área de doze milhões de quilômetros quadrados – mais que as áreas dos Estados Unidos e da União Europeia – significa estar muito bem preparado para a demanda. “As mudanças climáticas são um grande desafio e precisamos de tecnologia pra contornar. Também temos que melhorar nossa infraestrutura logística, investir em ferrovias e produzir mais carne, por exemplo, que demanda soja, para que o grão circule aqui com valor maior”, opina Monte.

O Fórum de Agricultura da América do Sul ocorre nos dias 25 e 26 de agosto, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. Em sua 4ª edição, o evento se consolida como palco de debate do agronegócio mundial a partir da perspectiva sul-americana e tem como tema central “Nova estratégia para uma nova agricultura”. As inscrições estão abertas e podem ser feitas até a véspera do evento. A programação completa e informações sobre os palestrantes confirmados estão disponíveis no site www.agrooutlook.com

Serviço
4º FÓRUM DE AGRICULTURA DA AMÉRICA DO SUL
DATA: 25 e 26 de agosto de 2016
LOCAL: Museu Oscar Niemeyer (MON)
ENDEREÇO: Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico – Curitiba (PR)
INFORMAÇÕES e INSCRIÇÕES: www.agrooutlook.com

Fonte: Revista Portos e Navios

Energia geotérmica: uma aposta de risco, mas atraente para a América Latina

Região pode se beneficiar de novos modelos de financiamento para o setor, segundo novo estudo

Em um mundo que precisa de cada vez mais de opções energéticas limpas, a geotermal chama a atenção pelos benefícios que proporciona quando desenvolvida adequadamente. Ela é capaz de gerar eletricidade com menos impacto ambiental e custo menor do que o exigido pelos combustíveis fósseis (petróleo e carvão, por exemplo). E, por ser uma fonte renovável, ajuda a melhorar a segurança do abastecimento elétrico.

problema é que, até a energia geotermal proporcionar todos esses benefícios, a complexidade e o custo de iniciar as operações no setor são grandes. Isso acaba causando atrasos ou interrupções nos projetos, inclusive na América Latina e Caribe, conforme o recente estudo Análise comparativa de estratégias para mitigar o risco associado com recursos geotérmicos.

“A questão (dos riscos) é ainda mais relevante quando se considera que a maioria das áreas adequadas para o desenvolvimento geotérmico são Green Fields, ou seja, campos virgens que precisam ser desenvolvidos desde o início”, explica o documento.

Publicado pelo Programa de Assistência ao Gerenciamento do Setor Energético (ESMAP), do Banco Mundial, o documento explica que o potencial global de exploração fica entre 70 e 80GW. No entanto, mesmo depois de mais de 100 anos, apenas 15% das reservas geotérmicas conhecidas em todo o planeta são atualmente exploradas para a produção de eletricidade, gerando 12GW.

Na América Latina e no Caribe, elas estão espalhadas por países como Argentina, Chile, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, México e Nicarágua. Curiosamente, nos dois primeiros países a produção é considerada baixa ou nula (e, no Chile, os investimentos começaram na década de 1960), enquanto no México já há quatro campos fornecendo energia. No Brasil, ainda faltam estudos que visem à exploração da energia geotérmica para geração de eletricidade.

O custo inicial de explorar e perfurar entre três e cinco poços geotérmicos varia de US$ 20 milhões a US$ 30 milhões. Trata-se de uma soma pequena em comparação com o custo total de um desenvolvimento geotérmico, mas difícil de angariar, dado o risco das operações.

Só para descobrir e confirmar a disponibilidade do recurso energético, são necessários de dois a três anos. Em seguida, antes que se possa iniciar a exploração, leva-se entre três e cinco para realizar as perfurações adicionais de modo a garantir o fornecimento de vapor e a construção da central elétrica.

Investimentos compartilhados

O setor público ainda é o maior investidor na área pela percepção de que tem melhores condições de assumir os riscos. Só na América Latina, há nove campos que receberam aporte estatal contra cinco resultantes de investimentos compartilhados (governo e setor privado).

Mais de 3,5GW da capacidade geotérmica instalada no mundo corresponde a projetos desenvolvidos pelos governos. Como explica o relatório, o setor privado pode e deve se envolver ainda mais, basta haver mecanismos de financiamento atraentes para as empresas.

Além de analisar experiências globais com investimentos públicos, privados e compartilhados, o documento apresenta modalidades como a apólice de seguro de recurso geotérmico (usada na Alemanha e na França com resultados ainda modestos) e os incentivos fiscais ao setor, muito usados no México. O país oferece dedução fiscal de 100% sobre os investimentos em energias renováveis.

Os organismos internacionais também têm um papel importante no desenvolvimento da energia geotermal, pelos recursos e pela assistência técnica que podem oferecer. Especialmente nas pequenas economias do Caribe, extremamente dependentes do petróleo e outros combustíveis fósseis.

O programa ESMAP, do Banco Mundial, por exemplo, lidera o Plano Global de Desenvolvimento Geotérmico, cujo objetivo é mobilizar novos fundos para as primeiras fases do investimento, que são as mais arriscadas. Até agora, o plano conseguiu levantar US$ 235 milhões, dos quais US$ 162,3 milhões para projetos na América Latina e Caribe.

São investimentos importantes não só para o meio ambiente, mas também para a economia da região, pois podem reduzir a dependência que os países têm do petróleo — uma matéria-prima finita e sujeita a muitos altos e baixos em seus preços.

Texto de Mariana Kaipper Ceratti, produtora online do Banco Mundial

Fonte: El País

Mudança climática terá impacto maior na América Latina

As consequências da mudança climática serão mais notórias na América Latina do que em muitas regiões do mundo devido à grande biodiversidade do continente e à forte dependência da economia destes países do setor primário, apontaram nesta quarta-feira à Agência Efe responsáveis do programa Euroclima.

Um dos líderes do Euroclima, um programa que fomenta a cooperação meio ambiental entre a UE e 18 países da América Latina, Horst Pilger, declarou que os efeitos da mudança climática serão notados particularmente na América Latina, reduzindo a biodiversidade em alguns dos países com maior riqueza biológica do mundo, como Brasil, Costa Rica e Colômbia.

Além disso, afetará notoriamente a economia em comparação com regiões como a Europa porque a produção econômica na América Latina “é muito dependente da agricultura e dos recursos primários” e a mudança climática afeta mais este setor do que a indústria e os serviços, afirmou Pilger.

Pilger fez essas declarações no marco da realização dos Dias Europeus do Desenvolvimento, nos quais o Euroclima apresentou seus avanços e o trabalho que realiza em conjunto junto a seus membros implementadores.

Para combater estes desafios que a América Latina enfrenta é necessário fortalecer “a troca de conhecimentos” entre a UE e as instituições, mas também entre os próprios países, no que é conhecido como “cooperação sul-sul”, apontou à Agência Efe o responsável da direção geral de Cooperação Regional em mudança climática da Comissão Europeia, Catherine Ghyoot.

Este programa centrará sua terceira fase, que começa neste ano, em incentivar a cooperação entre nações com o objetivo de “reforçar a resistência da região latino-americana perante a mudança climática e promover oportunidades para um crescimento verde”, segundo apontou o Euroclima em comunicado.

Os representantes do Euroclima asseguraram à Agência Efe que o programa conseguiu que os países da região pudessem intercambiar boas práticas sobre mudança climática.

Além disso, a redução da “vulnerabilidade social e meio ambiental para a mudança climática” acarretaria, segundo os responsáveis deste programa, em uma “redução da pobreza na América Latina”.

“Queremos que a região cresça, mas a um ritmo sustentável”, disse Pilger em referência aos desafios futuros.

A UE procura em termos gerais uma conciliação “da sustentabilidade ambiental com o desenvolvimento constante” em uma região “muito exposta à mudança climática e às catástrofes naturais”, para o que, segundo o Euroclima, foi destinado um orçamento total de cerca de 300 milhões de euros.

Inaugurado em 2010, o Euroclima “facilita a integração das estratégias e medidas de mitigação e de adaptação perante a mudança climática” nas políticas de 18 países da América Latina, segundo explica a iniciativa em comunicado.

A União Europeia destinou no período 2010-2016 mais de 16 milhões de euros só através do programa Euroclima para potencializar projetos destinados a diminuir os efeitos da mudança climática na América Latina.

Atualmente o programa está em sua segunda fase e se centra na troca de informação e experiências, na melhora da capacidade agrícola para se adaptar à mudança climática e na tomada de medidas de “adaptação e mitigação com benefícios adicionais” em outros setores.

Entre os parceiros implementadores dos programas membros da comissão pelo Euroclima figuram a Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe para as Nações Unidas (Cepal), o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), o Centro Comum de Pesquisa da Comissão Europeia (JRC), o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Assistência Técnica do Programa.

Fonte: EFE

Fontes renováveis respondem por 98% da energia no Uruguai

Montevidéu – As fontes renováveis foram responsáveis pela geração de 98% da energia elétrica no Uruguai, disse nesta terça-feira o presidente da empresa estatal elétrica uruguaia (UTE), Gozalo Casaravilla, que destacou que isto se deve à combinação de fontes hidráulicas, eólicas, fotovoltaicas e biomassa.

O especialista fez estas afirmações durante um encontro com empresários e investidores do setor que se desenvolveu na sede da câmara Espanhola de Comércio, Indústria e Navegação do Uruguai, em Montevidéu.

Nesse sentido, Casaravilla explicou que o Uruguai “fez um bom investimento” desde o passado com a instalação de represas hidrelétricas, que representam 50% do fornecimento atual, às quais se somam as fontes de geração eólicas e solar, que fornecem 40%, e as de biomassa, responsáveis por 8%.

“Neste ano em particular, como foi um ano com boa contribuição nas represas, já temos na média do ano uma ordem de 98 % de energia elétrica do Uruguai renovável”, disse.

Além disso, o engenheiro em eletricidade destacou que todos estes avanços, que localizam o Uruguai como o país mais avançado na região em energias renováveis, se devem aos procedimentos de investimento como contratos de compra de energia (PPA, por sua sigla em inglês), fideicomissos, e sociedades anônimas, entre outras.

Segundo explicou Casaravilla, para a mudança da matriz elétrica uruguaia foi feito um investimento de cerca de US$ 3 bilhões em energia eólica, enquanto em solar foram gastos cerca de US$ 500 milhões, e em fontes de microgeração ficam em US$ 15 milhões.

A máxima autoridade da empresa energética estatal precisou que as previsões de exportação de energia à Argentina e Brasil, que em primeira instância ficavam em US$ 30 milhões, serão revisadas, já que como descreveu, ambos países atravessam diferentes realidades que serão analisadas.

Finalmente, Casaravilla disse que o Uruguai oferece garantias como “o cumprimento de contratos honrados” àqueles investidores internacionais que desejam se instalar no país no setor de geração elétrica.

Fonte: EFE

Desenvolvimento econômico danifica qualidade do ar e da água na A. Latina

A alta taxa de urbanização e o rápido crescimento econômico da América Latina estão pondo em risco a qualidade do ar e da água na região, advertiu nesta quinta-feira o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

O estudo de Previsão Meio Ambiental Global (GEO-6), apresentado nesta jornada em Nairóbi, revela que a contínua expansão das áreas urbanas, o crescimento da população e o aumento do consumo, dispararam as emissões de gases poluentes deixando mais de 100 milhões de pessoas em situação de risco.

Outra das grandes ameaças para o futuro da América Latina é a gestão dos recursos aquíferos, especialmente os dedicados à agricultura, que consomem 68% de água na região.

Segundo as estimativas do PNUMA, 30 milhões de pessoas não tinham fornecimento de água em 2013, o que aumentou a probabilidade de contrair doenças como malária, cólera ou disenteria.

O estudo do GEO-6 calcula que cerca de 45% de água é perdida inclusive antes de chegar ao consumidor final e, ao mesmo tempo, as altas temperaturas e as baixas precipitações registradas nos dois últimos anos produzem secas cada vez mais graves.

A proliferação de gados e zonas de pasto também tiveram um grande impacto nas emissões de óxido nitroso (+29%) e metano (+19%), mas sobretudo supuseram uma enorme perda para a massa florestal da zona.

Entre 2001 e 2013, 17% dos novos cultivos e 57% dos novos gramados se estabeleceram em áreas não florestadas, que além disso são mais suscetíveis a sofrer inundações e enchentes.

Keisha García, cientísta de Trinidad e Tobago encarregada de coordenar o estudo sobre a América Latina e Caribe, lembrou que as economias desta região têm uma grande dependência dos recursos naturais, por isso que se adaptar ao novo contexto climático é fundamental para sobrevivência.

O relatório Previsão Meio Ambiental Global (GEO-6) faz parte dos esforços globais para combater a mudança climática e é um antecipação da segunda Assembleia Meio Ambiental das Nações Unidas (UNEA-2), que acontecerá na próxima semana em Nairóbi.

Fonte: EFE

Mobilidade, governança e meio ambiente, quebra-cabeça das cidades latino-americanas

As cidades latino-americanas lutam para conseguir conjugar mobilidade, governança e meio ambiente, na região com os maiores índices de desigualdade do planeta, que é também uma das mais urbanizadas.

Um grupo de especialistas reunidos na sede da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), em Santiago do Chile, discutiu no último 3 e 4/05,  políticas e ideias para administrar uma urbanização galopante, que já alcança mais de 80% da população – frente a 54% da média mundial -, e as desigualdades sociais e econômicas crônicas.

O crescimento econômico da região, que aprofundou padrões de consumo insustentáveis como o uso de veículos privados, não fez mais que aumentar essas diferenças e piorar o trânsito e o ar que os cidadãos respiram.

O desafio começa com “acabar com as enormes desigualdades (…) porque as pessoas com menos recursos são as que mais têm que se mover para chegar ao trabalho”, uma média de uma hora e 40 minutos para cada trajeto no Chile, afirmou Cristian Bowen, subsecretário de Transportes do país.

E, tanto no Chile como em outros países da região, as mais penalizadas são as mulheres, as que mais dependem do transporte público, lembra Paola Jirón, acadêmica da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Chile.

“O transporte é determinante não apenas nas mudanças climáticas, mas também na desigualdade, nas problemáticas de qualidade de vida e em como se intensifica o isolamento das comunidades mais distantes”, diz Carolina Toha, prefeita de Santiago e presidente do grupo assessor de alto nível de transporte sustentável das Nações Unidas.

Mobilidade sustentável e saúde

A mobilidade deve buscar o “equilíbrio justo entre a sustentabilidade e o desenvolvimento”, diz Toha, partidária de integrar todos os atores do espaço público na solução – automobilistas, ciclistas, pedestres, condutores do transporte público, taxistas e motoristas.

A contaminação gerada pelo transporte ultrapassou a capacidade da saúde de suportá-la, alerta o mexicano José Luis Samaniego, diretor da Divisão de Desenvolvimento Sustentável e Assentamentos Humanos da CEPAL.

Em megalópoles como a Cidade do México ou Santiago, a concentração de partículas na atmosfera ultrapassa em mais de duas vezes as recomendações da Organização Mundial da Saúde. A capital mexicana, de 21 milhões de habitantes, vive há um mês e meio uma grave contingência ambiental; já em Santiago, 34 alertas ambientais foram declarados só no ano passado.

Do mesmo modo, os congestionamentos do trânsito em cidades como a Cidade do México, São Paulo – a cidade latino-americana com mais veículos motorizados – Santiago ou Rio de Janeiro, têm um custo econômico alto, alerta Samaniego.

Isso porque a saturação dos automóveis é diretamente proporcional ao aumento da renda.

“A qualidade do serviço público de transporte e o padrão de consumo dominante promovem a fuga para o transporte privado”, explica Samaniego, acrescentando que, no entanto, o problema de congestão e consumo de combustíveis fósseis não é de responsabilidade de todos.

Na Colômbia, lembra o especialista, os ricos consomem 80% da gasolina. Por tanto, os subsídios que muitos governos dão aos combustíveis beneficiam principalmente os mais ricos, ou seja, aqueles que podem comprar um carro.

A qualidade de vida urbana deveria ser uma prioridade na agenda estratégica de 2030, recomenda.

Mudança de paradigmaPor tudo isso, a sustentabilidade e a integração vão ter que “permear o resto dos componentes da política pública”, afirma o argentino Ricardo Sánchez, responsável da Divisão de Recursos Naturais e Infraestrutura da CEPAL, que defende uma “mudança de paradigma”.

“Mantemos estigmas de governança que foram criados há anos”, diz.

“O maior desafio para desenvolver um sistema de logística e mobilidade complementar, integrado e de alta qualidade na nossa região não é só financeiro, mas também intelectual e institucional”, afirma Sánchez.

Mas nada do que é feito tem sentido se os usuários do transporte público pensam que é “uma desgraça e não uma vantagem e continuam sonhando em ter um carro”, diz a prefeita de Santiago, que luta para que as políticas de sustentabilidade e equidade “convençam”, já que “há muita resistência”.

Fonte: Agência AFP

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