Portugal: pesquisadores esperam produzir biocombustíveis a partir de microalgas

Cientistas da Universidade do Algarve (UAlg) esperam desenvolver tecnologia que permita usar microalgas para a produção de biocombustíveis.

Uma equipe de cientistas do Centro de Investigação Marinha e Ambiental (CIMA), liderada por Sara Raposo, está colaborando na implementação de uma estratégia para promover o desenvolvimento tecnológico da biotecnologia de microalgas nos setores da energia, saúde, cosmética e aquacultura, no âmbito da rede internacional “Algared+”.

“O Laboratório de Engenharia e Biotecnologia Ambiental do CIMA vai dedicar-se à exploração das energias renováveis, bioetanol, biodiesel e produção de biometano, além de outros produtos que possam ter interesse numa perspectiva de biorrefinaria”, segundo Raposo.

Paralelamente, outros grupos do CIMA devem dedicar-se a áreas com aplicabilidade na saúde, cosméticos e aquacultura. Segundo a Universidade do Algarve, os investigadores do CIMA vão procurar “otimizar as condições de crescimento de microalgas para a produção de bioenergia, através do aproveitamento das diferentes frações da biomassa”.

O amido, açúcar de reserva, e a celulose e hemicelulose, presentes nas paredes das microalgas, serão hidrolisados em açucares mais simples, fermentáveis, que serão depois usados como fonte de carbono para produção de bioetanol. Os óleos serão caracterizados e, dependendo da sua composição, serão usados para a produção de biodiesel ou de produtos de elevado valor, e a biomassa residual poderá ainda ser usada para a produção de biogás, através da digestão anaeróbia.

Apesar do principal enfoque do projeto ser a produção de biocombustíveis, também se tentará aliar esta atividade à obtenção de produtos de interesse, tais como os carotenoides, pigmentos que se encontram na natureza com interesse no setor alimentar e da saúde.

Na visão de Sara Raposo, esta é uma área de investigação “de grande interesse a nível nacional e internacional, que está em ampla expansão, quer no desenvolvimento, quer na procura de novas alternativas ao nível das energias renováveis”.

“O objetivo é contribuir para o desenvolvimento sustentável, através da exploração de recursos biológicos de uma forma sustentável e ambientalmente amigável, num conceito de biorrefinaria integrada, em que aliada à produção de energia teremos outros processos para a produção de produtos de elevado valor a partir da biomassa algal, ou seja iremos fazer uso de tecnologias de processamento limpas e ao mesmo tempo integradas”, acrescentou a coordenadora do projeto.

Segundo a UAlg, a “Algared+” é uma rede de internacional de excelência, constituída no âmbito do Programa Operacional EP-INTERREG VA Espanha-Portugal (POCTEP), formada por universidades, centros de investigação, empresas pública e privadas do setor da aquicultura, biomedicina e produção de microalgas.

 

Fonte: Sul Informação

Brasil, algas e biodiesel: uma aposta que pode gerar riqueza

Quando Rudolf Christian Karl Diesel inventou o motor a combustão em 1897, desenhou-o para funcionar com óleos vegetais, como o de amendoim.

A história demonstra, portanto, que o interesse pela utilização do biodiesel não é novo. Entretanto, à época, por ser mais barato e mais fácil de produzir, o óleo feito a partir do petróleo ganhou o mercado e foi “batizado” com o sobrenome de Diesel.

Atualmente, calcula-se que o consumo mundial de diesel gira em torno de 684 milhões de toneladas, com potencial de crescimento de 8% ao ano. Já a produção mundial de biodiesel representa 0,035% do mercado, ou seja, 2,4 milhões de toneladas. Com o preço do petróleo atingindo patamares proibitivos, principalmente pelo efeito cascata que provoca em cadeias de produção dependentes de seus derivados e de seu freqüente uso como arma econômica, questiona-se a opção feita no passado e cada vez mais se aproxima ou retorna-se ao ponto de partida de Rudolf Diesel.

Pesquisas recentes indicam que a produção de biodiesel a partir de microalgas poderá mudar radicalmente o mercado de combustíveis. Com potencial de produção de óleo muito superior por área equivalente de cultivo do que as culturas tradicionais produzidas em terra e utilizadas na produção do biodiesel, as microalgas despertaram o interesse mundial e as pesquisas e estratégias dos investidores são, em sua maioria, mantidas em segredo. Enquanto a soja produz de 0,2 a 0,4 toneladas de óleo por hectare, o pinhão manso produz de 1 a 6 toneladas de óleo por hectare e o dendê, de 3 a 6 toneladas de óleo por hectare. Alguns, mais otimistas, afirmam que com um hectare de algas pode-se produzir 237 mil litros de biocombustível; outros, mais contidos, informam que em uma superfície equivalente a um hectare semeado com alga pode-se produzir 100.000 litros de óleo.

Sendo possível cultivá-las em água salgada ou doce em ambiente que disponha de calor e luz abundantes, é inegável que o Brasil possui condições ideais para a produção de microalgas, em especial na Região Nordeste. De cultivo simples, as microalgas podem ser produzidas em tanques abertos com profundidade de pouco mais de 10 cm e alimentadas, por exemplo, com dejetos de suinocultura e águas residuais de esgotos. Além disso, sua produção não requer uso de adubos químicos; sua massa pode ser duplicada várias vezes por dia; a colheita pode ser diária; o cultivo pode ser realizado em zonas áridas e ensolaradas, inclusive em regiões desérticas; trata-se de uma matéria-prima não alimentícia e sustentável; e seu cultivo em tanques com água do mar minimiza o uso de terra fértil e água doce potável. Sem dúvida, um achado.

Atentos ao movimento mundial, empresas públicas e privadas e o Governo brasileiro estão investindo no desenvolvimento da produção de biodiesel a partir de microalgas.  Exemplos são a parceria entre a Petrobras, a Universidade Federal de Santa Catarina e a Universidade Federal do Rio Grande, e o recente edital publicado em conjunto pelos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Pesca e Aqüicultura e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq. O Edital nº 26/2008, de 11 de agosto de 2008, é o primeiro que tem como objeto o apoio a projetos de pesquisas que contemplem a aqüicultura e uso de microalgas como matéria-prima para a produção de biodiesel e tem previsão de repasse de R$ 4,5 milhões por meio do CNPq. Segundo o Edital, serão admitidos projetos que englobem todo o processo de produção e transformação em temas como: desenvolvimento de técnicas de cultivo de microalgas de baixo custo e que visem a produção de óleo como matéria-prima para a produção de biodiesel; estudos de potencial de cepas de microalgas; avaliação da viabilidade econômica do processo global do cultivo à obtenção de biodiesel; processos mais econômicos e eficientes do que os convencionalmente usados para a coleta de microalgas e extração do óleo para a produção de biodiesel. As propostas poderão ser apresentadas até o dia 25 de setembro, os resultados serão divulgados a partir de 27 de outubro e os contratos firmados a partir de 1º de dezembro.

Como resultado da soma do crescimento da demanda por biodiesel no Brasil, estimulada pela publicação da Lei nº 11.097, de 14 de janeiro de 2005, que dispõe sobre a introdução do biodiesel na matriz energética brasileira, com as condições climáticas e territoriais favoráveis à produção de algas no Brasil, têm-se condições apropriadas para o investimento em pesquisas, inovação e a instalação de novas plantas industriais para produção de biodiesel nas mais variadas regiões do país. Cenário que pode tornar o Brasil um país ainda mais atraente para os investidores interessados na produção de biocombustíveis, tanto para uso no mercado interno quanto para a exportação.

Investidores certamente não faltarão. O uso das algas como matéria-prima para produção de biocombustíveis vem sendo pesquisado em países como Japão, Estados Unidos da América, Israel, Alemanha, Portugal, Suíça, Argentina e Espanha.  Exemplo de investimento é o anúncio feito pela Royal Dutch Shell e HR Biopetroleum, informando a construção de uma planta-piloto na costa de Kona, no Havaí, com o objetivo de cultivar algas marinhas e produzir óleo vegetal para conversão em biocombustível.

Importante observar que o litoral brasileiro, que é banhado pelo Oceano Atlântico, do Arroio Chuí ao Cabo Orange, possui 9.198 Km quando consideradas suas saliências. Além disso, a maior bacia hidrográfica do mundo, com 7.050.000 km² é a Bacia Hidrográfica Amazônica, que a ela podemos somar as Bacias do Rio São Francisco, dos Rios Tocantins e Araguaia e do Rio da Prata.

Efetivamente, caso a corrupção, a insegurança jurídica e a burocracia não atrapalhem esse promissor segmento, a economia nacional muito poderá se beneficiar.

Fonte: Grupo Cultivar

Cearenses desenvolvem pesquisa que utiliza microalga para produção de biodiesel

Pesquisa envolve a produção de biodiesel, que é um combustível utilizado em carros ou caminhões, feito a partir de óleos vegetais ou de gordura animal

Uma pesquisa feita por alunos do Instituto Federal do Ceará (IFCE) trabalha a produção de combustíveis como biodiesel a partir de microalgas.

As alunas de Agronomia do campus de Limoeiro do Norte Gabriela de Freitas e Edla Rayane de Oliveira desenvolveram a pesquisa que chegou a ser selecionada para um evento em Nova York, nos Estados Unidos.

A pesquisa envolve a produção de biodiesel, que é um combustível utilizado em carros ou caminhões, feito a partir de óleos vegetais ou de gordura animal.

No caso específico, microalgas são algas unicelulares que crescem em água doce ou salgada e são bastante utilizadas como alimento de organismos aquático.

O professor orientador da pesquisa, William Alves, explica que uma das vantagens é o maior rendimento por área, e também a não utilização de áreas agricultáveis.

De acordo com o professor, a pesquisa tem baixo custo. “O trabalho pode se tornar mais econômico em virtude da pesquisa por se utilizar de áreas agricultáveis”, destaca.

Fonte: Tribuna do Ceará

Cientistas chilenos produzem biodiesel a partir de microalgas

SANTIAGO (Reuters) – Um tipo de biodiesel feito com microalgas pode prover energia para ônibus e caminhões e reduzir as emissões de gases do efeito estufa em até 80 por cento, possivelmente reduzindo a poluição em cidades, disseram cientistas chilenos.

Especialistas do Departamento de Engenharia Química e Bioprocessos da Universidade Católica do Chile disseram que cultivaram algas suficientes para fragmentá-las e extrair seu óleo, que pode ser convertido em biodiesel após a remoção de umidade e detritos.

O pesquisador Carlos Sáez disse que o principal desafio será produzir um volume suficiente de microalgas. Uma grande variedade de algas frescas e de água salgada são encontradas no Chile, que tem uma longa costa do Pacífico.

Os cientistas estão tentando melhorar a tecnologia para crescimento de algas para incrementar a produção a um custo baixo e com menos energia, disse Sáez.

 

Fonte: Reuters

Diversidade pode tornar sistemas de cultivo de microalgas mais seguro

Um bom bocado da pesquisa a respeito do uso de microalgas na produção de biocombustíveis tem focado na identificação – e otimização – de uma variedade superprodutiva. Acontece, para pesquisadores da Universidade do Michigan, essa pode ter sido a aposta errada o tempo todo. Segundo esses cientistas, há mais potencial na diversidade do que na monocultura.

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Fonte: BiodieselBr

México: estudo demonstra potencial do país para produção de biodiesel a partir de algas

Um estudo científico que reuniu especialistas da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e da Universidade de Newcastle, Reino Unido, concluiu que o México tem a estrutura ideal para o crescimento de certas espécies de microalgas que podem ser usadas para a produção do biodiesel de forma eficiente, rápida e econômica.

Segundo o Dr. Sharon Velazquez Orta, formado na UNAM e  pesquisador adjunto do Departamento de Engenharia Química e de Materiais Avançados da Universidade de Newcastle, as microalgas Chlorella, Scenedesmus e Desmodesmus, nativas do lago Texcoco, são adequadas para a produção de energia porque retêm grandes quantidades de lipídios, hidratos de carbono e proteínas, gerando uma biomassa com alto teor de transformação.

No estudo divulgado pela UNAM, é possível notar que, em contraste com outras fontes de biomassa, tais como óleo de milho ou palma de óleo , que têm o seu crescimento medido por semanas, as microalgas se desenvolvem diariamente, transformando-se em biodiesel num processo de cerca de três horas.

O processo atual, demanda à geração de biodiesel cerca de 45 por cento da energia captada na colheita de microalgas. Por isso, os pesquisadores se concentram em melhorar esses números sem ” modificar o ambiente natural e sem a introdução de espécies geneticamente modificadas “, ressaltou Velazquez.

Processo de transformação de microalgas em biodiesel
Processo de transformação de microalgas em biodiesel

Com mais de seis anos de pesquisa sobre o assunto, o acadêmico salientou que “em estimativas, a energia global para o tratamento de águas residuais deverá aumentar para 44 por cento até 2030”. Por isso, o uso deste biodiesel é tão importante, uma vez que contribui para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, aumenta a economia local através da geração de novos postos de trabalho e apresenta uma alternativa viável ao uso de combustíveis fósseis.

“Estudos geotécnicos têm descrito o nosso país como ideal para o crescimento das microalgas. Países como Estados Unidos, Brasil, Peru, incentivam o uso de biocombustíveis, esperamos que o México também possa oferecer aos seus consumidores esse benefício”, afirma Orta.

Nesta pesquisa científica, intercâmbio acadêmico entre a UNAM e a Universidade de Newcastle, participaram engenheiros mexicanos e britânicos, cujo trabalho foi focado na geração de energia limpa de forma eficiente e econômica.

Texto de Jorge Castañeda  – colaborador especial para  ADN Sureste  e Diretor Editorial do http://www.foroambiental.com.mx/  –  (Com algumas informações do UNAM e Agência de ID)

Fonte : ADNI Sureste

Alga pode substituir o petróleo na produção de combustível

Chega de escavar e de brigar por reservas de petróleo: essa alga cresce no mundo inteiro e sobrevive em quase qualquer clima

O petróleo está se tornando cada vez mais um material ultrapassado, quando se pensa em gerar energia. Depois de usarmos milho, cana-de-açúcar, e até mamonas, para a criação de biocombustíveis, cientistas indicam que o futuro das fontes energéticas pode estar no fundo do mar.

Pesquisadores das Universidades do Texas, de Arizona e de Tóquio descobriram uma microalga chamada Botryococcus braunii, que tem a capacidade de fabricar, naturalmente, a matéria-prima de combustíveis fósseis como a gasolina e o óleo diesel. Não é a primeira que se aposta em algas para a prodiução de combustível. Mas essa parece mais promisora, tanto que os cientistas estão chamando a descoberta de “petróleo de alga” e projetam que ela pode ser mais barata do que o etanol.

A Botryococcus braunii tem uma enzima especial que fabrica hidrocarbonetos – moléculas que formam os combustíveis – durante o processo de reprodução celular da alga. Essas moléculas só são encontradas nas profundezas da Terra, sob muita pressão, na forma de petróleo.

Mas fabricar os combustíveis a partir o petróleo é muito trabalhoso: é necessário, primeiro, destilar o material para separar os hidrocarbonetos. A partir daí, essas moléculas servem como “pecinhas” para montar os diferentes combustíveis. Mas com as algas é mais fácil: não precisa de destilação, porque os hidrocarbonetos já estão separados. Tudo o que os cientistas precisam fazer é montar as peças e criar o combustível que quiserem.

Descobrir que uma alga consegue fabricá-las sem nenhum estímulo é surpreendente – ainda mais quando se trata de uma alga tão comum: ela vive em água doce, cresce em quase todos os lagos do mundo, pode sobreviver em climas muito diferentes – do montanhoso ao desértico – e só não é encontrada na Antártica.

O problema é que a alga não consegue produzir hidrocarbonetos tão rápido quanto a gente precisa: leva uma semana para que ela termine seu processo de reprodução celular, enquanto outras algas e plantas, inúteis em termos de combustível, conseguem fazer a mesma coisa em algumas horas.

Para contornar a situação, os pesquisadores estão tentando encontrar o mecanismo genético que comanda a enzima produtora de hidrocarbonetos e transplantá-lo para plantas mais rápidas. A ideia é inserir o “gene do petróleo” em plantas terrestres, como o tabaco, ou em outras algas comuns para aumentar a produção em um tempo menor e com menos custos.

Se os estudos se mostrarem corretos, nova descoberta pode diminuir ainda mais a força do petróleo, e tornar toda a produção de combustível mais barata e simples: não vai mais ser necessário gastar milhões para remover a matéria-prima do fundo da Terra, e nem brigar por reservas já existentes. Além disso, assim como nos biocombustíveis já existentes,  o processo seria mais sustentável, já que parte da emissão de gás carbônico pelos combustíveis pode ser equilibrada pela fotossíntese das próprias algas.

Fonte: Superinteressante

Biodiesel de algas doces

O biodiesel é uma fonte de energia menos poluente que as de origem fóssil, sendo produzido através de óleos vegetais (soja, canola e outros) e gorduras animais. Por isso, a Universidade Federal de Goiás (UFG) desenvolveu uma pesquisa para produzir o biocombustível através de uma outra matéria-prima: as microalgas de água doce.

Em cinco anos de pesquisa, a equipe coordenada pelo Laboratório de Métodos de Extração e Separação (Lames) do Instituto de Química (IQ) da Universidade Federal de Goiás (UFG), formada por mais de 100 alunos de outras nove instituições de ensino – UFPR, TECPAR, UFSCar, UFLA, UFES, UFSC, INT, UFRJ e UFPB – testou 150 microalgas dulcícolas e marinhas para avaliar se elas seriam uma alternativa viável para a produção de biodiesel. O Projeto Microalgas é apoiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).

Das espécies analisadas, três apresentaram critérios técnicos aceitos para a produção de biocombustível, como maior quantidade de biomassa e ácidos graxos. Os nomes das espécies são mantidos em sigilo. O professor do Instituto de Química da UFG, Nelson Roberto Antoniosi Filho explica que as microalgas possuem uma produção de biocombustível muito superior à soja – principal fonte de biocombustível no Brasil.

“De acordo com a espécie, a microalga produz de vinte a 100 vezes mais por hectare em comparação com a soja”, explica o professor. Outra vantagem da microalga em relação a soja é o reduzido consumo de água. Dependendo da espécie, o consumo de água é de até 200 vezes inferior em comparação a soja. Devido a essas características, a microalga pode ser produzida em áreas devastadas ou até mesmo em regiões semiáridas ou em conjunto com outras culturas, como a piscicultura.

Outro benefício das microalgas é o ciclo que é reduzido. Em média, de 15 dias, possibilitando produção de biocombustível o ano inteiro, diferentemente da soja, que tem apenas dois picos de produção anuais.

Assim, o custo de produção é menor e deve chegar ao consumidor com preço mais baixo que o atual. As espécies também são uma aposta de investimento nas indústrias farmacêuticas e de cosméticos, como a produção de antioxidantes, pigmentos e até mesmo para doenças mais graves, como a mácula.

Testes

Para verificar a qualidade do biocombustível produzido em laboratório, uma das camionetes da Universidade há seis meses é abastecida com biocombustível de microalgas. O veículo não recebeu nenhuma modificação no motor e não apresentou nenhuma alteração em comparação com o outro carro que foi abastecido com o combustível tradicional. “O projeto de extensão confirmou que o biocombustível de microalgas é válido”, conclui o pesquisador.

O próximo passo é produzir o biocombustível em escala maior que a de laboratório. “As universidades e desenvolvem muitos trabalhos, mas um grande gargalo atual é o ritmo lento do mercado”, explica o professor. Mas, devido à importância da pesquisa, ele acredita que o uso das microalgas para produção do biocombustível em grande escala pode vir a ser uma realidade em futuro próximo e aumentar a competitividade do biodiesel brasileiro.

Fonte: Jornal Canal da Bioenergia

Argentina: novos preços do biodiesel podem reavivar empreendimentos

Em meados de 2010, a multinacional argentina Oil Fox S.A montou uma fábrica de biodiesel, localizada no Parque Industrial, ao norte da província de Buenos Aires. O valor do investimento ficou em torno de 20 milhões e a capacidade de produção era de 120 milhões de litros/ano.

Inicialmente, o combustível era constituído de 10 por cento de algas e os 90 por cento restantes de óleo de soja. Contudo, devido ao empreendedorismo da empresa, a produção do biodiesel já estava em 50 por cento para cada matéria-prima.

Contudo, “devido à política equivocada sobre os preços de biodiesel, infelizmente, a fábrica foi vendida e com o agravamento da situação, posteriormente acabou fechando”, diz Jorge Kaloustian, chefe da Oil Fox S.A.

No entanto, Kaloustian acredita que o novo valor do biodiesel, publicado este mês pelo Governo Nacional (de 10,22 pesos por litro para empresas de médio porte), torne rentável a retomada do empreendimento. “Com garantias de que o preço fique superior a 10 pesos por litro, serão necessárias regras claras que permitam a previsibilidade do negócio. Se não há certeza é muito difícil planejar a longo prazo”, diz o empresário.

Na mesma linha, ele afirma: “Se as políticas forem sustentáveis ​​ao longo do tempo, estamos dispostos a investir e voltar para o mercado. Além disso, seria possível vendermos diretamente aos consumidores”. Segundo Kaloustian , fornecer biodiesel puro em lojas de varejo seria muito benéfico para o setor.

Questionado sobre a resiliência dos motores diesel, capacidade de rodar com a mistura do biocombustível, o empresário é categórico em sua resposta: “Em 1898, o Sr. Rudolf Diesel inventou o seu motor usando 100 por cento de óleo vegetal. Em 10 de agosto de 1912, na Alemanha, ele disse: Não coloquem esse combustível em meus motores que vocês vão danificá-los. E ele se referia ao diesel de petróleo”.

O empresário afirma ainda, “o que poucas pessoas sabem é que, por exemplo, o diesel Euro 2 tem 200 partes por milhão de enxofre, enquanto o biodiesel não os tem. Como se isso não fosse suficiente para comprovar a eficiência do biocombustível, usamos três caminhões do Alasca à Ushuaia, movidos ao combustível vegetal puro e os motores rodaram muito melhor. Na verdade, os motores diesel foram feitos para andar com biocombustível, o diesel foi empregado apenas por uma questão de custos”, conclui.

Kaloustian afirma ainda que a Alemanha e os Estados Unidos não estão restritos ao consumo de biodiesel puro desde que ele atenda a determinados requisitos de qualidade. “No caso da Europa, eles respondem ao EN14214 padrão, o que garante um bom biodiesel”, diz ele.

Atualmente a multinacional tem funcionado tratando algas para fins alimentares. São duas fábricas no país, três na Colômbia, uma nos Estados Unidos, uma na Itália e subsidiárias de marketing na China e na Rússia, dois grandes mercados mundiais.

Na Argentina as plantas são auto-suficientes e incorporam o processamento de bio digestão de resíduos agrícolas das fazendas vizinhas. Na Colômbia uma das fábricas utiliza motores 9 MW de potência instalada para tratar o biogás gerado.

A Oil Fox mantem-se à espera de boas condições de mercado para novamente dedicar-se ao desenvolvimento do biodiesel.

Como as algas podem ser convertidas em biocombustível?

Acredite ou não, um dia as algas poderão nos proporcionar parte de nossa independência aos combustíveis fósseis. Mas usar as algas como biocombustível não é algo tão simples como pegá-las da superfície de um lago ou reservatório e colocá-las em tanques de combustíveis. Os cientistas têm que usar vários métodos mecânicos e químicos (ou a combinação dos dois) para extrair o óleo dessas algas e convertê-lo em um combustível viável.

Uma forma comum de extração mecânica do óleo é chamada de prensagem, no qual o óleo é literalmente  pressionado para fora da alga (processo parecido com a extração do óleo de oliva das azeitonas). Há diversos tipos de prensas e o uso dos mesmos depende da cepa das algas, já que cada cepa tem propriedades físicas diferentes. Uma vez que o óleo tenha sido removida da alga através da prensagem, um método químico pode ser usado para favorecer a continuidade do processo de extração.
Usando apenas o método de prensagem, os pesquisadores têm sido capazes de extrair até 80% do óleo das algas [fonte: Virtuoso Biofuels].

Um segundo tipo de extração mecânica é a extração ultrassônica, cujo processo é mais rápido que a prensagem. Esse método usa ondas ultrassônicas para criar bolhas em um solvente (um líquido usado para dissolver outra substância). Quando as bolhas se quebram perto das algas, elas fazem com que suas paredes celulares também se quebrem, liberando o óleo no solvente.

Embora os métodos mecânicos tenham sido bem sucedidos, eles não são os únicos utilizados pelos cientistas –solventes químicos também costumam ser usados para extrair o óleo das algas. Esses solventes são eficazes, mas podem ser um tanto perigosos para se lidar. O benzeno, por exemplo, é um solvente barato, mas é classificado como carcinogênico, e outros solventes químicos também podem vir a causar explosões [fonte:Oilgae].

O hexano é outro solvente químico que pode ser usado sozinho, ou em combinação com o método de prensagem, para separar o óleo da alga. Quando usados em conjunto podem extrair cerca de 95% do óleo das algas [fonte:Oilgae]. Mas o hexano não para por aqui. Ele também pode ser misturado com a polpa que permanece após a prensagem para extrair ainda mais óleo.

Outros métodos químicos incluem a extração soxhlet, no qual um solvente orgânico é usado para remover o óleo da alga através de repetidas lavagens, e a extração com fluido supercrítico, no qual o dióxido de carbono líquido é aquecido e usado como um solvente para a extração do óleo.

O óleo extraído através desses métodos é conhecido como “petróleo verde” e não está pronto para ser usado como combustível até que seja submetido a outro processo chamado transesterificação. Esta etapa adiciona mais substâncias à mistura, incluindo álcool e um catalisador químico que faz com que o álcool reaja com o óleo. Essa reação cria uma mistura de biodiesel e glicerol. A etapa final do processo separa o glicerol da mistura deixando um biodiesel que está pronto para ser usado como combustível.

Fonte: Meio Ambiente Rio.com

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