Lucro Social da Embrapa é de R$ 37,18 bilhões em 2017

Para cada real aplicado na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em 2017 foram devolvidos R$ 11,06 para a sociedade. Os dados são do Balanço Social 2017 da Empresa, que apontou um lucro social de R$ 37,18 bilhões, gerado a partir da adoção, pelo setor agropecuário, de 113 tecnologias e de cerca de 200 cultivares avaliadas na publicação.

“O lucro social, no caso da Embrapa, é derivado dos benefícios econômicos gerados em função dos lucros líquidos obtidos por aqueles que adotam as tecnologias disponibilizadas pela Empresa. Quando relacionamos esses benefícios econômicos com a receita operacional líquida anual, temos o que chamamos de retorno social ou lucro social”, explica Antonio Flavio Dias Avila, pesquisador e supervisor de Avaliação de Desempenho Institucional da Secretaria de Desenvolvimento Institucional (SDI) e líder dos estudos de avaliação de impacto na Embrapa. Se considerarmos o fluxo de benefícios econômicos e de custos das tecnologias que estão no Balanço Social a taxa interna de retorno média é de 36,2%.

Para chegar ao resultado de R$ 11,06 devolvidos à sociedade, o Balanço Social da Embrapa relaciona os Indicadores Laborais, Sociais e as Tecnologias Desenvolvidas e Transferidas à Sociedade que geraram benefícios de R$ 37,18 bilhões em 2017 com a Receita Operacional Líquida de R$ 3,36 bilhões, recursos que a Empresa obteve no ano a partir de receitas geradas com vendas e serviços e os subvenções para custeio, convênios e doações.

Destacam-se no conjunto de tecnologias e cultivares do Balanço Social de 2017 a contribuição da Empresa na tropicalização do trigo, com o desenvolvimento do cultivar BRS 404, específica para cultivo em sequeiro nos cerrados do Brasil. A cultivar de soja BRS 7380RR resistente aos principais nematoides de solos do País – vermes microscópicos que levam os agricultores a abandonarem áreas inteiras infestadas por eles – posiciona a Empresa na liderança numa área que havia sido dominada pela genética importada.

No âmbito da produção animal, uma parceria com a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) e a Olimpo Informática, permitiu a criação da Plataforma de Qualidade – Carne Bonificada, ferramenta que integra todos os elos da cadeia da qualidade da carne nacional e simplifica a adesão dos produtores aos diversos protocolos de raças e às exigências dos diferentes mercados importadores. Ao atender os requisitos estabelecidos nos Programas de Certificação de Raças Bovinas, os bois abatidos recebem selos de qualidade que proporcionam ao produtor o pagamento de uma bonificação.

Na agricultura familiar, o Balanço Social de 2017 destaca o desenvolvimento da BRS Zamir, cultivar que já ocupa 10% da área plantada com tomate-cereja, mais produtiva, tolerante ao principal fungo que ataca o tomateiro e com alto teor de licopeno.

Na busca pelo fortalecimento de ações e iniciativas para a popularização da ciência e tecnologias nacionais, o Balanço Social destaca a Base de Dados da Pesquisa Agropecuária (BDPA) e o Programa de Rádio Prosa Rural. A Embrapa disponibiliza sua produção técnico-científica em repositórios diretamente na internet. Só em 2017, o total de downloads dos conteúdos alcançou 24,5 milhões. Já o Programa Prosa Rural ganhou diversas versões na Web, inclusive um aplicativo para celular.

Um novo olhar sobre a sustentabilidade da agricultura brasileira

O maior destaque do Balanço Social de 2017 é a análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) pela Embrapa Territorial de cerca de 4 milhões de propriedades rurais. Foi constatado que um total de 176.806.937 hectares estava destinado à preservação e à manutenção da vegetação nativa. Isso equivale a 20,5% do território nacional, a contribuição da agricultura brasileira na preservação do meio ambiente.

O relatório também apresenta várias contribuições da Empresa ao desenvolvimento agrícola do Brasil, como os dez anos da Rede de Nanotecnologia Aplicada ao Agronegócio (Rede AgroNano), e para a redução das emissões de gases de efeito estufa e o cumprimento pelo País dos compromissos da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (ONU-COP15) com as tecnologias de fixação biológica de nitrogênio (FBN) na cultura da soja e os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Estima-se que essas duas tecnologias juntas contribuíram para a redução das emissões de carbono na safra 2016/2017 na ordem de 65 milhões de toneladas de carbono.

A função social da pesquisa pública

Para o pesquisador Antonio Flavio Dias Avila, os dados do Balanço Social demonstram o impacto da contribuição da Embrapa e da pesquisa pública para atender às prioridades nacionais e apoiar a implementação de políticas públicas. “A Embrapa possui um custo para a sociedade, na medida em que gera basicamente bens públicos, produtos que, na sua maioria, não são vendidos, o que impacta negativamente em seus resultados, se analisarmos pela ótica estritamente financeira e contábil”, afirma.

Por isso, esses resultados presentes no Balanço Social vão além das três centenas de tecnologias e cultivares monitoradas ao longo desses 21 anos, cujos impactos foram avaliados neste Balanço Social. Os bens públicos produzidos pelos centros de pesquisa da Embrapa não se restringem aos impactos positivos na geração de renda no meio rural. Esses centros contribuem, sobretudo, para o aumento da oferta e qualidade dos alimentos, que chegam à mesa dos consumidores brasileiros nas áreas urbanas, contribuindo para a redução dos preços da cesta básica.

E a esses impactos ainda possível agregar outros benefícios à economia brasileira, como a geração de saldo na balança comercial, o aumento na arrecadação de impostos e aos empregos adicionais gerados ao longo das cadeias produtivas envolvidas na sua agenda de pesquisa.

Modelo Embrapa de Balanço Social

O modelo de Balanço Social da Empresa é baseado na metodologia definida pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e um grupo de empresas estatais, entre elas a Embrapa, e já está sendo adotado pelas organizações estaduais de pesquisa agropecuária de quatro estados brasileiros, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Espírito Santo e obteve reconhecimento internacional por parte da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e de diversos países vizinhos.

A Corpoica, a Embrapa da Colômbia, acaba de publicar seu primeiro Balanço Social na comemoração dos seus 25 anos completados agora em março 2018. Da mesma forma, as organizações de pesquisa agropecuária da Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai estão sendo capacitados por técnicos da SDI Embrapa para também publicarem suas versões de Balanços Sociais.

Para saber mais sobre o Balanço Social da Embrapa acesse – http://bs.sede.embrapa.br/2017/

Fonte: Embrapa

Embrapa completa 45 anos e investe em mudanças para enfrentar novos desafios

Uma conquista da ciência brasileira, liderada pela Embrapa, universidades e iniciativa privada, permitiu ao País  desenvolver um bioinsumo formulado com bactérias que fixam o nitrogênio do ar e que hoje alcança 33,9 milhões de hectares de soja. Essa inovação permitiu aos agricultores e o país economizarem R$ 42,3 bilhões – cerca de 14 vezes o orçamento anual da Empresa – apenas na última safra, sem precisar gastar com fertilizante nitrogenado. Este é apenas um exemplo do resultado da ciência aplicada à agricultura brasileira.

Exemplos como esse tornaram o País um dos maiores produtores mundiais de alimentos e consolidaram uma revolução na agricultura da faixa tropical do planeta. O quadro é bem diferente de quatro décadas atrás, quando o Brasil era conhecido por produzir açúcar e café, mas importava praticamente todo o resto, e até alimentos básicos como arroz, leite ou feijão.

Prestes a completar 45 anos no próximo dia 26 de abril, a Embrapa anunciará os resultados do seu novo Balanço Social, elaborado a partir da avaliação do impacto de 113 tecnologias e de cerca de 200 cultivares adotadas e disponibilizadas em 2017. O estudo, cujos detalhes serão anunciados em uma solenidade hoje (24), em Brasília-DF, mostrará um lucro social de R$ 37,18 bilhões no ano passado e que para cada real aplicado na Empresa foram devolvidos R$ 11,06 para a sociedade.

 

 

“O Balanço Social é uma prova de que o investimento em pesquisa agropecuária mudou a lógica do desenvolvimento do campo brasileiro”, afirma Lúcia Gatto, diretora de Gestão Institucional da Embrapa, explicando que na década de 1970 decidiu-se por realizar investimentos sólidos em inovação para área agropecuária, com base em formação de recursos humanos, pesquisa em rede e foco nos problemas dos agricultores. O objetivo era fazer com que o Brasil pudesse alcançar a sua segurança alimentar.

A Embrapa, a rede de universidades, assistência técnica, órgãos estaduais de pesquisa, muitas e muitas parcerias e um espírito empreendedor dos agricultores não apenas fizeram com que o Brasil alcançasse a segurança alimentar para sua população como permitiu exportar os excedentes para quase todos os mercados no mundo. Ainda: ajudou a diminuir o valor da cesta básica em 50% e a cada ano amplia a presença do Brasil entre os maiores exportadores de alimentos do globo, tornando o País líder em inovação agropecuária no mundo tropical – e de onde se espera que saiam os alimentos para uma população cada vez maior.

A agropecuária brasileira é hoje uma das mais eficientes e sustentáveis do planeta. Incorporou aos sistemas produtivos uma larga área de terras degradadas dos cerrados, região que hoje é responsável por quase 50% da produção nacional de grãos. A oferta de carne bovina e suína foi quadruplicada e a de frango, ampliada em 22 vezes. Nos últimos 46 anos, o Brasil aumentou a produção de grãos em 555,6%, sem ampliar a área plantada em grandes proporções (163,43%). As crises de abastecimento de produtos básicos, como feijão, arroz e frango, ficaram como lembranças das décadas de 70 e 80. Se no passado o brasileiro só consumia determinadas frutas e hortaliças (como uva e cenoura) em meses específicos, hoje elas estão presentes nas prateleiras o ano inteiro.

“Se o Brasil conquistou o posto de influente ator mundial em dois setores de importância vital, o meio ambiente e a segurança alimentar, tal patamar é consequência do trabalho da ciência, aliado à determinação e à ousadia do setor produtivo. Essa parceria precisará ser ainda mais ampliada para se fortalecer as bases que garantirão a qualidade de vida para todos no planeta”, argumenta o diretor de Pesquisa & Desenvolvimento da Embrapa, Celso Moretti. Segundo ele, o conhecimento gerado pela ciência ajuda os legisladores a produzir decisões que refletem diretamente na economia e na sociedade.

Subsídios a políticas públicas

Mas a pesquisa agropecuária não contribui apenas com novas sementes, sistemas de produção mais eficientes, controle de pragas, equipamentos, softwares, melhoramento genético ou subsídios para o agricultor tomar a melhor decisão possível. Propriedade intelectual, transgênicos e código florestal são alguns exemplos de temas de amplo alcance e impacto social que são beneficiados pela contribuição qualificada da pesquisa.

Um exemplo pouco percebido de contribuição da pesquisa é o suporte tecnológico para o Plano Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC), voltado para estimular o produtor rural a desenvolver sua atividade com menos impacto ambiental e, assim, reduzir emissões de carbono. É uma medida do Brasil para atender ao compromisso firmado na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 15), de 2009. As principais tecnologias relacionadas são a recuperação de pastagens degradadas, a ampliação da área com integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), com reflorestamento e com plantio direto de qualidade, e a expansão das áreas que fazem uso da fixação biológica de nitrogênio e das iniciativas para aproveitamento dos resíduos sólidos.

Outro caso, pouco lembrado, é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que na prática, fez desaparecer do noticiário as fraudes com seguro agrícola. Trata-se de um mapeamento das áreas de produção que indica as melhores datas de plantio de mais de 40 culturas para cada município brasileiro, reduzindo o risco de perdas por fatores climáticos. O zoneamento agrícola é hoje base para o seguro agrícola brasileiro.

Prova mais recente, lançada no começo de março deste ano, é o Sistema de Inteligência Territorial da Macrologística da  Agropecuária Brasileira, que reúne, em base georreferenciada, dados sistematizados pela Embrapa sobre produção agropecuária, armazenagem e caminhos das safras dentro do mercado interno e para exportação. A novidade, que pode ser acessada por qualquer cidadão, permite gerar diversos estudos e extrair desse big data informações estratégicas para o planejamento de políticas públicas e do setor produtivo.

Futuro e Visão 2030

Estimativas da FAO indicam que até 2050 a produção agrícola precisará crescer globalmente 70%, e quase 100% nos países em desenvolvimento, para alimentar a crescente população, excluindo a demanda para biocombustíveis. Assim, os desafios para a Embrapa e seus parceiros são enormes e exigem um olhar atento para o futuro. Além das áreas tradicionais, a Empresa tem investido fortemente em tecnologias de ponta, como sequenciamento de genomas de plantas e animais, clonagem, nanotecnologia e agricultura digital.

Ainda assim, a visão é de que é preciso mudar para se adequar às exigências de um processo permanente de transformações. “A Empresa segue em movimento, buscando ajustar-se às mudanças tecnológicas e sociais e aumentar sua eficiência, simplificando seus processos. Por isso, em fevereiro, iniciamos a maior mudança administrativa de nossa história, reduzindo de 15 para seis as áreas administrativas da sede, em Brasília, com corte de funções gratificadas e alteração de toda a estrutura e processos”, diz Maurício Lopes, presidente da estatal.

No final de 2017, a Embrapa já havia reduzido a quantidade — de 46 para 42 — de Unidades de pesquisa e inovação, com a extinção de cinco Unidades de serviço. Também no ano passado, ela adotou um novo Estatuto, alinhado à Lei das Estatais e produzido com a orientação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST) e do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Reflexo das mudanças estruturais que estão sendo implementadas, toda a gestão da programação de pesquisa também passa neste momento por uma grande reformulação, tendo como principal objetivo aumentar a capacidade de inovação da Embrapa e aproximar mais a Empresa das cadeias produtivas.

Mudanças também redirecionarão o futuro da Embrapa. Na cerimônia dos seus 45 anos será lançado o documento “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”, que consolida sinais e tendências globais e nacionais sobre as principais transformações na agricultura em questões científicas, tecnológicas, sociais, econômicas e ambientais e seus potenciais impactos. “Visão 2030” terá versões digital e impressa e oferecerá bases para o planejamento estratégico das organizações públicas e privadas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I). Na Embrapa, vai, particularmente, subsidiar novas estratégias e prioridades da Empresa, a produção do próximo plano diretor e, consequentemente, o trabalho dos seus 2.448 pesquisadores.

Edson Bolfe, coordenador do Sistema de Inteligência Estratégica da Embrapa (Agropensa) e da produção do documento, diz que “no esforço de análise e de prospecção de cenários buscou-se antever transformações e, assim, contribuir para a definição de diretrizes que orientem a programação de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) com foco no desenvolvimento sustentável da agricultura”. O documento traz perspectivas e os principais desafios científicos, tecnológicos e organizacionais baseados em análises do ambiente interno e externo, nacional e internacional e alinhados à Agenda 2030, estabelecida pela Organizações das Nações Unidas (ONU) a partir de 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Um dos destaques é a identificação de sete megatendências: Mudanças Socioeconômicas e Espaciais na Agricultura; Intensificação e Sustentabilidade dos Sistemas de Produção Agrícolas; Mudança do Clima; Riscos na Agricultura; Agregação de Valor nas Cadeias Produtivas Agrícolas; Protagonismo dos Consumidores; e Convergência Tecnológica e de Conhecimentos na Agricultura. A publicação explora aspectos relacionados a cada uma das megatendências e sugere, por exemplo, desafios e oportunidades.

Alinhada ao documento Visão 2030 será lançada também a plataforma digital Olhares para 2030, que reunirá artigos de opinião de 90 especialistas de diferentes áreas de atuação, com projeções e expectativas de caminhos possíveis para o desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira. Os artigos foram agrupados nas sete megatendências, sintetizando as principais forças de transformação da agricultura brasileira para os próximos anos.

De acordo com o diretor de Inovação e Tecnologia, Cleber Soares, a Embrapa tem feito ainda grande esforço para “dar agilidade, mais atenção à atividade-fim e obter maior proximidade com o mercado de inovações tecnológicas e os produtores. Em resumo: garantir que a instituição continue atendendo a sua missão”. O esforço é para garantir a otimização dos processos e o foco da Empresa em inovação e proximidade com o mercado, inclusive pela ampliação das parcerias públicas e privadas.

“Capacidade de influenciar é parte da Missão da Embrapa e será a base de motivação para as mudanças que estamos promovendo para nos alinharmos cada vez mais efetivamente às agendas relevantes do país, fazer escolhas acertadas e definir e perseguir metas de impacto que possam comprovar a qualidade das nossas entregas para a sociedade”, conclui o presidente Maurício Lopes.

Serviço:
Cerimônia do 45º Aniversário da Embrapa

  • Data: 24 de abril de 2018
  • Horário: 15 horas
  • Local: Auditório Assis Roberto de Bem, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília-DF
  • Lançamentos: documento “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”, Balanço Social 2017, Plataforma Olhares para 2030, Coleção de e-books sobre contribuições da Embrapa para os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, publicações, assinatura de convênios de parcerias e apresentação de tecnologias.

Fonte: Embrapa

Enzimas promovem produção mais limpa de biodiesel

A Embrapa Agroenergia constituiu um banco de microrganismos produtores de lipases, enzimas que podem ser utilizadas na produção de biodiesel, tornando o processo mais limpo. Atualmente, as usinas utilizam um catalisador químico – geralmente, metilato de sódio – para acelerar a reação química entre óleo e álcool que dá origem ao biocombustível, além de gerar glicerina. As enzimas justamente substituiriam esse catalisador.

Líder dos trabalhos nessa área, a pesquisadora da Embrapa Agroenergia Thaís Salum explica que a adoção das lipases seria vantajosa principalmente quando o biodiesel fosse produzido com óleos ácidos, como o de dendê. Essa característica da acidez associada à presença do catalisador químico faz com que seja formado sabão durante a produção do biocombustível, dificultando inclusive a separação deste e da glicerina. Isso gera muitos problemas e reduz a rentabilidade do processo.

As indústrias que utilizam óleos não ácidos, como o de soja, também encontrariam benefícios no uso das enzimas. Elas facilitam a separação do biodiesel e geram uma glicerina de melhor qualidade, conta Thaís. Além disso, são biodegradáveis.

A condução das pesquisas na Embrapa Agroenergia prevê ainda outra vantagem: o reaproveitamento das lipases. Por isso, os cientistas estão buscando produzir essas enzimas cultivando os microrganismos em substratos sólidos, como fibras e tortas residuais da extração de óleos. As lipases, assim, ficam “presas” às partículas desses materiais, que podem ser adicionadas aos reatores de produção de biodiesel. Ao final do processo, elas podem ser retiradas por métodos simples como filtração e utilizadas em uma nova batelada de produção.

Com a recuperação das enzimas, consegue-se reduzir o custo do processo, um dos principais empecilhos atualmente para adoção desse insumo. Além disso, evitam-se as várias lavagens pelas quais o biodiesel hoje passa para remover o catalisador químico, o que gera toneladas de efluentes a serem tratados antes do descarte.

O trabalho de pesquisa com lipases na Embrapa Agroenergia já passou por uma extensa etapa de busca e seleção de fungos e bactérias que fossem bons produtores desse tipo de enzimas para produção de biodiesel. Foram avaliados dezenas de microrganismos, isolados dos frutos e do ambiente associado ao cultivo de dendê, das fibras de prensagem desse fruto, além de raízes e folhas de cana-de-açúcar e da torta de pinhão-manso.

Após análises qualitativas e quantitativas, os cientistas chegaram a três cepas de fungos e uma de bactéria com grande potencial. Agora, estão trabalhando na otimização do processo de produção de lipases a partir desses microrganismos. Nessa etapa, eles testam diferentes condições de pH, temperatura, umidade e meio de cultivo, com o objetivo de chegar à combinação de parâmetros que permite obter o máximo rendimento com o menor custo.

Numa etapa seguinte, serão avaliadas também as melhores condições de produção do biodiesel utilizando as enzimas obtidas. “As espécies de microrganismos com as quais estamos trabalhando agora estão mostrando boa atividade enzimática e, por isso, estamos com grandes expectativas de chegar a bons resultados”.

A linha de pesquisa conta com recursos financeiros da própria Embrapa e da Agência Brasileira de Inovação (Finep). Colaboram nas ações pesquisadores da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Embrapa Instrumentação e Universidade de Brasília (UnB).

 

Fonte: Embrapa 

Pesquisas com coprodutos de oleaginosa serão apresentadas no Congresso de Biodiesel

Congressos, simpósios, mesas-redondas, workshops e palestras são alguns dos eventos que ocorrem no meio cientifico com relevância para a promoção de avanços nas pesquisas de várias áreas. Por isso a Embrapa Agroenergia, assim como várias outras instituições, se faz presente nesses eventos apresentando seus trabalhos. No período de 22 a 25 de novembro acontecerá o 6º Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel e o 9º Congresso Brasileiro de Plantas Oleaginosas, Óleos, Gorduras e Biodiesel. Nesta ocasião vários trabalhos da Unidade serão expostos, abordando desde a produção da matéria-prima, passando pela qualidade do biocombustível, mercado, e a utilização dos coprodutos. O prazo para envio de trabalhos científicos se encerra dia 18 de setembro e pode ser feito através do site do evento.

Esta última linha de atuação está totalmente vinculada ao conceito de biorrefinarias, em que todos os resíduos são vistos como matérias-primas para outro processo gerando novos produtos, agregando valor à cadeia produtiva, ressalta a pesquisadora da Embrapa Agroenergia, Simone Mendonça. “É possível reduzir o preço do biodiesel quando os custos são divididos nas diversas partes dessa oleaginosa”, explica. A soja, por exemplo, depois que é extraído o óleo sobra o farelo que é usado na alimentação humana e também como ração animal. E, da produção do biodiesel, também é formada a glicerina, mais um produto que as usinas estão beneficiando ou vendendo da forma bruta, o que vem a ser mais uma fonte de renda. Em uma das pesquisas na Embrapa Agroenergia, a glicerina gerada a partir do biodiesel é fermentada para a produção de compostos químicos de interesse da indústria da química fina.

Além desse benefício econômico existem também os aspectos sociais e ambientais envolvidos. O aspecto ambiental refere-se ao máximo aproveitamento dos recursos naturais, gerando a menor quantidade de resíduos possível. Em relação ao social, frisa Mendonça, amplia-se as oportunidades da agroindústria para novas aplicações, permitindo a diversificação econômica e abrindo novos mercados de trabalho em regiões agrícolas. Além disso, atrai novas indústrias e, consequentemente, o desenvolvimento econômico do local. “Quando você dá novas destinações à biomassa você ganha em termos econômicos, mas também impacta positivamente as questões sociais e ambientais relacionadas ao agronegócio”, constata a pesquisadora.

Pesquisas
Sabendo dessa importância, a Embrapa Agroenergia desenvolve pesquisas na cadeia produtiva de diversas oleaginosas. Simone desenvolve pesquisas com a destoxificação de tortas (nome dado ao resíduo sólido que sobra após a extração do óleo) de pinhão-manso e algodão. Embora a torta de caroço de algodão já seja utilizada na alimentação animal, ela se restringe apenas aos ruminantes (bovinos, caprinos, etc) e em  níveis de adição limitados. Já o resíduo do pinhão-manso não pode ser usado como ração em nenhuma quantidade. “Uma solução é a utilização de bioprocessos, em que os microrganismos (Fungos) crescem nessas tortas, e produzem enzimas que  as destoxificam, tornando-as aptas para serem consumidas por animais” conta a pesquisadora. Além da ração animal, também tem sido identificados compostos bioativos que podem ser utilizados para outras aplicações.

Outro projeto onde o tema de aproveitamento de coprodutos é abordado é o Dendepalm, que aborda diversas áreas dentro da cadeia produtiva do dendê. A fibra de prensagem do dendê, resíduo que fica após a extração do óleo da polpa, é rica em beta-caroteno, um composto químico de interesse da indústria de alimentos e farmacêutica, com alto valor agregado por suas propriedades antioxidantes e de precursores da vitamina A. Neste projeto são buscadas formas de separá-lo da torta e estabiliza-lo na forma de microencapsulados, fabricando um aditivo adequado para o uso comercial. Outra aplicação testada é a produção de enzimas a partir desses resíduos industriais. Essa pesquisa utiliza os nutrientes presentes em vários resíduos de dende (cacho, fibra de prensagem, torta) para produzir cogumelos e também enzimas de interesse para o setor de etanol lignocelulósico.

Já o POME, que é o resíduo líquido produzido durante a extração do óleo do dendê, tem sido avaliado pelos pesquisadores da Embrapa Agroenergia para a produção de biogás e microalgas. Assim esse líquido poluente é retirado do meio ambiente e gera novos produtos. O engaço do dendê também pode ser aproveitado e está sendo analisado para a produção de novos produtos. Uma possibilidade é empregá-lo para gerar nano fibras de celulose usadas no reforço de borracha.

Todas essas pesquisas estão em andamento e algumas serão apresentadas durante o Congresso. Também queremos conhecer pesquisas semelhantes que estão em desenvolvimento nessas áreas de coprodutos que podem, junto com outros cientistas, agregar valor à cadeia do biodiesel como um todo. Simone explica que é uma oportunidade de troca científica, as instituições nestas ocasiões se fazem presente visando estabelecer novas parcerias e fortalecer as suas marcas. “Com isso é possível enriquecermos o nosso trabalho discutindo com outras pessoas que dão sugestões e fazem questionamentos, ampliando nossa visão e isso leva a um salto de qualidade”.

O 6º Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel e o 9º Congresso Brasileiro de Plantas Oleaginosas, Óleos, Gorduras e Biodiesel será no Praiamar Natal Hotel & Convention em Natal, Rio Grande do Norte, no período de 22 a 25 de novembro de 2016. A temática do evento “Biodiesel: 10 anos de pesquisa, desenvolvimento e inovação no Brasil” é para destacar os avanços obtidos pelo Brasil na PD&I em Plantas Oleaginosas e Biodiesel, bem como celebrar uma década da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel. Há tempo não ocorre um evento voltado para a temática do biodiesel, e por isso um grande número de instituições são esperadas.

Além do tema coprodutos, também serão abordadas outras áreas temáticas: Matéria Prima; Armazenamento, Estabilidade e Problemas Associados; Caracterização e Controle da Qualidade; Produção do Biocombustível; Uso de Biodiesel; e Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável. A Embrapa Agroenergia é uma das apoiadoras dos eventos que são organizados pelo  Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações  #MCTIC e conta com o apoio da UFLA – Universidade Federal de Lavras e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Para mais informações acesse o site.

 Fonte: Embrapa Agroenergia – texto de Daniela Collares e colaboração de Elvis Costa 

Árabes vão ampliar uso de energias renováveis

Países pretendem aumentar a participação de fontes alternativas em suas matrizes energéticas. O tema foi discutido em fórum realizado esta semana no Egito.

São Paulo – Países árabes pretendem ampliar a participação de fontes renováveis em suas matrizes energéticas, segundo informações divulgadas durante o 3º Fórum Árabe de Energias Renováveis e Eficiência Energética, realizado na quarta (01) e na quinta-feira (02) no Cairo, capital do Egito. O diretor-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, e o gerente de Relações Governamentais da entidade, Tamer Mansour, acompanharam a conferência.

De acordo com eles, países árabes do Mediterrâneo fixaram metas para a geração solar e eólica a serem atingidas até 2030. O Marrocos, por exemplo, quer que as fontes renováveis gerem 42% da energia disponível no país. Já a Tunísia quer chegar a 30%, o Egito, a 20%, o Líbano, a 12%, a Jordânia e a Palestina, a 10%, e a Argélia, a 6%.

Destes países, o Marrocos é o que tem hoje a maior capacidade de geração de energia solar e eólica, seguido do Egito, Tunísia, Jordânia, Palestina, Líbano e Argélia.

Estas nações fazem parte da parceria Euro-Mediterrânea e podem receber financiamentos do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (Berd) com prazo de 25 anos, carência de sete anos e juros de 2,5% ao ano.

O fórum foi organizado pela Liga dos Estados Árabes, governo do Egito, ONU e outras instituições, e teve a presença de 500 pessoas. Entre os palestrantes, representantes de governos, entidades multilaterais, instituições privadas e especialistas no setor.

A avaliação dos participantes é que o mundo árabe tem papel preponderante no setor de energia, pois responde por 56% e 27% do fornecimento mundial de petróleo e gás, respectivamente, mas tem condições de avançar também na seara das fontes renováveis. “A região árabe está localizada no ‘cinturão solar’, onde a energia solar é abundante”, observou Alaby.

Os principais desafios para o desenvolvimento das energias alternativas são os subsídios oferecidos pelos governos locais que tornam os combustíveis fósseis muito baratos, conseguir financiamentos, regular o mercado e obter avanço tecnológico na área.

Além das nações mediterrâneas, outros países árabes que têm investimentos nacionais e estrangeiros em energias renováveis são Omã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Mauritânia. A Mauritânia, por exemplo, pretende chegar a 2020 com 43% de sua matriz composta por fonte solar e eólica.

Segundo Alaby e Mansour, o Banco Islâmico de Desenvolvimento, instituição multilateral de fomento mantida por nações muçulmanas e sediada na Arábia Saudita, oferece empréstimos com prazos de 20 a 25 anos, cinco a sete anos de carência e taxas de juros de 2,5% a 3% ao ano para projetos na área.

Eles informaram também que os países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) deverão investir US$ 5 bilhões até 2020 no setor, de acordo com dados da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena, na sigla em inglês), com sede nos Emirados. O GCC é formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados, Kuwait e Omã.

Participaram do fórum o Ministro da Eletricidade e Energia do Egito, Mohamed Shaker, o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Al-Araby, o embaixador da União Europeia no Egito, James Moran, o secretário-executivo assistente da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia Ocidental, Anhar Higazi, e o diretor-executivo do Centro Regional de Energias Renováveis e Eficiência Energética, Ahmed Badr.

Fonte: Agência de Notícias Brasil-Árabe

Macaúba: matéria-prima nativa com potencial para a produção de biodiesel

De acordo com o Plano Nacional de Agroenergia, lançado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a pesquisa deve buscar novos patamares de rendimento de óleo com maior adensamento energético das espécies oleaginosas, passando do nível atual de 500 a 700 kg de óleo/ha obtido com as culturas tradicionais, em que se tem domínio tecnológico, como a soja, para aproximadamente 5.000 kg de óleo/ha, proporcionando competitividade crescente ao biodiesel e promovendo a segurança energética nacional.

Nesta busca de patamares mais elevados de produtividade em termos de quantidade de óleo produzida por hectare, estão sendo estudadas e utilizadas espécies perenes como, por exemplo, as palmeiras oleíferas (dendê, macaúba e buritis) e pinhão manso, de alto rendimento de óleo, com produtividades superiores a 4.000 kg de óleo/há e adaptadas a condições edafo-climáticas distintas, incluindo biomas diversos, principalmente cerrado, caatinga e floresta amazônica.

Há, então, perspectivas reais de utilização da macaúba como matéria-prima para produção de biodiesel no Brasil. Esta palmácea se destaca pelo seu potencial para a produção de grandes quantidades de óleo por unidade de área, além da possibilidade de utilização em sistemas agrosilvopastoris. macauba-dodesign-s

A macaúba (Acrocomia aculeata (Jacq.) Lood. ex Mart) é uma palmeira nativa das Florestas Tropicais. Apresenta grande dispersão no Brasil e em países vizinhos como Colômbia, Bolívia e Paraguai. No Brasil ocorrem povoamentos naturais em quase todo território, mas as maiores concentrações estão localizadas em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, sendo amplamente espalhados pelas áreas de Cerrado .

Essa espécie tem vasta sinonímia popular no Brasil: macaúba, mucajá, mocujá, mocajá, macaíba, macaiúva, bacaiúva, bocaiúva, umbocaiúva, imbocaiá, coco-de-catarro ou coco-de-espinho.

O fruto é a parte mais importante da planta, cuja polpa é consumida in natura ou usada para extração de gordura comestível; a amêndoa fornece óleo claro com qualidades semelhantes ao da azeitona. Dada a sua ampla utilidade, essas palmeiras vem sendo utilizadas pelo homem desde tempos pré-históricos (cerca de 9.000 anos AC). Pesquisas publicadas na Revista FAPESP de Dezembro de 2002 mostraram que as cascas, secas e trituradas, podem ser utilizadas como fonte valiosa no combate à desnutrição infantil, por terem teor de ferro quatro vezes mais elevado do que a multimistura, além de concentrações razoáveis de cálcio e fosfato. Assim, a casca da macaúba pode substituir alguns componentes deste suplemento alimentar normalmente distribuído pela Pastoral do Menor, tais como a semente de girassol e de amendoim, escassas na região nordeste na estiagem, período em que aumenta a desnutrição infantil.

Existem vários relatos de utilização tradicional da macaúba como fonte de óleo para fins alimentícios, fabricação de sabões e queima para fins de iluminação e aquecimento. Essa palmeira apresenta significativo potencial de produção devido ao elevado teor de óleo e capacidade de adaptação a densas populações. As produtividades potenciais por área assemelham-se à do dendê, podendo chegar a mais de 4 t de óleo/ha.

macauba

Os frutos são formados por cerca de 20% de casca, 40% de polpa, 33% de endocarpo e 7% de amêndoa. Os teores de óleo são ligeiramente maiores na polpa (60%), em relação à amêndoa (55%). Assim como do dendê, são extraídos dois tipos de óleo da macaúba. Da amêndoa é retirado um óleo fino que representa em torno de 15% do total de óleo da planta, rico em ácido láurico (44%) e oléico (26%), tendo potencial para utilizações nobres, na indústria alimentícia, farmacêutica e de cosméticos.

O óleo extraído da polpa, com maior potencial para a fabricação de biodiesel, é dominado por ácido oléico (53%) e palmítico (19%) e tem boas características para o processamento industrial, mas apresenta sérios problemas de perda de qualidade com o armazenamento. Assim como ocorre com o dendê, os frutos devem ser processados logo após a colheita, pois se degradam rapidamente, aumentando a acidez e prejudicando a produção do biocombustível. As tortas produzidas a partir do processamento da polpa e da amêndoa são aproveitáveis em rações animais com ótimas características nutricionais e boa palatabilidade. Tem-se, ainda, como importante subproduto o carvão produzido a partir do endocarpo (casca rígida que envolve a amêndoa), que apresenta elevado poder calorífico.

No sentido de viabilizar a utilização comercial da macaúba e torná-la uma espécie realmente atrativa para a produção de biodiesel a Embrapa Agroenergia tem coordenado projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) envolvendo esta cultura. Em um deles, com financiamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e em parceria com a Embrapa Cerrados estão sendo realizados levantamentos da ocorrência de maciços nativos de macaúba em Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. Com o resultado desse estudo podem-se estabelecer regiões onde existem grandes maciços nativos de macaúba e também fazer o levantamento do potencial produtivo dos maciços identificados.

Para evitar o rápido esgotamento da fonte energética são estudadas práticas de extrativismo sustentável, com a realização de inventário detalhado na área de abrangência dos maciços, o planejamento da conservação e uso dos recursos genéticos disponíveis, a definição de tipos de atividades permitidas e a elaboração de normas de uso da área, de acordo com a potencialidade do zoneamento para cada atividade.

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Também são realizados estudos para desenvolver sistemas de produção, onde a macaúba será cultivada em plantios racionais. Para tanto, estão sendo feitas pesquisas com melhoramento genético, plantio, adubação, espaçamento entre plantas e obtidas as informações necessárias para o estabelecimento de sistemas de produção sustentáveis. Uma grande vantagem da macaúba é a possibilidade da produção consorciada com outras espécies. Podem ser produzidos alimentos (feijão, milho) durante a implantação da cultura e após quatro anos, quando as palmeiras atingirem a altura de 7 a 10 metros e estiverem em produção normal de frutos, pode-se plantar capim para criar gado. É um sistema integrado com bom rendimento, pois o gado se alimenta do capim e dos frutos que, eventualmente, caem das árvores e o esterco produzido pelos animais fertiliza as palmeiras.

Com os conhecimentos disponíveis, sabe-se que a macaúba não pode ser utilizada como única matéria prima para a alimentação de uma usina rentável de biodiesel, pois a colheita dos frutos não acontece o ano inteiro. Para que a usina possa funcionar durante pelo menos onze meses por ano, será necessário utilizar outras oleaginosas, como soja, girassol, algodão, mamona e também sebo bovino. Cada uma das combinações de matérias-primas exige estudos e pesquisas específicos e eventuais adaptações no processamento industrial.

Uma proposta apresentada pela Embrapa Agroenergia é o estabelecimento de Arranjos Produtivos Locais (APLs) que possam atender a necessidade do suprimento contínuo de matérias-primas para a produção de biodiesel e que permitam otimizar o uso das terras e o balanço energético global. Nesse tipo de APL será vantajosa a formação de associações ou cooperativas de produtores que instalem unidades de esmagamento das matérias-primas. O óleo vegetal extraído será transportado até a usina de biodiesel e a torta resultante da extração aproveitada pelos próprios produtores das oleaginosas, tanto para alimentação animal, quanto para utilização como adubo. Com esse esquema, o raio de produção das matérias-primas para abastecimento da usina de biodiesel poderá ser ampliado, o que não seria economicamente viável se os grãos inteiros fossem transportados ate à usina de biodiesel e as tortas transportadas de volta até às regiões produtoras.

Leonardo Bhering
Pesquisador da Embrapa Agroenergia (Brasília – DF)

Fonte: Grupo Cultivar

AgroBrasília vai ter Circuito com Energias Renováveis

Pela primeira vez, na principal feira agropecuária do Centro-Oeste, AgroBrasília, vai acontecer um Circuito de Energias Renováveis dentro do espaço destinado aos agricultores familiares. Esse evento possui importante papel na difusão de conhecimento técnico, especialmente aos pequenos agricultores, com o Espaço de Valorização da Agricultura Familiar (EVAF). A Feira acontece de 10 a 14 de maio realizada pela Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF).

Para mostrar as fontes renováveis de energia a Emater/DF, Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e a Embrapa Agroenergia estão organizando  a instalação de energia solar, eólica e as originárias da biomassa, como biogás e biodiesel.

“Nesse espaço pretendemos mostrar aos pequenos produtores as diversas fontes de energias renováveis que podem ser usadas na sua propriedade”, conta Névio Guimarães, extensionista da Emater responsável por este Espaço da EVAF. Será montada uma tenda para apresentar o que está se fazendo de pesquisas para ampliar a aplicabilidades dessas fontes. A Embrapa Agroenergia mostrará o biogás e vai fazer biodiesel ao vivo e mostrar as matérias-primas para essa produção. Nesta visita, a equipe do MDA estará explicando como o agricultor familiar participa do Programa Selo Combustível Social.

Marco Pavarino, coordenador de biocombustíveis do MDA, reforça a importância de se mostrar essa a aplicabilidade. “No campo, em geral, existe a disponibilidade de sol, vento e biomassa residual, que são fontes passíveis de conversão em energia elétrica em processos de pequena escala. Essa energia gerada de forma descentralizada permite que locais onde a disponibilidade de energia é precária ou inexistente tenham condições de se desenvolver, seja pelo provimento de condições de acesso a água e seu uso como, por exemplo, a irrigação, fornecimento de calor para secagem de produtos, resfriamento de leite, etc”. Guy de Capdeville, chefe de pesquisa da Embrapa Agroenergia reforma que a parceira na AgroBrasília é muito positiva, pois é uma oportunidade de divulgar as tecnologias que estamos desenvolvendo para apoiar no desenvolvimento dos agricultores. “Temos a consciência de que ofertar tecnologia na parte de energia é fundamental para o crescimento do setor rural”, destaca.

Já existem iniciativas nas diversas regiões brasileiras, destaca Pavarino, como é o caso de unidades demonstrativas com sistemas híbridos, solar e éolica, instalado em áreas de agricultores familiares, em parceria com a Embrapa Clima Temperado lá no Rio Grande do Sul. E, nesta linha outras iniciativas estão sendo discutidas para outras regiões, como já se vem negociando para implantação de unidades no município de Cristalina/GO.

Seminário

Na terça-feira, 10/04, a três instituições, Emater/DF, Embrapa Agroenergia e a Coordenadoria de Biocombustíveis do MDA realizam o Seminário de Energias Renováveis para Agricultura Familiar. O Seminário será realizado no auditório da Emater, às 10h, na AgroBrasília. Também estarão presentes no evento a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a Associação Brasileira de Biogás e Biometano (Abiogás) e as empresas Enersurd, Eco-Inove e Ecam, além da Secretaria de Meio Ambiente do Distrito Federal. Mais informações a respeito do Seminário no Núcleo de Comunicação Organizacional da Embrapa Agroenergia pelo telefone 61 – 34481581 ou pelo e-mail agroenergia.eventos@embrapa.br

Embrapa na Agrobrasília
Além do Circuito de Energias Renováveis na EVAF, a Embrapa apresentará, na feira, cerca de 30 soluções para a agricultura, em um estande e na vitrine de tecnologias. Na vitrine, os visitantes poderão conhecer variedades de soja, milho, sorgo, trigo, forrageiras e hortaliças.
Durante a AgroBrasília, a empresa vai lançar uma variedade de soja transgênica com tolerância ao herbicida glifosato e o livro “Hortaliças de propagação vegetativa: tecnologia de multiplicação”. A Embrapa também promoverá o    Fórum “Suinocultura de Baixa Emissão de Carbono” e o Dia de Campo “Intensificação Sustentável da Agroenergia”.

Colaboração: Elvis Costa

Fonte: Embrapa Agroenergia

Embrapa e Embrapii unem-se para pesquisas em Química Renovável

A corrida tecnológica para o desenvolvimento de novos processos limpos que atendam às metas estabelecidas pela COP 21 ganhou um reforço. A Embrapa Agroenergia (Brasília, DF) foi escolhida para sediar uma unidade da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) para o desenvolvimento de tecnologia para biocombustíveis e produtos químicos de origem renovável utilizando microrganismos e enzimas. “Isso coloca a pesquisa agropecuária ainda mais próxima da pesquisa industrial para o desenvolvimento de bioprodutos. É um marco singular no fortalecimento da nossa relação com as indústrias, por meio de parcerias público-privadas”, diz o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Manoel Souza. A instituição é a primeira da região Centro-Oeste a ser credenciada pela Embrapii.

Serão destinados R$ 5,9 milhões da Embrapii às pesquisas, que devem ser aplicados num período de seis anos e somente em ações em parceria com indústrias. Esses recursos podem ser utilizados para custear até 1/3 do valor de cada projeto. A indústria parceira precisar financiar mais 1/3 do montante; a Embrapa completa os recursos restantes, que correspondem a infraestrutura e pessoal. Assim, o volume total a ser aplicado nas pesquisas deve chegar a R$ 17,7 milhões.

Foco principal dos estudos a serem desenvolvidos, microrganismos são peças-chave para a economia menos dependente de petróleo que tanto foi defendida na semana passada, durante a COP 21. Eles convertem folhas, bagaços, caldos, óleos e outros derivados da biomassa em combustíveis renováveis ou moléculas que servem de matéria-prima para diversos produtos nas indústrias químicas e de transformação. Podem fazer isso diretamente, como é o caso das leveduras que fermentam o caldo da cana-de-açúcar, gerando etanol. Outra forma de integrarem a indústria de base biotecnológica é produzindo enzimas que, por sua vez, são empregadas de diversas formas, a exemplo da lavagem de jeans na indústria têxtil e a produção de detergentes. Atualmente, tem ganhado a atenção o uso delas para desconstruir a celulose da parede vegetal, originando moléculas de açúcares que, posteriormente, podem ser convertidas em diversos produtos químicos.

Outra forma de integrarem a indústria de base biotecnológica é produzindo enzimas que, por sua vez, são empregadas de diversas formas. Atualmente, tem ganhado a atenção o uso delas para desconstruir a celulose da parede vegetal, originando moléculas de açúcares que, posteriormente podem ser convertidas em diversos produtos químicos. Enzimas também têm potencial de tornar mais limpos processos como o da produção de biodiesel. A substituição do hidróxido de sódio por lipases na fabricação do biocombustível pode reduzir o volume de efluentes gerados. Dados da maior corporação produtora de enzimas estimam o mercado global nesse segmento em R$ 16,8 milhões.

O potencial é tão grande quanto a necessidade de pesquisas. Primeiramente, há a rica biodiversidade microbiana brasileira sobre a qual muito pouco se conhece. É a principal fonte onde pesquisadores de diversas unidades da Embrapa buscam linhagens de bactérias, microalgas e fungos que sejam eficientes no processamento da biomassa e biorremediação de resíduos, além de adaptáveis às condições industriais. Trabalhos para melhoramento e engenharia genética, bem como o escalonamento de produção de enzimas, fundamentais para obter microrganismos com aquelas características, também estão sendo realizados.
Todas essas linhas de pesquisa já fazem parte da atuação da Embrapa Agroenergia. A competência técnica da equipe e a estrutura da Unidade foram dois fatores avaliados pela Embrapii para o credenciamento. A Unidade conta com 31 pesquisadores-doutores e 18 analistas dedicados à pesquisa, dos quais 17 são mestres ou doutores. A infraestrutura para desenvolvimento dos projetos conta com quatro laboratórios e uma área de plantas-piloto.

Interação com a indústria
A Embrapa Agroenergia já possui projetos de pesquisa com indústrias da área química e da construção civil. Contudo, o credenciamento como unidade Embrapii confere agilidade e flexibilidade para atender às demandas de novas empresas, explica o pesquisador Bruno Brasil, coordenador da iniciativa. Normalmente, o caminho para uma pesquisa em conjunto é a elaboração de um projeto que depois é submetido a fontes de financiamento, conforme a abertura de editais. Isso pode ser um processo lento, que resulta na espera de até dois anos (ou mais) pela chegada do dinheiro. Com o credenciamento na Embrapii, já há recursos disponíveis de antemão para atender a demandas de indústrias nas áreas proposta. “A ideia é trabalhar ao lado das empresas para gerar soluções sustentáveis que cheguem efetivamente ao mercado”, afirma Brasil.
Propostas de projetos já estão sendo discutidos com algumas empresas, mas a Embrapa Agroenergia espera receber mais indústrias interessadas em investir em inovação. “Nós precisamos que as empresas compartilhem conosco os problemas que enfrentam para que juntos possamos desenvolver soluções que façam a diferença no desenvolvimento sustentável”, convida o chefe-geral do centro de pesquisa.
Esse foi a primeira vez que a Embrapii destinou recursos para a área de biotecnologia. “O total de recursos demandados por todas as propostas foi de R$ 901,7 milhões. Ou seja, existe um potencial mercado de investimentos em inovação na área biotecnologia”, destaca o diretor presidente da EMBRAPII, Jorge Guimarães. Foram 38 instituições concorrentes. Além da Embrapa Agroenergia, foram credenciados o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e o Núcleo Ressacada de Pesquisa em Meio Ambiente (REMA/UFSC).

Fonte: Embrapa Agroenergia

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