Embrapa lista os desafios da agricultura do país até 2030

Mudanças socioeconômicas e espaciais na agricultura; intensificação e sustentabilidade dos sistemas de produção; mudança do clima; riscos; agregação de valor nas cadeias produtivas; protagonismo dos consumidores; e convergência tecnológica e de conhecimentos.

Foi em torno desses sete eixos principais que a Embrapa preparou o documento “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”, lançado ontem em Brasília como parte das comemorações de seu 45º aniversário. Realizado ao longo de 18 meses, o trabalho foi costurado com a participação de cerca de 370 colaboradores da estatal e de instituições parceiras.

Considerada fundamental para o avanço do agronegócio brasileiro nas últimas décadas, sobretudo por ter ajudado a tornar viável e competitiva a produção de grãos no Cerrado, a Embrapa vive um período de transformações para tentar manter sua relevância em meio à crescente necessidade de capital para desenvolver suas pesquisas.

Daí porque o documento lançado ontem teve um significado especial para a empresa. Presidida pelo engenheiro agrônomo Maurício Antônio Lopes desde outubro de 2012, a Embrapa vive desde então um processo de mudança que inclui racionalização de gastos e ações capazes de ampliar as receitas – incluindo a criação de um braço privado, de capital fechado, para comercializar tecnologias e estabelecer parcerias com empresas privadas, cujo projeto se encontra parado no Congresso. A estatal prevê que 86% de seu orçamento de R$ 3,4 bilhões de 2018 será gasto com pessoal.

Para Lopes, a Embrapa precisa se reestruturar e se conectar cada vez mais rapidamente às mudanças globais. E esse processo envolve novas demandas como o desenvolvimento da indústria da gastronomia, transformações digitais, novos padrões de consumo de alimentos, aumento da produtividade em áreas já abertas e preocupação com o bem-estar animal.

“Se as instituições permanecerem com o mesmo modelo de operação de 15 anos atrás, não vão sobreviver. E as mudanças da Embrapa vêm no sentido de reinventar a empresa nessa linha”, disse Lopes ao Valor. “Esse é um movimento natural de uma instituição de ciência que está olhando para o futuro com a necessidade de seguir se reinventando”.

Para encarar esses desafios, o presidente da empresa pública defende novas parcerias “mais ágeis” com empresas e o setor produtivo. “Estamos buscando aproximação com muitos financiadores do Brasil e internacionais interessados em investir na produção de alimentos no país”, acrescentou.

No horizonte da estatal estão as projeções de aumento do consumo global de água (50%), energia (40%) e alimentos (35%) até 2030, derivadas das tendências de expansão da população, aumento da idade média, avanço da urbanização e incremento do poder aquisitivo, principalmente na Ásia, na África e na América Latina.

Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV), lembra que, segundo projeções da FAO, o braço das Nações Unidas para agricultura e alimentação, a produção global de alimentos deverá crescer 20% na próxima década, e que, para que isso se torne realidade, a oferta brasileira terá de aumentar 40%. “Ou seja, o protagonismo do país nessa terá de ser ainda maior do que já é”, afirmou o ex-ministro.

“Nesse contexto, a agricultura brasileira passa por profundas transformações econômicas, culturais, sociais, tecnológicas, ambientais e mercadológicas, que ocorrem em alta velocidade e em direções distintas, impactando de forma substancial o mundo rural”, afirma o estudo da Embrapa.

No que tange às mudanças socioambientais e espaciais na agricultura, o trabalho destaca, por exemplo, que a tendência é que a produção de grãos do país se concentre ainda mais no Cerrado, mas identifica forte potencial de expansão na região Norte, onde a logística de escoamento de commodities como soja e milho tem recebido investimentos bilionários.

Em tempos de queda de disponibilidade de mão de obra no campo, realça que a abertura de postos de trabalho com maior nível de qualificação continuará crescente, ao mesmo tempo que a pobreza continuará sendo uma mazela a ser combatida.

Diante da maior limitação de recursos naturais e das crescentes restrições ambientais, a Embrapa alerta que será necessário acelerar os esforços no sentido de intensificar a produção preservando a sustentabilidade das cadeias. Para isso, prevê a expansão de sistemas como integração lavoura-pecuária-floresta, agricultura orgânica, recuperação de pastagens degradadas e otimização de irrigação.

“A intensificação, viabilizando de dois a três cultivos por ano em um mesmo local, será incrementada ainda mais pela inovação tecnológica, gerando maiores benefícios sociais, econômicos e ambientais. A demanda crescente por energia impulsionará ainda mais a produção de agroenergia – biocombustíveis e biogás – e das energias eólica e solar no ambiente rural. Em substituição às fontes fósseis, essas energias renováveis estarão vinculadas à intensificação agrícola e deverão amplificar as oportunidades regionais de emprego e renda”.

Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira

Estudo coordenado pela Embrapa analisando tendências, sinais e desafios para a sustentabilidade da agricultura brasileira nos próximos anos. Acesse a íntegra do documento oficial no endereço abaixo:

https://www.embrapa.br/documents/10180/9543845/Vis%C3%A3o+2030+-+o+futuro+da+agricultura+brasileira/2a9a0f27-0ead-991a-8cbf-af8e89d62829

Olhares para 2030: desenvolvimento sustentável

Lideranças nacionais e internacionais apresentam expectativas e projeções para a agricultura e a alimentação frente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Acesse a íntegra do documento oficial no endereço abaixo:

https://www.embrapa.br/olhares-para-2030

Fonte: BrasilAgro com informações Embrapa

Empresários e cientistas discutem o papel da agricultura na bioeconomia

Bioeconomia, agricultura, inovações tecnológicas e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram os destaques da terceira edição da série “Academia – Empresa”, promovida pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), cujo objetivo é integrar acadêmicos e empresários.
Com o título “A Agricultura Brasileira na Emergente Bioeconomia”, o encontro foi realizado na última segunda-feira (5) na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília, DF). Estiveram presentes pesquisadores e gestores da Embrapa, parlamentares, representantes de ministérios, da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e de empresas do mercado de inovações tecnológicas, entre elas, Monsanto, John Deere e Oxitec do Brasil.
“Faz todo sentido discutir essa interação e essa interface da agricultura com a bieconomia nesse momento em que a sustentabilidade ganha o topo da agenda de prioridades da sociedade, em todo o mundo. Estamos todos preocupados em pensar e viabilizar um modelo de desenvolvimento seguro, de baixa emissão, de baixo impacto, que utilize a base de recursos naturais de forma prudente e inteligente. Esse movimento pela sustentabilidade está muito marcado, incrustado na agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a agenda 2030, que tem um impacto enorme para a agricultura e para a agropecuária no presente e terá um impacto ainda maior no futuro”, destacou o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, na abertura do evento.
A sessão inicial contou ainda com a participação do presidente e vice-presidente da ABC, Luiz Davidovich e João Fernando Gomes de Oliveira, respectivamente; e de Jorge Guimarães, presidente da Embrapii. Guimarães destacou a necessidade de ampliar a participação do agro na dinâmica de financiamentos de projetos da Embrapii. “Do total de projetos que temos hoje, apenas 2,5% são do setor agroindustrial. Nossa expectativa é que novas organizações participem da Embrapii a partir de eventos como esses que estamos realizando hoje”, enfatizou o dirigente ao apresentar estudo sobre o número de empresas contratantes de projetos gerenciados pela Embrapii.
A missão da empresa é apoiar instituições de pesquisa tecnológica em áreas de competência selecionadas, para que executem projetos de desenvolvimento de pesquisa tecnológica para inovação, em cooperação com a indústria. Possui uma carteira de 417 projetos com 298 empresas parceiras, que movimentaram R$ 676 milhões em financiamentos no ano passado.
A Embrapii atua por meio da cooperação com instituições de pesquisa científica e tecnológica, públicas ou privadas, tendo como foco as demandas empresariais e como alvo o compartilhamento de risco na fase pré-competitiva da inovação.
O evento
Além da sessão de abertura, o encontro foi composto por três painéis: Agricultura e Sociedade na Nova Economia; Cenários e Futuros Possíveis para a Bioeconomia no Brasil; A Bioeconomia e o Mercado de Inovações Tecnológicas no Brasil. Também representaram a Embrapa o diretor-executivo de Inovação e Tecnologia, Cleber Soares; o secretário de Inteligência e Relações Estratégicas, Renato Rodrigues; o gerente de Inteligência Estratégica e coordenador do Agropensa, Edson Bolfe; e os pesquisadores Elíbio Rech, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, e Eliseu Alves, ex-presidente da Empresa.
Para Lopes, a combinação do setor público com o privado faz com que o agronegócio brasileiro tenha protagonismo no cenário mundial, sendo capaz de se destacar como provedor de alimentos não só para a sociedade brasileira, mas para o mundo. O presidente reconhece, no entanto, que ainda há muito a ser feito. “Há questões emergindo na agenda da sociedade que vão exigir mais inovação, mais conhecimento, novas empresas, mais empreendedorismo. Não há dúvida alguma que essa vertente da bioeconomia dialogando com a agenda 2030 é um caminho que a agricultura brasileira precisará trilhar para que consiga dialogar com a agenda da sociedade que está emergindo”, disse, durante sua participação no painel sobre o papel da agricultura e da sociedade na nova economia.
Apesar de a bioeconomia ainda ser um tema emergente no País, já existem inovações tecnológicas na agricultura em perfeita sintonia com a proposta: o Brasil é líder no desenvolvimento de modelos de baixo impacto, possui serviços ecossistêmicos e ambientais exemplares, além de ter um Código Florestal moderno e uma política pública consistente para a agricultura de baixo carbono.
“O Brasil está fazendo talvez a grande revolução na agropecuária e no cinturão tropical do globo, com o conceito da intensificação sustentável integrando lavoura-pecuária, lavoura-pecuária-floresta. Não estamos partindo do zero na bioeconomia. Estamos partindo para um modelo de produção integrada, sistêmica, onde a agricultura dialoga com a natureza, provê serviços ambientais e dialoga com o desafio de desenvolver produtos inovadores que correspondam aos anseios da sociedade, uma sociedade que quer alimento de baixo impacto, de baixa emissão de carbono, produzido de forma segura, de forma inteligente”, destacou Lopes.
Cleber Soares, coordenador do primeiro painel, afirmou que o desafio é fazer a conexão da bioeconomia com a inovação digital. Para ele, a inovação digital deve estar presente em todo o processo, visando, por exemplo, o fortalecimento das cadeias produtivas e da indústria agrícola. “É necessário que a bioeconomia se conecte e traga a economia digital para seus processos mínimos”, disse.
Além de apontar convergências entre as inovações tecnológicas da Embrapa e a bioeconomia, como a relação direta da produção de alimentos com a nutrição e a saúde, Lopes também destacou a importância da atuação integrada da ciência com a cultura, a tradição, a gastronomia e o turismo nos diversos territórios brasileiros. “Portanto, há um grande número de dimensões e áreas onde a agricultura, a bioeconomia e a agenda global dos ODS terão oportunidade de atuarem em sinergia”.
Também participaram do evento, compondo os painéis, o presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Márcio Miranda, os deputados federais Hugo Leal (PSB-RJ) e Celso Pansera (MDB-RJ), o presidente para a América do Sul da Monsanto, Rodrigo Santos, o diretor-executivo da Oxitec do Brasil, Jorge Espanha, o presidente da John Deere, Paulo Herrmann, e Elisabeth Farina, diretora-presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).
Fonte: Embrapa Notícias

Em evento internacional, Maggi diz que competidores ineficientes visam denegrir o país

No Fórum Global para a Alimentação e a Agricultura, na Alemanha, o ministro afirmou que o país tem respostas para produzir mais alimentos de maneira sustentável

Em discurso no Fórum Global para a Alimentação e a Agricultura (GFFA), em Berlim, nesta quinta-feira (18), o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, destacou avanços tecnológicos alcançados pelo Brasil nos últimos anos e os cuidados ambientais previstos na legislação brasileira. Maggi ressaltou que o Brasil encontrou algumas respostas para o desafio do planeta de produzir alimentos para mais 1 bilhão de pessoas até 2030, crescimento populacional previsto pela Organização das Nações Unidas.

Maggi fez questão de frisar que “campanhas mal-intencionadas de competidores ineficientes tentam denegrir a trajetória mais vitoriosa de um país tropical no mercado internacional agropecuário”. E acrescentou que “o exemplo inovador do Brasil, aliando produção com sustentabilidade poderá minimizar os efeitos do aquecimento global, conservar a biodiversidade, contribuir para a segurança alimentar e para a qualidade de vida no planeta”.

“A legislação ambiental brasileira é uma das mais rígidas e exigentes, principalmente com os produtores rurais”, afirmou. O Código Florestal, aprovado em 2012, estabeleceu regras específicas para a atividade agropecuária, definiu áreas de preservação ambiental nas beiras de rios e fontes, topos de morros e encostas, criando corredores ecológicos e preservando a biodiversidade, afirmou.

“O rebanho brasileiro aumentou de 145 milhões, em 1990, para 218 milhões em 2017, reduzindo o tamanho da área de pasto, no período, de 188 milhões de hectares, para menos de 167 milhões”, afirmou. Essa tendência, segundo Maggi, tem sido intensificada com o uso de tecnologias como a integração agricultura, pecuária e florestas.

O ministro ressaltou que foi ainda mais significativo o incremento na produção de grãos, de 386%, em 40 anos, enquanto o aumento de área foi de 33%. “O uso de tecnologia e da inovação, em ambiente tropical, propiciou plantio de duas safras por ano com a fixação biológica de nitrogênio e o plantio direto, além de técnicas que auxiliam na incorporação de matéria orgânica e na proteção des solos de cerrado”.
Proteção ambiental

As propriedades rurais no Brasil são obrigadas também, a contarem com área de proteção permanente que varia de acordo com o bioma em que estão localizadas, na Amazônia, 80% da área deve ser protegida, no cerrado 35%, e nos demais biomas, 20%, sem receberem subsídios do governo por essa prática.

“O resultado desse esforço dos produtores rurais e da sociedade brasileira”, disse o ministro, é a preservação de 66,3% do território brasileiro, coberto por vegetação nativa, sendo que 20,5% se encontram em propriedades rurais. Os 66,3% do território nacional, compreendem 5,64 milhões de hectares, área maior do que a de 28 países da União Europeia, do que a área da Índia e de duas vezes a da Argentina.

Sequestro de carbono

Desde 2009, o governo executa o Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC) que até o ano passado financiou mais de 30 mil projetos e investiu cerca de US$ 6,4 bilhões. Mais de 12 milhões de hectares estão hoje sobre o sistema integrado de agricultura, pecuária e floresta. O sistema permite uso mais eficiente da terra, preservando solos e recursos hídricos, unindo produtividade, bem-estar animal e diversificação da produção, além de aliviar a pressão para a abertura de novas áreas de produção.

O sucesso dessas e outras tantas iniciativas do Brasil voltadas para o setor agropecuário, pode levar a atividade pecuária a ter um sequestro de carbono de até 4,5 bilhões de toneladas nos próximos 30 anos ao recuperar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e reflorestar 12 milhões de hectares, até 2030.

Fonte: Assessoria Mapa

A Antártida está criando uma fazenda capaz de produzir em temperaturas externas de -70 º C

Os invernos constantes da Antártida impossibilitam o cultivo de alimentos ao ar livre. Frutas e vegetais são transportados em longas viagens até lá, apenas algumas vezes por ano.

Mas os engenheiros do Centro Aeroespacial Alemão (GAC) em breve construirão uma fazenda de alta tecnologia que permitirá que os cientistas residentes na Antártida colham produtos.

A fazenda contará com uma estufa que pode produzir alimentos para pesquisadores na estação Neumayer III, na plataforma de gelo Ekstrom.

Chamada Eden-ISS, a fazenda existe dentro de um recipiente de transporte com controle climático. A estufa baseia-se em uma técnica chamada agricultura vertical, na qual o alimento cresce em bandejas ou módulos pendurados sob LEDs que substituem a luz solar natural.

Antes de começar a fazenda na Antártida, o GAC está fazendo testes em sua sede em Bremen, na Alemanha.

Eden-ISS durante testes em Bremen. Crédito de imagem: GAC.

A fazenda de 135 metros quadrados pode cultivar diversos tipos de alimentos em ambiente fechado. O clima inóspito da Antártida impossibilita qualquer cultivo ao ar livre.

Crédito de imagem: GAC

A única forma de fornecer alimentos para McMurdo, estação dos EUA onde a maioria dos pesquisadores permanecem, é por navio ou avião. Em janeiro, um carregamento de alimentos secos e congelados é entregue, e durante o verão, aviões vêm com comida fresca uma vez por semana.

Paul Zabel, cientista da GAC, se mudará para a Antártida com a fazenda, onde cultivará frutas e vegetais.

Uma vez que a fazenda tem seu clima controlado, ela pode cultivar o ano todo, até mesmo quando as temperaturas atingem -100 º F.

Atualmente, algumas regiões sub-árticas estão passando por um boom agrícola, em parte devido às mudanças climáticas.

Ao longo dos últimos 100 anos, as temperaturas do Ártico aumentaram em quase o dobro da média global, possibilitando cultivar em locais extremos, como partes do Canadá e na Groenlândia.

Para fazer com que as plantas cresçam, os pesquisadores tornam a atmosfera da estufa rica em dióxido de carbono e mantêm uma temperatura de 24 º C.

Os pesquisadores pretendem cultivar entre 30 e 35 espécies diferentes, incluindo hortaliças, tomates, morangos, pimentas e ervas. Em julho, a equipe cultivou seu primeiro pepino na Eden-ISS, que mediu 14 centímetros e 96 gramas.

O objetivo central do GAC é criar um sistema de cultivo para o espaço. Se os pesquisadores tiverem sucesso na Antártida, é possível que consigam replicar em Marte ou na Lua.

Fonte: Climatologia Geográfica

Agricultura entra na pauta dos debates da ONU sobre mudanças climáticas

A 23ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP23, entrará para a história das negociações sobre como combater o aquecimento global. Pela primeira vez, a agricultura foi formalmente reconhecida como atividade emissora de gases do efeito estufa e incluída nos debates sobre a implementação do Acordo de Paris. A ampliação das discussões foi elogiada pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), que defendeu a adoção de modelos sustentáveis de produção pelo setor agrícola.

Com práticas responsáveis e investimento em tecnologia, a agricultura conseguiria reduzir em 6% o seu volume de emissões de gases do efeito estufa — o que, segundo o FIDA, contribuiria substancialmente para manter o aquecimento global abaixo dos 2º C, tal como previsto pelo Acordo de Paris. As deliberações da COP23 sobre agricultura determinam a realização de estudos que deverão ser concluídos em 2020, para orientar as decisões da COP26.

O FIDA já havia se pronunciado a favor da inclusão da agricultura na pauta da Conferência das Partes, alegando a necessidade de proteger comunidades de agricultores familiares e de pequenos produtores em zonas costeiras que dependem da pesca. Esses grupos são mais vulneráveis às mudanças climáticas, sobretudo por sua dependência de recursos naturais. O posicionamento do FIDA também cobra dos países que tomem medidas para reduzir a pegada de carbono de seus respectivos setores agrícolas.

Fonte: ONU

Comissão de Mudanças Climáticas discutirá agricultura de baixo carbono

As boas práticas na agricultura de baixo carbono, como plantio direto e moratória da soja, serão debatidas em audiência pública interativa da Comissão Mista Permanente sobre de Mudanças Climáticas na quarta-feira (11).

O plantio direto está previsto no Programa ABC do governo federal, de incentivo na agricultura da adoção de tecnologias que reduzam as emissões de gases de efeito estufa. Pelo método, a palha e os demais restos vegetais de outras culturas são mantidos na superfície do solo, garantindo sua cobertura e proteção. A terra só é manipulada no momento do plantio para depositar sementes e fertilizantes.

Dados da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que no, Brasil, há cerca de 32 milhões de hectares plantados com uso desse sistema.

Já a Moratória da Soja foi um acordo feito entre governo, setor produtivo e sociedade civil em 1996 para garantir que a soja brasileira só tenha acesso ao mercado de commodities caso a produção não cause desmatamento, não utilize trabalho escravo nem ameace terras indígenas. Em dez anos de sua vigência, estima-se que os quase 6 mil quilômetros quadrados desmatados anualmente para plantio da soja tenham sido reduzidos a 826 quilômetros quadrados anuais.

Para discutir essas e outras boas práticas na agricultura brasileira, foram convidados o assessor especial do Ministério da Agricultura, João Campari; a secretária-executiva do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Laura de Santis Prada; o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli; e o pesquisador da Embrapa Cerrados Robélio Marchão.

A audiência está marcada para 9h30 na sala 6 da Ala Nilo Coelho.

Fonte: Agência Senado

Brasil defende produção agrícola menos poluente

Aumentar a produção agrícola mantendo a qualidade dos produtos, reduzir as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs) na agropecuária e, ao mesmo tempo, preservar a maior biodiversidade do planeta. Esse panorama foi apresentado pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, na Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-22), que se realiza nesta semana, em Marrakesh, Marrocos, para debater a aplicação do Acordo de Paris. O presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Antônio Lopes, também faz parte da comitiva brasileira na COP-22.
Maggi acredita que o Brasil é capaz de responder a grandes desafios mundiais apresentados pela ONU, como o aumento da produção de alimentos para uma população mundial crescente, a adaptação de sistemas produtivos e a redução dos gases de efeito estufa. O Ministério da Agricultura prevê que o setor agropecuário nacional deverá alcançar a redução de emissões de CO2 em 0,9 gigatoneladas, entre de 2005 e 2030.
Os resultados ambientais do setor agropecuário nacional se devem, especialmente, ao Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC). Coordenado pelo Mapa, o plano visa a práticas sustentáveis que reduzem emissões e retêm carbono por meio da recuperação de pastagens degradadas, do plantio direto na palha, do plantio de florestas e da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). As áreas produtivas com sistema integrado somam 11,5 milhões de hectares no País, de acordo com pesquisa patrocinada pela Rede de Fomento de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e realizada pelo Kleffmann Group com acompanhamento técnico da Embrapa.
A comitiva brasileira frisou que as áreas de preservação em propriedades rurais brasileiras correspondem aos territórios da França e da Noruega juntos. Por conta do cumprimento de regras ambientais rigorosas, o ministro da Agricultura defendeu que os produtos agrícolas brasileiros tenham preferência no mercado global.
Entre as metas assumidas pelo Brasil na COP-21 até o ano de 2030, o setor agrícola se propôs a contribuir com a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens, aumentar em 5 milhões de hectares os sistemas de produção integrada e fornecer matérias-primas para biocombustíveis como etanol e biodiesel, que deverão responder por 18% do consumo energético nacional em 2030. O País tem se colocado na conferência como ator-chave na produção sustentável de alimentos e em produção de serviços ambientais.
“Somando-se as metas voluntárias assumidas anteriormente com o compromisso ratificado pelo País por meio da NDC (Proposta do Observatório do Clima para a Contribuição Nacionalmente Determinada), o Brasil se compromete a trabalhar 55,5 milhões de hectares e mais 12 milhões para recuperação e recomposição de florestas, o que representa mais de um quarto de todas as terras usadas pela agropecuária. Nenhum outro país assumiu proposta tão audaciosa”, ressaltou o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Celso Manzatto, coordenador da Plataforma ABC, iniciativa multi-institucional para monitorar a adoção de tecnologias de Baixa Emissão de Carbono na agropecuária.
Para Manzatto, a plataforma é uma valiosa iniciativa, tanto para validar os resultados alcançados e gerar dados para certificação de produtos agropecuários sustentáveis quanto como ferramenta para disseminar essas tecnologias. Para o presidente da Embrapa, o Brasil concentra todas as condições para se tornar líder mundial em intensificação baseada em tecnologias “poupa-recursos”, de baixa emissão de carbono e em ganhos na produtividade da terra. De acordo com Maurício Lopes, o País é um dos poucos do mundo com grandes extensões de terra com aptidão para uso sustentável.
Fonte: Jornal do Comércio

Maggi pedirá, em Marrakech, compensação à agricultura por cuidados ambientais

Leis brasileiras são severas para o cultivo, e país preserva 61% da sua vegetação, diz ministro

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) adotará uma posição firme na COP 22, a Conferência da ONU sobre o clima que se realiza até a próxima sexta-feira (18) em Marrakech, no Marrocos. O ministro Blairo Maggi, que integra a comitiva de governo, deverá defender que os produtos agrícolas brasileiros tenham preferência no mercado global, em função de cumprirem regras ambientais rigorosas – uma postura diferenciada de outros países que também são produtores de alimentos.

O ministro vai reforçar que o Brasil tem 61% de suas matas nativas preservadas e que faz uso de energias limpas, além de ser responsável por 14% da água doce do planeta e de adotar práticas preservacionistas no cultivo, no caso de soja e trigo, por exemplo. Blairo Maggi, que falará na quinta-feira (17) no painel O papel do Brasil, da agricultura e da silvicultura no Acordo de Paris, tem defendido que ministros da área participem cada vez mais das discussões internacionais sobre meio ambiente, ”colocando a realidade do produtor nas grandes decisões”.

Ele destaca que o clima é de fundamental importância para o produtor rural e que essa é uma forte motivação para preservar o equilíbrio ambiental. Outra razão, apontada pelo ministro, é a importância de abastecer o mercado mundial de alimentos. “Só haverá paz no mundo quando tiver alimento na mesa de todos”, observou.

O assessor especial do Mapa para Desenvolvimento e Sustentabilidade, João Campari, que também viaja para a COP 22, lembra que Blairo Maggi cobrará compensações pelas práticas e regras ambientais seguidas por agricultores brasileiros. “Queremos ser compensados de alguma forma por todos esses cuidados que são compartilhados com o bem-estar da população dos demais povos”, destaca. “Temos aqui leis muito severas para o uso da terra, mais do que em qualquer outro país”, acrescenta.

O ministro vai defender ainda a pecuária, em contraponto a opiniões de que a produção de gado contribui para poluir a atmosfera. Artigo publicado na conceituada revista Nature, assinala Campari, revelou que os gases dos animais são compensados pelas pastagens plantada para alimentá-los.

Blairo Maggi também participará do lançamento da Plataforma para o Biofuturo, que visa aproveitar a tecnologia existente no tratamento de resíduos para produção de combustíveis celulósicos, como o etanol obtido da biomassa de cana-de-açúcar. E deverá se encontrar com o diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), o brasileiro José Graziano da Silva.

O secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa, Odilson Silva, e o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Lopes, também viajam a Marrakech. O objetivo da conferência é garantir a redução das emissões de CO² (gás carbônico) na atmosfera para conter o aquecimento global. A estimativa é de que, se nada for feito, os oceanos deverão avançar seis metros sobre os continentes até o fim do século.

Fonte: MAPA

Agricultura quer ser uma solução para as mudanças climáticas

De 3,7 bilhões de habitantes em 1970, a população mundial passará a 9,7 bilhões em 2050

Vítima e culpada pelas mudanças climáticas, a agricultura também quer demonstrar que pode ser uma solução para o aquecimento global, graças a um melhor uso dos solos e terras agrícolas.

Neste ano, o Marrocos viu suas colheitas de trigo caírem 70% pela seca. A França também produziu 30% menos trigo em relação ao ano passado, após uma primavera de chuvas e inundações. Na América Latina, o fenômeno El Niño, agravado pelo aquecimento global, tem reduzido fortemente as colheitas.

Além de sofrer as consequências das mudanças climáticas, a agricultura também é uma das suas causas, sendo responsável por ao menos um quarto das emissões mundiais dos gases de efeito estufa.

Contribui, ainda, diretamente para o aquecimento global, em até 17%, principalmente através pecuária. Além disso, as modificações dos usos das terras, como o desmatamento, contribuem de 7% a 14% para o aumento das temperaturas, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Desafio colossal

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou em 17 de outubro que a agricultura e os sistemas alimentares requerem uma “profunda transformação” para enfrentar um desafio colossal e ao mesmo tempo paradoxal: reduzir as emissões e cada vez mais conseguir alimentar mais pessoas.

De 3,7 bilhões de habitantes em 1970, a população mundial passará a 9,7 bilhões em 2050.

As ideias se multiplicam, especialmente a respeito da África, que não tem a sua independência alimentar assegurada, como o projeto acadêmico britânico “Agricultura para Impacto”, ou a iniciativa “Triple A” (Adaptação da Agricultura Africana) do Marrocos.

Um grupo de cientistas franceses propõe um projeto chamado “4 por 1000” ou “agroecologia”. Segundo eles, utilizando um pouco mais a cada ano os prados e campos para bombear carbono, ao mesmo tempo em que se cultiva de outra forma, pode-se conseguir armazenar 0,4% a mais de carbono por ano nos solos, e frear assim o aumento da concentração de CO2 na atmosfera.

O uso das terras agrícolas se converteu em um tema central nas negociações sobre o clima que estão sendo realizadas em Marrakesh nesta semana, na conferência anual da ONU sobre o clima (COP22).

Plantar leguminosas

Além de reduzir os fertilizantes e os produtos fitossanitários, há uma série de medidas que podem ser adotadas.

Entre elas, combater a erosão e restaurar solos agrícolas que desapareceram ou plantar mais leguminosas, como lentilhas e grão-de-bico, que têm a dupla virtude de captar do ar o nitrogênio, um fertilizante natural, e de depositá-lo na terra para o próximo cultivo.

Outras opções são proibir o arado, não deixando nunca o solo nu no inverno, deixar as culturas enterradas que alimentam o solo, cultivar sob árvores e fazer rotações de colheitas. “Em lugares onde a terra já é muito pobre, pode ser necessário recorrer aos fertilizantes”, admite um funcionário do governo, referindo-se à África.

Todos estes esforços têm de ser aplicados paralelamente a uma melhora da seleção genética das espécies vegetais, para que estas resistam à seca e às doenças. “O maior problema será conseguir estabilizar as produções”, considera Sebastien Abis, pesquisador no Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS) em Paris, e autor do estudo “Agricultura e clima”, junto com Mohammed Sadiki, professor de genética do Instituto Agronômico Veterinário de Rabat.

Segundo ele, com o aumento da população mundial é “perigoso ter um discurso de decrescimento da produção agrícola em escala mundial”.

Mas nem todos concordam com este ponto de vista. “Hoje o planeta produz o dobro do que necessita em matéria de alimentação: 4.600 calorias por dia e por habitante, apesar de que só precisamos de 2.300 calorias”, afirma à AFP Hans Herren, presidente do centro Millenium em Washington, responsável por estabelecer modelos matemáticos sobre desenvolvimento sustentável para a ONU. “A Europa e os Estados Unidos devem parar de pensar que eles estão aí para alimentar o mundo. A África pode muito bem se alimentar sozinha”, acrescentou.

Fonte: AFP publicado pela Gazeta do Povo

Competição entre energia e alimentos é uma “grande falácia”, diz presidente da DATAGRO

Excedente de produção dos alimentos nos mercados desenvolvidos pode causar distorções nos mercados emergentes

Há um intenso debate em curso quanto à utilização das áreas agrícolas para produção de matéria-prima para o setor energético. O etanol, por exemplo, pode ser produzido a partir da cana-de-açúcar, milho, beterraba, e outras fontes, ocupando uma área que até então seria destinada para a agricultura de alimentos.

Mas, para Plinio Nastari, presidente da DATAGRO, essa é uma “grande falácia”. “A absorção dos excedentes de produção para a produção  de agroenergia é o que viabiliza uma condição de preço mais estável para os mercados de milho e soja, o que viabilizou o retorno da agricultura nos países em desenvolvimento, inclusive no Brasil”, afirma.

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Fonte: InfoMoney

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